22/03/15

A Experiência - Dias Finais

Finalmente, A última parte de "A Experiência". 
PS: Pode parecer sem nexo, mas se você se lembrar da tese da Experiência, você verá que existe um sentido sim. (Meio confuso, porém, há um sentido nisso tudo).
Sem mais delongas -e/ou Easter Eggs-: "A Experiência - Dias Finais". Espero que gostem.
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Dia 21
11/4/2009
7:30 AM

Tive um sonho na última noite, no qual eu estava numa sala iluminada e confortável. A janela estava aberta e o céu lá fora era azul. Tudo estava quieto, exceto por mim. Eu estava sentada na cama, chorando incontrolavelmente. Minhas bochechas estavam encharcadas e as lágrimas rolaram abaixo até caírem no meu colo.

Senti um pesado fardo de culpa no meu estômago. Isso fez a linda sala soar como uma presença obscura. Algo estava errado comigo. Quando eu pensei que estava chegando perto de descobrir o que isso era, Eu acordei em outra sala, ainda sonhando. Essa viagem foi como uma eternidade.

Agora que estou acordada, minha face ainda está molhada. As lágrimas pararam, mas elas ainda gotejam ás vezes. Não sei por quê, mesmo consciente. Tabitha e Aspen estão abraçadas juntas, em sono no sofá na minha sala. Essa sala real não tem nada a ver com a do meu sonho. Ela é fria e congelante, e preenchida com máscaras negras nas paredes, demonstrando todos os tipos de expressões terríveis.
Por quê a Aspen mutilou o cabelo dela? Tabitha não tem nada com isso. Há grandes manchas vermelhas de onde parece que as mechas foram arrancadas. Essas não foram os participantes que eu escolhi. Esse não era o plano, estou certa disso. Mas tentando enquanto posso, Eu sou incapaz de lembrar exatamente para que o experimento foi designado para provar. Há uma hipótese na qual eu estive me aproximando... Foi tudo uma ilusão?
Por que eu estava mesmo na mansão, e não na cabana? Eu acordei e encontrei esse laptop aqui, e me lembrei que estou documentando algo. Eu não sei onde meus assistentes estão agora, mas quando eu digo seus nomes mentalmente, posso sentir uma porta mental resistindo aos meus esforços para abri-la. Não posso ver suas caras, mas há traços visíveis de suas existências em minha memória. Eles são como marcas de giz em uma cena de assassinato. Eles parecem pertencer a mente de outro alguém agora.
Mais que tudo, seja lá como for, eu gostaria de saber onde todas essas vozes horríveis estão. Soam como um banquete cheio de pessoas famintas fora da minha sala, preenchendo o espaço da mansão. Me sinto vagamente obrigada a responde-las. Estarão elas me esperando? Suponho que eu tenho uma escolha. Irei sair para responde-las.

2:15pm
Maxwell terminou de cavar o poço. Ele me encontrou, finalmente. Oh, você devia escutar o esplendor da casa enquanto ela me cumprimenta. Aspen e Tabitha estão dançando em minha volta, com os braços unidos. Estamos assistindo o Garett e o Edward se contorcerem enquanto eles estão dependurados pelos pés, do teto do porão. Eles ainda estão vivos. Mas é excelente como eles se contorcem ainda mais, quando a Tabitha e a Aspen cantam minha canção para eles:
“Os porcos estão pendurados para secar
O branco veio para preencher seus olhos
Suas gargantas irão se abrir por inteiro
Para o mundo todo olhar profundamente para dentro deles
E agora sabemos
Agora sabemos porquê
Nossas pérolas foram escondidas dos suínos”
Vejo grandes coisas no futuro da Aspen. Ela sabe disso. Garotinha preciosa. Ela será graciosamente recompensada. Ela soube que a Mestra esteve aqui. E agora eu realmente estou.

Dia 22
11/5/2009
3:30 PM

Não conseguimos encontrar aquele leitão, Elija. Ele talvez seja esperto demais para saber que sua hora chegou. Ele talvez esteja atento ao som dos gritos vindos do porão. Estou certa de que mesmo um ingênuo homem de 25 anos possa distinguir os berros de um homem sendo torturado, e os inconscientes, gritos de um homem a metros de distância de sua morte iminente.

Ainda, Tabitha fez algo que me decepcionou. Eu disse à ela para não enfiar a lâmina muito fundo quando ela fosse empalhar sua cavidade peitoral. Seria um erro cabeludo que poderia resultar na perda de um brinquedo perfeitamente bom. E o Edward era meu brinquedo favorito... Mas não Importa! Para o fundo do poço ele vai! Ainda temos o Garett!

Maxwell está diferentemente abatido. Eu estou certo de que ele não está respondendo tão bem à experiência como as garotas estão. Até por quê, ele já havia servido ao seu propósito. Percebo que teremos de amarrá-lo se não pudermos encontrar o Elija até o pôr do sol.

Dia 23
11/6/2009
2:00 AM

Vi minha mãe em um sonho. Foi tudo muito confortável novamente. Estávamos fora, e era verão e tudo estava bem novamente. Eu deveria ter uns cinco anos de idade. Ela estava me empurrando numa gangorra no playground. As outras crianças estavam rindo e brincando com seus pais também. Daí eu acordei.

Fui acordada por uma dor terrível. Me encontrei enterrando minhas unhas em minha própria carne. Eu estava rasgando meu braço tão fortemente que minha pele estava partida. Mas eu queria ficar. Eu queria viver lá, naquele sonho. Eu não queria acordar mais.

10:00 PM
Elija realmente provou ser um leitão muito astuto. Ele é mais esperto que eu pensei. Ele esteve rabiscando os nomes de todos que morreram, nas árvores. Como ele soube do ritual? Ele deve ter fuçado na livraria. A filha dos Edmonds escondeu seus esforços frustrados de mim em algum lugar por aqui. Ainda assim, isso nunca foi nada mais que um joguinho idiota.
Posso senti-los agora, seus espíritos. Eles estão tentando retirar o Mestre do meu coração mas eu quero que ele viva em mim para sempre. Irei lutar com dentes e garras contra qualquer um que tentar tirar a mansão Rosewood de mim.
A morte será muito boa para aquele bastardinho quando eu encontrar ele.

Dia 24
11/7/2009
5:00 AM

É dia de entrevista. Infelizmente, isso não parece ter mais um “fundo científico” para ser quebrado aqui, mas demos grandes passos rumo a certas outras áreas de estudo. Esse é o resultado final no qual eu trabalhei para. Estamos todos no porão agora, sentados em uma rodinha (como no jardim de infância, quando a tia conta historinhas). Minha mente estava muito arruinada antes de compreender que minha experiência original estava arruinada.

Isso aconteceu quando as reais descobertas estavam sendo feitas. Certamente, Eu não pude parar de documentar isso só por conta do Mestre.
As cobaias irão dizer à você um pouquinho sobre eles mesmos mais tarde. Eles nem mesmo parecem se lembrar de quem eles foram, mas é aí que com certeza um grande sucesso nasce. Olhe como essas criaturas se envolveram em um curto período de tempo. Eles eram as almas mais ardilosas. Agora, olhe que grandes serventes da mansão Rosewood eles se tornaram.
Deixe me transcrever isso para você:
“Conte ao Mestre sobre nosso sucesso”, eu os disse.
Garett:
“Apodreça no inferno, sua puta.”
-Nota- Eloquente, mas afiado. Sempre adorei esse porquinho mais que os outros.
Aspen: “Amghghgm Ammm mghghg”
-Nota- Nessa manhã, Eu a disse para cortar sua própria língua com uma faca na cozinha. Ela seguiu as ordens sem hesitar. Uma verdadeira soldado, aquela ali.
Tabitha:
“Quando o poço estiver limpo
Todos nós iremos ouvir a mais linda voz
Vinda para purificar o barulho
De um pobre mundo.”

-Nota- Mesmo enquanto ela dança, ela canta. Essa ama entretenimento. Eu devo mantê-la depois de tudo.

Elija:
" "
-Nota- Alguns serventes precisam ser sacrificados pelo bem das fundações da casa. Essa foi a resposta que um homem morto dá. Se você pudesse ouvir o que temos a dizer enquanto estivemos escavando suas entranhas com pás de jardim... Acho que você poderia dizer que plantamos uma semente de retribuição nele.

Dia 25
11/8/2009
6:30 PM

Apenas os mais fortes sobreviveram ao experimento. Apenas aqueles com perseverança podem viver para servir a mansão Rosewood. Estivemos duvidosos no começo. Mas não pensamos que algum deles iria sobreviver a transformação requerida para virarem serventes verdadeiros. Mas estávamos errados. É o amor que temos que documentou isso tudo para você.
Algumas vezes me pergunto quem você é, leitor. Á quem essas palavras chegaram? Elas te fizeram compreender a bravura dos bravos participantes que documentamos tão minuciosamente? Estou certa que esse ilusório Dr. Sandaval não pode continuar existindo. Ele irá ter cumprido a tarefa de entregar esses arquivos para alguém por enquanto. Me pergunto se ele já se tocou sobre nosso experimento em primeiro lugar. Eu acho que a única coisa que ele se importava era sobre como ele poderia nos foder toda vez que nós viajávamos para esse escritório por horas.
Posso ser o Mestre, mas Patrícia ainda sou eu. Nos lembramos de T-U-D-O.
Mas para quem mesmo eu estou falando? Adoraria saber. Eu amo entender o que faz suas entranhas se contraírem, leitor. Em que lugares, escuros e profundos você esconde coisas ocultas em sua mente?
Quer saber sobre o Maxwell? Ele tentou me derrubar novamente. Aquela cobrinha. Eu soube que ele iria tentar algo, eventualmente. Com certeza todos pensaram que ele era um grande herói de primeira, quando ele matou o zelador e fez o Mestre feliz. Mas nós sabemos no momento em que passamos os olhos nele: Ele não teria estômago para o que estava por vir. Não como Aspen, aquela que ele nem mesmo se prestava para lamber seus pés.
Como punição, quebramos ele, do mesmo jeito na qual se quebra uma cadeira de descanso. Arrancamos seus braços e pernas e enfiamos ele numa pequena e boa mala, e o enviamos para o fundo do poço. Ele estava vivo (ainda). Talvez ainda esteja vivo ainda. Não é tão fundo. Talvez eu irei ver se ele ainda está gritando lá embaixo, com seus braços e pernas esmagados sobre ele como uma aranha morta.

Dia 26
11/9/2009
2:30 AM

Estou eu sonhando agora? Me sinto quente. Está muito escuro lá fora, mas o calor do meu sonho está dentro de mim de novo. Posso ver a face dos meus pais. Se vocês estiverem lendo isso, mãe e pai, Eu te amo. Eu amo vocês muito, e isso dói pois vocês nunca mais conseguirão me amar depois disso. Espero que vocês saibam que eu lutei a cada passo por todo o caminho.

Por favor Deus, deixe isso ser real. Não deixe isso ser um sonho. Eu quero que isso acabe logo. Eu quero que todos saibam que lugar é esse. Aspen e Tabitha se foram. Não pude deixa-las prosseguir daquele jeito. Eu lutei e lutei par ver claramente, e Eu posso finalmente ver que elas são criaturas muito lamentáveis. Eu tive que encerrar suas vidas.
Ao menos Tabitha estava disposta. Ela olhou tão graciosamente pra mim quando eu levantei a faca para ela. A perfuração no peito dela (que ela fez para empalhar a si mesma), não foi o suficiente. Ela teria que terminar essa perfuração se eu não conseguisse fazê-la. Aspen foi mais difícil. Ela se esquivou de mim como um rato correndo e olhando para trás com seus olhos de carvão, cegos.
Eu tive de dizê-la que o Mestre almejou isso. Mestre almejou tudo pra ela, tudo para terminar tudo isso. Não era um sonho? Não podia ser real, nenhum de nós poderia ser possivelmente ser real também. E ainda, eu a assisti fazer isso. Eu senti o chão frio rachando meus pés enquanto eu segui ela pelo poço escavado. Eu senti o vômito vazar pelo meu queixo enquanto me sentia com fortes náuseas, ainda recusei-me a evitar o meu olhar a partir da visão de seu recheio, enquanto pedras d’água desciam pela sua garganta, enquanto ela não podia respirar mais. Ela foi uma boa soldado até o fim.
E agora, as sereias estão vindo. Elas cantam uma canção de ninar. Elas estão cantando para meu adormecer, junto com toda o alvejante que eu já bebi. Posso ainda me lembrar os começos dessa experiência. Eu tinha as melhores intenções; Eu tinha tanto zelo para ver na psique humana. Mas o que eu encontrei era um abismo desesperado para ser preenchido: com amor; com ódio; com religião; com dúvida; com medo. Eu tenho olhado dentro do poço da alma. É sem fim. É corrompível.

Mas quem sou eu agora para dizer essas coisas? O que eu sei... Não posso nem mesmo lhes dizer quando a corrupção em mim foi iniciada. Foi um longo tempo desde que cheguei aqui. Isso me trouxe a esse lugar. Isso me ensinou que eu irei encontrar um jeito. Eu sei que eu estou sentindo muito por tudo isso. Muito mesmo. E eu não tenho mais lugar nesse mundo. Eu talvez nunca mais tenha um lugar para começar novamente. Mas pelo menos agora, Eu posso morrer com esse fulgor em mim. Eu posso morrer sabendo exatamente sabendo quem, ou o que, eu sou.
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Fim


8 comentários:

  1. O que fez os cobaias e a Patrícia agirem assim? Uma maldição ou a solidão, nesse lugar longe de tudo e de todos?

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  2. Lendo pela primeira vez: Bug Bug Bug Bug
    Lendo pela segunda vez: Error 404 cannot found "Sentido"
    Lendo pela terceira vez: Wat
    Lendo pela quarta vez: Aaaaaaaa! Então era isso.

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  3. Gente, o que ela iria testar com essa experiência, eram "As Correlações entre lapsos temporais e perda de memória.". Acho que é "quase" uma trollpasta, não acham?

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  4. Então... Ela matou geral, dizendo ser o Mestre (ela) que mandou, e se matou com Alvejante(Venish, espero), e no fim das contas ela conseguiu concluir que a mente humana é impossível de entender, e que caso se aproxime desse entendimento, vai te levar a loucura... Né? (Pelo menos morreu limpinha por dentro :) )

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  5. What??
    Então o experimento era sobre lapsos temporais.. por isso ela so escrevia de vez em quando e já ia falando um monte sem explicar direito o que ta acontecendo?
    O Elijah disse que ela não estava dormindo naquele período que ela fingiu que estava doente..o que realmente aconteceu então??

    E que ZORRA foi aquela de "servir verdadeiramente a Mansão"?? Quem era o Mestre afinal? Ela? Uma entidade dentro dela?

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  6. Aan que sem noção! Do nada uma chacina 😓😓 nem explica o porquê..

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