30/06/2013

Creepypasta dos fãs: The Friend


O corpo da vítima continua desaparecido. Além de uma poça de sangue no chão foram encontradas duas evidências em seu computador.
Anexo 1: pequenos trechos salvos em um documento. Aparenta ser algo com um diário.
25 de agosto de 2012, 1:35
Estava navegando em um blog de terror da internet quando me deparei com um documento para download do qual levava o título "WARNING, DON'T OPEN". Achei que fosse bobagem então resolvi baixar o documento. Depois de alguns segundos o download já estava concluído então abri o arquivo. Estava escrito um texto em alguma outra língua, provavelmente russo, e no fim do texto estava escrito "YOU HAVE BEEN WARNED" (você foi avisado). Simplesmente ignorei aquilo, continuei vendo algumas outras coisas no site, mas agora estou indo dormir, até mais.
26 de agosto de 2012, 21:54
Tive um pesadelo horrível na noite passada. Sonhei que estava em um lugar escuro, completamente escuro. Não havia nada além de escuridão... E uma voz sussurrava palavras estranhas que eu não conseguia decifrar. E de repente senti como se algo tivesse me perfurado, e sugasse tudo que existia dentro de mim. Foi a pior dor que já senti na minha vida. Acordei assustado e suando frio ao escutar um barulho estrondoso na janela do quarto. Deve ter sido uma ave ou algum outro animal desastrado.
30 de agosto de 2012, 2:41
Continuo tendo pesadelos estranhos. Só que dessa vez a voz sussurra "You have been warned" no 'final' de cada pesadelo, antes de me atacar e me perfurar. Estou ficando arrependido de ter baixado aquele arquivo... Ouço passos e vejo vultos o tempo todo. Não quero mais dormir, não quero continuar sentindo aquela dor horrível.
2 de setembro de 2012, 00:03
Já estou a três noites sem dormir. As coisas estão piorando, agora ouço sussurros até quando estou acordado. Estou vendo mais vultos e os passos estão ficando mais fortes, como se estivessem cada vez mais próximos de mim. Sinto que alguma coisa está me perseguindo, sinto a presença de algo perto de mim todo o tempo. Estou ficando realmente assustado, quero que isso acabe logo. Resolvi dar uma olhada no arquivo que baixei e encontrei uma tradução para o que estava escrito. É ridículo, mas eu cheguei a ter calafrios depois que li.
9 de setembro de 2012, 4:30
Pois é, já faz uma semana que não escrevo. A "voz" andou falando comigo. Falou diretamente comigo desta vez. Disse algumas coisas sem sentido, palavras aleatórias. Mas ela também disse uma frase. "Help Me, I need a friend" (me ajude, eu preciso de um amigo). Foi quando as luzes da minha casa simplesmente se apagaram e eu a vi. Vi a criatura. Era um ser muito medonho, como se fosse uma sombra. Mas tinha os olhos vermelhos e muito brilhantes, e me encarava, olhava dentro dos meus olhos, como se quisesse ver através de mim, como se quisesse ver diretamente minha alma. Eu desmaiei e acordei só algumas horas depois, mas estava tudo normal novamente. Estou escutando um barulho. É ela, só pode ser. E ela veio me buscar. Ela está atrás de pessoas solitárias, assim como ela. Ela quer companhia. Ela quer um amigo. Eu não quero ir, mas sei que não vou resistir. Ela é muito forte. O barulho está aumentando, ouço passos se aproximando. Estou com medo. Mas não há mais nada que eu posssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssss[error]
Anexo 2: documento em russo encontrado na pasta de arquivos de download, intitulado "WARNING, DON'T OPEN".
ПОЖАЛУЙСТА, помогите мне, мне нужен друг. Я один. ALONE. ALONE. ALONE. Чувствовать себя одиноким. Мне нужен кто-то.Эй, вы видите это нет? Я знаю, вы также чувствовать одиноким.Не волнуйтесь. Буду вашим другом. Я найду тебя. Теперь я собираюсь. Пожалуйста, не игнорируйте ME. ВЫ НЕ хотите знать,что происходит с теми, кто игнорирует ME. Пожалуйста, не игнорируйте ME. НЕ игнорировать меня. Если вы оказались здесь вам придется прийти ко мне. YOU HAVE BEEN WARNED.

(Tradução: POR FAVOR ME AJUDE, EU PRECISO DE UM AMIGO. ESTOU SOZINHO. SOZINHO. SOZINHO. SOZINHO. ME SINTO SÓ. PRECISO DE ALGUÉM. EI, VOCÊ ESTÁ VENDO ISSO NÃO ESTÁ? EU SEI QUE VOCÊ TAMBÉM SE SENTE SÓ. NÃO SE PREOCUPE. SEREI SEU AMIGO. EU VOU TE BUSCAR. JÁ ESTOU INDO. POR FAVOR NÃO ME IGNORE. VOCÊ NÃO VAI GOSTAR DE SABER O QUE ACONTECE COM AQUELES QUE ME IGNORAM. POR FAVOR NÃO ME IGNORE. NÃO ME IGNORE. SE VOCÊ ESTÁ AQUI VOCÊ VAI TER QUE VIR COMIGO. VOCÊ FOI AVISADO).

Escrito/ Enviado por: Adele Pontes


Creepypasta dos Fãs: A Mansão Procópio Gomes

Em Joinville, Santa Catarina, existe uma mansão que é chamada de Mansão Procópio Gomes. Procópio Gomes foi um dos pioneiros colonizadores da cidade, e sua família é deveras conhecida historicamente pelos moradores de Joinville. Mas a fama da família Gomes não se restringe ao fato de que eles foram uma das primeiras famílias a chegar à cidade e a colonizá-la, muito menos pelo fato de esta família ter sido uma das mais ricas e influentes do sul do Brasil. Sua fama se da de forma absurda pelo fato que passarei a narrar para os atenciosos leitores neste momento.
            Procópio Gomes mudou-se para Joinville com toda a sua família, que incluía sua esposa, três filhos (dois meninos e uma menina), seu irmão, Alberto Gomes e sua querida mãe, Maria Gomes. A família tinha uma convivência conjugal de certa forma tranquila, não havendo relatos históricos de grandes brigas ou momentos de maiores violências familiares.
            Apesar de ser uma família aparentemente tranquila, toda a regra tem sua exceção. E a exceção neste caso tinha nome próprio e uma existência macabra: Maria Gomes. Maria Gomes era uma descendente de alemães vindos ao Brasil no final do século XIX, e tinha herdado dos seus pais o ódio aos negros, nesta época ainda escravizados nestas terras. A história registra, e não apenas a história tradicional, mas a lembrança das pessoas mais idosas da cidade que tiveram contato direto com Maria Gomes em seus últimos momentos neste mundo, e que em suas memórias ficaram marcados para sempre.
            Amigos e conhecidos de Maria Gomes contam que já no final de sua vida, ela nutria um ódio incomensurável pelos seus próprios escravos e escravas, sendo que para ela tinha um acontecimento que era inadmissível entre sua criadagem: o nascimento de um filho ou filha. Todos contam que, quando uma escrava engravidava, Maria Gomes cometia todo tipo de atrocidade para fazer com que elas perdessem seus bebês, mas ainda assim nasciam alguns. Melhor não terem nascido, pois Maria dava para seus porcos comerem ainda vivos estas inocentes crianças.
            Quando no momento derradeiro de sua miserável e aterradora vida, Maria Gomes começou a gritar incontrolavelmente e a se debater na cama: “Eles estão vindo me buscar, estão chegando perto, estou sentindo o cheiro de podre deles” e gritava ainda que via o chão se abrir e dêmonios virem buscar sua alma. Poucos segundos antes de partir, ela também gritava: “eles estão me tocando e suas mãos queimam como ferro em brasa, socorro, eu me arrependo de tudo o que fiz, não quero ir com esses demônios, socorro, suas correntes estão me queimando”, finalmente silenciando e partindo sabe-se Deus para onde.
            Depois do acontecido, seu filho Procópio e seu irmão Alberto resolveram enterrar todos os bens pessoais de Maria e suas riquezas em ouro no porão da mansão, visto que acreditavam ser objetos e dinheiro amaldiçoado pelo caráter horripilante e grotesco de sua mãe. O fizeram, enterrando tudo o que um dia pertenceu a Maria Gomes na Mansão Procópio Gomes.

Desde a morte da Procópio Gomes e do restante de sua família, ninguém mais conseguiu morar na casa e ela está constantemente para ser alugada. Alguns aventureiros tentaram encontrar os bens e posses de Maria Gomes, sem sucesso. Todos os que adentraram a mansão presenciaram eventos muito estranhos e assustadores, como visão de vultos, toques e ventos gelados, sons de correntes, portas batendo e assoalho e escadas rangendo com som de passos. Poucos chegaram até o porão, mas nenhum dos que chegaram conseguiram ficar mais de um ou dois minutos. Conta-se que no porão existe um pequeno córrego, e que os que descem até ele veem nitidamente diversos corpos de crianças recém-nascidas boiando e as ouvem chorar desesperadamente. Cheguei eu mesmo, por ter nascido e vivido até meus 24 anos na cidade, a parar diante da porta para entrar na Mansão, mas não tive coragem, pois vi um vulto na janela do segundo andar, de uma mulher velha e completamente desfigurada com marcas de queimadura pelo rosto, e já sendo conhecedor da história, corri como o vento. E a pergunta fica para você, caro leitor: Teria coragem de, ao visitar Joinville, dar uma olhada bem de perto na Mansão Procópio Gomes?

Autor: Vinicius Pinheiro (Editor do Creepypasta Brasil) 


Creepypasta dos Fãs: Mentes Perigosas


Oi gente, tudo bem?

 Eu ia avisar antes, mas eu acabei esquecendo, haha. As Creepypastas dos fãs estão voltando graças ao Vinicius, nosso novo editor! Ele arruma erros de português e seleciona as creepys. Sim, tem algumas que não vem para o blog por serem sem nexo, sem um enredo decente, ou parecidas com alguma que já foi postada. Se a sua ainda não foi postada, fica tranquilo que não quer dizer que foi excluída, e sim estamos até com umas de 2012 atrasadas (porque antes postávamos uma por semana, mas agora serão três). Então, chega de mimimi, e vamos ler! (:

~Divina
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Sai de casa cedo hoje, fui andando devagar até a escola, no caminho avisto vários de meus colegas. Oi, tudo bem? É o que eu sempre pergunto, quando a pessoa responde sorrio e vou embora. Não é como se eu realmente me importasse, mas eu gosto de manter as aparências.
Chego ao meu destino, subo direto para sala, está vazia ainda, exceto por uma garota, uma estranha e solitária, nunca a vi fazer uma amizade em todo tempo que estudamos juntas, ela age como se não desse importância, mas sempre que passo e lhe comprimento ela apenas sorri e acena, eu esperaria olhos vazios de alguém tão indiferente, mas não, se você for um bom observador você pode ver um pequeno brilho em seus olhos.
Minha mãe é a psicóloga da escola, me lembro de ter visto a garota sair de lá algumas vezes, fiquei me perguntando o que se passava com ela, talvez ela seja depressiva, talvez porque ela seja como eu, sem nem um amigo de verdade para contar, desesperadas com a solidão, mas ainda sim covardes demais para nos relacionarmos com o mundo, tenho que me lembrar de perguntar tudo a minha mãe depois.
Minha mãe me disse que viria hoje à tarde para a escola para atender alguns alunos e que se eu quisesse uma carona para casa eu podia espera-lá, ela disse que era para passar na sua sala as 5 horas. A preguiça falava mais alto então decidi matar o tempo sentada na biblioteca. 5 horas em ponto fui atrás dela. Chego a porta, vejo a tal garota saindo do de lá, eu sorri pra ela, ela me sorriu de volta, tem um olhar esquisito em seu olhos mas eu ignoro.
- Mãããe! - Grito bem alto quando entro no escritório, adoro fazer isso, ela sempre leva um susto, ela se vira, ela suspira de alivio vendo que está tudo bem, mas ainda sim parece que algo a perturba.
- Oh querida é apenas você, você me assustou - eu rio - Espere aqui um estante filha, vou levar alguns documentos para diretoria ok? Eu já volto. - Ela larga os papeis que estão em suas mãos e pega algumas pastas em cima da mesa, e então sai fechando a porta atrás de si. Sei que ela vai demorar, ela nunca diz já volto e volta logo.
Espero alguns segundos até olhar o bloco que ela largou em cima da mesa, provavelmente é a ficha da tal garota, assim nem precisarei perguntar nada a minha mãe, sempre que pergunto algo sobre seus pacientes ela desconversa falando algo sobre sigilo profissional. Pego a ficha na mesa e bingo! É a ficha da garota.
A primeira coisa que me chama atenção é uma anotação logo no inicio da folha com a letra da minha mãe:

Diagnóstico: Sofre de psicopatia.

Surpreendi-me nesse momento, mas continuei a ler, minha curiosidade sempre foi um ponto fraco, nas páginas seguintes havia anotações de suas sessões. Nelas ela dizia que embora sua natureza fosse perigosa, era uma garota calma que não gostava muito de conversar, e não aparentava ter muitos problemas além de sua dificuldade para se relacionar e que no momento ela não apresentava nenhuma ameaça à sociedade. Depois de folhear suas anotações, pulei para sua anotação feita na seção de hoje:
"Hoje a paciente disse algo que me deixou um pouco perturbada. Ela chegou como sempre e se sentou; eu lhe perguntei como as coisas haviam ido desde a nossa ultima sessão na semana passada, ela me contou como de costume, então lhe perguntei se tinha algo mais, como sempre. Ela ficou quieta por um instante enquanto olhava para a foto de minha filha em cima da minha mesa, ela se virou subitamente para mim e disse o seguinte: "As pessoas sempre passam por mim e perguntam se estou bem, acho isso tão repulsivo, porque perguntar se você realmente não se importa com a resposta? Isso só os faz parecerem mais superficiais, quando alguém me diz isso eu simplesmente sorrio, eles devem pensar que estou apenas sendo educada, mas na verdade estou pensando em como eu o mataria sem deixar pistas!". Então ela simplesmente fechou a boca e me olhou como se não houvesse dito nada, isso me assombra, estou começando a pensar se ela realmente não é uma ameaça para sociedade, e se ela realmente é apenas uma psicopata e não uma futura Serial Killer".
c. Mas quando vi, não era minha mãe, era uma garota, a garota da ficha em minhas mãos. Ela sorriu para mim como sempre sorria, com os mesmo brilho em seus olhos. Não demorei muito para perceber o canivete prateado em sua mão direita. Ela se aproximou e disse:
- Oi Lin, tudo bem? - E assim como eu sempre fazia, eu sei que ela não dava a mínima para a resposta desta pergunta, afinal eu nunca poderia respondê-la.

Observações: Boa creepy. Apesar dos erros ortográficos grosseiros, foi uma creepy que me prendeu do início ao fim, e o fim me deixou apreensivo e curioso. Morreu? Não morreu? Fugiu? Vale a pena ser publicada.

Escrita/Enviada por: Karen
Editada por: Vinicius Pinheiro


29/06/2013

Diário de um minerador

Olá! Se estiver lendo isso, você teve sorte de tropeçar em meu diário. Meu nome é Ted, e sou um espeleólogo. Eu entro em cavernas e minas abandonadas para conseguir algo que faça valer meu trabalho. Muitos dizem que há um demônio ou alguma outra coisa na mina de Uttersville. Bom, o que sobrou da mina de Uttersville. Soube que era uma mina muito rica em ouro, então estou muito ansioso para descer lá e dar o meu melhor.


Ah, o ar fresco! Adoro isso. Fiquei em um hotel barato. Tenho que dizer, Uttersville pode ser pequena, mas as pessoas aqui são bem amigáveis! Consegui as direções para a mina, peguei minha lanterna e a picareta, e já estava a caminho para as riquezas.


Até agora não achei nada, mas aqui é realmente muito fundo. Decidi comer alguma coisa, vou escrever depois.


Humm, Acho que ouvi alguma coisa lá no fundo. Já faz quase uma hora desde que escrevi pela última vez. Deve ser o som do ouro ressoando hein? Há! Só estou brincando. Tenho certeza que foi apenas uma pedra caindo. Vou continuar seguindo, vou escrever depois.


Alguma coisa estranha esta acontecendo aqui. Felizmente achei um pouco de ouro, e já o guardei em minha sacola. Há algumas mensagens escritas em preto dizendo “O demônio controla todo o fluxo d’ouro”. Não sei o que significa, mas não gosto disso. Preciso descansar, vou escrever depois.


Acho que ouvi passos! Sei que vocês estão pensando que sou um covarde, mas esse lugar estava abandonado por décadas! Não há como alguma coisa ter entrado aqui. Provavelmente foi minha imaginação... de qualquer forma achei mais ouro e um diário. No diário dizia “Ele me achou agora tenho que minerar, minerar é a alegria do infinito oh vou apodrecer pensando na vida que deixei para minerar, para minha infelicidade o podre esta chegando para me manter minerando oh tenho que minerar pelo resto da vida pelo resto dessa droga de vida pelo resto da vida pelo resto da vida e se você achou isso corra corra apodreça corra corra ou você terá que minerar sim você eu estarei esperando pelo próximo que é você”. Provavelmente de algum cara que adorava minerar. Vou mais fundo agora.


Certo, agora as coisas estão ficando MESMO estranhas. Eu estava andando quando achei alguns ossos junto de uma picareta. Agora já não acho interessante encontrar ossos em uma mina, mas nos ossos tinha outro diário, com as mesmas palavras do primeiro que achei! Folheei todas as suas páginas, e encontrei uma... foto estranha... mostrava um homem, com dentes pretos, tinha apenas o dedo indicador, o médio e o polegar em cada mão, o que parecia ser um macacão e uma camisa branca estavam sujos. Sua pele estava completamente podre... eu deveri-


O chão desabou! Não posso subir, então vou ter que… ir mais fundo. Vou escrever depois. 


Acabou o óleo da minha lanterna, mas eu vejo uma luz fraca! Estou seguindo para ela eu... é ele... É ELE...     é a coisa da foto! Estou atrás de uma pedra, se você esta lendo isso, manda ajuda! Por favor!! Não... NÃO! Ele esta chegando perto! Ele agarrou minha per-




Ele me achou agora tenho que minerar, minerar é a alegria do infinito oh vou apodrecer pensando na vida que deixei para minerar, para minha infelicidade o podre esta chegando para me manter minerando oh tenho que minerar pelo resto da vida pelo resto dessa droga de vida pelo resto da vida pelo resto da vida e se você achou isso corra corra apodreça corra corra ou você terá que minerar sim você eu estarei esperando pelo próximo que é você.






28/06/2013

Um ovo

Foi um acidente de carro. Nada digno de nota nos jornais, mas ainda assim foi fatal. Você partiu deixando sua esposa e seus dois filhos. Foi uma morte dolorsa. Os paramédicos tentaram de tudo para te salvar, mas de nada adiantou. Seu corpo estava totalmente destroçado, foi melhor que você morresse. Acredite em mim.

E é nesse momento que você me encontra.

"O... O que aconteceu?" Você perguntou. "Onde eu estou?"

"Você morreu", eu disse calmamente. Sem palavras doces ou coisa do tipo.

"Havia um... um caminhão, e ele tinha perdido o controle..."

"Sim", eu disse.

"Eu... Eu realmente morri?"

"Sim. Mas não se sinta mal por isso. Todo mundo morre um dia", eu respondi.

Você olhou em volta. Não havia absolutamente nada, a não ser nós dois. "O que é esse lugar?", você perguntou. "Essa é a tal vida após a morte?"

"Mais ou menos", eu respondi.

"Você é Deus?"

"Sim", respondi. "Eu sou Deus".

"Meus filhos... Minha esposa", você disse.

"O que tem eles?"

"Eles ficarão bem?"

"Isso é algo que eu gosto de ver", eu disse. "Você acabou de morrer, e sua única preocupação é com sua família. Há muita coisa boa por aqui".

Você olhou pra mim, fascinado. Para você, eu não parecia Deus. Eu parecia apenas um homem qualquer. Uma vaga figura de autoridade. Parecia mais com um professor de gramática de que com o onipotente.

"Não se preocupe", eu disse, "eles ficarão bem. Seus filhos lembrarão de você como um pai perfeito em todos os aspectos. Eles não tiveram tempo de desenvolver algum desprezo ou raiva por você. Sua esposa chorará, mas no fundo de seu coração ela se sentirá aliviada. Pra ser honesto, seu casamento estava começando a se acabar. Se serve de consolo, ela se sentirá extremamente culpada por sentir esse alívio por sua morte".

"Ah", você disse. "Então, o que acontecerá agora? Irei para o paraíso, inferno ou algo do tipo?"

"Nada disso", eu disse. "Você reencarnará".

"Ah", você disse. "Então os hindus estavam certos".

"Todas as religiões estão certas, cada uma de seu jeito", eu disse. "Venha comigo".

Você me seguiu enquanto adentrávamos o vazio. "Aonde estamos indo?" "A lugar nenhum", eu respondi. "Eu só acho mais interessante caminhar enquanto nós conversamos".

"Mas, me diga, por que tudo isso?", você perguntou. "Quando eu reencarnar, irei começar tudo de novo, não é? Um bebê. Então tudo que aprendi nessa vida não vai mais valer de nada"

"Negativo!", eu disse. "Você tem todas as experiências e todo o conhecimento de suas vidas passadas. Você simplesmente não se lembra de tudo agora".

Parei de andar e toquei seus ombros. "Sua alma é mais magnífica, bela e grandiosa do que você poderia sequer imaginar. A mente humana comporta apenas uma pequena fraçao daquilo que você é. É como colocar um dedo num copo de água para ver se está quente ou frio. Você coloca apenas uma pequena parte de você ali dentro, e quando tira novamente, você obteve todas as experiências que estavam contidas ali".

"Você foi um humano pelos últimos 34 anos, então você ainda não expandiu sua mente ainda e ainda não pôde sentir o resto de sua imensa consciência. Se nós ficássemos aqui por mais tempo, você se lembraria de tudo. Mas não há razão para fazermos isso entre cada uma de suas encarnações".

"Quantas vezes eu já fui reencarnado, então?"

"Ah, várias vezes. Várias e várias vezes. E em diferentes tipos de vida", eu disse. "Dessa vez, você será uma camponesa na China de 540 A.C."

"Espera aí, como assim?", você estranhou. "Você vai me mandar de volta no tempo?"

"Bem, tecnicamente, sim. O tempo da forma que você conhece só existe lá no seu universo. As coisas são diferentes de onde eu venho".

"E de onde você vem?", você perguntou.

"Ah, sim!", eu expliquei. "Eu venho de algum outro lugar. E lá existem outros de mim mesmo. Eu sei que você gostaria de saber como é a vida por lá, mas você não entenderia.

"Oh..." você disse, um pouco decepcionado. "Mas espera. Se eu reencarnei em vários lugares e em diversos momentos, isso quer dizer que eu posso ter interagindo comigo mesmo?"

"Sim. Acontece todo o tempo. E como todas as vidas só tem conhecimento do tempo de sua própria existência, você nem mesmo percebe quando isso acontece".

"Então por que tudo isso? Qual a razão de tudo?"

"Sério?", eu perguntei "Sério? Você está me perguntando pelo sentido da vida? Não acha que isso é um tanto clichê?"

"Bem, é uma pergunta válida", você insistiu.

Olhei nos seus olhos. "O sentido da vida, o motivo que me levou a criar todo esse universo, é o seu amadurecimento".

"Quer dizer, de toda a raça humana? Você quer que amadureçamos?"

"Não. Só você. Fiz todo esse universo apenas para você. Em cada encarnação, você cresce e amadurece, e se expande seu intelecto".

"Só eu? Mas e todos os outros?"

"Não há mais ninguém", eu disse. "Nesse universo, existem apenas eu e você".

Você me encarou, espantado. "Mas... Todas as pessoas da Terra..."

"Todas são você. Diferentes encarnações suas."

"Espere aí. Eu sou todo mundo?!"

"Agora você está entendendo", eu disse, dando um tapinha nas suas costas.

"Eu sou cada ser humano que já viveu?

"Sim, e também cada humano que um dia viverá".

"Eu sou Abraham Lincoln?"

"E John Wilkes Booth, também".

"Eu sou Hitler?"

"E os milhões que ele matou".

"Eu sou Jesus?"

"E todos que o seguiram".

Você não conseguiu mais falar.

"Todas as vezes que você fez mal a alguma pessoa", eu disse, "você estava fazendo mal a você mesmo. Todas as boas ações que você fez, foram feitas para você mesmo. Todos os momentos alegres, e também os tristes, que foram experimentados por qualquer humano, foi, ou será, experimentado por você".

"Por que? Por que eu tenho que passar por tudo isso?"

"Porque um dia, você será como eu. Porque é isso que você é. Nós somos da mesma espécie. Você é meu filho."

"Nossa", você disse, incrédulo. "Quer dizer que eu sou um deus?"

"Não. Ainda não. Você é um feto. Ainda está se desenvolvendo. Assim que você viver todas as vidas humanas, após todo o tempo existente, você terá se desenvolvido o suficiente para nascer".

"Então todo o universo", você disse "é apenas..."

"Um grande ovo", respondi. "Agora é hora de você viver sua próxima vida".

E depois disso, enviei você para seu novo caminho.

27/06/2013

Sterbgeist - Trailer Oficial

Boa noite, Creepers! 

Hoje venho trazer pra vocês o trailer oficial do filme de nosso colaborador, Alex Lupoz. Pra quem não sabe, o Alex é nosso ilustrador oficial, e foi ele quem fez o logo oficial do blog.

Segue abaixo a sinopse e o trailer. Espero que gostem!



TÍTULO
Sterbgeist

GÊNERO
Suspense

ANO DE PRODUÇÃO
2013

ROTEIRO/DIREÇÃO/EDIÇÃO
Alex Lupoz

SINOPSE
Tobias se mudou para a casa de sua ex-namorada, depois que ela veio a falecer. No entanto, fenômenos estranhos na casa o intrigam a descobrir o que é, e levará a um novo conceito de fenômeno paranormal.

ELENCO DE PRODUÇÃO
Alex Lupoz
Guilherme Almeida
Rafa Gomes
Benedito Ernesto
Maycon Gonçalves
Mayara Mattos
Renan Maia

APOIO
Daniel Zaidan
(http://www.youtube.com/user/DanZaidan)

Boca do Inferno:
(http://bocadoinferno.com/)

CreepyPasta Brasil
(http://creepypastabrazil.blogspot.com)

Grupo "Fanáticos por Filmes de Terror"
(http://www.facebook.com/groups/Fanati...)

Grupo "Dimensão do Terror"
(http://www.facebook.com/groups/DIMENS...)

Vai Assistindo! Terror e Suspense
(http://www.vaiassistindoterror.com/)

MedoPontoCom
(http://www.facebook.com/MedoPontoCom)

Universo Macabro
(http://www.facebook.com/UniversoMacab...)

Garotas Rockeiras
(http://www.facebook.com/garotasrockeira)



Os partos de Mary Toft

Mary Toft foi uma dona de casa Inglesa que em 1726 começou a dar a luz à coelhos. Ou melhor, parte de coelhos, e durante uma das vezes "três patas de um gato malhado, e uma de coelho; as entranhas eram com as de um gato e dentro delas haviam pedaços da espinha dorsal de uma enguia..." A história que ela contava era que quando sonhava com animais, dava a luz a esses.

A melhor parte da história foi reação crédula da comunidade médica da época. Pela primeira vez ela foi examinada pelo médico local, John Howard, e sob sua observação "expulsou" um número de partes de animais ao longo de vários dias. Ela foi, então, analisada pela National St. Andre, um médico da casa real de George I, e o secretário pessoal de George, Samuel Molyneux. St. Andre concluiu que os coelhos se formavam dentro das trompas de Falópio.

No entanto, depois que Mary foi levada para Londres e colocada sob supervisão, os nascimentos pararam. Em seguida uma investigação revelou que seu marido tinha sido visto comprando uma grande quantidade de filhotes de coelho. Finalmente, Mary confessou que depois de uma aborto espontâneo ela colocou as criaturas em seu útero em uma tentativa de ganhar fama e fortuna. Ela ficou presa por pouco tempo, e mais tarde deu à luz a uma menina saudável.




26/06/2013

Cordyceps

Olá pessoal, meu nome é Alexandre e sou mais um tradutor que entra para a equipe do blog. Como fico um pouco tímido com apresentações vamos pular logo para a creepy. Espero que gostem.

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Vocês sabem o que são Cordyceps? Eu também não sabia ate uns 20 minutos atrás. É uma família de vários fungos diferentes, estão por todo o mundo em várias florestas e selvas. Uma coisa terrível sobre eles é que são parasitas, eles crescem em outros animais. Uma formiga pode passar por algum esporo e então o fungo passa a se espalhar pelo seu interior, começando pelo cérebro. Em algum momento, a formiga passa a agir perceptivelmente afetada; permanece parada tremendo, ou andando em círculos. Se um membro de uma colônia apresenta esses sintomas, ele será levado para fora do formigueiro e exilado.

Quando tudo esta quase no fim, a formiga sobe lentamente o mais alto que pode em alguma planta, e prende firmemente seu corpo ao caule. Finalmente a formiga morre e o fungo emerge de trás de sua cabeça, irrompendo como uma longa e estranha fruta. Depois algum tempo o fungo solta seus próprios esporos, deixando a formiga mumificada presa ao caule, com suas cavidades oculares cheias de fungos.

Estou falando isso porque na noite passada, quando subi para o terraço do meu prédio, achei o corpo do meu irmão.

Ele tinha retornado a menos de três dias das Filipinas, onde esteve por 18 meses a trabalho. Foi a primeira vez que eu o tinha visto desde o seu retorno. Meus pais me avisaram antes de ontem que ele estava vindo. Disseram que ele permaneceu em seu quarto desde que voltou, e de repente saiu e disse que ia me ver. Acharam que ele estava bêbado, eu nunca pensaria que ele faria isso.

Pelo cheiro, ele deve ter vindo direto para o terraço e morrido. Eu acabava de fumar um cigarro, estava bem ansioso e com a cabeça latejando, e quando o cheiro acre da fumaça desapareceu recebi uma lufada de podridão trazida pelo vento quente.  Só levou alguns minutos para acha-lo; de bruços sobre a entrada de ar. Um fino caule crescia terrivelmente da base de seu crânio, e uma cachoeira de raízes e gavinhas pendiam de seus olhos e boca. Na ponta do caule um conjunto de tufos felpudos, um pó branco caia levemente de suas pontas.

Os esporos devem estar caindo e se espalhando pelo lado norte do prédio por todo o dia. MEU lado do prédio. Desci para o meu apartamento para tentar ligar para a polícia, e minha dor de cabeça já aumentava para um pulsar febril. Passei pela porta e no momento que alcancei o telefone a dor irrompeu pela minha cabeça, tão forte que quase desmaiei. Já tentei três vezes e não consigo levar a mão ao telefone.

A mesma coisa acontece quando tento levantar e deixar o quarto; sinto pontadas congelantes por todo o crânio e meus membros travam e tremem.

As formigas, em seu ultimo momento escalam os galhos o mais alto que podem. Só assim os esporos podem se espalhar mais pela colônia embaixo. Por fim, o parasita controla a formiga quase como uma unidade inteligente. Deus me ajude.

A dor é quase insuportável agora, e um novo pensamento vem surgindo ritmicamente em minha cabeça, como um disco pulando. Subir, subir, subir. É acompanhado por uma imagem da torre do meu escritório. É mais alto que meu prédio, o lugar mais alto que posso pensar e apesar do calombo em minha nuca já estar do tamanho de um pêssego, a pele esticada e brilhante, a tontura e a visão embaçada, eu acho que posso chegar ate lá. Subir.

Não. Estou doente. Preciso de ajuda.

A torre pulsa outra vez em minha mente. O ar gelado. O telhado e o céu. Essas imagens aliviam a dor momentaneamente enquanto passam pela minha mente. Acho que posso chegar lá. Subir, subir.

Se você vive no centro de Chicago, seria melhor cair fora. 





25/06/2013

Record Grooves

Oi pessoal, sou o Awdur, um dos novos tradutores daqui do blog. Adoro ler e escrever, e sou fanático por música. Essa primeira creepy que eu posto aqui, aliás, é relacionada à música. Espero que vocês gostem :)
E peço que perdoem minha falta de jeito nessa mini apresentação, mas sempre fui péssimo com elas.

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Prólogo


Eu adoro discos de vinil. Eu não compro CDs, e raramente baixo alguma música. Normalmente, eu vou à loja de discos e compro alguns vinis usados. Também sou um grande fã de música eletrônica. Se você me pedir para dizer os nomes de vinte músicas do Kraftwerk, pode ter certeza que eu conseguirei!
Então, um certo dia eu acabei descobrindo uma pequena banda independente, chamada Elektrostal. Pelo que eu pude entender, o nome estava em russo, e além de ser o nome de um vilarejo ou cidade da Rússia, significava “aço elétrico”, ou algo assim. O único álbum dessa banda foi lançado em 1974. Chamava-se “Record Grooves”.

Procurei a respeito desse disco na internet, e encontrei algumas informações em um site extremamente tosco sobre gravadoras independentes. Descobri que esse álbum era na verdade um single 7”, e para todos vocês que são jovens demais pra entender o que isso significa, um single 7” é um disco de menor tamanho e que tem apenas uma música em cada lado do vinil. Depois de ler mais algumas informações que haviam ali, descobri que esse álbum tinha apenas uma música, mas dividida em duas partes. O nome da música era “Eletric Chair” (Cadeira Elétrica). Não sei de onde eles tiraram o título “Record Grooves”.

Pesquisei um pouco mais, e fiquei chocado ao descobrir que se trata de um single extremamente raro! Apenas 25 exemplares foram produzidos devido a problemas financeiros (algo extremamente comum nos anos 70). Ao menos, era isso que constava no site.

Resumidamente: eu tinha que conseguir esse disco a todo custo!



Comprando o disco

Eu fui naquela loja de discos que mencionei anteriormente. Era uma lojinha de esquina, com uma porta vermelha e letreiro, mas seu interior era o sonho de qualquer colecionador de discos. Haviam discos por todos os lados, alguns em excelente estado de conservação. “Se há algum lugar onde eu posso encontrar esse disco”, pensei, “é aqui”. Entrei e fui falar diretamente com Mark, o dono da loja. Como ele também é um perito em discos de vinil, achei que ele podia saber algo a respeito desse álbum.
Eu estava errado.

Ele pareceu intrigado quando lhe perguntei a respeito. Ele disse que nunca tinha ouvido falar a respeito do disco, muito menos da banda. Isso me decepcionou, mas decidi dar uma olhada na loja mesmo assim. Depois de procurar um pouco, eu o encontrei! Eu mal podia acreditar. Não era nada surpreendente ver que a capa não estava em ótimas condições. Havia uma camada de poeira nela, e parte do papel em que a capa estava impressa havia descascado.

Foi aí que notei algo estranho. A imagem da capa era diferente: aquela que eu tinha visto na internet mostrava uma capa preta, com lábios ao centro. Essa, por outro lado, trazia um olho arregalado, e aparentemente uma lágrima caindo dele. Mas isso não me incomodou muito. Muitos artistas tinham feito diferentes capas para um mesmo álbum, também. Mas... Teriam os membros da banda feito uma capa diferente pra cada um dos 25 álbuns? Isso teria custado mais caro que fazer várias capas idênticas. Outro detalhe estranho: o disco estava perfeitamente conservado. Não havia um cisco de poeira, nem mesmo um arranhão. Recoloquei o disco dentro da capa interna e voltei para o caixa. Coloquei o disco em cima do balcão, e Mark olhou para mim de um jeito esquisito.

“É estranho”, ele disse. “Não lembro de ter visto esse disco entrar aqui”

“Quanto é?” perguntei educadamente, apesar de minha pressa.

“Sabe de uma coisa? Pode levá-lo de graça. Não vejo nenhuma etiqueta de preço, e não lembro de ter obtido esse disco, então é todo seu”, ele disse, ainda mantendo aquela expressão intrigada.

Aquilo me surpreendeu, mas fiquei bastante feliz. Não tinha muito dinheiro naquele dia, e não queria correr o risco de que alguém comprasse o disco antes de mim. Agradeci a Mark e voltei apressadamente para casa.


O que eu ouvi no disco


Cheguei rapidamente em casa. Corri para meu quarto, tirei o disco de dentro da capa, coloquei-o com cuidado no prato, liguei meu toca-discos, posicionei a agulha na primeira ranhura do vinil, e o disco começou a tocar.
A introdução era fantástica. Parecia muito com uma música do Kraftwerk, mas com sintetizadores um pouco mais intensos. Era muito cativante, e os vocais eram incríveis!

Foi aí que as coisas começaram a ficar estranhas.

De repente, os vocais ficaram mais e mais eletrônicos, até o ponto em que você mal podia entender o que ele estava cantando. Além disso, a música parecia fora do tom. Ficou quase insuportável de ouvir, eram apenas rimas infantis acompanhadas por uma música incrivelmente alta. Finalmente, e é aí que tudo fica mais estranho, o vocalista pede para que uma garota, que está no mesmo local que ele, cante. Há uma pausa. A música continua tocando ao fundo por um minuto, e então ouve-se o microfone sendo movido.

Então eu pude ouvir uma garota chorando. Junior, o vocalista, então, gritou “CANTE! CANTE!” mas ela apenas continuou chorando, e cada vez que ele gritava, ela chorava e gritava mais alto ainda. De repente, ela gritou com todo seu fôlego “ALGUÉM ME AJUDE, POR FAVOR!!” A música continuava tocando ao fundo, enquanto Junior ria para si mesmo. Eu comecei a me preocupar, não parecia que ela estava atuando, ela realmente gritava por ajuda.

Nervoso, eu continuei escutando. Enquanto Junior ria sozinho, você podia ouvi-lo apertar botões e girar chaves que, num primeiro momento, achei que eram dos sintetizadores. Mas após um grande estalido, veio um zumbido acompanhado pelo som de algo crepitando, e então a garota gritou ainda mais alto.

Foi então que eu entendi.

Agarrei a capa, que estava em cima da mesa. Virei-a e olhei a parte de trás. O nome da música era “Eletric Chair”. Derrubei a capa, em pânico, quando finalmente entendi que aquele zumbido não era nenhum sintetizador. Levantei a agulha, tirei o disco do prato, coloquei-o dentro da capa e guardei tudo dentro de meu cofre.

Eu não consegui dormir direito naquela noite, eu havia escutado mais do que gostaria naquele disco. Os gritos selvagens da garota e a risada sutil de Junior eram assustadores. Conforme meus olhos se acostumaram com a escuridão do quarto, eu encarei meu cofre, mas não me mantive acordado por muito tempo. Acabei caindo no sono. Mais ou menos às 4:30 da manhã, acordei de repente. Um som alto, grosso e eletrificado encheu o ambiente. Levantei de um salto e procurei pela fonte daquele som. Vinha do meu toca-discos. Para meu horror, lá estava o disco.

Estava tocando o lado B.

Novamente, ouvi aqueles zumbidos, e a risada de Karl Junior, enquanto uma música eletrônica extremamente hipnótica tocava ao fundo.

Corri para o toca-discos, tirei o disco do prato novamente e liguei a luz. Fiquei chocado ao ver que haviam marcas no disco, que formavam as palavras “Veja, Cheire”, e com letras pequenas no lado A do disco, “Eletrizante”. Parecia que alguém escavou as letras no disco usando um prego quente.

Não podia mais suportar isso. Joguei o disco e a capa pela janela, e assim que pude, fui para os fundos de casa e destruí tudo.

Um senhor que morava ao lado de nossa casa veio me perguntar o que havia sido todo aquele barulho da noite anterior. Eu disse que não sabia, e que certamente não era nada para se preocupar. Não conseguiria imaginar uma maneira de dizer a ele o que havia acontecido.

Fiquei extremamente calmo nesse dia. Enquanto ouvia alguns discos de blues, eu ocasionalmente olhava pela janela e via os pedaços de vinil espalhados pelo jardim. Tentei ignorar, mas era impossível. Desci apressadamente, peguei uma pá e fui para o jardim. Tentei pegar os restos do disco, mas estavam incrivelmente quentes! Tive que usar uma toalha para recolher tudo aquilo. Cavei um pequeno buraco e joguei tudo lá dentro, os restos do disco e também a capa. Joguei um pouco de vodca, e após olhar por uma última vez, ateei fogo naquela porcaria.

Depois que as chamas se apagaram, cobri o buraco. Nada mais havia ali a não ser cinzas e plástico queimado.

Fiquei bastante feliz ao perceber que não veria mais aquela merda.


Sete anos depois

Ainda consigo me lembrar de todos os horrores envolvendo esse disco, mas nunca me preocupei muito, já que nada aconteceu depois de tudo isso.
Mas eu notei algo estranho, algo que eu nunca havia notado antes.

Um odor forte, como o de uma carne que foi esquecida no fogão e acabou queimando. Foi aí que eu me lembrei, e entrei em pânico. No disco, “Veja” e “Cheire” estavam esculpidos por cima das ranhuras. Ainda assim, eu tinha minhas dúvidas quanto a isso ter qualquer coisa a ver com aquele odor. Eu decidi procurar pela fonte de origem dele. Vinha do meu porão. Notei que vinha exatamente de uma rachadura em uma das paredes.

Por algum estranho motivo, aquela era a única rachadura na parede, e eu nunca havia notado. Nervoso, me aproximei dela.

O que quer que fosse aquele odor, vinha de dentro da parede.

Com cuidado, toquei-a, e estava incrivelmente quente. Mas apenas naquele ponto: todo o resto da parede estava frio pra cacete, uma vez que estávamos no meio do inverno.

De repente, parte da parede ruiu. Poeira e pedaços de parede caíram no chão, e eu corri de volta para as escadas para não ser atingido. Estava em choque, mas também estava furioso por minha parede ter caído. Peguei uma pá, e comecei a recolher toda aquela sujeira, jogando-a num balde.
Meu coração parou. Senti vontade de vomitar.

Eu vi o corpo carbonizado de uma garota, seu rosto totalmente negro com marcas de queimaduras, com fumaça saindo de seus cabelos, e seus dentes, trincados, com uma coloração de marrom escuro. Sua pele estava com uma textura quebradiça, e pedaços dessa pele morta e queimada estavam espalhados pelo chão de meu porão, misturados a toda aquela sujeira.

Vi sangue saindo de seus olhos, e o odor de carne queimada encheu todo o porão, até o ponto em que quase vomitei. Caí no chão, e rastejei para fora em pânico. Tentei deixar escapar um grito ou mesmo um choro, mas estava petrificado de medo.

Fiquei parado por quase meia hora, em silêncio. Minha respiração estava pesada, eu não piscava e tremia muito. Não olhei para o corpo por um bom tempo, mas finalmente tive a coragem de ir até lá e dar uma olhada.

Em suas mãos ela segurava uma cópia do álbum “Record Grooves”.

Ninguém deve passar pelo que eu passei.