04/08/15

Emagrecimento

Já ouvi muitas histórias de emagrecimento aterrorizantes, maioria envolvendo solitárias ou lombrigas. Entretanto conheço uma que minha vó me contou. Ela tem 92 anos de idade e já viveu muitas coisas em sua vida. Eu costumava amar suas histórias quando era pequeno, mas enquanto ia envelhecendo, começaram a ficar mais depressivas e até assustadoras. Essa é uma delas. Para ficar mais fácil, transcreverei a história do ponto de vista de minha avó.


"Nunca fui feliz com meu corpo. Eu era uma menina gorda e me tornei uma adolescente gorda. Garotos não gostavam de mim, garotas faziam piadas de mim, e até minha própria mãe tentava me emagrecer fazendo uma dieta totalmente restritiva sem doces e sem segundo prato. Dói muito quando sua mãe a faz sofrer assim. Eu só desejava ser magra e bonita. Mas então as coisas mudaram.

Primeiramente, nós nos mudamos. Então minha perda de peso começou. Eu passava a maior parte do tempo com minha mãe. Continuei a não comer doces e definitivamente não repetir nenhum prato. Fui posta em uma dieta com minimo possível de calorias diárias. Sempre sopa. Era apenas caldo, as vezes com algum tipo de carne, mas quase sempre apenas vegetais. Isso de janta. De café da manhã tomava um copo de café com torrada - as vezes com manteiga, as vezes sem. Sem almoço. Sem lanches. Isso era o que eu comia por dia. 

Perdi peso tão rapidamente que mal podia acreditar. No começo, era muito bom. Tudo que eu sempre quis era ser magra, certo? Minhas costelas começaram a saltar sem que eu precisasse encolher a barriga. Conseguia andar sem sentir as minhas pernas antes gordas balançando. Mas continuei a perder peso. As costelas que saltavam? Conseguia contá-las. Estava sempre tonta e fraca. Estava sempre exausta quando ia me deitar. Parei de menstruar. Minha pele era seca e dura, como se eu nunca me hidratasse. Me sentia e parecia como um esqueleto. Ninguém conseguia me fazer parar de perder peso. Minha mãe chorava quando me via nua. Não havia nada que ela pudesse fazer - a ajuda estava além de seu alcance.

Isso continuou por anos, essa restrição de calorias. Meu emagrecimento quase me matou. Mas consegui me salvar. Sai de Auschwitz e pela primeira vez na minha vida, fiquei feliz em poder comer e ganhar peso."



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