06/02/15

Pete do Alambique

Por volta da quarta e quinta série, eu passava quase todos os finais de semana na casa de Tom. Ele vivia em uma casa velha de fazenda no interior da cidade. Dividia o quarto com seu irmão mais velho, Walter. Nós sempre ficávamos até tarde acordados contando histórias de terror.

A mais assustadora era uma história real. Foi assim que Walter contou:

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Em 1920, essa casa era de outra família. O vizinho mais próximo era um homem, filho de primos de primeiro grau, dono de um Alambique ilegal chamado Pete. Ele vivia em um barracão dentro da floresta e frequentemente estava envolvido em problemas com a lei. Os pais do menino e da menina avisaram para NUNCA chegarem perto das terras de Pete.

O menino dormia nesse mesmo quarto. Um dia ele acordou com o som de vidro estilhaçando dentro da casa. Vivendo tão perto de Pete, o garoto era muito cauteloso. Ao invés de abrir a porta, ele a trancou. Pressionou o ouvido contra a porta e ficou tentando ouvir algo.

O garoto ouviu os passos que eram muito pesado para ser de seu pai andando no corredor. Ele quase conseguia sentir o cheiro da bebida alcoólica pela porta. "Me deixe entrar, garoto." Era Pete... Mas o menino não abriria a porta. Vencendo seus medos, gritou "Não!".

Depois de um minuto o menino ouviu os passos das botas pesadas de Pete se afastando pela casa. De longe, ele ouviu seu pai exclamando com Pete. Mas logo as exclamações se transformaram e gritos. Por quase uma hora, ele ouviu os gritos se degenerando aos poucos enquanto as cordas vocais de seu pai iam ficando fracas. O garoto achou que o som suplicante da agonia era a pior coisa que já tinha ouvido até ser substituído por algo pior. O silêncio.

As botas de Pete cambalearam de volta até a porta do quarto do menino. Ele bateu na porta sólida de carvalho. "Menino! Abra essa porta ou vai se arrepender". O garoto podia sentir o cheiro da bebida alcoólica pela porta.Novamente disse "Não!"

E então era a vez da mãe dele. Os berros e gritos dela duraram por duas horas. Quando terminaram, as botas pesadas voltaram até sua porta. O cheiro da bebida estava em tudo. "Menino! Eu disse para abrir essa porta. É sua última chance." O menino estava apavorado, "Por favor, não machuque minha irmã!" Pete estava bêbado e se divertido. Rindo disse "Então abra a porta, menino". Mas o garoto não cedeu. Então passou ouvindo os gritos de sua irmã mais novas nas próximas três horas.

Quando a policia chegou dois dias depois para investigar, encontraram a mãe, o pai e a irmã amarrados em suas camas. Pete tinha cortado um buraco no abdômen deles e puxou seis intestinos para fora pouco a pouco até morrerem de dor. 

Encontraram o menino desidratado mas ainda vivo. Ele ainda estava trancado nesse mesmo quarto. Pressionado contra essa mesma porta. Estava totalmente catatônico. Passou o resto de sua vida em um hospício, ocasionalmente sussurrando "eu devia ter aberto a porta?... eu devia ter aberto a porta?..."

Eventualmente, Pete foi pego e executado. Seu barracão foi derrubado. Mas seu espírito ainda habita essa casa. As vezes conseguimos sentir o doce cheiro da bebida pela manhã e também sentir a dor em nossas barrigas. E quando isso acontece, sabemos que Pete esteve durante a noite tentando arrancar nossos intestinos.

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Essa história realmente me deixou assustado. Tipo, completamente. Eu sempre insistia em nós três dormirmos com a porta trancada e de luzes acesas. A nossa imaginação é tão forte nessa idade! Eu ficava morrendo de medo de qualquer barulho que a casa fazia antes de dormir. Toda vez que eu dormia na casa deles eu até conseguia sentir o doce cheiro do álcool. Para ser honesto, até sentia um pouquinho de dor na minha barriga.

Quando eu falava para os irmão sobre isso, eles davam risadinhas, "É, também estou sentido o cheiro" falava Walter. "Eu também! E minha barriga está doendo!" Tom debochava, fingindo estar com medo. Se mudaram de estado quando eu e Tom estávamos no meio da quinta série. Nunca mais os vi desde então.

Flashback de alguns dias atrás. Eu estava no laboratório de química da minha faculdade. Enquanto fazíamos um experimento durante a aula, um dos produtos químicos tinha o mesmo cheiro que eu sentia na casa deles. É incrivelmente distinto, penetrante, adocicado - não como de álcool ou até de qualquer bebida alcoólica que eu conheça, mas parecido.

Nunca mais tinha sentido esse cheiro desde aquelas manhãs na casa de Tom e Walter. O mesmo cheiro. Peguei a garrafa e olhei a etiqueta: " Éter Etílico". Era Éter.

Olhei pela sala entorpecido. Congelado. Eu me lembrava de trancar a porta do quarto deles todas as noites. Me lembro de acordar com o cheiro suave do Éter na minha boca. Lembrava da dor distinta que sentia nas minhas entranhas pela manhã.

E então percebi... Nunca havia existido um "Pete do Alambique".


Eles estavam me apagando com Éter e me estuprando todos os finais de semana. 


16 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Isso era para dar medo? Ter piada talvez? Não gostei da creepy, é simplesmente idiota...

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  3. Creepy fraca, mas esse cara deveria ter ficado com um puta de um trauma, se a estória fosse real.

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  4. 1 creepy por dia ta dando até orgasmo issi =)

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  5. Por ele ir lá todos os finais de semana, deduzo eu que ele adorava essa dorzinha. Fafadinho ( ͡° ͜ʖ ͡°)


    Brincadeira. Mas, caso essa história fosse real, esse moço ficaria com um trauma brutal.

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  6. Mas... Cara...
    Que dó, que dó, que dó :(

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  7. Eu acho que ele estava sentido a dor no lugar errado

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  8. Eu acho que ele estava sentido a dor no lugar errado

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  9. Trollpasta?😂😂😂😂😂😂😂😂
    na boa vey...isso pode até ser tosco
    mas foi engraçado

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  10. Tadinho ._.
    Deu uma puta pena do menino, coitado.
    MAS CARA, SE ELE TINHA TANTO MEDO, PQ VOLTAVA INDO LÁ?

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  11. Vacilo... Mas o moleque continuava voltando assim mesmo? Vish...

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  12. Pior é ver esses comentários patéticos achando graça no fato dele ter sido estuprado.
    Ele era uma criança: ingênua e inocente. Eles o dopavam com éter, e como era o amigo dele, jamais ele pensaria em algo assim.
    Parem de ver no ponto de vista de vocês, crianças não pensam como adultos, e histórias são histórias. Provavelmente as dores que sentia quando acordava pensaria que eram dores normais, e quanto ao éter, crianças tem a mente muito imaginativa.

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