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Diário de Jane Trite

Achado: Um (1) diário, condição ruim.

Achado em: 20 de Dezembro de 2009.

O diário está muito danificado; a capa vermelha exterior está desgasta pelo sol e vendo. Partículas de areia foram extraídas das páginas.

As páginas do diário foram reescritas neste arquivo para seu registro oficial.


Quinta-feira, 8 de Julho de 1999
Brad acabou de me comprar um diário novo! Ah, como eu o amo!
Vamos ver, o que eu deveria escrever aqui? Meu nome é Jane Trite, tenho 23 anos e vai fazer dois anos que estou namorando Brad Robertson, neste sábado. Ele disse que tem algo grande planejado! Mal posso esperar!

Sexta-feira, 9 de Julho de 1999
Fui as comprar para o nosso aniversário de namoro. Comprar presente para Brad é tão difícil! Na maioria das vezes é fácil comprar presente para homens, porque gostam de futebol, cerveja e essas coisas. Mas Brad não. Ele é um tanto... afeminado.
Não gay, é claro, mas é um cara que sempre se abre sobre seus sentimentos. É por isso que eu amo ele.
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Ai meus Deus! Ele acabou de me contar que vai me levar para a Opera amanhã! Ainda não me contou qual peça musical iremos ver, mas isso não importa. Opera, porra!
Eu juro por Deus que ele não é gay.

Sábado, 10 de Julho de 1999
Nós nos perdemos enquanto voltávamos da Opera, e acidentalmente fomos em direção a uma estrada de chão batido cercado por uma floresta, cheia de neblina. Por sorte nós estavamos com o tanque cheio, certo?
Errado. Nosso carro empacou em certo ponto. Brad tentou tudo que podia, mas para ser honesta, mecânica não é muito a praia dele.
 Por sorte eu tinha carregado o meu celular naquela noite, certo?
Errado de novo. Área sem sinal.
Mas está tudo bem. Não vai ser a primeira vez que tenho que dormir em um carro. Nós dois estamos muito cansados, então acho que vamos para a "cama".
A propósito, a peça do O Rei Leão foi demais!

Domingo, 11 de Julho de 1999
Acordei hoje de manhã e fiquei chocada por ver nada mais do que deserto cercando o carro. Sem floresta, sem estrada, sem nada. Deus, até a estrada tinha desaparecido. Não tem nada além de areia, areia e mais areia. A areia já cobria metade dos pneus e obscurecia tudo que minha visão podia alcançar a uns 100 metros.
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Brad saiu e tentou desatolar o carro, mas sem sorte. Não tinha nada que ele pudesse fazer. A areia o atingia violentamente, então rapidamente voltou para o carro. Ele disse que até a estrada qual tínhamos usado tinha sumido. Comecei a ficar muito preocupada, mas Brad disse que tudo ficaria bem. Eu acho que acredito nele.

Segunda-feira, 12 de Julho 1999
Estou começando a ficar com muita sede. Por sorte, Brad tinha algumas garrafas d'água e alguns pacotes de salgadinho no banco de trás. Mordiscamos enquanto discutíamos sobre o que iríamos fazer.
Eu queria sair para procurar alguém, mas Brad disse que já estávamos perdidos, então logo alguém daria por nossa falta e mandaria a policia procurar por nosso carro. Acho  que ele está certo, então vamos ficar aqui mais uma noite.
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O vento parou agora, mas a areia já subiu uns quinze centímetros na porta. Juro que vi alguma coisa na distancia, mas Brad disse que devia ser só uma miragem, efeito da luz ou algo assim. Ele diz que se sairmos daqui, na melhor das circunstancias, podemos nunca mais encontrar o carro. Ele disse que se perder no deserto é extremamente fácil e que o resgate provavelmente já está próximo. Mas ele não parece tão certo disso.

Terça-feira, 13 de Julho de 1999
Depois de muito conversar, decidimos sair do carro. A areia tinha tapado tanto o nosso carro que tivemos quebrar uma janela para sair. Temos pouquíssima água e nossa comida acabou, então fomos enfrentar o deserto e... é um deserto bem esquisito.
Primeiramente, é frio. Não um frio horroroso, mas o suficiente para deixar a pele arrepiada e se alojar na sua carne. Mesmo com o sol em predominância no céu, havia pouco calor para desfrutar.
Também tem um cheiro muito estranho no ar. Não é forte, mas como o frio, começa a tomar conta de você. Parece cheiro de fogos de artifício, mas também poderia ser carne apodrecida. Não tenho certeza. Nunca estive no deserto antes, então talvez seja só o cheiro normal daqui.
Andamos o dia todo em direção a coisa que eu tinha visto no horizonte. Tirei meu sapato de salto alto em algum momento depois de duas horas de caminhada, o que foi uma péssima ideia. A areia é fria como metal, e meus dedos começaram a ficar entorpecidos. Brad me deus os sapatos dele quando eu disse que estava sentindo muito frio. De qualquer forma eu mereço os sapatos, pois foi ele que fez a gente se perder.
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Depois de várias horas andando, não parecíamos nem um pouco perto da estrutura; parecíamos estar tão longe quando começamos a caminhar. Me sinto cansada, com fome e começando a ficar com medo de morrer nesse quinto dos infernos.

Quarta-feira, 16 de Julho de 1999
Tem alguma coisa no deserto com a gente. Eu o vejo se movimentando pelo canto do meu olho, se escondendo nas tempestades de areia; uma silhueta negra que não tem uma forma definida. Acho que está nos seguindo. Falei isso para Brad, mas ele disse que é uma alucinação causada pela fome. Ainda assim, ele pareceu bastante preocupado, e ficou olhando por cima do ombro várias vezes.
A estrutura no horizonte que estávamos indo em direção ontem simplesmente sumiu. Tipo, não tem mais nada lá. Nada de nada!!! Nada além de AREIA! Areia, e areia, e frio, e aquele cheiro de podre. Decidimos então segui o nascer do sol, ir sempre para o leste.
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O cheiro, o frio e a preocupação tomaram conta de cada centímetro do meu corpo, e me sinto enjoada. Brad tentou me confortar, mas depois que uma lufada de vento com areia entrou na minha boca eu não consegui aguentar e vomitei. Agora sinto muito mais fome e estou com uma sede sem igual. Minha garganta, meus olhos e minhas narinas estão queimando, mas ainda sim estou tremendo e entorpecida de frio.
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Achamos as ruínas de um prédio hoje. Ah, mas antes que pareça que estamos a salvo do frio e do vento com areia, não é bem assim. A ruína é feita de um cimento velho, não tem telhado e está todo destruído.Tentamos descansar nos escondendo do vento no outro lado da construção, mas o vento continuava mudando de direção, criando vórtices que iam violentamente em direção ao nossos rostos.
Decidimos dormir à alguns metros de distancia da construção. Me sinto confortável de olhar apara alguma coisa que não é areia, mesmo que não me de abrigo.

Quinta-feira, 17 de Julho de 1999
Ainda está escuro, mas o sol está nascendo. Eu me sinto cansada e, acima de tudo, com frio. Estou com uma tosse horrível e mesmo com Brad tentando me manter aquecida, sinto como se meus ossos tivessem se tornado de gelo e minha pele está irritadiça e fraca.
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Estou com muito medo. Quando acordamos, a construção tinha sumido, só sobrou um monte de areia.
Mas o que mais me assusta é que Brad mudou muito. Ele sempre foi um cara muito doce, mas agora é diferente. Quando falei sobre a coisa que estava nos seguindo, ele surtou e começou a gritar comigo. Me mandou calar a boca, falou que me odiava e que a culpa era minha de nós termos saído do carro. E então ele me bateu! Ainda sinto vontade de chorar...
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Algumas horas antes da noite cair encontramos outras construções parecidas com a de ontem, mas estas tem alturas e larguras variadas. Mesmo assim, não dá para usar de abrigo.
Bebemos nosso último gole de água ontem. De algum jeito, conseguimos nos manter com três garrafas de água por vários dias, mas agora acabou.
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Eu não ligo mais. Espero que eu não acorde amanhã. Espero que a coisa que eu ouço se mexendo pela areia perto da gente me pegue e me mate. Espero que o frio me mate. Eu só não quero mais lidar com isso.

[Traços de sangue foram encontrados nesta página]

Sexta-feira, 18 de Julho de 1999
Minha tosse está pior. Procuro conforto em Brad, mas não recebo nada. A cidade de ruínas tinha sumido quando acordamos. Continuamos a andar, mas está ficando difícil. Estou faminta, com frio e doente. Tremo incontrolavelmente, mas Brad continua sendo rude e frio comigo.
Decidimos descansar mais cedo hoje. Não estamos chegando a lugar nenhum, de qualquer forma, e toda vez que acordamos tudo que estava na nossa volta some. Decidimos guardar o pouco de forças que ainda nos resta para apenas tentar sobreviver.

Sábado, 19 de Julho de 1999
[Traços de sangue foram encontrados nesta página]
Estou tossindo sangue. Resíduos de areia e frio se incrustaram em meus pulmões,  e agora estou tossindo sangue. Tenho gosto de ferro na boca, e o cheiro esta me fazendo ter ânsia de vomito o tempo todo. Não tenho mais nada no estomago para vomitar, mas a tosse me faz convulsionar constantemente.
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Não andamos para lugar nenhum hoje. Meus pés estão entorpecidos de mais para andar, de qualquer forma. Nada mais faz sentido.

 [Respingos menores de sangue foram encontrados aqui. A caligrafia fica cada vez mais ilegível a partir deste ponto]

Domingo, 20 de Julho de 1999
Eu os ouvi. Sussurrando. As vezes até os vejo por aí, nos analisando, perguntando quanto tempo ainda vamos ficar vivos. Vimos alguns prédios em ruínas na distancia. Não temos motivos para ir até lá.
A sensação de frio e fome se misturaram em um só. Mal consigo escrever isso por causa da tremedeira da minha mão. Meus pés passaram de um branco fantasma para um verde pálido. Eu sei que eles estão mortos, e eu espero ser a próxima.

Segunda-feira, 21 de Julho de 1999
Brad não tem mais calor corporal e não está mais acordando. Se eu tivesse forças, talvez eu pudesse fazer alguma coisa. Mas qual o sentido? Se ele morreu, ele é muito mais sortudo que eu.

Terça-feira, 22 de Julho de 1999
Eles estão por aí. Eu os vejo. Eles estão sussurrando para mim.

Quarta-feira, 23 de Julho de 1999
As construções se levantam e somem na areia. Sem mais sombras. Só sussurros. Sussurros, sussurros, sussurros.
Brad não está mais aqui.

Quinta-feira, 24 de Julho de 1999
Estou vendo! Luzes! Tem uma luz brilhante, não muito longe daqui. O espírito de Brad os mandou para me salvar. Eu sei disso. Eu te amo, Brad.
[Este é o último registro no diário. Grandes machas de sangue marrom seco foram encontrados na capa do diário e identificados como pertencendo a Jane Trite, assim como uma impressão digital. Os corpos de Jane assim como os de Brad nunca foram encontrados.]