31/01/2014

Floresta Hoia-Baciu

A floresta Hoia-Baciu fica perto de Cluj-Napoca, na Romênia e geralmente é referida pelos locais como o Triangulo das Bermudas da Romênia. A floresta tem esta reputação por conta de atividades paranormais, relatos de aparições, rostos identificados em câmeras fotográfica aonde nenhuma pessoa podia ser vista a olho nu, histórias de fantasmas e, nos anos setenta, avistamento de OVNIs. 



Foi dado esse nome a floresta por causa de um pastor que desapareceu na área com duzentas ovelhas. A maioria das pessoas que moram nas redondezas da florestas morrem de medo de entrar lá. Acredita-se que aqueles que visitarem o local nunca mais retornaram. Muitos dos moradores locais que entraram na floresta relatam dano físico, incluindo erupções cutâneas , náuseas, vômito, enxaquecas, queimaduras, arranhões, ansiedade, delírios e logo ficam doentes. Além disso, também acontecem diversas coisas estranhas, entre elas são citados avistamentos de luzes estranhas, vozes femininas, risadas, aparições e até casos de pessoas sendo arranhadas ou empurradas. Também, foi descoberto que vários tipos de eletrônicos apresentam defeito só enquanto no local. Alguns investigadores paranormais associam esses defeitos com a alta atividade sobrenaturais.



Pessoas que visitam a área relatam sentimento de ansiedade ou de estarem sendo observados e, de certa forma, a vegetação do local é bizarra (troncos crescem em formatos estranhos, carbonização em árvores ou em arbustos sem ter acontecido nenhum incêndio). Os locais acreditam que há um local na floresta em que as atividades paranormais são muito mais frequente, e está fica em uma clareira bem no meio da floresta onde a vegetação não cresce. Amostras do solo foram colhidas e no resultado não havia nada anormal com o solo, então não há motivo aparente para que não cresça nada ali.



A densa floresta só ganhou fama no final dos anos 60 quando o biólogo Alexandru Sift tirou várias fotos de um objeto voador em forma de disco no céu acima do local e além disso, no dia 12 de agosto de 1968, um técnico militar chamado Emil Barnea tirou uma foto que futuramente tornou-se famosa, de um objeto sobrevoando a floresta de Hoia-Baciu. Logo, nos anos 70 a área ficou conhecida por ser um local de forte aparição de OVNIs e luzes que pairavam no céu.


Alguns acreditam que a floresta é um portão para outra dimensão. Várias histórias são geralmente relatadas que os que entram na floresta sentem como se o tempo não existisse, e quando saem de lá não fazem ideia do tempo que ficaram explorando o lugar. Uma dessas histórias é de uma menina de 5 anos de idade que se perdeu na floresta e só foi encontrada 5 anos depois usando ainda as mesmas roupas do dia que desapareceu, e esta não conseguia lembrar onde esteve ou o que tinha acontecido.



Outra história é que de um fenômeno que vem sendo pesquisado a mais de cinquenta anos. A floresta é conhecida por ser assombrada por causa dos camponeses Romenos que foram assassinados lá. Acredita-se que a alma destes estão presas na floresta de Hoia-Baciu e que os espíritos ficaram enfurecidos por causa disto. Assim, estranhas luzes são vistas, pessoas desaparecem, o vento parece sussurrar em seus ouvidos e visões destes espíritos atormentados são vistos pelos visitantes aterrorizados. Até uma névoa negra foi relatada, e que com ela a sensação de estar sendo observado dentro ou perto da floresta aumenta.



 Recentemente a energia da floresta está mais concentrada em relações a espíritos e fantasmas. Um investigador paranormal que tinham um programa de TV foi passar uma noite no local e foi arranhado e jogado violentamente no chão por uma força invisível. Dois anos depois, quando retornou ao local para mais pesquisas, novamente foi atacado: seus tímpanos foram rompidos sem motivo aparente.  




30/01/2014

Creeper da Semana: Carolina Brites Trancoso


Idade: 15 anos

Estado: Rio Grande do Sul

Como Conheceu o Blog/Por que gosta de Creepypastas: Desde pequena sou grande fã de tudo que envolve terror, e há cinco anos conheci o blog MedoB, do qual me tornei uma grande fã. Neste blog conheci as Creepypastas, e comecei a entrar no blog todos os dias para ler apenas as creepypastas. Há dois meses comecei a pesquisar no Google as creepypastas, e aí conheci este blog. Me apaixonei na primeira vez que li, e hoje entro todos os dias. Simplesmente amo este blog.

Contato pessoal:
Facebook: Carolina Brites Trancoso
Twitter: @cahbrites
Instagram: @Cah_Trancoso
E-mail's: cahbtrancoso@gmail.com cahtrancoso@hotmail.com

(Creeper de Semana - 27/01/2014 à 02/02/2014)
(OBS: Devido a acontecimentos inevitáveis na minha vida pessoal, a Creeper da Semana acabou atrasando. Por conta disso, deixaremos ela no topo até sexta. Desculpem qualquer imprevisto).

Quer se tornar o próximo Creeper da Semana? Clique aqui e saiba como!


29/01/2014

Episódio perdido: Chaves - Invasão zumbi

Vocês conhecem Roberto Gómez Bolaños, o eterno Chaves? Vocês acham que já assistiram todos os episódios dele?

Bom, o ano era 1976, Roberto estava ficando sem ideias para novos episódios e acabou criando um episódio bastante diferente. Por fim, entregou uma cópia do episódio para que alguns funcionários assistissem e pudessem expressar suas opiniões.

Infelizmente eu era um dos funcionários.

Nos reunimos e iniciamos o episódio que começava assim:

A sequência de abertura era normal. O episódio começava com Chaves entrando no pátio principal equilibrando uma vassoura na mão. De repente surgia a voz do Seu madruga gritando: “CHAVES VENHA AQUI.”

Chaves se esforçava para equilibrar a vassoura enquanto tentava olhar pela janela da casa do Seu Madruga e perguntava “Cadê você?” Nesse momento surge na janela um homem com os lábios desfigurados, olhos saltados e com o nariz pendurado. Claro que a maquiagem não estava perfeita, mais você conseguia perceber que tentaram fazer o melhor, afinal, era apenas um programa de comédia, não uma superprodução de cinema. A cena cortava e pulava para o pátio principal, dessa vez com Chiquinha perguntando para Quico “Onde tá o Chaves?” Quico respondia “Deve estar lá fora.” Então a tela ficava completamente verde e voltava com os dois olhando para cima.

Um disco voador estava descendo e preparando-se para aterrissar bem no meio da vila. Dava para perceber que era o mesmo disco voador que o Quico ganha em um dos episódios, porém, esse era maior.

Chaves entrava correndo na vila enquanto zumbis começavam a sair do disco voador. De repente começava a passar várias cenas em que Quico era atacado pelos zumbis, Chiquinha entrava correndo em casa e um Chaves ensanguentado se contorcia no chão. Depois de alguns cortes e chuviscos na tela, vemos Chiquinha saindo de casa e correndo para o outro pátio da vila.

No outro pátio vários figurantes estão sendo atacados por zumbis. Nhonho também estava entre os figurantes. Logo os zumbis começavam a derruba-lo. Chiquinha corria de volta para casa se escondia embaixo da mesa e começa a chorar. Então vinha o corte para comerciais.

O episódio voltava com Chiquinha soluçando enquanto andava pela vila deserta e gritava os nomes dos personagens. O episodio acabava com Chiquinha encontrando o corpo de Chaves no chão e falando entre soluços “Cha...vi...nho...” e o episódio terminava em silêncio.

Falamos com o Roberto sobre como o episódio ficou ‘terrível’. Roberto disse que era um projeto para o Halloween, e que ele fez apenas para os amigos. Ele também disse que a fita não estava com o episódio completo, tinha apenas algumas cenas que ele queria que víssemos.

Ele pediu a fita de volta e decidiu manter esse episódio guardado e esquecido junto com vários outros episódios secretos e obscuros do seu programa.

Hoje, não consigo assistir um bom episódio de Chaves sem lembrar daquele episódio horrível.



Na TV

Minha amiga Lisa e eu estávamos observando um álbum de família quando encontramos uma antiga foto dela. Nada chamou minha atenção de primeira, mas Lisa ficou com um olhar que me deixou assustado. Seus olhos ficaram arregalados e começaram a esquadrinhar toda a sala como se procurasse por algo, antes se fixarem na TV.

Assustado com essa reação repentina, perguntei para ela o que aconteceu. Depois de algum tempo ela se recompôs e disse que quando era criança costumava conversar com a TV quando estava desligada ou com estática.

Seus pais pensaram que era apenas um caso de imaginação fértil e não se importavam quando ela falava que tinha "alguém na TV". De fato, a própria Lisa não se importou muito com isso até agora.

Eu perguntei qual era o problema. Ela deu uma risada nervosa e ficou encarando a TV.

Foi nesse momento que dei uma segunda olhada na foto e percebi o que estava na tela.



24/01/2014

Rostos na tempestade

Acho que vou ficar louco…

Já faz vinte e oito dias desde dezessete de Dezembro, e a chuva não diminuiu por um único segundo. Continua caindo pesada, descendo do céu como uma cachoeira. Lá fora, você sente como se fosse se afogar andando.

Quando tudo começou, eu não sabia se as pessoas ligavam muito para isso. Quero dizer, esse pesadelo parecia apenas mais uma tempestade de inverno. Tudo começou em um local estranho, no Atlântico Norte, em frente ao Golfo de São Lourenço, mas acho que isso não significava muita coisa para as pessoas que não eram meteorologistas ou oceanógrafos. A tempestade começou a se expandir rapidamente. Não tenho certeza se ainda continua crescendo, já que a TV parou de funcionar três semanas atrás, mas tenho certeza que ela continua no mesmo lugar.

As coisas começaram a ficar mais bizarras quando o vento não conseguiu deslocar a tempestade. Ela continuava crescendo para a Nova Inglaterra, se espalhando pela costa para o Maine e atingindo o Condado de Nassau, que é o local onde vivo. O boletim do tempo mudava em poucos minutos, com os meteorologistas prevendo trovões, ou alguns centímetros de neve, ou uma grande nevasca e que todos deveriam permanecer em casa.

Porém, a minha esposa, Sara, não poderia dar atenção aos avisos. Ela tinha que trabalhar, enquanto eu ficaria em casa cuidando da nossa filhinha de cinco anos, Tanya. Quando a minha mulher saiu de casa naquela manhã, eu a prometi que manteria Tanya em segurança. Enquanto observava Sara manobrando para sair da garagem, eu não imaginava que seria a ultima vez que a estava vendo.

Enquanto o dia passava, a tempestade piorava. Parecia que os meteorologistas estavam certos, prevendo uma das piores tempestades. Fiquei surpreso por ainda ter energia até a noite, disso eu não tinha que reclamar. Você nunca sabe como é ruim um blackout quando se tem uma filha de cinco anos que teme o escuro.

A última vez que vimos a previsão do tempo na TV, eles disseram que a tempestade havia se espalhado para o sul de Nova Jersey, e que poderíamos esperar sessenta centímetros de neve durante a noite. Acho que já eram quase 18:23. Alguns minutos depois o canal da previsão do tempo saiu do ar, e todos os outros canais mudaram para um aviso mandando que todos saíssem de Nova York através de qualquer ponte que pudessem passar e evitassem Manhattan.

Tentei ligar para o trabalho de Sara, mas o telefone não funcionava. Eu ainda não sabia o que estava acontecendo, mas resolvi atender aos avisos na TV e tirar a minha filha da cidade. Lutei contra a ideia de abandonar Sara, que trabalhava em Manhattan, mas quando sai de casa, percebi que não poderia me arriscar indo até lá. Era a vida da minha filha que eu deveria proteger no momento.

Ao sul, no horizonte, as nuvens escuras da noite estavam pintadas com um vermelho em chamas.

O trafego estava horrível. Muitas pessoas estavam relutantes em partir. Todos pareciam estar em choque. Dirigi pelas estradas entre Nassau e Queens, vendo várias pessoas em pé na beira da estrada assistindo as sombras das chamas tremeluzentes contra o céu. Algumas pessoas seguiam lentamente á pé para fora da cidade, e com o passar do tempo, o trafego começou a piorar, mas de alguma forma consegui sair de Nova York antes que ficasse preso por lá.

Ainda me lembro de olhar através do porto no caminho de Queens para o continente, e ver toda a Manhattan em chamas. Acho que nunca esquecerei isso. Tanya olhava pela janela, em silencio, e cansada também. Eu não sei muito bem a que horas foi isso, mas acho que já tinha passado das 23:00.

Dirigi a noite toda pelo campo, tentando achar uma estação de rádio que pudesse me dizer o que estava acontecendo. Não encontrei nada, exceto noticias do mandato de evacuação de Nova York. Eu achava estranho ter visto poucos policiais e nenhum soldado para orientar a população. Agora, pensando naquele momento, acho que já estavam todos em outro lugar, ou mortos.

No dia seguinte as coisas estavam piores. O tempo começou a esquentar, e a neve a virar chuva. Pilhas de neve na beira da estrada estavam derretendo, e o asfalto estava coberto de água e lama. As nuvens continuavam escurecendo enquanto o dia passava, e o trafego começava a ficar agitado, com pessoas vindo do litoral da Nova Inglaterra. A ordem de evacuação do rádio já estava sendo transmitida para todos de Massachusetts a Nova Jersey.

Quando a noite caiu, já estava bem difícil diferenciar a noite do dia. Tanya começou a perguntar pela mãe, então tive que mentir e dizer que Sara estava em um local seguro. Na verdade, eu estava mentindo para mim também. Pensei que ela pudesse estar em alguma estrada, segura em seu carro. Agora não tenho duvidas de que ela já estava morta.

Logo tivemos que sair da estrada e dormir dentro do carro. Havia uns sons estranhos na noite escura ao nosso redor, e a minha filha continuava acordada, com medo que o monstro que ela acreditava estar vivendo embaixo da cama dela em Nassau estivesse ali conosco, vivendo embaixo do carro. Eu disse para ela que era apenas imaginação, mas não pude deixar de perceber algo arranhando embaixo do carro, ou um baixo grunhido vindo de algum lugar na noite escura.

Pela manhã, tudo parecia normal outra vez. Isto é, até cairmos na estrada novamente. Eu queria acreditar que os sons que ouvi na noite passada, e a sensação sempre presente de algo no escuro fossem apenas coisa da minha mente, mas o que vi pelas bordas da estrada varreu essa agradável ideia da minha cabeça. Por todos os lugares havia carros ainda parados na beira da estrada, com as janelas quebradas, e as portas arrancadas. Na frente de alguns carros, marcas de algo que foi arrastado na neve para a distância.

Nada me faria sair do carro naquela noite. Ao invés disso, escolhi encontrar uma casa vazia e... arromba-la. Para ser sincero, bati na porta, ela estalou e abriu sozinha. Não havia ninguém dentro, então decidi que passaríamos a noite ali. Consegui deixar a porta bem fechada e firme, e parecia que estávamos em segurança.

Ficamos na casa desde então.

No inicio ficamos no andar de cima da casa, porém, como o dia e a noite se juntaram em uma grande massa escura, decidimos que o porão seria mais seguro. Poucos minutos depois de descermos para o porão, ouvi algo destruindo a porta da frente, tropeçando na mesa e derrubando a televisão.

O tempo passava lentamente. A temperatura continuava esquentando, até parecer que estávamos em pleno verão. Então chegou uma noite em que (acho até impossível de acreditar) parecia que estávamos dentro de um grande forno.

Eu estava quase derretendo. Um pouco de água começou a passar pela janelinha do porão e nós tivemos que nos afastar para não nos queimarmos na água fervendo.

Essa foi a noite em que vi algo que desejava não ter visto.

Minha filha foi dormir cedo. Ela estava cansada, e acho que um pouco doente. Deixei-a dormindo sozinha por um tempo para que eu pudesse dar uma olhada lá fora por alguma das janelas em que não estivesse passando água.

De primeira não vi nada, apenas a escuridão da tempestade. Então, percebi algo lá fora. Umas manchas verdes luminosas, vindas de alguma coisa que eu não conseguia enxergar. Fiquei observando por um tempo enquanto as luzes saltavam pela escuridão.

Logo vieram os clarões dos relâmpagos, e pude finalmente enxergar de onde vinham as luzes verdes.

Era algo grande, algo que eu nunca poderia imaginar. Grande como uma montanha. Ainda estava muito longe, mas eu conseguia perceber claramente que não era algo normal, mesmo na versão distorcida da realidade alternativa que veio junto com a tempestade. Eu podia sentir o calor vindo da coisa, e passando pela janela. Da direção de onde a coisa vinha eu podia ver as chamas devorando a floresta ao sul de Nova York, jogando uma trilha de fumaça negra para o céu escuro.

Os relâmpagos pararam, mas as luzes verdes continuaram. Fiquei observando por mais alguns minutos antes de voltar para Tanya, com aquelas imagens que ficariam cravadas em minha mente para sempre.

No dia seguinte o tempo tinha voltado a esfriar. Os dias foram passando e a temperatura caindo ainda mais, assim como o nosso estoque de comida.

Os donos da casa tinham uma reserva de comida para algumas semanas no porão. Aparentemente, eram fazendeiros que costumavam manter a velha tradição de armazenar o que produziam.

A comida durou mais do que pensávamos, mas agora não temos nada. Acho que teremos de sair daqui. Se o carro funcionar, vamos seguir. Se não funcionar… vamos bolar alguma coisa.

Tem água por todo lugar, e já está quase na altura dos joelhos na terra plana. A terra já saturou e não consegue drenar a água. Não sei o que vai acontecer se continuar chovendo; acho que essa parte de Nova York vai se juntar ao Oceano.

Estou começando a achar que talvez possamos encontrar segurança em algum lugar. Tem que haver algum lugar que a tempestade não atingiu. Estou deixando essas anotações aqui, caso alguém acabe encontrando. Eu só quero deixar alguma lembrança minha, de Tanya, e Sara nesse mundo. Não quero que sejamos apenas mais três rostos na tempestade.



-C.S.B.-




23/01/2014

Uma oportunidade única na vida

Todos sabemos o que é uma supernova, certo?

Uma estrela que de repente aumente consideravelmente seu brilho devido a uma explosão catastrófica que expande sua massa.

Bem, e se em uma fração mínima de tempo essa explosão abrisse um buraco em nosso universo, formando um canal de comunicação entre a sabe-se-lá-qual-dimensão e a nossa?

Dizem que toda vez que uma supernova explode, uma pequena passagem é formada entre nosso universo e as profundezas do inferno.

E se nesse pequeno espaço de tempo em que a abertura existe alguém conseguisse passar por ela e ganhar um bilhete só de ida para o desconhecido?

Apenas as criaturas do outro lado saberiam o que aconteceria com essa pessoa tão curiosa. Mas sabe como dizem: a curiosidade matou o gato.

Existe uma pequena chance dessa pessoa conseguir sair da dimensão desconhecida, sendo duas vezes mais sortuda do que ao conseguir entrar.

E se uma pessoa do nosso universo consegue entrar lá, uma criatura desse outro universo conseguiria entrar no nosso também. Se isso acontecer, provavelmente nosso destino estaria selado nesse momento. Quem sabe?

Essa teoria é muito, muito, muito improvável, entretanto, não é impossível. É como dizem: uma oportunidade única na vida.

22/01/2014

Base Dulce

Supostamente, um complexo subterrâneo secreto foi escavado em uma pedra de baixo do Archuleta Mesa, em Dulce, Novo México. Alguns dizem que a base é um "laboratório genético" onde vários "documentos vazados" comprovam que seres humanos e extraterrestres trabalham cooperativamente em experimentos perturbadores, segundo testemunhas e ex-empregados.

Sons estranhos são frequentemente ouvidos perto da cidade de Dulce, fazendo com que a especulação sobre a base fosse ainda mais forte, sem contar diversos avistamentos de helicópteros militares na área.

Um autor sob o pseudônimo de Branton, diz que já entrevistou um empregado da base que disse: " [...] há experimentos feitos em peixes, focas, pássaros e ratos. Esses foram modificados de sua forma natural. Há seres humanos com vários braços e várias pernas e alguns seres humanoides que parecem com morcegos que tem mais de dois metros de altura e estão aprisionados. Os Alienígenas ensinaram muitas coisas sobre genética para os humanos, coisas tanto uteis quando perigosas".

 O governo do Estados Unidos nega a existência da base, mas isso não fez com que as especulações diminuíssem. 




21/01/2014

Creeper da Semana: Guilherme Matheus


Idade: 13 anos

Estado: Paraná

Como Conheceu o Blog/Por que gosta de Creepypastas: Olá, meu nome é Guilherme Matheus(Como viram antes, poís sempre to postando comentaríos no blog, pelo menos agora  XD). Tenho 13 anos. Eu moro no Paraná(Não vai falar que é Terra de Matuto Please?).
Bem, eu conhece a CreepyPasta Brasil de um jeito, meio ''estranho''.

Em uma certa rede socialzchamada Qeep) eu tinha um amigo que virou ''Creepymaniaco'' e sumiu da rede social... Então fui pesquisar oque eram creepymaniacos... E não ''entendi'' os resultados.

Então outro amigo meu falou sobre oque era Creepymaniaco, e explicou que eram fans da creepypasta, um site de contos de Terror e disse que a quem lía a Creepypasta ficava assombrado e pertubado. E eu fiquei com um certo receio de entrar na Creepypasta. E esse amigo me enviava creepypastas... E gostava doque lia... Então resolvi entrar na Creepypasta, e acabei virando fan, um ''Creepymaniaco'', ja conheco a Creepypasta faz quase um ano, e sempre gosteí de tudo, como a do jogo The Theater, a do Pokemon, do Slender, do Jeff e etc. Sempre gostei de assuntos sobrenaturaís e historías de terror. E a Creepypasta caiu como uma ''benção'' pro meu vicío, e leio a Creepypasta diariamente. Bem, é isso.

Caso queiram fazer contato, meu facebook é : guilherme.matheus.5876060@facebook.com, meu Gmail é gmathues323@hotmail.com , ou pelo Qeep que uso mais, meu nick é -Kitsune-Sama-(sei o nick é meio estranho mesmo rrsrsrssrrs).

(Creeper de Semana - 20/01/2014 à 26/01/2014)

Quer se tornar o próximo Creeper da Semana? Clique aqui e saiba como!


19/01/2014

Eco

Esse é o último trecho do diário de Ethan Baker, um explorador de cavernas. Ethan é, desde então, oficialmente considerado desaparecido. Seu diário foi encontrado nas redondezas de Da Nang, Vietnam, alguns dias depois do último trecho ser escrito.

12 de novembro, 2009 - Da Nang, Vietnam

O Vietnam é famoso por suas mais variadas cavernas que possuem semelhanças com catedrais.Foi aqui onde encontrei uma caverna remota perto da cidade de Da Nang. No momento em que escrevo isso, estou escondido e pra ser sincero, acho que não tenho muito tempo de vida. A polícia não pode - nem quer - me proteger e minha família acha que estou louco, porém foi nessa caverna, há algumas semanas, que um passeio turístico tornou-se o pior dia da minha vida.

Enquanto adentrava a caverna, encontrei uma parte bem interessante lá no fundo. Os moradores da região dizem que foi ali que muitos vietcongs se refugiaram, porém as pessoas ficavam presas por meses e quando acabava a comida precisavam apelar ao canibalismo. Isso, obviamente, é um mito - eu pensei. Decidi gritar algumas coisas, porque o eco era fantástico!

Lembro de ter gritado três coisas:

"Olá".

Ouvi a resposta alguns segundos depois.

"Tem alguém aí?" como esperado, a resposta veio na minha voz.

Foi então que achei que seria engraçado se eu gritasse "Eu vou matar você" - afinal, eu ouviria a minha própria voz. Mas a resposta, posso dizer com toda a certeza, veio em uma voz bastante parecida com a minha, mas soava parecido com isso:

 "Không, nếu TAO giết MÀY đầu tiên"

Meu eco não veio e isso foi a única coisa que ouvi como resposta, mas soava exatamente como um eco. Decidi repetir o que havia dito:

"Eu vou matar você", "Không, nếu TAO giết MÀY đầu tiên" foi a resposta, dessa vez parecia ter vindo mais rápido, mas eu tinha certeza que era no timbre da minha própria voz. Tentei uma última vez:

"Eu vou matar você"

"Không, nếu TAO giết MÀY đầu tiên!"

Eu não gritei com qualquer raiva, mas a resposta parecia num tom completamente furioso, e eu me senti assustado. Obivamente, como eu ouvi essa resposta diversas vezes, memorizei seu som. Quando saí da caverna, perguntei ao meu guia o que aquilo significava. Ele pareceu assustado, perguntando se eu havia encontrado alguém na caverna. Eu disse que não, já que não achei que significava algo. E então... ele traduziu aquela resposta para mim.

"Eu vou matar você"

"Không, nếu TAO giết MÀY đầu tiên - Não se eu matar você primeiro"

1000Vultures - Amigos (Parte final)

Oi Creepers! Chegamos ao fim de mais uma série aqui no Creepypasta Brasil. Obrigada pela paciência de todos, me diverti muito traduzindo esta para vocês. Vou procurar uma série nova, se tiverem alguma sugestão, deixem nos comentários. 

Boa leitura!
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Parte 1 - Passos

No primeiro dia do jardim de infância, minha mãe queria me levar de carro para a escola; Ambos estávamos nervosos e ela desejava estar comigo no momento em que eu entrasse na sala de aula. Demorei um pouco mais do o que o costume para me arrumar de manhã, por conta do braço engessado. O gesso ficava alguns centímetros acima do meu cotovelo, o que significava que, ao tomar banho, tinha que cobrir o braço inteiro com um tipo especial de sacola de látex. A sacola era feita com intuito de apertar em torno da abertura, assim vedando e evitando que a água entrasse e destruísse o gesso. Depois de um tempo comecei a colocar aquilo sozinho, pois isso não era tão difícil. Mas, naquela manhã por conta da ansiedade ou do nervosismo, não apertei o suficiente e, no meio do meu banho, pude sentir a água se acumulado entre meus dedos por dentro da sacola. Pulei para fora do chuveiro e tirei a proteção de látex, mas podia sentir que o gesso que antes era rígido estava macio por ter absorvido água.

Não há nenhuma maneira de limpar a área entre a pele e o gesso e, por causa disso, a pele morta que normalmente caí, fica acumulada ali dentro. Quando o gesso fica com umidade tipo o suor, produz um odor e, aparentemente, este cheiro é proporcional à quantidade de umidade, porque logo que comecei a tentar secar, fiquei impressionado com o fedor de podre que saía de lá. Enquanto esfregava continuamente com a toalha, o gesso começou a se desintegrar. Comecei a ficar cada vez mais angustiado - estava me esforçando o máximo que uma criança podia em relação ao seu primeiro dia de aula. Na noite anterior, tinha sentado com minha mãe para escolher minhas roupas; Tinha demorado uma eternidade para escolher qual mochila comprar; e estava extremamente animado para mostrar para todos coleguinhas minha lancheira das Tartarugas Ninjas. Por causa da minha mãe, tinha caído no habito de chamar de "amigos" essas crianças que nem se quer tinha conhecido ainda, mas com as condições de meu gesso piorando, fiquei profundamente depressivo com a ideia que certamente não conseguiria chamar verdadeiramente ninguém de amigo no final daquele dia.

Derrotado, mostrei para minha mãe.

Demorou cerca de 30 minutos pata tirar a maior parta da umidade enquanto tentávamos preservar o resto do gesso. Para resolver o problema com o fedor, minha mãe cortou tiras de sabonete e enfiou dentro do gesso,  esfregando por fora com o que tinha sobrado do sabonete na tentativa de encasular o cheiro rançoso que vinha de dentro e mascará-lo com um mais agradável.
Quando chegamos no colégio, meus colegas já estavam engajados em sua segunda atividade do dia, então fui aleatoriamente colocado em um dos grupos. Não explicaram para mim o que tinha de ser feito naquela atividade e em cinco minutos tinha quebrado várias regras, fazendo com que todos os membros do meu grupo fossem reclamar com a professora e perguntar o porquê que eu tinha de estar no grupo deles. Tinha levado uma caneta permanente para a escola na esperança de conseguir outras assinaturas ao lado da de minha mãe no  gesso mas, de repente, me senti bobo por se que ter colocado a caneta no meu bolso mais cedo.

Os alunos do jardim de infância tinham um horário onde almoçavam sem as outras crianças de outras séries nesta escola primária, mas só podíamos sentar em mesas especificas, então pelo menos não tinha que me sentar sozinho. Estava constrangido, mexendo no gesso, quando um garoto sentou perto de mim.

"Gostei da sua lancheira," ele disse.

Percebi que ele estava zoando da minha cara e isso me deixou  com muita raiva; na minha cabeça, a lancheira era a única coisa boa daquele dia. Fiquei olhando para o meu braço, e senti meus olhos queimarem das lágrimas que tentava segurar. Olhei para cima para pedir que me deixasse em paz, mas antes que pudesse formar as palavras em minha boca, vi algo que me fez parar.

Ele tinha a mesma lancheira.

Eu ri. "Gostei da sua lancheira também!".

"Acho o Michelangelo o mais legal," ele disse enquanto fazia movimentos como se estivesse lutando com um Tchaco imaginário.

Eu estava prestes a rebater dizendo que o Raphael era o meu preferido quando ele bateu sem querer na caixa de leite aberta na mesa e derrubou tudo em seu próprio colo.

Tentei com todas minhas forças segurar o riso, sendo que não o conhecia direito, mas a minha cara devia estar muito engraçada enquanto prendia a risada, porque ele começou a rir primeiro. De repente, não me sentia mais tão mal por causa do gesso. Então tentei a sorte.

"Ei, quer assinar meu gesso?"

Enquanto pegava a caneta, me perguntou como tinha quebrado o braço. Falei que tinha caído da árvore mais alta do meu bairro; ele pareceu ficar impressionado. Fiquei vendo-o escrever seu nome demoradamente, e quando  terminou perguntei o que estava escrito.

"Josh", ele disse.

Josh e eu almoçávamos juntos todos os dias e, quando dava, participávamos dos mesmos grupos em trabalhos escolares. Ajudei-o com sua caligrafia e ele levou a culpa por mim quando eu escrevi  "Peido!" na parede com caneta permanente. Fiz amizade com outras crianças, mas sabia que Josh era meu único amigo verdadeiro.

Trazer uma amizade feita no pré para sua "vida real" quando se tem cinco anos de idade é mais difícil do que a maioria se lembra. No dia em que soltamos nossos balões nos divertimos tanto juntos que perguntei para Josh se ele queria ir na minha casa no dia seguinte para brincar. Ele disse que traria alguns de seus brinquedos; Eu disse que podíamos explorar o bosque e até nadar no lago. Quando cheguei em casa perguntei para minha mãe e ela disse que seria ótimo. Meu entusiasmo não tinha limites, até que percebi que não teria como entrar em contato com Josh. Passei todo o final de semana achando que nossa amizade seria desfeita na segunda-feira. 

Quando o vi depois do final de semana, fiquei aliviado que ele também não tinha meu telefone e acho que isso tinha sido no mínimo engraçado. Mais tarde naquela semana, nós dois lembramos de escrever nossos números de telefone em casa e trocá-los na escola. Minha mãe conversou com o pai de Josh,  e foi decidido que minha ela nos buscaria na escola naquela sexta. Nossos pais alternavam quem buscaria e em que casa passaríamos o final de semana, e o fato de morarmos tão perto um do outro fez com que as coisas fossem tão fáceis para eles que pareciam trabalhar constantemente.

Quando minha mãe e eu nos mudamos para o outro lado da cidade no final da minha primeira série, eu jurava que nossa amizade tinha chegado ao fim; enquanto íamos embora de carro, saindo da casa que tinha vivido toda minha infância, senti uma tristeza que sabia não ser só por causa da casa; eu estava dizendo adeus ao meu amigo para sempre. Mas, Josh e eu - para minha surpresa e felicidade - continuamos próximos.

Apesar do fato de passarmos a maior parte do tempo separados e só nos encontrarmos nos finais de semanas, continuamos muito parecidos enquanto crescendo. Nossas personalidades se fundiram, nosso senso de humor eram idênticos e as vezes começávamos a gostar das mesmas coisas ao mesmo tempo, sem ter falado para o outro. Nós até tínhamos a voz parecida; as vezes Josh chamava minha mãe tentando me imitar e enganava-a quase todas as vezes. Minha mãe brincava que a única coisa que a fazia saber quem era quem, era o cabelo - ele tinha os cabelos loiro-sujo e lisos como os de sua irmã, enquanto eu tinha cachos castanho escuro como os de minha mãe.

Qualquer um pensaria que o que quer que separasse dois jovens amigos, seria algo fora do controle deles; entretanto, acho que a fonte de nossa separação gradual foi minha insistência em fugir para procurar Caixas em minha antiga casa. Na semana seguinte de todo o acontecimento, chamei Josh para dormir na minha casa para continuar com a tradição de alternações de casas, mas ele disse que não estava muito afim. Começamos a nos ver muito menos; de uma vez por semana passou para uma vez no mês, e depois uma vez em cada três meses.

Para meu aniversário de 12 anos, minha mãe decidiu fazer uma festa para mim. Ela não tinha ideia de quem convidar, então não foi surpresa; não tinha feito muitos amigos uma vez que tínhamos nos mudado a pouco tempo. Fiz uma lista com alguns garotos do colégio e Josh, para ver se ele gostaria de vir. A princípio disse que não poderia ir, mas um dia antes da festa me ligou e disse que iria. Fiquei muito empolgado porque fazia meses que não nos víamos.

A festa foi bem legal. Minha maior preocupação era que Josh e os outros garotos não se gostassem, mas eles pareciam se dar bem o suficiente. Josh estava surpreendentemente quieto. Ele não me trouxe presente e pediu desculpas por isso, mas falei que não tinha problema - estava feliz só por ter vindo. Tentei conversar com ele várias vezes, mas nossas conversas sempre pareciam entrar em becos sem saída. Perguntei o que havia de errado; comentei que não entendia porque as coisas andavam tornado-se estranhas entre nós dois - nunca tinha sido assim antes. Costumávamos passar os finais de semana junto e sempre conversar no telefone. Perguntei o que tinha acontecido com a gente. Ele olhou para cima e disse:

"Você foi embora."

Logo depois que ele falou isso minha mãe gritou do outro cômodo que era hora de abrir os presentes. Forcei um sorriso e andei até a sala de jantar enquanto todos cantavam "Parabéns para você". Havia alguns presentes embrulhados e vários cartões, sendo que a maioria da minha família morava em outro estado. No geral, os presentes eram bobos e esquecíveis, mas me lembro que Brian me deu um brinquedo da Mighty Max em formato de cobra que mantive em meu quarto por muitos anos. Minha mãe insistiu que eu abrisse cada cartão e agradecesse cada pessoa que tinha me dado um, porque, anos antes, em uma manhã de natal, abri os presente e cartões com tanto vigor e ferocidade que destruí qualquer possibilidade de descobrir quem tinha me dado o que ou quanto de dinheiro. Separamos os presentes que tinham chego por correio e os que meus amigos tinham trazido para festa, pois não seria nada legal  os convidados terem de ficar me vendo abrir cartões de pessoas que eles nem se que conheciam. Maioria dos cartões de meus amigos tinha alguns dólares dentro, e os de minha família continham notas maiores.

Um dos envelopes não tinha meu nome, mas estava na pilha então abri. O cartão tinha umas flores na parte da frente e parecia ser um cartão que já tinha sido enviado para alguém pois estava um tanto sujo e agora o dono estava reutilizando-o para o meu aniversário. Na verdade, achei até legal que estava sendo reenviado porque sempre achei boba a ideia de dar cartões. Não virei o cartão para que o dinheiro não caísse quando fosse aberto, mas a única coisa dentro era uma mensagem impressa.

"Eu te amo."

Seja lá quem tivera me enviado esse cartão não tinha escrito nada dentro, mas tinha circulado a mensagem várias vezes com um lápis.

Dei uma risada e disse, "Nossa, obrigada por esse lindo cartão, mãe!"

Ela me olhou confusa e então olhou para o cartão. Disse que não tinha sido a remetente e achou divertido ver meus amigos olhando um para o outro tentando descobrir quem tinha feito aquela brincadeira. Nenhuma das crianças se acusou, então ela disse:

"Não se preocupe, filho. Pelo menos agora você sabe que duas pessoas te amam."

Depois de falar isso ela me deu um beijo na testa extremante demorado que fez com que as pessoas antes confusas ficassem histéricas. Todos riam, então podia ser qualquer um deles, mas Mike parecia ser o que mais ria. Para participar da piada ao invés de ser ela, falei para ele que só porque tinha me dado o cartão não devia achar que eu receberia seu beijo mais tarde também. Todos rimos, e quando olhei para Josh,finalmente ele estava sorrindo.

"Bem, acho que esse presente foi o vencedor, mas você tem mais alguns para abrir."

Minha mãe me alcançou outro presente. Eu ainda sentia minha barriga doer de tanto rir enquanto rasgava o papel colorido. Quando vi o presente não senti mais necessidade de rir. Meu sorriso saiu do rosto quando vi o que tinha recebido.

Era um par de walkie-talkies.

"Bem, mostre para todos!"

Levantei a caixa em direção aos meus amigos e todos pareciam aprovar o presente, mas quando olhei Josh, vi que ele tinha ficado pálido, como se estivesse enjoado. Olhamos nos olhos um do outro por alguns segundo e então ele saiu para a cozinha. Vi ele digitar um número no telefone enquanto minha mãe sussurrou no meu ouvido que sabia que Josh e eu não nos falávamos tanto desde que os walkie-talkies tinham quebrado, então achou que eu gostaria de novos. Fiquei muito feliz com a tentativa de ajuda para nos aproximar da minha mãe, mas esse sentimento foi substituído facilmente pelas Memórias que tinha lutado para enterrar voltando a tona.

Enquanto todos comiam bolo, perguntei à Josh para quem ele tinha ligado. Disse que chamara seu pai para buscá-lo, pois não estava se sentindo muito bem. Entendi que ele queria ir embora, mas falei que queria poder ficar mais tempo com ele. Dei um dos walkies para ele, mas ele não aceitou.

Chateado, eu disse, "Bem, obrigado por vir, eu acho. Espero te ver antes do meu próximo aniversário".

"Me desculpa... Vou tentar ligar para você com mais frequência. Vou mesmo."

A conversa empacou enquanto esperávamos por seu pai. Olhei para seu rosto. Parecia genuinamente chateado por não ter sido mais esforçado. Seu humor pareceu melhorar por alguma ideia que o veio a mente. Ele disse que sabia o que me daria de presente - talvez demorasse um pouco, mas achou que eu realmente ia gostar. Disse que realmente isso não importava, mas ele insistiu. Parecia com o espírito mais leve e pediu desculpas por ter sido um chato na festa. Disse que estava cansado, - que não estava dormindo muito bem. Perguntei o porquê enquanto ele abria a porta em resposta a buzina do carro de seu pai. Ele acenou e me deu tchau enquanto respondia minha pergunta.

"Acho que sou sonâmbulo".

Essa foi a última vez que vi meu amigo e, alguns meses depois, ele tinha sumido.

Ao longo das últimas semanas a relações entre minha mãe e eu ficaram um tanto mais tensa devido às minhas tentativas de descobrir mais detalhes sobre minha infância. É recorrente o fato de que não se pode saber o quão frágil alguma coisa é, até que essa coisa se quebre, e depois da última conversa com minha mãe, imagino que vamos passar o resto de nossas existência tentando consertar o que tinha levado a vida inteira para construir. Ela tinha colocado tanta energia em me manter seguro, tanto fisicamente quanto psicologicamente, mas acho que as paredes que eram para me manter seguro também protegiam sua estabilidade mental. Enquanto a verdade ia sendo revelada em nosso último encontro, pode ouvir um tremor em sua voz que julguei ser o som de seu mundo desmoronando. Não acho que minha mãe e eu iremos conversar muito mais, e mesmo que há algumas coisas que não entendo, acho que sei o suficiente.

Depois do desaparecimento, os pais de Josh fizeram tudo que podiam para encontrá-lo. Desde o primeiro dia, a policia sugeriu que contatassem para todos os pais dos amigos de Josh para ver se ele estavam com eles. Fizeram isso, claro, mas ninguém tinha o visto ou tinha ideia de onde poderia estar. A polícia tinha sido incapaz de encontrar novidades sobre o paradeiro de Josh, a não ser o fato de que receberam vários telefonemas anônimos de uma mulher que comparava aquilo com um caso de perseguição que acontecera 6 anos antes.

Se as forças da mãe de Josh haviam se afrouxado quando seu filho desapareceu, sumiram totalmente quando a filha morreu. Ela já havia visto muitas pessoas morrendo no hospital, mas era óbvio que isso não a fez ficar indiferente a morte de sua própria filha. Ela visitava Veronica duas vezes no dia enquanto estava se recuperando em um hospital diferente em que trabalhava; uma vez antes do trabalho e outra depois. No dia em que Veronica morreu, sua mãe se atrasou em sair do trabalho, e quando chegou para visitá-la, Veronica já tinha falecido. Isso foi demais para ela e nas semanas seguintes se tornou totalmente instável; costumava vaguear pela vizinhança onde morava gritando para que Josh e Veronica voltassem para casa, e as vezes seu marido encontrava-a vagueando por minha antiga vizinhança no meio da noite - de camisola e procurando por seus filhos.


Devido a deterioração mental de sua esposa, o pai de Josh não conseguia mais viajar a trabalho e começou a aceitar empreitadas que pagavam menos, de modo que pudesse ficar perto de casa. Quando a vizinhança começou a se expandir mais e mais, após mais ou menos três meses da morte de Veronica, o pai de Josh se candidatou a todos os trabalhos e foi contratado todas as vezes. Ele era qualificado para liderar as obras e supervisionar, mas chegou a aceitar uma oportunidade como pedreiro, construindo as estruturas e limpando as imediações das obras, assim como outras coisas que fossem necessárias. Aceitava até os trabalhos mais estranhos que apareciam, tipo; cortar grama, consertar cercas - qualquer coisa que o mantivesse longe de viajar. Começaram a remover as árvores próximas do lago para transformar a terra em propriedade habitável. Ao pai de Josh foi designada a responsabilidade de nivelar a área recentemente desmatada, e este trabalho lhe garantiu várias semanas para se ocupar.

No terceiro dia , ele chegou a um ponto no solo que não conseguia nivelar. Toda vez que ele passava por cima com as máquinas, o lugar continuava mais baixo do que o restante da terra ao redor. Frustrado ele desceu do caminhão para supervisionar a área. Estava tentado a simplesmente encher o buraco com mais terra e seguir adiante, mas sabia que seria apenas uma solução temporária. Ele havia trabalhado tempo demais com construção e sabia que os sistemas de raízes das árvores maiores que haviam sido recentemente arrancadas poderiam eventualmente se decompor, fragilizando o solo, que eventualmente fragilizaria as estruturas das futuras construções. Ele pesou as opções e decidiu cavar um pouco com a pá para descobrir se o problema não era algo simples e raso o suficiente para ser resolvido sem precisar trazer uma máquina de outra obra até ali. E conforme minha mãe me descrevia onde isso era, eu sabia que havia estado lá antes do solo ser danificado e pouco antes dele ser preenchido.

Senti um aperto em meu peito.

Ele cavou um pequeno buraco de mais ou menos um metro até a sua pá colidir com algo duro. Continuou batendo afim de medir a espessura da raiz e a densidade do sistema todo quando de repente a pá atravessou a resistência.

Confuso, cavou o buraco mais amplamente. Após quase meia hora de escavação ele se deparou com uma caixa coberta por um pano marrom, de dois metros por um. Nossas mentes trabalham para evitar divergências, procuramos manter crenças fortes a fim de não sermos pegos por evidências conflitantes que possam afetar nossa percepção de realidade.

Até o próximo momento, invariavelmente do que tudo estava indicando,  - sem se importar que o que estava sustentando sua sanidade era uma pequena parcela sua que ainda acreditava em algo - esse homem acreditava, que sabia, que seu filho ainda estava vivo.

Minha mãe recebeu uma ligação as seis da tarde. Ela sabia quem era, mas não conseguia entender o que ele estava falando. O pouco que ela entendeu foi o que a fez sair imediatamente.

"AQUI... AGORA... FILHO... POR FAVOR, DEUS!"

Quando chegou, encontrou o pai de Josh sentado de costas para o buraco. Estava segurando a pá tão apertado que parecia que ia rompe-la. Estava olhando para a frente com os olhos tão parados e sem vida quanto os de um cadáver. Não respondia nenhuma das palavras dela, e só reagiu quando ela gentilmente tentou tirar a pá de suas mãos.

Ele levou seus olhos até os dela e apenas disse: "Não entendo". E repetia essas palavras como se tivesse esquecido todas as outras. E minha mãe ainda podia ouvi-lo sussurrar conforme se afastava dele e se aproximava do buraco.

Ela me contou que preferia ter arrancado os olhos a ter olhado para a cratera. Disse a ela que sabia o que ela havia visto e que ela não precisava continuar. Olhei para seu rosto e estava em tão intenso desespero que fez meu estômago virar. Percebi que ela sabia disso a quase dez anos e esperava nunca precisar me contar. No fim ela acabou encarando uma imensa dificuldade para colocar em palavras do que havia visto, e, sentado aqui, agora, encontro a mesma dificuldade.

Josh estava morto. Seu rosto afundado para dentro e torcido de tal forma que fazia acreditar que todo o medo, agonia e falta de esperança do mundo havia sido transferido para ele. O desencorajador cheiro de podre subia da cratera, e minha mãe teve de cobrir o nariz e a boca para não vomitar. Sua pele estava rachada, quase crocodiliana, e um fluxo de sangue que havia seguido as linhas de seu rosto havia formado uma mancha na madeira atrás de sua cabeça. Seus olhos estavam meio abertos olhando para cima. Ela contou ter olhado para ele e não acreditar que havia morrido a muito tempo, com efeito, o tempo ainda não havia degradado seu rosto para apagar a dor e a miséria. Contou que era como se ele olhasse direto para ela, sua boca aberta gritando um pedido de socorro muito tardio. O restante do corpo, do pescoço para baixo, não conseguia ser visto.

Um outro alguém estava cobrindo.

Ele era grande e estava de barriga para baixo, em cima de Josh, e conforme minha mãe se esforçava para sua mente aceitar o que estava vendo, ela entendeu o que a posição em que ele se encontrava significava.

Ele estava abraçando Josh.

Suas pernas estavam gélidas pela morte, mas enroladas nas de Josh como alguma árvore terrível. Um de seus braços estava envolto debaixo do pescoço de Josh para envolver seu corpo de modo a ficar o mais próximo o possível.

Conforme a luz atravessava as poucas árvores restantes no campo, algo refletiu na camisa de Josh. Minha mãe parou em um dos joelhos e puxou o colar para si, sempre tampando o nariz e a boca. Quando conseguiu ver o que estava preso no colar suas pernas perderam forças e ela quase caiu na tumba.

Era uma foto...

Uma foto minha quando criança.

Ela tropeçou para trás gaguejando e tremendo, terminando por colidir com o pai de Josh que ainda olhava para o lado oposto do buraco. Ela entendeu porque ele havia chamado-a. Mas ela não conseguia falar a todos o que ela guardava de si mesmo por todos esses anos. A família de Josh nunca soube da noite em que eu acordei no meio da floresta. Ela sabia que deveria ter contado a eles, mas contar agora não ajudaria em nada. Sentada ali, com as costas nas costas do pai de Josh, ele falou.

"Não posso falar para minha esposa... Não posso falar para ela que nosso garotinho..." Sua fala entrecortada e separada pelo choro que caia em suas mãos sujas de terra. "Ela não suportaria...".

Após um momento ele se levantou e andou até a cova. Com um último soluço ele entrou para perto do caixão. O pai de Josh era um homem grande, mas não tão grande quando o homem no caixão. Ele segurou o colarinho da camisa do homem e tentou arrancar de um único movimento o homem da cova, mas a camisa rasgou e ele caiu de volta em cima de Josh.

"SEU FILHO DA PUTA!"

Segurou o homem pelos ombros e o puxou de cima de Josh até endireita-lo de jeito estranho, mas retamente, de costas para uma das paredes do buraco. Olhou para o homem e deu um passo para trás em repúdio.

"Meu Deus... Meu Deus, não, não, não, não, por favor! Deus! NÃO, POR FAVOR."
Em um esforço enorme ele ergueu o homem do chão e ambos ouviram o som do vidro contra a madeira conforme a garrafa caia. Ele pegou-a e passou para minha mãe.

Era éter.

"Ah Josh..." Ele soluçou. "Meu menino... meu garotinho... Porque tem tanto sangue? Porque havia tanto sangue? O QUE ELE FEZ COM VOCÊ?".


Conforme minha mãe olhava para o homem que agora estava virado para cima, ela percebeu que estava olhando para a pessoa que havia nos apavorado nossas vidas por mais de uma década. Ela havia imaginado tantas vezes, tantas vezes, sempre como algo mal e terrível, e o choro do pai de Josh parecia confirmar seus maiores medos. Olhando para aquilo ela se surpreendeu por não ser nada do que ela pensava que fosse, por ser apenas um homem.

Vendo sua gélida expressão, podia-se até dizer que ele parecia sereno. Os cantos de seus lábios estavam virados para cima apenas pouco o suficiente para se distinguir um sorriso. Não o sorriso esperado de um maníaco de um filme de terror, não o sorriso de um demônio, ou de um animal. Era um simples sorriso de satisfação e contentamento. Um sorriso de alegria.

Era um sorriso de amor.

Olhando para o corpo ela viu um buraco no pescoço do homem onde a pele havia sido arrancada. Em primeiro lugar ela ficou tranquila em perceber que não era o sangue do Josh. Talvez ele houvesse sofrido menos. Mas seu conforto durou pouco quando ela percebeu o quanto errada estava. Ela levou a mão até a boca e suspirou, quase como se ela estivesse com medo de lembrar a todo mundo o que havia acontecido.

"Eles estavam vivos."

Josh deve ter mordido o pescoço do homem para poder se libertar, e mesmo que o homem tenha morrido Josh não conseguia se livrar dele. Comecei a chorar quando pensei em quanto tempo ele pode ter ficado lá embaixo.

Ela procurou pelos bolsos do homem por algum tipo de identificação, mas só encontrou um pedaço de papel, no qual só havia um desenho de um homem de mãos dadas com um pequeno menino. Do lado do menino estavam umas letras iniciais.

Eram minhas iniciais.

Gosto de acreditar que ela estava lembrando daquela parte da história de maneira errada, mas eu nunca vou saber.

Conforme o pai de Josh carregava o corpo do filho para fora da cova minha mãe guardava o pedaço de papel dentro do bolso. Ele continuava falando que o cabelo de seu filho havia sido tingido. Ela chegou a ver mesmo - viu que agora era marrom escuro, e que as roupas que ele estava vestindo eram pequenas demais para ele. Quando o pai de Josh pôs o corpo do filho no chão do lado de fora da cova começou a procurar em seus bolsos até ouvir um barulho. Com cuidado retirou um pedaço de papel dobrado. Ele olhou mas pareceu muito confuso. Sem entender nada, ele passou para minha mãe. Ela também não reconheceu. Perguntei o que era.

Ela me disse que era um mapa. Senti meu coração se despedaçar. Ele estava terminando o mapa - deve ter sido sua ideia de presente para meu aniversário. Estava me esforçando muito para não acreditar no fato dele ter sido levado enquanto estava expandido o mapa - como se isso importasse de alguma forma agora.

Ela ouviu o pai de Josh grunhir e se virou para vê-lo ir até o caminhão pegar um galão de gasolina e por do lado do buraco. Jogou o corpo do homem lá dentro e falou para minha mãe.

"Você deveria ir".
"Me desculpe."
"Não é sua culpa, eu fiz isso."
"Você não pode pensar dessa maneira, não havia nada que você podia ter fei..."

Ele a interrompeu quieto, quase sem emoção. "Eu fiz isso. Um mês atrás um cara se aproximou de mim quando eu estava limpando o campo a uma rua daqui. Ele me perguntou se eu queria fazer um dinheiro extra, e devido a minha esposa não trabalhar mais, aceitei. Ele disse que umas crianças tinham cavado um monte de buracos na sua propriedade e que ia me pagar 100 dólares para tapá-los. Ele disse que queria tirar umas fotos para a companhia de seguros antes, mas que se eu passasse lá pelas 5 da tarde no dia seguinte estaria tudo bem. Achei que esse cara fosse um otário desde o começo uma vez que eventualmente iríamos nivelar o terreno e alguém teria de tapar os buracos, mas aceitei porque precisava do dinheiro. Nem achei que ele tivesse mesmo os 100 dólares, mas ele pôs a nota na minha mão e eu fiz o serviço no dia seguinte. Estava tão exausto que não prestei atenção no que fazia, não prestei atenção no que aconteceu depois, até hoje quando tirei o mesmo cara de cima do meu filho."

Ele apontou para a cova e suas emoções começaram a rachar sua casca em soluços.

"Ele me pagou 100 dólares para eu enterrar ele com o meu filho..."

Era como se falar aquilo em voz alta o forçaria a aceitar o que aconteceu. Caiu de joelhos no chão e começou a chorar. Minha mãe não podia pensar em nada para falar durante o silêncio que parecia ter durado uma vida toda. Ela finalmente perguntou o que ele ia fazer sobre Josh.

"Seu lugar final de descanso não vai ser aqui com esse monstro."

Quando ela entrou no carro pode ver pelo retrovisor a fumaça preta se erguendo aos céus e esperou contra todas as esperanças que os pais de Josh ficassem bem.

Sai da casa de minha mãe sem dizer mais nada. Disse a ela que a amava e que falaria logo com ela, mas não sei o que logo significa para nós. Entrei em meu carro e fui embora.

Entendo agora que os eventos da minha infância acabaram anos atrás. Como um adulto, agora vejo as conexões que foram perdidas quando eu era criança, quando costumava ver o mundo em imagens aleatórias ao invés de uma sequência. Pensei sobre Josh. Amava ele, e ainda o amo. Sinto mais saudades dele agora que sei que nunca o verei de novo, e me encontro desejando que houvéssemos nos abraçado na última vez que nos vimos. Pensei sobre os pais de Josh - o quanto eles haviam perdido e o quão rápido vieram essas perdas. Eles não sabem da minha conexão com nada disso, mas eu nunca poderia olhar nos olhos deles agora. Pensei sobre Veronica. Só vim a conhecê-la mais tarde em minha vida, mas naquelas curtas e pequenas semanas tenho certeza que consegui amar ela. Penso em minha mãe. Ele tentou tanto me proteger e foi muito mais forte do que eu poderia ser. Tentei não pensar sobre o homem e no que ele fez com Josh por mais de dois anos.

No mais, só pensei sobre Josh. As vezes eu penso que teria sido melhor para ele se eu nunca tivesse sentado com ele no Jardim de Infância; que ele nunca houvesse me dado a oportunidade de ter um amigo de verdade, As vezes gosto de sonhar que ele está num lugar melhor, mas é apenas um sonho, E Eu sei disso. Esse mundo é cruel e as pessoas o tornam um lugar mais cruel ainda. Não haverá justiça para meu amigo, não haverá um confronto final, não haverá vingança; Se passou quase uma década para todos, menos para mim.

Sinto saudades, Josh. Peço desculpas por você ter me escolhido, mas sempre vou lembrar com carinho de nossas memórias.

Nós éramos exploradores.

Nós éramos aventureiros.


Nós éramos amigos.


17/01/2014

Orwin

Orwin é uma pequena cidade localizada ao sul da Carolina do Norte próxima a divisa com a Virginia. A população de Orwin é de exatamente 2,037, com outras duzentas pessoas que vivem na área rural. Próximo a Orwin, a cidade de Roan Valley é muito maior, com a população de quase dez mil, sem contar com os estudantes da Universidade Regional.

Muitas pessoas nunca ouviram sobre a pequena Orwin, e aqueles que ouviram geralmente não imaginam que aquele seria o lugar onde ocorreram os eventos de 14 de março de 2008. Orwin é o tipo de lugar onde as crianças da fazenda andam por ai dirigindo caminhonetes, vovós ainda fazem tortas de maça, e as maiores noticiais são sobre o time de football local. Porém, isso ainda não muda a realidade terrível do que aconteceu lá, mesmo que as feridas estejam se cicatrizando e a vida esteja lentamente retornando ao normal, não há tempo que limpe todo o sangue do campo próximo a fazenda Olberson.

A história sobre o que aconteceu em Orwin é tão complicada quanto terrível, mas de acordo com algumas fontes, as primeiras notícias sobre algo estranho ocorrendo na pequena e tranquila cidade vieram do Departamento de Policia de Orwin, as 19:34. Duas jovens estavam dirigindo em uma zona rural, ligaram para a policia dizendo que viram algo estranho na floresta atrás de uma área gramada. Quando pediram que descrevessem o que viram, elas disseram que era “algo grande”, mais obscurecido pelos galhos. A policia resolveu não enviar ninguém, achando que era algo que não valeria a pena se preocupar.

As próximas ligações vieram ainda antes do sol se pôr, as 19:53 e 19:55. Elas vieram de um fazendeiro, que ainda estava alimentando o gado, e de um jovem que estava saindo da floresta após uma caminhada. Este último descreveu o que viu como um “grande animal se movendo entre as árvores”. Assim como as jovens, ele não deu uma descrição detalhada do animal, mais acreditava que era algo muito perigoso, e ficou muito assustado com o que tinha visto. Mais tarde, em uma entrevista, ele falou que saiu correndo da floresta, com medo que o animal o estivesse seguindo, ou que pudesse haver outros por lá. O fazendeiro descreveu algo parecido. Disse que viu algo na floresta que ficava atrás de sua fazenda. Os animais ficaram assustados, principalmente as cabras, que não dormiram a noite toda.

Mais avistamentos continuaram antes da noite cair completamente, com uma crescente frequência, até que as chamadas chegavam ao departamento de policia a cada quinze minutos. Algumas vinham de pessoas que estavam completamente aterrorizadas com o que tinham visto; uma mulher, sozinha em casa, disse que ouviu um barulho na parede da cozinha, e viu algo que parecia couro preto passando pelo lado de fora da pequena janela acima da pia. Ela continuou na linha com a policia até que seu marido voltasse do trabalho, então seguiu com ele para passar a noite em um hotel, muito assustada para continuar em sua própria casa.

Depois das 20:00, a noite já havia caído completamente, e as coisas começaram a tomar um rumo preocupante. A coisa que estava na floresta parecia ficar mais ativa durante a noite, e também surgiu outro problema. Um problema mais humano.

Ás 20:36, alguns estudantes dirigiam por uma estrada escura entre Roan Valley e Orwin, quando viram algo que os deixaram completamente pasmos. Um grupo com quase oito homens, cobertos por mantos pretos, atravessavam a estrada forçando os estudantes a pararem. Um dos homens, de acordo com os estudantes, parou para olhar o carro antes de prosseguir. Um dos estudantes conseguiu dar uma boa olhada no homem, o suficiente para identifica-lo mais tarde como sendo Gregory Santiago, um banqueiro e membro respeitado da comunidade.

Além dos homens de manto preto, os estudantes reportaram algo mais atravessando a estrada, supostamente o mesmo animal que as outras pessoas da cidade já tinham visto. Eles descreveram o ser como “enorme igual a um mamute”, com seis patas, e pela negra. Eles o descreveram assim, embora não tenham visto muito além de suas grandes patas, eles acreditavam que o animal teria uns 12 metros de altura, com espinhos ou possivelmente tentáculos saindo das costas e apontados para o céu. Eles não descreveram olhos, mas disseram que a coisa tinha ‘rostos’ cobrindo os lados do corpo. Cinco ao todo, um deles tinha uma grande boca aberta em um grito permanente.

Os estudantes dirigiram para a cidade, e chegaram as 20:53, depois que outras duas pessoas já tinham reportado avistamentos de animais similares nos campos ao redor de Orwin. Nenhum dos relatórios vindos até aquele momento foram mais detalhados que o dos estudantes, no entanto, nenhum deles seriam tão estranhos ou terríveis quanto os que viriam posteriormente.

Eram 23:47 quando as ocorrências em Orwin deixaram de ser simples coisas estranhas, e se tornaram coisas piores. A alguns quilômetros fora de Orwin, Janet e Neal Olberson, junto com a pequena filha de seis anos Natasha, experimentaram um pesadelo que nenhum de nós poderia imaginar. Um grupo de invasores arrombaram a casa, destruíram a janela da sala de estar e mataram Neal Olberson com um tiro. Esses assassinos invasores mais tarde foram descobertos como sendo os mesmos oito homens que os estudantes viram atravessando a estrada, e também seriam membros de um culto, chamado ‘Sacred Arm of Cal U’hunlat’.

Depois de matarem Neal Olberson, os três cultistas que invadiram a casa, mais tarde identificados como Nathan Henson, Daniel Walker, e seu irmão, Norm Walker, sequestraram Janet e Natasha Olberson, levando-as para a floresta. Lá, as duas foram amarradas em uma pedra e cercadas pelos oito homens. Os oito cultistas formaram um circulo ao redor delas e começaram a cantar para as estrelas, pedindo que sua deusa aceitasse o sacrifício.

O que aconteceu em seguida gera muitas dúvidas e controvérsias. Há os que acreditem na confissão de Natasha Olberson, que depois de passar por duas semanas de psicoterapia intensiva, disse que uma coisa saiu da floresta e levou sua mãe. A descrição dessa coisa é diferente da descrição dos monstros vistos por outras pessoas da cidade; esse era bem maior e, de acordo com Natasha, parecia muito com um polvo. Ela diz ter visto a cabeça da criatura, que se estendia muito além das grandes árvores. Bocas, olhos, e tentáculos cobriam todo o corpo. Natasha disse para os investigadores que conseguiu fugir depois que o monstro pegou sua mãe, mas acreditava que o monstro a tinha matado. Os investigadores mais tarde afirmaram que, embora não pudessem aceitar o testemunho de uma criança que poderia estar sofrendo de um sério trauma psicológico, o básico do testemunho coincidia com o evento. Neal e Janet fora realmente mortos pelos oito homens que faziam parte de um culto.

Antes que os oito homens pudessem ser localizados e levados a julgamento, alguns desapareceram, e outros cometeram um ritual suicida. A policia acredita que dois teriam fugido para o México após o incidente, e o paradeiro de outros três é desconhecido. Os três homens que invadiram a casa dos Olberson estão mortos. Em suas casa, relíquias relacionadas ao culto do Cal U’hunlat foram encontradas, ligando o obscuro e quase desconhecido grupo ao terrível crime.

Natasha Olberson atualmente está sob o programa de proteção a testemunha em um orfanato cuja localização é desconhecida. Apesar das várias testemunhas e relatos daquele dia, não há grandes evidência de que algo extraordinariamente fora do comum ocorreu em Orwin. O tempo vai passar, mas os túmulos de Janet e Neal Olberson permanecerão no cemitério sob dois solitários marcadores de mármore, testamentos para um pesadelo que alguns não poderiam imaginar, enquanto outros jamais vão esquecer.

-C.S.B.-

13/01/2014

1000Vultures - Telas


Eu venho intencionalmente retendo alguns detalhes de muitas das minhas histórias. Deixei minhas esperanças relativa à como as coisas deveriam ser influenciar minha avaliação de como elas realmente são. Acho que não há mais motivos para fazer isso.

No final do verão entre o jardim de infância e a primeira série peguei uma virose de estomago. Esta tinha todos os componentes de uma virose comum; entretanto, como era de estomago, você vomita em um balde e não na privada, pois esta sentada nesta ao mesmo tempo - a doença fica saindo pelas duas saídas. Isso durou por uns 10 dias, mas antes de ter passado foi concedida um extensão em forma de conjuntivite. Minhas pálpebras estavam tão grudadas uma na outra pela secreção seca gerada durante a primeira noite que, no primeiro dia que acordei com a infecção, achei que tinha ficado cego. Quando comecei a primeira série tinha uma dobra no pescoço de ficar 10 dias deitado e dois olhos inchados e vermelhos sangue. Josh estava em outra turma e não tinha levado meu almoço para comer na sala, então em uma lanchonete com cerca de 200 crianças, eu ainda consegui uma mesa só para mim.

Comecei a manter alguns lanches na minha mochila para comer no banheiro depois do recreio, sendo que a maioria das vezes os garotos mais velhos roubavam minha comida no refeitório quando eu não enfrentava-os, já que ninguém ficava do meu lado. Essa dinâmica continuou mesmo depois de ter me curado por completo, pois ninguém queria ser amigo com o garoto que sofria bullying, para que não comecem a ser agredidos como eu. A única razão para isso ter acabado foi pelas ações de um garoto chamado Alex.

Alex estava na terceira série e era maior do que qualquer outra criança de qualquer outra série. Por volta da terceira semana depois das voltas às aulas, ele começou a sentar comigo no refeitório e isso colocou um fim imediato à escassez do meu estoque de lanches. Ele era legal, mas parecia ser um pouco lento; nós nunca tínhamos tido uma conversa longa, até que finalmente decidi perguntar o porquê  ele começara a sentar comigo.  

Ele era apaixonado pela irmã de Josh, Veronica.

Veronica estava na quarta série e, provavelmente, era a menina mais bonita da escola. Mesmo com seis anos de idade e entendendo completamente que meninas eram nojentas, eu ainda sabia o quão bonita ela era. Quando ela estava na terceira série, Josh me contou que dois meninos tinham entrado em uma luta corporal por causa de uma discussão sobre qual era o real significado da mensagem que ela tinha escrito no livro anual da escola. Um dos garotos acertou com o canto do livro anual na testa do outro e a ferida foi tão grande que ele teve de levar pontos. Embora não fosse um desses garotos, Alex queria que ela gostasse dele e confessou que sabia que Josh e eu éramos melhores amigos. Deduzi que ele esperava que eu transmitisse sua aparente filantropia à Veronica  e que presumivelmente ela ficaria tão comovida com seu altruísmo que se interessaria por ele. Se eu contasse isso para ela, ele continuaria a sentar comigo o tempo que fosse ainda preciso.

Por conta que isso aconteceu na época em que Josh ficava mais na minha casa para construir a jangada e navegar no lago comigo, não tive a oportunidade de conversar com ela pois simplesmente não tínhamos mais nos encontrado. Lembro de Josh chamando-a de "corvo feio". Nunca falei nada, mas me lembro se querer dizer que ela era bonita e um dia seria linda.

Eu estava certo.

Com 15 anos, fui ver um filme com uns amigos em um lugar que chamávamos de o Cinema Sujo. Provavelmente, tinha sido legal em algum momento, mas o tempo e o abandono tinham detonado o lugar severamente. Esse cinema tinha mesas e cadeiras moveis em um piso plano então, quando estava cheio, haviam poucos lugares onde você pudesse sentar e ver toda a tela. O cinema ainda estava aberto, imagino, por três razões: 1) era barato ver filmes lá; 2) eles apresentavam um filme cult diferente duas vezes por mês à meia-noite; e 3) Eles vendiam bebidas alcoólicas para menores nas sessões da meia-noite. Fui nos dois primeiros, e naquela noite eles estavam apresentando Scanners de David Cronenberg por um Dólar.

Meus amigos e eu estávamos sentados bem no fundo. Queria sentar mais na frente para ter uma visão melhor mas Ryan havia conduzido o bando, então cedi. Alguns minutos antes do filme começar, um grupo de meninas entrou. Todas eram muito bonitas, mas qualquer beleza era ofuscada pela garota de cabelos loiro-sujo, mesmo que eu tivesse visto apenas um vislumbre de seu perfil. Quando ela se virou para mover sua cadeira, consegui ver todo seu rosto e isso me deu borboletas no estomago - era Veronica.

Não a via fazia muito tempo. Josh e eu não visitávamos a casa um do outro tanto depois do incidente em que entramos na minha antiga casa quando éramos mais novos e normalmente quando eu ia visita-lo, ela tinha saído com as amigas. Enquanto todo mundo estava com os olhos fixados na tela, eu olhava Veronica - desviando o olhar quando o sentimento de estar sendo um esquisitão me vencia, mas essa sensação desaparecia rapidamente e meus olhos voltavam para ela. Realmente era linda, como eu achava que se tornaria. Quando os créditos começaram a rolar, meus amigos se levantaram e foram embora; havia apenas uma saída e  não queriam ficar presos esperando a multidão sair. Demorei-me na esperança de prender a atenção de Veronica. Quando ela e suas amigas passaram, aproveitei a oportunidade.

"Ei, Veronica."

Ela se virou em minha direção, parecendo um pouco assustada.

"Sim?"

Levantei de minha cadeira e andei em direção a luz que saía da porta aberta.

"Sou eu. Amigo de muito de tempo de Josh... Como... Como você está?"

"Ai meu Deus! Oi! Faz tanto tempo!" Ela falou para suas amigas que sairia logo.

"Né, alguns anos pelo menos! Desde a última vez que pousei na casa de vocês. Como Josh está?"

"Ah, é mesmo. Lembro das brincadeiras de vocês. Você ainda brinca de Tartarugas Ninjas com seus amigos?"

Ela riu e eu corei um pouquinho.

"Não. Não sou mais uma criança... Agora brinco de X-man com meus amigos." Eu esperava que ela risse.

E ela riu. "Haha, você é um fofo. Você sempre vem nesses filmes?"

Eu ainda estava processando o que ela me disse.

Ela realmente acha que eu sou fofo? Ou ela quis dizer que sou só engraçado? Será que ela me acha atraente?

De repente percebi que ela tinha me feito uma pergunta, e minha mente tentou entender o que tinha sido.

"SIM!" Disse muito alto. "Sim, eu tento vir sempre... e você?"

"Eu venho as vezes. Meu namorado não gostava desses filmes, mas agora que terminamos pretendo vir sempre daqui pra frente."

Eu estava tentando soar causal, mas falhei. "Ah, legal... Digo, não que vocês tenham terminado! Que você possa vir mais vezes."

Ela riu novamente.

Tentei me recuperar, "Então, você vai vir na semana depois da próxima semana? Eles vão passar Dia dos Mortos. É bem legal."

"Sim, vou estar aqui."

Ela sorriu, e eu estava prestes a sugerir que poderíamos sentar juntos quando ela chegou mais perto e me abraçou.
"Foi muito legal ver você," ela disse com os braços me envolvendo.

Estava pensando no que falar que percebi que o problema maior era ter esquecido como se falava. Mas Ryan, que eu podia ouvi-lo se aproximando no corredor, chegou e falou por mim.

"Cara, você sabe que o filme acabou, né? Vamos sair logo daqu- É ISSO AÊÊÊ!"

Veronica me soltou e disse que me veria na próxima vez.  Ela foi saindo do salão enquanto Ryan assobiava um ritmo de música de filme pornô. Fiquei furioso, mas passou logo que ouvi Veronica rindo no corredor.

Dia Dos Mortos não podia chegar tão cedo. A família de Ryan ia sair da cidade, então ele não estaria para nos conduzir e nenhum outro dos meus outros amigos que iriam naquela note tinha carro. Alguns dias antes do filme, perguntei para minha mãe se podia me levar. Ela respondeu quase imediatamente que não, mas insisti até que percebesse o desespero na minha voz. Perguntou porque eu queria tanto ir, sendo que tinha visto o filme anterior e estiei antes de dizer que esperava me encontrar com uma garota lá. Ela sorriu e perguntou brincando se conhecia a garota e relutantemente falei que era Veronica. O sorriso desapareceu de seu rosto e friamente disse "Não".

Decidi que ligaria para Veronica e ver se ela poderia me buscar. Eu não fazia ideia se ela ainda vivia na mesma casa, mas não custava tentar. Mas percebi que, talvez, Josh podia atender. Não falava com ele a quase três anos, e se atendesse era meio óbvio que não podia pedir para falar com Veronica. Me senti culpado por ligar e perguntar por sua irmã e não Josh, mas descartei esse sentimento rapidamente; Josh não me ligava fazia anos também. Peguei o telefone e disquei o número que ainda estava embutido na minha memória por tanto ter discado-o por tantos anos.

Tocou várias vezes antes de alguém atender. Não era Josh. Senti uma mistura de sentimentos: Alívio e frustração - percebi naquele momento que sentia falta dele. Depois dessa semana eu ligaria para falar com ele, mas essa era a única chance que tinha para ver se Veronica me buscaria, então perguntei por ela.

A pessoa disse que eu tinha discado o número errado.

Repeti o número e ela confirmou. Disse que talvez tinham mudado de número e concordei. Me desculpei por perturbá-la e desliguei. De repente, fiquei muito triste que não conseguiria falar com Josh mesmo se quisesse. Me senti terrível por ter ficado com medo que ele atendesse o telefone. Ele tinha sido meu melhor amigo. Percebi que o único jeito de voltar a falar com Josh seria por Veronica, e agora, agora que realmente precisava, tinha outro motivo para ir vê-la.

Alguns dias antes do filme, disse para minha mãe que não estava mais interessado em ir, mas que esperava poder passar a noite na casa de meu amigo Chris. Ela cedeu e naquele sábado me deixou algumas horas antes do filme na frente da casa de Chris. Meus planos eram andar da casa dele até o cinema, sendo que sua casa ficava só a uns 800 metros de lá. Seus pais iam para igreja na manhã de domingo então por isso dormiam cedo, e Chris estava de boa por não vir comigo pois tinha planejado ficar conversando com essa garota que tinha conhecido online. Chris falou que o caminho de volta para a sua casa ficaria anda mais solitário quando ela risse na minha cara por tentar beijá-la, e eu disse para ele tentar não se eletrocutar enquanto tentasse fazer sexo com seu computador.

Saí da casa dele as 23h15m.

Tentei andar em um ritmo tranquilo para chegar lá um pouco antes do filme começar. Estava indo sozinho e não queria ficar andando para lá e para cá no salão esperando. No caminho, percebi que se Veronica fosse, seria muita sorte chegar ao mesmo tempo que ela, então fiquei debatendo comigo mesmo se esperava na frente ou se já entrava. Ambos tinham seus prós e contras. Enquanto pensava nisso percebi que o fluxo constante de luzes de carro que estavam passando por mim durante o caminho tinham sido trocadas por um único farol, sempre parado que se recusava passar. A estrada não estava iluminada por postes de luz, então estava andando na grama com a estrada à um metro para minha esquerda; fui um pouco mais para direita e virei a cabeça por cima de meu ombro para ver o que estava atrás de mim. 

Um carro tinha parado a uns 3 metros atrás de mim.

Tudo que eu podia ver eram os dois faróis da frente brilhando violentamente, quebrando a escuridão. Pensei que fossem os pais de Chris; talvez eles tenham ido dar uma olhada no quarto e viram que eu não estava lá. Não levaria muito para que Chris confessasse meus planos. Dei um passo em direção ao carro, e este começou a andar em um ritmo lento em minha direção. O carro me passou e vi que não era o carro dos pais de Chris ou nenhum que reconhecesse. Tentei ver quem era o motorista mas estava muito escuro e minhas pupilas estavam enfraquecidas pela luz ofuscante de alguns segundos atrás. Minha visão voltou e consegui ver uma enorme rachadura no vidro traseiro do carro enquanto ele dirigia para longe.

Não pensei muito sobre o acontecimento; algumas pessoas acham engraçado assustar os outro - com frequência eu me escondia pela casa e assustava minha mãe, também.

Tinha previsto certo e cheguei lá uns dez minutos antes do filme. Decidi esperar até umas 23h57m lá fora, e isso me daria tempo de procurá-la por dentro do salão se já tivesse chego e entrado. Enquanto considerava a possibilidade dela não aparecer, eu a vi.

Estava sozinha e linda.

Abanei para e andei em direção à ela. Sorrindo perguntou se meus amigos já estavam lá dentro. Falei que eles não tinham vindo e percebi que parecia que estava forçando um encontro. Ela não pareceu se importar ou quando entreguei à ela um ingresso que já tinha comprado. Ela me olhou confusa e eu disse "Não se preocupe, sou rico". Ela riu e entramos.

Comprei um saco de pipoca e dois refrigerantes e passei maior parte do tempo pesando se devia contar o tempo para pegar pipoca ao mesmo tempo que ela só para encostar em sua mão. Ela pareceu gostar do filme e antes que eu percebesse, tinha acabado. Não nos demoramos na sala por conta de ser a seção da meia-noite e o cinema ia fechar, então ficamos na rua.

O estacionamento do cinema era grande pois era junto com o de um shopping que não funcionava mais. Sem querer que a noite acabasse, continuei a conversar com ela enquanto caminhávamos em direção ao  shopping desativado. Quando estávamos prestes a virar uma esquina, olhei para trás e vi que o carro dela não era o único no estacionamento.

O outro tinha uma enorme rachadura na janela traseira.

Meu mal-estar imediatamente mudou para entendimento.

Faz sentido. O motorista dele trabalhar aqui e percebido que eu estava indo para o cinema.

Injetar terror na vida de um fã de terror era muito óbvio.

Andamos pelo estacionamento enquanto conversávamos sobre o filme. Falei que achava que Dia dos Mortos era melhor que Despertar dos Mortos, mas ela recusava concordar. Contei sobre ter tentado ligar para ela no número antigo e sobre o dilema de quem atenderia. Não achou tão engraçado quanto eu, mas pegou meu celular e colocou seu número nele. Comentou que, provavelmente, meu celular era o mais feio que já tinha visto. Sua reação não foi anulada quando disse que nem fotos conseguia receber nele. Liguei para ela para que ficasse com meu número em seu celular e ela o salvou.

Ela contou que estava se formando, mas que não tinha se dado muito bem naquele ano então não tinha certeza se iria para a faculdade. Falei que bastava anexar uma foto dela na aplicação e eles pagariam para que pudessem apenas olhar seu rosto. Ela não riu e achei que talvez tivesse ficado ofendida - talvez pensasse que eu tivesse suposto que  só podia entrar por sua beleza e não por sua inteligência.  Nervosamente olhei para seu rosto e vi que ela estava apenas sorrindo e mesmo sob pouca luz pude ver que estava corando. Eu queria segurar sua mão, mas não o fiz.

Enquanto fazíamos a volta final no shopping e estávamos perto do cinema de novo, perguntei de Josh. Ela falou que não queria falar sobre aquilo. Perguntei se ela sabia se pelo menos ele estava bem e simplesmente disse "Não sei". Deduzi que, em algum ponto, Josh tinha feito uma curva errada na vida e começou a se meter em problemas. Me senti mal. Culpado.

Enquanto voltávamos para o estacionamento notei que o carro com a janela quebrada não tinha sumido e que o dela era o único lá. Ela perguntou se eu queria uma carona e mesmo que não precisasse disse que apreciaria. Tinha tomado uma latinha de refri durante o filme e agora aquilo estava fazendo pressão na minha bexiga. Sabia que podia esperar até chegar na casa de Chris, mas decidi que iria beijá-la quando chegássemos lá, então não queria que nenhuma necessidade biológica apressasse o ato. Seria o meu primeiro beijo.

Não consegui pensar em nenhuma desculpa para esconder o que ia fazer. O cinema já tinha fechado faz tempo então tinha apenas uma opção. Falei que iria para trás do cinema para mijar e que voltaria em "dois pingos". Ficou óbvio que achei que isso era hilário e ela pareceu rir mais de mim do que da piada.

Enquanto estava indo em direção ao cinema, parei e virei para ela. Perguntei se Josh alguma vez tinha mencionado sobre algo legal que um garoto chamado Alex tinha feito por mim. Ela parou um segundo, pensando, e disse que tinha. Perguntou o porque daquela pergunta e falei que não era nada. Josh realmente era um bom amigo.

Quando fui para trás do teatro, percebi que havia uma cerca de arame que se estendia e passava pelas paredes da construção. Da onde eu estava ela ainda podia me ver, e a cerca parecia continuar eternamente. Então decidi que ia apenas pulá-la para sair de vista e voltar o mais rápido possível. Parecia ser um esforço e tanto, mas achei que compensaria. Escalei a cerca e andei um pouco até que ela não conseguisse mais me ver e mijei.

Por um segundo só podia ouvir os grilos na grama atrás de mim e a colisão do liquido com o cimento. Mas esses sons foram cobertos por um barulho que eu ainda consigo ouvir quando tudo está quieto e não há outros barulhos para distrair meu ouvidos.

Ao longe, ouvi um chiado que diminui apenas para ser substituído por uma quantidade de vibrações trovejantes. Rápido o suficiente, percebi o que era.

Um carro.

O barulho do motor começou a ficar mais alto. Então pensei.

Não. Não "mais alto". Mais perto.

Quando me liguei disso comecei a voltar para a cerca, mas antes que pudesse ir sair dali ouvi um grito rápido e o rugir do motor se terminar em um estrondo ensurdecedor. O carro havia batido. Comecei a correr, mas depois de dois ou três passos tropecei em um pedaço de pedra solto no chão e caí feio no chão de concreto - Minha cabeça batendo no canto de uma cadeira quando tombei. Fiquei tonto por uns 30 segundos, mas o ronco do motor voltando a ativa fez com que meus sentidos voltassem e meu equilíbrio foi reativado pela adrenalina. Redobrei meus esforços. Estava preocupado que seja lá quem tivesse batido aquele carro talvez tivesse machucado Veronica. Estava escalando a cerca e vi que só havia um carro no estacionamento. Não vi nenhuma evidência de uma batida. Talvez eu tinha julgado mal sua direção ou proximidade. Enquanto corria em direção do carro de Veronica, minhas orientações mudaram quando vi no que o carro havia batido. Minhas pernas pararam de funcionar quase que completamente.

Era Veronica.

Seu carro estava bloqueando a visão e quando eu dei a volta nele consegui ver.

O corpo dela estava torcido e amassado de um jeito que nenhum livro descreveria o corpo humano. Pude ver o osso de sua canela direita atravessado pelo jeans e seu braço esquerdo estava tão enrolado atrás do pescoço que sua mão estava pousada sobre o seio direito. Sua cabeça estava esticada para trás e sua boca estava totalmente aberta em direção ao céu. Havia muito sangue. Enquanto olhava para ela não conseguia discernir se ela estava de barriga para cima ou para baixo e esta ilusão de ótica me deixou enjoado. Quando você é obrigado a confrontar com algo que simplesmente não consegue acreditar, sua mente tenta convencê-lo de que está sonhando e fornece aquela sensação de que todas as coisas estão movendo em câmera lenta. Honestamente, achei que acordaria a qualquer momento.

Mas não acordei.

Me atrapalhei com meu celular para pedir ajudar, mas não havia sinal. Consegui enxergar o celular de Veronica saindo do que achei ser o bolso da frente de sua calça jeans. Eu não tinha opção. Tremendo, e quando deslizei ele para fora e ela se moveu e engasgou tentando respirar tão violentamente que parecia que estava tentando respirar todo o oxigênio do mundo.

Fiquei tão assustado que cambaleei para trás caindo no asfalto com o celular dela em minha mãe. Ela estava tentando arrumar o corpo para que ficasse de um jeito natural, mas a cada espasmo ou movimento eu podia ouvir o quebrar e a trituração de seus ossos. Sem pensar, me arrastei até ela e coloquei meu rosto perto do dela e falei,

"Veronica, não se mexa. Não se mexa, Ok? Fiquei parada. Não se mexa. Veronica, por favor não se mexa!"

Continuei a repetir aquela frase mas as palavras começaram a se embaralhar enquanto lágrimas caiam de meu rosto. Abri o celular dela. Ainda funcionava e ainda estava na tela em que tinha salvo meu número; quando vi aqui meu coração afundou no peito. Liguei para a policia e esperei com ela, dizendo que ela ficaria bem e me sentindo culpado por mentir cada vez que falava aquilo.

Quando os sons da sirene atravessaram o ar, ela pareceu ficar mais alerta. Tinha ficado consciente desde que a encontrará, mas agora o brilho de seus olhos parecia ter voltado. Se cérebro ainda a protegia da dor; mas agora parecia que estava tomando consciência de algo horrível tinha acontecido com ela. Seus olhos rolaram em minha direção e seus lábios se moveram. Estava  lutando consigo mesma, mas consegui  ouví-la.

"Hhh...Ele...f...fo...foto. Mi...minha foto... ele tirou."

Não entendi o que ela queria dizer, então respondi a única coisa que podia "Desculpa, Veronica".

Fui na ambulância com ela onde finalmente perdeu a consciência. Esperei no quarto em que tinham reservado para ela. Ainda estava com o celular dela então coloquei em sua bolsa e liguei para minha mãe do telefone do hospital. Era por volta das quatro da manhã. Falei que estava bem, mas Veronica não. Ela me xingou e disse que logo viria para cá, mas eu disse que não sairia dali até que Veronica saísse da cirurgia. Ela disse que viria de qualquer forma.

Minha mãe e eu não nos falamos muito. Falei que sentia muito por ter mentido, e ela falou que conversaríamos sobre aquilo mais tarde. Provavelmente teríamos conversado mais naquele quarto se eu tivesse contado para ela sobre Caixas ou sobre a noite da jangada, ou se ela tivesse contado o que sabia. As coisas teriam mudado. Mas sentamos lá em silêncio. Ela disse que me amava e que eu podia ligar para ela quando quisesse ir embora.

Enquanto minha mãe saia, os pais de Veronica chegaram apressados. O pai dela e minha mãe trocaram algumas palavras que pareciam ser muito sérias enquanto a mãe de Veronica conversava com a pessoa atrás do balcão. A mãe dela era enfermeira, mas não trabalhava naquele hospital. Tenho certeza de que ela estava tentando transferir Veronica de hospital, mas nas condições em que se encontrava, era impossível. Enquanto esperávamos, a polícia veio e falou com cada um de nós - contei o que tinha acontecido, eles tomaram algumas notas, e então saíram. Quando saiu da cirurgia, 90% do corpo de Veronica estava coberto por ataduras grossas e brancas. Seu braço direito estava livro, mas o resto dela parecia um casulo. Ela ainda estava sedada, mas me lembrei de como me senti quando coloquei gesso no jardim de infância. Pedi uma caneta para a enfermeira, mas não conseguia pensar em nada para escrever. Dormi em uma cadeira no canto, e fui para casa no dia seguinte.

Voltei todas as tardes durante vários dias. Em algum momento eles colocaram outro paciente no quarto com Veronica e com isso uma tela de divisão para dividir o aposento. Ela não parecia estar se sentindo melhor, mas pelo menos tinha mais momentos lúcidos. Mas mesmo nesses momentos não conversávamos. Sua mandíbula tinha sido quebrada no atropelamento, então os médicos tinham a travado com arame.  Ficava sentado com ela por um tempo, mas não havia muito o que dizer. Levantei e andei até ela. A beijei na testa e ela sussurrou algo entre seus dentes trincados.

"Josh..."

Isso me surpreendeu um pouco, mas olhei para ele e perguntei, "Ele ainda não veio te visitar?"

"No..."

Fiquei muito irritado. Mesmo que Josh estivesse metido em problemas, ele devia visitar sua irmã no hospital, pensei.

Eu estava prestes a expressar isso para ela quando ela falou, "Não... Josh... ele fugiu... Eu devia ter te contado antes."

Senti meu sangue congelar.

"Quando? Quando isso aconteceu?"

"Quando ele tinha 13."

"Ele... Ele deixou algum recado ou algo do tipo?"

"No travesseiro..."

Ela começou a chorar e eu também, mas agora acho que estávamos chorando por razões diferentes. Nesse ponto ainda haviam muitas coisas que não me lembrava da minha infância, e tinha muitas conexões que não havia feito. Falei para ela que tinha que ir, mas que podia me mandar uma mensagem qualquer hora.

Recebi uma mensagem dela no outro dia dizendo que não queria que eu voltasse lá. Perguntei porque e disse que não queria que eu a visse daquela forma de novo. Concordei a contragosto. Conversávamos por SMS todos os dias, mesmo que fizesse isso escondido da minha mãe, sabendo que ela não queria que eu falasse com Veronica. Geralmente suas mensagens eram bem curtas e a maioria apenas respostas das longas mensagens que eu enviava. Tentei ligar para ela uma vez, tenho certeza que ela conseguia ver quem a ligava, mas esperava poder ouvir sua voz; atendeu mas não falou nada - Eu podia ouvir em sua respiração o quão difícil aquilo estava sendo para ela. Cerca de uma semana depois de ter dito para não ir mais vê-la, me enviou uma mensagem que simplesmente dizia:

"Eu te amo."

 Fui preenchido por tantos sentimentos diferentes, mas respondi me expressando o mais simples possível:

"Também amo você."

Ela disse que queria ficar comigo e mal podia esperar até que pudesse me ver de novo. Disse que tinha sido liberada e agora se recuperava em casa. Estas trocas de mensagens prosseguiram por várias semanas, mas toda vez que perguntava se podia ir vê-la, recebia um "Em breve". Continuei insistindo e na semana seguinte ela disse que talvez poderia ir no próximo filme da meia-noite. Não conseguia acreditar, mas ela insistiu que tentaria. Recebi uma mensagem dela na tarde do filme dizendo:

"Te vejo hoje a noite."

Consegui que Ryan me levasse, pois os pais de Chris tinham descoberto sobre todo o acontecimento e disseram que eu não era mais bem vindo em sua casa. Expliquei para Ryan que ela poderia estar ainda um pouco mal, mas que eu me importava muito com seu bem estar então pedi que ele nos desse um pouco de espaço. Ele aceitou e fomos para lá.

Veronica não apareceu.

Tinha guardado um lugar para ela em meu lado, bem perto da saída, para que pudesse sair rapidamente se assim precisasse, mas dez minutos depois que o filme começou um homem sentou naquela cadeira. Eu sussurrei "Desculpe-me, mas estou guardando esse lugar," mas ele não respondeu; só ficou olhando para a tela. Me lembro de querer me mudar de lugar pois parecia haver algo de errado com a respiração daquele homem. Fiquei arrasado, percebendo que ela não viria.

Mandei uma mensagem para ela no dia seguinte perguntando se estava bem e porque não tinha aparecido no cinema. Ela respondeu como o que seria a última mensagem que me mandou. Ela simplesmente disse.
"Te verei de novo. Em breve."

Ela estava delirante e isso me deixava preocupado. Mandei várias respostas contando que o filme nem tinha sido tão bom assim mas nunca mais me respondeu. Nos dias seguintes fiquei muito triste. Não conseguia ligar para a casa dela pois não sabia o número e não tinha certeza sobre onde eles moravam hoje em dia. Comecei a ficar muito depressivo e minha mãe, que começara a ser muito legal comigo, perguntou se eu estava bem. Contei à ela que nunca mais conseguira falar com Veronica e vi todo o calor de sua pessoas sumir imediatamente.

"Como assim?"

"Ela devia ter se encontrado comigo ontem no cinema. Eu sei que faz só três semanas que foi atropelada, mas ela disse que tentaria ir e depois disso simplesmente parou de falar comigo. Ela deve me odiar."

Ela parecia confusa e conseguia ler em seu rosto que tentava ver se eu tinha simplesmente surtado. Quando viu que não, seus olhos ficaram cheios de água e me puxou, me abraçando. Ela começara a soluçar, mas isso parecia uma reação muito intensa para o meu problema  e eu não tinha nenhum motivo para acreditar que ela se sentia mal por Veronica. Ela respirou fundo e então disse algo que me deixo extremamente enjoado.

"Veronica está morta, querido. Ah Deus, achei que você soubesse. Ela morreu um dia depois que você a visitou pela última vez. Ah, amor, ela morreu faz semanas."

Ela estava chorando muito, mas sabia que não era por Veronica. Me soltei dela e dei alguns passos para trás. Minha mente girava. Isso não era possível. Eu troquei mensagens com ela ontem. Só conseguia pensar em uma pergunta.

"Então porque o celular dela ainda estava ligado?"

Ela continuou a chorar. Não me respondeu.

Explodi "PORQUE DEMOROU TANTO PARA QUE ELES DESLIGASSEM A PORRA DO CELULAR?!"

Ela quebrou a choradeira e sussurrou, "As fotos..."

Depois descobri que os pais dela achavam que o celular de Veronica tinha se perdido no acidente, mesmo que eu tinha colocado na bolsa dela na noite em que foi levada para o hospital. Quando foram recuperar os pertences, o celular não estava entre eles.  Eles pretendiam contatar a empresa da linha do telefone para desativar a linha, mas receberam um telefonema informando-os sobre uma acusação iminente de centenas de fotos que haviam sido enviadas aparto do telefone dela. Fotos. Fotos que foram enviadas para o meu celular. Fotos que nunca recebi pois meu celular não recebia imagens. Descobriram que foram enviadas na noite em que ela morreu.Então desativaram imediatamente.

Tentei não pensar nos conteúdos dessas fotos. Mas me lembro de me perguntar se eu estaria em alguma dessas.

Minha boca ficou seca e senti um desespero enorme quando me lembrei qual tinha sido a última mensagem que recebi do celular dela...


Te verei de novo. Em breve.