31/10/2013

O desaparecimento da Sra. Yurno

Em sua velhice, Josephine Yurno costumava, toda tarde, dar uma volta pela sua vizinhança em Norwich, Connecticut.
Em 12 de novembro de 1935, ela saiu, como era de costume, e não retornou. Uma busca exaustiva foi feita por vários voluntários e pelos policiais de Norwich, mas nenhum sinal da mulher foi encontrado.
Três anos depois, a sra. Yurno foi encontrada sentada na frente da casa de um de seus vizinhos, sem um ferimento no corpo e com a saúde perfeita. Quando perguntaram-lhe onde ela esteve, ela foi incapaz de entender a pergunta. De seu ponto de vista, nenhum tempo havia se passado.
Contrariando o conselho de seus vizinhos e de seu médico, ela recusou qualquer tratamento médico e continuou sua vida como era antes, incluindo suas caminhadas. Outro vizinho foi responsável por essa foto dela, tirada no outono de 1938. A fumaça vinda de folhas queimadas dá um ar levemente assustador a essa foto. Em 12 de novembro de 1940, exatamente 5 anos após seu primeiro desaparecimento, a sra. Yurno desapareceu novamente. Dessa vez, nunca mais foi encontrada.


Todos os Monstros São Humanos

Você sempre teve uma fobia ridícula de espelhos.

Isso nunca interferiu em sua vida antes, exceto de maneiras completamente inconsequentes. Você fechava seus olhos quando tentava invocar a Loira do Banheiro no Ensino Fundamental, corria diretamente por eles quando estava em um corredor escuro, coisas que qualquer pessoa dessa geração chamaria mais de hábito do que estranheza.

Numa noite, você está se preparando para sair com alguns amigos. Você se sente sujo, então decide começar a se arrumar dentro de seu próprio apartamento, onde pode se limpar tranquilamente com seus próprios produtos. Todo mundo está reunido, tirando fotos e se divertindo, enquanto você decide dar uma lavada geral em seu rosto. Você olha rapidamente para ter certeza de que seus amigos não percebem seu momento de hesitação, até que chega a hora de fechar seus olhos e esfrega-los em frente ao espelho.

À medida que lava seu rosto, seus olhos se abrem para encarar seu próprio reflexo olhando para você, o que não é incomum. O que é um pouco estranho, no entanto, é que quando você está prestes a sair, seu reflexo não faz o mesmo. Vocês olham fixamente um para o outro com os olhos arregalados, só esperando para ver o que acontece em seguida. Você se vira para seus amigos somente para ver que eles estão vendo tudo que está acontecendo. Seus sorrisos crescem cada vez mais, grandes demais para serem humanos. Seus olhos ficam pretos como carvão, e eles começam a andar em sua direção. Sua reflexão e a reflexão de seus amigos começam a gritar de medo. Seus amigos avançam em direção aos seus reflexos.

Você sempre soube que estava do lado errado.

À medida que seus olhos começam a queimar de uma forma agradavelmente doentia, seu sorriso vai crescendo lentamente até ficar grande... Muito grande.


Visita ao Cemitério

Em um sábado de manhã frio, uma mulher idosa pousava sua mão em cima de uma lápide.

"Henry Blackwood -1938- 2004."

Ela colocou flores sobre o tumulo e chorou, algo que não costumava fazer. Ela sempre fazia questão de trazer algo de Henry quando fazia sua visita anual ao seu túmulo, pois sua memória não era o que costumava ser, e seu cérebro precisava de ajuda para relembrar dos fatos. Ela trouxe algo que sempre odiou: os aparelhos auditivos de seu marido. Ela se lembrava melancolicamente de como ele nunca o havia usado, sempre insistindo que tinha uma audição perfeita apesar de manter o volume da televisão tão alto .
Agora, tudo o que ela queria era que ele voltasse e a acolhesse novamente. "Oh Henry", dizia enquanto caiu de joelhos e olhava para o céu: "Como eu gostaria que você voltasse para mim".

Lá em cima no céu e através de sua visão borrada com lágrimas, ela viu uma espécie de estrela vermelha. Era fraca, mas de repente, ela ouviu uma risada maligna e a estrela brilhou irregularmente. Em seguida, ela desapareceu no meio do sol.

A mulher enxugou suas lágrimas. Estranho. Seria somente um mero produto de sua imaginação? Ela se levantou e examinou a área, mas não viu nada. Parecia que o momento não passava de simples, velhas e comuns mudanças de humor femininas. Quando ela sorriu, uma pergunta surgiu juntamente com a ideia de uma realidade macabra: “Será que a bateria do aparelho auditivo ainda funciona?”. Ela o colocou em seu ouvido e o ligou. Podia ouvir as quedas de penas de corvos em uma árvore perto dali. Provavelmente ainda funcionava normalmente, devido à falta de uso de seu marido. E então, engolindo em seco, ela encostou a orelha no chão, em cima da sepultura.

Sua boca se abriu horrorizada quando ela ouviu batidas, arranhadas e uma voz bastante familiar gritando desesperadamente.



29/10/2013

O Creeper

Alguem ja leu a Creepypasta do The Creeper? É a história de um jovem, que, após ser rejeitado pelo autor do seu site favorito de terror para ser o Creeper da Semana, sofre de um surto de esquizofrenia até então latente, mergulhada no mais obscuro abismo de sua mente. A partir disso, ele consegue acesso a conta de email do autor do site, onde estão todos os possíveis futuros Creepers da Semana (e os anteriores também) e inicia uma busca implacável, violenta e sanguinária a cada um deles.

Ele os esfola e retira todos os seus órgãos, na intenção de provar ser o único com conteúdo para ser o Creeper da Semana. Coloca as mesmas roupas e faz as mesmas poses das fotos, criando uma caricatura cruel das vítimas, ao mesmo tempo que toma os seus lugares de destaque.

Cuidado! Você ainda quer ser o próximo Creeper da Semana?



Bicho-Papão

Tudo começou com meu filho de 3 anos gritando no meio da noite. Ele estava dormindo em seu quarto. Quando eu fui ver o que havia acontecido, ele estava em um assustador estado de histeria. Lágrimas escorriam pelas suas pequenas bochechas rosadas enquanto ele chorava e me contava que estava com medo do Bicho-Papão. Eu o deixei dormir junto comigo e com minha esposa nesta noite, achando que havia sido apenas um pesadelo.

Na noite seguinte, ele nem sequer queria entrar no quarto dele, mas eu o convenci de que o Bicho-Papão era apenas uma invenção da sua imaginação. Porém, fui acordado mais uma vez pelos seus gritos. Corri para o quarto, somente para encontrá-lo em lágrimas novamente.

Na terceira noite, decidi colocar uma câmera no seu quarto, a fim de lhe mostrar que não havia nenhum monstro. Naquela noite, não houve gritos e nem choro. Eu estava revigorado e aliviado quando acordei de manhã , após ter tido minha primeira boa noite de sono em três dias. No entanto, meu filho parecia cansado. Ele nem sequer fez toda aquela bagunça que costumava fazer enquanto o vestíamos para ir à pré-escola. Quando minha esposa o levou para lá, decidi rever a fita da câmera, a fim de descobrir como ele havia dormido naquela noite.

Eu nunca vou esquecer do que vi.

Por volta das 02:00, enquanto meu filho estava dormindo, sua porta do armário se abriu lentamente . Fora das sombras, saiu uma mulher pálida, nua, cheio de nervos, com longos cabelos brancos e olhos assustadoramente escuros. Seu corpo era magro e frágil, como a de um sobrevivente de um holocausto. Quando ela se virou para o lado, eu pude ver a coluna saliente de sua corcunda como um dinossauro  Ela enfiou a mão no berço do meu filho com suas mãos anormalmente grandes e cobriu sua boca. Ele tentava gritar, mas não conseguia. A palma de uma das mãos facilmente envolvia sua cabeça, abafando seus gritos. Ela o pegou com uma facilidade que uma pessoa de sua aparência definitivamente não aparentava ter, e em seguida, voltou para o armário com ele em braços. Uma hora depois, ela voltou com o que parecia ser um verme do tamanho de uma mochila, se contorcendo, e o colocou na cama do meu filho antes de recuar mais uma vez para o armário.


Durante as próximas duas horas, eu o assisti enquanto ele se contorcia e crescia lentamente, até se transformar em algo que parecia com meu menino. Uma vez que a transformação terminou, a criatura saiu da cama e vestiu um par de pijamas, e então deslizou para dentro dos lençóis, esperando até entrarmos no quarto. Eu não sei o que diabos era essa coisa que saiu com minha mulher nessa manhã, mas eu sei que definitivamente não é meu filho.


28/10/2013

Velhas noticias

“É o apocalipse, Peter!” Jacob gritou enquanto uma explosão iluminava o céu. A cidade logo foi tomada pela violência, gritos e explosões.

Começando a reviver as suas velhas memórias da Segunda Guerra Mundial, Jacob começou a entrar ainda mais em pânico quando pessoas começaram a sair cambaleando dos locais das explosões.

Peter, o seu fiel cão de guarda latia ferozmente enquanto as pessoas passavam pela frente da casa. As pessoas já pareciam mortas, e tudo ficou claro para Jacob depois que outra explosão iluminou a área para que seus velhos olhos pudessem enxergar o suficiente.

Jacob entrou rapidamente em casa e agarrou a coleira de Peter. O velho cão entrou tombando com Jacob enquanto ele fechava a porta e travava os vários trincos.

Depois de trancar completamente a casa e selar as janelas, ele tentou se acalmar o suficiente para dar uma espiada lá fora. Lá fora, o céu estava iluminado por explosões que sacudiam a casa.

De repente, um rosto surgiu na janela bem na sua frente. Levando um grande susto, ele caiu para trás em cima da mesinha de café.

“Eu sei que você está ai dentro velho,” a pessoa lá fora gemeu. Com a luz dentro da casa ele pôde ver as marcas de queimadura e várias outras feridas no rosto da pessoa na janela.

Gritando histericamente ele apagou as luzes e correu para o quarto no andar de cima. Peter estava logo atrás dele.

O homem lá fora batia em sua porta. “Saia dai e junte-se a nós!” ele gemia com uma voz de morto. Depois de alguns minutos angustiantes, as batidas cessaram e Jacob imaginou que o homem traria uma horda de outras criaturas mortas para tentar pega-lo.

Ele abriu uma gaveta do armário, afastou algumas meias e tirou uma pistola.

“Eles disseram que o apocalipse zumbi estava chegando Peter. Eu li isso na internet. Agora sei que era verdade. Me desculpa garoto,” ele disse, mirando a pistola para o seu velho companheiro, curvado em uma pilha de jornais no canto do quarto.

O cachorro morreu com apenas com um tiro e um suspiro silencioso. Em seguida Jacob virou a pistola para si mesmo.

“Planejei tudo cuidadosamente para esse dia, mas agora sabem que estou aqui. Droga, já estou indo te encontrar, Sally,” ele falou enquanto puxava o gatilho.

Porém, esse não foi o seu último pensamento.

A última coisa que passou por sua mente em seus últimos momentos de vida enquanto ainda respirava foi um importante anúncio nas páginas de um jornal que estava embaixo do corpo de Peter.

“Simulação Apocalipse Zumbi, para a noite do Halloween.”

26/10/2013

1000Vultures - Passos

Essa história foi originalmente postada no Reddit pelo usuário "1000Vultures". Essa é a primeira de 10 outras histórias envolvendo o mesmo autor. Traduzirei e postarei todas elas e poderá encontrá-las posteriormente na tag "1000Vultures" no Categorias logo ali em cima. Espero que gostem.

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Essa história é longa, então já me desculpo de antemão. Nunca tive a oportunidade de contar isso tão detalhadamente, mas realmente aconteceu quando eu tinha por volta dos seis anos de idade.

Em um quarto silencioso, se você pressionar sua orelha contra um travesseiro, conseguirá ouvir seu batimento cardíaco. Quando criança, o som rítmico e abafado pareciam-se passos leves no carpete. Então, quando mais novo, quase todas as noites - no momento que estava quase adormecendo - ouvia esses "passos" e era arrancado do meu sono, aterrorizado.

Por toda minha infância morei com minha mãe em um bairro bastante agradável que estava em fase de transição - pessoas com baixa renda estavam gradualmente se mudando, e eu e minha mãe eram umas dessas pessoas.  Ao redor de nossa pequena casa haviam vários bosques que rodeavam o bairro, onde brincava e explorava durante o dia,  mas a noite ficava um pouco mais sinistro. Isso juntamente ao fato que nossa casa tinha um grande forro por baixo, que enchiam minha mente com monstros imaginários e situações inevitáveis que consumiam meus pensamentos quando acordado pelos passos.

Contei para minha mãe sobre os passos e ela disse que era apenas coisa da minha imaginação; persisti tanto até que minha mãe soprou em meus ouvidos por dez minutos, algo que eu achava que ajudaria. Claro que não ajudou. Apesar de toda a bizarrice dos passos, a única coisa estranha que acontecia era que, de vez em quando, eu acordava na parte de baixo da beliche mesmo tendo ido dormir na parte de cima, mas isso não era tão surreal, sendo que as vezes acordava para mijar ou tomar água e talvez só não lembrava de ter deitado na cama de baixo (sou filho único, então não era de grande importância). Isso acontecia uma ou duas vezes por semana, mas não era tão aterrorizante. Porém um dia, não acordei na cama de baixo.

Tinha ouvido os passos, mas estava com tanto sono que não liguei, e quando acordei não foi por causa disso ou por um pesadelo, e sim pelo frio. Muito frio. Quando abri meus olhos vi estrelas. Estava em um bosque. Imediatamente me sentei e tentei entender o que estava acontecendo. Achei que estava sonhando, mas não parecia certo (estar no bosque também não era certo). Havia uma boia de piscina na minha frente - aquelas em formato de tubarão. Isso apenas fez com que a coisa toda ficasse mais surreal, mas depois de certo tempo percebi que não iria acordar, pois não estava sonhando. Me levantei para tentar me orientar, mas não reconheci esse bosque. Eu brincava nos que ficavam perto da minha casa o tempo todo, então os conhecia como a palma da minha mão. Mas se esse não era o mesmo bosque, como iria sair dali? Dei um passo e senti uma dor imensa no meu pé que me fez cair sentado de novo. Tinha pisado em um espinho. Com a luz do luar, podia ver que estavam por toda a parte. Olhei para meu outro pé que estava bom ainda, como todo o resto do meu corpo. Não tinha mais nenhum arranhão e nem se quer estava sujo. Chorei por algum tempo e depois levantei de novo.

Não fazia ideia por onde ir, então apenas escolhi uma direção. Resisti a vontade de gritar por ajuda, não tinha certeza se gostaria de ser encontrado por seja lá quem estivesse em um bosque no meio da noite.

Andei pelo que pareceu horas.

Tentei andar em linha reta, e tentava voltar a linha original quando tinha que tomar desvios, mas eu era uma criança com medo. Não haviam corujas ou gritos, e apenas em um momento ouvi algo que me assustou. Parecia como o choro de um bebê. Agora, creio que era apenas um gato, mas eu entrei em pânico na hora. Corri virando em várias direções para evitar um enormes arbustos e árvores tombadas. E estava prestando bastante atenção aonde pisava, porque a essa altura, meus pés estavam em péssimo estado. Eu estava prestando muito mais atenção aonde eu pisava do que para onde eu estava indo porque, não muito depois de ter ouvido o choro vi algo que me encheu de um desespero que nunca tinha sentido ainda. Era a boia de piscina.

Eu estava apenas a 3 metros de onde tinha acordado.

Não era por feitiço ou por alguma dobra no tempo espaço. Eu estava perdido. Até aquele momento eu tinha mais pensando em como sair do bosque do que como tinha chegado ali, mas voltar ao ponto inicial fez minha mente girar. Nem tinha certeza de que era os bosques que conhecia; eu apenas estava torcendo que fosse. Teria eu dado uma enorme volta ou apenas feito uma curva e voltado? Como eu sairia dali? Na época eu achava que a estrela mais brilhante era a do norte, então olhei para o céu, encontrei a mais brilhante e a segui.

Eventualmente as coisas começaram a parecer mais familiares e quando eu vi "A trincheira" (uma vala que meus amigos e eu usávamos para brincar de guerra), sabia que havia conseguido. Nesse momento eu já estava caminhando muito lentamente pois meus pés doíam demais, mas estava muito feliz por estar perto de casa então comecei a correr levemente. Quando eu avistei o telhado da minha casa por entre aos outras da vizinhança, soltei um suspiro e comecei a correr mais rápido. Eu só queria chegar em casa. Já tinha decidido que não contaria nada para minha mãe, porque não fazia ideia do que dizer. Eu entraria na casa de algum jeito, me limparia e voltaria para cama. Meu coração quase explodiu quando fiz a volta e consegui ver inteiramente minha casa.

Todas as luzes estavam ligadas.

Sabia que minha mãe estava acordada, sabia que teria de explicar (ou tentar) aonde tinha estado, e não conseguia nem pensar por onde começar. Meu correr virou um caminhar rapidamente. Eu vi a silhueta dela por trás das cortinas, e por mais que estivesse preocupado de como explicaria o que aconteceu, isso não me importava naquela hora. Eu subi os poucos degraus da varanda e coloquei minha mão na maçaneta. Um segundo antes de conseguir abri-la, dois braços me envolveram e me puxaram para trás. Eu gritei o mais rápido que pude "MÃE! ME AJUDE! POR FAVOR! MÃE!" O sentimento de estar salvo e depois ser fisicamente arrancado dele me encheu de um pavor tão grande que, mesmo depois de tantos anos, é indescritível.

A porta que eu fui afastado se abriu, e uma gota de alivio pingou dentro de mim. Mas não era minha mãe.

Era um homem, e era enorme. Eu me sacudi e tentei chutar a pessoa que me segurava enquanto tentava escapar dele da pessoa que acabara de sair da minha casa. Eu estava com medo, porém mais furioso ainda. "ME SOLTA! ONDE ELA ESTÁ? ONDE ESTÁ MINHA MÃE? O QUE FIZERAM COM ELA?" Enquanto minha garganta ardia e eu buscava mais fôlego para voltar a gritar, eu percebi um som que me era muito familiar. "Querido, por favor se acalme. Estou aqui." Era a voz da minha mãe.

Os braços se afrouxaram e fui solto, e enquanto o homem se aproximava pude ver suas roupas. Era um policial. Me virei para ver a quem pertencia a voz e realmente era minha mãe. Tudo estava bem. Comecei a chorar, e nós três entramos em casa.

"Estou tão feliz que você voltou, querido. Achei que nunca te veria de novo." Nesse ponto ela também estava chorando.

"Desculpa, não sei o que aconteceu. Eu só queria voltar pra casa, desculpa."

"Tudo bem, só nunca mais faça isso. Não sei se eu ou minhas canelas aguentariam..."

Uma risadinha quebrou meus soluços e sorri levemente. "Desculpa por te chutar, mas porque me segurou daquele jeito?"

"Só estava com medo que você fosse fugir de novo"

Fiquei confuso. "Como assim?"

"Encontramos o bilhete no seu travesseiro," ela disse, e apontou para um pedaço de papel que o policial estava segurando do outro lado da mesa.

Peguei o bilhete e li. Era uma carta de "fuga". Dizia que eu estava infeliz e que nunca maus queria ver minha mãe ou meus amigos. O policial trocou algumas palavras com minha mãe na varanda enquanto eu olhava a cartinha. Eu não me lembro de ter a escrito.  Não lembrava nada disso. Mas mesmo que eu fosse ao banheiro a noite e não me lembrasse ou mesmo que eu tivesse ido para o bosque sozinho, mesmo que tudo isso fosse verdade, a única coisa que eu sabia era que...


"Não é assim que se escreve meu nome... Eu não escrevi isso."

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EDIT:
Para ler a segunda história dessa série, CLIQUE AQUI.


25/10/2013

ANTRAN

A foto que estão vendo foi tirada em algum momento dos anos 70. A única foto que sobrou do meu filho, e do ser artificial conhecido como ‘ANTRAN’, que adotamos para a nossa família na época.



Era um verão quente em meados dos anos setenta. Eu estava dirigindo de volta para casa depois de um longo turno na madeireira onde trabalhava, quando tive que parar em um depósito de lixo para jogar fora algumas coisas velhas. Algo chamou minha atenção pelo canto do olho enquanto me curvava, e sobre uma melhor inspeção fiquei chocado em ver, o que antes pensei que fosse uma boneca. Revestido com plástico com membros de metal, um rosto humano e frios olhos negros. Serei sincero em dizer que estava curioso naquele momento e incrivelmente impressionado com o trabalho feito naquela peça.

O interesse do meu filho foi quase tão intenso quanto o meu, e ficamos juntos por alguns dias abrindo ele, olhando seus circuitos e verificando se algo estava fora do lugar ou danificado. Mas para a nossa surpresa, o ser, ou androide, pareceu ganhar vida. Seus olhos emitiram uma luz fraca, seus braços se moveram, seus dedos se movimentaram, e alguns minutos depois ele já conseguia ficar de pé sozinho. Nem preciso dizer que estávamos com medo, e também fascinados. Quem poderia ter criado algo tão lindo e uma grande peça de arte, pensei comigo mesmo.

Em algumas semanas percebemos que ele não era um brinquedo, ou uma boneca. Ele mostrava incríveis sinais de inteligência e habilidade lógica. Ele aprendia coisas todos os dias, como levar o lixo para fora, brincar com os brinquedos do meu filho. Ele até tinha um favorito; um pequeno carro vermelho que ele gostava de dirigir pela cozinha. Ele aprendeu a imitar nossas maneiras; tentava comer com um garfo, mesmo não tendo um sistema digestivo, movendo a boca, mesmo não possuindo a capacidade de falar. Eu sabia que ele era algo mais. Talvez alguma peça militar, ou um projeto privado. Eu sabia que deveria procurar o verdadeiro dono, mas quando eu via o meu garoto brincando feliz com ele, eu não poderia fazer isso, ele sempre foi solitário, esse era um dos seus poucos amigos, que tipo de pai eu seria para negar o direito do filho de ser feliz?

Nós o nomeamos ‘ANTRAN’, que era o logotipo escrito em letras pequenas em suas costas. As semanas passaram rápido, e a vida em família parecia estar melhorando. Ele era um de nós. As notas do meu garoto melhoraram, seu comportamento melhorou, tudo estava ficando melhor. Até uma noite de Julho. Eu estava sentado em minha poltrona, assistindo TV. Meu filho e ANTRAN estavam ajoelhados no tapete brincando de luta, assim como todos os outros garotos nessa idade. Quando de repente minha atenção foi atraída por um alto arquejo. Olhei para baixo e vi meu filho segurando o braço.

“O que houve Adam?” perguntei.

Ele levantou a manga, e mostrou uma grande marca vermelha no braço.

“ANTRAN me beliscou”

A marca ainda estava vermelha, e logo ficaria roxa. Meus instintos paternos me dominaram e assim como um pai reclamando com uma criança levada, gritei com o androide. Seu rosto metálico por um momento pareceu demonstrar uma verdadeira tristeza, como se ele não conhecesse a própria força, como se estivesse se sentindo culpado, seus lábios se moveram. Se estava tentando dizer ‘me desculpa’ ou se estava apenas copiando o que eu acabei de falar, nunca saberemos. Mas tarde naquela noite eu o desculpei pelo grito, e lhe disse que estava tudo bem.

Algumas semanas depois, meu filho entrou no meu quarto. Já deveria ser muito cedo pela manhã... O meu sono foi interrompido pelo leve ranger da porta do meu quarto.

“Pai” ele sussurrou.

“Sim, filho?"

Ele continua olhando para mim.

“O que? Quem está olhando?” perguntei com os olhos semicerrados.

“ANTRAN, ele fica me olhando, do pé da cama.”

Sua voz tinha um toque de medo. Eu notei que algo não estava certo. Percebi que ele estava massageando o outro braço, e o chamei imediatamente. Puxando a manga da camisa para cima, meu coração deu um salto. Mais hematomas. Uns quatro ou cinco espalhados pelo braço.

“Tire a camisa Adam” pedi, tentando ficar calmo, eu sentia uma grande mistura de emoções crescendo dentro de mim, pânico, medo, raiva. Enquanto ele retirava a camisa o meu coração saltou ainda mais, meus olhos se encheram de lágrimas. Diante de mim, meu filho estava de pé, seu corpo cheio de hematomas de vários tamanhos, formas e cores entre vermelho e roxo. Levantei imediatamente e corri para o quarto dele.
Nada

Gritei por ANTRAN o mais alto que pude, olhando em baixo da cama, no armário, na janela, no banheiro. Nada. De repente ouvimos uma grande batida acima da gente, e então passos.

“Ele está sótão,” sussurrei, olhando para cima.

Enquanto passava pelo corredor, percebi que as paredes em ambos os lados estavam cheias de arranhões que seguiam por todo o caminho até a corda que pendia da porta do alçapão que dava para o sótão. Puxei a corda lentamente, pedindo para o meu filho assustado que ficasse onde estava... A escada desceu, e comecei a subir por ela. Peguei e liguei uma lamparina que ficava do lado da abertura. Ali no sótão encontrei apenas a pequena janela toda amassada, ele tinha escapado. Pensei imediatamente em chamar a policia, mas quem acreditaria em mim? Um ser metálico machucando o meu filho? Eles veriam os hematomas e me colocariam detido por suspeita de abusos. Eu não tinha escolhas, a não ser ficar quieto.

Meses se passaram. Sempre que saíamos de casa percebíamos mais sinais da presença de ANTRAN, suas marcas de arranhões pelas paredes do lado de fora da casa, plantas destruídas, marcas de lama que seguiam ate as janelas. Eu temia pelo meu filho. Levava ele para a escola, nunca o perdia de vista. O que fizemos para irritá-lo, e coloca-lo contra nós? Não o tratamos certo? Foi o meu grito? Eu gritava todas as noites, me desculpando para o céu estrelado, na esperança que ANTRAN pudesse ouvir, na esperança que ele parasse de nos perturbar, que parasse de espreitar a nossa casa. Mas não adiantou, se eu soubesse o que iria acontecer, eu não teria dormido aquela noite.

Meu sono foi mais uma vez interrompido, porém dessa vez por um grito de gelar o sangue. Arregalei os olhos e corri imediatamente para o quarto do meu filho. Era tarde demais, o quarto estava uma bagunça, vários objetos jogados no chão, os lençóis da cama rasgados e a janela destruída. Estourei em lágrimas, gritando com todas as forças pelo meu filho. Liguei para a policia, contando que meu filho foi sequestrado, perguntaram se eu tinha visto o sequestrador, menti e disse que não tinha visto, esperando que apenas as fotos do meu filho fossem o suficiente. Pelas próximas semanas chorei até cair no sono, soluçando feito uma criança. A vida não tinha mais sentido para mim. Desejava nunca ter encontrado aquela... COISA... Traí a confiança do meu filho como um pai, para protegê-lo e agora pago o preço.

Foi em uma madrugada de setembro, sentado em minha poltrona, bebendo. Quando ouvi a porta dos fundos sendo aberta.

“Adam?!” Chamei…

Nenhuma resposta.

Mas dessa vez, quando fui para a cozinha, encontrei no chão o carrinho vermelho favorito do ANTRAN.

23/10/2013

4:03

Eram 4:03 da manhã quando acordei gritando. Foi um pesadelo. E nesse pesadelo, eu assistia a todos que eu conhecia ou amava serem mortos por uma criatura. De baixa estatura, corpo gordo e longos braços que terminavam em garras que pareciam mais com espadas. Seus olhos eram fendas que soltavam um brilho vermelho no escuro, e seus dentes eram longos como chifres, e afiados como faca de açougueiro. Ele olhava para mim antes de mata-los, e gargalhava sempre que estripava um dos meus entes queridos. Como ele entrou? Ele enganou alguém para deixa-lo entrar em minha casa, ele não poderia entrar sem permissão, ele me contou depois que arrancou o coração da minha mãe. O pesadelo acabou com a criatura soltando seu sorriso maligno e andando lentamente para mim, arrastando as garras no chão. Eu gritei, e acordei.

Eu estava em meu quarto, em minha cama, em segurança. O relógio mostrava 4:03am. Ouvi uma batida na porta, e congelei imediatamente.

“Tommy, ouvi você gritando, você está bem?” Ouvi a minha mãe falar. Que alívio, minha mãe está aqui.

“Estou bem mãe, foi apenas um pesadelo” Respondi, transbordando de alívio.

“Certo querido, eu lhe trouxe um copo d’água, você quer?”

“Claro” eu disse, E quando já ia abrindo a boca para falar 'entre', lembrei que as férias em família já tinham acabado. Eu já tinha me despedido dos meus pais e retornado para meu apartamento em outra cidade.

Passei o resto da madrugada escondido no armário, esperando o amanhecer.


21/10/2013

Creeper da Semana: Natália Nis


Idade: 15 anos

Estado: Rio Grande do Sul (moro na mesma cidade que a Divina *u*)

Como Conheceu o Blog/Por que gosta de Creepypastas: Então, eu leio Creepypastas desde a época em que não eram tão "famosas" aqui no Brasil, então era bem difícil achar algum blog brasileiro bom. A maioria eram blogs abandonados, então eu acabava lendo elas em sites estrangeiros mesmo. Encontrei o CPBr enquanto procurava blogs brasileiros de Creepys, o blog tava bem no comecinho, se não me engano foi no meio de 2011. Foi muito legal acompanhar o crescimento do blog, a evolução dos posts... É um dos únicos blogs brasileiros sérios que conheço, que se esforçam pra postar bons textos. Enfim, é isso, gostaria só de parabenizar os moderadores, que estão fazendo um ótimo trabalho *u*

(Creeper de Semana - 21/10/2013 à 27/10/2013)

Quer se tornar o próximo Creeper da Semana? Clique aqui e saiba como!


Podcast com a galera do Zoação 40 - 2º PARTE!

Finalmente galera, foi lançada a segunda parte de nosso podcast com a galera do Zoação 40! \o/


Na conclusão do podcast, falamos sobre mais algumas das Creepypastas mais famosas, como Dead Bart, Suicide Squidward e Jeff, O Assassino, e também falamos sobre nosso desabafo em relação ao Ambuplay e ao Tirant Gamer, e também um esclarecimento importante para todas as pessoas que desejam usar nosso conteúdo em sites terceiros. Clique no link abaixo e confira (em breve, todo o podcast também estará disponível na playlist do blog):

http://zoacao40.com.br/z40-sem-limites-19b-creepypastas/

E pra quem não conhece o site, curtam a Fanpage do Zoação 40 também para ficarem ligados nas novidades, pois esse site é demais! Inclui diversos assuntos e curiosidades interessantíssimas, e a galera de lá é super gente boa (como vocês verão pelo podcast). Posso dizer que todos nós viramos fãs incondicionais do site e criamos um laço bem grande de amizade com cada um deles. Segue o link da fanpage:


Esperamos que gostem! Mais uma vez, muito obrigado a galera do Z40 pelo convite, e até a próxima \o/

Abração & Keep Creepying!


Demônio vermelho

Na ilha de Tunguska, uma ilha Russa usada como base de submarino, foram encontrados vários documentos contendo informações sobre experiências soviéticas. Os documentos estavam nos aposentos do Dr. Fritz. Dr. Fritz, pelo que sabemos, era um nazista que foi capturado pelos Spetsnaz Russos.

Aqui está o que ele escreveu:

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Tenho pouco tempo para explicar: Fui levado pelos soviéticos para a ilha de Tunguska depois do Dia-D em 1944. Me deram ordens para construir uma maquina que pudesse alterar o DNA de suas tropas. Eu lhes disse que fui parte de uma divisão nazista designada para encontrar o Vrill e de recriar a substância usando os compostos químicos que eles tinham na estação.

Para os nazistas, tudo que eu precisava fazer era preparar uma substância corrosiva, com força suficiente para destruir até mesmo a base deles – que ingênuos! Agora com os soviéticos as coisas eram diferentes, as substâncias que me deram não eram compostos corrosivos, tive que aceita-las... não deveria fazer muitas perguntas.

Combinei o Elemento 115 com Urânio e Plutônio comprimido com Bário e destilado com Vodka. A substância deixou a cobaia 823348925 incontrolável. Ele... arrancou o próprio baço, abriu o próprio tórax, e começou a arrancar e comer seus órgãos internos de uma maneira satânica... Talvez eu tenha usado muito Plutônio e não comprimi a substância com Bário o suficiente. Ou talvez a Vodka fosse desnecessária... De qualquer maneira, a cobaia ainda estava viva e correndo para o deck de observação. O general então ordenou seus homens a abrir fogo no animal.

Eu disse apenas uma coisa. “Preciso de mais Vodka”.

Então o general ordenou a tropa a apontarem as armas para mim enquanto eu explicava como os resultados com a cobaia seriam positivos se ela não estivesse sóbria devido ao sobreaquecimento das moléculas cerebrais.

A Vodka esfriaria o corpo prematuramente e se um uniforme de refrigeração fosse construído, os resultados seriam melhores, então o general providenciou a vinda de um cientista de Chernobyl para que me acompanhasse na construção do novo uniforme estabilizador. Não tive outra escolha senão concordar.

Assim que trouxeram o Dr. Yuri, nos foi dada uma grande quantidade de Nitrogênio, Hélio, Dióxido de Carbono, Nitroglicerina, Oxigênio, e uma câmara de refrigeração. Eu tinha que provocar a morte de Yuri para provar os perigos de terem me posto aqui, então lhe dei um charuto com uma pequena quantidade de Nitroglicerina que pus com uma seringa. Yuri estava com o charuto na mão enquanto estava fora da câmara e sobreviveu a explosão. Não dei muita importância, com certeza achariam que foi um daqueles charutos da CIA que fomos alertados no laboratório nazista.

Yuri e eu trabalhamos por mais de 28 horas no uniforme CPS (Cryogenic Preservative Suit) quando finalmente o terminamos. Entregamos o CPS para o general às 0500 horas. Requisitamos um teste imediatamente e o Sgt. Dimitri se voluntariou para ser a cobaia de teste. Iniciamos o teste ás 1300 horas. Dimitri recebeu uma injeção com o composto nos braços, panturrilhas, pescoço, virilha, e abdômen.

Ele foi liberado em um ambiente com temperatura de -100 ºC e estava 100% saudável. Ele recebeu o uniforme CPS, foi despressurizado, e no momento tudo estava perfeitamente bem. Então ele começou a se transformar.

Ele destruiu o uniforme e sua pele endureceu, seus músculos cresceram intensamente, e ele ganhou uma cor avermelhada por causa da grande quantidade de sague circulando pela pele. Um exoesqueleto começou a se formar em seu corpo e então ele começou a gritar de dor.

A transformação foi um completo sucesso, mas não o tínhamos contido, controlado, e nem tentamos lembra-lo de quem ele era. A cobaia estava com amnesia e ficou confusa. Ele pulou para o encanamento no teto e o destruí, alagando do 1º ao 5º andar da estação.

Com toda a confusão, corri para meu aposento, bloqueei a porta, e agora tudo que me sobrou foi a minha caneta, alguns papéis e minha STG-44. Acredito que esse seja os meus últimos momentos.

________________________________________

No documento havia manchas de sangue que confirmaram possuir o DNA do Dr. Fritz.

Nem a cobaia e nem amostras de substâncias químicas foram encontrados.

19/10/2013

Eu perdi meus óculos

Eu perdi meus óculos.
Pensei que tinha deixado-os na mesa, mas eu olhei e não havia nada além de um objeto pontiagudo. Minha visão é horrível; está tudo tão embaçado que eu não consigo distinguir formas.
Eu andei pela casa, tateando as paredes. Minha esposa provavelmente esteve pintando-as, posso ver manchas escuras e úmidas.
Pisei em algo úmido e esponjoso. Eu adoraria que as garotas não trouxessem os brinquedos da piscina para dentro de casa.
Passei pelo quarto delas e perguntei: "Vocês viram meus óculos?" Não há resposta, mas há uma protuberância por baixo de cada coberta. Devem estar dormindo, pensei.
Tentei olhar no banheiro, mas a lâmpada está queimada. Continuei tateando, e minhas mãos tocaram a bancada. Eu realmente odeio quando as crianças molham todo o lugar. Mas não parece água, é mais viscoso... Sabão?
Entrei no quarto e minha esposa estava sentada perto da janela. É claro que eu só pude ver seu vulto embaçado, afinal, minha visão está péssima. Estou ficando muito velho.
"Querida, você viu meus óculos?" Ela não respondeu. Cheguei mais perto e toquei seu ombro. Ela deslocou-se sutilmente.
"Querida?" Sua blusa estava úmida. Devia ter derramado algo nela. "Querida, você está bem?" Sem resposta.
Eu a cutuquei, e ela foi para longe de mim, mas então voltou e bateu com força em meu peito. Senti seu rosto. Sua boca estava aberta.
"Você está sem voz?" Seu rosto estava úmido. Toquei sua garganta e senti uma espécie de lenço grosso e áspero. Talvez ela tivesse comprado enquanto estive fora, mas... algo estava muito errado.
Encontrei suas mãos e vi que ela estava agarrando meus óculos. Deu trabalho para tirá-los de suas mãos, pois ela segurava com muita força, mas eu os peguei.
Eu coloquei-os...



E desejei nunca tê-los encontrado.

18/10/2013

Cachorro

Acordei pela manhã com o som dos trovões. Meu cachorro não gostava de trovões, então não fiquei surpreso ao ver uma forma tremendo sob a minha coberta. Mergulhei o braço por baixo da coberta para acaricia-lo. Senti a camada macia enquanto passava minha mão pelo seu pelo. Deixando-o embaixo da coberta, comecei a descer a escada para tomar o café.

Quando acabei de descer a escada, vi o meu cachorro! Ele veio correndo da sala para me receber... foi então que ouvi um rugido vindo do topo da escada.

17/10/2013

Melhor amigo

Você já teve uma grande amizade? Alguém que foi o seu primeiro e melhor amigo? Eu nunca poderia esquecer do meu. Eu não tinha certeza de quem ou o quê ele era, mas ele me pediu que o chamasse de “Scythe”. No lugar onde deveria estar a sua mão havia uma grande e negra garra. Veias vermelhas se espalhavam por metade do seu ‘braço-foice’ e desciam por seu outro braço murcho e decepado.

Eu era um garoto inocente, não tinha amigos de verdade, não era realmente uma criança da cidade. Eu estudava na cabana onde vivíamos. Todas as noites eu saia para a floresta levando meus restos do jantar para o Scythe, geralmente carne seca de cervo. Ele adorava carne de cervo. Às vezes ele mesmo matava alguns cervos, eu não me assustava muito, meu pai antes de ir morar na cidade também caçava e matava cervos. Porém, eu me sentia um pouco confuso ao pensar em como ele conseguia viver com uma boca daquele jeito, apenas um pedaço de pele grudava o seu lábio superior com o inferior, mas eu não dava muita importância.

Ele jurou que me protegeria. Quero dizer, quem não teria medo de um homem com uns 2 metros e uma espada no lugar da mão? O que mais me incomodava, porém, é que ele tinha três olhos, todos com tamanhos diferentes. Suas narinas eram apenas dois pontos no meio do rosto.

Nós costumávamos sentar juntos, comer, conversar, e brincar de esconde-esconde. Era legal conversar com ele, e ele era divertido para uma pessoa naquela condição. Eu não tinha certeza se ele era um homem, mas gostava de pensar que era. Às vezes ele ficava me observando pela janela do quarto, com a boca escancarada e o braço-foice descansando sobre o peito. Eu tinha muito medo de fazer perguntas sobre aquele braço, eu já tinha feito muitas outras perguntas, mas isso era diferente.

Porém, um dia… um dia… ele falou comigo, com o braço… o braço de foice apontando para o meu rosto.

“Já estou cheio de carne de cervo,” Ele chegou mais perto.

“Eu quero a sua carne.”

Eu entrei em pânico. Ele queria a MINHA carne. Ele ia me matar, e claro que enlouqueci. Ele me falou:

“Por que temos que acabar a nossa amizade desse jeito? Vamos fazer um jogo.” Ele disse apontando para uma árvore, “Vou contar e você se esconde, e quando eu chegar em 100 vou te procurar e quando encontra-lo, não se preocupe, vou te matar bem rápido, você não vai sentir nada!” Ele disse, “Não faz sentido ficar apenas sentado lhe observando, estou com fome... 1, 2, 3...”

Corri para a minha cabana o mais rápido que pude, fechei todas as janelas e disse para minha mãe que o meu amigo da floresta tentou me atacar. A minha mãe achando que algum louco tentou abusar de mim, arrumou imediatamente as nossas malas e fomos no dia seguinte para a casa do meu pai na cidade.

Agora, 10 anos depois, ainda tenho medo de sair sozinho. Ainda tenho pesadelos com aquele ocorrido. Ainda ouço o som que ele fazia quando amolava a foice em uma pedra. Posso senti-lo por perto.

Me pergunto como pude ser uma criança tão corajosa e tola ao mesmo tempo para fazer amizade com um tipo de monstro maníaco da floresta.

Recentemente os vizinhos estão apavorados, alguns cachorros da vizinhança começaram a aparecer decapitados e com uma mensagem escrita com sangue ao lado dizendo: “Vou encontra-lo...”

Ele sabe que o nosso jogo ainda não acabou.

 
Ele era mais ou menos assim


papai.txt

Jacob esmurrou a porta com força. Ele estava com tanta raiva do pai. Momentos antes Jacob havia entrado na cozinha da casa do pai, onde morava.

Tudo que ele queria era comer algo, assistir TV, e navegar pela internet em seu notebook.

O pai, no entanto, não aceitava nada disso. Seu filho com seus vinte e poucos anos, desempregado e ainda morando na casa do pai.

Ele ordenou que Jacob limpasse a sala, como era o seu dever diário, e perguntou em um tom rude se ele já havia arrumado um emprego – uma pergunta que a resposta ele já sabia que era ‘não’.

Jacob, cansado de ouvir sempre a mesma coisa do pai, saiu furioso da cozinha, deixando para trás a geladeira aberta e o notebook. Enquanto saída da cozinha ele gritou várias obscenidades para o pai, e disse que queria que o pai morresse então ele poderia se juntar com a sua mãe no inferno.

A mãe de Jacob morreu alguns anos atrás quando o carro que o pai estava dirigindo atingiu uma barreira de gelo e caiu em uma vala.

Jacob culpava o pai constantemente, falando o quanto o odiava por ter matado a sua mãe. Para começar, entre eles nunca ouve um laço entre pai e filho, e com a morte da mãe, o pequeno sentimento que existia foi destruído.

Jacob ainda estava irritado e cansado por ficar a noite toda jogando seus jogos online, então foi dormir. Quando acordou, encontrou a casa estranhamente silenciosa. Seu pai geralmente era muito barulhento; se o pai não estava roncando, estava assistindo TV.

Jacob saiu do quarto e chamou para ver se havia alguém na casa. Ele verificou todos os quartos até chegar à cozinha, onde encontrou o notebook fechado, mas ainda ligado.

Com raiva, pensando no seu pai mexendo em seu notebook, ele o agarrou, foi para o quarto e o abriu para checar se o pai fez alguma bagunça em seus arquivos.

Ali, na área de trabalho, havia um curioso bloco de notas nomeado como “papai.txt” o qual ele tinha certeza que não estava ali antes. Com a curiosidade levando a melhor sobre ele, ele o abriu. Em momentos o seu mundo despencou, seus olhos se encheram de lágrimas, e ele foi tomado por um grande sentimento de culpa.

O documento que continha frases como ‘Me desculpa’, ‘Eu te amo’ e ‘Adeus’ era uma nota de suicídio do seu pai.

Ele descrevia como a morte da sua mãe o havia abalado, e como as constantes acusações de Jacob quanto ao acidente eram demais para ele suportar.



15/10/2013

Bagunça

Acordei de súbito com o som de um tiro na rua. Eu ODEIO acordar antes das oito da manhã. Eu tenho TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), então qualquer coisa fora do habitual, em desordem, me deixa furiosa.

Irritada, vesti o roupão e fui para a porta da frente para ver o que estava acontecendo. Parei no caminho para consertar uma flor que estava torta no vaso. Ao abrir a porta, fui imediatamente tomada pelo clima apocalíptico. Dei um grito silencioso enquanto observava a minha rua; ela parecia uma zona de desastre. Uma casa estava em chamas, e pessoas corriam gritando. Latas de lixo viradas e barricadas improvisadas preenchiam as calçadas. Consegui me recuperar do espanto e corri de volta para dentro, trancando todas as quatro trancas. Chequei se todas as janelas estavam bem lacradas, tudo parecia certo.



Entrei na sala, peguei uma jarra de suco de laranja e despejei um pouco para mim em um copo antes de sentar no sofá. Liguei a televisão, e pude ouvir o ronco do gerador enquanto o consumo de energia subia. Pelo quarto dia consecutivo o sistema de transmissão de emergência ainda estava no ar. Suspirei e voltei à cozinha para preparar um pouco de torradas. Eu já estava cansada dessas transmissões de emergência. Esperava que volteassem logo com a programação normal e as noticias matinais.

“O governador declarou um estado de emergência. Essa transmissão é destinada para a sua área.” Uma pequena pausa. “Residentes de San Diego e do Condado de Imperial devem seguir para os postos da cruz vermelha, localizados no centro de San Diego e El Centro. Se não puder deixar a sua residência, tranque e barre as portas e janelas. Arme-se com qualquer arma disponível. Armas de fogo são mais efetivas, especialmente quando disparadas na cabeça do alvo. Lembre-se de manter-se hidratado se for infectado. O CCD ainda não obteve sucesso em pesquisas para a cura, mas foi observado que permanecer hidratado mantém o sistema imunológico funcionando corretamente. Se um familiar vier a óbito e retornar, não hesite em sacrifica-lo. Repetimos, NÃO HESITE. Lembrem-se, os postos da cruz vermelha estão localizados no centro de San Diego e El Centro. Os militares estabeleceram campos por todo o estado. Por favor, mantenham-se seguros.”

Eu já conhecia cada palavra da transmissão. Desliguei a TV para poupar o gerador. Uma batida forte veio da porta da frente. Pulei de susto. Arrumei algumas almofadas que havia derrubado enquanto me levantava e me dirigia para a porta. Outra batida. Olhando pela fechadura pude ver um homem terrivelmente desfigurado batendo com a cabeça em minha porta. Era um dos zumbis, com a pele cinzenta e olhos amarelos. Havia uma grande ferida aberta em seu pescoço; suas roupas sujas e manchadas de sangue acentuavam a sua repugnância.

De repente, um tiro soou pela rua, uma bala atravessou o crânio da criatura. Ele caiu imediatamente, espalhando pedaços de cérebro e sangue por toda a minha varanda. Quase desmaiei. Tanta bagunça. Ouvi um som muito alto do motor de uma moto. Percebi que já não estava mais segura em minha casa. Mas com esse transtorno, eu me sentia melhor em minha casa. A cidade infestada e suja não era legal. Eu sabia que era tolice, e logo me arrependeria por ter escolhido ficar em casa.

Eu podia ouvir os zumbis ficando inquietos lá fora, vários gemidos durante a noite. Algumas vezes ouvi os gritos dos vivos que tentavam fugir. Um dos gritos parecia da Senhora Avery que morava a duas casas de distância. Outro parecia do Sr. King da esquina. Prometi que tentaria escapar no dia seguinte, enquanto ainda tinha chance. Com as batidas dos zumbis contra a porta, cai em um sono inquieto.

Na manhã seguinte, depois de reunir tudo que caberia em meu carro e pegar o velho revólver do meu pai, sai da minha garagem pela última vez. O ar-condicionado do carro misturava o fedor de decomposição e vômito. O fedor era terrível. Analisei a rua, procurando por algum outro sobrevivente. Apenas zumbis. Eles corriam para o meu carro, batendo com os punhos sangrentos contra o meu lindo Lexus. Um dos zumbis deixou uma longa trilha de sangue na janela. Dei um grito e pisei no acelerador para dar o fora dali.

Minutos depois eu estava dirigindo pela via expressa. Veículos tombados por todos os lados, com batidas de algo querendo sair de dentro deles. Esperava que fossem apenas zumbis presos dentro daquelas carcaças. Passei por um hospital com uma grande faixa dizendo “Nenhuma ajuda aqui, tente outro.” Escrito com tinta preta. Estremeci ao pensar nos pacientes do hospital, presos em suas camas, enquanto os zumbis vinham mancando pelos corredores. Fiquei espantada que tudo tivesse caído tão rapidamente. Trancada em minha casa perfeita, eu não fazia ideia do que o resto da humanidade encarava pelo mundo.

De repente um zumbi se jogou na frente do meu carro. Percebendo isso, instintivamente desviei para evita-lo, o que provou ser um grande erro. Bati na divisão central e o carro capotou até parar de cabeça para baixo. Meus braços estavam torcidos em uma posição estranha e o vidro quebrado me cortou em várias partes. O pior de tudo é que eu não conseguia mover as minhas pernas. Eu não sabia o que fazer. Havia sangue por todo o lugar, espirrando como uma fonte. Aquele sangue vermelho escuro e nojento. Logo comecei a ficar histérica.

“SOCORRO!” Gritei. “MEU DEUS, ALGUEM ME AJUDA! POR FAVOR!”

Péssima ideia.

Os zumbis ouviram os meus gritos, e começaram a seguir para o meu carro. Onde eu não podia mexer minhas pernas. Onde eu estava indefesa.

Gritei mais. Em uma última tentativa de ser ouvida por algum salvador, mas ninguém vivo apareceu. Assim que os primeiros zumbis começaram a entrar pela janela, aceitei o meu destino.

Delirando com a perda de sangue, encontrei-me sorrindo, um sorriso infantil. Eu me sentia tonta quando disse as minhas últimas palavras:

“Não façam muita bagunça.”

207

Eu sou um bibliotecário, e um certo dia encontrei um livro no chão que não estava em nosso sistema. Levei-o para casa e resolvi ler. Era um livro assustador. A parte mais assustadora era a página 207, uma página holográfica onde um monstro pulava em sua direção.
No dia seguinte, eu mostrei o livro a um amigo. Ele veio no dia seguinte para me devolver e me disse que aquele livro era "extremamente doentio". Perguntei a ele sobre a página 207, e ele me disse que ali só haviam 206 páginas.
Fui para casa com o livro outra vez, e pouco antes de trancar as portas, eu dei outra olhada nele. Olhei a página 207, e elas estava ali, mas dessa vez era apenas uma página em branco sem nenhuma numeração. Confuso, eu olhei para trás, apenas para ver um monstro bem atrás de mim, a poucos segundos de me alcançar.
No dia seguinte, não havia como destrancar as portas, e as janelas estavam cobertas por páginas de outros livros... página 207, sempre. E se você quer saber o que me aconteceu... Eles nunca me encontraram. Bem, como eles poderiam se nunca checaram a página 208?

Creeper da Semana: Douglas Barufi


Idade: 19 anos

Estado: São Paulo

Como Conheceu o Blog/Por que gosta de Creepypastas: Eu sempre fui fã de histórias de terror, e quando descobri as Creepypastas, logo procurei saber mais e mais, até que encontrei o CPBr. Hoje já não passo mais um dia sequer sem acessar. É o melhor blog de Creepypastas do Brasil!

Contato pessoal:

(Creeper de Semana - 14/10/2013 à 20/10/2013)

Quer se tornar o próximo Creeper da Semana? Clique aqui e saiba como!


12/10/2013

Jovem outra vez

A velha e rancorosa mulher esteve encarando a banheira por uns 15 minutos até ter certeza que ele estava morto. Retirando o seu pé podre de cima da cabeça dele, ele boiou lentamente para a superfície da água calma e fria.

Agarrando-o pela cabeça com suas unhas em garras penetrando em sua pele branca e macia, ela o retirou da água com um único movimento antes de esmaga-lo com força no chão. A parte de trás de sua cabeça ficou mole e achatada como uma panqueca, enquanto os lados se partiram e fluidos cerebrais vazavam pelas rachaduras. Então ela começou a trabalhar:

Pegando uma tesoura enferrujada ela começou a cortar toda a pele ao redor da cabeça, tomando um cuidado especial para preservar as pálpebras. Então, com bastante esforço, ficando pior com a falta de alguns dedos em sua mão, ela arrancou a cabeça dele e a descartou jogando em uma pia.

Ela era grisalha, com cabelos caindo até os joelhos, terríveis olhos fundos e uma boca com poucos dentes. Feia. Horrorosa. Mas isso estava prestes a mudar.

Pegando uma grande agulha e uma grossa linha, ela começou a colar a pele em seu próprio rosto. Não parecia nada atraente. A pele estava presa em seu rosto pela linha apodrecida, que contornava o seu rosto entrando e saindo por baixo de sua pele. Ela ignorou a dor. E o sangue. Havia muito sangue. Parte do sangue nem era dela mesma.

Depois de quinze minutos agonizantes, ela se levantou com seus joelhos oscilantes, suas mãos ainda estavam trêmulas e a sua visão levemente borrada pela dor intensa. Mas nada disso importava agora.

Enquanto se olhava no espelho, ela não pôde deixar de sorrir, aquele maligno, sujo, e desdentado sorriso. Antes ela era nojenta, como uma bruxa, ou alguma outra criatura morta, mas agora ela estava linda. Foi um milagre a família do outro lado da rua ter confiado nela para tomar conta do bebê.

Não importava agora.

Ela finalmente tinha um rosto infantil.

11/10/2013

"Anfitrião" ou "Não olhe para trás"

O que você vai precisar:

Um quarto pequeno e vazio, algo como um closet, despensa, banheiro, etc. Não pode ter janelas. O local deve ser grande o suficiente para caber uma pessoa de pé, sem tocar as paredes ou a porta. Se o único que estiver a sua disposição tiver uma janela, cubra-a para que nenhuma luz entre no quarto. 
Três fósforos. 
Algo para contar o tempo.
Um lápis ou caneta e papel.

Como jogar:
É melhor ser jogado sozinho.
É melhor jogar a noite.

Primeira etapa:
Desligue todas os fontes de som. Isso inclui celulares, telefones fixos, TVs, etc. 
Ligue a luz no quarto que você vai usar. Se é um quarto sem iluminação, use uma vela ou lanterna. 
Comece do ponto mais distante da casa para o quarto. Vá de peça em peça falando "Estarei pronto(a) logo!".
Quando chegar ao local, pegue o papel e escreva "Você está convidado! Uma reunião, do(a) anfitriã(o) (seu nome). Começa às (hora que começou) até (uma hora depois que começou). Traga seus amigos!" Coloque no chão e grite dentro do quarto, "Estou pronto(a)! Pode entrar!"

Segunda Etapa:
Desligue a luz e vire-se, que fique então de costas para porta. Pegue os três fósforos e os segure. 
Espere alguns instantes em silêncio, então comece a contar em voz alta. Quando chegar até dez, rique o primeiro fósforo.

1. Se o fósforo não acender de primeira, solte-o e risque o segundo. Faça com o terceiro também, se o segundo não acender. Se o terceiro também não acender, você tem penetras - convidados indesejados. Não olhe para trás ou pare para fechar  porta. Corra para o local mais perto com fonte de luz e a ligue. Fim de festa.

2. Se o fósforo acender, segure-o até queimar o máximo que conseguir segurar. Cumprimente seus convidados. Sugestão: Diga em voz alta "Estou muito contente em vê-los! Obrigado por terem vindo!" Risque o segundo fósforo. Se não acender de primeira, siga o passo 1.

3. Repita o passo 2 para o segundo fósforo e cumprimente mais seus convidados.

4. Risque o terceiro fósforo. Se não acender, siga o passo 1. Se acender, diga "Agora todos estão aqui!"

 E conte até dez de novo. Se tudo for feito corretamente, você conseguirá ouvir ou sentir algo. Normalmente é alguém dizendo "Obrigada" ou "Muito obrigada" em um sussurro. Pode ou não vir de trás de você. Ótima festa! Seus convidados ficaram felizes de comparecer. Depois de tudo, é seguro ligar as luzes. 

Se em algum ponto você se virar ou olhar para trás antes de ligar a luz, siga o passo 1. 


A equipe Creepypasta Brasil não aconselha a fazer quaisquer coisas relatadas no blog, e NÃO se responsabilizará por o que venha acontecer se você tentar.




10/10/2013

7 minutos

Se alguma vez você passou por uma experiência de quase morte, provavelmente você viu sua vida passar pelos seus olhos em um único instante. Perguntei a algumas pessoas que passaram por isso, e disseram que era como se toda sua vida passasse em um único segundo. Não é lá muito improvável. Seu cérebro gosta de evitar o estresse de enfrentar o fato de que está morrendo. Então, se seu cérebro pensasse que você vai morrer, usaria o recurso mais fácil para escapar: memória. Então quando você está bem perto da morte, seu cérebro apaga cada memória que você tem.

O cérebro também permanecerá vivo por 7 minutos após sua morte, uma vez que ele continua intacto. Então, se você tem 7 minutos e você vê toda sua vida em um mísero segundo, isso é o mesmo que 60 vidas por minuto. 420 em 7 minutos. É muito tempo, e são muitas experiências com a morte.



Quanto tempo você ainda tem?

Amarga realidade

Quando eu era criança eu tinha uma imaginação muito fértil. Criava cenários em minha mente, pensava em personagens e preparava toda uma história para por a minha irmãzinha para dormir... Eu acreditava que tinha talento para isso. Meus pais sorriam quando comecei a usar meus talentos artísticos na escola. Pinturas, histórias, músicas... e minha mãe me abraçava e sussurrava em meu ouvido;

“Terry, você tem um presente incrível.” E esse presente ficou comigo por toda a minha vida.

No ensino fundamental eu não tinha muitos amigos, então comecei a cria-los. Em minha mente. Eu tinha um novo amigo todos os dias. Então comecei a desenha-los em um dos meus livros. As crianças riam de mim mais eu não ligava. Eu tinha a minha mente, e ela era a minha amiga. Eu sentava sozinho e conversava com meus personagens. Eles também tinham personalidades diferentes. Os professores riam sempre que eu passava por eles.

“Como vai a sua imaginação?”

“Bem,” Eu respondia, “Frank brincou comigo hoje.”

“Que legal querido. Agora vamos para a aula.”

Isso é tudo que me lembro daquela época, além das minhas aventuras imaginárias. Mas no ensino médio, conheci uma garota. Eu nunca tinha feito um... amigo de verdade antes, então eu estava realmente tímido. Eu me aproximei dela e comecei a conversar.

“Olá, sou o Terry.” Sorri para ela, ignorando meus amigos imaginários dando risinhos atrás de mim. Eu nunca havia me expressado tanto fora da minha imaginação.

“Oi, meu nome é Janet,” Ela falou em um tom doce. “Quer ser meu amigo?”

Desse momento em diante passei grande parte dos meus dias com a Janet. Meus amigos imaginários logo começaram a partir, desapareceram e sumiram da minha memoria. Mas eu tinha uma amiga. Não uma amiga de mentira, era uma amiga de verdade. Uma amiga com quem poderia conversar com quem poderia brincar.

Saímos em encontros por alguns anos depois que nos formamos. Tínhamos o mesmo emprego, passamos e viver juntos, tínhamos todo o tempo que precisávamos para ficarmos juntos. Então, quando completei vinte e cinco anos, fiz a proposta para ela. E ela disse sim!

Planejamos nosso casamento nos próximos seis meses, e alguns dias antes do casamento Janet conversou comigo:

“Depois que nos casarmos, podemos ir para algum lugar?” Ela perguntou.

“Sim,” Eu respondi feliz. “Eu sempre quis ir para a França. Você quer ir para lá?”

“Então vamos para a França!” Ela respondeu feliz. Me abraçando apertado. Então as paredes do quarto de onde estávamos começaram a ficar brancas. Um branco profundo. Como nenhum outro branco que eu já tinha visto. Os móveis começaram a dissolver, as luzes desapareceram e eu agarrei Janet e corri para a porta. Pus a mão na maçaneta e... me virei e olhei para trás. O quarto estava vazio, apenas eu e Janet estávamos ali dentro. As paredes estavam preenchidas por travesseiros e havia uma cama em um canto. Olhei para Janet, ela olhou para mim. Então ela começou a desaparecer, lentamente no inicio e depois ficou mais rápido, e rápido. Tentei segura-la mais os meus braços estavam presos por dentro de uma grande camisa. Eu tentei, tentei e tentei, mas não consegui me soltar. Eu a vi desaparecer. Meu amor, minha vida, minha única amiga. Se foi. Me deixando nesse quarto vazio, nessa prisão. Nesse... nesse hospício.

09/10/2013

Cervine Birth & Foxtrot

Em 2009, um artista de vídeo amador que estudava no Reino Unido, enviou um vídeo para o Youtube de uma obra que recentemente tinha finalizado. Depois de muitas queixas e reclamações, o vídeo foi retirado do ar. A peça começava com a filmagem prolongada de um campo enevoado, que alguns acreditam ser localizado na Irlanda. O único som aparente durante essa parte é um leve assobio, que soa como uma conversa abafada, inteligível. A câmera começa a dar zoom em uma forma branca no campo. Depois de vários tediosos minutos, a forma se revela ser um cervo albino. De repente, um close rápido mostra seus olhos, mostrando sinais de infecção e possível começo de cegueira.

Suposta imagem de Nascimento Cervino (Cervine Birth, em inglês)

A seguinte é uma cena do cervo olhando para um espelho de maquiagem por cerca de um minuto. Depois disso, a cena fica um tanto bizarra, com o cervo no reflexo se movendo diferentemente do "real". Dando zoom, a câmera foca no cervo do espelho, que começa a se mover de uma forma não natural e grotesca, como se estivesse sendo moldado como um pedaço de argila. Enquanto essas contorções amedrontadoras continuam, a câmera vai dando zoom out, mostrando o cervo "real" deitado no chão. Pessoas descrevem que ele parecia "estranhamente em paz".

A filmagem continua por duros dois minutos, o reflexo ainda se retorcendo e gesticulando, mas o próprio espelho parece escurecer. O cervo deitado no chão começa a expelir um líquido preto por debaixo de sua cauda, o que sugere que um "nascimento" está prestes a ocorrer. A substância que parece com graxa continua a borbulhar e escorrer para fora do cervo e pelo chão. É neste ponto que a maioria das pessoas paravam de assistir.

Os relatos variam no que acontece a seguir, mas muitos descrevem uma cena onde um ser humanoide, natimorto, nasce do cervo coberto no líquido negro, tornando difícil de descrever como se parece exatamente. Alguns dizem ser um boneco de "hibrido entre humano e animal" feito pelo artista para o filme. Um close embaçado é feito no rosto do hibrido por alguns segundos antes de cortar para o espelho, agora quebrado, dentro do mesmo campo do inicio. Uma cena em preto e branco de uma plateia aplaudindo em câmera lenta aparece, depois o vídeo termina com cinco minutos de uma tela preta acompanhado de murmúrios inteligíveis, com o som diminuído lentamente. 

Muitos dizem que o vídeo não consegue mais ser encontrado online, enquanto outros dizem que o áudio é, as vezes, circulado em programas de compartilhamento como o BitTorrent. Alguns até afirmam ter conseguido o próprio vídeo por esses meios. Ocasionalmente, circulam screenshots por fóruns de imagens, mas o vídeo em si foi raramente visto desde sua estreia inicial.  
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Um ano depois, o artista postou outro vídeo no Youtube. Desta vez, era apenas cinco minutos de uma tela preta e silêncio, junto com um link para um site de transmissão de vídeo na descrição. Espectadores dizem ter visto um par de pés pálidos girando lentamente acima de uma cadeira tombada.

O criador do vídeo "Nascimento Cervino" é mais conhecido por essa peça final chocante, mas muitos não estão conscientes de suas obras anteriores que são semelhantes em termos de conteúdo e estilo. Filmado em preto e branco, a obra muitas vezes referida como "Foxtrot" (N.T: "O trote da raposa", em tradução literal) foi criada no começo de 2005. O vídeo começa com a filmagem de uma floresta iluminada pela luz da lua, com um fade demorado até a primeira cena. Uma raposa magra, parecendo desnutrida, cambaleia pela floresta; gemendo e chorando em um ganido assombroso, com o que parece ser uma corda amarrada em seu pescoço.

A câmera segue filmando até a outra ponta da corda, onde o filhote da raposa está amarrado e sendo arrastado. Não fica claro se o filhote está morto ou não. O vídeo é cortado para a filmagem da lua crescente, que lentamente vai se tornando um borrão disforme. O áudio do vídeo consiste basicamente entre o choro da raposa e uma trilha musical de lamentos que é descrita como anormal e enervante.

Corta para uma clareira na floresta. A raposa é vista andando a passos lentos até o centro, ainda arrastando o menor logo atrás. A música diminui gradualmente até o silêncio, enquanto a raposa está se enrolando no chão, preparando-se para morrer. Alguns instantes depois, com nada a não ser seu último suspiro para quebrar o silêncio, acontece um close em rosto; os olhos ainda brilhando com a luz da lua.

Um par de pequenas mãos pálidas e de aparência infantil, começam a fazer carinho na face do animal. Mais mãos pequenas começam aparecer na cena, enquanto a câmera lentamente dá zoom out para mostrar a maior parte do corpo da raposa coberto de caricias por mãos e braços.

A cena pisca algumas vezes antes de cortar para o interior de uma casa escura. A câmera lentamente faz seu caminho até a sala de jantar onde os cadáveres de uma família são mostrados em decomposição em seus assentos. Em cima da mesa está a mesma raposa, mas desta vez viva e saudável, cuidando de seus filhotes.

Segue com closes nos corpos, revelando que possuem feridas, indicando um possível suicídio em conjunto. Na cena final, uma mariposa é vista tremulando suas asas em volta de uma lâmpada pendurada em um quarto escuro, então uma mão que só pode ser descrita como animal, aparece e desliga a luz.