30/04/2014

O dançarino sorridente

Gente, achei essa creepy em um site de relatos reais que aconteceram com pessoas reais. Sério, acho que é a história que mais me deu medo e agonia na vida o_o
~Divina
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Cerca de cinco anos atrás, eu morava no centro de uma grande cidade nos EUA. Sempre fui uma pessoa noturna, então de vez em quando eu me via entediada depois que minha colega de quarto, que definitivamente não era uma pessoa noturna, ia dormir. Para passar o tempo, eu costumava dar longas caminhadas para pensar.

Passava quatro horas assim, andando sozinha na noite, e nenhuma vez tive um motivo para me sentir com medo ou ameaçada. Eu sempre brincava com minha colega de quarto dizendo que, mesmo os traficantes da cidade eram educados. Mas tudo isso mudou em cerca de minutos em uma noite.

Era uma quarta-feira, em algum momento entre uma e duas da manhã, e eu estava andando perto de um parque que é patrulhado pela policia, a algumas quadras do meu apartamento. Era uma noite bem silenciosa, mesmo para um dia da semana, com pouco trafego e quase ninguém andando a pé. O parque, como a maioria das noites, estava vazio.

Dei meia volta em uma rua com intenção de voltar ao meu apartamento quando o notei pela primeira vez. Longe, no final da rua e na mesma calçada que eu, estava a silhueta de um homem, dançando. Era uma dança estranha, quase como uma valsa, mas ele terminava cada passo de dança andando um pouco para frente. Acho que pode ser dito que ele estava dançando-e-andando, vindo em minha direção.

Decidindo que provavelmente ele estava bêbado, eu fiquei mais perto da estrada para dar caminho onde ele pudesse passar por mim na calçada. Quanto mais chegava perto, mais eu percebia o quão graciosa era sua dança. Ele era alto e magro, e vestia um terno velho. Ele dançou mais perto em minha direção, até que consegui ver seu rosto. Os olhos estavam abertos e esbugalhados, com a cabeça para trás, olhando para o céu. A boca estava aberta em um sorriso doloroso, como se fosse de um desenho animado. Vendo aquilo, decidi atravessar a rua antes que o dançarino se aproximasse mais.

Tirei meus olhos dele  para atravessar a rua vazia. Quando cheguei no outro lado, olhei de volta... Então fiquei congelada no mesmo lugar. Ele tinha parado de dançar e estava em um só pé na rua. Ele estava virado na minha direção, mas ainda olhava para o céu. O sorriso era enorme no rosto.

Fiquei completa e absolutamente abalada pro causa daquilo. Comecei a andar de novo, de costas, sem tirar meus olhos dele. Ele não se mexia.

Quando eu já estava a mais de meia quadra longe dele, me virei para olhar a calçada na minha frente. A rua e a calçada estava completamente vazia. Ainda abalada, olhei de volta para onde antes ele estava parado e vi que não estava mais lá. Por um breve momento me senti aliviada, até que vi-o de novo. Ele tinha atravessado para a mesma calçada que ele tinha-se agachado. Eu não conseguia teu certeza, por causa da distância e da escuridão, mas estou quase certa que ele estava virado para mim. Eu tinha tirado meus olhos deles não mais que por dez segundos, então estava claro que ele se movia rapidamente.

Eu estava tão chocada que fiquei ali, parada, olhando para ele. Então ele começou a se mover em minha direção de novo. Ele dava passos exagerados na ponta dos pés, como se ele fosse um personagem de desenho animado se aproximando de fininho. Exceto que ele se movia muito, muito rápido.

Eu gostaria de dizer que nesse ponto comecei a correr, que peguei meu spray de pimenta ou meu celular, mas eu não fiz nada disso. Só fiquei lá de pé, completamente congelada enquanto aquele homem sorridente se rastejava em minha direção.

E então ele parou de novo, mais ou menos a uns dois metros de distância, ainda com aquele largo sorriso, ainda olhando para o céu.

Quando finalmente achei minha voz, eu falei a primeira coisa que me veio a cabeça. Eu pretendia perguntar "O que diabos você quer?" em um tom de comando. Mas a única coisa que saiu da minha garganta com um "O que diaaabo...?" abafado.

Eu não sei se humanos conseguem ou não sentir o cheiro do medo, mas conseguem ouvi-lo. Eu ouvi o medo na minha própria voz, e isso só me fez ficar pior. Mas ele não reagiu. Só ficou lá parado, sorrindo.

E depois do que pareceu a eternidade, ele se virou, lentamente, e começou a dançar-caminhar para longe. Só isso. Sem querer virar minhas costas para ele de novo, eu só fiquei assistindo ele ir embora, até que ficou tão longe que quase não o enchergava. Então percebi algo. Ele não estava mais andando para longe, nem estava dançando. Assisti em horror enquanto a distancia entre nós ia diminuindo rapidamente. E agora ele estava correndo.

Corri também.

Corri até conseguir chegar em uma outra estrada mais iluminada e com mais trafego. Olhei para trás e ele não estava em nenhum lugar. Todo o resto do caminho até meu apartamento,eu continuava a olhar sobre o ombro, sempre esperando ver aquele sorriso estúpido, mas ele não apareceu mais.

Vivi mais seis meses naquela cidade, e nunca mais caminhei a noite. Havia algo sobre o rosto dele que sempre vai me assombrar. Ele não parecia bêbado, não parecia drogado. Ele parecia completamente louco. E isso é uma coisa muito assustadora de se ver. 

29/04/2014

Sempre são os mais quietos

Ninguém nunca notou minha presença em lugar algum. Na verdade, sem você, minha morte não seria nem mesmo um pequeno pensamento na mente de ninguém. Eu sempre fui o garoto quieto, sempre seguindo os outros, talvez isso fosse loucura, mas eu sei que você sempre esteve comigo. Sempre são os mais quietos, não é?

Você. Você foi meu amigo, uma ótima pessoa. Se você não tivesse sido levado por eles... Ah sim, eles. Eles levaram você naquele dia horrível, eles te empurraram e esmurraram, eles te jogaram em um buraco e te deixaram lá para que morresse, e então eles te levaram. Agora eles devem pagar pelos crimes que cometeram. Eles eram monstros, e ainda são, monstros que se escondem sob uma casca humana. Eles são mais repulsivos e perversos que as ações que eu irei tomar.

Quando você ainda estava aqui, você me dizia para não machucá-los, porque eu era melhor do que isso, melhor do que eles. Eu nunca havia pensado em fazer isso antes que eles te levassem, e agora eles me forçam a fazer isso. Sem você, eu estou sozinho, eu nem mesmo sou eu próprio sem você. Pará-los é a única maneira de me parar, é a única maneira de salvar você, mas no fim, eu temo que possa acabar te matando.

Eu sinto muitíssimo por ter que fazer isso. Vai contra tudo que você crê, contra tudo que eu creio. Eu tenho que destruí-los, sem deixar nada... Logo eles sentirão minha dor, sua dor.

Dor. É a única coisa que eles temem. Eles fogem, gemem quando sentem dor, mas eles não conhecem a dor verdadeira, que é a que eles mais temem. Sabendo disso, mesmo que você esteja entre as pessoas, você está completamente sozinho. Eles temem o que nós todos sentimos, e mesmo assim, eles fizeram que nós sentíssemos isso.

No fim, eu estou salvando tudo, salvando todos nós, salvando você, me salvando, destruindo todos, destruíndo-me, destruindo eles, destruindo você. Eu irei destruir todos que se disseram meus "amigos", e logo, o sol irá se erguer e brilhar sua luz em seus corpos ensanguentados, podres e maus - todos verão quem eles são de verdade, cadáveres podres. É por isso que eu escrevo essa carta, para que você saiba que a culpa não foi sua, e sim minha, e eu asumo toda a responsabilidade - apeas entenda... Eu fiz isso por você.

Adeus, meu eu anterior.

28/04/2014

Cobaia Q1100317 - O Tocha Humana

Ninguém poderia imaginar que a hora mais obscura da raça humana estava próxima. Ninguém imaginaria que uma pequena cidade dos Estados Unidos pudesse acabar com todo o mundo. Ninguém imaginaria que o planeta inteiro se uniria contra a América. Porém, as pessoas também não imaginavam o que os americanos estavam planejando há anos.

 Na época eu trabalhava para uma pequena companhia privada. A companhia era financiada pelo governo dos Estados Unidos, mas era tecnicamente separada dele. Negação plausível e toda essa coisa. É claro que eu não sabia nada sobre isso. Tudo que eu sabia era que eu tinha acabado de me graduar e esse era a única oportunidade de emprego que me afastaria do constrangimento.

Eu era basicamente um recepcionista. Atendia ligações, fazia café, e marcava horários de atendimento e geralmente fazia o que me mandavam. Não era um emprego fascinante, mas, ou eu o aceitava ou nunca passaria de um simples mecânico em uma cidade pequena, assim como o meu pai. Então, quando os meus primos me indicaram ao emprego que seria a minha grande chance de me liberta mundo afora, eu o agarrei.

As pessoas sempre dizem coisas como “Se eu soubesse que seria assim não aceitaria esse emprego”, mas sinceramente, se eu não tivesse aceitado esse emprego eu estaria morto agora. E ainda tenho força e coragem suficientes para dizer que não me arrependo.

Sempre me ensinaram a não ser muito curioso, e é claro, ‘nunca escolher os dentes de um cavalo dado’. Então segui fazendo o meu trabalho. Dei o meu melhor. Não fiz muitas perguntas e acabei sendo promovido.

Eu seria o asssistente do Coronel Olsen. Não era tão ruim afinal. Eu faria as mesmas coisas de antes, mas dessa vez eu faria “para o coronel”.

Nós desenvolvemos um bom relacionamento. Éramos Cristãos vindos de uma cidade pequena e com famílias grandes. Para mim, ele se tornou algo mais próximo de um amigo naquele lugar. E eu também sentia que significava algo para ele também. Um dia, após uma reunião, ele me pediu que fosse até o escritório dele. Eu não sabia que dessa vez a conversa rotineira tomaria outros rumos.

Ele começou me entregando um pen drive, uma chave, e um celular. Ele me explicou que quando eu recebesse uma mensagem de texto naquele celular eu deveria pegar a chave e usa-la para abrir o cofre em seu escritório.

Então eu deveria passar os dados do pen drive para o notebook que estaria dentro do cofre. Depois eu deveria ler as notas que ele havia me deixado no cofre e seguir as instruções.

Naquele momento eu logo soube que todas as instruções eram para algo muito importante. Tentei ficar tranquilo e esquecer aquela conversa até que chegasse o momento certo de agir. Sempre fui obediente e tentei não ser curioso. Mas dessa vez era demais. Tentei acessar o pen drive no meu computador, e ele travou o sistema completamente. O computador não voltou a funcionar.

Era realmente algo que eu não deveria ver antes da hora. Guardei o celular, o pen drive e a chave e voltei para a minha casa.

Quando fui ao trabalho no dia seguinte tudo parecia normal. Fui informado que todos os funcionários passariam por uma checagem médica naquele dia. E na lista o meu nome era o primeiro.

Enquanto eu era examinado por um uma enfermeira muito atraente e cheia de curvas, o celular começou a tocar. E não era o meu celular pessoal. Era o outro celular…

Desculpei-me rapidamente e chequei o celular. Era uma mensagem de texto. Estava em branco. No entanto, a mensagem havia sido enviada por um número que eu reconhecia. Coronel Olsen! Fiz o meu caminho rapidamente para o escritório dele que estava bloqueado por dois soldados enormes. Tentei parecer discreto enquanto me aproximava da porta, mas eles não me deixaram passar e explicaram que o escritório do coronel estava sendo investigado por sinais de traição contra os Estados Unidos.

Isso já era demais. Traição! Não tinha como. O coronel era o cara mais honesto que já conheci. Escondi a minha desaprovação e expliquei aos soldados que eu já estava ciente dessa questão e fui encarregado de ‘espionar’ o coronel por alguns meses. Falei que tinha a chave para o cofre do escritório e pedi permissão para entrar e ajuda-los com a investigação.

Os soldados se entreolharam um pouco duvidosos. Eles realmente não estavam esperando por aquilo. Eu não era o tipo de fantoche do governo que eles esperavam. Falei para eles que se não me deixassem passar eu entraria em contato com o superior deles e explicaria que eles estavam impedindo a minha investigação.

O truque funcionou.

Os soldados destrancaram a porta e o mais alto dos dois me acompanhou para dentro do escritório. Segui rapidamente para o cofre, esperando sair logo daquela confusão. Minhas mãos tremiam ao pegar a chave para usa-la no cofre. O cofre abriu com um estalo alto até demais. Abri o cofre lentamente enquanto me ajoelhava na frente para impedir que o soldado pudesse ver o que eu estava fazendo. Lá dentro encontrei o notebook, alguns documentos... e uma arma! Em quê eu havia me metido? Havia um tubo acoplado ao cano da arma que eu sabia que deveria ser um silenciador.

Eu poderia fazer aquilo? Poderia confiar no homem que estava sendo preso por traição? Ele era o meu amigo! Era quase como o pai que eu realmente merecia.

Permiti que a raiva e adrenalina me dominassem, e  meu corpo passou a mover-se por instinto.

Levantei-me rapidamente e apontei a arma para a cabeça do soldado que estava olhando alguns papéis sobre a mesa. Fechei meus olhos o mais forte que pude enquanto apertava o gatilho. A ação deveria ser silenciosa, mas o corpo do soldado caiu sobre a mesa derrubando várias coisas.

O outro soldado abriu a porta para perguntar sobre o barulho que tinha acabado de ouvir e eu mandei uma bala diretamente no meio de seus olhos. Eu poderia não ser o fantoche do governo que eles esperavam, mas eu era definitivamente parte da classse média Americana e meu pai era membro da Associação Nacional de Rifles da América. Eu sabia muito bem como manejar uma arma.

Arrastei os corpos para um canto do escritório, e observei por um momento o que eu tinha feito. Essa realmente não era a manhã de quinta-feira que eu esperava.

Depois de me recompor voltei para o cofre. Para analisar os documentos. Naquele momento tudo o que me interessou foi o bilhete na primeira página de um dos documentos.


Matthews, 

Se estiver lendo isso eu já devo provavelmente estar morto. Eu sei que você é um homem forte, mas espero que não tenha tido a necessidade de utilizar a ferramenta que lhe providenciei. Porém, no momento não tenho tempo para tais esperanças. Por favor, pegue todos os meus documentos e fuja para o México. Providenciei passaportes para você e sua família. Insisto que pegue os documentos e corra o mais rápido que puder. 

Perdoe-me, 

COL Jericho Olsen


Lembrando as outras instruções que me foram passadas, abri o notebook e a tela mostrou o que era claramente um tipo muito avançado de sistema. Pluguei o pen drive e a tela escureceu imediatamente. Temi que tivesse feito algo errado. Porém, um texto logo surgiu mostrando coisas que eu não entendia. Eu não tinha tempo para analisa-las.

Fiquei de pé, respirei fundo, pus a arma na parte de trás da calça e voltei para o meu escritório tentando parecer o mais calmo possível. Felizmente não encontrei ninguém pelo caminho. Vesti meu casaco e deixei uma nota em minha mesa dizendo que eu tinha passado mal e voltaria no dia seguinte. Não sei por que fiz isso. Não é como se eu fosse voltar depois de deixar dois cadáveres no escritório do meu chefe.

O resto dos acontecimentos até o México não são muito importantes. Saquei todo o meu dinheiro da poupança. Pedi aos meus amigos que saíssem do país se tivessem oportunidade, pois algo grande estava prestes a desabar. O mais importante porém, é que consegui convencer o meu pai e minhas irmãs a virem comigo. Quando chegamos à fronteira os guardas deram uma checada rápida em nossos passaportes e nos permitiram passar.

Continuamos dirigindo para o sul, rumo a Cidade do México. Durante toda a viagem ouvimos várias histórias estranhas sobre casos ocorrendo nos Estados Unidos. O mais preocupante era ouvir que não havia comunicação com a Dakota do Norte, Dakota do Sul, Minnesota, e partes de Iowa. Eu estava trabalhando na cidade de Sioux Falls, Dakota do Sul.

Quando chegamos à Cidade do México finalmente paramos. Paguei por dois quartos de hotel em uma ótima parte da cidade e trouxe o meu notebook onde estou escrevendo esse relato. A conexão do hotel não era boa e as noticias eram piores. Todo o meio-oeste se foi. Não havia mais comunicação. E quando os aviões passavam pela área, tudo o que enxergavam eram chamas. Cinzas caiam como neve em Chicago e o Canadá havia fechado as fronteiras.

Escondi essas notícias da minha família. Eu não queria assusta-los. Deixei a TV ligada em um canal com novelas mexicanas e pedi que eles pensassem apenas em coisas felizes.

Eu os deixei assistindo as novelas e decidi analisar melhor os documentos que o coronel havia deixado para mim. Eram coisas inimagináveis. O coronel andou fazendo coisas terríveis. Aparentemente, o local onde eu trabalhava estava realizando experimentos secretos em criminosos com radiação e outras coisas que nem sei explicar. Havia relatórios sobre coisas como uma mulher que parecia viver com todos os órgãos expostos e vomitava um tipo de ácido. Vou incluir esses documentos em outro texto quando eu me acalmar.

A parte mais assustadora era a que contava sobre um paciente que sofreu combustão espontânea e o fogo não apagava. A pele dele não parecia deteriorar completamente, mas ele ficava em constante agonia e implorava para ser morto. Ele parecia uma tocha humana. O coronel negou as súplicas do homem para que o matassem, mas garantiu que faria de tudo para aliviar a dor. O homem foi mantido sedado e isolado até que um general viesse para observa-lo.

Quando o general chegou se sentiu enojado e ao mesmo tempo curioso. Ele solicitou um teste em campo para a Cobaia Q1100317. O coronel protestou dizendo que o homem já tinha sofrido demais e que deveriam acabar com o sofrimento dele. O general não se deixou convencer e disse para o coronel que esse trabalho não era para um homem fraco.

O coronel continuou a protestar e o general o jogou a força dentro da cela com a cobaia Q1100317. O cientista responsável pela cobaia interrompeu o sedativo e o ‘Tocha Humana’ acordou. Os detalhes são macabros e vou relata-los em outro documento, mas o coronel, o meu grande amigo, não sobreviveu a esse encontro. Infelizmente, o que ocorreu dentro daquela cela agradou ao general e ele ordenou que fosse preparado um teste de campo completo para a semana seguinte.

Suas palavras finais foram: “Este homem pode mudar as nossas armas na guerra”.


Acabei de saber que os Estados Unidos entraram em quarentena. Ninguém pode entrar ou sair do país.

O meu país está sendo devorado pelas chamas.

E daqui eu já posso sentir o cheiro da fumaça.



27/04/2014

Creeper da Semana: Willian Palhano


Idade: 14 anos

Estado: Santa Catarina

Como Conheceu o Blog/Por que gosta de Creepypastas: Sempre gostei de histórias de Terror, pois adoro sentir medo :P Conheci o Blog por uma amiga que acessava pelo celular... minha primeira Creepypasta foi a da Menina e o cachorro... A frase ainda ecoa na minha mente "humanos também sabem lamber", pra mim o melhor tradutor do blog é o Gabriel...(a Divina e o Alex também são os melhores :P)

Contato pessoal:
Facebook: Willian Palhano
Skype: willian.palhano

(Creeper de Semana - 28/04/2014 à 04/05/2014)

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A melancolia de Herbert Solomon (PARTE FINAL)

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McKenzie se espremeu entre a multidão para ir para a frente, pedindo por silêncio e calma enquanto se aproximava da figura corcunda e derrotada de Herbert Solomon; ele e alguns de seus escolhidos iriam libertar a cidade de Ettrick de uma vez por todas dessa abominação.

Com um frasco de água benta na mão, acompanhado de vários homens enormes com suas espadas em punho, McKenzie se aproximou lentamente recitando versos da bíblia. Através de seus olhos negros, Herbert Solomon observou as pessoas da cidade, com os rostos esculpidos de ódio e vingança, movendo-se em direção a ele e, então ele simplesmente se virou e entrou em uma casa que estava com a porta aberta.

O povo arfou em conjunto e McKenzie e seus seguidores correram atrás dele. A casa em que eles entram estava silenciosa, e deitada no chão de madeira do corredor principal estava o corpo pálido de uma menina. O estalar das tábuas de madeira soaram enquanto vários homens procuravam entre os cômodos, desapontados por não encontrar nada.

Então um milagre aconteceu, a menininha arfou por ar - estava viva. Ela quase não tinha forças, tudo que ela conseguia sussurrar eram duas palavras: em baixo.

No porão da casa, McKenzie deu de cara com uma cena sombria e horrenda. O chão estava coberto de sangue e o corpo de um homem morto estava deitado de barriga para baixo. Acorrentadas nas paredes daquele lugar horroroso estavam as crianças que tinham sido sequestradas.

Elas estavam parcialmente drogadas, desnutridas e traumatizadas, mas estavam vivas.

A cidade se alegrou com a notícia, as famílias foram reunidas de novo e as vidas voltavam ao normal. A névoa que acompanhara o inverno rigoroso ia lentamente indo embora e tudo parecia bem. Quando recuperam suas forças, as crianças começaram a contar o que havia acontecido.

Cada um deles tinha sido sequestrado por um homem chamado Tom Sutherland. Ele era pai da primeira menina que havia desaparecido e parece que tinha sido ele mesmo que a matara. Ninguém sabia ao certo, mas muitos já conheciam o mau humor  dele e que mais de uma vez  havia batido na pobre Alana.

Consumido pela culpa e pela dor, Sutherland começou a sequestrar as outras crianças e trancá-las no seu porão. Geralmente drogando-as com uma planta local e espancando-as enquanto pateticamente chorava por autopiedade.  

No dia em que as crianças foram encontradas, Sutherland tinha entrado bêbado no porão, carregando uma faca e uma corda. Começou a atacar as crianças de novo, e disse que uma delas morreria naquele dia. Ele desacorrentou uma menina da parede e colocou de joelhos no chão. A faca pairou no pescoço dela, mas quando estava prestes a matá-la, alguém entrou na casa.

Sutherland ficou muito irritado, mas seja lá quem estava de pé no topo da escada deixou-o com tanto medo que ele andou de ré de volta para o porão. Se abaixando para passar pela porta estava a figura assustadoramente alta de Herbert Solomon.

Vendo Solomon e estando livre, a menininha se rastejou rapidamente escada acima pelo meio das longas pernas dele. Ela estava liberta, mas muito fraca para correr. Desmaiou antes que pudesse sair da casa.

Detalhes do que aconteceu com Tom Sutherland estavam turvas pela condição instável, semiconscientes das testemunhas. Mas estava claro que seu pescoço estava quebrado; sua cabeça torcida com tanta intensidade que estava girada na direção oposta ao natural.

Depois de tudo, houveram vários relatos de avistamentos de Herbert Solomon, e alguma das crianças disseram ter encontrado vários brinquedos artesanais perto da floresta,  mas isso não pode ser provado.

Na verdade, eu diria que a história toda não podia ser provada real, se não fosse pelos eventos que eu presenciei alguns meses depois de ler este livro antigo, nas profundezas da Universidade de St. Andrews.

Um colega e grande amigo meu me convidou para ficar alguns dias na casa de campo de sua família. Eu sabia que a casa ficava na fronteira e a menos de meia hora de Ettrick, e eu não podia perder a chance de ir dar uma olhada de perto no lugar. Eu tinha conseguido persuadir os responsáveis, que me permitiram levar o livro comigo para mostrar para meu amigo. Ele tinha um particular interesse e sabia um tanto da história da área. Pensei que talvez ele podia dar uma luz nesse curioso conto.

A família dele era muito querida para mim,  o sol de verão batendo na casa e seus arredores, com as crianças brincando nos campos e passando o tempo sem precisar se preocupar. Depois de ler o livro ele disse que ficou fascinado,  e contou que conhecia um poema local escrito no século 17 sobre um homem chamado Solomon que matava crianças, mas ele não disse mais nada.

No dia seguinte nós ouvimos gritos vindo de perto da casa; era a filhinha do meu amigo. Corremos para fora.  Seguindo os gritos de socorro, passando por uma cerca alta e uma colina com mato alto e chegamos a um rio furioso e sinuoso. A menina tinha caído lá dentro e estava se segurando em uma raiz de árvore que saía do aterro do outro lado do rio. A raiz estava molhada e meu amigo deu um grito de agonia quando a menina soltou, sendo arrastada pela correnteza na direção de uma grande formação de pedras pontiagudas que se projetavam para fora da água. O rio estava tão violento, jogando ela para lá e para cá, que era difícil achar que ela sobreviveria.

Preenchidos por um horror indescritível, achando que ela se afogaria, chegamos até a beira do rio. Enquanto andávamos até a água turva assistimos, impotentes, a pobre criança que estava prestes a colidir nas pedras.
Estávamos muito longe!

De repente, nossa atenção foi roubada pelo trejeitos de uma figura alta e magra no outro lado do rio, apressando-se para fora da floresta numa velocidade incrível. Com um movimento rápido, uma das mãos magra e ossudas entrou violentamente na água, retirando de lá a garota a salvo.

Ela estava viva. Assustada, chorando, mas viva e sã e salva.

A figura de rosto pálido a colocou gentilmente no chão, nos olhando com seus olhos negros do outro lado do rio, e depois correu de volta para a floresta. Desparecendo e se tornando nada mais que uma memória.

Mesmo morto, Herbert Solomon tinha uma das almas mais belas e gentis do mundo.  

FIM


24/04/2014

A melancolia de Herbert Solomon (PARTE 2)

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Os moradores achavam que a justiça tinha sido feita, e mesmo que o luto dos pais que tinham perdido seus filhos não podia ser deletada, pelo menos existia a satisfação de saber que o homem que era responsável estava morto.

Entretanto, nos dias seguintes um desconforto se instalou na cidade. Começaram rumores de encontros estranhos na cidade à noite; uma figura magra e sombria vagando pelas ruas de paralelepípedo, se escondendo na escuridão. Dentro de uma semana, vários residentes falaram que acordaram no meio da noite e viram um visitante indesejado.

Um desses residentes foi uma senhora de idade que acordou ao ouvir algo farfalhando de baixo de sua cama e quando foi dar uma espiada quase morreu de susto, vendo um homem magro e alto se arrastar de debaixo da cama. Ela desmaiou, mas não antes de ver o rosto; uma pele murcha, como se tivesse sido devastada por uma doença,  seus olhos negros como a noite e mãos que mal parecia ter pele de tão ossudas.

Outra história era de um comerciante que enquanto investigava um barulho vindo de sua adega, foi confrontado por uma figura horrenda, o rosto branco pálido brilhando com a luz da vela e tão alto e magro que tinha que se curvar para não bater no teto baixo. O homem conseguiu escapar, mas se recusou a voltar para casa.

Ficou claro para os moradores que o fantasma vingativo de Herbert Solomon ainda estava na procura de outras vítimas mesmo após a morte. Seu ódio perambulando pela cidade que o tinha assassinado.

Com o passar dos dias os encontros cresceram em numero e intensidade. Uma névoa se instalou pela cidade, e o povo se entristecia enquanto Herbert Solomon aterrorizava cada um dos moradores, noite após noite. Fora visto vagando pelos campos de centeio, nos porões e sótãos das casas, suas pegadas longas e distintas todos os dias aparecendo na neve das ruas de Ettrick.

Eles haviam sido amaldiçoados. Em vida, Herbert Solomon tinha roubado e matado suas crianças, e agora em morte, ele parecia utilizar sua nova forma para aterrorizar a todos.

Então, o impensável aconteceu; outra criança desapareceu. Uma garotinha órfã - que frequentemente vagava nas ruas a noite quando não encontrava um lar para dormir - foi ouvida gritando por sua vida. Os moradores correram até suas janelas para ver o que estava acontecendo, mas sem se atrever a sai da segurança de seus lares; paralisados pelo medo.

Os gritos se cessaram rapidamente e, minutos depois, a figura ameaçadora de Herbert Solomon foi vista vagando sem rumo pela neblina. Ele andou apressado até o fim da ria, seus braços sem vida batendo contra as paredes das casas enquanto passava, raspando seus dedos duros contra as janelas e portas, emitindo um grito anormal de raiva e ódio por onde passava.

A menina tinha sumido e a cidade mais uma vez estava de luto.

Nos dias seguintes a neblina ficou mais densa, e com isso a triste noticia que mais duas crianças tinham desaparecido. Uma era uma menina que, depois de ter uma discussão com sua família, saiu de casa e nunca mais foi vista. O outro foi um menino chamado Matthew, o filho de um bêbado conhecido, que tinha sido roubado de sua própria cama por Solomon enquanto seu pai estava inconsciente por causa da bebida.

Durante um culto na igreja local, o impensável aconteceu; Solomon apareceu brevemente nos corredores da igreja, aparentemente sem ser afetado pelo solo consagrado.  Os fiéis gemeram em horror e desdém enquanto ele andava de uma forma surreal até um pilar e, em seguida, desaparecer.

A esperança estava quase perdida. Nem mesmo um lugar santo estava a salvo, e agora  a noite ele era capaz de entrar em qualquer casa e podia pegar o que ou quem quisesse. Os cidadãos tinham que agir ou abandonar o lugar juntos, mas não havia garantia que a maldição de Herbert Solomon não os seguiria.

Os moradores de Ettrick então pediram para o padre local, um homem chamado McKenzie, que usasse qualquer poder sagrado que tinha sido dado a ele. Em uma tentativa de destruir ou banir o espírito de Solomon, um plano foi feito. O padre e mais alguns homens armados com tochas, espadas abençoadas e frascos de água beta, ficariam de guarda pela cidade a noite, esperando aquele maldito e amaldiçoado assassino de crianças dar as caras novamente.

Então Solomon seria confrontado.

Posicionados em diversas janelas e telhados das casas, assim como pontos estratégicos da cidade, os escolhidos de McKenzie esperaram. Mas não muito. Naquela noite a figura solitária apareceu entre a névoa nas ruas de Ettrick. Berros e gritos foram dados como um sinal para que as outras pessoas soubesse que Solomon tinha voltado.

Os pais se agarravam aos seus filhos enquanto um pensamento conjunto tomava toda a cidade: "Por favor, leve outra criança, não a minha!".

McKenzie foi o primeiro a confrontá-lo. Mas sua vontade foi abalada quando viu o rosto horroroso, pálido, apodrecido e arrasado de Solomon. A figura desengonçada e magricela ficou olhando para o padre fixamente, com seus olhos negros e nublados.

Outro homem chegou para perto, então outro e outro, até que Herbert Solomon estivesse cercado. McKenzie deu instruções para que lentamente o circulo fosse cercado, que segurassem a espada com uma mão e a tocha com a outra.

O medo tomou conta dos homens, sabendo que aquela podia ser a única chance. McKenzie jogou um vidro de água benta nos pés desajeitados de Solomon, e enquanto gritava um salvo cristão, um outro homem o atingiu com uma tocha. A pancada foi no braço de Hebert, que estava coberto por um manto que agora pegava fogo. Gritos de felicidades foram dados pelos cidadãos que assistiam tudo de suas casas, mas o homem tinha saído de posição e feito uma falha no círculo, o qual Solomon avistou facilmente.

Ele fugiu.

O povo começou a  perseguição, seguindo a patética figura que tropeçava em cada rua, canto e jardim enquanto tentava se salvar da fúria dos aldeões. A gritaria alertou a cidade: Herbert Solomon estava tentando fugir!

De todos os cantos da cidades, pessoas começavam a sair de suas casas carregando qualquer coisa que pudesse usar como arma. Eles inundaram as ruas e corriam enquanto protestavam, gritavam e urravam em direção a Herbert Solomon.


A cada curva que fazia pela estrada de paralelepípedo, Solomon estava ficando sem lugares para se esconder. Finalmente, enquanto tropeçava até o fim da rua principal, ele parou. Os cidadãos tinham bloqueado todas as rotas de saída; ele estava encurralado. 

[CONTINUA...]


22/04/2014

Creeper da Semana: Gabrielly Courty Corrêa


Idade: 14 anos

Estado: Minas Gerais

Como Conheceu o Blog/Por que gosta de Creepypastas: Desde pequena sempre gostei muito de ouvir e ver coisas relacionadas ao paranormal. Tanto que quando meu pai assistia um filme de terror, eu sempre pegava um balde de pipoca e ia assistir junto. Na época do orkut, todos os dias eu entrava em uma comunidade cheia de histórias de terror. Com a despopularização do site, fui procurar mais dessas histórias, que descobri se chamarem creepypastas. O CPBr foi um dos primeiros blogs que achei "googlando", e achei as creepys muito legais. Virei fã e já li todas as creepys, acesso o blog todos os dias!

(Creeper de Semana - 21/04/2014 à 27/04/2014)

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Central de atendimento ao cliente

Esse é um prólogo para a creepypasta familyvacations1.com 

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Registro de chamada 05/05/2003 

Serviço: Alô, aqui é a central de atendimento ao cliente do Family Vacations! Em que posso ajuda-lo?

Cliente: É o seguinte. Pedi que mandassem um representante que pudesse nos informar sobre os seus resorts e preços e... quando cheguei em casa ele já tinha entrado e estava remexendo nas coisas em minha mala. Perguntei o que ele estava fazendo e ele disse que estava apenas checando se havia algum...er... contrabando. Eu só quero saber se esse procedimento é realmente parte do serviço.

Serviço: Bom senhora, isso… na verdade é realmente parte do serviço. Desculpe-me por inconveniências. Tentamos tratar os nossos clientes com o máximo de respeito. Essas checagens infelizmente são ordens federais. Perdoe-nos se invadimos a sua privacidade.

Cliente: Bom… esta tudo bem, eu acho. Obrigada pela informação.

Fim da chamada.

Registro de chamada 12/06/2003

Serviço: Alô, Central de atendimento ao cliente do Family Vacations! Em que posso ajuda-lo?

Cliente: Já estou furioso com essa sua droga de serviço! Primeiro o representante, ou seja lá quem for, não aparece na hora marcada. Então ele aparece de repente parecendo transtornado, esbarrando nas coisas em minha casa, dizendo que não estou limpo o suficiente e mais um monte de besteiras. E ele teve a audácia de chutar a minha perna!

Serviço: Senhor, sentimos muito -

Cliente: Sentem? Ah, você não sabe o que está dizendo! Considere você e sua maldita companhia processados. Tenha um péssimo dia, seu babaca!

Fim da chamada

Registro de chamada 16/08/2003

Serviço: Alô, Central de atendimento ao cliente do Family Vacations! Em que posso ajuda-lo?

? : ...

Serviço: Alô?

? : Eles não estão limpos…

Serviço:… Wilson! Pela última vez; Você não trabalha mais aqui. Agora pare de assustar os clientes!

Fim da chamada

Registro de chamada 04/06/2004 6:18 P.M

Serviço: Alô, Central de atendimento ao cliente do Family Vacations! Em que posso ajuda-lo?

?? : George, ele ainda tá por ai.

Serviço: O quê você disse Frank? Quem está aqui?

?? : Você sabe exatamente quem.

Serviço: Tá falando sério? Eu mandei aquele cretino esquisito ir embora há meses.

?? : Cara, eu o encontrei no contêiner de lixo quando fui levar o lixo para fora. Ele fugiu, mas não acho que ele vai ficar longe por muito tempo.

Serviço: Ok. Vou falar com os lerdos da administração e ver se dessa vez eles fazem alguma coisa.

?? : É cara, boa sorte.

Serviço: Valeu, trabalhar à noite é ótimo.

?? : É, se você gosta da solidão e depressão desse lugar quando está vazio.

Serviço: É isso ai cara, tchau.

Fim da chamada

Registro de chamada 04/06/2004 7:03 P.M

Serviço: Alô, Central de atendimento ao cliente do Family Vacations! Em que posso ajuda-lo?

??? : …olhe no armario George…

Serviço: … O quê? Quem é… AAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH

??? : AHHHHHHhhhhhhhLIMPOOOOOOAAAAAAAHHHHHHHH

Fim da chamada

Registro de chamada 04/06/2004 8:28 P.M

Serviço: Alô, Central de atendimento ao cliente do Family Vacations! Em que posso ajuda-lo?

Cliente: Olá, poderiam mandar um representante amanhã pela manhã?

Serviço: Claro, claro. Já temos o seu endereço?

Cliente: Ah não, acho que ainda tenho que me cadastrar.

Serviço: Ótimo! Cadastre-se agora mesmo!

Cliente: Obrigada!

Serviço: Por nada senhora. Eu que devo agradecer e lembra-lhe que amanhã o representante estará ai para limpar e acabar com todas as suas dúvidas...

Fim da chamada

20/04/2014

A melancolia de Herbert Solomon

Olá, creepers! Mais uma vez tenho o prazer de trazer para cá um conto do Michael Whitehouse (autor de "Na Colina" e "Hora de Dormir"). Como esse conto não é tão grande quanto os outros, não vou poder fazer em estilo de série com dez partes, mas vou fazer um "mini-série" com 3 partes.
Espero que gostem!


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Em várias ocasiões, meu interesse pelo sobrenatural me levou a alguns dos lugares de estudos mais prestigiados de todo o Reino Unido. Dos veneráveis corredores de Oxford e Cambridge, até os arredores de faculdades e escolas mais humildes, minha busca por evidencias para comprovar tais afirmações raramente foram frutíferas. Entretanto, enquanto explorando a Universidade de St. Andrew, na Escócia, encontrei um exemplar escondido em um canto escuro e mofado da biblioteca do campus.

O livro em si era incomum, sua capa encadernada em couro enegrecido e desgastado tinha rugas e rachaduras do tempo. Era datado do século 16, e parecia conter várias descrições e relatos do cotidiano do povo de Ettrick; uma pequena cidade isolada construída em uma área deca do sul do país.

Folheando o volume, vi que tinha uma variedade de autores. Parecia ter sido passado de mão de ancião à ancião durante a época  e, para ser franco, continha reflexões ociosas sobre os habitantes da cidade e planos para uma série de projeto de construção e melhorias.

Quando estava prestes a concluir que aquele livro era de meu interesse, notei que na contracapa frontal alguém tinha feito um desenho. Estava retratado com elegância, mas nunca descreveria como uma visão agradável, na verdade fiquei enojado quando vi pela primeira vez.
A combinação das linhas grossas e negras quase como se fossem raivosas, e a forma dramática que o artista tinha transmitido me deixou com uma impressão bem desagradável sobre o assunto. Estremeci enquanto colocava meus olhos na imagem na tentativa de entender o que parecia ser o desenho de um homem alto com pernas e braços longos e magros. Parte do rosto estava escondido por sua mão branca e pálida, mas o que dava para ver era monstruoso. Veias proeminentes saltavam de sua testa e subiam até sua cabeça careca, os olhos estavam afundados em seu crânio e as árvores da floresta que o cercava pareciam torcidas e se afastando dele com medo.

No começo eu achei que algum aluno da faculdade tinha feito aquela rasura no livro, mas então na parte de baixo no desenho estava a data "1578" e um nome um tanto incomum: "Herbert Solomon". Ou esse nome era da criatura que estava retratada na figura ou então do artista, eu não fazia ideia.

Mesmo perturbado com a cena, decidi que aquele livro precisava ser estudado mais profundamente. Eu desejava saber o que era aquela criatura e o porque de alguém ter se sentido abrigado a desenhá-lo; um desenho na contracapa de um livro que era usado para registrar a vida dos habitantes daquela cidade. Mais a frente, quando inspecionava o livro com mais afinco, descobri que o desenho também tinha sido reproduzido em outras páginas, as aparentemente por outros artistas.

Dentro do livro descobri numerosas citações sobre Herbert Solomon, e ficou claro que o homem magro retratado no desenho era de fato ele. Ele vivia nos arredores da cidade de Ettrick no século 16. Ela um local pequeno e pouco desenvolvido, cercado por todos os lados pela floresta de Ettrick, que ficava na vasta região seca do sul.

A cidade tinha uma igreja paroquial que contava com uma humilde torre, e uma pousada que normalmente era usada por viajantes que gostavam de passar pelo pitoresco interior e ruas que abriam caminho entre as casas de pedra e a prefeitura.

De acordo com a descrição no livro, durante o mês de Dezembro de 1577, crianças começaram a desaparecer da cidade. A primeira foi uma menina com o nome de Alana Sutherland. Ela estava brincando com alguns amigos perto de um velho poço nos arredores da cidade, quando deixou cair por acidente uma boneca de pano lá dentro, o que a deixou muito agoniada. Sem conseguir recuperar a boneca, ela voltou para casa e pegou um tanto de linha e um anzol para tentar "pescar" a boneca da água no poço. A última vez que ela foi vista foi em um fim de tarde e estava indo tentar recuperar seu brinquedo.

Em pânico, os moradores começaram a procurar pela criança, dentro do poço, nos campos de centeio e até enviaram alguns grupos para a floresta e arredores. Infelizmente, a menina nunca foi encontrada.

Alguns dias depois, um menino chamado Erik Kennedy estava andando pela cidade para dar um recado de sua avó para outra moradora. Estava escuro, mas ele tinha apenas que levar um pouco de lã como agradecimento aos grãos que a família tinha recebido, e a casa ficava apenas algumas ruas da dele. Era presumido que o centro da cidade era seguro, mas o menino nunca chegou ao seu destino. Ele desapareceu, como se tivesse sido arrancado de sua própria existência.

No final de Janeiro um inverno amargo causou danos significativos para a cidade e seu povo. Quantidades absurdas de neve cobriam as casas e tudo no lugar. Muitas pessoas morreram por causa do frio, e o estado geral de Ettrick era sombrio.

Apesar dos tempos difíceis, os moradores estavam mais preocupados com a segurança de seus filhos. No total, sete crianças tinham desaparecido, assim, sem pé nem cabeça. Várias famílias estavam desesperadas e o povo de Ettrick começou a ver a situação com um olhar mais suspeito. Eles sabiam a verdade; alguém estava roubando suas crianças.

Na metade de fevereiro mais duas crianças tinham sumido e olhares acusadores estavam sendo distribuídos entre os familiares e moradores da cidade. O ancião da cidade então decidiu agir, e tomou para si a árdua tarefa de identificar a capturar o monstro.

Discussões burocráticas foram feitas, grupos religiosos convocados, e em cada casa, cada rua, cada canto de Ettrick apenas um nome saia dos lábios dos habitantes: "Herbert Solomon". Quanto mais seu nome era dito, mais certa era sua culpa.

Herbert Solomon era um estrangeiro. Ele morava em uma pequena cabana de madeira dentro da floresta que cercava a cidade, e devido sua aparência, ele tendia a evitar o contato com outros seres humanos. Qual era sua doença ninguém sabia, mas nos tempos não iluminados do século 16 na Escócia, muitos acreditavam que ele era amaldiçoado.

Olhos modernos teriam adivinhado de primeira que ele era vitima de uma doença debilitante. Ele raramente se aventurava ir na cidade, exceto quando precisava trocar suprimentos e quando ia, cobria seu rosto com um enorme chapéu marrom e pedaços cinzas de pano, os quais obscureciam suas feições.  

Muitos moradores contavam histórias sobre Herbert Solomon, e de acordo com estas histórias ele ficava na borda da floresta observando os agricultores e seus filhos brincando nos campos. Era a fascinação dele com as crianças que deixava as pessoas desconfortáveis. Em certas ocasiões algumas crianças voltaram da floresta com brinquedos muito bem feitos, talhados em madeira. Eram presentes de Herbert Solomon e, sendo crianças, elas não sabiam o perigo dele.

Quando as crianças começaram a desaparecer, imediatamente os olhos se viraram para aquele homem estranho que vivia na floresta. Acusações foram fortalecidas pelos sussurros dos pais temerosos, e os sussurros cresceram em quantidade e então em volume, até que foi decidido que Herbert Solomon tinha que ser parado.

Em uma noite fria de Fevereiro os anciões da cidade decretaram que ele deveria ser preso imediatamente. Mágoa, raiva e ressentimento crescia como uma febre na população e com isso começaram a entrar na floresta para caçar o assassino de crianças.


Detalhes exatos sobre o que ocorreu naquela noite são muito limitados, mas parece que o povo de Ettrick tentou remover Herbert de sua pequena cabana ateando fogo nela. A plateia comemorou ao ver as chamas crescendo. Os gritos dele ecoaram pela floresta para finalmente ser silenciado pelo incêndio. 

[CONTINUA...]


19/04/2014

O portador do caminho

Em qualquer cidade, em qualquer país, vá a qualquer hospício ou casa de recuperação a que você possa ter acesso. Uma vez na recepção, peça para visitar aquele que se chama "O guardião do caminho". O empregado vai fazer seu melhor pra manter uma expressão de completa indiferença enquanto lhe entrega uma chave que, conforme ele explicará, abre a porta de um almoxarifado sem uso. Ah, se fosse só isso. Ao encontrar e abrir a porta certa, você vai ver, à sua frente, uma estrada estreita e cheia de curvas, suspensa sobre um enorme vazio, a vista sendo apenas ocasionalmente obstruída pelos maciços contornos de coisas que é melhor não serem descritas.

Cair dessa estrada equivale a sumir da própria realidade para sempre. Uma eternidade de tormenta e horror inconcebíveis aguarda aquele que cair da estrada, ou que for arrastado para fora dela pelos monstros que vivem na perifeira do universo. Se você sentir que está sendo observado enquanto atravessa esse lugar de esquecimento, a melhor chance que você tem é parar exatamente onde está e prender sua respiração. Continue fazendo isso até que seu observador perca o interesse ou comece a se mover para lhe pegar. Se a última opção ocorrer, sinta-se livre para gritar tão alto quanto possa e queira, embora você deva saber que seus gritos serão ignorados.

No fim da estrada há uma porta que leva para uma pequena e empoeirada sala. Escorado na parede do lado oposto, há um cadáver extremamente magro e decomposto; o que restou de sua pele está completamente necrosado. Aproxime-se do cadáver e pergunte: "Como eles conseguiram guardiões?"

Em resposta à sua pergunta, o "cadáver" irá se agitar. Um brilho vermelho bastante sutil aparecerá nas caixas de seus olhos conforme ele levanta sua cabeça e começa a sussurrar a longa e macabra história dos guardiões. Irá falar de pactos profanos e atrocidades indizíveis. Após algum tempo, sua história irá atingir todas as formas do mal conhecidas pelo homem ou mesmo por Deus, e algumas formas que nem um nem o outro conhecem. Após isso, se você falar o nome de qualquer guardião, o "cadáver" irá falar a história do guardião e o significado do objeto que ele protege.

Bem, na verdade, quase qualquer guardião. O guardião do caminho não irá falar coisa alguma sobre si mesmo. Isso é porque ele torce para que você não pergunte por que ele não carrega um objeto. A verdade é que o brilho vermelho que vem de seus olhos é o brilho do objeto, que foi, de algum jeito, selado dentro de seu crânio.

Esse é o objeto 7 de 538. Seu guardião fará de tudo para mantê-lo longe de você.
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Série dos Guardiões

18/04/2014

Diário de Jane Trite

Achado: Um (1) diário, condição ruim.

Achado em: 20 de Dezembro de 2009.

O diário está muito danificado; a capa vermelha exterior está desgasta pelo sol e vendo. Partículas de areia foram extraídas das páginas.

As páginas do diário foram reescritas neste arquivo para seu registro oficial.


Quinta-feira, 8 de Julho de 1999
Brad acabou de me comprar um diário novo! Ah, como eu o amo!
Vamos ver, o que eu deveria escrever aqui? Meu nome é Jane Trite, tenho 23 anos e vai fazer dois anos que estou namorando Brad Robertson, neste sábado. Ele disse que tem algo grande planejado! Mal posso esperar!

Sexta-feira, 9 de Julho de 1999
Fui as comprar para o nosso aniversário de namoro. Comprar presente para Brad é tão difícil! Na maioria das vezes é fácil comprar presente para homens, porque gostam de futebol, cerveja e essas coisas. Mas Brad não. Ele é um tanto... afeminado.
Não gay, é claro, mas é um cara que sempre se abre sobre seus sentimentos. É por isso que eu amo ele.
-
Ai meus Deus! Ele acabou de me contar que vai me levar para a Opera amanhã! Ainda não me contou qual peça musical iremos ver, mas isso não importa. Opera, porra!
Eu juro por Deus que ele não é gay.

Sábado, 10 de Julho de 1999
Nós nos perdemos enquanto voltávamos da Opera, e acidentalmente fomos em direção a uma estrada de chão batido cercado por uma floresta, cheia de neblina. Por sorte nós estavamos com o tanque cheio, certo?
Errado. Nosso carro empacou em certo ponto. Brad tentou tudo que podia, mas para ser honesta, mecânica não é muito a praia dele.
 Por sorte eu tinha carregado o meu celular naquela noite, certo?
Errado de novo. Área sem sinal.
Mas está tudo bem. Não vai ser a primeira vez que tenho que dormir em um carro. Nós dois estamos muito cansados, então acho que vamos para a "cama".
A propósito, a peça do O Rei Leão foi demais!

Domingo, 11 de Julho de 1999
Acordei hoje de manhã e fiquei chocada por ver nada mais do que deserto cercando o carro. Sem floresta, sem estrada, sem nada. Deus, até a estrada tinha desaparecido. Não tem nada além de areia, areia e mais areia. A areia já cobria metade dos pneus e obscurecia tudo que minha visão podia alcançar a uns 100 metros.
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Brad saiu e tentou desatolar o carro, mas sem sorte. Não tinha nada que ele pudesse fazer. A areia o atingia violentamente, então rapidamente voltou para o carro. Ele disse que até a estrada qual tínhamos usado tinha sumido. Comecei a ficar muito preocupada, mas Brad disse que tudo ficaria bem. Eu acho que acredito nele.

Segunda-feira, 12 de Julho 1999
Estou começando a ficar com muita sede. Por sorte, Brad tinha algumas garrafas d'água e alguns pacotes de salgadinho no banco de trás. Mordiscamos enquanto discutíamos sobre o que iríamos fazer.
Eu queria sair para procurar alguém, mas Brad disse que já estávamos perdidos, então logo alguém daria por nossa falta e mandaria a policia procurar por nosso carro. Acho  que ele está certo, então vamos ficar aqui mais uma noite.
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O vento parou agora, mas a areia já subiu uns quinze centímetros na porta. Juro que vi alguma coisa na distancia, mas Brad disse que devia ser só uma miragem, efeito da luz ou algo assim. Ele diz que se sairmos daqui, na melhor das circunstancias, podemos nunca mais encontrar o carro. Ele disse que se perder no deserto é extremamente fácil e que o resgate provavelmente já está próximo. Mas ele não parece tão certo disso.

Terça-feira, 13 de Julho de 1999
Depois de muito conversar, decidimos sair do carro. A areia tinha tapado tanto o nosso carro que tivemos quebrar uma janela para sair. Temos pouquíssima água e nossa comida acabou, então fomos enfrentar o deserto e... é um deserto bem esquisito.
Primeiramente, é frio. Não um frio horroroso, mas o suficiente para deixar a pele arrepiada e se alojar na sua carne. Mesmo com o sol em predominância no céu, havia pouco calor para desfrutar.
Também tem um cheiro muito estranho no ar. Não é forte, mas como o frio, começa a tomar conta de você. Parece cheiro de fogos de artifício, mas também poderia ser carne apodrecida. Não tenho certeza. Nunca estive no deserto antes, então talvez seja só o cheiro normal daqui.
Andamos o dia todo em direção a coisa que eu tinha visto no horizonte. Tirei meu sapato de salto alto em algum momento depois de duas horas de caminhada, o que foi uma péssima ideia. A areia é fria como metal, e meus dedos começaram a ficar entorpecidos. Brad me deus os sapatos dele quando eu disse que estava sentindo muito frio. De qualquer forma eu mereço os sapatos, pois foi ele que fez a gente se perder.
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Depois de várias horas andando, não parecíamos nem um pouco perto da estrutura; parecíamos estar tão longe quando começamos a caminhar. Me sinto cansada, com fome e começando a ficar com medo de morrer nesse quinto dos infernos.

Quarta-feira, 16 de Julho de 1999
Tem alguma coisa no deserto com a gente. Eu o vejo se movimentando pelo canto do meu olho, se escondendo nas tempestades de areia; uma silhueta negra que não tem uma forma definida. Acho que está nos seguindo. Falei isso para Brad, mas ele disse que é uma alucinação causada pela fome. Ainda assim, ele pareceu bastante preocupado, e ficou olhando por cima do ombro várias vezes.
A estrutura no horizonte que estávamos indo em direção ontem simplesmente sumiu. Tipo, não tem mais nada lá. Nada de nada!!! Nada além de AREIA! Areia, e areia, e frio, e aquele cheiro de podre. Decidimos então segui o nascer do sol, ir sempre para o leste.
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O cheiro, o frio e a preocupação tomaram conta de cada centímetro do meu corpo, e me sinto enjoada. Brad tentou me confortar, mas depois que uma lufada de vento com areia entrou na minha boca eu não consegui aguentar e vomitei. Agora sinto muito mais fome e estou com uma sede sem igual. Minha garganta, meus olhos e minhas narinas estão queimando, mas ainda sim estou tremendo e entorpecida de frio.
-
Achamos as ruínas de um prédio hoje. Ah, mas antes que pareça que estamos a salvo do frio e do vento com areia, não é bem assim. A ruína é feita de um cimento velho, não tem telhado e está todo destruído.Tentamos descansar nos escondendo do vento no outro lado da construção, mas o vento continuava mudando de direção, criando vórtices que iam violentamente em direção ao nossos rostos.
Decidimos dormir à alguns metros de distancia da construção. Me sinto confortável de olhar apara alguma coisa que não é areia, mesmo que não me de abrigo.

Quinta-feira, 17 de Julho de 1999
Ainda está escuro, mas o sol está nascendo. Eu me sinto cansada e, acima de tudo, com frio. Estou com uma tosse horrível e mesmo com Brad tentando me manter aquecida, sinto como se meus ossos tivessem se tornado de gelo e minha pele está irritadiça e fraca.
-
Estou com muito medo. Quando acordamos, a construção tinha sumido, só sobrou um monte de areia.
Mas o que mais me assusta é que Brad mudou muito. Ele sempre foi um cara muito doce, mas agora é diferente. Quando falei sobre a coisa que estava nos seguindo, ele surtou e começou a gritar comigo. Me mandou calar a boca, falou que me odiava e que a culpa era minha de nós termos saído do carro. E então ele me bateu! Ainda sinto vontade de chorar...
-
Algumas horas antes da noite cair encontramos outras construções parecidas com a de ontem, mas estas tem alturas e larguras variadas. Mesmo assim, não dá para usar de abrigo.
Bebemos nosso último gole de água ontem. De algum jeito, conseguimos nos manter com três garrafas de água por vários dias, mas agora acabou.
-
Eu não ligo mais. Espero que eu não acorde amanhã. Espero que a coisa que eu ouço se mexendo pela areia perto da gente me pegue e me mate. Espero que o frio me mate. Eu só não quero mais lidar com isso.

[Traços de sangue foram encontrados nesta página]

Sexta-feira, 18 de Julho de 1999
Minha tosse está pior. Procuro conforto em Brad, mas não recebo nada. A cidade de ruínas tinha sumido quando acordamos. Continuamos a andar, mas está ficando difícil. Estou faminta, com frio e doente. Tremo incontrolavelmente, mas Brad continua sendo rude e frio comigo.
Decidimos descansar mais cedo hoje. Não estamos chegando a lugar nenhum, de qualquer forma, e toda vez que acordamos tudo que estava na nossa volta some. Decidimos guardar o pouco de forças que ainda nos resta para apenas tentar sobreviver.

Sábado, 19 de Julho de 1999
[Traços de sangue foram encontrados nesta página]
Estou tossindo sangue. Resíduos de areia e frio se incrustaram em meus pulmões,  e agora estou tossindo sangue. Tenho gosto de ferro na boca, e o cheiro esta me fazendo ter ânsia de vomito o tempo todo. Não tenho mais nada no estomago para vomitar, mas a tosse me faz convulsionar constantemente.
-
Não andamos para lugar nenhum hoje. Meus pés estão entorpecidos de mais para andar, de qualquer forma. Nada mais faz sentido.

 [Respingos menores de sangue foram encontrados aqui. A caligrafia fica cada vez mais ilegível a partir deste ponto]

Domingo, 20 de Julho de 1999
Eu os ouvi. Sussurrando. As vezes até os vejo por aí, nos analisando, perguntando quanto tempo ainda vamos ficar vivos. Vimos alguns prédios em ruínas na distancia. Não temos motivos para ir até lá.
A sensação de frio e fome se misturaram em um só. Mal consigo escrever isso por causa da tremedeira da minha mão. Meus pés passaram de um branco fantasma para um verde pálido. Eu sei que eles estão mortos, e eu espero ser a próxima.

Segunda-feira, 21 de Julho de 1999
Brad não tem mais calor corporal e não está mais acordando. Se eu tivesse forças, talvez eu pudesse fazer alguma coisa. Mas qual o sentido? Se ele morreu, ele é muito mais sortudo que eu.

Terça-feira, 22 de Julho de 1999
Eles estão por aí. Eu os vejo. Eles estão sussurrando para mim.

Quarta-feira, 23 de Julho de 1999
As construções se levantam e somem na areia. Sem mais sombras. Só sussurros. Sussurros, sussurros, sussurros.
Brad não está mais aqui.

Quinta-feira, 24 de Julho de 1999
Estou vendo! Luzes! Tem uma luz brilhante, não muito longe daqui. O espírito de Brad os mandou para me salvar. Eu sei disso. Eu te amo, Brad.
[Este é o último registro no diário. Grandes machas de sangue marrom seco foram encontrados na capa do diário e identificados como pertencendo a Jane Trite, assim como uma impressão digital. Os corpos de Jane assim como os de Brad nunca foram encontrados.]