28/02/2013

Cinco minutinhos

O telefone toca, e uma voz no outro lado da linha diz, "Posso roubar cinco minutinhos do seu tempo?".
Você responde que sim, e imediatamente a pessoa do outro lado da linha desliga.

De repente, você se sente um pouco mais....velho.




27/02/2013

A Quem Interessa,


Esta carta pode lhe ser um pouco chocante, mas julguei que em seu caso, como em alguns outros, eu deveria lhe dar alguma explicação. Também gostaria que soubesse que não é nada pessoal, negócios são negócios, certo? Certo. A maior parte das pessoas após receber esta carta tenta se esquecer dela, seguir a vida como se nada tivesse acontecido, mas não é bem assim. Você vê, estou em contato com poderes maiores, ambos os lados do espectro, se é que me entende.

Aqui está como funciona. Nos dias antigos Deus era vingativo. A bíblia está cheia destas histórias, e, bem, Satã era Satã. Em tempos mais recentes, e por recente quero dizer a era das trevas, meados da idade média, a população da terra explodiu de tamanho. Logo estes dois não mais conseguem manter o controle. Eu sei, Deus deveria ser onipotente, mas não creia em tudo que você escuta. Então, tais poderes, Deus e Satã, tem contratado muitos como eu para agir como ceifadores. Não do tipo encapuzado e com foice, somos bem humanos e bem vivos. Somos contratados por um dia por cada poder para dar cabo de uma vida. Eles escolhem quem e nós providenciamos o serviço. Em retorno Deus nos oferece entrada ao paraíso se jogarmos por suas regras e Satã providencia algum ganho monetário dependendo do valor do alvo. Sei que pode soar estranho mas nós temos um propósito. Somos o equilíbrio entre estes dois poderes, uma vez que servimos a ambos indistintamente.

Fui escolhido para exercer minhas funções no meu décimo quinto aniversário, considerando que tenho o dobro de idade agora, acho que tenho experiência o suficiente para garantir que sou eficiente em meu trabalho. Ainda não perdi nenhum alvo, e temos desenvolvidos métodos para facilitar nosso trabalho e parecer que foi acidental, tanto quanto rápido e indolor. Quando ouvir histórias de que alguém caiu de um telhado e quebrou o pescoço, raramente é acidental. Quando o médico disser "Aconteceu tão rápido, ele(a) mal pode sentir alguma coisa, ou mais normalmente "morreu na hora", fomos nós. Apareceremos como mecânicos, carteiros, babás, entregadores, ou o que você precisar para não gerar suspeitas. Então não tema. Não farei uma exceção a você. Só permita que prossiga com meu trabalho e saiba que não há escapatória.

Como esclarecido antes, envio-lhe isso como uma explicação ao que vai lhe ocorrer, e permitir que se despeça de seus amados. Tenho sua foto, endereço, informações e tudo mais que preciso. Me recuso a saber seu nome. A maior parte de nós gosta de manter o trabalho impessoal. Sua família não se machucará e peço-lhe que não entre em pânico. Não se incomode correndo ou fugindo, apenas deixe que aconteça.

Nos veremos em breve,

C.


26/02/2013

O Pique Esconde de um Homem Só.


Introdução:

O Pique Esconde Solitário, também conhecido como Pique Esconde de um Homem Só, é um ritual para entrar em contato com os mortos.

Os espíritos que estão vagando sem descanso pela terra estão sempre a procura de um corpo para possuir. Nesse ritual você convocará tal espírito oferecendo uma boneca ao invés de um corpo humano.

Aviso: Se você tem habilidades psíquicas pode se sentir mal ou estar inclinado à acidentes durante o ritual.

Coisas que você vai precisar:

*Uma boneca de pelúcia com membros
*Um pouco de arroz (o suficiente para encher totalmente a boneca)
*Uma agulha e um fio vermelho
*Uma ferramenta pontiaguda (uma faca, um pedaço de vidro ou uma tesoura)
*Um copo cheio de sal (sal marinho seria o melhor)
*Um esconderijo (preferivelmente um quarto purificado por incensos e um Ofuda)

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Preparação:

1- Tire todo o algodão (ou seja lá o que estiver dentro) da boneca, e preencha com o arroz¹.
2- Corte um pedaço de sua unha e coloque dentro da boneca, e costure a abertura com o fio vermelho. Quando terminar de costurar, amarre a boneca com o resto do fio².
3- Ponha água dentro de uma banheira.
4- Coloque um copo de água salgada dentro do esconderijo.

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Como fazer:
1- Dê um nome à boneca (pode ser qualquer nome, menos o seu).
2- Ás três da manhã, diga para a boneca: “______ (Seu nome) é o primeiro isto” três vezes.
3- Vá para o banheiro e coloque a boneca na banheira cheia de água.
4- Desligue todas as luzes da casa, volte para o esconderijo e ligue a TV.
5- Conte até 10 com os olhos fechados, e, quando terminar, volte para o banheiro com a ferramenta pontiaguda na sua mão.
6- Quando chegar lá, fale para a boneca, “Eu te encontrei, ______ (Nome da boneca)” e enfie a ferramenta na boneca³.
7- Diga “Você é a próxima isto, ______ (Nome da Boneca)” Enquanto põe a boneca de volta a seu lugar.
8- Quando terminar de colocar a boneca de volta a seu lugar, corra para o esconderijo e se esconda.

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Como terminar:

1-Coloque metade do copo de água salgada na sua boca (não beba; apenas deixe lá dentro)
, saia do esconderijo e comece a procurar pela boneca. A boneca não estará necessariamente no banheiro. Independente do que aconteça, não cuspa a água salgada.
2- Quando você encontrar a boneca, despeje o resto da água salgada que sobrou no copo em cima dela, e cuspa a água em cima dela também.
3- Diga: “Eu ganhei”, três vezes.

Com isso, supostamente, o ritual se acaba.
Depois disso, seque a boneca e depois queime-a e jogue fora.

O MAIS IMPORTANTE:
Por favor, não pare o ritual pela metade, você tem que terminal completamente o ritual.
Esse é um ritual perigoso. A equipe Creepypasta Brasil não aconselha a fazer e não se responsabilizará por qualquer coisa que venha acontecer se você tentar. 

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Outras coisas para manter em mente:

*Não saia de casa até que você termine o ritual.
*Você deve desligar todas as luzes.
*Fique em silêncio enquanto escondido.
*Você não precisa colocar a água salgada na boca o tempo todo, só precisará fazer isso no final do ritual.
*Lembre-se, se você mora com outras pessoas, pode pôr elas em perigo também.
*Não continue o ritual se este passar de uma a duas horas.
*Por razões de segurança, seria melhor se mantivesse todas as portas da casa destrancadas (incluindo a porta da frente), e ter alguns amigos por perto que possam lhe ajudar em caso de perigo, se você precisar. Manter um celular perto de você seria uma boa ideia também.

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Referências:
¹- O arroz representa entranhas e também tem o papel de atrair os espíritos.
²- O fio vermelho representa os vasos sanguíneos. Isso sela o espírito dentro da boneca.
³- Cortando o fio você corta o selo e liberta o espírito preso.
- Se você sair do esconderijo sem a água salgada, poderá encontrar algo “vagando” pela sua casa que pode te machucar de algum jeito. Aparentemente a maneira de sentir a presença de algo “vagando” é ver o que “acontece” na televisão.


24/02/2013

O post-it



E aí, você tem mania de ler tudo que vê pela frente?



Killswitch


Na primavera de 1989 a corporação Karvina lançou um jogo curioso, cujo a disseminação entre os estudantes americanos naquele outono foi rápida e fácil. Entretanto o tempo de sua popularidade ter sido foi curta.

O jogo era “Killswitch”.




Na superfície era um variante de mistério com Survival Horror, um percussor das Franquias Myst e Silent Hill. A narrativa mostrava a complexidade pela qual Karvina era conhecida, embora os gráficos fossem monocromáticos, vagas sombras cinzas e brancas em um fundo preto. Uma versão em slow motion de uma música folclórica Checa tocava em looping do começo ao fim durante o jogo. Os jogadores poderiam escolher entre dois personagens: Um demônio invisível chamado Ghast ou uma mulher humana visível, ou um humano visível, Porto. Jogar com Ghast era consideravelmente mais difícil devido a sua invisibilidade total, e os jogadores eram sujeitos a re-iniciar o jogo para jogar com Porto depois da primeira fase, na qual era impossível pular ou mirar. Entretanto, Ghast era claramente o personagem mais poderoso, soprava fogo e fumaça, mas apesar de estar acima da habilidade da maior parte dos jogadores saber de onde sairia o fogo, um demoniozinho jogava fumaça venenosa invisível quando o fogo acabava, Porto se tornava, querendo ou não, a única opção. A habilidade singular de Porto era mudar de tamanho, ela se expandia e se contraia de durante o jogo. Um engenheiro do Kansas alegou ter descoberto o padrão envolvido, mas por razões o quais ficarão óbvias, ele perdeu seu trabalho.

Porto desperta acorda no escuro, com ferimentos nos cotovelos, confusa. Procurando um jeito de sair, ela chega a uma mina de carvão, onde lentamente é revelado que antigamente lá ela trabalhava. Investigando o colapso da mina, por demônios similares a Ghast, empregados mortos, Golems de carvão e inspetores demoníacos da corporação Sovatk, quais os corpos eram vestidos em vermelho, a única cor no jogo. A única cor no jogo. O ambiente, mesmo que primitivo, se torna genuinamente sinistro, conforme o jogo progride. Não há Chefões, em nenhum aspecto; Porto simplesmente tem de se mover fisicamente pelos túneis para alcançar os níveis seguintes enquanto seu tamanho varia vorazmente nos espaços entre as fases.

A história que emerge através das descobertas de Porto com fitas magnéticas, arquivos e trabalhadores de fábrica mutilados, que eram antes seus amigos, e decifrando um código impressionantemente complexo em escritas em uma série de machados de ferro que os jogadores tem de coletar (essa parte do jogo era praticamente comicamente complexa, e muitos jogadores até “Porto881” postar um criptograma na coluna BBS. Tentativas de contatar esse jogador forma sem sucesso, e o nome de usuário não está mais sendo usado em nenhum serviço conhecido) é que o empregado, na pressão para aumentar a produção de carvão, começou a falsificar registros de falhas e trabalhadores falhos, para gerar a desculpa da produção baixa, o qual incentivou a inspeção Sovatk. Oficias foram despachados, cada um para um mineiro, e um extraordinário histórico de tortura foi revelado, com homens vestidos de vermelho de pé ao lado dos trabalhadores, inserindo pequenas facas nas suas juntas quando a produção diminuía ( É de se admitir que não era uma crítica muito sutil das táticas industrias da era soviética, e enquanto a cidade de Karvina era devastada pelo departamento de carvão industrial, mais de uma tese interpretou Killswitch como uma crítica política).

Depois de resolver os códigos dos machados, Porto acha uma fita gravada, a qual uma voz masculina fala para ela que o fogo da terra ergueu-se em suas defesas e fluiu no coração dos arruinados, pré-equipamento que eles usaram para acordar e vingar os trabalhadores. Geralmente se assume que o “fogo da terra” são os demônios que parecem Ghast, fumaça de carvão e corpos gasosos habitando as velhas máquinas. As próprias máquinas eram tão “grandes” que os gráficos apenas mostravam apenas dois ou três dentes de engrenagem ou uma esteira de rolagem em vez de todo o aparelho. As máquinas deixavam os inspetores loucos, e eles desapareceram nas cavernas com suas facas (apenas para voltarem para perturbar Porto, é claro). Os trabalhadores eram esmagados e mutilados nos ataques violentos. A própria Porto tinha sido empurrada para dentro de um buraco por uma máquina raivosa, e o seu tamanho variável, se era algo real e não imaginado, implicava em ser o resultado de gases tóxicos que ela inalou enquanto lá. 

O que acontece a seguir é a parte mais intuitiva e oculta do jogo. Não há razão lógica para prosseguir no jeito “correto”, e de novo foi Porto881 que veio socorrer a comunidade decadente de Killswitch. Na câmara atrás da fita gravada há uma grande fornalha onde o carvão era transformado em pó. Não se tinha ideia do que ela era destinada a fazer nessa sala. Os jogadores tentavam praticamente tudo, de se sacrficar Porto como se ela fosse o próprio carvão, sendo processada, como se a máquina nunca tivesse “acordado”. Porto881 descobriu a solução, e postou nos quadros de Columbia. Se Porto ingerisse o pó cru, ela iria ter seu corpo controlado, e poderia lutar para chegar às fases finais da mina, que são impossíveis de passar na sua fase gigante, segurando a fita que tinha aquela maravilhosa história. 
Entretanto, enquanto ela está rastejando pelo último túnel para surgir na superfície, a tela fica repentinamente branca. 

Killswitch, por seu design, se deleta sozinho depois que o jogador termina o jogo. Não é recuperável de nenhuma forma, todos os traços do jogo são removidos do computador do usuário. O jogo não pode ser copiado. Para todas intenções e propósitos apenas existe para aqueles que estão jogando, e então ele se cessa por completo. Não pode ser jogado novamente, sem saber de segredos futuros ou caminhos narrados, não permite que outra pessoa jogue, e o mais importante: é impossível jogar uma vez com Porto e outra com Ghast. 

Previsivelmente, a lamentação dos jogadores foi enorme. Várias rotas para resolver os problemas foram feitas, sem nenhuma eficácia. A coisa mais comum e simples de se fazer era comprar mais cópias do jogo, mas a Corporação Karvina apenas lançou no mercado 5 mil cópias e negou lançar mais edições. O texto a seguir é uma cópia de uma imprensa da corporação em Maio de 1990:

“Killswitch foi feita para ser uma experiência de jogo única: como na realidade, ela não pode ser repetida ou revivida. Alguns podem dizer que não é nem possível de ser contada. A morte é o fim; a morte é completa. O destino de Porto e seu amável Ghast são desconhecidos assim como os seus próprios. Foi assim que a corporação Karvina desejou ser e é assim que é, e nós pedimos para nossos clientes que respeitem esse desejo.  Tenha certeza que Karvina continuara a providenciar jogos de qualidade para o Oeste, e que Killswitch é a apenas um entre muitos de nossos projetos.”

Mas isso não teve o efeito planejado. A palavra “amável” despertou o interesse dos jogadores obsessivos, até meus comprometidos, até porque Ghast não está na narrativa de Porto em nenhuma proporção. Uma correria para conseguir as últimas cópias do jogo foi iniciada, com a intenção de ser jogadas com Ghast e descobrir o significado do segredo oculto da palavra de Corporação Karvina. A teoria mais popular ela que Ghast em algum ponto se transformaria na fumaça que Porto inalou, mudando o tamanho dela e começando a aventura.  Alguns achavam que isso era apenas pensamento positivo, de que se as fases iniciais de Ghast eram passáveis, alguém eventualmente conseguiria jogar com os dois simultaneamente. Entretanto, por essa altura mais nenhuma copia apareceram nas lojas. Jogadores que ainda não tinham terminado o jogo tentaram usar Ghast para jogar mais frequentemente, mas a dificuldade de jogar com esse personagem enigmático persistiam, e nenhum jogador nunca alegou ter terminado o jogo com Ghast. Um por um, a fascinação por Ghast foi se perdendo, fazendo com que os jogadores voltassem para Porto,  e um por um, eles finalizavam o jogo para terminar na tela branca. 

Achar uma cópia que não foi terminada hoje em dia, infelizmente, é uma coisa muito rara de se acontecer; Uma cópia devidamente embalada foi vendida em uma audiência em 2005 por 733 mil dólares para Yamamoto Ryuich de Tókio. É provável que a cópia que está nas mão de Yamamoto é a última cópia jogável que ainda existe. Sabendo disso, Yamamoto tinha a intenção de mostrar o que jogava para todos os entusiastas, filmando e colocando na internet o seu progresso. Mas, até hoje, o único vídeo que foi postado é um de um minuto e quarenta e cinco segundos de um Yamamoto abatido em seu computador, com o personagem escolhido aparecendo na tela por cima de seu ombro. O quarto está completamente bagunçado, e o som do vídeo discernido como um som de baixa frequência de infrassons. 

O vídeo consiste em um Yamamoto visivelmente tremendo, levantando da cadeira em frente ao seu computador enquanto carregando a câmera usada para filmar o jogo. Ele começa a desligar vários eletrônicos na sua casa, por ultimo chegando no que depois foi identificado como o MEM 304 caixa de fusíveis localizada no porão da casa. Yamamoto começa a puxar os fios atropeladamente dos circuitos aparentemente choraminga alguma coisa. O que foi dito foi coberto pelo som de baixa freqüência. 

Yamamoto volta para seu quarto. Os últimos frames do vídeo ainda mostram o personagem no monitor do computador. 

Yamamoto Sorri. 



Ótima Noticia


Quem descobriu a existência dos mortos? Talvez alguns de vocês devem conhecer o nome de Antônia Simone, porém as circunstâncias exatas sobre suas descobertas são amplamente variadas.

Em 1992, seu irmão mais novo, Ricardo, ficou ferido em um acidente de artes marciais que o deixou completamente paralisado. Ele precisava de um respirador para viver e só podia se comunicar através do piscar dos olhos. Como ela era uma cientista da computação do Centro de Pesquisas da cidade de Palo Alto, ela decidiu então criar um terminal de computador sensível à qualquer fonte de energia existente. Antônia era uma estudante de fotografia Kirlian e acreditava firmemente que campos eletromagnéticos do corpo poderiam afetar equipamentos eletrônicos supersensíveis.

Ela criou um terminal que não podia ser afetado pelos meios tradicionais – não havia teclado, mouse ou outros dispositivos de entrada/saída. Somente a caixa preta do terminal. Infelizmente, independente de todo esse esforço, Ricardo tinha pouco tempo de vida. Sra. Simone estava tão devotada a seu irmão que tentou durante anos criar um terminal de computador ainda mais avançado, o que supostamente permitiria que seu irmão se comunicasse naturalmente direto do mundo dos mortos. Atormentado com o fracasso de seu terminal, que ela pensou que acabaria com o sofrimento de outros milhares de pessoas com o mesmo problema, ela se matou por enforcamento.

Quando os paramédicos encontraram o corpo dela dias depois, lá na tela de um computador, havia uma mensagem: "Por que demoraram tanto? Eu tenho uma ótima noticia para contar a vocês.".


22/02/2013

Hora de Dormir III (pt. 6)


"Pô Divina, essa série tá muito demorada! mimimimimi, posta mais rápido!"

Nope, vocês ficarem me apressando não vai fazer meus dedos digitarem mais rápido. Além do mais a pressa é inimiga da perfeição. Sendo esta a sexta parte, as próximas quatro partes vão ser postadas no máximo uma por semana, então até sexta que vem eu posto a sétima parte, okay? :3
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Eu acho que é um rito de passagem para todas as crianças ter um esconderijo, um lugar para esconder suas coisas. É geralmente a primeira experiência com a independência, algo seu sem nenhuma intrusão de uma figura de autoridade. Para mim, meu "esconderijo" era no meio do Sicômoro. Eu tenho certeza que eu parecia um idiota, mas feliz e contente eu escalei a árvore abandonada. O lugar dos galhos tinham mudado conforme eu mudava por causa do tempo, mas entre boas memórias de ficar pendurado e atirado pela árvore, de ter um pequeno pedaço do mundo só para mim.

Na metade da subida eu até prendi a respiração e sorri para mim mesmo. No tronco central da árvore  havia um local oco. Se ele tinha sido feito por algum animal, ou por um raio de uma furiosa tempestade eu não sabia, mas era onde eu guardava as minhas coisas. Se eu encontrava alguma coisa que eu sabia que seria tirado de mim por ser "inapropriado", ele ia parar no oco. A verdade é que não tinha nenhum artigo muito interessante lá, na maioria alguns brinquedos ou algumas peças exóticas de contrabando como um estilingue e algumas bombas de fumaça. Eu não tinha nenhuma razão para esconder os brinquedos,  mas quando mais novo, gostava da aventura de ter um segredo.

O buraco estava escuro e cheio até a metade com folhas apodrecidas, com certeza tendo caído lá de vários outonos com o passar dos anos, no entanto consegui chegar ao fundo para ver o que restava. Eu não podia acreditar! Os brinquedos que eu tinha deixado ainda estavam lá, mesmo depois de todos esses anos! Eu podia sentir o plástico na minha mão, os formatos inconfundíveis, mas as folhas e a escuridão impediam que eu conseguisse ver alguma coisa, e eu sofria para tentar remover a grossa mistura de folhas podres e água da chuva. Parecia estar preso entre alguns pequenos galhos.

A razão por eu estar tão animado era porque eu sabia que quando tínhamos nos mudado eu tinha deixado um dos meus brinquedos favoritos; uma pequena réplica de um soldado britânico da primeira guerra mundial. Pode não parecer nada de mais, mas eu tinha crescido em histórias de família em que meu avô se aventurava durantes duas guerras, e como ele faleceu antes de eu nascer eu costumava atuar exageradas versões das histórias com esse pequeno soldado sendo meu vô o papel principal das brincadeiras. Na época eu pensei que o oco era um esconderijo perfeito para um soldado.

Minha alegria, no entretanto, rapidamente se tornou em horror. Eu me senti enjoado, pois enquanto eu puxava o soldadinho para fora do oco, eu percebi que não era meu brinquedo, mas algo totalmente diferente. Dentro do buraco negro da árvore entre o lodo, e agora em minha mão, estava o esqueleto de um animal pequeno. Os ossos se quebraram com o aperto de minha mão e poucos chumaços de cabelo e carne podre ficaram entre meus dedos. Eu quase perdi meu equilíbrio enquanto o cheiro forte  e úmido de apodrecimento e morte chegou ao meu nariz invadindo meus sentidos.

Eu desci da árvore cuidadosamente, desanimado. Não havia mais nada no buraco, meus brinquedos tinham sumido, provavelmente pegos por outra criança durantes os anos anteriores. O que tinha sobrado do pobre animal, eu enterrei sob um pedaço de terra solta no jardim.
Eu deixei o lugar imediatamente.

Apesar do meu infeliz episódio do oco, eu ainda me sentia poderoso. Que eu realmente tinha criado coragem para revistar o lugar, para ver o quão normal realmente era, me fez me sentir mais uma vez no controle de minhas ações. Naquele momento, eu não exigia nada além de uma explicação convencional.

Eu dei adeus ao antigo bairro, às memórias ruins de uma vez por todas, e comecei a fazer meu caminho de volta para casa. No momento que eu alcancei a auto-estrada, algo começou a surgir através da parte de trás do meu subconsciente. No começo eu não considerei o pensamento, descartando-o como minha imaginação, mas quando o último raio de sol brilhou no horizonte e sumiu, senti o crescimento de uma compulsão em mim. Uma ideia que parecia ter nascido e alimentada por uma boa razão. Nenhuma razão especifica, nenhuma base sólida para isso, mas que tinha que ser seguida a todo o custo....

Eu tenho que chegar em casa!

Eu acelerei o carro, ultrapassando esporadicamente os outros carros mais lentos da estrada, olhando no espelho retrovisor, mantendo um olho sobre o que poderia estar me seguindo.

Eu tenho que chegar em casa!

De novo, eu dirigi mais rápido olhando constantemente para trás, como se estivesse fugindo de um perseguidor invisível, 100, 120, 140 Km/h! Eu rasgava ao longo da estrada, buzinando e gritando, o suor escorrendo de minha testa. O que estava acontecendo comigo?!?

Por favor, me deixe ir para casa!

Com os dedos pálidos, eu finalmente sai da auto-estrada para as estradas menores que iam para a minha cidade. As ruas eram estreitas e contornavam o campo que agora estava sombrio e ameaçador. A escuridão parecia um véu sobre a estrada em frente a mim. Fiquei aliviado ao ver ao longe um feixe de luz, mesmo que artificial. A ansiedade que antes tinha me tornado em um maníaco na auto-estrada pareceu diminuir, no entanto eu continuava a olhar para o espelho retrovisor mais do que deveria, apenas para me certificar que nada havia me seguido até ali.

Que pensamento ridículo! Pensar que algo estava perseguindo meu carro! Botar outros e a mim mesmo em perigo acelerando em uma auto-estrada movimentada... loucura!
Sendo loucura ou não, eu ainda me sentia compelido a fugir o mais rápido possível e mesmo que eu tinha me acalmado um pouco, a solidão da estrada estava alimentando a ansiedade para chegar na minha cidade, na minha rua, na minha casa!

Nervoso, eu atravessei as ruas que pareciam labirintos com sinuosa cautela pelo campo, sentindo-me aliviado como o primeiro poste de luz aparecendo ao longe, civilização, e dos limites da minha cidade. Eu encostei o carro do lado de fora de casa, desliguei o motor, e fiquei sentado no carro em silêncio por um instante. Eu tinha que parar com todo esse absurdo! Coisas que saem das paredes, os observadores me sufocando a noite, olhando para as janelas das casas como um ladrão, tudo isso era insanidade!

Eu então pensei: "Amanhã eu gostaria de começar tudo de novo, não mais escrever sobre minhas experiências de infância, não mais enfrentar noites em claro. Apenas voltar ao normal, trabalhar, passar mais tempo com minha namorada, e acima de tudo, reafirmar a minha crença, fé e confiança na ciência e na racionalidade. "

Então a coisa no banco de trás se inclinou para frente, me agarrando pelos ombros e soltou a respiração rançosa de dentro de seus pulmões em minha nuca.

Eu me virei para a porta do carro, minhas mãos tentando achar a maçaneta do carro. O medo tomou conta de mim, me abalou; um medo que eu me lembrava muito bem, um medo de anos anteriores, deitado acordado de noite naquele quarto doentio. A atmosfera de dentro do carro tinha ficado muito mais fria, mas nada comparado com os dedos que estavam agarrados aos meus ombros e congelando minha pele.

Eu honestamente achei que eu iria morrer, que a coisa finalmente completaria sua tarefa depois de todo aquele tempo.

A maçaneta da porta abriu com o meu perto e eu caí do banco do motorista para a calçada. Por um breve momento eu achei que tinha visto um vislumbre do que estava no banco de trás; vagamente, a forma de um homem velho, retorcidamente sorrindo de orelha à orelha. Felizmente não havia ninguém ao redor, pois se tivesse eu teria parecido um idiota alucinado, pois o carro estava vazio. Peguei as chaves da ignição e fechei a porta com um chute, trancando pela noite.

Eu cambaleei pelo caminho até a porta de casa. Eu não vou mentir para você, naquela noite eu me embebedei até cair no sono. Você deve se lembrar que eu disse que tinha provas evidentes, provas físicas de algo sobrenatural. Você deve estar se perguntando que prova é essa. Bem, posso dizer que eram as marcas em meus ombros que me faziam estremecer de medo, ou também a janela de meu quarto aberta de manhã, que eu tinha certeza de ter fechado, com marcas de garras no parapeito. Mas não, nada disso me assustou tanto quanto o que eu vi hoje ao acordar.

Às vezes, as mensagens mais assustadoras são as mais simples. Quando acordei pela manhã, deitado em meu peito estava um soldadinho de brinquedo, o soldadinho que eu tinha escondido no oco à muitos anos atrás; retornou a mim depois que eu tinha virado adulto, mordido pela metade.


(CONTINUA... HORA DE DORMIR IV EM BREVE)

Essa Creepypasta faz parte de uma série.
Essa Creepypasta é a parte 6, veja abaixo as anteriores:



21/02/2013

O Desafio



Alguns de vocês já devem me conhecer de “A Mágica”. Para os demais acredito que essa seja a primeira vez que terão o prazer. Para os iniciantes, farei uma breve explicação para que entrem em sintonia com a coisa toda e como irá funcionar. Eu faço desafios às pessoas. Pequenos desafios para os corajosos, curiosos ou tolos tentarem. Se você participar dele todo até o final, então você vence. Mas se você for apenas ler as palavras como se estivesse lendo alguma velha história, você irá fracassar... e estará perdendo o seu tempo. Isso só vai funcionar se você fizer exatamente o que eu disser. Qualquer desapontamento que você tiver se ler mas não entrar no jogo será completamente atribuído a você. Eu mesmo te digo e evito que se aborreça – essa história não será assustadora se você não participar. Ela não vai te aterrorizar se você não entrar na brincadeira. Ela não vai te enlouquecer se você não lhe der a chance. De fato, ela vai te entediar. Em vez disso você pode ir ler a informação nutricional da sua caixa de cereal. Qualquer julgamento que fizer sobre a capacidade dessa história de te deixar paralisado é inválido se você não for corajoso o suficiente para tentar O Desafio. 

Eu tenho experiência nessas coisas, acredite em mim. Já vi tudo isso antes. Temos aqueles que, entusiasmados, baixaram “A Mágica” e que se sentiram ofendidos por não terem sido aterrorizados, mesmo não tendo seguido as instruções mais básicas. Reclamem suas putinhas! Então temos aqueles penetras, que folheiam o “Thirteen Volume Um” nas livrarias e bibliotecas, tão ansiosos para ver o motivo de tanta euforia que acabam perdendo o passeio. Quase todos estarão lendo da mesma cartilha: Quer que isso funcione? Entre na brincadeira e tente essa merda. Não importa se você tem dezesseis ou sessenta e seis anos; as regras se aplicam a todos igualmente. Isso não é para crianças, é para adultos, então se você se exclui de participar do desafio por algum tipo de complexo de senilidade auto-induzido então estou te dizendo, você está se iludindo amigo. Se envolva. Senão você irá fracassar. Estamos embarcando numa pequena viagem. Dessa vez, diferente de “AMágica”, você não precisa estar sozinho para que funcione. Quanto mais, melhor. Testemunhas são bem vindas. 

O Desafio Primeiro passo então: Preciso que você fale com um amigo ou dois. Você pode mostrar a eles essa história até esse ponto ou apenas comunicar a eles da seguinte maneira: Eu quero ver se sou corajoso o suficiente para tentar O Desafio. Vai ser bizarro. Eu queria que vocês viessem comigo. Isso vai levar somente o tempo de irmos até o cemitério mais próximo, não mais que dez minutos. 

Marque uma data e um horário para se encontrarem (de preferência no começo da noite). Então você, o instigador, deve preparar o seguinte para o segundo passo: Uma pequena bolsa/mochila... na qual irá colocar... Uma caixa de fósforos Um espelho pequeno Uma caneta Uma única folha de papel em branco Esse livro (NT:Thirteen Volume Dois) ou “O Desafio” impresso Assim que tiver colocado tudo na bolsa, vá até o cemitério e continue a ler a partir desse parágrafo apenas quando tiver chegado lá. Você pode filmar se quiser, para o caso das pessoas não acreditarem que você fez isso tudo até o final. Eu gosto de encorajar esse tipo de coisa... 

Interlúdio Daqui pra frente é que a brincadeira começa. Você chegou no cemitério? Isso é muito importante. Todos os seus convidados apareceram? Ah, muito bem! (Bom, eu realmente espero que você esteja no cemitério se estiver lendo isso e não sentado no seu quarto lendo no computador porque está assustado demais para tentar. Se for esse o caso, você deveria deixar pra lá. Isso não vai te levar a nada. Se o seu negócio é com quartos, tente “A Mágica”.) Ok, vamos continuar... 

Terceiro passo: Não se aborreça. Como organizador, diga ao seu pequeno grupo para se comportar da melhor maneira possível. Pessoas em luto sendo incomodadas logo fariam os funcionários do cemitério escoltarem vocês até a saída, e isso não é bom. Eu sei que os nervos estarão à flor da pele, e essa excitação vertiginosa pode facilmente levá-los à tolices, mas se acalme e certifique-se de que todos estejam focados e calmos também. Pessoas agindo como idiotas vão arruinar esse desafio, então mantenha as coisas sob controle. Quarto passo: Façam uma caminhada de uns cinco minutos (sozinhos, em pares, todos juntos, tanto faz) e procurem o túmulo mais antigo que puderem encontrar. Será aquele com a data da morte mais antiga, e não a de nascimento. Se não houver nada antes de 1911, encontrem outra merda de cemitério. Só vai funcionar se for antigo. 

Quinto passo: Reúnam-se em volta do túmulo. 

Sexto passo: Tire a caneta e o papel de dentro da bolsa. Rasgue o papel em quadradinhos que sejam grandes o bastante para escrever uma única letra em cada um e escreva: 

A primeira letra do primeiro nome (se houver mais de um nome na lápide escolha aquele que morreu há mais tempo) Escreva a última letra do último nome Escreva a primeira letra de cada parágrafo da seção logo abaixo do Interlúdio, na página anterior – são cinco ao todo, do ‘D’ ao ‘O’. Todos do seu grupo devem escrever pelo menos mais três letras de sua escolha. Mantenham-nas em segredo uns dos outros. Não use a mesma letra duas vezes quando for sua vez de escolher. Pegue o ano da morte. Cada número corresponde a uma letra do alfabeto. 1889, por exemplo, seria um ‘a’, primeira letra do alfabeto, ‘h’, oitava letra do alfabeto, ‘h’ e ‘i’. Se tiver um zero, pule. Em qual mês a pessoa morreu? Adicione da seguinte maneira: Janeiro – g. Fevereiro – a. Março – i. Abril – l. Maio – p. Junho – w. Julho – c. Agosto – r. Setembro – m. Outubro – b. Novembro – u. Dezembro – t. Se a pessoa morreu num dia do mês de número par, acrescente ‘f’, ‘t’ e ‘p’. Se tiver sido num dia ímpar, ‘w’, ‘s’ ‘c’. Coloque todas as letras na sua bolsa. Sem dobrar. 

Sétimo passo: vire a bolsa, deixando cair todas as letras a seus pés. Recolha aquelas que caíram viradas pra cima e queime uma delas com um fósforo. Coloque o restante das que caíram viradas pra cima na bolsa. Deixe as que caíram viradas pra baixo. 

Oitavo passo: Pegue o pequeno espelho e ande em círculo ao redor das letras viradas pra baixo três vezes, apontando o espelho na direção delas. Se houverem menos de seis letras, reponham a diferença com as letras da bolsa. Todos vocês, se forem um grupo, ou ambos, se for um par, ou só você, se foi corajoso o suficiente pra chegar até aqui sozinho. 

Nono passo: Recolha as letras viradas pra baixo, mas não olhe ainda. Acredito que agora você faz parte de um desses três grupos: Um, você está aí, fazendo isso, e você está nervoso. Dois, você está aí, fazendo isso, pensando que é ridículo e que nada vai acontecer. Três, você está no seu quarto. (Tsc, tsc, tsc.) Grupos um e dois, muito bem, estamos quase lá. Logo vocês poderão dizer “Eu realizei O Desafio”. 

Décimo passo: Um por vez, virem os pedaços de papel restantes. Esperem por uma palavra que vai aparecer entre as letras como num anagrama. Ela será bem curta. Como ‘oi’. Ou ‘corra’, ou ‘vá’. Qual é a sua palavra?


Orquestra Cigana


Então, hoje eu estava com meu Pai no Skype, ele ainda vive em Montenegro Já estava de noite e ele estava tomando uns drinques. E Deus sabe, quando aquele homem bebe, ele gosta de falar. Após meia hora dele me contando em como costumava ser um imã para meninas nos seus dias, meu celular tocou. Meu ringtone é uma composição clássica que eu gosto bastante, chamada Por Una Cabeza. Apertei em ignorar e voltei ao computador.

“Desculpa pai, prossiga.”
Sem resposta.
“Pai?”
Nada. Desde que meu celular tocara, meu pai havia se tornado no mínimo dois tons mais pálido.
“Pai, ta tudo bem? Eu perguntei, preocupado.”
“A música, de onde é?” Ele mal gaguejava as palavras para fora.
“É só uma música que eu gosto… Porque?”
“A última vez que a ouvi...”
Meu pai é um cara durão e raramente mostra emoção, e vendo que ele estava afetado por isso, mesmo sob o efeito do álcool, era estranho.
“Me conta o que foi, pai.”
“Eu já lhe contei sobre a Orquestra Cigana? Sem olhar diretamente a mim.
“Não. É outra de suas aventuras?” Brinquei.
Seu rosto se manteve sem expressão, o que tirou o sorriso do meu rosto imediatamente.
O que está escrito a seguir, é o que meu pai me contou, a partir de sua perspectiva.


“Na Yuguslávia dos anos 80, nós costumávamos viver bem, bem melhor do que hoje em dia. Claro, era comunismo e não se tinha tantas chances, mas você tinha um emprego garantido assim que saísse da escola e as taxas criminais eram quase zero.
A vida era boa para todos. Bem, quase todos. Haviam pessoas que ainda eram descriminadas. Nesse caso, os ciganos. Sabe sobre eles? Não?

Diz-se que os ciganos são uma tribo da índia que tem se arrastado pelo mundo a séculos. Eles não têm status em lugar nenhum, e a grande maioria são mendigos. Eles, geralmente, tocam música pelas ruas, pedindo por trocados para as pessoas. Alguns os ignoram, alguns os ajudam, outros só são idiotas com eles. Meu colega de quarto Besim e eu costumávamos nos carregar de bebida no fim de semana e sair bebendo e correndo atrás das garotas e dos bares legais da cidade. Em um fim de semana destes, estávamos voltando para casa a pé, e a neve chegava a nossos joelhos. Para garotos jovens como nós, um taxí seria um luxo impagável no momento, então caminhamos estressados até nosso prédio. Quando entramos no corredor principal, a luz estava apagada e ouvimos um som. Alguém tocava música, aquela do seu celular, numa gaita. Besim alcançou o interruptor e ligou a luz. Era um garotinho de uns 6 anos, um cigano. Ao nos ver, estendeu a mão na direção de Besim e perguntou se ele tinha alguns trocados.

Besim não respondeu, só continuou olhando para a criança com os olhos injetados de sangue.

Senti pena da criança. Vasculhei meus bolsos e achei umas moedas.
“Aqui garoto.” Disse, dando o dinheiro.
Nesse momento, guiado pelo que julgo ter sido álcool e raiva, Besim estapeou a mão da criança, jogando os trocados no chão.
“Mas que merda cara?” Me segurei para não gritar com Besim e acordar os vizinhos.
“Essas merdas desses ciganos, sujando meu prédio!” Gritou e olhou para a criança, que se manteve parada, com o braço ainda estendido, olhando diretamente para Besim.
“Some daqui caralho!” Grita mais uma vez Besim, agarrando a camisa da criança e arrastando-a para a porta.

“Para caralho, cara!” Eu agora grito também. Besim, sendo bem maior que eu, me empurra de volta e prossegue puxando a criança.
“E não deixe eu te ver por aqui de novo, seu pedaço de bosta!” Besim ameaça a criança.
Agora, descalça como estava, a criança permanecia na neve, que facilmente chegava até seu quadril.
Ainda segurando sua gaita. Eu posso vê-la tremendo de frio.
“Você não quer fazer isso.” disse a criança na voz mais calma possível. Sua mandíbula tremendo com o frio.
“Mas o que?!” Grita Besim, ainda mais enfurecido. “Seu merdinha!”

Tentei pará-lo, mas ele era bem mais pesado e bem mais forte do que eu. Besim andou até a criança e deu um tapa tão forte que fez ela cair na neve. Corri até lá.
“Pelo amor de deus homem, já basta!” Disse, agarrando a jaqueta de Besim, “Vamos entrar de volta!”
Ao que andávamos de volta para o prédio, ouvimos a voz da criança dizer outra vez: “Você não deveria ter feito isso.”
Nos viramos e a criança estava de pé. Puxei a jaqueta de Besim o mais forte o possível pois eu podia sentir que ele ia matar a criança.

Ao invés de sair na neve, Besim tira uma lata fechada que levava no bolso de seu casaco e joga na criança, acertando em cheio a testa. Absurdo foi o quão silencioso foi, a lata batendo, o baque surdo e a criança caindo na neve fofa.

“Seu doente de merda,” Gritei com Besim, direto nos olhos. Corri até o menino. A neve ao seu redor estava ficando vermelha do fluxo sanguíneo saindo do machucado em sua cabeça.
“Você o matou!” Gritei de volta a Besim, assustado de que ele realmente houvesse matado a criança. Besim, parecendo assustado, veio ver o que ele havia feito. A luz da primeira varanda do prédio foi ligada.
“Temos que sair daqui.” Disse Besim.
“Não, ele precisa de ajuda!” Respondi, tentando sentir o pulso da criança..
“Meu Deus cara, é uma porcaria de um cigano, homem. E se alguém nos ver, iremos pra cadeia.”
Foi difícil pensar nisso na hora, estava assustado, então me levantei e corremos para casa.
Não tenho orgulho disso. Eu chamei a polícia do meu apartamento para a criança. Não sei se chegaram a pegar ele algum dia.
Ciganos não são exatamente a prioridade.
Passei o dia seguinte gritando com Besim. Nós chegamos até  perto de nos atingir com murros em alguns momentos. Ligaria para a polícia acusando Besim, mas ele não seria preso por bater em um Cigano. Me tranquei em meu quarto, sem querer ver aquele homem outra vez na vida.

Adormeci tarde naquela noite. Por volta das 4 da madrugada, ouvi música. Não era particularmente estranho porque Besim costumava ouvir suas músicas toscas quando ficava muito bêbado. O problema é que eu reconheci a música. Era a música que a criança tinha tocado no corredor na noite passada. Achei que a criança talvez tivesse se recuperado e retornado ao corredor. Me levantei, querendo ver se era realmente ele; Se fosse, precisaria tirá-lo de lá antes que Besim descobrisse-o.

Quando saí do meu quarto, congelei. A música não vinha do corredor, do lado de fora. Vinha, de fato, do quarto de Besim. Era claro, sem dúvida em minha mente, era a mesma música da última noite. Lentamente andei até seu quarto e bati de leve na porta.
Sem resposta, e a música continuava a tocar.
“Besim, ta tudo bem?” Perguntei, sem receber resposta.
Precisava olhar dentro. Queria tanto que minha curiosidade não houvesse vencido meu cérebro. Abri a porta. A música parou.
O quarto estava escuro, iluminado apenas por uma fraca luz que provinha da rua. De onde eu estava, podia apenas ver a cabeça de Besim no travesseiro.
Ele estava acordado. Sua cabeça se virou na minha direção, seus olhos abertos.
Esbugalhados, melhor dizendo, extremamente assustados.
“Besim?” sussurrei, assustado.
Seus olhos se abriram ainda mais. Abri a porta por completo. Então o vi. Caralho, eu vi ele.
Na ponta da cama de Besim, bem ao lado de seu pé descalço, estava o menino cigano ajoelhado. Ele olhava diretamente para mim.
“Mas que merda...” Consegui dizer, conforme meu queixo caia.

A criança aproximou a gaita da boca.
“Sai, agora.”
Disse, calmamente, parecendo bastante sério. A luz da lua iluminou-o e pude ver que ainda sangrava pelo ferimento da testa. Não sabia como ele estava vivo com tanto sangue saindo da cabeça.
“O que você está fazendo para ele?” Sussurrei, praticamente paralisado de medo.
“Estão vindo... Você deveria sair agora,” disse a criança, se virando para Besim. Ele pôs a gaita de volta na boca e começou a tocar a música de novo. Fiquei lá por mais meio minuto ou algo assim, sem saber o que fazer. Besim não saiu da cama, ele sim, estava, de fato, paralisado. Seus olhos falavam por ele. Horror. Tudo o que diziam. Horror. Não sei se ele estava com dor, mas com certeza, estava aterrorizado. Quem não estaria?
“Sai, AGORA!”
Pulei. O garoto olhava para mim, seus olhos eram negros,mas posso jurar que ficaram muito mais escuros pois não via mais o branco deles.  Tinha que sair. Não sabia o que estava acontecendo, mas sabia que não era mais seguro. Ao que estava fechando a porta, vi algo que vai ficar comigo para sempre. A criança começou a morder o pé de Besim. E eu não estou brincando. Não foi uma mordida violenta; ele só colocou a boca ao redor dos dedos. Olhei para Besim e pude ver lágrimas saindo de seus olhos, escorrendo por suas bochechas. Ele me implorava por ajuda com seu olhar, mas não poderia fazer nada, eu precisava sair dali, correr para o mais longe que pudesse.

Enquanto saia do apartamento, vi pegadas da neve e água na sala, a criança deve ter trazido quando entrou. Fechei a porta e comecei a descer as escadas. Comecei a ouvir novamente a música, mas, dessa vez, mas complexa, como se não fosse só mais uma pessoa tocando, Não ia ficar por lá para tentar entender.
Corri escada a baixo. E pude ver mais neve, muito mais neve, não tinha como só aquele menino ter trazido tanta neve. Quando saí do prédio, parei.

Centenas de pegadas frescas vindo da rua levavam direto ao nosso prédio.


O Chamado da Mãe


Uma garotinha está brincando em seu quarto quando ela ouve a mãe chamá-la da cozinha, e então ela desce as escadas para encontra-la. Quando ela está correndo pelo corredor, a porta do armário debaixo das escadas se abre, e uma mão se estende e a puxa para dentro. É a sua mãe. Ela sussurra para a criança:

"Não vá para a cozinha. Eu também ouvi.”.


20/02/2013

A Mulher do Forno


Durante o verão de 1983, numa cidade tranquila perto de Minneapolis, Minnesota, o corpo carbonizado de uma mulher foi encontrado dentro do fogão da cozinha de uma pequena fazenda. Uma câmera de vídeo também foi encontrada na cozinha, presa sobre um tripé e apontando para o forno. Nenhuma fita foi encontrada dentro da câmara no momento.

Embora a cena tenha sido originalmente marcada como homicídio pela polícia local, uma fita VHS fora descoberta algumas semanas depois no fundo do poço da fazenda (que aparentemente havia secado no início daquele ano).

Apesar de sua condição desgastada, e o fato da fita não conter áudio, a polícia ainda foi capaz de assistir seu conteúdo. Ele mostrava uma mulher se gravando em frente de uma câmera de vídeo (aparentemente usando a mesma câmera que a polícia encontrou na cozinha). Depois de posicionar a câmera para enquadrar tanto ela quanto seu fogão na imagem, a fita, então, mostra ela ligando seu forno, abrindo a porta, rastejando para dentro, e depois se trancando lá dentro. Após aproximadamente oito minutos, o forno pode ser visto se agitando violentamente, e em seguida, uma fumaça muito escura saia de dentro dele. Para os restantes 45 minutos de vídeo, até as baterias da câmera se esgotarem, o forno então ficou parado na mesma posição estática até a gravação terminar.

Para não assustar a comunidade local, a polícia nunca divulgou nenhuma informação sobre a fita, ou até mesmo o fato dela ter sido encontrada. Os policiais também não foram capazes de descobrir quem havia colocado a fita no fundo do poço...

... ou porque a altura e estatura da mulher do vídeo não chegavam nem perto das medidas do corpo encontrado dentro no forno.



Vire-se


Vire-se.

Não há nada, certo?

Apenas um espaço vazio. Ar, talvez uma brisa, móveis, escadas, talvez uma janela, que seja, isso não importa.

O que importa é que não mais há ninguém lá, certo?

Sim.

Você sentiu isso?

Essa pequena cócega em suas costas?

Não se preocupe, provavelmente é porque você está lendo histórias assustadoras! Paranoia é algo completamente normal.

Você quer se virar mais uma vez?

Vá em frente.

Agora que você voltou pra cá, vou lhe pedir um favor.

Não se vire novamente.

Você já olhou na direção dele duas vezes, ele já sabe qual será sua próxima ação.

Se você se virar, você vai vê-lo. E se você vê-lo, ele verá você. Você está a salvo, por enquanto, com seus olhos voltados para mim.

Mas você tem que compreender, ele não é burro.

Você acaba de olhar na direção dele pela terceira vez.

Eu não olharia para cima, se eu fosse você.


17/02/2013

Velho Hospital


Um homem, sangrando de um ferimento à bala, entra desesperadamente em um prédio alto de tijolos. Ele grita por socorro, e duas enfermeiras saem correndo de dentro de duas enormes portas.

"Relaxe, senhor", uma delas lhe diz. "Nós cuidaremos de você agora mesmo."

Eles colocam-no em uma maca e levam-no por um longo corredor, cheio de pequenas salas de espera. No entanto, de dentro dos quartos, ele ouve sons de gritos abafados e o som de ossos sendo esmagados.

"O que está acontecendo aqui?", perguntou ele, em pânico.

"Estamos levando-o para um lugar onde possamos cuidar de você", uma enfermeira disse com um sorriso.

"O caralho que você está", ele gritou ao ser jogado pra fora de uma maca, caindo no chão em cima de sua ferida. "Mas que tipo de hospital é este?! Vocês deveriam curar as pessoas, e não matá-las!”.

Ele apoiou-se contra uma sala e conseguiu dar uma olhada no que estava acontecendo. Lá, sentado e amarrado em uma cadeira, um homem estava sendo dilacerado por mãos que se projetavam das paredes, e depois, puxavam seus pedaços de volta pra dentro da parede.

"O que é isso?!", ele gritou enquanto as enfermeiras o cercavam e tiravam de seu avental uma seringa cheia de um líquido claro. Ele lutava parar escapar, enquanto elas injetavam as seringas nele.

Enquanto sua visão começava a sumir, ele sussurrou: "Este é um hospital horrível.".

"Quem disse alguma coisa sobre este ser um hospital?", a enfermeira perguntou. "Nós só gostamos de nos alimentarmos dos fracos."




White Hand


Conhecido como “White Hand”, ele é supostamente um Pokemon deletado do jogo,  roteirizado para aparecer como um dos Pokémon do personagem Buried Alive no ultimo andar da Torre Pokémon de Lavender Town.

É dividido em quatro animações distintas: uma introdução (o "grito" Pokemon), uma inatividade, e dois ataques. Estes ataques são desconhecidos, pois eles são listados como "FIST (PUNHO)" e "BRUTAL".

A animação não chega a ser perigosa, já que a exibição dos quadros do modelo não causam efeitos colaterais. O White Hand é uma mão gigante, suja e decaída, com atenção ao seguinte detalhe: a carne está puxada pra fora do osso, e os tendões do pulso ficam realisticamente visíveis. Quando se usa o primeiro ataque, a mão se transforme em um punho fechado e balança em direção ao oponente.

A animação do ataque "BRUTAL" tem vários quadros de animação ausentes, mas pode se ver que a mão se abre, e em seguida, a animação corta. Depois de alguns segundos, ela reaparece, e se fecha novamente. Nenhum registro foi encontrado sobre esses quadros desaparecidos.

Porém, um dialogo em particular pode sugerir a veracidade da existência do White Hand. Há uma garotinha em frente a torre de Lavender Town que irá lhe perguntar se você acredita em fantasmas. Caso você responda negativamente, ela lhe dirá isso:


Tradução:
- Hahaha, eu acho que não. Essa mão branca em seu ombro, ela não é real.


16/02/2013

Pesadelo


Meu maior pesadelo ocorreu quando ainda era um adolescente. Eu estava dentro de um hotel, e nele, era um detetive forense.

Cercado por um grupo de policiais, eu fui levado a um quarto de hotel em um andar muito alto. Ao chegar à porta, de número 167, fui colocado lá dentro. Um dos policiais fechou a porta atrás de mim e começou a desesperadamente bloquea-la fora, gritando pela porta e explicando que esta foi uma "simples precaução tomada a fim de evitar que o assassino tentasse voltar à cena do crime para acabar com as provas".

Eu (desconfiado com toda aquela situação, mas focado em meu trabalho), acabei não questionando esta "simples precaução", e fui direto para uma sala de estar. Sentado no sofá, havia um corpo. Um homem que parecia ter uns 30 anos estava morto, sentado com sua cabeça pendurada para trás sobre a almofada do sofá. Perturbadoramente o suficiente, um buraco muito grande atravessava todo seu estômago, assim como o sofá também. Fui até a parte de trás do sofá; entranhas, órgãos desmembrados e espumas ensanguentadas jogadas no carpete. Era muito fácil conseguir enxergar completamente através do buraco no sofá e do estômago do homem. Diante daquilo, eu mantive minha compostura, fiz algumas anotações e decidi seguir em frente.

Caminhei lentamente por uma pequena cozinha até chegar ao banheiro, e sua porta estava aberta. Deitado dentro da banheira, estava o cadáver de outro homem, muito mais velho e massacrado do que o primeiro. Seu corpo estava rasgado da área genital até sua garganta, e a água da banheira estava com coloração vermelho-escuro (graças a quantidade de sangue que escorreu de dentro dele). Fiz mais algumas anotações, e já estava prestes a me virar e sair, quando de repente, ouvi um barulho estranho, como se fosse um pé pisando em uma poça molhada. Desesperado, olhei em volta mais uma vez, quando notei uma mão segurando a base do vaso sanitário. Andei em direção a ela até que vi, lá no canto do banheiro, agachado no espaço entre o vaso sanitário e a parede, um homem, com suas mãos sangrando.

Ele correu pra fora do banheiro e bateu a porta ao sim, prendendo-a com uma cadeira. Fiquei parado, sem reação, ouvindo suas ações do outro lado da porta; objetos sendo arrastados freneticamente, respiração pesada e de repente.... silêncio. Aproveitando a oportunidade, dei um chute na porta e olhei em volta. Nada havia mudado, nenhum sinal de que aquele homem havia passado por aquele lugar. Havia, no entanto, um novo corpo deitado no chão da cozinha. Uma mulher, estranhamente famíliar, estava sem roupas e jogada de bruços no chão. Havia marcas de corte profundo passando por todo seu corpo; pernas, braços, barriga, seios, garganta e no rosto também. Seus olhos foram removidos, mas todo o corpo estava estranhamente limpo. Sem sangue, sem sinais de mutilação, além dos cortes profundos e de seus olhos perdidos.

Antes que eu começasse a estudar o corpo, de repente, duas pálpebras se abriram, afundadas profundamente nos recessos dos buracos dos olhos da moça. Dentro de sua boca aberta e escancarada, outra boca se abriu e sorriu. Seus dedos tremiam ligeiramente. Agora, tudo fazia sentido; aquele homem havia assassinado a mulher, dissecado seu corpo e estava usando sua pele como uma espécie de terno. E aquele rosto familiar... Quando me dei conta, cai pra trás na mesma hora. “MÃE?!”. O homem se levantou lentamente, olhou pra mim com aquele sorriso horrível estampado em seu rosto, e gritou: "Não estou bonita, filho?!".


E então, acordei.


14/02/2013

Hora de dormir III (pt.5)


A alguns dias atrás eu postei duas histórias de dar pesadelos que aconteceram comigo na minha infância, então seria melhor se você lesse elas primeiro para entender completamente o que aconteceu comigo. Eu tenho sido compelido ao silêncio, tomado pelo medo irracional de que de alguma forma, mesmo depois de tantos anos, se eu falasse sobre isso, aquelas coisas iram me perseguir mais uma vez e causar um estrago na minha vida.

No nome da ciência e da razão eu confrontei esses medos e me livrar dessas memórias perturbadoras e de uma vez por toda compartilhar com outras pessoas, expondo-os pelo o que eu achava que eles eram; as desilusões de uma criança perturbada. Eu venho me segurando no meu ceticismo e racionalidade por toda vida, eu tenho deixado elas me definir, mas nessa manhã eu fui presenteado com provas fisicamente verificáveis. Provas do que eu não sei o que é, mas não posso ignorar, e parece estranho para mim que os últimos dias tem sido tão maculados pela apreensão e desgraça depois de finalmente ter quebrado o meu silêncio, que eu não posso mais contar com explicações convencionais e racionais.

Na sequência de compartilhar essas experiências traumáticas enquanto criança, eu venho sendo atormentado por uma enorme sensação de desconforto. Inicialmente, eu relacionava isso ao medo que eu tinha experimentado em simplesmente contar e reviver esses eventos terríveis em minha mente, mas os dias foram passando e a agonia aumentando; um sentimento de morte iminente consumia cada um de meus pensamentos.

Enquanto eu ficava sonolento, o descanso não vinha junto com essa sensação. Toda manhã eu acordava, meu nervos a flor da pele, como se eu tivesse sido privado de dormir por uma década. Nada verdadeiramente assustador aconteceu durante as primeiras noites, nenhum visitante, nenhuma respiração chiada vindo de dentro das paredes do meu quarto, mas eu estava com a estranha sensação de que não estava sozinho.

Não me entenda mal, eu não sentia que outra pessoa estava no quarto comigo. Eu não ouvia, sentia cheiro, ou sentia qualquer coisa remotamente sobrenatural, mas ao longo dos meus dias e noites eu tinha sentido algo sutil, quase no contorno da minha consciência, a sensação de que algo estava a caminho, como as primeiras lufadas estagnadas de ar de um túnel de metrô, anunciando a chegada de uma monstruosidade impáravel; surpreendente, mas ainda assim esperado.

Minha sensação de mal-estar cresce a cada dia que passa, pressionando sob minha pele, fundo em minha mente como uma infecção cancerígena. Eu tentei focar minha atenção em vários projetos de escrita em uma tentativa frustrada de preencher minha mente até a borda com outros pensamentos, com esperança de não deixar nenhum espaço para aquelas memórias contaminadas. Mas, no entanto, esses pensamentos fizeram seu caminho a minha mente perturbada.

Minha ansiedade ganhou tanta força até que eu não conseguia pensar em mais nada. Eu tinha que fazer alguma coisa! Eu tinha estudado psicologia por anos na faculdade, e com isso eu sabia que a ansiedade é normalmente o resultado da perda de controle, e que um dos modos mais eficientes de combatê-la é  fortalecer a sim mesmo; e isso era o que eu pretendia fazer. Chame isso de imprudente, mas eu estava indo de volta para aquele lugar, a casa onde aqueles terríveis acontecimentos tiveram inicio. Eu estava indo confrontar aquelas memórias e expô-las pelo o que elas eram: um absurdo.

Era uma hora de carro até minha antiga casa, mas eu a fiz com alegria. Eu estava confiante, à vontade, feliz; Eu estava no controle agora e nada iria ficar no meu caminho de mostrar a mim mesmo que o lugar que eu temi toda a minha vida não era nada mais que uma casa de tamanho médio, monótona e inofensiva.
Alegremente eu fiz o meu caminho pela autoestrada e finalmente cheguei à cidade. Aos poucos as ruas começaram a se tornar familiares. Memórias de brincar naquele bairro vieram a tona à mim, um parquinho com meu escorregador favorito, uma quadra de concreto onde eu costumava jogar bola, o pátio do meu colégio cheio de lugares para esconde-esconde e amizades abandonadas mas nunca esquecidas.

Minha mente vagou por essas memórias; me puxou tanto que quando me dei conta eu já estava na rua onde eu tinha vivido uma vez. O caminho tinha sido longo e foi finalmente desaparecendo em uma curva cega acentuada. Era uma vizinhança antiga, e tinha sido planejada e construída muito antes da vaga ideia do automóvel; isso era evidente pelas suas ruas estreitas, dando uma sensação claustrofóbica, como se as casa tivessem sido estendidas de cada lado da rua, olhando de soslaio para os que passavam por lá.
Eu diminui a velocidade e olhei para cada casa que eu passava. Era um lugar uniforme, mas cada casa não era muito diferente entre si. De repente meu coração começou a acelerar com um calafrio correndo por minha coluna, e lá estava, lá estava a casa! Era fim de tarde e a rua estava calma, quase solitária. Eu olhei para aquele lugar pensando como uma casa tão comum podia ter instalado tanto medo em mim.

Eu, inicialmente, tinha a intenção apenas de olhar a casa de longe, confirmando para mim mesmo que era apenas materiais de construções juntos, inteiramente explicável, e não tinha nada estranho por lá. Mas quando eu estacionei e respirei fundo, antes que eu percebesse eu estava fora do meu carro, andando ao longo daquele portão velho, uma vez que suas formas metálicas floreais estavam escurecidas pelo o tempo, descamando em uma pintura verde escura, revelando a ferrugem por baixo. Corri meus dedos pelo topo irregular, e com um suspiro, empurrei e abri o portão.

Caminhando ao longo do pátio eu estava chocado com a forma que o jardim fora abandonado. Eu fiquei pensando para mim mesmo o desperdício que era aquele gramado que costumava ser de ótima qualidade, e agora não era nada mais que um mosaico obscurecido de ervas daninhas e outras espécies invasoras, mas quando me aproximei da casa, percebi porquê: Estava desocupada. Mais um arrepio ­correu pelo meu corpo, mas enquanto a ansiedade acordava, eu desfiz o pensamento com meu mantra mental:

"A mais simples das explicações é geralmente a correta".

Eu presumi que, devido a atual conjuntura econômica na qual a casa tinha sido posta a venda tinha ficado apenas por um tempo, e que o proprietário não estava muito consciente de que as pessoas "julgam o livro pela capa", mas quando eu olhei em volta eu não vi nenhuma placa de " A venda" ou de "Aluga-se". A casa parecia realmente como se tivesse sido esquecida, abandonada e deixada para apodrecer.

As janelas da frente da casa estavam imundas, e assim, ficando impossível de olhar por elas, mas  eu vaguei contornando a construção e pude ver mais claramente dentro. Eu imaginei que uma casa como essa estaria vazia, mas ao contrário, estava totalmente ocupada, ocupada por tralhas do mundo moderno. Eu podia ver uma televisão em uma estante em um canto da sala de estar, uma mesinha de centro com revistas espalhadas por cima, varias peças de mobília como se estivesses prontas para serem usadas, e duas xícaras de cafés no parapeito da janela ainda cheias, cobertas de bolor. Eu acreditaria que a casa era ainda habitada se não fosse a grossa camada de poeira que cobria tudo lá, e uma grande quantidade de teias de aranha.

Parecia que as últimas pessoas que tinham morado ali tinham saído as pressas, e nunca voltaram.

 Andando por um mar de grama que ia até minha cintura, eu eventualmente cheguei pequena e inofensiva janelinha do fundo da casa. O simples vislumbre da janela me meteu medo, mas era apenas uma velha memórias e não um sentimento esquisito de estar sendo vigiado de fora como eu tinha acontecido comigo quando criança.

Uma profunda onda de raiva tomou meu corpo momentaneamente, mas eu a tirei da minha cabeça rapidamente. O quarto tinha sido claramente de uma criança e o pensamento da coisa assustando ou machucando mais um inocente ser me encheu de desprezo por tal pensamento, e dentro de mim crescia a vontade de querer proteger qualquer criança de tal abominação.

Ao olhar para a parede, de qual uma cama estava encostada, os cabelos da minha nuca ficaram de pé. Por um momento (e foi o menor deles) eu achei ter visto a coberta de cima da cama se mexer. Mais do que isto, através da vidraça da janela, eu poderia jurar que ouvi um gemido chiado. Fechando meus olhos com força eu repeti mentalmente meu outro mantra cientifico:

" A ciência não deve suas dívidas à imaginação."

Abrindo os olhos, eu  não vi nada além de um quarto vazio. Nenhum espírito imundo, nada sobrenatural; Apenas um quarto, nada mais, nada menos. Dei um suspiro de alívio como se tudo estivesse certo, em seu devido lugar, pela primeira vez em muito tempo. Você pode pensar que era uma ilusão, mas eu realmente senti que eu tinha mostrado a mim mesmo que não havia nada a temer, além da minha imaginação fértil.

Estava começando a ficar escuro e eu queria estar em casa antes da noite. Agora cheio de confiança que minha ansiedade escondia, havia mais uma coisa que eu tinha que fazer. Quando nós deixamos a casa, fizemos isso apressadamente. Como eu era criança foi muito desorientador, até mesmo muito assustador deixar tudo que eu conhecia para trás, mas havia uma coisa que eu quis saber sobre.

No fundo do jardim havia uma árvore de Sicômoro que parecia ser ainda mais antiga do que a casa. Fiquei espantado como ela tinha ficado inalterada com o passar dos anos Eu tinha crescido, passado por várias fases da minha vida, mas o velho Sicômoro ainda estava de pé, sábio, quase amigável em sua aparência. 

(CONTINUA...)

Essa Creepypasta faz parte de uma série.
Essa Creepypasta é a parte 5, veja abaixo as anteriores:



Pokemon: Buried Alive


O modelo do personagem Buried Alive (muitas vezes referido como seu nome codificado, “Buryman Script”) era para ser enfrentado na história final da Torre Pokémon, até que fora substituído pelo fantasma Marowak. De acordo com os scripts que lhe são atribuídas, o Buried Alive supostamente era o “chefe final” da torre. Assim que você chega ao andar mais alto, a seguinte conversa teria ocorrido com o modelo.

Você está... Aqui...

Eu estou preso...

E eu estou sozinho...

Tão solitário...

Você não quer se juntar a mim?

Depois disto, a batalha se iniciaria. Quando o jogador entrava no "campo de batalha", o modelo de Buried Alive parecia ser um cadáver humano em decomposição, tentando rastejar pra fora da terra. Ele havia sido programado para ter os seguintes Pokemons: Dois White Hans, um Gengar e um Muk.

Curiosamente, um roteiro para as ações de Buried Alive depois que fosse derrotado nunca foi escrito. Caso o jogador o derrotasse, o jogo congelaria.

No entanto, ao perder a batalha, um final específico fora escrito por um programador desconhecido. Nele, o Buried Alive diria: "Finalmente, carne fresca!", seguido por várias linhas de rabiscos.

Ele então arrastava o personagem do jogador para o chão ao redor dele. A cena terminaria com uma típica tela "Game Over", porém, no fundo, uma imagem do Buried Alive devorando o personagem principal seria mostrada.


Especialmente peculiares foram os roteiros escritos para os acontecimentos depois desta cena. O cartucho supostamente baixaria esta imagem na pequena memória interna contida no Game Boy, substituindo a tela do título que, normalmente, aparecia ao ligar o Game Boy. Ao invés disso, sempre que ele era ligado, o jogador se depararia esta imagem, juntamente com o arquivo de som “staticmesh.wav” tocando ao fundo. O objetivo pretendido para este efeito, ao contrário de muitos outros fatores que se conectam a Síndrome de Lavender Town, é desconhecido.



11/02/2013

Casa dos Rostos

Ao entrar em sua modesta cozinha em uma abafada tarde de agosto de 1971, Maria Gomez Pereira, uma dona de casa espanhola, espantou-se com o que lhe pareceu um rosto pintado no chão de cimento. 


Estaria ela sonhando, ou com alucinações? Não, a estranha imagem que manchava o chão parecia de fato o esboço de uma pintura, um retrato.

Com o correr dos dias a imagem foi ganhando detalhes e a noticia do rosto misterioso espalhou-se com rapidez pela pequena aldeia de Belmez, perto de Cordoba, no sul da Espanha. Alarmados pela imagem inexplicável e incomodados com o crescente número de curiosos, os Pereira decidiram destruir o rosto; seis dias depois que este apareceu, o filho de Maria, Miguel, quebrou o chão a marretadas. Fizeram novo cimento e a vida dos Pereira voltou ao normal.

Mas não por muito tempo. Em uma semana, um novo rosto começou a se formar, no mesmo lugar do primeiro. Esse rosto, aparentemente de um homem de meia idade, era ainda mais detalhado. Primeiro apareceram os olhos, depois o nariz, os lábios e o queixo.

Já não havia como manter os curiosos a distância. Centenas de pessoas faziam fila fora da casa todos os dias, clamando para ver a “Casa dos Rostos”. Chamaram a policia para controlar as multidões. Quando a noticia se espalhou, resolveu-se preservar a imagem. Os Pereira recortaram cuidadosamente o retrato e puseram em uma moldura, protegida com vidro, pendurando-o então ao lado da lareira.

Antes de consertar o chão os pesquisadores cavaram o local e acharam inúmeros ossos humanos, a quase três metros de profundidade. Acreditou-se que os rastos retratados no chão seriam dos mortos ali enterrados. Mas muitas pessoas não aceitaram essa explicação, pois a maior das casas da rua fora construída sobre um antigo cemitério, mas só a casa dos Pereira estava sendo afetada pelos rostos misteriosos.

Duas semanas depois que o chão da cozinha foi cimentado pela segunda vez, outra imagem apareceu. Um quarto rosto - de mulher - veio duas semanas depois.

Em volta deste ultimo apareceram vários rostos menores; os observadores contaram de nove a dezoito imagens.

Ao longo dos anos os rostos mudaram de formato, alguns foram se apagando. E então, no inicio dos anos oitenta, começaram a aparecer outros.

O que - ou quem - criou os rostos fantasmagóricos no chão daquela humilde casa? Pelo menos um dos pesquisadores sugeriu que as imagens seriam obra de algum membro da família Pereira. Mas alguns quimicos que examinaram o cimento declararam-se perplexos com o fenômeno. Cientistas, professores universitários, parapsicólogos, a policia, sacerdotes e outros analisaram minuciosamente a imagem no chão da cozinha de Maria Gomes Pereira, mas nada concluiram que explicasse a origem dos retratos.