16/11/15

Susan e Katie

 O que vou contar aqui não é paranormal nem cheio de criaturas assustadoras ou monstros de baixo da cama. O que realmente assusta é aquilo que você menos espera.

Minha esposa Susan e eu estamos casados a três anos, e fazem cinco meses que nossa linda filha Katie nasceu. Ela é a coisa mais fofa desse mundo. Sei que todos os pais falam a mesma coisa de suas crianças, mas, meu Deus... Katie tem quase um brilho natural. Você não consegue não sorrir ao ver aquele rostinho.

Nós três moramos em uma casa de dois quartos no subúrbio de nossa cidade. Uma viagem de apenas dez minutos de carro até minha loja. Tenho uma loja de 1,99, que foi onde conheci Susan. Ela faz esculturas em madeira e um dia veio até mim para perguntar se eu tinha interesse em vender suas peças em minha loja. Falei que normalmente eu não vendia aquece tipo de arte. Mas no momento em que pus meus olhos em seu trabalho, não pude resistir. Fizemos um acordo e como você deve imaginar, começamos a sair pouco tempo depois. Agora somos casados e há uma seção inteira na loja dedicada as esculturas dela.

Naquela manhã acordei com Katie chorando. Andei até seu quarto, mas Susan já estava com ela no colo. Toda vez que eu via as duas juntas só conseguia pensar o quão sortudo eu me tornara. Dei um beijo em ambas e logo depois disso saí para a loja.

O dia passou normal, o fluxo de clientes estável, indo e vindo. Duas das mais novas peças de Susan foram vendidas já nas primeiras horas da manhã. O intervalo veio e foi, e logo o dia foi acabando e já estava pronto para ir embora. No segundo em que cruzei a porta da frente, Susan espiou pela porta da cozinha e me recepcionou com um grande sorriso. Ela correu e pulou nos meus braços.

– Nossa, alguém parece feliz em me ver! – Falei rindo, pendurando minhas chaves em um ganchinho perto da porta.

– Hoje o dia foi fantástico! – Ela falou. – Dei banho na Katie logo depois que você saiu, assistimos desenhos animados juntas, sua mãe ligou e tivemos uma conversa adorável. O jantar está quase pronto, só precisa ficar no forno por mais uma hora. Sou a melhor dona-de-casa!

Ela levantou a mão para um “toca aqui”. Sorri e batemos as mãos. – Você arrasa, amor! – Falei, tentando parecer tão empolgado quanto ela.

– Ah! E a melhor parte! – Ela continuou – consegui fazer com que Katie tirasse uma soneca sem nenhum problema. E... Ela ainda está dormindo... – Susan deu um sorriso sedutor. Demorei alguns segundos para entender as segundas intenções daquela frase.

– Ah, é mesmo? – Falei quando entendi. Ela me pegou pela mão e me levou até o corredor em direção do nosso quarto. Haviam até velas por lá, e a cama estava arrumada de um jeito impecável.
Nós não tínhamos feito sexo daquele jeito desde a noite de nosso casamento. Todos os beijos que ela me dava tinham tanta paixão e amor, não queria que aquilo acabasse nunca. Enquanto as velas queimavam, ficamos deitados na cama nos abraçando e agarrando. Ela beijava meu pescoço, me fazendo tremer. Depois, ficamos deitados na cama até que o celular dela começou a apitar. Era o despertador. Ela olhou para mim e sorriu.

– O jantar está pronto!

Ela se levantou e colocou seu roupão, sentando em uma cadeira próxima com as mãos sobre os joelhos, me olhando. Dei mais um suspiro e me levantei. Andei até o banheiro que ficava no nosso quarto, e peguei meu roupão que estava pendurado atrás da porta.

Quando estava saindo, me olhei no espelho e esfreguei meu rosto. Sorri, pensando no que tínhamos acabado de fazer. No reflexo do espelho vi que atrás de mim ainda havia água dentro da banheira. Achei que Susan tinha esquecido de drenar a água depois do banho de Katie. Andei até lá para puxar a pequena rolha de plástico do ralo, mas vi que havia um cobertor na água, enrolado. O quarto pareceu entrar em completo silêncio.

Enfiei os dedos na água. Congelante. Escorreguei minhas mãos para debaixo do cobertor. Senti o peso imediatamente. Minha mente continuava me dizendo que era apenas água. Só água. Levantei o cobertor da banheira, água escorrendo pelo chão. Segurei o cobertor só em um dos braços para que pudesse usar a outra mão livre para desenrolá-lo. Meu corpo inteiro tremia. Por uma das dobras do cobertor molhado, um bracinho caiu para o lado. Dei um grito gutural tão alto que pareceu ecoar por todas as paredes da casa. Olhei para baixo e vi seu pequeno braço por cima do meu. Coloquei o cobertor no chão, me sentando ao lado. Desdobrei completamente e vi minha menininha; sua pele estava em um tom de azul claro. Seu corpo parecia uma pedra de gelo quando a toque para procurar um pulso. Seus olhos e boca estavam abertos, mas ela não tinha seu brilho de sempre. Agora ela parecia distante... e com medo.  

Atrás de mim, Susan se ajoelhou. Ela colocou uma das mãos nas minhas costas.

– Ela fica com uma carinha tão tranquila quando dorme, não é mesmo? – Susan falou. Parecia animada. Deixei meus ombros caírem e comecei a chorar descontroladamente.

– Meu Deus, Susan – falei entre os soluços – O que você fez?!

– Shhh... – ela sussurrou, esfregando minhas costas – você vai acordá-la desse jeito.






22 comentários:

  1. 0-0 marmaria, Susan precisa de um psiquiatra (só acho).
    e-e

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  2. Que conto sensacional!!! nao esperava nem fazia ideia do fim até ele olhar a banheira, e quando terminei de ler tive que voltar ate o inicio pra reler tudo e pegar a parte em que ela dizia que "deu um banho na filha", mt bom

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  3. Caraca!!! Muito bom! Percebi q a mãe tinha matado a filha quando ela disse que tinha posto Katie para dormir e ela ainda estava dormindo. Mas realmente não estava acreditando q ela tinha matado a propria filha...kkk, como se isso fosse surpresa aqui no CPBR.kkkk

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    1. Quando li pela primeira vez, antes de traduzir, achei que a Katie estaria no forno kkkkk

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Mas esse site tá uma dlç, cara! Pensar q nos meses anteriores às vezes ficava dias sem atualizações e, quando atualizavam, era com vídeos...

    Feliz pelo Creepypasta BR ter voltado com tudo!

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  5. Hahah, fazia séculos que eu não entrava nesse site, tipo, eu acho que parei de entrar quando terminaram de traduzir 1000voltures.
    Vejo que o site voltou com tudo, não está tão ausente quanto antes, e as creepys estão boas de novo. Parabéns pra galera. ^^

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  6. Jurava que ela tinha posto a filha no forno, e que o jantar seria ela :v

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  7. Achei q ele ia matar a mulher e dps descobrir q na vdd era só uma escultura da filha dele na banheira

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  8. Quando ela fala que colocou a filha pra dormir e que ela ainda estava dormindo eu pensei que ela tinha matado a filha, mas só acreditei no final mesmo. Quero aproveitar para dar os parabéns pelo site ter voltado a ativa também!

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  9. Eu jurei que ela do tinha cozinhado a filha '0' juejdbs

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  10. Véi, o terror vem de onde vc menos espera!! Mães são super heróis, e tipo, mãe psicopata??? Onde no nosso consciente isso se encaixa?? Senti o baque parecendo uma batida de trem com um fusca; detalhe, minha mente é o fusca!
    Super creepy!!!

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  11. Véi, o terror vem de onde vc menos espera!! Mães são super heróis, e tipo, mãe psicopata??? Onde no nosso consciente isso se encaixa?? Senti o baque parecendo uma batida de trem com um fusca; detalhe, minha mente é o fusca!
    Super creepy!!!

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