27/04/14

A melancolia de Herbert Solomon (PARTE FINAL)

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McKenzie se espremeu entre a multidão para ir para a frente, pedindo por silêncio e calma enquanto se aproximava da figura corcunda e derrotada de Herbert Solomon; ele e alguns de seus escolhidos iriam libertar a cidade de Ettrick de uma vez por todas dessa abominação.

Com um frasco de água benta na mão, acompanhado de vários homens enormes com suas espadas em punho, McKenzie se aproximou lentamente recitando versos da bíblia. Através de seus olhos negros, Herbert Solomon observou as pessoas da cidade, com os rostos esculpidos de ódio e vingança, movendo-se em direção a ele e, então ele simplesmente se virou e entrou em uma casa que estava com a porta aberta.

O povo arfou em conjunto e McKenzie e seus seguidores correram atrás dele. A casa em que eles entram estava silenciosa, e deitada no chão de madeira do corredor principal estava o corpo pálido de uma menina. O estalar das tábuas de madeira soaram enquanto vários homens procuravam entre os cômodos, desapontados por não encontrar nada.

Então um milagre aconteceu, a menininha arfou por ar - estava viva. Ela quase não tinha forças, tudo que ela conseguia sussurrar eram duas palavras: em baixo.

No porão da casa, McKenzie deu de cara com uma cena sombria e horrenda. O chão estava coberto de sangue e o corpo de um homem morto estava deitado de barriga para baixo. Acorrentadas nas paredes daquele lugar horroroso estavam as crianças que tinham sido sequestradas.

Elas estavam parcialmente drogadas, desnutridas e traumatizadas, mas estavam vivas.

A cidade se alegrou com a notícia, as famílias foram reunidas de novo e as vidas voltavam ao normal. A névoa que acompanhara o inverno rigoroso ia lentamente indo embora e tudo parecia bem. Quando recuperam suas forças, as crianças começaram a contar o que havia acontecido.

Cada um deles tinha sido sequestrado por um homem chamado Tom Sutherland. Ele era pai da primeira menina que havia desaparecido e parece que tinha sido ele mesmo que a matara. Ninguém sabia ao certo, mas muitos já conheciam o mau humor  dele e que mais de uma vez  havia batido na pobre Alana.

Consumido pela culpa e pela dor, Sutherland começou a sequestrar as outras crianças e trancá-las no seu porão. Geralmente drogando-as com uma planta local e espancando-as enquanto pateticamente chorava por autopiedade.  

No dia em que as crianças foram encontradas, Sutherland tinha entrado bêbado no porão, carregando uma faca e uma corda. Começou a atacar as crianças de novo, e disse que uma delas morreria naquele dia. Ele desacorrentou uma menina da parede e colocou de joelhos no chão. A faca pairou no pescoço dela, mas quando estava prestes a matá-la, alguém entrou na casa.

Sutherland ficou muito irritado, mas seja lá quem estava de pé no topo da escada deixou-o com tanto medo que ele andou de ré de volta para o porão. Se abaixando para passar pela porta estava a figura assustadoramente alta de Herbert Solomon.

Vendo Solomon e estando livre, a menininha se rastejou rapidamente escada acima pelo meio das longas pernas dele. Ela estava liberta, mas muito fraca para correr. Desmaiou antes que pudesse sair da casa.

Detalhes do que aconteceu com Tom Sutherland estavam turvas pela condição instável, semiconscientes das testemunhas. Mas estava claro que seu pescoço estava quebrado; sua cabeça torcida com tanta intensidade que estava girada na direção oposta ao natural.

Depois de tudo, houveram vários relatos de avistamentos de Herbert Solomon, e alguma das crianças disseram ter encontrado vários brinquedos artesanais perto da floresta,  mas isso não pode ser provado.

Na verdade, eu diria que a história toda não podia ser provada real, se não fosse pelos eventos que eu presenciei alguns meses depois de ler este livro antigo, nas profundezas da Universidade de St. Andrews.

Um colega e grande amigo meu me convidou para ficar alguns dias na casa de campo de sua família. Eu sabia que a casa ficava na fronteira e a menos de meia hora de Ettrick, e eu não podia perder a chance de ir dar uma olhada de perto no lugar. Eu tinha conseguido persuadir os responsáveis, que me permitiram levar o livro comigo para mostrar para meu amigo. Ele tinha um particular interesse e sabia um tanto da história da área. Pensei que talvez ele podia dar uma luz nesse curioso conto.

A família dele era muito querida para mim,  o sol de verão batendo na casa e seus arredores, com as crianças brincando nos campos e passando o tempo sem precisar se preocupar. Depois de ler o livro ele disse que ficou fascinado,  e contou que conhecia um poema local escrito no século 17 sobre um homem chamado Solomon que matava crianças, mas ele não disse mais nada.

No dia seguinte nós ouvimos gritos vindo de perto da casa; era a filhinha do meu amigo. Corremos para fora.  Seguindo os gritos de socorro, passando por uma cerca alta e uma colina com mato alto e chegamos a um rio furioso e sinuoso. A menina tinha caído lá dentro e estava se segurando em uma raiz de árvore que saía do aterro do outro lado do rio. A raiz estava molhada e meu amigo deu um grito de agonia quando a menina soltou, sendo arrastada pela correnteza na direção de uma grande formação de pedras pontiagudas que se projetavam para fora da água. O rio estava tão violento, jogando ela para lá e para cá, que era difícil achar que ela sobreviveria.

Preenchidos por um horror indescritível, achando que ela se afogaria, chegamos até a beira do rio. Enquanto andávamos até a água turva assistimos, impotentes, a pobre criança que estava prestes a colidir nas pedras.
Estávamos muito longe!

De repente, nossa atenção foi roubada pelo trejeitos de uma figura alta e magra no outro lado do rio, apressando-se para fora da floresta numa velocidade incrível. Com um movimento rápido, uma das mãos magra e ossudas entrou violentamente na água, retirando de lá a garota a salvo.

Ela estava viva. Assustada, chorando, mas viva e sã e salva.

A figura de rosto pálido a colocou gentilmente no chão, nos olhando com seus olhos negros do outro lado do rio, e depois correu de volta para a floresta. Desparecendo e se tornando nada mais que uma memória.

Mesmo morto, Herbert Solomon tinha uma das almas mais belas e gentis do mundo.  

FIM


37 comentários:

  1. No final descobrimos que nem todos os slenders genéricos são do mal!

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    1. Eu tbm pensava q era o slender ate falarem q ele tinha olhos

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  2. Omg, que história perfa *-*
    Chorei :'(

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  3. OMG, ai meu coração. Michael Jacson era do bem. eu sabia :'c

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  4. No começo eu achava que ele era inocente,e me arrependo de ter achado que ele realmente era o culpado na parte II ;-;
    Herbert Solomon é um cara legal ;-;

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  5. Herbert Solomon é o Hulk da floresta.

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. Nunca julgar um ser por seus aspectos, essa creepy ensina bem isso.

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  8. Esse final foi muito owwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwttt *----*

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  9. Mais um exemplo de como o ser humano é preconceituoso.
    Pobre urso polar.

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  10. EU SABIA! Pobre Herbert, vem k me dá um abraço *_*

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  11. Meio clichê '-' tava óbvio q Herbert era inocente.

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  12. Eu pensado que o herbert era do lado negro, eu me sinto tão sujo de pensar que o cara era do mal, mais ele era uma pessoa que em vez de te beleza tinha bondade, Herbert vc tem que ganha o premio nobel da paz.

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  13. Moral da história nunca julgue um livro pela capa

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  14. Gostei que essa história não apresenta nenhum ser mais forte, como o Slender e Jeff the Killer. Ele não fazia mal a ninguém, mas mesmo assim era terrorífico.

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  15. Então os slender's da floresta não são do mal, ne? Solomon, best friend


    -dias depois, na floresta-
    -Eae, é o solomon lá browwwww
    -não sou o solomon
    -que isso browww, me da uns brinquedos ai.. browww
    -sou o slender.
    -E eu a francis, brow.

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  16. Emocionei, sinceramente, emocionei. Nem sei o que dizer, mais esse nome não vai ser esquecido por mim!

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  17. Ooooooooooooooooooooooooooowwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwwtt. Foi de tocar o coração huehueu

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  18. Owwwwwt, muito kawaii esse final, mds *--------*

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  19. Até imagino o Solomon correndo :v deve ser tipo um moonwalk pra frente :v

    Adeus , Solomon

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  20. Wow. Eu havia mesmo pensado que o real sequestrador das crianças em questao era mesmo o pai da primeira criança. :D coisa de escritor, pressente o fim.

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  21. Divina mais uma vez trazendo uma série incrível :3

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  22. Muito ooowt essa série , diferente de na colina e hora de dormirno final um genérico de slender é do lado branco da força

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  23. O fim dessa história me arrepiou, mano... Esses gringos malditos que manjam de escrever histórias fodas

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  24. Muito boa, apesar de ter lido agr :3
    Gostei muito!!! \o/

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