29/05/2014

O porão secreto

Duas semanas após se mudar para sua nova casa, um usuário do Reddit encontrou um outro cômodo. Como não havia sido informado a respeito dele em nenhum momento na compra do imóvel e achando não se tratar de nada de mais, decidiu investigar.
Levando em conta que era uma área destinada apenas para o aquecedor de água, havia um carpete de qualidade muito superior à esperada.
Ao adentrar nesse porão, ele encontrou uma porta preta - que, é claro, tinha um trinco. Mas ele não iria dormir até descobrir o que havia ali dentro.


Uma vez dentro desse espaço, a primeira coisa que ele viu foi um grande cofre.
As paredes, o teto e o chão estavam cobertos com placas de isolamento acústico e lona, tudo de cor branca. Haviam 3 ou 4 tomadas e uma pequena área elevada do tamanho de uma pequena cama. Tudo muito esquisito, em se tratando de um pequeno porão.
Ora, vejam só, uma mala aleatória.
Dentro dela, haviam: uma velha caixa de madeira, um porta jóias, envelopes com papel moeda de diversos países e origens, além de 4 quilates de prata fundida.
Donos ou "vítimas"?
Agora é que as coisas ficam ainda mais esquisitas. Dentro do cofre, haviam algumas fitas Betamax*.
"Não não não não não"... isso não pode ser coisa boa.
6 fitas ao todo, uma sem etiqueta e as demais com as seguintes etiquetas: I 94, II 95, III 95, IV 95 e V.
"Salve-se" escrito com tinta borrada. Quê?! Ok, já é o bastante pra mim.
Fonte: http://www.izismile.com/2014/05/15/the_creepy_hidden_crawlspace_14_pics.html


*Betamax é um formato de fita que concorreu com o VHS na época do auge do videotape.

27/05/2014

Micropastas #2

Atendendo aos pedidos, trago uma segunda seleção de micropastas!

Apaguem as luzes antes de ler :)

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No banheiro 

Uma garota (a quem chamaremos de garota 1) aproveitou o intervalo entre as aulas para ir ao banheiro. Enquanto lavava o rosto, outra garota (garota 2) saiu de um dos cubículos, seguiu para a pia ao lado da garota 1 e pediu emprestado um batom. Ela até a cumprimentou dizendo: “Adorei essa cor que está usando, parece com a cor do sangue.”

Irritada por uma estranha estar pedindo emprestado o seu batom (e também pelo fato da garota 2 ser muito bonita, com cabelos negros e olhos de uma cor profunda), a garota 1 pegou o batom e jogou para a garota 2, falando rudemente: “É, você deveria realmente usar uma cor forte; é pálida demais. Talvez queira um pouco de sombra também?” Ela falou com óbvio sarcasmo.

A garota 2 simplesmente pegou o batom e devolveu logo após aplicar uma grossa camada em seus lábios. A garota 1 já estava saindo do banheiro quando a garota 2 perguntou: “Estou bonita?”

Agora furiosa, a garota 1 voltou-se para a garota 2 para dar-lhe uma boa olhada da cabeça aos pés, esperando encontrar algum defeito.

Quando seus olhos alcançaram os pés, o que ela viu fez o sangue gelar.

A garota 2 não tinha os pés...

Ela estava flutuando!


No necrotério 

Alguns estudantes de medicina estavam aprendendo sobre autópsias em um necrotério com um instrutor. O instrutor teve que sair de repente quando recebeu uma ligação urgente.

Minutos se passaram o instrutor ainda não havia retornado e logo os estudantes começaram a zoar pela sala. Um deles até usou a mão do cadáver como cinzeiro, dizendo: “Tenho certeza que ele não se importa.”

De repente, o cadáver se levantou, puxou o cigarro da boca do estudante e o jogou fora dizendo:

“Por favor, tenha mais respeito pelos mortos!”


Na casa nova...

Dois jovens recém-casados mudaram-se para uma nova vizinhança para finalmente estrearem a nova casa com a nova vida juntos. Os primeiros meses juntos foram tranquilos, mas com o passar do tempo a mulher percebeu que o marido começou a voltar para casa mais tarde que o habitual, deixando-a com suspeitas.

Uma noite a mulher acordou ao ouvir sons pesados de passos. Sabendo que era o marido, ela decidiu virar-se para o outro lado e fingir que estava dormindo. Ela percebeu o marido deitando ao lado e passando o braço sobre ela, o braço que por sinal parecia estar mais pesado que o normal. Ela se sentiu incomodada e tentou agarrar o braço do marido para afasta-lo e viu que...

era a pata de um cavalo!

26/05/2014

Sob o Jardim (PARTE III)

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O anel na verdade não tinha uma aparência muito impactante - uma joia dourada que não parecia ser valiosa aos olhos, mesmo que tivesse uns desenhos - mas era o afeto que ela tinha inconscientemente sob a peça que importava à Frederick. Enquanto ele observava a garota passar a mão e dedos por cima, o sentimento de desejo, euforia, aquela excitação subiu a sua cabeça novamente. A cada toque, a vontade dele de por as mãos em volta da garganta dela e arrancar a vida vagarosamente fazia seu coração pulsar fortemente enquanto seus dentes se cerravam. 

De repente ela parou de falar, notando que Frederick estava olhando para o anel e que estava obviamente perturbado por causa daquilo. "Desculpa, estou te distraindo?" Ela parou de brincar com a joia, mas a apreensão só deixou-o com mais desejo. 

"Não, de modo algum". Frederick respirou fundo e se encostou de volta em sua cadeira. 

Não importava o quando ele desejava esmagar aquela bela garganta, não importava o quando ele ansiava ver o olhar de horror no rosto dela enquanto tirava a vida de seu pequeno corpo, sabia que nunca poderia matá-la dentro de sua própria casa. Isso seria amador. O medo de ser pego era emocionante, mas a realidade do que aconteceria era uma perspectiva aterrorizante. Ele sabia muito bem o que acontecia com pessoas como ele na cadeia, especialmente quando ele tinha feito algo a mais do que só matar as vítmas - homens, mulheres ou crianças. 

Se inclinando para a frente, Frederick perguntou, " Então é Caridade FAR? O que é FAR?"

"O Fundo de Apoio aos Romanis" ela respondeu, meio confusa que ele não estivera ouvindo esse tempo todo. 

"Romanis, tipo os ciganos?" Frederick perguntou severamente. 
"Sim, exatamente. Você sabe, muitos ciganos viajantes são perseguidos, só por conta de suas crenças e nós fazemos tudo que podemos para combater isso levantando fundos para as tradições ciganas. Nós tentamos ajudar a sociedade ver que não precisam ter medo dos viajantes." Ela sorriu, mas nãos conseguia esconder seu desconforto, ou preocupação. Era óbvio que percebia algo estranho sobre seu anfitrião. 

O brilho de medo excitou Frederick profundamente. Mas foi e juntando com uma raiva crescente; uma combinação potente em qualquer caso. "Você quer que eu dê dinheiro para aqueles imundos?" Ele perguntou com raiva. 

"Nós só estamos tentando acabar com o preconceito!" a garota respondeu, com a voz tremendo. Então, cometeu um erro fatal. Em um breve momento de coragem ela se levantou, olhou para Frederick diretamente nos olhos e falou "Nosso povo merece ser tratado melhor que..."

Frederick levantou com raiva de sua cadeira, gritando entre os dentes "Cigana imunda na minha casa?"

Segurou a garganta dela com uma mão e apertou forte enquanto usava a outra mão para socá-la. O som da cartilagem estalando a cada golpe, o nariz quebrando em vários lugares, abafando o som que a menina fazia enquanto tentava gritar, mas Frederick não daria a ela esse luxo. 

Ele não parou. Depois de espancar a pobre menina por vários minutos seguidos, finalmente a raiva dele começou a se dissipar. Ela estava morta e irreconhecível. Claro que ele não sentia remorso, de fato estava sorrindo sozinho, eufórico e  com prazer correndo por suas veias. Mas então a realidade veio a tona; havia matado alguém dentro de sua própria casa. Outra regra quebrada! 

O pânico tomou conta. O chão estava coberto de sangue, assim como a poltrona que ela antes estava sentada. O DNA dela estava por todo o lugar. Frederick tentou se acalmar, para pensar mais claramente. Era mais inteligente que isso, muito mais! Tudo teria que sumir dali, o carpete, a cadeira; até o papel de parede do corredor. Tudo que ele a viu tocando ou pode ter tocado teria de ser trocado. 

Mas e o corpo? Isso não seria simples como as outras coisas. Teria que se livrar dele de algum jeito. 

Depois de acalmar seus nervos, Frederick arrastou o corpo da menina pelo corroedor, o cabelo antes loiro agora encharcado de sangue, seu rosto totalmente desfigurado. Não sentia remorso, nem pena, nem culpa. Arrastando a menina em direção ao banheiro, ocasionalmente sentia o estalo ou alongamento dos ligamentos enquanto a puxava. Ofegante e com um certo esforço, jogou o cadáver dentro de uma banheira branca de porcelana. Agora o banheiro teria de ser eliminado também. 

Para que não houvesse suspeitas,  teria que cortar o corpo e sair pouco a pouco com os pedaços e enterrar em algum lugar. No galpão do jardim haviam um machado e uma serra que sabia que dariam conta do trabalho. Coberto de sangue, Frederick teve de tomar um banho rápido para poder ir para a rua e pegar as ferramentas necessárias, em caso de alguém o ver. Teria de ser muito cuidadoso daqui pra frente se quisesse se livrar dessa bagunça.


(CONTINUA...)


25/05/2014

Creeper da Semana: Caio de Faria


Idade: 14 anos

Estado: Rio de Janeiro

Como Conheceu o Blog/Por que gosta de Creepypastas: Eu estava buscando sobre histórias de horror,pois sempre me interessei,então comecei a ler creepypastas um estilo que eu não conhecia,daí como gostei bastante e o site por onde eu tinha conhecido era bem vazio e sem muitas creepypastas,daí fiz uma pesquisa e durante uma ampla avaliação eu dei preferencia ao creepypastas brasil,pelo tempo de atualização de mais creepys e pela qualidade.

(Creeper de Semana - 26/05/2014 à 01/06/2014)

Quer se tornar o próximo Creeper da Semana? Clique aqui e saiba como!


24/05/2014

Invasão de sinal

Talvez você já tenha ouvido falar sobre a invasão de sinal ocorrida em Seneca, na Carolina do Sul; a história foi divulgada na internet, e parte da transmissão está no Youtube, se não foi tirada do ar por qualquer motivo.

Para os que não sabem, a invasão em Seneca é uma das que menos foi divulgada. Isso é, foi amplamente noticiada por aqui, mas no resto do país e do mundo, mal se falou sobre o assunto. Bem, eu decidi falar o que sei a respeito do assunto, mesmo que algumas outras pessoas tenham falado de maneira mais eloquente que eu.

Estava em casa, fazendo algumas anotações de Química, em um feriado qualquer quando tudo aconteceu. Não havia mais ninguém por perto. Depois de assistir a reprise habitual de Law and Order, fiquei entediado e comecei a ver os outros canais. Depois de algum tempo passando por vários canais, acabei chegando naquele ridículo canal comunitário. E lá estava meu professor de Latim recitando um poema enquanto usava um chapéu de pirata.

Assisti por algum tempo e dei várias risadas - lembrava dele como sendo um indivíduo sério, não o tipo de pessoa que envergonharia a si mesmo em público desse jeito - quando de repente a tela se encheu de estática e logo em seguida apareceram as colorbars.

Antes que eu pudesse trocar de canal, a tela encheu de estática outra vez e então apareceu esse estranho desenho animado. A animação era detalhada, mas era um tanto tosca - parecia com aqueles desenhos anti-drogas. Enfim, parecia "normal" no começo - uma típica família de classe média tomando café da manhã em uma mesinha redonda.

A mãe tinha aquele cabelo num corte fora de moda, o pai, e duas crianças - um menino e uma menina. Eles estavam tendo uma conversa comum: o pai reclamando do trabalho, as crianças falando sobre jogar futebol e por aí vai.

Gradualmente, no entanto, a cena começou a ficar um tanto sinistra - uma luz verde vai entrando epla janela aberta, e a família vai aos poucos adquirindo uma aparência doente; a pele muda de cor, e os olhos parecem afundados em suas cabeças. Ao fundo, uma transmissão de rádio lentamente se faz notar: o locutor diz que é 15 de novembro de 2017 e começa a falar sobre uma estranha crise - mal se pode entender o que ele diz.

Ele fala algo sobre uma luz verde, carne humana derretendo, mutações, formas estranhas saindo do mar: várias vezes pode-se ouvir a frase "Dirija-se ao abrigo mais próximo imediatamente". Ainda assim, a família continua o café da manhã como se nada acontecesse.

E então, tudo fica realmente macabro. A família termina o café da manhã e a mãe leva as crianças para uma minivan. Agora eles estão *incrivelmente* doentes: seus corpos parecem esqueletos com uma pequena camada de pele, o branco de seus olhos está agora num tom amarelo e os seus cabelos completamente desgrenhados.

O carro passa por um terreno banhado na luz verde vista antes. Formas estranhas aparecem rapidamente na tela, mas não se pode dizer exatamente o que são, e os prédios que aparecem no caminho parecem completamente desertos. Finalmente, a mãe deixa as crianças numa pracinha antes de ir embora.

Lá estão enormes rochas de cor estranha e um gemido pode ser ouvido ao longe. As crianças brincam nas barras por algum tempo. Eventualmente a câmera mostra o playground de cima, e você pode ver que as rochas naõ são rochas, mas sim corpos humanos, horrivelmente desfigurados.

Eles pareciam estar ou entrando ou saindo do solo. Não posso dizer com certeza. E eles estão todos vivos. Atrás das barras, há uma árvore com uma face no tronco - ela parece totalmente contorcida de dor e agonia.

A cena muda para um típico escritório onde o pai das crianças trabalha em uma escrivaninha, digitando feito louco. Sua aparência é tão doente quanto a dos outros membros da família, e o escritório está coberto pela luz verde. Nos outros cubículos, cadáveres descarnados estão em suas respectivas escrivaninhas, congelados na morte.

Finalmente, a família volta pra casa, entrando pela porta juntos. A pele de todos eles está derretendo - caindo de seus braços estendidos e de suas faces em pedaços.

Literalmente caindo aos pedaços, eles se sentam à mesa e começam a jantar em silêncio. A carne de seus corpos fica cada vez mais amorfa, fitas de pele caindo de seus corpos como os tentáculos de um polvo. Eu mal posso descrever, mas é como se eles... se fundissem com as cadeiras em que estão sentando - ou como se a pele crescesse em torno delas.

Agora, a pele tem a consistência de sorvete derretido, e mal se pode descrevê-los como humanos - exceto pelos olhos, que po algum motivo estão intactos. A câmera se aproxima mais e mais da mesa, e finalmente todos os olhos se voltam na direção da câmera, passando um sentimento de tristeza insondável.

A tela fica escura e um texto em letras brancas aparece na tela: "Dirija-se ao abrigo mais próximo imedioatamente. Ficar em residências particulares é completamente proibido". E em seguida, a tela se enche de estática novamente. Encarei a tela em silêncio por minutos antes que a TV comunitária voltasse ao ar.

E isso é tudo que eu sei sobre o assunto. Quase achei que tinha sonhado, até que os jornais falaram sobre o assunto no dia seguinte. Só deus sabe o que aconteceu: uma pegadinha bem elaborada? Uma campanha viral de algum tipo? O lado maluco da internet tem suas teorias.

Uma coisa é fato: estamos cada vez mais perto do dia 15 de novembro de 2017.

21/05/2014

Todos nós temos um esqueleto no armário.

Todos nós temos um esqueleto no armário. Temos aqueles segredos que não queremos que as pessoas descubram. Temos aquelas coisas que queremos esquecer e decidimos joga-las em algum canto onde ninguém poderá encontrar. Porém, não podemos nos livrar dos arrependimentos e dos problemas; eles sempre arrumam uma maneira de encontra-lo. Já estou cansado de fugir dos meus arrependimentos e acho que já é hora de por tudo para fora.

Quando eu estava no ensino médio eu convivia com um bom grupo de amigos. Éramos cinco, e costumávamos sair juntos várias vezes. Éramos muito amigos, e pensávamos que essa amizade duraria para sempre. Bom, pensávamos...

Acabamos a escola e seguimos para faculdades diferentes. Saiamos de vez em quando, mas lentamente começamos a nos separar. Nosso grupo já tinha se dissolvido quando completamos um ano desde o fim do ensino médio. Na faculdade fizemos novos amigos e era bem mais fácil sair com eles do que com o nosso velho grupo.

Uns dois anos depois decidimos nos encontrar outra vez, assim poderíamos recriar os bons momento passados. Acho que estávamos todos nos sentindo um pouco nostálgicos e queríamos que as coisas fossem como no ensino médio.

No entanto, foi tudo um pouco embaraçoso no inicio. Já fazia alguns anos desde que nos vimos pela última vez. Todos estavam lá e por fim acabamos recriando os velhos momentos juntos e decidimos tornar esse encontro uma coisa semanal. Teríamos um encontro em um local pré-determinado no mesmo dia todas as semanas.

Na semana seguinte nós cinco – Nick, Ellen, Jasmine, Chris e eu, nos encontramos para jogar boliche. Outra vez passamos um grande momento juntos, e continuamos marcando esses encontros semanais.

Continuamos realizando esses encontros por várias semanas, até que em um momento Nick parou de aparecer. Eu soube que Nick tinha caído no mundo das drogas e agora andava mais com os amigos drogados dele. Na verdade eu nem gostava muito dele. Ele era tão irritante e tentava forçar suas opiniões em nós.

Apesar do desaparecimento do Nick, continuamos a nos encontrar. A atmosfera estava um pouco tensa, mas ainda passávamos ótimos momentos juntos. Uma coisa que eu descobri através dos encontros foi o quão próximos estavam Chris e Ellen. Eles foram as únicas pessoas que mantiveram contato nos anos após o ensino médio. Ao que parece ele ficaram juntos na mesma faculdade.

Saímos mais algumas vezes. Fomos a um casino e visitamos as casas uns dos outros. Um dia marcamos um encontro na casa de Jasmine. Quando eu cheguei, o único que faltava era o Chris. Ellen estava deitada no sofá soluçando muito. Sempre que eu perguntava sobre o Chris ela não respondia e chorava um pouco mais. Achei que tivessem rompido o namoro ou algo assim. Eles formavam um belo casal, mas não fiquei tão triste por isso. Lembro que eu tinha uma queda por Ellen e Chris sabia disso, mas ele se aproximou dela mesmo assim.

Bom, depois desse dia, Ellen parou de aparecer, então era apenas Jasmine e eu; e logo tivemos que seguir por caminhos diferentes.

Já faz alguns meses desde que o nosso grupo se acabou, e ainda não consegui me livrar do terrível cheiro da morte que sai do meu armário.

Pensei que a essa altura os corpos já tinha acabado de se decompor.

20/05/2014

Sob o Jardim (PARTE II)

Clique aqui para ler a parte I

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O choque e a condenação que tomou a cidade foi logo acompanhada por uma investigação policial muito bem divulgada, mas Frederick não era suspeito, nem se quer tinha sido interrogado. É claro que ele fez um belo e emocionante discurso na seguinte reunião da Associação de Entusiastas de Jardim; não haviam olhos secos na igreja naquela noite. Até o presidente da associação, Sr. Holt, normalmente inabalável, elogiou Frederick por suas palavras atenciosas e gentis. 

Frederick estava muito contente. 

A única questão que o preocupava é que havia quebrado uma regra de ouro: nunca mate alguém que você conhece. Não é que não houvesse pessoas conhecidas o qual ele gostaria de matar, mas era mais esperto que os outros. Mais esperto que os "Ted Bundy" e "John Wayne Gacy" do mundo. Esperto o suficiente para nunca ser pego. Haviam diversas formas para se garantir que nunca fosse suspeito de um assassinato. Para começar, sempre matava a quilômetros de casa, fora de sua cidade. Além disso, era um especialista em maquiagem de cinema, então era bem capaz de fazer disfarces convincentes quando estava "à espreita", protegendo sua identidade. Ele usava uma peruca bem realística por cima de uma touca, como também usava uma roupa de disfarce por cima de outra roupa, todas sempre compradas no dia. Isso limitava o risco de deixar cair fios de cabelos ou pele morta que poderia identificar seu DNA.

Sim, ele era muito cuidadoso, mas matar alguém conhecido que morava apenas algumas quadras de sua casa sem as precauções de sempre fora um erro; seria condenado antes mesmo de conseguir matar mais alguém.

Frederick tinha já envenenado o jardim de Lucy antes, junto com o display de lilás azuis de outro competidor três anos antes. Ele sabia que ficaria suspeito se acontecesse todos os anos com os mesmos participantes, então ele tinha que se livrar de dois jardins. Mesmo que acreditasse que  seu jardim era o melhor da cidade,  ele não confiava que os juízes fariam sempre a melhor decisão. Ele tinha que envenenar o gramado central de Tom Hartley e as irritantes macieiras originais no fundo da fazenda  de Patti Rossier. 

Dezesseis dias antes do julgamento de floreiras na janela, Frederick decidiu fazer sua jogada. Cuidaria das macieiras de Patti primeiro, porque o veneno demoraria mais tempo para fazer efeito do que no gramado de Hartley, mesmo que seu plano de segurança de provocar um pequeno incêndio sempre estava de pé se o veneno não fizesse efeito a tempo.

Quando estava se arrumando para ir sabotar o pomar, a campainha tocou.  Frederick não estava esperando ninguém e uma visita inesperada sempre o irritava, especialmente quando isso podia dificultar seus planos. De mau humor, abriu a porta e lá ela estava. Uma bela vista, cheia de vida, vibrante e brilhante. A garota não devia ter mais do que 19 anos e, mesmo que Frederick detestasse qualquer pessoa que não fosse do mesmo status social que ele - tanto mais rico, quando mais pobre - havia algo intoxicavelmente charmoso até sobre a jaqueta verde desgastada, o jeans azul escuro rasgado nos joelhos, e os cabelos loiros despenteados caídos no rosto, descansando em seus ombros. 

"Com que posso ajudá-la, mocinha?" Frederick perguntou com um sorriso torto em seu rosto.

"Olá, senhor. Eu estou coletando aqui da comunidade fundos para a caridade, e estava pensando se você teria alguns minutos para conversar sobre o maravilhoso trabalho que fazemos". Ela sorriu docemente, e Frederick se deu conta de quão impressionantemente azuis eram seus olhos. 

Ele pensou por um momento. "Claro, entre, ente!" Frederick abriu totalmente a porta, iluminando a moça com as luzes da entrada de sua casa. 

Ela estiou. "Na verdade, senhor, nós não devemos entrar na casa das pessoas quando estamos sozinhos."

"Tolice, tolice! Entre, eu não mordo".

Ela ainda estava parada na porta.

Frederick mudou de tática. "Estou meio ocupado no momento, e na verdade estou de saída, então prefiro conversar aqui dentro enquanto preparo minhas coisas. Não se preocupe, por favor. Não sou um serial killer, ou algo do tipo." Frederick sorriu para ela, com seus olhos exibindo nada além de bondade. A verdade é que mesmo se aproximando dos 50 anos de idade, ele ainda conseguia seduzir e manipular outros com suas feições naturais de simpatia e beleza. 

"Ok, não levará mais de um minuto", ela respondeu, entrando na casa.

Enquanto ele fechava a porta da frente e mostrava a sala de estar para sua convidada, Frederick sentiu aquela familiar excitação começar a borbulhar em sem interior. Sentando-se na poltrona de couro marrom perto da lareira intocada de Frederick, a garota começou a falar sobre a caridade. Ela sorria e mantinha contato visual o tempo todo, parecendo amigável, familiar, mas ao mesmo tempo não intrometida demais. 

Depois de alguns minutos a "ouvindo", reparou que na verdade não tinha ouvido nenhuma palavra do que ela havia dito. Ele sorria para ela, balançando a cabeça em concordância enquanto habilidosamente ela fazia seu discurso muito bem ensaiado, mas ele nem sabia que caridade era; nem ligava pra isso. Sua atenção tinha sido apanhada por um anel que ela usava na mão direita. Não era um anel de casamento ou noivado, mas o jeito que ela o tocava com a outra mão, o jeito que ela acariciava-o sem nem perceber, mostrava que ela tinha muito carinho por ele. Vendo uma pessoa sendo tão ligada a um objeto, fez Frederick fantasiar sobre a dor que causaria se tirasse dela. Os velhos impulsos voltaram a borbulhar dentro dele com tais pensamentos. 

(CONTINUA...)





19/05/2014

Creeper da Semana: Eduarda Marx


Idade: 13 anos

Estado: Rio de Janeiro

Como Conheceu o Blog/Por que gosta de Creepypastas: Conheci o CPBr por meio de um amigo meu que é super viciado em Jeff, quando nos conhecemos ele só me contava as histórias que ele lia no site e me mostrava alguns desenhos bizarros que ele conseguia fazer do Slender. Um dia ele me mostrou o site e leu uma das histórias pra mim, depois de acabar ele disse que minha cara de assustada era muito engraçada quando ele lia e me passou o site. Desde então passei a ler as histórias em casa e toda vez que nos encontrávamos aproveitavamos para discutir sobre elas. Eu não tenho visto mais ele por aí nem mesmo encontrado ele On line, espero que a arma de dardos que ele guardava em baixo da cama caso o Jeff aparecesse não tenha sido usada. Sempre gostei destas coisas de terror mas eu tinha um pouco de medo de ler histórias ou ver filmes desse tipo sozinha, hoje em dia nem tanto. As histórias me ajudaram muito em relação a isso. Pretendo um dia desses tentar criar uma historia das boas, espero que vocês gostem dela.

Contato pessoal:
Facebook: https://www.facebook.com/eduarda.marx.7
Twitter: @sraread

(Creeper de Semana - 19/05/2014 à 25/05/2014)

Quer se tornar o próximo Creeper da Semana? Clique aqui e saiba como!


16/05/2014

Sob o Jardim (PARTE I)

Oi gente, mais uma vez venho aqui com uma série do Micheal Whitehouse (autor de Hora de Dormir, Na Colina, etc...) que será dividida em 10 partes. Espero que gostem.
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Frederick amava o seu jardim, quase tanto quanto amava matar. Ele gastava horas de sua semana regando, cortando, e nutrindo o gramado e os canteiros. Tinha muito orgulho de ter, sem dúvida nenhuma, o maior e mais impressionante jardim da cidade. 

Era maio e Frederick estava torcendo para que nas semanas seguintes, fosse escolhido pela Associação de Entusiastas de Jardim como o melhor jardineiro amador da área pelo sexto ano seguido. 

Ele sabia que, uma vez que os juízes começassem a avaliar os jardins, podiam chegar em qualquer dia sem nenhum aviso prévio - visitas surpresas eram a especialidade deles - mas estava confiante que seus arranjos florais e sua grama intocada seriam mais uma vez os melhores. Tudo que tinha que fazer era sabotar seus rivais durante a noite, usando um pouco de um determinado produto químico que matava plantas. É claro que sabia que ganharia de qualquer jeito, mas também não queria dar sorte ao azar. 

Tudo seria perfeito, contanto que as coisas não saíssem do controle, como havia acontecido dois anos antes. Lucy Rindridge tinha cuidado e produziu naquele ano um maravilhoso jardim na parte da frente de sua casa. Até Frederick admitia que o que ela tinha feito era de se orgulhar, enquanto olhava as exuberantes tulipas, rosas, cravos e sorria enquanto conversava com Lucy; enquanto na verdade pensava em sua cabeça: "Não posso deixar uma negra me vencer".

Uma semana depois do julgamento, ele fez o que tinha de fazer. Foi difícil não levantar suspeitas, é claro. As vítimas de Frederick sempre eram aquelas que ele achava que não fariam falta; mendigos, andarilhos, imigrantes ilegais, mas sua especialidade eram os "fujões" - é muito fácil manipular crianças. 

Lucy Rindridge era diferente. 

Ela era conhecida, tinha amigos que moravam perto e uma filha que estava fora da cidade. Frederick não tinha pensado em matá-la inicialmente, só queria envenenar o jardim; ensinar a ela a lição de não se meter com ele ou ter esperanças de ganhar no território dele. Mas quando ela chegou mais cedo que o esperado naquela noite, quando ele estava dando uma mijada no jardim dos fundos depois de despejar a última garrafa de produtos químicos em uma das roseiras, o sentimento de compulsão que Frederick tentava reprimir começou a se agitar dentro dele.

Ele sentiu esse sentimento estranho pela primeira vez quando tinha onze anos. O cachorro do vizinho tinha entrado no jardim da casa dele e começou a cavar e destruir a Flor-de-Lis-da-Sibéria premiada de sua mãe. É claro que Frederick não podia deixar que uma criatura tão nojenta quanto aquela destruísse o trabalho maravilhoso de sua mãe. Sem pensar, esmagou o crânio do animal com uma pedra do jardim. Imediatamente, ficou intoxicado com um desejo quase que luxurioso que só conseguia ser satisfeito com a morte. Sendo criativo como era, rapidamente ele desenvolveu uma habilidade para não ser descoberto, um talento que ele se orgulhava quase tanto quanto se orgulhava de seu jardim.

Uma vez que esses sentimentos começassem a borbulhar dentro dele, Frederick não conseguia resistir a oportunidade de usar a pobre e velha Lucy Rindridge. "Menos um negro na vizinhança", ele pensou enquanto esperava do lado de fora, escondido pela escuridão. Foi muito fácil; a senhora tinha deixado a porta dos fundos destrancada. Enquanto entrava furtivamente na casa, Frederick encontrou sua presa na sala de estar. A casa consistia em uma acumulação de objetos de uma longa vida, peças de cerâmica, estatuetas estranhas, um relógio antiquado, fotos de família e amigos que já haviam morrido a muito tempo; o lugar lembrava muito a casa da avó dele - a vadia sem coração!

Ele se arrastou lentamente até a o braço da poltrona de Lucy Rindridge, cada passo acompanhado pelo sentimento crescente de excitação borbulhando dentro dele. A bruxa velha não tinha ideia do que estava por vir, e Frederick mal podia esperar para ver o medo e a dor nos olhos dela enquanto tirava a vida dela com as próprias mãos.

Circulou a poltrona, se movendo rapidamente, mas ficou extremamente desapontado com o que tinha sido presenteado. A velha estava doente. Ela devia ter voltado mais cedo da sua noite de bingo porque estava mal e, estava claro que mesmo sem o "trabalho manual" de Frederick, Lucy Rindridge não ficaria muito mais tempo nesse mundo. Ela o encarou, com dificuldade para respirar, enquanto apontava para o telefone residencial que estava em uma mesinha próxima; implorando por compaixão com seus olhos silenciosos. 

Frederick começou a rir incontrolavelmente. 

"Ah, você quer que eu chame uma ambulância?" ele zombou enquanto pulava alegremente em direção ao telefone. Levantou-o do gancho e colocou na orelha: "Alô, é do hospital? Será que vocês pode vir até a casa 68?" Ele se virou para a senhora indefesa "É 68, não é querida?", e depois voltou para sua conversa fictícia, "sim, 68, Avenida Dupin. Por favor, venham rápido, ou eu acho que essa pobre e indefesa velha preta não vai sobreviver". Batendo com força o telefone no gancho, Frederick continuou a rir loucamente enquanto cambaleava de forma jovial até a poltrona dela.

Olhando em direção a senhora que agora tinha os olhos completamente marejado, Frederick se inclinou, sussurrando na olha direita dela. "Eu sinto muito, querida, mas o seu tipo não pertence a esse lugar, se eu pudesse queimaria todos vocês, como antigamente. Mas como minha mãe dizia 'você tem que se virar com o que Deus te dá', e nesse caso, Deus me deu isso".

Frederick olhou para suas mãos protegidas com luvas de couro com um sorriso que ia de orelha à orelha. Circulando a garganta da mulher indefesa com seus dedos, apertando com toda força que podia, sentiu uma imensa satisfação correndo por seu corpo. 

Assim que as lágrimas desciam pelo rosto de Lucy e a luz sumia de seus olhos, Frederick riu sozinho e sussurrou: "A propósito, envenenei seu jardim também. Parece que vencerei esse ano novamente". Ele cerrou seus dentes, perdendo a compostura por um segundo e chacoalhou violentamente o corpo da velha, segurando-a pelo pescoço. 

"Bem como deveria ser"

Ela estava morta e Frederick aliviado. 

(CONTINUA...)



14/05/2014

Genocídio nuclear

No dia 16 de julho de 1945, o governo dos Estados Unidos executou o Projeto Trinity. O Projeto Trinity foi o primeiro teste de arma nuclear da história, que ocorreu no deserto do Novo México. Os militares, especificamente o exército, foram os encarregados em conduzir esses testes e se certificarem em encontrar um local completamente seguro para os procedimentos. Um local completamente desabitado. A ‘falha’ do exército foi a de checar completamente todas as cavernas e ravinas naquela terra desolada... mas retornaremos a esse ponto depois.

Deixem-me contar uma história diferente, a fim de mostrar o sentido real desse texto. Essa história é sobre o que acontece quando as coisas não saem conforme o planejado. Há alguns momentos no mundo em que os bebês nascem... diferentes do resto. Uns são naturalmente mais inteligentes. Outros são simplesmente mais atraentes. Alguns, no entanto, possuem algumas diferenças muito pouco atraentes. Dedos extras, a falta de um olho, uma corcunda... todas essas coisas são chamadas de “mutações” pelo mundo moderno. De volta aos anos 30, 40, e 50, os “mutantes” eram as aberrações da sociedade. Os pais os abandonavam em igrejas. Pessoas os insultavam e cuspiam quando passavam. Era apenas na solidão ou em um grupo de pessoas similares que eles encontravam a paz. Logo começaram a construir as suas pequenas comunidades, e passaram a se estabelecer em diversas partes do país como nos desertos, cavernas, ou pequenas ilhas afastadas da costa. Esses eram os refúgios dos excluídos da sociedade.

Tudo isso mudou 1945. O Projeto Trinity foi o ponto de inicio de varias coisas significantes. Obviamente que o projeto foi o gatilho para o fim a 2ª guerra mundial e para grande corrida armamentista durante a Guerra Fria. Porém, esse também foi o gatilho para o grande genocídio que de alguma forma você nunca ouviu falar. Próximo ao local da explosão do projeto havia uma comunidade de aproximadamente 45 “mutantes”. Todos morreram instantaneamente pelo poder destrutivo liberado pela primeira explosão.

Em 1946, ocorreram mais dois “testes” em uma comunidade nas ilhas Marshall. Em 1951 outra explosão na região pacífica resultou em uma grande onda de doenças causadas pela radiação e várias mortes dentro de outra grande comunidade de mutantes. 1952, a Operação Ivy Mike matou mais de 150 mutantes em outra ilha pacífica. O último teste de detonação documentado ocorreu no dia 01 de março de 1954. Esse teste, nomeado de Castle Bravo, foi o mais devastador.

Depois de descobrirem que os mutantes haviam retornado para as Ilhas Marshall, o governo decidiu que já era a hora de acabar com a existência deles. Detonaram uma bomba de 15 megatons nas águas da costa da ilha. O vapor radioativo da água e pedaços de metal entraram na atmosfera da ilha. A quantidade de mutantes mortos beirou os 220. Homens, mulheres, e crianças, todos sofreram pela radiação. Muitos desenvolveram câncer e passaram o resto de suas curtas vidas em sofrimento. Os sortudos morreram esmagados por pedaços de metal que caíram do céu.

O que o governo não sabe, é que nem todos os mutantes morreram...

Nem todos...



09/05/2014

Germes

Walter Snark, 23 anos, sempre foi um indivíduo... incomum. Em sua casa, camadas de plástico transparente cobriam o sofá, as cadeiras, as mesas, absolutamente tudo.

O cheiro de água sanitária e produtos de limpeza saturavam o ar de um jeito que seu nariz iria querer sangrar. Walter tinha tanto medo de sujeira... que isso até mesmo causava hábitos perigosos pra sua saúde. Seu médico alertou-o que ele deveria lavar as mãos com menos frequência, pois ele as lavava tanto que acabava ressecando a pele ao ponto de formar pequenas rachaduras.

Quando isso começou? Bem, foi em um dia qualquer de 1993 quando Walter comia um cachorro quente. Quando ele estava bem perto de dar mais uma mordida, foi interrompido por sua mãe. "Você não pode comer isso!", ela disse. "Uma mosca acabou de pousar aí! Jogue isso fora, eu vou pegar outro pra você".

Foi depois dessa singular experiência que Walter começou a ver as coisas de outro jeito. Mesmo que fosse apenas um, pequeno, incoveniente germe que tocasse sua pele. A menor criatura do mundo faria de você um paraíso para desenvolvimento de doenças, fosse em meses, semanas ou mesmo em poucos dias. Ao longo dos anos, Walter perdeu todos seus parentes, amigos, e até sua fé. "Quem precisa deles?", ele teria dito. "Enquanto estão por perto, isso só aumenta minha chance de ficar doente".



Doze anos depois, dormindo no sofá de um hotel em Nova York, Snark teve um sonho horrível. Ele sonhou que, enquanto tomava um longo banho quente, ele sentiu uma horrível coceira em sua virilha. Com os olhos fechados por conta do suor e da água quente, ele começou a coçar sua... região particular. Depois que a dor passou, ele sentiu uma substância quente e grudenta em suas mãos.

Com dificuldade, ele abriu os olhos. Sua mão estava coberta de sangue, o que causava uma sensação de queimação em seu braço. Antes que ele pudesse gritar, a queimação se estendeu pelo resto de todo seu corpo. Gritando enquanto se coçava com suas longas unhas, Walter esfolou a si mesmo, sangrando e sentindo o que restava de si mesmo derreter com aquela sensação horrível.

Walter acordou com uma enorme dor de cabeça. Suspirou de alívio ao ver que tudo não passara de um pesadelo. "Graças a Deus...", ele murmurou. "Agora só preciso sair um pouco e... cuidar de mim mesmo".

Quando Walter ia saindo, ele pegou sua chave e já ia destrancar a porta, quando viu um bilhete que havia sido passada por baixo da porta.

"Saudações, caro hóspede do hotel Manchester,

Sentimos muito em informar que uma quarentena foi infligida em todo o prédio. Suspeita-se que um indivíduo chamado Greg Simulton, 38 anos, escapou de um prédio de pesquisas do governo, e está em nosso hotel nesse exato momento. Ele está carregando consigo um vírus transmitido através de micróbios, causador de uma doença que corrói completamente a carne.

Nós pedimos que você permaneça no seu quarto tanto quanto seja possível. A equipe foi forçada a trancar todas as entradas/saídas do prédio até que alguma ajuda chegue. Todo cuidado é pouco.

-Simon Stockholm"

Alguém bateu na porta.

"Pode me deixar usar o telefone? Preciso chamar um médico".

07/05/2014

Micropastas #1

No elevador

Um homem que estava trabalhando em um prédio de doze andares encontrava-se voltando para casa mais tarde que o habitual, depois de fazer hora extra. Ele entrou no elevador e apertou o botão para o térreo. Chagando ao sétimo andar, o elevador parou e as portas se abriram, revelando um corredor muito escuro.

Uma garota pôs a cabeça no lado da porta do elevador, olhou para dentro e perguntou:

“Subindo?”

“Não, está descendo.”

“Obrigada.” E assim ela saiu.

Chegando ao térreo, o homem informou para o guarda que ele não era o último a sair do prédio, pois ainda havia uma garota trabalhando no sétimo andar.

O guarda pôs a mão no peito e seu rosto logo empalideceu.

“Não tem escritórios no sétimo andar, por lá está tudo vago.” O guarda falou com uma voz fraca. E continuou:

“Você só pode ter visto a filha do gerente! É uma história muito triste. Ela veio visitar o pai que estava no último andar. Ela estava no elevador quando ocorreu uma falha. O elevador parou e as portas se abriram antes de passar do sétimo andar. Ela se desesperou e tentou sair quando o elevador voltou a funcionar e ela acabou sendo decapitada.”

O homem deixou o queixo cair. O guarda continuou a história. “Deve ser por isso que você só viu a cabeça dela.”


No piano

Dois irmãos, um garoto mais novo e uma garota mais velha, foram deixados sozinhos no meio da noite quando os pais tiveram que sair para uma emergência no hospital. Pouco tempo depois da meia noite, o garoto acordou com um som vindo da sala. Com cuidado para não acordar a irmã, ele desceu as escadas para investigar. Quando chegou à sala, ele viu que o piano estava tocando sozinho. Ele se aproximou e percebeu que as teclas estavam se movendo sozinhas. Assustado, ele voltou correndo para o quarto e tentou dormir à força.

No dia seguinte ele contou todo o ocorrido para a irmã. E ela falou com os olhos esbugalhados: “Essa noite eu sonhei que estava tocando piano.”


Nas montanhas 

Um casal partiu com um grupo de montanhistas para uma escalada nas montanhas de Sierra Madre. Antes de iniciar a escalada, a garota acabou torcendo o tornozelo, e teve de voltar para esperar o noivo e o grupo na base dos montanhistas, que ficava a apenas alguns metros das montanhas.

Infelizmente uma grande tempestade caiu, retardando a volta do grupo.

Na tarde do dia seguinte, ela viu o grupo finalmente entrado na grande sala da base. Todos estavam presentes, exceto o seu noivo. Ela perguntou sobre o noivo para o líder do grupo e ele respondeu: “Houve um acidente. Ele foi a nossa única perda; nem pudemos resgatar o corpo.” A garota chorou a noite toda.

Ao amanhecer do dia seguinte ela acordou com o som de alguém na cozinha. Ela levantou e caminhou devagar, passando com cuidado pelos membros do grupo que dormiam espalhados pelo chão. Para sua surpresa, era o noivo que estava lá, procurando algo para se esquentar. Quando ele aa viu, se aproximou e disse:

“Querida, houve um acidente na montanha. Eu fui o único sobrevivente.”

06/05/2014

O desaparecimento de Amy Bradley.

Ela desapareceu de um cruzeiro que tinha destino a Curaçao, em 1998, e anos depois foram mandadas  por e-mail para seus pais, fotos(+18) que lembravam muito Amy, e parecia que ela tinha sido vendida como escrava sexual.  Muitas pessoas já relataram de tê-la visto durante o passar dos anos; a página no Wikipedia deste caso tem uma lista de avistamentos, e aqui está um relato feito para o FBI. Toda a história é arrepiante e aterrorizante:

Em 1999, um marinheiro americano relatou que quando estava em um bordel em Curaçao foi abordado por uma jovem. Ela disse que seu nome era Amy Bradley e pediu por ajuda. Nesse ponto, dois homens a pegaram pelo braço e arrastaram para o andar de cima. Quando o marinheiro relatou para a policia o que tinha visto algumas semanas antes, o bordel já tinha sido incendiado. 



05/05/2014

Creeper da Semana: Sthefany Souza Aragão


Idade: 14 anos

Estado: Pará

Como Conheceu o Blog/Por que gosta de Creepypastas: Sempre fui medrosa, tinha medo da minha própria sombra... mais o estranho é que eu sempre amei escutar e ler histórias e contos de terror, passei a minha infância sendo enganada pela minha avó inventora de estórias e lendas macabras... mais até que eu gostava.

Enfim, eu estava dando uma bizoiada na net, procurando alguma coisa bizarra e que tivesse haver com terror, e acabei por encontrar a minha primeira creepy, a do Jeff the Killer (e como me encantei pelo seu sorriso altamente sensual e pelo seu amor a soneca) resolvi me aprofundar um pouco mais nas tais creepypastas. Aí eu resolvi catucar nos cantos mais obscuros da deep web (quem dera) e achei um link para um blog que muitos diziam ser daora... e como eu não iria pegar câncer se eu tentasse dar uma bizoiada... resolvi fuçar esse tal blog... e... tham tham tham... era o Creepypasta Brasil!

Eu o idolatrei logo de primeira, achei simplesmente foda e a minha vida apartir daí foi ler creepypastas e fanfics (isso é outra história). A maioria do meu vasto conhecimento de creepypastas eu devo ao Creepypasta Brasil, que por sinal faz um ótimo trabalho! Do cacete mesmo!

Contato pessoal:
Emailstef14souza@yahoo.com
Skype: pam.alick

(Creeper de Semana - 05/05/2014 à 11/05/2014)

Quer se tornar o próximo Creeper da Semana? Clique aqui e saiba como!


02/05/2014

Biscoito da Sorte



Estou morando sozinha faz menos de uma semana. Hoje, durante o meio dia, pedi uma tele-entrega de comida chinesa e almocei enquanto assistia televisão. Quando terminei, peguei o meu biscoito da sorte e o abri. Dizia "Você receberá uma visita hoje a noite. Tranque bem a porta." 

Nunca tive tanto medo quanto agora. 


01/05/2014

As longas pernas de meu pai

O texto desse post vem de uma espécie de aventura interativa chamada "My Father's Long, Long Legs". O texto está formatado quase do mesmo jeito que estava no jogo em si.
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Minha família vivia no sul de uma certa cidade industrial, em uma casa tão antiga que seu porão ainda tinha um chão de terra.

Eu não tinha idade suficiente para questionar abertamente os comportamentos de um parente, mas certamente tinha idade o bastante para perceber que havia algo muito estranho quando meu pai começou a cavar.

Eu tenho apenas uma memória completamente lúcida da época anterior à situação ficar alarmante, e meu pai se abstendo da luz solar para sempre.

Estou sentando no fim das escadas de madeira que levam ao nosso porão. À frente, na escuridão, meu pai está, da cintura pra baixo, dentro do buraco.

Ainda em seu uniforme azul marinho que usava na fábrica, escurecido pelo calor das máquinas e ainda mais escuro agora pela terra...

Assisti meu pai com a satisfação de uma criança que vê em seu pai um grande poço de força e sabedoria.

Na cozinha, minha mãe grita que o jantar está pronto.

Meu pai tira uma última pá de terra, e - em um único movimento - sai do buraco  com enorme rapidez, em seguida passando ao meu lado e seguindo pelas escadas.

Ele sempre foi um homem alto, magro, e ainda hoje eu consigo ver a imagem das longas pernas de meu pai passando por cima de mim quando ele emergiu do buraco que passaria anos escavando em nosso porão.

Afora meu pai, éramos três: minha mãe, meu irmão mais novo, e eu.


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Há muito sobre minha mãe que eu não entendo.

Ela mesma me disse que achou meu pai atraente por ele ser uma pessoa completamente incomum.

Ele havia chegado naquela cidade e conseguido um emprego na mesma fábrica em que minha mãe trabalhava.

Embora fosse um homem prático, ele lia constantemente e de maneira voraz. Do conserto de máquinas até filosofia, ele lia de tudo. Um hábito adquirido, de acordo com o próprio, de seus pais.

Isso era tudo que ele nos dizia sobre sua família. Qualquer outra pergunta do assunto faria com que ele saísse rapidamente da sala ou que começasse a falar de outro assunto.

Uma vez, minha mãe disse que achava que ele fugiu de casa.

Fossem quais fossem seus motivos para abandonar sua antiga família, meu pai não esperou muito para criar uma nova.

Nasci apenas alguns meses após o casamento de meus pais.

Alguns anos depois, meu pai estava ganhando o suficiente para que minha mãe pudesse ficar em casa e tomar conta de mim e, não muito depois, meu irmão.

Então, uma noite, quando meu irmão tinha apenas um ano, meu pai chegou em casa, tirou uma pá novinha em folha de sua caminhonete, e desceu para o  porão, onde começou a cavar.

Num primeiro momento ele disse à minha mãe que estava preparando o lugar para fazer um piso de cimento, sugerindo o início de uma completa (ou parcial) renovação da casa.

Eu era apenas uma criança, e as ações dos adultos ainda eram um grande mistério pra mim. Logo, não sei em que momento minha mãe percebeu que isso era mentira.

Tampouco sei o que aconteceu quando meu pai chamou minha mãe para o porão onde discutiram o assunto. A porta foi trancada uma vez que entraram lá, e eu e meu irmão ficamos sozinhos em casa.

Meu irmão chorou a noite toda, enquanto eu deitei em minha cama, os travesseiros apertados contra minhas orelhas.

No dia seguinte minha mãe reapareceu. Cuidou da casa, preparou a comida, e então se trancou no quarto logo depois que meu pai voltou do trabalho e recomeçou a cavar.

Meu pai, por sua própria decisão, parou de dormir no quarto, e começou a dormir no porão, uma decisão que coincidiu com o início de sua terrível metamorfose.

Foi tudo lento, porém perceptível. Ele começou a ficar pálido, e quando a fábrica fechou e ele pôde passar todos os dias no porão, ele estava tão branco quanto giz.

Talvez fosse o estado de suas roupas e o tom de sua pele que tenham causado essa impressão, mas ele parecia cada vez mais alto, como se seu tamanho estivesse ficando proporcional ao de seu projeto no subsolo de nossa casa.

Enquanto isso, minha mãe colocou meu irmão na pré-escola e me enviou para uma espécie de creche enquanto trabalhava para poder sustentar a casa. No que parecia o perfeito contraste de meu pai, ela foi ficando mais escura, e cada vez menor.

Meu pai cavava sem parar havia pelo menos uma década, e quando comecei o ensino médio, ele não saía mais do porão nem mesmo para jantar conosco.

E então minha mãe o deixou.

Meu pai estava absorvido demais em sua tarefa para repetir as discussões de minha infância - qualquer desejo que ele tivesse de continuar conosco aparentemente havia se perdido nas profundidades daquele buraco.

Minha mãe, aos poucos, foi voltando ao normal. Ela falava mais, ria muito mais. Ela teve amigos e namorados.

Não vimos nosso pai uma única vez depois que saímos de lá.

No dia que saímos de lá em definitivo ele nem mesmo saiu do porão, embora agora houvessem dúvidas quanto a sua capacidade de passar pela porta, pois ele estava incrivelmente alto.

Apenas muitos anos depois meu irmão sugeriu que voltássemos para visitar a casa do nosso pai.

Não é preciso dizer que meu irmão e eu tivemos experiência diferentes de nossa infância ali.

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Meu irmão era novo demais quando meu pai começou a escavar, e aquilo lhe pareceu algo "normal" da vida.

Parecia óbvio pra mim que algo estava errado com nossa casa. O erro era gritado, eu pensava, pelo modo como minha mãe andava pela casa, preparando a comida, e se trancando no quarto.

O erro era gritado, é claro, por meu pai, que após perder seu emprego na fábrica passava dias inteiros no porão, saindo em horários irregulares para comer e usar o banheiro. (Sem falar nas mudanças físicas que aconteceram conforme o tempo passava).

O erro era gritado pelos meus atos, pela preocupação enorme que eu sentia de que em algum momento o frágil equilíbrio da casa seria quebrando e os amigos de meu irmão descobririam a terrível verdade de nossa família - uma situação que eu não podia articular direito, mas que me encheria de preocupação caso alguém de fora pudesse.

Meu irmão, sendo tão novo, não via nada de errado em convidar seus amigos para nossa casa, e até mesmo levava alguns para o subsolo para ver o que ele chamava - após ouvir nosso pai dizer isso, eu acho - "as renovações".

Os amigos nunca retornavam ao porão após serem levados por meu irmão. Outros se recusavam até mesmo a retornar para nossa casa - um alívio para mim, mas uma decepção para meu irmão.

Lembro de uma ocasião, quando ele provavelmente tinha sete anos, em que um de seus colegas fez uma cena.

Acho que aquela criança vinha de uma família religiosa, o que pode ter sido parte do problema, mas isso posse ser algo que eu creio ser verdade apenas por conta de meus preconceitos.

Mesmo tendo uma mentalidade muito distinta da minha, o garoto pelo menos partilhava de minhas preocupaçãoes quando ele tentou explicar a meu irmão que o projeto de nosso pai no subsolo era bastante anormal.

Saí da sala porque eu ouvi um choro vindo do porão. Eu sabia que meu irmão tinha trazido um amigo, então estava me preparando para o pior.

Os dois garotos estavam parados à porta do porão, que ainda estava aberta. Meu irmão olhou pra mim quando me aproximei, sem saber como consolar seu amigo.

"Você vai para o inferno", nosso visitante me disse, assim que ele olhou pra mim.

"É isso que ele está escavando aí em baixo", o garoto disse, olhando de mim para meu irmão. "Ele está cavando para o inferno, e vocês todos vão com ele".

Meu irmão parou de levar tantos amigos para nossa casa, e não creio que tenha convidado um único deles para ver "as renovações" outra vez.

"Nós vamos mesmo para o inferno?" ele me perguntou uma noite, deitado ao meu lado após um pesadelo.

Eu disse que não sabia.

"Mas é pra lá que papai está cavando?", ele perguntou.

Eu disse que não existia nenhum lugar assim.

"Então por que papai está cavando?"

No começo, quando eu sentava nas escadas e observava seu trabalho, meu pai me dava diferentes motivos para seu estranho projeto: procurando ossos de dinossauros, aumentando o porão para criar um quarto extra, procurando um tesouro enterrado, procurando petróleo, a suspeita de que uma corrente estava fluindo por baixo da casa.

Agora nenhuma de suas desculpas funcionava, e quando perguntado sobre o que estava fazendo - o que, de acordo com meu irmão, foi o que o garoto religioso fez - ele tinha outras coisas para dizer.

"Esse não é o mundo real", meu pai disse, ou algo parecido com isso.

"O que nós achamos que é o mundo real é só uma camada de poeira em torno do verdadeiro núcleo do universo. E o que é poeira? Matéria inerte! Peso morto! As sobras daqueles que vieram e se foram antes de nós, algo apenas para nos afastar cada vez mais da verdadeira criação. Houve um tempo em que os homens eram gigantes caminhando por uma Terra pequena, mas agora a Terra cresceu e inchou, enquanto nós encolhemos. Começando aqui, eu estou removendo esse sedimento, nossa inmundície coagulada, e retornando para nossa glória original".

Lembro desse manifesto apenas de cabeça, depois de várias variantes que meu pai recitou ao longo dos anos, e certamente foi isso que ofendeu o amigo de meu irmão.

Ainda assim, não havia resposta satisfatória, e menos ainda para meu irmão, enquanto ele se encolhia de medo do inferno, em minha cama.

Mas eu certamente não tinha uma única resposta a oferecer, e deixei que o assunto morresse em silêncio.

Talvez por isso que, após todos esses anos, ele me convidou para ir com ele de volta para a casa de nosso pai.

É verdade que minhas experiências foram fundamentais na minha decisão.

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Um ano antes de saírmos de lá, fui ao porão pela última vez.

Meu irmão estava com seus amigos. Havia atingido a idade que fazia com que percebesse o quanto aquilo tudo era estranho e pertubador para visitantes, e minha mãe já estava trancada no quarto, provavelmente dormindo.

Meu pai estava, é claro, escavando o porão, e eu estava fazendo meu dever de casa enquanto assistia TV.

Ouvi alguém bater na porta.

Ao abrir a porta, vi um homem atarracado, mas muito bem vestido, de terno, gravata e chapéu. Um par de óculos  bem pequeno estava apoiado na ponta de seu nariz, e parecia minúsculo em seu rosto enorme e redondo.

"Olá, minha jovem", ele me disse em uma voz rebuscada. "Seu pai está em casa agora?"

"Quem é você?" eu perguntei.

O homem ajeitou o chapéu, sorrindo para mim. "Você não tem motivo para me conhecer, é claro" ele disse, "mas eu sou seu tio".

Deixei o homem esperando na porta e fui procurar minha mãe. Mas ela não respondia, o que era normal naqueles tempos.

Isso me deixava uma única opção: procurar meu pai.

Ele não respondeu quando eu abri a porta e o chamei, embora eu pudesse ouvir o som débil e distante de sua escavação.

Olhei para a porta e vi, através do vidro translúcido na porta, a figura do homem que dizia ser meu tio. Desci pelas escadas de madeira até o porão.

A única luz, como sempre, era de uma única lâmpada pendendo do teto.

Meu pai havia se acostumado a trabalhar naquelas condições, mas para mim, a pouca iluminação tornava aquele labirinto extremamente confuso, onde os caminhos de terra e as sombras pareciam não ter grande diferença entre si.

Meu pai havia tentado cavar em linha reta, mas conforme os anos passaram ele reelaborou seus planos, desviando do centro do porão em pelo menos quatro metros e meio.

Dali ele começou a escavar o porão em um longo caminho em espiral,  enroscado e torcido em torno de si mesmo como uma víscera de tamanho monstruoso, enquanto continuava marchando para baixo.

Parei no último degrau da escada de madeira que, pelo que eu pensava, ainda era parte da nossa casa.

A meus pés estava uma pilha de livros estranhos. Eram velhos, com capas brancas porém manchadas de marrom. Ao lado havia um chocalho bastante antigo, cheio de sujeira, e diversas pedras trabalhadas em formas incomuns mas que lembravam, de longe, instrumentos de trabalho.

Me virei para aquele vazio e chamei meu pai novamente.

Não houve nenhuma resposta, mas eu tinha certeza de que podia ouvir, embora distante, o som do escavamento.

Chamei novamente, e dessa vez expliquei os motivos. "Tem um homem aqui na porta!" eu disse. "Ele disse que é meu tio".

Esperei, e então o som do escavamento parou.

Um minuto depois, meu pai emergiu. Sua pele estava pálida, coberta apenas por sua roupa completamente rasgada e sujo da cabeça aos pés - incluindo até mesmo sua boca, que parecia bem mais escura.

"Seu tio", ele murmurou, sem perguntar nada. "Meu irmão".

Acenei com a cabeça.

"Traga-o aqui", ele ordenou.

O homem atarracado - meu tio, que pelo que me lembro cheirava a leite azedo - parecia exultante.

Levei-o até o porão, sua agitação crescendo até que ele viu meu pai, que agora estava incrivelmente alto (acho que ele estava com pelo menos 2,40 metros de altura ) e parado na "entrada" de seu túnel.

Eu sabia que devia sair, e conforme subi as escadas eu ouvi o visitante dizer que meu pai estava fazendo "um ótimo trabalho" para si mesmo, "considerando todas as circunstâncias".

Nunca mais vi esse homem que dizia ser meu tio, nem nesse nem em nenhum outro dia.

Talvez não por coincidência, essa é a última memória que eu tenho de meu pai, e foi a que retornou com tudo para minha mente quando meu irmão, muitos anos depois, sugeriu que voltássemos para a casa de nosso pai.

Parecia que meu irmão queria visitá-lo por puro desencargo de consciência, já que nosso pai estava sozinho há anos.

Por um lado, eu apreciava a preocupação de meu irmão, mesmo parecendo deslocada. Por outro, eu sabia que não podia pará-lo. Seus sentimentos quanto a nosso pai eram brandos.

A única dúvida era: eu iria com meu irmão, ou deixaria que ele fizesse a visita sozinho?

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Decidimos ir em um dia marcado para nossa antiga casa, onde achávamos que nosso pai ainda vivia, e nos encontraríamos dali a uma semana pela tarde.

Mas deve ter ocorrido algum engano.

Cheguei tarde.

Eu devo ter me atrasado - a única outra possibilidade seria a de meu irmão ter chegado mais cedo por algum motivo, para ver nosso pai antes de mim.

E eu não quero nem pensar por que ele teria feito isso.

A cidade estava menos industrial do que costumava ser, embora ainda houvesse um toque das indústrias no ar e na água. A velha vizinhança, que mesmo nos velhos tempos nunca foi abundante, havia caído em desgraça ainda maior.

As casas estavam caindo aos pedaços e, aparentemente, vazias. As calçadas tinham protuberâncias causadas pelas raízes de antigas árvores que ainda resistiam.

A única evidência de habitação era um carro. O carro de meu irmão, estacionado na frente de nossa velha casa.

As portas estavam trancadas, os vidros fechados. Ao tocar o capô, notei que não estava quente, mas fora isso eu não tinha como saber quanto tempo o carro ficou sem assistência.

À minha frente, a casa esperava.

Não parecia diferente do resto dos prédios.

As janelas haviam sumido, até mesmo as molduras haviam sido levadas, e a varanda estava destroçada, com uma poça de água da chuva.

A porta da frente estava aberta em um certo ângulo, sua dobradiça inferior quebrada ao meio.

Com cuidado, entrei e me vi na antiga sala de estar.

O chão estava cheio de lixo e pedaços da casa caídos do teto. A televisão havia sumido, mas ainda havia um espaço mais claro no papel de parede indicando onde ela ficava. O sofá agora era uma pilha de fungos e mofo.

Eu pude ver que a porta que levava ao porão havia sido completamente removida.

Chamei meu irmão e esperei por um momento, olhando para a mais completa escuridão.

É claro que não havia mais luz. Provavelmente desligaram tudo anos atrás.

Mas uma lanterna estava caída exatamente na entrada do porão.

Seria de meu irmão?

Era quase nova. Liguei-a e apontei para o porão, mas não era possível ver mais do que o fim da escada.

Chamei meu irmão novamente, e esperei.

Ainda não havia nenhuma resposta.

Presumindo que o porão ainda era exatamente como da última vez que eu tinha visto, meu irmão podia ter muito bem se machucado se ele tivesse descido as escadas sem a lanterna.

Ele podia estar caído ali, pouco depois da escada, inconsciente.

Eu tinha que ter certeza.

Com a lanterna pronta, desci para o porão.

Os degraus estalaram aos meus pés.

Cheguei ao fim da escada,

e quando a lanterna não pôde iluminar muito mais do que um declive indo cada vez mais para as profundezas da casa,

eu soube que meu pai havia feito um trabalho significativo na última década.

Eu desci.

Eu chamei meu irmão outra vez.

Virei à direita.

O cheiro mofado de terra encheu minhas narinas.

Ao meu redor não havia nada além de escuridão.

Continuei andando.

Chamei meu irmão outra vez, e não houve resposta.

O caminho se dividia agora, esquerda e direita.

Segui o som de escavamento.

Os caminhos que meu pai havia escavado pela terra se dividiam em todas as direções possíveis.

Ainda não havia sinal de meu irmão.

Ao longe, o som continuava, como se quem estivesse escavando não soubesse que eu estava ali - ou não ligasse.

Onde estava meu irmão?

Eu virei à direita.







Eu não encontrei meu irmão.

Eu não sei o que dizer para nossa mãe. Eu não sei o que fazer, para onde ir.

É verdade que eu desisti de minha busca, mas quando eu vi o que vivia ali, ou melhor, o que havia crescido ali, eu corri pra fora do porão.

Por pura sorte, ou talvez por destino, eu saí da escuridão, embora meu irmão não tenha conseguido.

Há uma chance, eu acho, de que ele esteja vivo.

Minha culpa é enorme, não duvide disso.

Mas ela é englobada pelo medo que eu senti quando fiquei frente a frente com o terrível resultado da tentativa de meu pai de restaurar um mundo apodrecido.

Uma vez eu disse a meu irmão que não existia inferno.

Ainda acho que isso é verdade.

Mas onde quer que meu irmão esteja agora...


Será que agora ele está tão alto quanto nosso pai?