31/10/2012

Homem Quântico


Jonathan Felix sentou em sua cadeira após fixar os últimos eletrodos na sua cabeça. Ele estava agora reclinado em cima do projeto científico privado mais caro do mundo, e hoje a intenção era ultrapassar uma das barreiras finais, concluir o seu sonho e de muitos outros. O objetivo desse projeto era abrir a mente do homem para que ele possa perceber as outras dimensões do espaço, além das meras 3.

O resultado final ainda é um ponto de contestação, mas se suspeita que o indivíduo que for induzido e incumbido de tal poder seja capaz de estudar todos os universos possíveis criados a a partir de suas ações, e que pudesse escolher qual seguir. Um homem que escolhesse cada passo seu por já saber seu resultado.

Felix agarrou aquela oportunidade, porque era jovem e cabeça dura. Nos seus vinte e poucos anos e com uma mente brilhante para física quântica, ele estava confiando nessa oportunidade para aplicar seus conhecimentos teóricos de médium em aspecto físico. Ele deu o aval final para os técnicos do outro lado do vidro de segurança ativarem os primeiros estágios da máquina. O microfone da sua sala passava cada palavra que ele dizia para os técnicos.

"Se eu vi além do que os outros, é porque estive nos ombros de gigantes." Uma piada como essa para seus colegas seria um pouco inapropriada agora, ele pensou com um leve sorriso.
A cadeira foi reclinada até virar uma maca, e a grande doma giratória abaixou até engolir todo seu corpo. Dentro da doma havia uma complexa estrutura cristalina passando linhas de um lado ao outro. Ele se concentrou nas pontas dos cristais, e notou que começavam a se mudar, brilhar, mexer, e começaram a embaralhar sua mente de um modo que ele não entendia. Começou a se sentir tonto e enjoado.
Sua visão foi logo preenchida de explosões de luz, e seu corpo começou a sofrer espasmos. Lendo seus sinais vitais lá da sala de controle os engenheiros instantâneamente abortaram a operação. Um médico correu, abriu a doma e conferiu os sinais vitais de Felix, e ficou feliz em encontrar no mínimo um fraco, porém existente batimento cardíaco.

Felix abriu seus olhos alguns minutos depois. Olhou para o Doutor e de repente se assustou ao se lembrar onde estava.

"O que aconteceu? Não me sinto nada diferente..."
O Doutor sorriu e bateu em seu ombro.

"Quase foi dessa para melhor hein rapaz?"

O Doutor se virou e foi andando, prendeu o tornozelo em um cabo, tropeçou, caiu e quebrou a cabeça contra a quina de uma mesa, seu pescoço se entortou em um ângulo doentio e...

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O Doutor se virou e foi andando, prendeu seu tornozelo em um cabo, tropeçou e então foi agarrado por trás por Felix que se jogara de seu lugar para deter o Doutor antes que colidisse com a mesa.

Felix entrou em choque e vomitou. Suas mãos tremendo, ele notou que havia visto dois universos e decidiu qual seguir. Sorriu para o Doutor.
"Eu consegui, eu posso vê-los... Eu posso ver todos..."

Seu sorriso sumiu.

Agora ele tinha visto dois universos, estava ciente dos dois. De repente, um terceiro, um quarto, um quinto, um sexto... diversos surgindo em sua mente. Ele podia, de súbito, ver todas as possibilidades de todos os seus atos em todos os aspectos possíveis, alguns que ele sequer desejava ver. Sua mente começou a se despedaçar.
Felix segurou o médico e em um ato de fúria inumana enfiou seus dedos nos olhos dele e...

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Felix olhou desesperadamente para os olhos do médico e começou a gritar, se recusando a para mesmo quando começou a formar bolhas de sangue nos cantos da boca...

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Felix correu até a parede e começou a bater com a cabeça lá para só conseguir seu objetivo de afundar a testa só na quarta tentativa...

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Felix ficou sentado no chão pensando em todo o mal que ele era fisicamente capaz de causar. Seu corpo tremeu enquanto ele soluçava em terror. Ele pegou o crachá do Doutor e olhou fundo em seus olhos gritando:

"LONGE DEMAIS... LONGE DEMAIS..."
Seus olhos embranqueceram por um segundo, então começaram a amarelar e apagar. Ao mesmo tempo seus cabelos ficaram brancos como neve. Felix em seus momentos finais ficou ciente de toda a magnitude dos universos que se amontoava ao seu redor, e ele podia viver em qualquer um deles, a qualquer tempo, de qualquer modo, infinitos bilhões de universos, anos, milênios e possibilidades, tudo isso fluindo ao mesmo tempo em uma único pensamento... Ele caiu ao chão e sua mente se foi no abismo.

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Digital.


Enquanto escovando os dentes a noite, você vê de relance que no espelho da sua parede há marcas de digitais.

Irritado, você pega uma toalha e começa a esfregá-las. Elas permanecem.

Olhando mais atentamente, você percebe que elas parecem estar marcadas pelo outro lado do espelho.

Votos.


Eu te amo.
 Você me ama também, não é? Claro que sim. O anel no meu dedo prova. Idiota sou para sempre pensar o contrário.

Meu bem? Por que você parece assustado? Sou só eu. Amy. A mulher que você prometeu seu amor a doze anos atrás. "Nem mesmo a morte vai nos separar." Lembra disso? Foi o seu voto para mim. Você me disse, e outra vez, que você me amaria para sempre. Que você iria ficar ao meu lado e nunca ia me deixar.

Você está pálido. Eu sei que eu o deixei por um tempo, mas você não precisa me tratar como se eu fosse um monstro. Eu tinha uma boa razão. Eu tinha que recuperar dos destroços que eu tinha por dentro. Eu passei muito tempo no hospital, então um período longo foi necessário. O lugar que eu fui foi tão pacífico, mas eu perdi você. Eu quero voltar, mas não sem você.

Pare de me olhar assim! Eu sei que pareço um pouco diferente. Ninguém seria o mesmo depois de um acidente como aquele. Mas não foi você que disse que minha beleza interior é tudo o que importa? Que meu rosto poderia ser derreteu pelo ácido, e você ainda beijá-lo todas as noites? Bem, me beije. Vamos lá! Você prometeu. Eu vou chorar se você o não faz.

Pronto, pronto. Viu só? Ainda sou eu. Agora, venha comigo, como prometeu. Precisamos partir agora, para que eu possa lhe mostrar o lugar. Precisamos também de nos instalar lá antes que nossa menininha saía do hospital.

Você já ouviu falar, certo? Bem, a pequena Lily teve que ficar no hospital um pouco mais do que eu. Mas ela estará saindo em breve, e ela vai direto para o lugar que estamos indo. Isto é tão excitante. Nós finalmente voltaremos a ser uma família novamente.

Amor, por que você está chorando? Por favor, pare. Isso é uma coisa boa. Para todos nós. Nossa família vai estar junta em um lugar agradável, seguro. Ah, e eu esqueci de te dizer a melhor parte! Meus pais estão lá! Eles vão nos ajudar a nos instalar lá dentro, não é incrível? Você e Lily finalmente vão poder conhecer os meus pais. Faz tanto tempo desde que eu os vi.

Pare de argumentar. Você prometeu-me que ia ficar comigo para sempre, e eu levo votos a sério. Além disso, Lily vai estar lá, e ela não pode ficar sem seu pai.
Estou tão animada que você finalmente concordou. Bagagens? Não. Tudo o que precisamos já está lá. Há um regime especial para nós três. Eu só precisava vir buscá-lo.

Faca? O que, isso? Oh, não é nada. Você me ama, certo? Bom. Feche os olhos. Agora, me beije antes de partir.

Eu te amo.


FELIZ HALLOWEEN!


Família Buckley



Essa é a família Buckley. Os nomes das crianças eram Susan e John. Como uma brincadeira de Halloween, todas crianças da vizinhança iam pegar um manequim e fingir que iam arrancar sua cabeça. Os jovens Buckley pensaram que seria mais divertido se realmente viessem a matar sua mãe, então quando as crianças andassem até a porta deles, eles tinham um machado e abateriam-na. Uma vez que todos perceberam o que eles tinham realmente feito, foi chamada a polícia, mas as crianças já tinham sumido então. A única foto deles foi essa, tirada como travessura. O corpo da mãe foi encontrada depois comida pela metade.

FELIZ HALLOWEEN!



Escada


Em 1984, viveu sozinha uma velha viúva em uma casa histórica que estava completamente imóvel e presa a sua cadeira de rodas. Desde a misteriosa morte de seu marido, ela exigiu os cuidados de uma enfermeira que visitaria-a diariamente para ajuda-la com suas tarefas diárias. O que tornava as coisas mais complicadas é que os dois andares da casa eram apenas conectados por uma escadaria interna. Quando a senhora precisava ir para o segundo andar ou descer, a enfermeira tinha que carregar seu frágil corpo como um bebê, para cima e para baixo. Um dia a polícia recebeu uma ligação da viúva. Havia acontecido um assassinato.

Sendo que naquela época as unidades de polícia eram poucas naquela época, e sendo que o assassino já tinha fugido do local, apenas um detetive tinha sido mandando para conduzir o relatório inicial do crime. Ele chegou para encontrar o corpo da enfermeira espalhado pelo chão com suas cordas vocais arrancadas para fora em uma piscina de sangue no primeiro andar da casa, com a senhora no topo da escada de cadeiras de rodas olhando para ele, ainda em silêncio, aparentemente em choque. Ele pode imediatamente descarta-la dos suspeitos, por conta de suas inabilidades para se deslocar pela escada, e por conta que ela estava presa lá em cima o tempo todo durante o assassinato. Era parecido com a morte de muitos anos atrás, do marido da velha senhora, que tinha sufocado em seu sono no sofá do andar de baixo.

O detetive colocou suas luvas, tirou fotos, procurou evidências, e cobriu o corpo até que o médico legista chegasse mais tarde - coisas de rotina do trabalho. Ele vasculhou o andar de baixo da casa procurando algumas pistas, e perguntou para a senhora se ele podia olhar o andar de cima. Ela insistiu que estava no andar de cima o tempo todo e ninguém havia estado lá em cima o dia todo a não ser ela aquele dia, mas independente disso o detetive subiu as escadas a qual ela se negava sai da frente.

Além da escada, havia um corredor estreito, com três portas fechadas ao longo dela. Ele verificou por trás de cada uma das portas, o quarto vazio - nada, o banheiro- nada. Ele tornou-se ansioso enquanto lentamente fez seu caminho para o quarto final, onde a velha senhora dormia. Abriu-a e tudo parecia normal. Uma cama, um armário e uma mesa de cabeceira com uma lâmpada. Ele verificou todas as paredes da sala em horror, não era o que ele tinha descoberto que o tinha deixado em pânico, mas  sim o que ele não descobriu que o fez parar de imóvel em seus calcanhares e pegar lentamente a arma no cós da calça. Foi um detalhe tão pequeno que tinha esquecido completamente que na última investigação da morte do marido. Não havia nenhum telefone no andar de cima. De repente, ele ouviu um barulho que o fez  retirar a arma e sair correndo do quarto, apenas para encontrar uma cadeira de rodas vazia no topo das escadas.

FELIZ HALLOWEEN!


Robert, O boneco.


Por volta de 1900, um rico homem chamado Dr. Otto, vivia em Key West, e lá com ele moravam diversos servos (escravos) que ele trouxera das Bahamas. No que muitos especulam ter sido um ato de vingança, um servo boêmio deu a Robert Eugene Otto (filho do Dr. Otto) um boneco feito de barbantes, pano, cabos, palha e, algo como, uma pedra-de-alma (possivelmente a do filho do servo que morrera a pouco tempo). Essa prática em meio de voodoo requer um pequeno cristal do apego pessoal de alguém enquanto vivo, que, colocado no objeto de desejo, após a morte do dono do cristal, se torna uma espécie de vaso e ganha uma alma própria. A irmã de Eugene morreu por volta do tempo em que ele ganhou o boneco. Eugene deu a Robert o Boneco seu nome de Robert, e fez com que todos o chamassem de Eugene (Gene). Através de sua infância, toda vez que algo ruim acontecia e a culpa recaía sobre Eugene, ele dizia que Robert havia feito isso.

Mais preocupantes ainda foram os eventos que se seguiram - Taças e talheres sendo atiradas na sala de jantar, servos escondidos durante seus turnos da noite enquanto ouviam barulho onde roupas que eram rasgadas e papeis que eram amassados e jogados no chão em aposentos esquecidos da casa. Brinquedos queridos de Eugene que começaram a aparecem multilados e brutalizados quando no profundo da noite se ouvia uma fina risada. Eugene podia quase sempre ser ouvido de seu quarto de brinquedos enquanto brincava e após um momento de silêncio solene, o burburinho baixo de conversa soava até os ouvidos dos servos, primeiro na voz de menino de Eugene, e, logo depois, em uma voz de tom totalmente diferente.




As vezes a voz de Eugene soava agitada, mas a voz em resposta só parecia insistente, e eram esses momentos que preocupavam os servos e depois a Sra. Otto. Nessa ocasião em específico, a mãe preocupada ia até seu filho, e, ao abrir a porta do quarto de brinquedos, o encontrava em um canto da sala, enquanto Robert o Boneco estava em alguma cadeira ou na cama, parecendo olhar para o menino. Eugene manteve uma relação próxima com Robert até ele sair para estudar artes em Paris, onde ele encontraria sua futura esposa Anne.

Logo se casaram e se mudaram para sua casa em Key West, tal conhecida como "A casa do Artista". Eugene contratou pedreiros para construírem um quarto no tamanho de Robert feito no terceiro andar de sua casa no estilo vitoriano, e tinha até mobília, teto rebaixado e tudo mais. O casamento foi um desastre desde o começo porque Eugene insistia que o boneco os acompanhasse para todo lugar, até mesmo na sala de jantar ou no quarto na noite de núpcias. Crianças vindo da escola para casa (muitas dessas entrevistadas, sempre com os mesmos resultados) diziam ver Robert se mover pela casa nos andares de cima, de um quarto para outro e de um andar para outro pelas escadas. Conforme Eugene envelhecia, foi ficando extremamente abusivo com Anne, sendo descoberto depois que ela chegou a ser trancada diversas vezes no cubículo debaixo da escadaria várias vezes ao dia. Após a morte e enterro de Eugene no cemitério Key West, Anne foi para casa de sua família em Boston e colocou sua casa para alugar.

Quando Anne saiu, ela deixou Robert trancado em seu quarto no andar de cima e colocou nos termos de contrato de que não importasse o que ocorresse, o ele seria o único a ocupar aquele quarto, ou o contrato seria quebrado. Permaneceu-se assim até sua morte em 1976. Os primeiros novos registros de atividade foram de um encanador contratado para fazer uns reparos. O encanador disse:

"Estava fazendo meu trabalho na parte de cima da casa. O novo pessoal queria fazer um quarto novo e eu estava passando os canos para um novo banheiro. O boneco era muito assustador, sentado lá, na sua pequena cadeira, segurando seu bicho de pelúcia, mas eu tinha que fazer meu trabalho porque bem, era meu trabalho, então tentei não pensar muito nele. No andamento de meu trabalho tive que descer na minha van algumas vezes para pegar peças ou ferramentas, e posso jurar que cada vez que eu voltava a posição do boneco havia mudado. Eu ia terminar meu serviço quando fui descendo as escadas e ouvi uma risada infantil atrás de mim. Quando me virei, o boneco estava do outro lado do quarto. A primeira coisa foi procurar por uma criança no quarto, mas não havia mais ninguém. Não muito apavorado, mas ainda assim julgando o fato estranho demais, terminei de descer e fui embora. Provavelmente algumas ferramentas minhas ainda estão lá."

Futuros ocupantes da casa registraram ter escutado barulhos vindo de cima incluindo passos, risadas e batidas, e, sob inspeção, descobriam que Robert havia saído de seu lugar de onde haviam o deixado. Com o tempo, geralmente ele só cruzava os braços, ia de lado para outro lado da sala ou dobrava as pernas, ou se mudava de cadeira para cadeira. Os moradores ficaram tão perturbados que o trancaram em um baú, mas mantendo-se ao contrato, deixaram o baú no seu quarto, sozinho. Mas isso não deu fim aos surtos. Robert saiu do baú e era encontrado cada vez em um lugar diferente, de maneira mais perturbadora e assustadora, e quando foi encontrado rindo e segurando uma faca de cozinha do lado da cama do novo dono da casa, não havia nenhum Eugene para ser culpado. Os moradores foram embora e Robert o Boneco assombrado foi para sua nova casa no Museu East Martello em Key west, onde está bem seguro.

Após longos anos, Robert foi finalmente redescoberto no estoque do Museu East Martello, e sob demanda popular, foi posto para exposição. Muitas pessoas especulavam que Robert havia perdido energia após ficar trancado tanto tempo, entretanto, agora novamente em contato com humanos, ele estava drenando energia. Talvez também conte os três ou quatro marca-passos que pararam na sua frente, registros de pilhas recém compradas para câmeras morrendo na sua frente, e de até mesmo máquinas que pararam de funcionar na sua frente (as autoridades do Museu gastaram 6 rolos de filme e muitas pilhas e só conseguiram uma meia dúzia de fotos para divulgação). Curadores do Museu reportaram terem visto Robert mudar de posição durante a noite, mesmo estando atrás de uma jaula de vidro, dentro de um Museu de tijolos bloqueado por três portas de madeira e barras de ferro em toda e qualquer janela. Pessoas que vão ver Robert também contam pasmas terem visto suas expressões faciais mudarem diante de seus olhos.



HAPPY HALLOWEEN! 


29/10/2012

Cemitério Night Springs


Um sol laranja tecia seus últimos raios no céu ao se deitar no horizonte, iluminando fracamente Night Springs. Simon Willis, na meia idade, aproveitava essas luzes finais para olhar para o túmulo de sua mãe e pensar sozinho. Não lhe restava muito tempo, o cemitério ficava perigoso depois da noite. Não por alguma razão misteriosa, se você julga assim ser, mas sim por ele ser rodeado por uma floresta, e ser o único lugar em toda a Pennsylvania a ter registros de lobos selvagens por perto.

"Você sabe dos lobos, não sabe?"

Simon pulou ao ouvir a voz e virou seu corpo com raiva para o intruso. Ele conseguiu se acalmar ao reconhecer o velho de aparência gentil como o coveiro do cemitério. Sua raiva gélida derreteu logo que ele viu o homem erguer as mãos em gesto de desculpas.

"Desculpe-me, não queria lhe assustar assim. Achei que minhas velhas pernas barulhentas haviam me denunciado a mais de um quilômetro atrás."
O velho riu baixo e continuou a se aproximar, ao que Simon se permitiu um levíssimo sorriso de canto de boca após todo aquele duro dia. Por um momento, o coveiro observou o túmulo ao lado do homem, em reverência solene. Apesar de não haver apreciado a aparição de outros familiares ou amigos por perto, até gostou daquele velho homem ali por perto. O coveiro trouxe um senso de cordialidade ao luto de Simon, e lhe aumentou o oficialidade de se manter parado no seu lugar, como uma estátua. O homem até parecia saber a hora certa de quebrar o silêncio.

Eu cavei essa cova, sabe. Cavei todas as covas por aqui, na verdade. Mantém meu corpo mais jovem do que realmente é." disse ele, olhos brilhando com orgulho. Era verdade. Simon lembrava de conhecer esse homem desde de era criança, ele já devia estar nos seus oitenta anos ou algo assim, mas parecia estar chegando aos sessenta agora. Não parecia ter envelhecido tanto assim nesses anos.

"Estou nesse emprego a quarenta anos agora. Foi passado a mim pelo meu pai logo após sua morte. Ele devia ter minha idade, mais ou menos, quando aconteceu. Me chame Jeremy Carter, se está se perguntando como me chamar. Só Carter já basta."


"Carter," Simon repetiu vagamente. "Como seu pai faleceu? Se não se importa que eu pergunte."

"Não, não, tudo bem. Ele só ficou cansado de viver, suponho. Provavelmente fumou demais e enterrou boa gente demais." Aqui ele mudou o assunto. "Não sabia muito sobre sua mãe, mas a reconheci ao saber que morava na cidade. Nunca soube o nome dela. Ouvi dizer que foi câncer."

"É..." A voz de Simon soou vazia e ele se perguntou se não seria assim para sempre agora em diante.

"Uma maneira terrível de se partir. Morrer aos poucos. Já deve estar cansado de ouvir isso mas, meus sinceros pêsames."
Carter estava certo. O "Obrigado" que saiu da boca de Simon foi automatizado e sem sentido. Como um músculo usado demais, até pararmos de sentir ele. Tudo que Simon queria era fugir dessas formalidades de pêsames e respeitos e passar o luto de sua mãe em paz. Ele não sabia se um dia essa palavra voltaria a ter significado outra vez.
Simon queria falar sobre sua mãe com esse homem. Até tentou começar com um "Ela-" antes de notar que nenhuma palavra seguiria e sua garganta estava seca. De algum modo, o velho homem parecia entender isso tudo e foi aproximando o assunto do que Simon queria.

"Sei que sua mãe sempre viveu aqui, então estou certo em afirmar que você cresceu em Night Springs também?"

A pergunta ofereceu caminho para abir a conversa desejada então Simon gentilmente aceitou e respondeu.

"É, bem, eu nunca conheci meu pai, então cresci aqui sozinho com minha mãe." Então se corrigiu. "Bem, não sozinho. Tem toda uma cidade, naturalmente, e eu costumava conhecer todo mundo. Minha mãe nunca teve outro filho ou se casou de novo, então sempre fomos só nós dois na casa."

Simon parou por um momento, refletindo, então sentiu que precisava falar apropriadamente para honrar a memória de sua mãe.


"Era bom de qualquer jeito. Minha mãe foi uma grande mulher. A casa era pequena comparada com as outras, mas dava para nós dois e ela trabalhava muito para mantê-la. O Sr. Anderson no banco - não sei se ele ainda está lá - ele não esteve no funeral hoje - Ele sempre ajudava quando possível aumentando o crédito de minha mãe ou alargando o valor de seu empréstimo. Foi difícil quando fui para a faculdade e ela precisou trabalhar em período integral em dois empregos para que eu pudesse me concentrar só nos estudos. Me formei e logo consegui um estágio em advocacia, me bacharelei  e quando completamente formado pude dar descanso a ela. Sempre tentava aparecer aqui nos feriados, mas era muito difícil deixar a cidade e meus clientes, nem que por um dia. Isso me dominou mais do que eu deveria ter deixado."

"Fiquei arrasado quando soube que ela estava com câncer. Tentei fazer ela se mudar para perto de mim para tratamento médico apropriado na cidade mas ela recusava sair dessa cidade. Eu mal pude esperar para ir para faculdade mas ela sempre amou estar aqui. Eu poderia vir para cá e cuidar dela, mas não podia simplesmente abandonar todo o pessoal lá e destruir a carreira que ela se orgulhava tanto de eu ter conseguido. E ela insistia que nossa vizinha Debbie cuidava bem dela. Elas sempre foram como irmãs uma para a outra. Ofereci Debbie pagamento de enfermeira mas ela ignorou. Sabe como é o pessoal dessa cidade."

Os dois homens compartilharam aquele silêncio meio nostálgico de conterrâneos. O sol não podia mais ser visto agora. Ainda se via umas listras laranjas mas a escuridão da noite já fazia seu manto por cima de tudo. Estava ficando bem escuro.

"Ela lutou por um tempo ainda. Eu tinha... Eu tenho muito orgulho dela. Sete meses de luta, foi isso. Visitei-a bastante, uma dúzia de vezes, apesar de não passar de no máximo o fim de semana, ainda assim, ela ficava bem feliz. Nunca imaginei que ela resistiria assim tanto tempo. Até nas semanas finais ela parecia muito bem."

Simon notou que havia concluído. O homem pôs uma mão em seu ombro e disse: "Você foi um ótimo filho. Falei com Debbie, você sabe, ela me contou que sua mãe só falava de você e do quão duro você trabalhava. Ela tinha.. tem muito orgulho de você."
Simon não chorou, mas não conseguiu falar também. Uma longa pause se deu até que Carter quebrou o silêncio de novo. "Bem, é melhor eu ir andando. Um coveiro tem sempre muito trabalho. E você também, deveria ir andando. Sabe, os lobos. Eles uivam um bocado de noite, mas dificilmente atacam se não forem provocados. De qualquer modo, a iluminação é pobre e é melhor não arriscar. Tome cuidado para não dar com a cabeça no túmulo de alguém se tropeçar."

"Obrigado, mas eu vou ficar um pouco mais. Não muito, tá tudo bem, acho que talvez só mais uns minutos."

Carter bateu no ombro do homem uma última vez e disse "É claro rapaz." Com isso, sumiu na luz da noite, deixando Simon em seu luto, solitário mais uma vez.

Simon manteve sua palavra e ficou mais alguns minutos. Pensou em mais algumas palavras para sua falecida mãe, esperando que ela ouvisse, onde quer que estivesse. Tentou se lembrar de todo e cada bom momento com ele, formando mil imagens das lembranças e tentando fugir da visão dela em seu leito de morte. Ele estava pronto para ir embora quando ouviu um grito.

Um uivo havia sido escutado momentos antes, então, um rápido gritou seguiu, acompanhado de gritos agonizantes de uma voz que ele reconheceu.

"SENHOR CARTER!" Ele gritou, correndo na direção do grito, conforme eles ficavam mais e mais intensos. Não levou muito tempo até ele tropeçar em uma pequena pedra e cair dentro de uma cova recém-cavada. Simon Willis morreu instantâneamente da queda.

A apenas 50 passos adiante, escondido nas sombras, um homem entregava a seu cão uma recompensa, um biscoito. Sua garganta estava ardendo dos gritos, mas ele conseguiu dizer um "Bom garoto", para seu lobo de estimação por ter se comportado bem.

Devagar e metodicamente, Jeremy Carter andou pelo labirinto de túmulos até a cova recém cavada a algumas horas. Havia preenchido seu solo com estacas de madeira.
Sacudiu a cabeça em desapontamento ao olhar para o corpo, lavado em sangue. Era um bom rapaz... Ele quase gritou para que ele parasse, no intuito de salvar a vida do menino. Um pensamento estranho para Carter. Talvez ele houvesse enterrado muita gente boa. Mesmo assim, não pensou duas vezes em beber da energia remanesceste do corpo do homem. Sentiu suas juntas velhas se rejuvenescerem e se fortalecerem.

Talvez ele saísse desse trabalho logo. Mas seu pai foi até os cento e vinte anos e ele pretendia ir muito além disso, estava determinado. Além do mais, um coveiro tem sempre muito trabalho.

Um lobo uivou na noite conforme Jeremy Carter preenchia o buraco que havia feito no chão com terra.


28/10/2012

Estação Kisaragi



Uma história do 2ch (fórum de internet japonês) de 2004, postado no meio de um tópico chamado "Poste alguma coisa estranha que aconteceu com você: Tópico 26." Os posts eram anônimos no começo, mas depois começaram a ser anexado seu nome.

Para deixar você informado, #??? e Hasumi indicam posts feitos pelo criador do tópico. #2ch indicam posts feitos por qualquer outro usuário do 2chan, eles não são sempre a mesma pessoa.
Esperam que gostem da história.

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#???: Talvez seja só minha imaginação... Posso postar uma coisa?

#2ch: Vá em frente.

#2ch: O que tá acontecendo?

#???: Eu estou andando de trem faz algum tempo, mas algo está errado.

#2ch: Hmm...

#???: Eu sempre pego esse trem pra ir pro trabalho. Mas ele não parou em nenhuma estação nos últimos vinte minutos mais ou menos. Geralmente eu demoro cinco, sete, no máximo oito minutos. Ah, há mais cinco outros passageiros comigo no vagão, mas eles estão todos dormindo.

#2ch: Você não pegou o trem expresso por engano?

#2ch: É um trem bala?

#???: Bem, talvez eu tenha apenas perdido minha estação. Eu vou esperar um pouquinho mais. Se mais alguma coisa estranha acontecer eu volto pra cá.

#2ch: Tente ir até o vagão do final pra ver o condutor, talvez?

#2ch: Seria muito ruim se o motorista tivesse tido um ataque epilético ou algo do tipo, você devia ir dar uma olhada no condutor!

#???: Ainda sem nenhuma parada, então beleza, vou lá dar uma olhada.

#???: As janelas estão cobertas por alguma coisa, então eu não pude ver o condutor ou o motorista. A rota são os trilhos privados em Shizuoka.

#2ch: Bata na janela?

Hasumi: Tentei isso, ninguém respondeu.

#2ch: Você consegue olhar pela janela? Nomes das estações que você está passando, etc.

Hasumi: Nós saímos de um túnel, então estamos diminuindo consideravelmente a velocidade. Geralmente não há nenhum túnel... É um trem vindo de Shin-Hamamatsu.

Hasumi: Parece que finalmente estamos parando em uma estação.

#2ch:Você não vai descer aí, vai?

Hasumi: Estamos parados na estação Kisaragi. Estou em dúvida se devo descer. Eu nunca ouvi sobre esse lugar antes.

#2ch: Definitivamente, vai dar uma olhada.

#2ch: Não, fique no vagão até a última parada.

#2ch: Ah, provavelmente já está de partida agora.

#2ch: Quando você pegou o trem?

Hasumi: Eu saí do trem.  Não vejo funcionários na estação. Eu acho que peguei o trem por volta das 11:40

#2ch: Não estou encontrando nenhuma informação sobre Estação Kisaragi... E Hasumo, seu trem ficou andando sem parar por uma hora? Isso realmente é estranho.

#2ch: É, também não tô achando nenhuma informação sobre a estação Kisaragi.

Hasumi: Estou procurando uma tabela de horários pra ver quando posso voltar, mas não consigo encontrar
nenhuma. O trem ainda está parado. Então acho que é melhor eu voltar... Bem, ele partiu enquanto eu escrevia.

#2ch:Há alguém por perto, ou alguma construção? Está frio lá fora, então tome cuidado.

Hasumi: Eu vou procurar por um taxi da estação. Muito obrigada.

#2ch: Parece bom. Se cuide.

#2ch: Após passar o último trem, em uma estação sem funcionários.... Realmente questionável se você vai encontrar algum taxi aí.

#2ch: E então Hasumi virou um habitante de dois mundos em dimensões diferentes...

Hasumi: Não parece haver nenhum taxi por aqui... Hmm...

#2ch: Ligue 110? [Número da polícia]

#2ch: Ligue para a companhia de taxi?

#2ch: Se há um telefone aí por perto, procure pelo número da companhia  de taxi no catalogo de telefones e ligue.

Hasumi: Eu liguei pra casa e pedi para que me buscassem, mas nenhum dos meus pais parecem saber onde fica a Estação Kisaragi. Eles iram procurar no mapa pra que possam me buscar, mas estou começando a ficar um tanto assustada agora.

#2ch: E os outros? Você foi o único que saiu do trem?

#2ch: Eu procurei na internet também, e o nome da Estação Kisaragi não está em lugar nenhum. Estou errado em pensar que é por perto de Shin-Hamamatsu? Eu vou checar no Yahoo.

Hasumi: Eu procurei por um telefone público e não há nenhum. E mais ninguém saiu, então estou sozinho agora. É definitivamente Kisaragi o nome.

#2ch: As vezes os telefones públicos ficam por fora da estação.

Hasumi: Vou procurar por lá, aparentemente está escrito com o kanji para "Diabo", mas se lê Kisaragi"...

#2ch: Estação do Diabo? Uau....

#2ch: Você tá fazendo um joguinho nerd? Porque um jogo aparece quando você poem isso no google.

#2ch: Diga para a gente o nome das estações antes e depois da Kisaragi.

Hasumi: O que você quer dizer, um jogo? Aqui não diz nada sobre as estação de antes nem de depois.

#2ch: Volte andando pelos trilhos.

#2ch: Se você começar a correr agora, talvez você consiga alcansar o trem.

#2ch: Deve haver algumas casas perto da estação, certo?

Hasumi: Sim, tem. Eu não tinha percebido sendo que eu estava em pânico. Eu estou esperando meus pais ligar de volta enquanto ando pelos trilhos. Eu tentei checar informações da cidade pelo i-mode, mas me deu um "point error" ou algo do tipo. Eu quero ir pra casa.

Hasumi: Não há nada aqui perto! Tudo que eu vejo são campos e montanhas. Mas acho que eu consigo voltar se eu voltar pelos trilhos, então vou continuar. Obrigada. Podem achar que é um piada se quiserem, mas posso voltar a vocês se encontrar mais alguma coisa estranha?

#2ch: Claro. Apenas tome cuidado.

#2ch: Com certeza! Só tome cuidado para a bateria não acabar. Seu telefone é o que está te mantendo viva agora.

#2ch: Não se perca. E tome cuidado no túnel.

#2ch: Uh, você consegue pegar sinal no meio do nada? Eu meio que acho que você não devia se afastar da estação.

#2ch: Totalmente sozinho em uma noite fria em uma estação sem atendentes. Logo não haverá mais luz, e vai ficar um breu total....

#2ch: Provavelmente é mais seguro esperar o dia amanhecer na estação, mesmo assim.

#2ch: Ah, meu Deus, isso está soando tão ruim...

Hasumi: Eu recebi uma ligação do meu pai, e ele tinha muitas perguntas, mas não conseguiu achar minha localização atual. Me falaram pra ligar para a polícia, o que estou com um pouco de receio em fazer, mas eu vou agora pedir ajuda para eles.

#2ch: Eu realmente acho que você devia esperar clarear o dia até fazer alguma coisa.

#2ch: Esperar sozinho na noite obsucura? E em um lugar inabitado, eba...

#2ch Andar em um túnel totalmente sozinho em uma noite obscura? Em um trilho de trem inabitado, eba...

Hasumi: Eu liguei 110 e tentei dar o meu melhor para explicar a situação, mas eles acharam que era uma piada e ficaram bravos comigo. Então fiquei com medo e pedi desculpas...

#2ch: Pediu desculpas pelo o que? Deveria desistir por hoje, espere pelo próximo trem de amanhã.

#2ch:Como é por volta da estação? O que tem aí?

Hasumi: Eu ouço sons que parecem a mistura de bateria com algum tipo de sino em uma certa distancia. Honestamente, eu não tenho ideia do que fazer agora.

#2ch: Volte pra estação, Hasumi. É melhor voltar pra onde começou enquanto não está perdido.

#2ch: Eles estão tendo algum tipo de festival ou o que?

Hasumi: Vocês podem achar que eu estou brincando, mas estou com muito medo de olhar pra trás. Eu quero voltar pra estação, mas... eu não consigo me virar.

#2ch: Corra. E não olhe pra trás.

#2ch: Você não pode voltar pra estação agora. Corra para o túnel! Tenho certeza que você vai ver que não está longe.

Hasumi: Alguém atrás de mim gritou "Hey! Não ande nos trilhos, é perigoso!" Eu olhei pra trás esperando ver um atendente, mas eu vi um velho de uma perna só, mas ele desapareceu. Eu acho que estou muito apavorado pra me mexer.

#2ch: Eu disse pra você não olhar pra trás! CORRA.

#2ch: Se acalme e me ouça, okay? Veja da onde a bateria está vindo.  Alguém tem que estar tocando ela né.

#2ch: Aonde diabos você quer que Hasumi vá parar?

#2ch:Como você sabe que era um velho se você só viu uma perna?

#2ch: ...Duh, ele viu um velho que tinha perdido uma das pernas.

#2ch: Deve ser algum velho que morreu e perdeu sua perna depois de andar nos trilhos.

Hasumi: Eu não consigo mais caminhar ou correr. A bateria parece estar mais perto.

#2ch: Espere o amanhecer. Nãos será assustador na luz do dia.

#2ch: Fico feliz por ter ficado dentro do trem.

Hasumi: Ainda estou viva. Eu sinto que estou começando a sangrar, e eu quebrei um salto, então eu estou
sentada no chão. Não quero morrer...

#2ch: Acho mais seguro que você saia do túnel. Assim que sair daí, chame ajuda imediatamente.

Hasumi: Eu liguei pra casa. Papai está chamando a polícia, mas o som parece estar chegando mais perto.

#2ch: Eu espero, em nome de Deus, que não seja o som de um trem. Mas pode ser muito tarde...

Hasumi: Eu finalmente dei um jeito de chegar até a frente do túnel. O nome diz Isanuki. O som ainda parece estar chegando mais perto, então eu vou sair do túnel. Se eu conseguir sair do túnel a salvo, eu posto aqui de novo.

#2ch: Boa sorte.

#2ch: Esse é o final. Esqueça sobre os trens e estações. Esqueça sobre voltar. Esqueça sobre alguém perseguindo você. O som que você está ouvindo é só coisa da sua cabeça. Corra para fora do túnel. Se você parar, você vai sucumbir em algo que não pertence a esse mundo.

Hasumi: Saí do túnel. Há alguém logo a frente. Parece que seu conselho estava certo apesar de tudo. Muito obrigada. Minha cara está uma bagunça entre lágrimas, ele deve ter me confundido com um monstro. 

#2ch: Espera, Hasumi! Não morra agora!

#2ch: Pare! Isso não parece bom. 

#2ch: Alguém aí? Essa hora da noite? Supeito... 

Hasumi: Ele parece gentil, e preocupado comigo. Ele ligou pedindo um trem para me levar para a estação mais próxima. Aparentemente há um hotel por aqui perto. Eu estou muito, muito agradecida por todos vocês. 

#2ch: Hasumi, me responda essa única coisa. Você pode perguntar a esse homem onde vocês estão? 

#2ch: Ele realmente é gentil? Ele soa assustador pelo o que você disse. 

#2ch: Esse cara não é bom! Porque ele estaria nos trilhos a essa hora?! Ele pode ser algum defunto ou coisa do tipo! CORRA, HASUMI!

Hasumi: Eu perguntei onde estamos ele disse Hina. Mas isso não parece verdade... 

#2ch: Hasumi, não entre no trem! 

#2ch: Como é, Hasumi? Onde é Hina? 

Hasumi: Nós estamos andando em direção as montanhas por alguns minutos. Não me parece o lugar onde haveria trens. E ele parou de falar comigo completamente. 

#2ch: Talvez porque você esta constantemente mexendo no celular? 

#2ch: Hasumi, ah não, não, não... Você contatou seus pais depois de sair do túnel e receber ajuda (?) desse cara? 

#2ch: Hasumi, ligue 110. Talvez seja sua última chance. 

Hasumi: A bateria do meu celular está acabando. As coisas estão ficando estranhas, então eu acho que vou começar a correr. Ele tem estado falando consigo mesmo sobre coisas bizarras por um tempo. Para me preparar para fazer isso no tempo certo, esse vai ser meu último post por agora.
-
* Depois disso "Hasumi" nunca mais postou nada.
Créditos: Essa realmente foi um tópico no 2chan. O tópico foi traduzido e adaptado por vgperson para mais fácil leitura.




26/10/2012

Chega o teste


 A muito se foram os dias de luta com mapas para se encontrar alguma placa ou alguma estrada perdida, e ficar engolindo seu próprio orgulho para não pedir informação. Hoje em dia, com a tecnologia moderna, você pode se confiar no seu GPS para guiá-lo onde quer chegar.

Confia nas direções que ele te dá para atravessar território desconhecido, chegar ao seu destino final e voltar para casa seguramente. Te diz para ir para a esquerda, você vai, para direita, você vai. Manda você sair da auto estrada, você sai. A ameaça de pegar o caminho errado e prolongar sua viagem previne você de desafiar o dispositivo, independente do que sua intuição lhe diz.


 Mas você o questiona as vezes.

Como por exemplo, agora. Seu destino é irrelevante, tal como quem você vai encontrar lá ou porque está indo lá. O que importa é que, sem GPS, você não faria idéia de onde está. Está dirigindo a algumas horas agora, mas só cobriu uma fração da distância total.
O sol começa a descer, e você observa a paisagem passar sem perceber muito o que é. Você não sabe muito sobre o lugar para onde está indo, mas certamente não é nenhum subúrbio. A população aos arredores parece diminuir mais e mais conforme você avança. Vire a direita. Dirija direto por dois quilômetros. Vire a direita. Sua desatenção vira desespero quando a cidade quase rural em que você se encontrava de repente se tornou uma densa floresta.

Noite caiu. Você sabe que não chegará até seu destino até as primeiras horas da manhã, mas isso não lhe perturba. Você esperava uma auto estrada sem fim, com postes e luzes por quilômetros. Totalmente o oposto disso. Até a gentil luz do luar que causava um brilho fraco nas cidades que você atravessara, agora havia sido totalmente censurada pelas folhas da densa mata acima de você.
A escuridão está tingindo níveis perigosos e até ameaçadores, conforme você avança no caminho dessa estrada sem iluminação ou sinalização. As janelas estão fechadas e o calor está terrível. Mas algum medo fraco impede seus braços de abrirem as janelas, e até a confortável ritmia das canções pop do rádio despertam algo assustador que bate no fundo do seu estômago.
Apenas siga reto por 6 quilômetros, seu GPS diz. Então estará entrando em uma auto estrada para o leste. Então tudo estaria bem. Certo?

A julgar pelos seus punhos brancos e gelados de medo em cima do freio de mão, você não está muito convencido disso. Está considerando voltar. Fortemente considerando voltar. Mas isso requereria parar, e parar significaria ficar a mercê dos milhares de olhos que você sente virem dos arbustos lhe penetrando como adagas. Suas luzes do para-choque cortam a escuridão encobrindo a estrada a frente, mas deixa todo o resto envolto em uma escuridão impenetrável. Até os o farol alto ligado, a visibilidade não melhora muito. Com 2 quilômetros faltando, você enfia seu carro em cada e qualquer buraco que se pareça com um retorno. Sua necessidade de sair dali parece ser muito maior que seu medo de bater.

Então seu GPS morre.

 A escuridão repentina é desnorteante. Seus olhos voam ao aparelho, esperando que o sinal volte, ou que ele se ligue sozinho de novo (quem teria desligado?) ou que peça para ser plugado de novo (quem teria desplugado?) ou -

Você joga seus olhos do GPS para capturar a visão de um cabelo loiro e uma expressão meio de menino à sua frente, estasiado de surpresa, olhos azuis claros. Só um segundo. Então seu assento, seu carro, seu mundo, é sacudido por uma batida surda. Pisa no freio em resposta automática, os pneus cantam para parar.


É aqui que fica perigoso.



É aqui que você tem uma escolha.

 Por um lado, você poderia decidir não fazer o que todo o filme de terror lhe ensinou esse tempo todo, engolir seus medos na escuridão em qual você se encontra perdido, ignorar a voz na sua cabeça que diz para você ir embora dali o mais rápido possível e abrir a porta do seu carro. Pelo outro lado, você poderia aceitar a opção oferecida nesse momento crucial. Poderia ouvir a voz na sua cabeça, colocar o medo de estar arriscando sua vida acima de tudo, se lembrar de todas as vezes que você gritou com a televisão falando para ficar dentro do maldito carro e se conter, ficando lá dentro.

Você junta toda sua coragem e faz a primeira opção.

 Ao pisar para fora do seu carro, você é agraciado com uma calma sem explicação. Cada passo para longe do seu banco é um nó de medo no seu estômago sendo desatado. Quando finalmente olha para trás do seu carro, a visão de uma calma noite o tranquiliza e você se sente até confortável ali, naquela noite de meio de outono.

Quando você se depara com a estrada vazia na sua frente, você ri para si mesmo. Deve ter sido um buraco na estrada, e sua mente, já paranóica, conjurou um menino imaginário ali para justificara aquilo. Afinal, o que um menino estaria fazendo naquela profundidade da floresta, sozinho, naquela hora?
Você se surpreende como foi ingênuo em imaginar essas coisas, e suspira em alívio final ao seu GPS voltar a funcionar e mostrar a direção. Volta ao seu lugar e agora a escuridão da estrada é até confortável, e não ameaçadora como antes. Agora só haviam os sons da floresta noturna, da vida dos animais.

Encontra seu caminho para fora da floresta e para a auto estrada sem problemas. Você se move por um lugar não conhecido, mas cobre a distância muito mais rápido do que você esperava. Você chega no seu destino antes de do que qualquer um, incluindo você mesmo, achasse possível.


Quando tenta voltar para casa, seu GPS mostra um caminho totalmente diferente, que leva mais horas, mas que segue insistindo que é mais rápido. Mesmo consultando um mapa, você não entende como chegou lá tão rápido.
O evento foi um tanto misterioso, mas não valia a pena gastar as energias pensando nele.






Mas e se você fizer a segunda opção?





Você se prepara para descobrir isso quando, ao invés de sair do carro, você corre para longe da cena dentro do seu carro com seu peito em ritmo desenfreado porque, pelo amor de Deus, o que acabou de acontecer?
 Quando você olha para seu retrovisor e vê um par de claros olhos azuis olhando para você, começa a perceber que talvez tenha cometido um erro terrível. Ou simplesmente esse foi realmente o certo, ir embora sem pensar duas vezes porque não quer pensar muito no que foi aquilo. Sua respiração começa a ficar entrecortada e você começa a hiper-ventilar. O rádio fica mudo, de uma canção de amor confortável para o ensurdecedor silêncio. Lágrimas brincam na ponta dos seus olhos quando seu GPS volta a funcionar. Você suspira em alívio, agradecendo toda e qualquer divindade que você pode se lembrar - A meu Deus.
"Vire-se a esquerda para o seu destino em um quilômetro e meio."
A fina e falha voz do seu GPS acaba com suas esperanças de que isso tudo havia terminado. Você agarra o aparelho esperando ler algo para confirmar que ouviu errado, mas, bem, não. Claramente escrito na tela o que foi ouvido. Seu estômago desaba em náuseas de medo.

Você quer fazer o retorno, você realmente quer. Mas ai você teria de passar por cima de "seja lá o que fosse" de novo. Você busca nas muralhas de árvore por uma abertura grande o suficiente para o seu carro, mas é tudo muito denso. Mesmo que você avançasse mais para a beirada da floresta, ela continuaria muito densa. Sua única opção é seguir reto, e você odeia isso.

"Vire-se para a esquerda para o seu destino em um quilômetro."

Lágrimas correm pelo seu rosto quando você escuta seu rádio voltar a vida. Agora ele transmite milhares de vozes, mas a mais audível é a de um menino que chora. Mas ele ri também. É meio falha, entre-cortada e gaguejante, mas está lá, firme, de algum jeito. E se intensifica e se afirma conforme você avança.

"Vire-se para a esquerda para o seu destino em meio quilômetro."

Você começa a vê-lo. Toda a vez que seus olhos escorregam da estrada pára os arbustos ou para as árvores, lá está ele, olhando diretamente para você com os olhos azuis claros de dardo. O menino que você atingiu.

A primeira vez que você viu ele, ele só olhou direto em seus olhos, normal, sem expressão. Você parou de respirar, prendeu a respiração, e se esqueceu de como tomar ela de volta. Cada vez que você o via, ele estava a um passo mais próximo da estrada. Seu rosto se contorcendo em um levíssimo sorriso maníaco. Você sente bile subir pela sua garganta, forçando seus pulmões soltarem o ar, engasgando e tossindo você exala o ar. A risada nos auto-falantes do seu carro está te deixando surdo. Ele está na pista agora. Está lá, parado. Chegando mais ao meio a cada segundo. Você ainda não precisa virar para evitá-lo ainda, mas sabe que isso não vai levar tempo a acontecer.

"Vire-se para a esquerda para chegar ao seu destino."

Suas lanternas se apagam. Você quase se sente aliviado. Não precisa mais ver os olhos dele. Mais uma vez, em puro reflexo, você pisa nos freios, só para perceber que não estão funcionando. Quando o medidor de velocidade se comprime ao ponto máximo, você começa a rir. É o fim, certo? Levou um bocado para chegar até ali.

Mas você se lembra que não quer morrer. Cara soluço vem com lágrimas e agonia. Conforme a fraca luz de dentro do seu carro ilumina muito pouco o caminho à sua frente, você vê uma árvore em seu caminho, que, em um rápido momento, você transforma seu medo em audácia. Vira seu volante para a esquerda com todo o vigor deixando ele em um ângulo diagonal. O impacto é inevitável, mas quando você ouve a terrível batida, seu reflexo te joga para o banco do passageiro, salvando sua cabeça, mas rasgando seu abdômen.

Seu mundo se torna dor a agonia conforme o metal se retorcia. O cinto de segurança está queimando seu peito e a sacudida da batida deixa sua cabeça girando. Um gosto metálico começa a encher sua boca e tudo dói. Mas quando seu carro para de vez, você está vivo ainda. Você venceu. Está vivo. Ri. Ri, ri e ri mais até seus pulmões doerem (o que, no momento, é de se esperar).

Se esforça para voltar a respirar, mas ele agarra sua garganta. Seu coração para. Pânico cresce nas suas entranhas. Você escuta a risada no rádio. O suspiro parou, agora o menino está mais quieto do que nunca, mas ainda assim, ali.

Você se torna uma massa gélida de desespero quando percebe que o som não vem do rádio.

Ele está ali, com você, no carro agora. Seus olhos voam para o retrovisor e você mergulha em seus fundos olhos azuis. Perfuram você. Só se pode ver dor e loucura neles. Apesar do sorriso contornando suas feições, suas bochechas estão cheias de lágrimas.

Você sente seus dedos ossudos em seu rosto. Quando eles chegam a seus olhos e aperta eles, afundando-os, seu corpo se compadece de sua situação e finalmente um desmaio lhe acomete antes de sentir a dor.



Demoraram seis horas para encontrarem seu corpo. Estará exatamente onde você o deixou, rasgado entre as ferragens do seu carro, descoberto nas primeiras horas da manhã por um caçador. A estrada em que você foi encontrado era a centenas de quilômetros de distância de qualquer lugar onde você tivesse qualquer coisa para fazer.

Seus ferimentos são tão curiosos quanto o porque de você estar ali. Algumas são costelas quebradas, algumas hemorragias internas sub-sequenciadas, e hemorragia cerebral. Seus olhos, entretanto, não estão no lugar. Inexplicavelmente arrancados da sua cabeça, não são encontrados em lugar nenhum. Sob inspeção, nenhum de seus ferimentos causaria sua morte, apesar de graves. Seu coração simplesmente parou de bater.

Sua morte é um mistério para a polícia. Tratam como um possível homicídio, mas eventualmente o jogam na gaveta de arquivo morto. No registro foi dado nota de algo estranho. Do momento em que você foi encontrado até o chefe da investigação gritar mandando alguém desligar a maldita coisa, seu GPS estava ligado, repetindo a mesma frase de novo e de novo.

"Você chegou ao seu destino."


24/10/2012

Love Story



Essa é uma história de amor. Por favor, tentem se lembrar disso enquanto lêem. Amor. É tudo sobre Julie.
Soube do momento em que pus meus olhos nela que faria qualquer coisa para tê-la. Felizmente, não tive de trabalhar tão duro. Podia ver em seus olhos na primeira vez que nos falamos e chamei-a para sair. Ela também me queria e disse sim antes mesmo de eu terminar de falar. Os olhos dela brilhavam como diamantes. É uma das coisas que eu mais gosto nela.

Nos apressamos em dizer "Eu te amo", logo após só alguns encontros, mas nós sabíamos.

Minha casa estava sempre cheia dos meus amigos idiotas e então começamos a falar sobre arrumar um lugar para nós sozinhos. Meu melhor amigo, Greg, não ia muito com o a cara dela nem com o fato de estarmos nos mudando, mas ele entendia. De qualquer modo, sempre saíamos todos juntos para ver filmes, jogar boliche, coisas normais desse tipo.

Bem, recebi uma ligação dos pais da Julie umas noites atrás. Eles me disseram que receberam uma ligação da Polícia dizendo que ela estava havia sido atingida por um bêbado que atravessou a faixa de pedestres, e agora se encontrava no hospital. De qualquer modo, corri desesperadamente ao hospital e no meio do caminho Julie me ligou, para me desesperar mais ainda, mas quando atendi e ela me disse que estava tudo bem, haviam sido só umas escoriações e cortes, relaxei e me acalmei um pouco. Não me importo em admitir que ainda assim havia chorado um pouco de preocupação. Ela me contou que também já estava recebendo alta e assinando uns papéis, e logo poderia ir buscá-la.
Ao chegar no hospital já havia me recomposto e voltado ao meu normal. Mal pude entrar e me aproximar do balcão de informações quando a ouvi chamar meu nome. Me virei e vi ela. O brilho dos seus olhos não estava lá (não era de se surpreender, pelo que havia acontecido), mas ainda assim era ruim. Eu totalmente perdi a postura que achei havia ter retomado. Quebrei totalmente e abracei ela forte enquanto ela deslizava a mão para minha nuca, como ela fazia quando  eu estava bravo, e após um ou dois minutos nós fomos para meu carro.
Julie me contou que o motorista bêbado havia morrido e eu pensei "bem, melhor ele do que ela", e não me arrependi do pensamento; eu mesmo teria matado ele se tivesse sido me dada a oportunidade. Ela me disse que estava bem e no fim das contas, era só o que me importava.

Voltamos para minha casa e as luzes estavam apagadas, o que era estranho, uma vez que meus colegas de quarto sempre esqueciam de apagar quando saiam.

Julie estava se sentindo um pouco fria e parecia tão pálida que só nos deitamos e dormimos de conchinha até ela melhorar. Foi um longo dia, afinal. Lembro de ouvir uma última coisa antes de dormirmos totalmente: "Eu vou te amar pra sempre, meu bem."

Liguei para o trabalho no dia seguinte e disse que ficaria em casa com Julie, ela estava se sentindo bem fraca ainda, novamente não surpreendente. Havia umas chamadas perdidas de meus amigos e família, sem dúvida haviam sabido do ocorrido e queriam dar suporte, mas retornaria as ligações depois.

Talvez só o acidente, ou o fato de não a ver muito sem maquiagem... mas ela não parecia muito bem. Digo, a cor dos olhos dela estava se esvaindo e ela se parecia cada vez mais vazia, e o brilho não voltava. Sugeri que voltássemos ao hospital mas ela disse não, que estava bem, somente cansada e sonolenta.
Bem, dias se passaram e liguei avisando que ficaria em casa até ela melhorar. Mas ela não melhorava. Os olhos só pioravam e ela só se parecia mais e mais vazia. A pele dele começou a esfriar e estava chegando a um ponto em que eu a levaria para o hospital, ela querendo ou não. Foi ai que recebi uma ligação de sua mãe. Estava chorando e soluçando, e fazendo esforço pra se manter composta.

Os serviços de Julie seriam conduzidos após amanhã, ela me disse. Perguntei sobre o que ela estava falando. Que serviços? Para que? Estava confuso.

Julie veio até mim e ficou lá enquanto eu segurava o telefone. Ela olhava bem em meus olhos enquanto sua mãe me dizia: "Eu sei que é difícil para você e para todos nós, mas Julie se foi e não podemos a trazer de volta, todos nós a amávamos mas ela se foi..."

Ainda não entendia quando olhei para o rosto de horror de Julie. Ela sabia. Esse tempo todo ela sabia. Ela não havia sobrevivido ao acidente, mas de algum jeito ela estava ali e eu entendi. Os olhos dela, vazios e fundos, o brilho sumido, sua pele descolorida... Ela estava morta e eu estava observando ela decair aos poucos! Meu estômago se revirou e quase desmaiei. Julie me segurei, e senti suas frias mãos na minha nuca, fria como a morte. Ouvi a voz fina de sua mãe. Sem saber o que fazer ao certo, segurei o telefone e ela me disse que o corpo de Julie seria queimado no dia seguinte, logo ao clarear do dia. Desnorteado, eu disse ok, e avisei que iria ao funeral e a veria lá.

Desliguei o telefone e Julie e eu ficamos nos olhando por um longo tempo. Não havia mais dúvidas. Eu estava olhando para alguém que não estava vivo. Eventualmente eu falei : Como?

Ela disse que não sabia e não se importava. E quer saber? Eu também não.
Ela foi comigo para o funeral, e não foi como nos filmes, onde as pessoas atravessam ela ou algo assim. Não podiam vê-la, mas também não esbarravam nela. E quando abriam espaço para mim, abriam para ela também. Fui até seu corpo e ela ficou ao meu lado, triste, porém forte, por mim. A mão dela, fria, tão fria agora, na minha nuca. No caixão ela parecia saudável, desfarçada pela maquiagem. Foi muito difícil, mas ela estava ali do meu lado, soube me ajudar e entender que tudo que eu sempre amei foi ela e por isso me sentia tão destruído.

Voltamos para minha casa. Meus colegas de quarto estavam em casa mas ficaram fora do nosso caminho conforme eu fui para meu quarto. Naquela noite não dormimos. Só seguramos um ao outro e não me importei o quão fria ela estava. Choramos, conversamos, rimos das memórias engraçadas e choramos mais. Não falamos sobre o que estava acontecendo ou o que aconteceria.
O dia foi amanhecendo e a luz preenchendo o dia, e então o pensamento mais obscuro me ocorreu. Eu estava vendo ela como ela estava naquele momento, em decomposição. E ao meio dia desse novo dia que acabara de nascer, ela seria cremada. Entende meu sofrimento? Ela seria queimada até o nada na minha frente, e eu só poderia ver, sem fazer nada contra.
Liguei para seus pais, para a igreja, para a funerária, para quem pude para tentar evitar que a queimassem, mas ela me segurou, bem naquele lugar na nuca e me disse que estava tudo bem, tudo bem, me olhou nos olhos e agora ela começava a ficar grotesca de verdade, afundada... morta. Ela disse que me amaria para sempre e naquele momento eu soube exatamente o que faria.

Nas últimas horas o sol subiu alto e um lindo dia havia se formado. Nós assistimos as nuvens se tornarem formas engraçadas, e ao aproximar da tarde eu inventei uma desculpa para ficarmos no meu closet e lá esperamos. Quando o chegou o meio dia, eu vi seu olhar. Soube antes de começar. Ela me disse que não estava doendo. Fumaça começou a sair de seus olhos e seu cabelo pegou fogo. Uma calma fria se abateu sobre ela e calmamente a segurei em meus braços. As chamas começaram a me queimar também. Ela tentou me empurrar, mas não tinha mais forças. Sentia as chamas me queimar e não gritei. Não gritamos, não reclamamos, não falamos nada. Pude ver seu rosto se tornar uma massa preta disforme e o pressionei contra meu peito. Apertei ela e disse que a amava mais do que tudo e para sempre e a veria logo. Segurei-a até que virasse cinzas em meus braços e caísse pelos meus dedos.

Abri os olhos e não a vi mais ali. Nenhum traço dela. Nem cinzas, nem roupas, nada. Nada no closet havia queimado e minhas queimaduras haviam sumido.
Havia sido tudo isso só tristeza? Eu imaginei tudo? Ela esteve realmente ali esse tempo todo? Não sei. Escrevi isso para que minha família e amigos entendam o que eu tive de fazer. Não ficaria aqui sem ela. Não posso. Vou encontrá-la de novo e lá estará ela, acompanhada de seu brilho nos olhos e tudo estará bem de novo. Tudo bem.


18/10/2012

Interferência


Deixe-me começar dizendo que isso é uma história real da minha infância, se você visitar a grande biblioteca no centro de Notthingham, e procurar pelos registros de jornal, você vai encontrar a matéria que eu detalho aqui.

Tudo isso se passou a mais ou menos 15 ou 16 anos atrás. Eu tinha 7 anos e meu primo Dale talvez uns 9. Talvez 10. Ele ficaria lá em casa naquela semana. Sendo eu  a única criança eu não tinha muitos brinquedos... e meu Sega Genesis estava quebrado. Então não tínhamos muito o que fazer.

Nossos dias consistiam em assistir desenhos na TV e no Dale me contando histórias de terror quando chegava a noite. Minha mãe, empatizando conosco, comprou um par de walkie talkies para brincarmos. Nos divertimos muito, brincávamos ao redor da casa até as 17 mais ou menos e não íamos muito longe. Lá pelas 18 tínhamos que jantar e não tinha mais tanta graça brincar com os walkies dentro de casa. Esperávamos a hora de dormir para ficarmos trocando histórias de fantasmas de um quarto pro outro.

Nos falamos por umas horas até Dale começar uma história de um monstro que assombrava a floresta ali perto e sua voz ser cortada pro estática que dá quando se solta o botão no meio da fala. Respondi e esperei ele falar. Continuou estática entrecortada pela voz dele, e então começou a parte assustadora.

No meio dos chiados e da voz de Dale, pude ouvir uns gritos e choros de bebê. Foram os segundos mais estranhos da minha vida, conversar com Dale sendo interrompido por choros, gritos, barulhos estranhos e estática, enquanto só comentávamos o quanto AQUILO era estranho. Até que parou. Corri até o quarto de Dale e ele estava sentado na cama com a luz ligada. Esclarecemos que não era nenhuma brincadeira de nenhuma das partes e ligamos de novo. Agora o choro, os gemidos e os gritos estavam bem mais claros. Muito aterrorizados, desligamos os walkie talkies e fomos dormir. Tentei me convencer de que era tudo problema dos fones ou algo assim... Ou só a estática fazendo barulhos semelhantes ao que achei que havia sido.

Fui acordado no dia seguinte por uma multidão em frente a minha casa acompanhando a prisão da nossa vizinha. Ela havia se mudado a pouco tempo com seu filho mais novo, logo após a morte do nosso vizinho de idade avançada.. Dale e minha mãe estavam lá em baixo olhando tudo enquanto ela gritava xingamentos e profanidades. Ela conseguiu sair do poder da polícia mas logo foi pega e algemada dentro do carro. Ela era uma pessoa normal, tinha se mudado a pouco tempo e não tinha motivo aparente para ser presa.

No dia seguinte estava no jornal o motivo da prisão. Ela havia matado seu filho, ainda um bebê, aparentemente após de ver assustadoras aparições do nosso vizinho recentemente morto. Ela recebeu visitas do fantasma por semanas até que enlouqueceu, se machucou, quebrou móveis da casa e assassinou seu filho.
Essa não era a parte mais assustadora.
O laudo policial mais detalhado contava que a babá eletrônica havia sido deixado ligada.
A estática que os walkie talkies capturaram foi por isso. Só interferência.

Eu e meu primo ouvimos tudo enquanto ela matava seu filho.


17/10/2012

Trens


Se você esperar em qualquer estação de trem, em qualquer data específica (tendo sido esses dois marcados por você mesmo com 1 mês de antecedência), após algumas horas de espera aparecerá um trem que não estará dentro do horário, sem nenhum ponto final ou estação demarcada. O exterior será igual aos trens que você vê na determinada estação, mas quando entrar nele, verá um interior antiquado, muito bem decorado e agradável. Algo como primeira classe de trens a vapor dos anos 30.

Escolha um assento e aproveite a viagem. O motor a vapor é maravilhoso, os assentos são confortáveis, a decoração é exótica, lindas janelas e elegantes seleções de cores.

A tripulação é refinada e muito apreciável. Os cobradores conversam com você. De meia em meia hora, um garçom vem lhe oferecer os mais selecionados pratos.

A paisagem do lado de fora é estonteante. Lagos e montanhas, florestas profundas e praias cristalinas. Não tente reconhecer nada. Nenhuma árvore ou grão de areia cooresponde a algo da geografia conhecida.

Você não está sozinho. O trem está cheio de passageiros. Alguns vestidos como você, outro em roupas cerimoniais de civilizações estrangeiras, poucos vestido com muita elegância e muitos com roupas luxosas de no mínimo um século e meio atrás. Outros usam roupas que você nunca teria visto ou nunca imaginado, de cores que você nunca viu, o que pode lhe parecer totalmente enlouquecedor, e eles carregam coisas - eletrônicos, acessórios, gadjets?- que você nunca imaginaria.

Quando o trem chega na quarta parada (isso leva muitas horas), saia dele. Se você desembarcar antes, desaparecerá. Se você voltar - e alguns conseguem - você falará uma língua diferente, uma completamente desconhecida em nosso mundo. Você entrará em pânico e enlouquecerá em dias. Não comerá, não dormirá e só desejará o mundo que deixou para trás até a sua morte.

Se você descer depois da quarta parada?

Ninguém sabe.

Mas sabe-se que de tempos em tempos um corpo desmembrado é encontrado nos trilhos perto das plataformas de desembarque. Geralmente são só massas de carne em putrefação, vagamente reconhecidos como humanos. Apesar do absurdo do estado de decomposição que levaria muito tempo, eles aparecem bem rapidamente, em um piscar de olhos, muitas vezes.

Muitas vítimas ficam sem indentificação por não mostrarem nenhum sinal que possa ser usado para reconhece-los. Os identificados, entretanto, estavam cobertos por passagens de trens aos seus corpos, datados para viagens de dias, semanas, até meses e as vezes anos.

Dirão que foram suicidas ou pessoas que caiam acidentalmente nos trilhos.

Mas você sabe a verdade.


13/10/2012

Teaser da Promoção do CPBr!

Oi Creepers do meu coração! Divina aqui (:

Sendo que já estamos com um ano e meio de blog e atingimos finalmente a marca de UM MILHÃO (OMG!) de acessos. Então eu andei conversando com o Gabriel e com o Pedro e propus que seria muito bom se fizéssemos uma promoção agora no final do ano, afinal vocês mereceeem muito por terem acompanhado nossa trajetória até aqui.

Sobre a promoção:
A princípio, estaremos sorteando uma caneca do Creepypasta Brasil.
Mas provavelmente mais pra frentes iremos liberar outros produtos para a promoção, tais como Camisetas e mouse pads também. Tendo determinado que faríamos a caneca primeiro, fiz uma pra mim como experimento. E não é que deu certo? Ficou linda!
As fotos estão aqui:
Leitores do CPBr gritam em coro: "Eu querooooo!"

Mas (sempre tem um mas), vamos liberar mais informações da promoção quando chegarmos a mil likes na FanPage do CreepyPasta Brasil.

Espero que tenham gostado, pois eu amei minha nova canequinha!

Keep Creeping, Creepers ♥




Taper8097=.bsp.wmv

Em 20 de Julho de 2011, o usuário "slackingstacker" postou um vídeo  chamado de "Taper8097=.bsp.wmv". Ele afirma ser uma fase "easter egg (secreta)" do game Half Life 2, mas o método de encontra-la e sua verdadeira origem, nunca fora descoberta por ninguém.



Rosto.jpg


Em 1991, um assassinato foi registrado no arquivo da polícia. Como sou um estagiário no departamento de polícia, tive completo acesso ao arquivo.

Eu estava andando por lá, até que encontrei um arquivo de caso de assassinato em uma dessas prateleiras abandonadas que ninguém abre mais. Fiquei curioso, então o tirei de lá. Como nossos arquivos são armazenados digitalmente, havia somente um USB lá dentro. Fui para o computador, pluguei o USB, e apareceu um arquivo nomeado: V28956, assim como os homicídios geralmente são registrados. Dentro do arquivo estava uma descrição completa do crime, depoimentos de vizinhos e todas as coisas de costume. Porem tinha um arquivo que fez com que eu levantasse minhas sobrancelhas de curiosidade, chamado ARQUIVOS DIGITAIS. Este arquivo só aparecia se algo digital tivesse a ver com o assassinato, por exemplo, sons do assassinato, os vídeos que deixaram as pessoas loucas o suficiente para matar suas vitimas. Eu cliquei, e dentro havia um arquivo. jpg e um arquivo .doc. Clicando no .jpg, descobri que era uma foto muito perturbadora de um rosto. Eu nunca tinha visto nada parecido antes; parecia que tinha sido tirada com uma Kodak. Encolhendo os ombros, decidi abrir o arquivo .doc, chamado EXPLANATION.doc. Aqui vai o que estava escrito:

"O assassino disse que matou a vítima por causa do efeito da imagem. Ele disse que a encontrou em um velho disco rígido (HD), e após vê-la, teve pesadelos constantes e lúcidos sobre rostos brancos amaldiçoando-o com as palavras ‘K'yalla Iömed wÿarñ’. Ele começou a ficar louco e perguntou por que eles estavam amaldiçoando-o daquela forma. Ele disse que a única maneira de fazê-los sair era dar-lhes poder de vida, matando outras pessoas, então ele decidiu fazer um ‘sacrifício’, e então matou sua própria filha de 8 anos. Ele destruiu os membros da garota com um martelo, escreveu a frase ‘K'yalla Iömed wÿarñ’ em seu torso usando uma faca, e escondeu o cadáver debaixo de sua cama. Depois disso, ele afirma que seus pesadelos pararam, até os vizinhos estranharem a ausência da garota e chamarem a policia.

Os policiais que viram a imagem não relataram quaisquer pesadelos semelhantes."


Disneylândia


Em 1999, minha família visitou a Disneylândia. Animados, fomos na atração It’s A Small World. Eu tinha 12 anos na época e minha irmã tinha 6 anos. Nós amamos cada momento, e nossos pais choraram de alegria com nostalgia. Mas eu me lembro que uma vez, perto do fim da atração, algumas luzes desligaram de repente, e as luzes da parte de trás iluminaram o teto. As partes móveis do brinquedo se desligaram, e os engenheiros de manutenção, vestindo macacões vermelhos, caminhavam para ajudar os passageiros nos barcos a saírem do enorme castelo por meio de saídas de emergência. Uma voz veio ao longo dos alto-falantes: "Disneyland thanks you for your visit. Please evacuate the attraction in an orderly fashion. Keep looking foward and follow the directions of staff. Thank you (A Disneylândia agradece pela sua visita. Favor evacuar a atração de forma organizada. Continue olhando para frente e siga as instruções do pessoal. Obrigado."

Os engenheiros não diziam muitas coisas para nós, pois eles rapidamente nos conduziam para fora do prédio. Haviam ambulâncias do lado de fora, e um carro de polícia estava estacionado na passarela principal. Na época, minha mãe ainda tinha sua câmera, então pode tirar algumas fotos dos tripulantes e close-ups dos brinquedos mecânicos. Ela tirou varias fotos às cegas de última hora, até terminar o último rolo de filme na câmera, já que estávamos indo revela-los no final da tarde, de qualquer maneira. Esta foi a última foto do carretel, visando o teto da atração.




10/10/2012

Sussurros


Estou postando essa noite na esperança que clareie-se todos os mal-entendidos à respeito do desaparecimento de Debra Lindsay Caine, correndo assim os meu próprio risco. Pau e pedras e essas coisas... Nada disso irá importar depois dessa noite. Considerem isso como minha patética tentativa de desculpas, nada além disso. É mais ou menos minha culpa que isso tudo tenha acontecido, afinal.

Mesmo em seu auge, a blogueira Sugarcaine era apenas mais uma comediante de internet. Ela era mais engraçada que a maioria e certamente hábil com a caneta, mas por outro lado  não tão conhecida como o resto. Por anos as circunstâncias a respeito do seu desaparecimento eram apenas ocasionalmente mencionadas apenas nos mais obscuros tópicos  de alguns fóruns. Ela teria sido esquecida por completo se aqueles funcionários públicos  não tivesses encontrado a fita gravada na última segunda-feira.

A verdadeira identidade de Sugarcaine era uma menina ruiva fofinha que se vestia como um garoto chamada Debra Lindsay Caine. Sua irmã Payton descrevia ela como "... um saco cheio de pregos, punhos e opiniões apenas esperando uma desculpa para se abrir à alguém, regada a cerveja e Sprite desde que nossa pai morreu em '91."

Debra involuntariamente começou sua carreira como um blog de humor quando uma amiga convenceu-a a criar uma conta no MySpace. Ela achava que blogs eram puro egocentrismo, choramingo, e sem substância, e então começou a usar sua página do MySpace para parodiar as estúpidas divagações de seus semelhantes. Depois de certo tempo ela se graduou em menosprezar os populares e ocasionalmente por revisar alguns livros, revistas em quadrinhos, filmes, e qualquer e-mail de odiadores que ela recebia de sua crescente rede de leitores.

Ela rapidamente percebeu que as pessoas gostavam do que ela escrevia, e pela metade de 2005 ela aposentou sua conta no MySpace e começou seu próprio site de humor, Sugarcaine Junction (N.T: Junção de Sugarcaine, em tradução livre).  Apesar da mais-que-decente escrita de Debra o site foi medíocre no seu melhor. A maioria dos viciados em internet nem sabiam que ela existia, muito menos que ela tinha desaparecido e possivelmente tivesse sido assassinada.

Até que os funcionários públicos acharam a fita.

Sugarcaine Junction nunca falhava em comemorar qualquer feriado e festivais que aconteciam, e seus artigos das estações eram geralmente os mais aguardados. Debra surpreendentemente compôs graciosas cações sobre bebida para seu artigo sobre a Oktoberfest, e um poema tocante para o dia dos pais, do qual ela se recusava a falar sobre depois. Para o Natal de 2005 ela escreveu séries de parodias de passagens bíblicas que quebrou o recorde de e-mails odiosos de uma noite para outra.

Naquela época eu era conhecido como DeadAtFifty (N.T: Morto aos cinquenta, em tradução livre) e era um dos regulares leitores das postagens de Sugarcaine. Durante a primeira semana de Outubro de 2006 eu sugeri que ela passasse a noite na casa assombrada da família Daley e escrevesse sobre a sua experiência para o artigo de Halloween. Ela anunciou para todos seus leitores que eu era um crianção e um débil mental. Eu adicionei o preço de mil dólares para a aposta. Ela ansiosamente aceitou.

Na última semana de Outubro Debra anunciou que ela faria sua longa viagem de carro até a Casa Daley para a "assustadora festa do pijama". Ela embarcou para lá na noite do dia 29, encorajando seus leitores à "ficarem ligados para mais detalhes à sua jornada de mil dólares até a casa Daley  mal-assombrada!" Eu tinha a intenção de dar à ela o dinheiro, e nunca teria mencionado a casa caso eu soubesse o que aconteceria.
Debra sempre pesquisava sobre o assunto antes de suas "jornadas", apenas para fazer o louvor / paródia mais completa. No seu apartamento a polícia encontrou recortes de jornal desde 1960 sobre a Família Daley: A glorificação de Kevin Daley pelas vidas que salvou de um incêndio; O crescimento da fama de Jeff como um artista abstrato com apenas 11 meses de idade; os rumores de que Naomi derrubara propositalmente seu filho da escada causando ao menino Autismo Limítrofe; e é claro, a procura sem resultados dos corpos quando a família toda desapareceu em 1982.

A maior parte dos artigos eram testemunhos dos vizinhos e amigos da família sobre a última 
vez que viram os Daleys. A performance escolar de Jeff diminuiu, mas o trabalho que fazia nas aulas de arte era tão detalhados como sempre, representando reinos  abstratos em formas retorcidas e sombras ameaçadoras - Imagens que ele não reproduzia desde que era criança. Ele afirmava que "sussurros" o fazia desenhar essas coisas. A única explicação que ele tinha para esses "sussurros" era "eles me seguem por toda minha casa; eu não consigo vê-los, mas eu sei que estão lá."

Eu não acho que Jeff Daley estava viajando ou sonhando: Eu acho que seus subconsciente era as portas para outros mundos, e talvez sua mãe soubesse disso e tentará  o matar. Se esse fosse o caso, eu gostaria que ela tivesse sido um pouco mais persistente.
Os colegas de trabalho de Kevin o descreviam como "nervoso, constantemente no limite, como se estivesse sendo perseguido por um lunático e não pudesse despista-lo."  Naomi, conhecida normalmente por receber os clientes à sua taberna com sorrisos brilhantes e calorosos olás, parecia ter rastejado para dentro de uma concha e se recusava a sair de lá. 

Ela começou a ter intervalos frequentes para ir ao banheiro, apenas para se dobrar num cantinho e chorar com as mãos tapando os ouvidos. E então um dia Jeff não apareceu mais na escola, e seus pais nunca mais apareceram no trabalho. Eles desapareceram no ar; e de acordo com seus vizinhos, eles não foram calados.

Outros artigos descreviam coisas estranhas, mas aparentemente banais como sons na casa abandonada dos Daleys de 1989-2004.  Alguns desses artigos eram tão estranhos que eram considerados pegadinhas ou exageros grotescos.

O cão de um dos vizinhos correu para a varanda da casa dos Daley. Quando voltou, ele passou os próximos dos dias chorando a cobrindo seu focinho aparentemente por nenhuma razão. Em uma manhã os donos do cão acordaram para se deparar com o desaparecimento do cão que nunca mais viram.

Um jovem casal afirmou ter visto uma silhueta nas sombras do jardim frontal da casa, sussurrando algo para eles enquanto passavam pela casa tarde da noite. Eles não posem afirmar se havia ou não alguém lá, e enquanto continuavam sua caminha a forma os perseguiu por vários quarteirões até desaparecer completamente.

Vários carteiros deram depoimentos idênticos sobre ouvir movimentos e balbucios dentro da casa enquanto em sua rotina de trabalho em suas rotas. Um deles achou que era obra de alguns engraçadinhos fazendo um pegadinha e alertou a polícia. Eles nunca encontraram ninguém dentro da casa.

No começo da semana os funcionários públicos estavam preparando a casa para a demolição quando descobriram a fita de baixo de uma velha escrivaninha. Lembrando a história das pessoas desaparecidas, eles deram a fita para a polícia. O oficial que a recebeu - um amigo meu o qual o nome não será revelado - tinha sido um dia fã da Sugarcaine.  Eu passei uma tarde inteira na casa dele ouvindo a gravação. Para espalhar a história pela internet eu transcrevi as gravações para meu próprio blog, o qual você pode ler abaixo:

*
[A fita começa com quinze segundos de silêncio. Quebrado por uma rouca voz feminina.]

"Não acho que eu tenha vindo alguma vez para esse lado da cidade. Tive que parar em um restaurante para pegar informações porque eu consegui me perder estupidamente. Acho que tenha sido uma hora de uma longa viagem, mas acho que será por volta da meia noite quando eu chegar ao local.
Ah, eu falei para a moça que eu estava indo visitar uma amiga minha que morava na vizinhança perto da casa Daley e ela ficou feliz por poder me ajudar. Imaginei que ninguém ficariam muito contente se eu ficasse falando para todos que eu passarei meu final de semana invadindo a casa dos outros. Mesmo que os Daley estejam bem mortos para dar a mínima"

[Silêncio por oito segundos. Suspiro.]

" Eu me sinto tão boba por estar fazendo isso. Mas vendo pelo lado positivo eu vou conseguir pagar meu aluguel mês que vem."

*
"Agora são... onze da noite em ponto.  Demorei a eternidade para encontrar essa casa estúpida. Sempre entrava nas ruas erradas. Difícil perde-la depois que finalmente encontra. O jardim frontal é uma selva de videiras e três pés de grama infestados de milhões de espécies de insetos jamais vistos pelo ser humano. Você não consegue nem ver a porta de entrada pela rua durante a noite, porque as sombras a engole.
Estacionei dois quarteirões de distância e andei até aqui. Vou procurar uma janela que eu possa escalar e entrar na casa. Esperançosamente não quero precisar alcançar a porta de trás, pois isso levará a eternidade. Falarei mais quando entrar."

*
[Passos ocos sobre as velhas tábuas de madeira. Um série de batidas destorcidas enquanto o gravador sacode violentamente. Silêncio por dezesseis segundos]

"Tropecei. Uau, é um breu aqui. Onde está minha maldita...?”

[Silêncio arrastado pelo próprio minuto, e mais passos. Debra libera um ar exausto. Gravador se agita levemente]

"Okay, estou dentro. Meu acampamento está montado no... acho que é o escritório. Há uma velha empoeirada escrivaninha perto da janela, eu subi por esta janela e por uma estante até a porta. Ambas estão vazias. Estou pronta para fazer meu tour pela casa. Câmera apronta, embora esse lugar não tenha muito à se ver.Vou manter o flash desativado, então as fotos tenham que ser editadas depois que eu voltar. Eu deveria usar a lanterna desligada até meus olhos acostumarem mas... é, não vou fazer isso."

[Dois minutos de silêncio à parte das pegadas e ocasional som eletrônico de uma câmera tirando fotos. Tosse.]

" A casa é realmente espaçosa dentro dos seus dois andares. Ah, aí está você, escada imprecisa...O carpete foi todo rasgado exceto por um canto da sala de estar, de modo que o chão é todo de madeira dura."

[Pegadas.  Alto, um grito parecido como de um humano vindo de uma das dobradiças enferrujadas de um porta. Debra solta um suspiro assustado, maldições.]

"... um banheiro mofado intocado desde mil novecentos e oitenta e dois..."

[Várias tossidas enquanto a câmera tira foto. Dobradiças mais guinchantes, silêncio significante. Mais cliques de câmera.]

"Ugh, puta merda aranhas armadeiras em todo lugar!"

[ Sete minutos apenas com pegadas, cliques de câmeras e tossidas de Debra; Sons ocos de botas subindo escada, e pegadas mudam para mais altas, rangidos insalubres. Agora e depois Debra faz vários comentários sobre o layout da casa.]

"[Murmúrio inteligível] - poeira está me matando. Segundo andar é instável pra caralho. Espero que a construção não desabe em mim essa noite."

[Mais pegadas enquanto ela retorna para o primeiro andar. Na marca de dez minutos, silêncio mortal por aproximadamente vinte segundos. Debra exala.]

"Acho que é isso pelo tour. E eu vou dormir com as aranhas."

[Silêncio por dois minutos. Debra sussurrava para si mesma. Estalo de madeira]

"Achei uma madeira solta no chão do escritório. No estilo 'arrancada de propósito' solta. Eu terei que checar isso amanhã de manhã."

[Passos vagarosos, pesados e cuidadosos de botas no chão de madeira. Farfalhar de pano grosso. Tosse.]

"Ah, Deus, eu não consigo respirar nesse lugar. Certo, hora de dormir. Terminarei minhas anotações amanhã. Boa noite!"

*

Chocalhos no gravador. Debra começa a falar, mas só sai as primeiras silabas antes de ficar quieta novamente. Silêncio por mais um minuto]

"Há algo aqui..."

[Batidinhas de pés descalços. Silêncios. Rangido de porta. Farfalhar.]

"Malditos ratos. Eu sabia. Eu os ouvi cavoucando nas paredes do quarto. Eu devia ter trazido uma barraca.

*
[Suspiro exautorado]

"Okay, bem, eu não vou dormir essa noite depois de tudo, então eu vou erguer aquela tábua para passar o tempo. Falo mais sobre depois.

[ Chacoalhos são gravados enquanto o gravados e posto de lado. Nos próximos cinco minutos nada mais do som de unhas e algo metálico - provavelmente um canivete suíço - arranhando na madeira, e ocasionalmente, uma baque. Um ofego e o barulho de um pequeno objeto. As pegadas de Debra saem de alcance do som. Debra diz algo longe demais para ser ouvido e parece esperar uma resposta. Ela se repende, mais alto.]

"Quem está aí?”

[Nada por um minuto e meio. Barulho da porta do escritório se fechando. Batidinhas de pés descalços voltando. Chacoalho da fita.]

"Estou enlouquecendo. Eu juro que pude ouvir -"

[Silêncio. Arranhadas e batidas voltam, e momentos depois há um barulho de madeira sendo colocado de lado.]

"Ahá!"

[Farfalhar de papel]

"Hm..."

[Mais farfalhar de papel. Silêncio.]

"Hm, há... desenhos. Desenhos amassados recheando os pequenos espaços da tábua. Acho que são desenhos de Jeff Daley. Quando ele tinha cinco anos ele costumava desenhar seus pesadelos.Não, esses não podem ser de verdade. Os detalhes são -?”

[Amassando: papel sendo desamassado. Debra fala silenciosamente, quase inaudível, como se estivesse lendo algo pra si mesma. ]

"Não ouça. Não é o papai. Não é o papai. Não é..."

[Silêncio. Respiração profunda e tremida.]

"Okay, hm... Okay, isso não tem mais graça."

[Um som distante, possivelmente no corredor, e um suspiro agudo. Dois minutos e quarenta segundos de silêncio.]

"[Murmúrio incoerente] - não tem graça."

[ O som de novo, dentro de cinco pés do gravador. Uma voz humana falando quase como sussurros. Ela diz apenas uma palavra difícil de se entender, mas parece como o nome de Debra. O gravador se agita violentamente e atinge o chão.]

"Não tem graça! Pare com isso!"

[Silêncio. Batidas de pés descalços deixando o quarto. Três minutos passam sem barulhos exceto por baques periódicos dentro da casa e Debra gritando com raiva. Os passos voltam. Batida forte com a porta do escritório. Soluçar baixo a mais ou menos 3 pés do gravador. Nada mais por outro minuto.]

"[Falando muito baixo para que seja registrado no gravador. Sua garganta está restringida.]"

[Os soluços param em quando Debra abruptamente prende a respiração. A voz fala de novo baixinho, de dentro do quarto. Pés se debatendo pelo chão. A janela do escritório guincha enquanto é aberta. O resto da fita é silêncio.]

*

Debra postou um update na mesma noite. Não havia nenhum traço de sua narrativa costume. Ela trocou frases energéticas por maldições irritadas. Ela queria que alguém (eu) se desculpasse por algo que ela achava ser uma perversa pegadinha de halloween. Ela manteu um dos desenhos que encontrou na tabua solta e incluiu o desenho scaneado em sua postagem, condenando-o como uma tentativa óbvia de um artista adulto incapaz de reproduzir a obra de um garoto retardado de oito anos.

Desenhado inteiramente em giz de cera preto, parecia a caricatura de uma sala de estar feita por Salvador Dali. No meio de pé, uma forma negra com a cabeça negra distorcida (como em uma casa de espelhos), fazendo impossível saber se era humano ou não. A coisa olhava diretamente ao espectador por cima do ombro, com dois buracos negros sendo seus olhos. Mais três deles estavam além dele, também olhando para o espectador - era como se o ato de desenhar a cena tivesse tomado sua atenção. Embora seus rostos eram amorfos de branco e cinza, os três do fundo pareciam sorrir. E realmente sugeria um nível artístico além do que um menino de oito anos, mas o estilo se encaixava com os outros desenhos já vistos de Jeff Daley.

Debra e eu tivemos nossa parcela de mensagem de ódio depois daquela postagem. Metade dos leitores achavam que eu era um cuzão por ter pregado nela uma pegadinha tão escrota; A outra metade achava que Debra estava pregando uma pegadinha nela mesmo, e quando nas duas atualizações seguintes era apenas descrições irregulares dos sons da casa Daley que a seguiram, todo mundo estava certo que era uma pegadinha dela. Eles ainda acreditavam que era uma brincadeira quando ela não atualizou nada por duas semanas.
No dia 4 de Novembro no meio da tarde, Debra ligou sua irmã, Payton. Ela estava chorando tanto que Payton não conseguia entender uma palavra que ela disse no começo.

"Ela soltou um discurso bêbado de partir o coração. Disse que estava arrependida de ter perdido meu casamento, arrependida por ser uma puta rancorosa quando estávamos crescendo, arrependida por ter chutado nosso cachorrinho quando tinha doze anos - pedindo desculpas por todas coisas bobas como uma confição desesperada de uma pecadora.
Ela parou para respirar, e eu ouvi alguém mais no quarto falando baixinho com ela como se não quisesse que eu ouvisse. Eu perguntei se ela queria que eu fosse até sua casa. Ela começou a soluçar de novo e disse, "Eu ouço o papai, mas não é o papai." Então ela desligou o telefone e eu chamei a polícia. Ele não encontraram ninguém quando chegaram lá. Eu falava com ela poucos minutos antes."

Maioria das pessoas continua pensando que o rapto de Debra pelo perseguidores sussurrantes dos pesadelos de Jeff Daley  é uma farsa orquestrada por ela ou outro individuo doente. A fita foi declarada falta por céticos ignorantes um após o outro, e não vai demorar só que Sugarcaine Junction desapareça na escuridão novamente. Eu espero evitar isso, não porque eu sinta pena de Debra Lindsay Caine, mesmo que eu sinta; mas para prevenir desaparecimentos que nem o dela, como os funcionários públicos também desapareceram, e como o de meu amigo policial. Eles marcam seu território - Como eles marcaram a casa Daley e a fita - eles conseguem farejar qualquer coisa que entre em contato com eles. Uma vez que eles te farejem, eles te caçam como cães famintos até que te marquem também.
Eles te chamam baixinho como se tivessem medo de falar alto - as vezes dois quartos de distância, as vezes do seu lado. Eles imitam pessoas chegadas a você. Talvez porque acham assim mais engraçado. Mas você não pode ouvi-los. Você tem que cala-los, ou de outra forma, você está assustado demais para abrir seus olhos ou para mover um músculo. Você não terá chance de se matar antes que eles te arrastem para onde diabos seja o lugar que Debra foi levada também.

Eu vou tomar um banho com minha torradeira agora. Minha mãe tem me chamado o tempo todo na última hora, mesmo sendo que ela esteja morta a cinco anos.