13/06/15

Tem alguma coisa muito estranha acontecendo com minha esposa - Parte III

Se você não leu a Parte I e a Parte II, por favor, leia antes de continuar. Para aqueles que estão esperando, eu peço desculpas. Os últimos dias tem sido no mínimo um pouco loucos. Leia e você vai entender o que quero dizer.

Quando minha esposa acordou, nós tivemos uma longa conversa sobre qual seria nosso próximo passo. Enquanto nós conversávamos, eu casualmente olhava para seu pulso e via que a marca de queimadura continuava lá. Ela me pegou olhando, e seus olhos verdes radiantes ficaram sem brilho “Sou eu... Queria pedir para você não ter medo de mim... Mas não confio mais em mim mesma...” Lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto enquanto eu a abraçava e a reconfortava, sem responder. Ela estava certa, eu estava começando a duvidar da única pessoa que eu confiava que me protegeria em qualquer situação. Embora me consolasse o fato de ela ser a pessoa que me salvou duas vezes da entidade bizarra. Apesar das dúvidas, chegamos a algumas teorias que pareciam fazer sentido em face dos recentes acontecimentos. Primeiro, parece que a entidade é incapaz de aparecer na presença de minha esposa, comprovado pelo fato de que no momento em que minha esposa desmaiou eu fui capaz de vê-la. Segundo, ou a entidade está evoluindo, já que é capaz de falar e sair da casa, ou há várias entidades. Terceiro, tecnologia poderia ser uma fraqueza dessa coisa, considerando que o telefone havia me salvado duas vezes agora. Finalmente, há alguma coisa muito errada naquela casa e a entidade definitivamente não nos quer lá. A casa é algo que precisa ser explorado. Mas é muito perigoso apenas voltar lá sem nenhum conhecimento extra. Então nós decidimos falar com a única outra pessoa na vida de Natalie que tinha presenciado a ‘sobreposição’, seu amigo da escola Chris.

Depois de algumas ligações, nós descobrimos que Chris vivia numa cidade próxima e tinha se tornado um palestrante de grupo de apoio a pessoas com deficiência visual. Acontece que ele faria uma palestra às 11 horas, e ainda teríamos tempo suficiente de encontra-lo. Chegamos ao pequeno salão comunitário bem na hora que estavam fechando as portas. A maior parte do discurso foi muito positivo e cheio de emoção, falando sobre tudo o que ele tinha conquistado na vida. Ele encerrou o discurso dizendo: “O dia em que perdi minha visão, foi o dia em que eu verdadeiramente parei de viver com medo!” Ficamos parados e quando o salão se esvaziou, nos aproximamos de Chris, que estava perto de sua esposa, quem ele tinha apresentado mais cedo durante a palestra. Eu não sabia nem como começar a perguntar sobre sua perda de visão, mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele apontou para mim “Ah, então a sobreposição aconteceu? Ela disse que vocês viriam...”. Ele então veio nos dizer que desde o incidente a bisavó de Natalie vem mantendo contato muito próximo com Chris. Ela se sentia muito culpada pelo que aconteceu, e estava determinada a descobrir o máximo que pudesse. Ela também insistia que era só uma questão de tempo até que a sobreposição acontecesse novamente perto de Natalie e ela iria querer encontrar um jeito de parar isso. Quando nós contamos a Chris sobre a condição e sobre os símbolos que eu vi, ele ficou muito sério. “Então ela tentou fazer isso, ela tentou vincular o que mantém as “irmãs” juntas à casa dela. Temo que ela não tenha sobrevivido a isso...” ele disse serenamente. Eu estava realmente confuso nesse ponto. “Você acabou de dizer ‘irmãs’?” Eu perguntei. Chris então pediu que fossemos com ele até sua casa, porque havia muita coisa que precisávamos discutir.

Enquanto a esposa de Chris preparava o almoço, ele nos contou sobre o dia em que ele perdeu a visão. “Eu nunca contei isso a ninguém, exceto sua bisavó, mas no dia em que perdi a visão, antes de perder os sentidos, tenho quase certeza de que vi uma segunda entidade atrás daquela que eu encarava com descrença. E enquanto eu perdia a consciência, eu ouvi um sussurro: ‘coma’”. Ele explicou que a bisavó de Natalie chamou as entidades de ‘irmãs’ pois ela tinha certeza que havia mais de uma. Além disso, ela acreditava que elas se alimentavam de nossos medos, mas não apenas medo, mas quanto maior o medo, mais a entidade era atraída. Isso fazia sentido, vendo o que eu mais tinha medo na vida, e agora eu estava no pico de meu medo desde que a pessoa que eu via como minha protetora tinha se tornado a razão de meu medo. Depois de anos de pesquisa sobre folclore, demonologia, mitologia e história da família, a bisavó de Natalie encontrou um jeito de prender as ‘irmãs’. Deve ser por isso que haviam aqueles símbolos estranhos na casa e porque as ‘irmãs’ não nos queria perto da casa, ela deve ter encontrado um jeito de prendê-las lá. Entretanto, vendo como a entidade continuou aparecendo e ficou comigo no carro, isso significa que elas continuam capazes de se mover livremente, mas elas devem ter alguma vulnerabilidade naquela casa. Tudo isso era um progresso, mas o pensamento de não saber como lidar com essas ‘irmãs’ era bastante preocupante. “Almoço pronto!” gritou a esposa de Chris enquanto nós íamos até a cozinha para uma tão desejada refeição. Chris queria terminar isso tanto quanto nós, então ele insistiu para que nós passássemos a noite com ele pela nossa segurança. Considerando que eu não tinha conseguido dormir ultimamente, a ideia foi bem-vinda. Todos nós ficamos na sala de estar, e a esposa de Chris e eu revezamos para nos certificar que nada acontecia.

Eu acordei às 3 horas sentindo sede. Eu ri comigo mesmo pensando que talvez eu tivesse algum problema médico por sempre acordar com sede no meio da noite. Eu olhei para a esposa de Chris porque era o turno dela. Certamente, ela estava acordada e olhando para mim com um sorriso gentil. Eu sussurrei “água?” e ela apontou para a cozinha. Eu andei com medo de ver a entidade de novo. A cozinha estava vazia e eu fui procurar água na geladeira. Droga, sem água na geladeira. Eu imaginei que eles tivessem alguma garrafa de água na despensa. Quando abria despensa, eu vi que era bem espaçosa e escura. Eu fui acender a luz e vi uma coisa muito inesperada e horrível. No canto jazia a esposa de Chris, parecendo inconsciente. ENTÃO ME DEU UM ESTALO! “Almoço pronto!”. Essas foram as únicas palavras ditas pela esposa de Chris naquele dia. Eu estava tão envolvido em descobrir o que estava nos perseguindo que deixei isso passar completamente. Eu voltei correndo para a sala de estar para ver que minha esposa não estava lá e que Chris estava dormindo. O que aconteceu depois vai além do bizarro.

Eu acordei Chris e chamei a polícia imediatamente. Eu sabia que deviam tê-la levado à casa. Eu não tinha tempo de contar que minha esposa estava desaparecida então eu corri para fora e me dirigi até a casa. Sim, eu sei que isso é muito estúpido, mas nós fazemos coisas estúpidas quando quem nós amamos está em perigo. Essa é apenas a natureza humana. Durante o trajeto eu ficava me perguntando, como tinha perdido isso? Por que a entidade estava evoluindo tão rápido? Ela tomou outra forma? É porque eu não deveria sobreviver à sobreposição? Ainda mais duas vezes? Isso está me caçando? Mas por que pegou minha esposa? Sou eu quem eles querem. Eu finalmente cheguei à casa. Agora eram 6 horas da manhã. Antes que eu colocasse os pés para fora do carro meu telefone tocou. Era Natalie. “ALÔ!!! AMOR, VOCÊ ESTÁ BEM? ONDE VOCÊ ESTÁ???” Ela gritou assim que eu atendi. “Eu... eu estou tão confusa. Eu pensei que nós tínhamos dormido na casa do Chris. Eu estou em casa. E casa... por favor, volte pra cá.” Agora eu estava realmente confuso. Era mesmo minha esposa no telefone? “Querida, seu pulso...” antes que eu pudesse terminar ela respondeu “sim, tem uma marca de queimadura no meu pulso.” Então eu decidi dirigir de volta. Assim que engatei a ré eu vi. Parada na janela daquela decrépita casa, bebendo água num copo. Sorrindo para mim, com olhos brilhantes e mais verdes que o comum. Eu voltei para casa, frustrado e sem entender nada do que estava acontecendo. No caminho de volta eu pensei, isso sabia que eu estava voltando até a casa para procurar minha esposa. Isso queria me ver. Mas por quê? Quando cheguei em casa, Natalie veio correndo e me deu um abraço. Senti meu coração gelado por fazer isso, mas imediatamente eu peguei seu pulso para ver a marca da queimadura. Ela me olhou desapontada. “Sou eu...”. Então eu finalmente olhei nos olhos dela, meu coração parou. Seus olhos... eles estavam profundamente negros. A Iris não era mais aquele verde bonito que eu encontrava conforto. Eles estavam profundamente negros.

Natalie estivera chorando muito desde que olhou no espelho e eu continuo processando tudo o que acabou de acontecer. Já completou um dia desde que os olhos dela mudaram de cor e não houve mais nenhum sinal da entidade. A vida está aparentemente normal, não perfeita de novo, mas normal. Natalie continua ela mesma, mas parece ser uma pessoa muito mais séria agora. Eu falei com Chris no telefone e ele me contou que sua esposa e ele estão bem e não tinham mais visto a entidade. Agora eu estou escrevendo isso e não estou muito certo se eu deveria voltar à casa e investigar. Eu não posso ajudar, mas acho que aquilo queria que eu visse seus olhos naquele dia na casa. Aquilo queria que eu visse o que havia tirado de mim. Eu nem sei se destruir as ‘irmãs’ trará os lindos olhos de Natalie de volta. Dito isso, estou mantendo os olhos bem perto dela.
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CONTINUA...


12 comentários:

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  2. Noosssa *-*-* a cada parte fica mais interessante o conto *-*-*
    A próxima parte sai nesse próximo sábado?

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  3. Parabéns, Flávia. Essas suas creepys sempre me surpreendem.

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Obrigada!
    Que bom que estão gostando!

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  6. AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAII QUE DLC DE CREEPY CARA

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  7. Mulher, posta logo... tô morrendo @_@ capiroto do babado esse

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  8. Eu gosto disso... isso me agrada, obrigado

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  9. Fdhdhdhhdhdhdhdhdhddsgayilaahsgayvcgay

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