20/12/15

Ubloo - Parte 1

Achei essa história no creepyasta.com

Em uma vida passada eu era um psiquiatra. Bem, deixe me reescrever essa frase. Antes da minha vida cair aos pedaços, eu era um psiquiatra, e um dos bons. É difícil dizer o que faz um psiquiatra ser “bom” e o que eles fazem, mas eu comecei em meu campo cedo, tive grandes experiências em meus poucos anos de negócio e não muito antes disso eu tinha mais clientes que eu podia aguentar. Não estou dizendo que alguém iria entrar no meu escritório pensando em se suicidar, fazer uma consulta completa em um dia e tudo ia acabar bem, mas meus clientes confiavam em mim e eu sentia que eu os ajudava verdadeiramente, então eu fiquei muito recomendado, enquanto minha fama ia crescendo. Dito isso, eu era como um “tarja preta” dos pacientes.

Não estou certo de como a família Jennings me encontrou, mas eu presumi que eles foram direcionados a mim pelo psiquiatra anterior, como acontece às vezes. Alguém que você é incapaz de ajudar por seja lá qual o motivo entra pela porta, então você faz algumas recomendações. Um dia eu recebi uma chamada da Senhora Gloria Jennings, uma proprietária imobiliária muito rica que queria que eu trabalhasse com seu filho, Andrew. Aparentemente, Andrew havia desgastado todos os últimos psiquiatras do estado e eu era essencialmente a última opção deles. Andrew era um típico usuário de drogas, seu veneno de escolha era a heroína, e como todos no meu campo podem dizer, essas pessoas eram uma enxaqueca para enfrentar. Se eles não estão limpos e dispersos então eles estão chapados e sem fazer sentido algum. Eu não o aceitaria como paciente, mas a Senhora Jennings me ofereceu mais que o dobro da minha taxa comum, logo eu não podia dizer não. Foi a pior decisão já feita.

Conheci o Andrew cedo numa manhã de segunda. Pela experiência, é mais fácil de conhecer esses tipinhos antes deles terem a chance de se drogar. Melhor cenário para o caso, é quando eles nem mesmo aparecem e você tem uma hora livre, mas Andrew estava quinze minutos adiantado. Ele certamente parecia como um viciado em heroína. Covas escuras em baixo dos seus olhos verdes, cabelo desgrenhado, uma barba rala crescendo em seu rosto. Ele parecia estar em seus vinte anos. Ele era alto e inexplicavelmente magro, e vestia roupas comuns e folgadas que só acentuavam sua silhueta fina. Eu o recebi em meu escritório e o ofereci um assento. Ele se sentou e começou a esfregar suas mãos juntas e a explorar seu escritório com seus olhos em uma velocidade alvejante.
Para minha própria privacidade, me referirei como “Doutor A.”

“Então, Andrew. ” Comecei. “Eu sou o Doutor A. Por que você não me conta mais sobre você? ”

Pela primeira vez ele fez contato visual. Ele hesitou por um momento e então disse:

“Olha, essa deve ser a oitava ou nona vez que eu comecei do zero, então eu vou direto ao assunto. Minha mãe provavelmente te disse que eu sou um usuário de drogas e eu sou. Eu uso heroína e cocaína se eu conseguir ter acesso a isso. “

Abri minha boca para perguntar se ele já usou as duas ao mesmo tempo, para explicar o perigo da combinação, mas ele me pegou em cheio.

“Não, eu sempre uso elas separadamente. Não sou um idiota. “ Ele disse.

“Eu não acho que você é um idiota. “ Eu menti. “Eu já vi um monte de usuários no meu dia-a-dia. 
Confie em mim. ” Andrew não parou de me encarar. Eu me movimentei inconfortável no meu assento e fiz a próxima pergunta óbvia. “O que você usa? ”

“Bem, nas noites que eu não quero ir dormir eu uso cocaína, e nas noites que eu não quero sonhar, eu uso heroína. “ Enquanto ele dizia isso ele jogou o olhar para o chão, ainda esfregando as mãos.

“Desculpa, nas noites que você não quer dormir você usa cocaína? “ Eu perguntei, só para me deixar certo que ele disse isso mesmo.

“Isso mesmo, Doutor. “ Ele disse, ainda não olhando para o chão.

“E por que você não quer dormir, Andrew? “

“Por que, eu não quero ver Ubloo. “ Ele respondeu jogando seu olhar para mim, e registrando minha reação à palavra.

“Me desculpe, quem é Ubloo? “ (Pronunciado “U-Blu”) Perguntei curiosamente.

Andrew suspirou. “Ubloo é um monstro que eu vejo às vezes em meus sonhos, que os controla. ”

“E como esse, “Ubloo” controla seus sonhos Andrew? “

“Bem, eu não sei se o nome dele é mesmo Ubloo ou se é como aquela porra é chamada, mas é tudo que ele sempre diz. E eu sei que ele controla meus sonhos pois a merda que acontece nos meus sonhos, acontece quando ele está lá e ninguém nunca iria sonhar. ” Ele disse para mim, com suas mãos desabraçadas e debruçadas lado a lado.

Estava começando a ficar interessante, e eu decidi ir um pouco mais fundo pela toca do coelho e perguntei a questão torturante; “E que tipos de coisas você têm sonhado? “

“Olha, eu não sou louco. Não é como eu fosse numa grande bebedeira e sonhasse com essa coisa fodida. Eu era um atleta e eu estava num passo de me graduar Valedictoriano antes dessa coisa começar a zoar comigo. “ Ele estava ficando visivelmente nervoso.

 “Não acho que você é louco. “ Menti novamente. “Se eu achasse eu teria desistido e diria para você ir embora. Sou um psiquiatra, Andrew. Eu reconheço um louco quando eu o vejo. ” Isso pareceu o acalmar só por um pouco. “Mas você deve entender que eu preciso saber de tudo antes de fazer um diagnóstico de como te ajudar, então eu vou perguntar novamente; que tipo de coisas você têm sonhado? ”

 Eu o vi se desenredar e eu sabia que eu o havia conquistado. “Coisas terríveis. “ Ele disse. “Pessoas e coisas que eu amo, e então só as piores e imagináveis coisas acontecendo a eles. ” Ele estava encarando o chão novamente.

“Que tipo de coisas, Andrew? “

 “Uma vez...” Ele engoliu seco. “Uma vez eu sonhei que eu estava preso numa jaula, num porão que eu nunca havia visto antes, e tinha três homens mascarados estuprando e batendo em minha mãe. ”
Isso me intrigou, então eu recuei e ele percebeu. Eu estava o perdendo. “Continue Andrew. ” Eu disse confortavelmente, mascarando meu choque e intriga.

“Ela estava me chamando, e eu estava chorando, e toda vez que ela chorava por mim ou chorava por ajuda, um homem batia nela, e não importava o quão mal ela parecia, ela continuava me chamando, e eles continuavam batendo nela e a violando. “

 Agora eu vou parar aqui e dizer que pessoas normais não sonham com essas coisas. Sonhos como esse são aro até mesmo entre os mais severos psicopatas, e agora eu estava começando a entender como Andrew tinha ido em tantos psiquiatras em tão poucos anos. Ou ele era uma fusão dos psicopatas mais criminosos da história, ou ele tinha um novo problema de sono ainda não visto em meu campo. Os prós de diagnosticar um novo problema eram enormemente superados pelos contras de um garoto que poderia potencialmente fazer Ted Bundy parecer um ladrão de bolsa.

Eu já estava abalado, mas tratei de me manter firme. Nessas situações, o mais importante é não se perder nos detalhes e resolver todos os fatos primeiro. “Como você sabe que Ubloo estava atrás desse sonho? “ Eu o perguntei.

“Por quê no final dos sonhos, eu sempre ouço ele fazer aquele barulho horrível; ‘U-blu! ’” Ele encenou, com um grunhido agudo como o som que um animalzinho faria.

“E você sempre escuta esse barulho? É assim que você sabe que ele ‘controlou’ seu sonho? “
“Eu sempre o escuto, mas algumas vezes eu o vejo também, mas apenas por um segundo, e então eu acordo. “

“Eu compreendo. Você consegue desenhar o Ubloo para mim, Andrew? “ Eu o passei um caderninho e uma caneta. Ele parecia confuso de primeira, provavelmente porquê eu estava acreditando em cada palavra e começou a rascunhar. Olhei pelo relógio, vinte minutos haviam se passado, nada mal, pois o lado de fora da janela mostra um tom claro de azul. Eu ouvi a caneta bater a mesa e o caderninho ser deslizado até mim. Eu olhei para baixo para o caderno e sufoquei meu coração fazendo o pular de volta para baixo no meu peito.

A coisa tinha um longo e balançante focinho, quase como uma tromba dos elefantes com uma língua pendurada para fora. Seu rosto era desprovido de recursos, além de dois grandes olhos ovais verticais que eram completamente pretos. Ele tinha seis membros e um torso longo e delgado. Ele estava curvado para baixo, as costas e joelhos médias eram apenas um pouco acima do seu corpo, ele poderia, obviamente, tornar-se muito alto se for necessário. Os pés eram circulares com seis apêndices que vazam para fora, em todas as direções, todos equidistante dos outros. As duas primeiras pernas eram consideravelmente mais longas, e tinha apenas dois dedos extremamente longos em cada mão, tanto na parte superior da sua mão e na mesma direção. 

Era estranho de olhar. Ele não tinha características claramente perigosas; sem garras, sem dentes. 

Ainda assim eu não podia ajudar, mas senti um frio na espinha quando eu examinei.

Saí do meu estado de transe e olhei de volta para o Andrew, que estava me encarando e esperando apreensivamente. Acho que tenho meu diagnóstico. “Bem Andrew, eu acho que sei o que está acontecendo. ”

Ele não parecia muito aliviado. “Oh? “ Ele disse monotonamente

 “Sim, eu acho que o que está acontecendo aqui é que você está tendo um so-. “

“Sonho Lúcido. Sim, eu também pensei nisso. “ Ele interrompeu. Eu assistia isso tudo chocado. “Você acha que eu tive algum pesadelo traumático com essa coisa e agora quando eu tenho sonhos lúcidos eu subconscientemente o insiro na minha mente, que engatilha um cenário traumático para jogar fora antes d’eu acordar.

Raramente em meus dez anos de prática, eu havia ficado sem fala, e eu estava sentado ali, boquiaberto. Andrew me encarou e eu o observei dar um sorrisinho bobo.

“Eu te disse, Doutor A, eu não sou um idiota. Eu olhei para tudo isso quando começou a acontecer. Esse é o motivo pelo qual eu comecei a usar. Eu aprendi que opioides podem parar sonhos lúcidos e no início eles param, mas eventualmente ele continua cavando seu caminho. E quanto mais eu os uso, mais forte ele luta para continuar voltando. Então eu usei a cocaína para me deixar acordado, mas eu vi que ela só piora as coisas. Eu ficava acordado por muito tempo, e comecei a sofrer de micro sono. Eu não sabia se eu estava acordado ou dormindo, e ele deve ter percebido isso. Para você ver, quando eu comecei eu podia dizer que era apenas um sonho. Todos os opioides têm um efeito nebuloso na minha compreensão, mas quando eu entrava em micro sono, os sonhos eram incrivelmente vívidos. Ele percebeu, Doutor A, ele percebeu que eu tinha mais medo dos sonhos em estado de micro sono e ele de alguma forma fez cada sonho bem claro, desde então.

Eu honestamente não sabia o que dizer. Nem se Andrew era completamente louco, ou tão inteligente que ele estava incubando sua própria insanidade. Eu fiz a pergunta que eu tinha guardado.
“Quando foi o seu primeiro sonho com Ubloo? “

“Foi bem após a morte do meu pai. ” Ele disse, com o olhar voltado para o chão. Ele se matou, enfiou uma bala na sua cabeça quando eu tinha dezessete. A noite após o funeral eu sonhei que eu estava parado em frente ao seu túmulo, olhando para a grama. Estava tudo normal por um momento, mas aí eu ouvi ele. Eu ouvi ele gritando do chão, gritando por ajuda, pedindo para o desenterra-lo, mas eu não podia me mover. Eu estava congelado. Eu fiquei ali parado e ouvi a ele bater em seu caixão tão forte que o chão estava pulsando e eu o ouvi gritando de medo, mas eu não podia me mover, e então eu ouvi isso, “Ubloo’, e eu acordei. “

 Eu fiquei sentado ali encarando ele por um longo tempo. Enquanto sua descrição de sonho lúcido ter sido impressionante, não é incomum para as crianças ligarem um evento traumático à fim de entender melhor o que está acontecendo. Eu estava começando a ganhar meu deslocamento de volta.

“Quando foi a primeira vez que você viu Ubloo? ” Ele hesitou por meio segundo e então ele começou a falar.

“Uma vez eu sonhei com meu cão, Buster. Eu estava parado atrás de sua grande cerca, e eu era só uma criança, então eu não conseguiria subir. Buster estava do outro lado de uma autoestrada movimentada, sentado, olhando para mim, e eu sabia -de algum modo eu sabia- que ele iria tentar atravessar para vir me ver, e eu também sabia que eu não faria isso. Ele correu para autoestrada e foi atingido por um carro instantaneamente. Eu gritei e chorei, mas o carro não parou, só continuou correndo. Buster estava deitado ali, quebrado e sangrando. Eu vi ele tentando se levantar, e tentando seguir em frente, e outro carro veio acelerando e o atingiu novamente. Eu continuei vendo ele sendo atingido e virar picadinho pelos carros, mas eles nunca paravam. Essa foi a primeira vez que eu o vi.

Eu ouvi ele bem na minha orelha, ‘Ubloo! ’ E então eu me virei e a cara dele estava a uma polegada da minha, seus grandes olhos negros me encarando, então eu acordei. “

Ele estava tremendo agora, e eu podia dizer que ele estava perto de colapsar. Eu tive que o parar, o empurrando.

“Certo Andrew, eu acho que é um bom momento para parar por hoje. “ Eu me levantei e caminhei até minha mesa e peguei um caderno de prescrições.

 Andrew se sentou ali e piscou para mim. “Você vai... Você vai me dar algo para parar isso? ”
“Por enquanto eu vou te dar algo para suprimir seus sonhos. Até eu poder diagnosticar de onde esses sonhos estão vindo, é importante que você tenha uma boa noite de sono, para te ajudar a limpar seus pensamentos. Vou te ajudar a me ajudar, entendeu?

Ele piscou novamente. “Sim, eu entendi, obrigado. Eles têm drogas para suprimir os sonhos? ”
“Bem, tecnicamente não. Tem uma droga nova chamada cyproheptadine que é usada no tratamento da febre do feno, mas um dos efeitos colaterais é a supressão de sonhos/pesadelos especialmente e especificamente aqueles induzidos por stress pós-traumático.

Continuei escrevendo a prescrição em silêncio e podia sentir os olhos do Andrew em mim. “Mas não é para SPT (Stress Pós-Traumático), é para o Ubloo. “

“Eu sei, Andrew” Eu menti para ele pela última vez. “Mas isso vai funcionar também mantendo Ubloo longe dos seus sonhos. “

 Isso serviu para ele. Ele estava super feliz e pulou do sofá. Ele continuou me agradecendo e me dizendo que eu era o melhor doutor que ele já viu. Então ele se sentiu como se realmente tivesse uma chance enorme. Eu não podia ajudar, mas sorri disso. Acho que era a razão de eu ter ficado agarrado com essa prática após tanto tempo. Eu caminhei com ele até a porta e apertei sua mão. Ele me olhou direto nos olhos, sorrindo pela primeira vez desde que conheci ele, e saiu do meu escritório.

Essa era a última vez que eu veria Andrew Jennings vivo.

Uma semana se passou e na outra segunda, Andrew não apareceu. Agora eu poderia normalmente suspirar de alívio, dizer para minha secretária que eu estava saindo e pegar café na rua de baixo, mas eu não estava ajudando. Eu devia perguntar sobre Andrew. Eu estive pensando sobre esses sonhos dele desde que ele saiu, e que a verdade seja dita: Eu estava quase indo atrás dele saber mais sobre o desenrolar da história. Eu saí do meu escritório e disse para minha secretária que eu estava saindo e para cancelar minha próxima consulta. Nas minhas mãos eu tinha a conta de Andrew Jennings pela nossa última sessão, que tinha seu endereço acoplado.

Ele estava ficando num apartamento que sua mãe havia conseguido do outro lado da cidade. Eram apenas uns 15 minutos de carro do meu escritório até lá. Eu tratei de parar na frente da porta da construção enquanto alguém que estava saindo achou seu nome na diretoria. Seu nome estava escrito no papel, então eu podia dizer que ele não esteve por muito tempo ali, sua mãe provavelmente o colocou ali pois ele estaria perto do meu escritório, para facilitar seu transporte.

Ele ficava no último apartamento do primeiro andar. Eu andei pelo longo corredor até eu finalmente parar em sua porta. Parei por um segundo e pensei sobre o que eu estava fazendo, mas minha curiosidade ficou maior e eu bati forte três vezes.

Sem respostas. Sem som de movimento lá dentro. Após eu ter esperado um bom momento, eu bati novamente, mais alto.

“Andrew, aqui é o Doutor A. Você pode vir até a porta, por favor? “

Ainda nada. Tentei a maçaneta e surpreendentemente ela se girou. Senti o peso da porta e podia dizer que ela estava aberta.

Eu não podia te dizer o tempo que eu fiquei ali, com a mão na maçaneta, apenas pensando. Pensando como isso iria parecer; Doutor se permite entrar no apartamento do paciente. Doutor encontra seu paciente carregado de heroína, ou provavelmente em overdose. Em overdose de heroína, mas possivelmente da nova droga que receitei a ele –um usuário conhecido- semana passada. Mas o que era pior, era pensar sobre esses sonhos terríveis que ele tinha, como também em um pedaço de madeira separando eu e ele.

Respirei fundo, e abri a porta.

A primeira coisa que eu percebi é que os tons estavam apagados, e que não havia luz à não ser por uma lâmpada de baixa voltagem na esquina. O ar estava velho e mofado, e jogados na mesa, tinham agulhas, colheres e saquinhos vazios.

Andei pela sala de estar e não vi sinais do Andrew. Havia um corredor no final da parede em que o sofá estava contra. Peguei meu celular e liguei a lanterna. Eu andei pelo hall lentamente, minha respiração estava ofegante e minhas mãos tremendo. Havia uma porta à minha esquerda que estava entreaberta. Cuidadosamente, olhei pela presta e joguei a luz da lanterna dentro da porta. Era o banheiro. Moderadamente sujo, mas não o pior que eu já vi. Não havia sinais de luta, vômito no banheiro, nada que indicaria uma overdose em potencial.

Deixei um suspiro de alívio e fui de volta para o hall. Só tinha uma porta restante, logo em frente. Estava totalmente fechada, toda branca com uma maçaneta prateada. Eu fiquei ali no escuro com minha lanterna e procurei por um interruptor de luz. Esses apartamentos eram velhos, o interruptor deve estar no quarto do Andrew, atrás da porta.

Percebendo que não seria fácil, e engolindo meus nervos, eu comecei a me afastar da porta. Cada passo parecia uma milha. Meus pés estavam desajeitados e minhas pernas pesadas. No momento em que eu cheguei à porta, senti como se uma hora tivesse se passado. Fiquei ali e comecei a encarar pela porta branca, levantei minha mão e lentamente passei meus joelhos contra a porta.

“Andrew? ” Eu perguntei enquanto eu batia. A porta rangia e gentilmente se balançou para dentro. Pela fenda eu poderia fazer o contorno com o braço, e empurrei a porta, agora totalmente aberta.
Andrew estava no chão, escorado e sentado num canto. Sua pele pálida e branca, seus olhos verdes encarando a porta que eu entrei.

Fiquei parado ali e o encarei, mergulhado em choque. Foi a primeira vez que eu vi um corpo morto fora do caixão. Parecia vazio e sem vida. Vi sangue no carpete e suas unhas estavam rachadas e sangrando, erguidas de volta em seu dedo em algumas partes. Eu, de algum modo, tentei achar o interruptor e liga-lo, foi quando eu vi isso.

“O FIM É O INÍCIO”

Estava cravado profundamente na madeira quando eu o vi. Encarei isso o suficiente para ver o que isso queria dizer quando o cheiro me atingiu. A coisa mais podre que eu já havia sentido, e naquele momento, tudo se estabilizou e eu me senti com muita náusea, mais do que toda náusea que eu já havia sentido em minha vida.

Eu corri para o corredor e vomitei imediatamente, eu fiquei ali vomitando quando uma senhora idosa saiu à algumas portas de distância de onde eu estava e se assustou quando me viu.

“LIGUE PARA O 911! ” Eu gritei para ela, vomitando novamente. Ouvi sua porta bater e tentei fazer meu caminho pelo corredor para o saguão, parando a cada minuto para forçar vômito.

Quando o atendimento de emergência veio, eles o deram como morto na cena.  

Eles devem ser acostumados com esse tipo de coisa, pois não pareciam muito intimidados pelo Andrew.

Dei uma entrevista para o policial e o disse que ele era meu paciente, e que eu estava o visitando. Eles não pareciam muito desconfiados e me disseram que se eu precisasse de algo eles chamariam. Eu deixei meu cartão de negócios com eles e voltei para o meu carro. Enquanto eu saia, um carro chegou “arranhando” o chão do estacionamento e eu vi uma mulher chegar. Era a senhora Jennings. Ela estava berrando e gritando e alguns oficiais tiveram que a segurar.

“É O MEU BEBÊ! NÃO, POR FAVOR DEUS, NÃO! ” Ela gritou enquanto tentava lutar com os policiais. Eu já tinha visto tudo que eu podia suportar e caí fora do estacionamento. Chamei minha secretária e a disse para cancelar todos os meus encontros do dia, parei na loja de bebidas para pegar uma garrafa de whisky e me enfiar em casa. Eu fiquei lá bebendo por silêncio por um longo tempo. 

Como de costume, eu liguei no jogo e pedi comida, mas quando chegou, eu não consegui comer.

Pela hora que eu havia terminado a garrafa, estava tarde. Então eu levantei e cambaleei pelo hall para meu quarto, chutei meus sapatos e caí de cara no meu colchão. Fiquei ali deitado pensando sobre o Andrew, sobre seu corpo pálido e sem vida debruçado no canto me encarando com aqueles grandes olhos verdes, sobre sua última mensagem “O Fim é o Início” que ecoava em minha mente tentando achar uma rima ou uma razão para isso. Meus pensamentos estavam ficando mais lentos e minhas pálpebras estavam ficando pesadas. “O fim é o início” passando de novo e de novo em minha mente.

Me senti querendo dormir quando eu ouvi isso.

Do nada e em todos os lugares ao mesmo tempo.


 “Ubloo. ”
_________________________________________________________________________
Continua...


25 comentários:

  1. Parece que vai ser ótima. Até agora está muito boa.

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  2. Muito boa!!! Certeza que vai ser uma creepy maravilhosa.

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  3. Otima, em manteve preso do inicio ao fim, eu quase nao pisquei, mt boa

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  4. Não sei porque mas esse conto me lembrou "Busque conhecimento".

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    1. estranho, enquanto eu estava lendo ela, eu tive um leve pensamento disso tambem, para ter e conseguir mais conhecimento, o quanto eu pudesse.

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  5. queria ver o desenho do Ubloo :/ ainda n consegui "imaginar" ele muito bem através das descrições.

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    1. https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/236x/dc/ee/24/dcee2444322a71830bb75520c1969574.jpg

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  6. Uma boa creepy, mas creio que bem previsível. :T Vamos ver as próximas partes.

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  7. Desculpem estar perguntando numa postagem sobre outra postagem, mas... O que houve com "NES godzilla: replay"?

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    1. Não se preocupe, fez bem em perguntar. Eu comecei a traduzir e terminarei, mas há dois problemas.
      O primeiro é que Algumas imagens estão corrompidas na maioria dos sites e o outro método de consegui-las baixando é muito mais complexo e demorado.
      O segundo é que a creepy foi descontinuada. Ela para na parte 5 se não me engano. E me desculpem por não ter postado desde agosto. Estava muito enrolado em projetos.

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  8. espero que a parte final não seja " eu peguei o Ubloo" Pf.

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    1. Talvez seja... Talvez não... Talvez o final esteja num livro... XD

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  9. espero que a parte final não seja " eu peguei o Ubloo" Pf.

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  10. Já é um bom começo pra uma creepy...sem aqueles finais em que vc já sabe q a merda vai a acontecer a qualquer momento

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  11. Boa escrita, porém há alguns erros ortográficos e gramaticais, além de falhas no enredo. Como por exemplo, o psiquiatra, em toda a sua experiência, hesitaria antes de supor psicopatia ou transtorno de personalidade antissocial de leve a moderado, já que o jovem sentenciou os sonhos que tinha como horríveis e desprazerosos.

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  12. A parte que o cara fala pro psiquiatra "eu não quero ver ubloo" o psiquiatra tinha que responder "mas e ver o red você quer?" aiiiii meu deussss.

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