29/08/2015

A Portadora do Início

Em qualquer cidade, em qualquer país, vá para qualquer instituição mental ou casa de repouso onde você possa entrar. Quando chegar à recepção, peça permissão para visitar uma mulher que se chama de "A Portadora do Início". Um pequeno sorriso atravessará o rosto do recepcionista, como se dissesse 'Seu tolo'.
Você então será levado para um longo corredor -- tão longo que você pensará que irá levá-lo para o lado de fora do prédio. Entretanto, por causa das claras violações das leis de espaço e física, este corredor irá guiá-lo para o coração da instituição. O corredor estará sempre silencioso, mesmo que você tente fazer qualquer barulho. Gritos morrerão antes de saírem de sua boca, e passos serão abafados. Ao invés de falar, seu guia apontará uma porta.
Atrás desta, estará uma sala confortável, preenchida com um perfume prazeroso, porém indefinido. No centro desta sala, haverá uma linda mulher, com seus braços em posição de como se carregasse alguma coisa, embora estejam vazios. A sala será tão silenciosa quanto o corredor que te levou até ali, até, então, que você faça uma única pergunta: "Por que eles foram separados?".
A mulher, então, irá lhe explicar, em detalhes excruciantes, todo evento horrível na história. Toda luta. Toda guerra. Todo estupro. Todo assassinato. Nenhum pedaço da história do universo escapará de suas orelhas. Quando ela terminar, tudo ficará silencioso, e você estará livre para ir embora. Depende de você o que fazer com toda essa informação.
Essa mulher é o objeto 2 de 538. Depende de você se eles devem se unir ou não.

25/08/2015

A Garota na Janela

Novo ano, escola nova. Nada é realmente novo pra mim, pois minha família se muda muito. A escola parece bem normal, assim como os alunos e os professores.

Pelo menos eu pensava que era.

Na escola há esse único corredor - que tem a biblioteca e algumas salas raramente usadas - que me faz sentir muito desconfortável, até mesmo antes que eu comecei a ouvir rumores sobre ele. Eu sempre tento afastar essa sensação e dizer a mim mesmo que eu só estou paranoico, até que, claro, descobrem que um dos mais famosos rumores era verdade: há uma garota que você pode ver de vez em quando que encara o corredor pela janela que a porta da biblioteca tem. Ninguém sabe quem ela é, mas várias teorias circulam por aí. Na verdade, parece que existem tantas teorias quanto alunos na escola.

A primeira vez que eu a vi, quase infartei. Ela é exatamente como as pessoas a descrevem: uma garota loira vestindo um casaco com capuz, que cria uma sombra até a metade de seu rosto.

A parte de baixo de seu rosto indica que ela encara o corredor sem expressão alguma nos olhos, mas eu posso sentir como se seus olhos criassem buracos em minha pele. Meu corpo todo estremeceu e eu corri pra próxima aula.

Algumas semanas depois, já tinha me acostumado a vê-la. Seu olhar não surtia mais efeito em mim, e muitas vezes eu nem lembro que ela está lá. Ela também não se mexeu um centímetro desde a primeira vez que a vi, e eu estou convencido de que ela é realmente inofensiva.

Então agora estou indo para minha próxima aula, e estou passando pelo corredor dela.

-Você não quer se juntar a mim?

Quase ninguém vem nesse corredor a menos que a próxima aula desse alguém seja ali, então eu soltei um pulinho e virei de costas. Não havia ninguém lá, exceto a garota da janela, então eu descartei aquela ilusão e continuei andando.

-Eu estou tão sozinha...

Me virei de novo. Ainda não tinha ninguém naquele corredor, só que, agora, havia um sorriso grande na boca da garota da janela. Senti os pelos no meu pescoço se arrepiarem, mas continuei a caminho da sala onde era minha próxima aula.

-Pra onde você vai?

A voz parecia ficar mais irritada comigo. Eu fui até a biblioteca e olhei diretamente pro lugar onde eu pensava que ficavam os olhos dela.

-O que você quer? - eu perguntei, irritado, batendo o lado da minha mão no vidro.

-Está tão sozinho aqui, não quer se juntar a mim?

Bem naquela hora, ouvi a voz de uma professor atrás de mim, que dizia:

-Vá pra sua sala, garotinha!

Virei de costas e olhei para o professor por um segundo antes de voltar a andar pelo corredor. Assim que ele voltou pra sua sala, eu voltei sorrateiramente para a janela. Ela ainda estava lá. Ainda estava sorrindo.

-Vamos, podemos ser amigos - ela disse.

-Eu prefiro morrer - retruquei, me arrependendo quase que ao mesmo tempo, porque percebi que isso poderia realmente acontecer.

-Não, você não prefere.

Sua voz soou como um rosnado. Ela levantou suas mãos até a janela e me surpreendeu ao fazê-las atravessarem o vidro e agarrarem meu pulso.

-Venha. Junte-se a mim. Junte-se a mim. Junte-se a mim.

Junto com cada frase, ela puxa meu braço em sua direção, fazendo-o cada vez mais forte a cada puxada.

- Junte-se a mim. Junte-se a mim. Junte-se a mim.

O capuz que ela vestia caiu pra trás, revelando buracos pretos no lugar onde seus olhos deveriam estar. Soltei um grito e puxei meu braço o mais forte que podia.

-Pare de resistir. Junte-se a mim. Junte-se a mim.

Nesse ponto, ela fazia sons que pareciam algo como um gato morrendo, e sua voz ficava apenas mais horrenda a cada vez que repetia suas palavras.

-Vamos, pare de lutar.

Eu continuava a gritar e a me debater com toda a minha força, mas tudo ficou preto antes que eu conseguisse me soltar.

Quando a escuridão vai embora, eu me vejo de pé na biblioteca, olhando pra fora da janela. Eu pareço não conseguir sair do lugar, mas também não sinto vontade de fazê-lo por algum motivo.

Pelas horas que passaram, um punhado de crianças passaram pela biblioteca. Nenhuma delas pareceu me notar, exceto por uma garotinha loira de olhos escuros, que parou e olhou pra mim.

A boca dela formou um grande sorriso.




P.S.: Clichê? Sim. Boa? Também. Bjs


24/08/2015

Eisoptrofobia

Espelhos nos rodeiam desde o começo da civilização. Mesmo antes de inventarem o primeiro, já podíamos ver nossos próprios reflexos na água. Não importa a ocasião, espelhos refletiriam qualquer pessoa e qualquer coisa. Eles refletem até mesmo os rostos que pertenceram a malucos, assassinos e meliantes.

No meio da noite, eu acordei completamente coberta de suor – pela terceira vez na semana. Não conseguia dormir mais, pensando na criatura que queria me machucar e machucar meus filhos. Eu vivia em constante medo, e ninguém poderia me ajudar, nem a polícia, muito menos um psiquiatra. A coisa mais terrível é que eu não podia falar a verdade pra ninguém, e se eu o fizesse, acabaria trancada em um manicômio. Eles tirariam minhas crianças de mim e achariam outra família para cuidá-los... O que no final, seria melhor do que viver com uma mãe esquizofrênica.

Tudo começou há mais ou menos um ano atrás, quando meu marido foi encontrado morto em um quarto de hotel que ele utilizou numa viagem de negócios. Ele costumava viajar sempre, e nunca se passou pela minha cabeça que algo tão horrível pudesse acontecer. Eu ainda lembro-me da manhã que recebi a ligação, ainda me lembro daquela voz que compartilhou essa notícia comigo.  Eles o encontraram em frente a um espelho quebrado com um pedaço do mesmo em suas mãos; sua garganta estava cortada, e havia alguns cortes no seu corpo. A polícia pensou que ele havia feito aquilo consigo mesmo porque a porta estava trancada por dentro... No entanto, eu sabia que ele não faria aquilo. Ele nunca nos deixaria, e mesmo se quisesse cometer suicídio, por que ele cometeria de forma tão horrível?

Nos primeiros meses logo após sua morte eu nunca imaginei que alguém pudesse me ameaçar. Claro, eu estava depressiva e minha vida se tornou muito difícil, mas nada de estranho havia acontecido – até aquela noite, quando um medo inexplicável tomou conta da minha mente –.

Eu acordei e fui ao banheiro quando vi algo estranho refletido no espelho enquanto eu passava na frente dele.

Havia algo errado com o meu reflexo.

Poderia ter sido apenas uma ilusão de ótica, o que não é estranho quando você tenta enxergar as coisas no escuro... Porém, quando eu me aproximei do espelho, vi algo que fez meu coração parar na boca.

Não era eu no reflexo – na verdade, parecia com uma versão grotesca de mim. Era corcunda e o pescoço parecia grande e flexível demais. Algumas partes do rosto daquilo pareciam cobrir minhas feições, e se eu olhasse bem, poderia ver meu rosto distorcido de uma maneira misteriosa. A coisa do espelho se moveu, e o movimento não parecia humano.

Assustada pra caralho, eu tentei ver as coisas pelo modo racional e decidi ligar as luzes.  

A coisa desapareceu e no espelho, eu podia ver minha forma “verdadeira”, mesmo que bastante assustada. Eu disse para mim mesma que havia sido uma ilusão, uma brincadeira da falta de luz e da minha visão... Mas, na manhã seguinte, quando lembrei do que havia visto, simplesmente não podia mais chegar perto de espelho algum, ou pelo menos nunca ficaria sozinha em uma sala onde pudesse ver meu reflexo.

Agora imagine, seu trabalho exige que você conheça muitas pessoas, que você se importe com a forma de se vestir, e a pequena ideia de se olhar no espelho já te deixa louca.

A pior parte era que eu não estava só com medo de que algo acontecesse comigo, mas com meus filhos também. Eu disse para eles não olharem no espelho quando estão sozinhos, e claro, eles deram risada e disseram que eu estava ficando louca. O que eu poderia fazer? Eu não sabia nada sobre aquela criatura, e eu nem sabia se era real. Minha racionalidade tentava me convencer que aquilo nem existiu, que não seria possível existir de seja lá qual for o ponto de vista, mas eu não conseguia me livrar da ideia de que atrás de um espelho teria algo ou alguém me esperando cometer apenas um pequeno erro fatal.

Uma noite minha filha e as amigas dela decidiram fazer uma festa do pijama. Elas fizeram algumas brincadeiras idiotas, com algo relacionado à Bloody Mary, ou seja lá qual for o nome... Minha filha tinha que ficar no escuro, parada em frente ao espelho. Ela sabia que eu havia proibido aquilo e mesmo sem acreditar em mim, dessa vez ela hesitou sem motivo aparente. As amigas dela riram e disseram “Sua mãe não está aqui... Você pode fazer o que quiser...”

Ela concordou.

Até hoje não sei os mínimos detalhes do que aconteceu, pessoas diferentes me disseram coisas diferentes, mas em algum momento da festa, ouviram ela gritar e quando finalmente a alcançaram, ela estava sentada no chão do banheiro com diversas queimaduras nos braços e ombros.

Ela foi levada ao hospital e só acordou na manhã do dia seguinte. Médicos não sabiam o motivo daquilo, assim como os policiais que investigaram a morte do meu marido. Com lágrimas nos olhos eu a levei para casa sem a menor ideia do que havia acontecido. Tudo que eu sabia é que ela estava diferente.

No começo, pensei ter sido uma consequência dos acontecimentos traumatizantes, e os médicos me disseram a mesma coisa.

Mas depois de um tempo me convenci que havia algo verdadeiramente errado.

Minha filha nunca foi o tipo que falava demais, mas depois do acidente ela se tornou mais fechada ainda. Eu tentava falar com ela, mas a única coisa que ela fazia era me insultar. Depois de um tempo, descobri que ele havia faltado diversas aulas e que um dos vizinhos a viu torturando animais. Eu não conseguia entender o que estava acontecendo com ela, algumas pessoas me disseram para ir ao médico e outras me falaram sobre padres e exorcismos, mas eu sabia que não tinha nada a ver com doenças ou religião.

Eu comecei a pensar que algo havia matado minha filha e tomado o lugar dela.

A ideia em si era absurda e eu sabia disso. Ao mesmo tempo, meu medo começou a ficar maior.

Uma noite a encontrei próxima ao quarto do irmão com uma tesoura na mão, eu perguntei o que ela pretendia fazer, mas ela apenas sorriu. Eu peguei a tesoura das mãos dela e a mandei dormir, mas ela me atacou e me bateu. O soco dela era extremamente forte, especialmente para uma garota da idade dela. Foi aí que minhas duvidas desapareceram e só um pensamento pairava na minha mente.

Meu filho era três anos mais novo do que ela eu temia por ele. Decidi que se essa coisa havia tomado um dos meus filhos, não o deixaria machucar o outro. Só uma mãe louca deixaria o filho sozinho e só uma mãe mais louca ainda viveria no mesmo teto que uma criatura sedenta de sangue... Então, um dia eu peguei meu filho e nós viajamos até a casa da minha mãe. Eu disse a ele que a visitaríamos por apenas alguns dias e que a irmã dele não iria junto porque ela precisava estudar para provas. Eu menti descaradamente, mas foi para o bem.

Assim eu pensei.

Passamos alguns dias a salvo; eu não conseguia superar o medo que sentia, e que agora não estava mais sozinho, culpa também me consumia incansavelmente. Várias e várias vezes o pensamento de que minha filha precisava da minha ajuda voltava até minha mente. Aquilo estava errado, não havia nenhum monstro no espelho e deixar minha filha sozinha era um erro indesculpável. Eu precisava ter certeza de que eu havia feito a coisa certa.

Um dia eu andei até um dos espelhos da sala e o encarei. Sim, eu lembrava da minha aparência, óbvio. Mas não havia olhado no espelho por pelo menos um ano. Minha pele estava esquisita e minhas mãos estavam trêmulas – eu senti algo estranho, algo... Fora do comum. “Não tenho nada a temer, não tenho nada a temer.” Sussurrei.

Eu estava quase chorando, minha filha poderia estar sendo vítima de um ataque de pânico e talvez fosse minha culpa, eu não havia prestado tanta atenção nela... Ela estava em uma idade tão difícil! Eu odiava aquele medo irracional e eu me odiava por desistir de tudo. Tudo que eu queria era voltar, achá-la onde quer que ela esteja e abraçá-la, mesmo sabendo que ela poderia não me perdoar.

De repente eu lembrei que a criatura só aparecia quando não havia luz alguma e esse pensamento me deixou desnorteada, eu precisava ter certeza, eu precisava me ver no espelho durante a noite.

Acendi uma vela na frente do espelho e conferi para que ninguém me escutasse, olhei para meu reflexo nos olhos, meu rosto estava coberto de sombras e meus olhos estavam completamente negros, mas era eu. Sempre eu. Eu tentei olhar para outro ângulo e percebi que não podia mover minha visão dali... Eu parecia estar hipnotizada.

Meu reflexo começou a ficar mais e mais desfigurado, o pescoço parecia ainda maior e as costas ainda mais tortas; os dentes pareciam crescer na velocidade da luz e eu só queria correr, mas ainda parecia paralisada. Eu queria gritar, mas minha garganta parecia tapada. A criatura colocou os braços para fora e eu podia ver a chama da vela se mexer.

Os dedos daquela coisa tocaram meu braço e uma queimadura fez com que eu despertasse da minha hipnose. Eu gritei e balancei os braços, mas ele me mantinha num “abraço” apertado. Alguma coisa me empurrou para frente e eu pude ver eu mesma caindo em um espaço vazio e gigantesco. Eu não tinha mais poder sobre meu corpo e eu podia me ver andando na direção de uma luz que  a princípio pensei estar vindo da vela. Eu encarei a luz, e ela me engoliu por inteiro.

Eu era nada. Nada havia sobrado de mim. Agora eu posso somente pensar, pensar sobre minha vida destruída. Pensar sobre as coisas horríveis que essa criatura que carregava meu rosto e falava com minha voz podia fazer com meu filho. Mas eu tenho esperança, esperança de que algum dia você entre em um banheiro escuro e olhe para si mesmo nos olhos.


Lembre-se de que você estará olhando pra mim.


23/08/2015

O Fantasma da Guerra

Há algum tempo, um comandante aposentado que lutara na guerra do Vietnã foi encontrado morto em sua própria casa. Ele estava na cozinha, e parecia ter cometido suicídio com seu próprio revólver. A cozinha estava tão cheia de terra e pegadas que parecia que mais de 100 pessoas passaram por lá no momento em que ele se matou. Todas as pegadas eram estranhamente similares às botas que o exército tinha na época em que ele havia lutado. As autoridades locais concluíram que se tratava de um caso de trauma de guerra. Alguns acreditam que essa não é a completa verdade. A principal evidência para crerem que as autoridades estão erradas é um bilhete que o veterano segurava, que aparentemente havia sido escrito com um velho datilógrafo. O papel continha:

"Os nomes e os rostos que estão agora perdidos estão voltando para assombrar você. Seu destino estava nas tuas mãos e você falhou. Eles perderam todos os seus presentes mais preciosos por causa de um objetivo fútil. A missão que lhe foi dada não foi cumprida.

O Fantasma da Guerra voltou. Ele traz consigo seu exército formado por todos os soldados caídos. Ele traz consigo o som das bombas. O áspero cantar das balas que cortam o ar. O calor da batalha, a terra e o cheiro de morte.

Você não é o primeiro e não será o último. Você é o próximo. O Fantasma da Guerra não tem rosto. Ele está esperando. Ele sempre andará ao teu lado. Ele usará o momento quando menor for sua atenção. E não vai ser um bom dia, comandante.

Ele te estende a mão, ele te levanta do chão. Ele te dá sua arma, a arma dos militares nobres. Você a aponta para sua própria testa. Espera para chegar perto de seus amigos que caíram em batalha. Procura paz em seu tiro final. Aperta o gatilho. O Fantasma da Guerra voltou. Hoje à noite, ele volta mais uma vez. Ele volta para ver você."


21/08/2015

O Portador do Fim

Em qualquer cidade, em qualquer país, vá a qualquer manicômio ou moradia de reintegração social que você pode visitar. Quando você chegar à recepção, peça para visitar alguém que se autointitula “O Portador do Fim" . Com uma expressão de criança, o receio vem sobre o rosto dos trabalhadores, você será levado para uma cela no prédio. Ele estará em uma seção oculta e profunda do edifício. Tudo o que você vai ouvir, é o som de alguém falando sozinho ecoar pelos corredores. É uma língua que você não vai entender, mas sua alma sentirá um medo indizível.

Se a voz parar em qualquer momento,  PARE  DEPRESSA  diga em voz alta “Eu estou apenas de passagem, eu desejo conversar."

Se você ainda ouvir o silêncio, fuja. Saia, não pare para nada, não vá para casa, não fique em uma pousada, basta manter-se em movimento, e dormir onde seu corpo cair. Você vai saber na parte da manhã se você escapou.

Se a voz na sala retornar depois de pronunciar essas palavras, continue. Ao chegar à cela tudo o que você vai ver é uma sala sem janelas, com uma pessoa no canto, falando uma língua desconhecida, e segurando alguma coisa. A pessoa só irá responder a uma pergunta. “O que acontece quando todos eles se unem?"

A pessoa, então, olhará em seus olhos e responderá a sua pergunta em detalhes horripilantes. Muitos enlouquecem nessa mesma cela, algumas desaparecem logo após a reunião, e alguns apenas nos finais de suas vidas. Mas a maioria faz a pior coisa: olha o objeto nas mãos da pessoa. Você quererá também. Esteja avisado de que se você fizer isso, sua morte será uma crueldade implacável e horrorosa.

A sua morte será naquela sala, pelas mãos dessa pessoa.

Aquele objeto é  de 538.

Eles nunca deverão se unir.  Nunca.


Jack Feliz

Olá. Posso perceber que meu sorriso te deixa confuso. Bem, deixe-me contar a história do porquê de eu estar tão feliz. Meu nome é Jack. Eu, pelo menos, me chamo de Jack. Não lembro que nome meus pais me deram. Eu cresci numa cidade grande, até meio encardida. Quando criança, eu morava com meus pais num apartamento extremamente sujo, cheio de mofo e baratas.

Eu passava grande parte do meu tempo num beco, brincando com caixas e gatos de rua. Não lembro bem da minha casa, exceto por um pequeno buraco que ficava atrás da minha cama - era onde eu me escondia enquanto meu pai e minha mãe brigavam e se batiam. Não era uma vida muito prazerosa, mas não era de todo ruim. Até que um dia, mamãe foi até a cozinha, pegou uma espingarda e atirou na cabeça do papai. Depois, olhando pra mim, ela colocou o cano da arma embaixo do queixo e apertou o gatilho.

Eu saí correndo do lugar com manchas de sangue nas roupas, correndo nas ruas sujas daquela cidade, até que minhas pernas ruíram logo abaixo de mim. Eu entrei num beco e deitei atrás de uma lixeira. Os dias que seguiram foram horríveis; eu ficava sentado na tampa daquela lixeira, enquanto lentamente morria de fome e pessoas bonitas passavam pela frente daquele lugar escuro onde eu estava. Aquilo foi muito doloroso. Finalmente, quando as cores começaram a virar um borrão e a dor começava a ir embora, alguém me agarrou e me colocou de volta nas ruas da cidade. Eu vi um rosto enrugado, olhos azuis brilhantes enquanto minha mente flutuava a caminho do esquecimento...

Seu nome era Madame Morkavi. Eu acho. Ela me carregou pra seu trailer e praticamente me trouxe de volta à vida. Durante 10 anos ela me deu comida e me ensinou a viver nas ruas como roubar, como tirar coisas do bolso das pessoas sem elas perceberem, como intimidar pessoas, até mesmo como matar. Eu me tornei muito bom em tudo isso. Ela tinha um pequeno negócio durante o dia, onde trabalhava como cartomante, e eu me escondia atrás da cama enquanto assistia às pessoas entrando na sala cheia de fumaça de Morkavi vendo seus dedos enrugados apontarem para as cartas. Mas, à noite, ela me tirava da cama e saíamos por aí, como algum tipo de aventura...

Eu vivia na noite. Segurando um saco e uma lanterna, eu ficava quieto atrás dela enquanto invadíamos casas e prédios. Saíamos de lá furtivamente com nossos sacos praticamente transbordando com dinheiro e bens. De vez em quando, os lugares onde íamos me deixavam muito nervoso, mas Madame Morkavi me disse que nunca seríamos pegos, pois sua magia cigana abriria as portas pra nós e nos diria onde as pessoas guardavam seus objetos de valor. Uma vez, ela esteve errada. Certa noite, numa garagem, um homem imenso chegou despercebido atrás dela, derrubando-a no chão e socando ela repetidamente. Achei uma chave de roda e bati na cabeça dele até que pequenos pedaços cinzas saíram de lá. Aquela foi a primeira vez que matei alguém. Morkavi me disse que havíamos sido pegos porque o homem era um satanista que bloqueou seus feitiços...

Então, no meio do inverno, ela pegou uma doença terrível e, lentamente, sua vida se extinguia. Eu era o único do lado de sua cama em seu leito de morte. Respirando fortemente, ela me mandou chegar mais perto. Num sussurro me disse para fazer um pedido qualquer que eu quisesse e que esse pedido se tornaria realidade. Eu pensei por um momento, e finalmente respondi a ela: eu pedi que eu sempre tivesse tudo o que precisasse. Ela colocou a mão na minha testa e murmurou um feitiço misterioso. Seus olhos se fecharam.

Mais uma vez, eu estava sem ter onde morar. Mas, dessa vez, eu sabia sobreviver. Por mais 10 anos, eu mendigava e roubava para sobreviver. Algumas vezes eu matava. Uma força estranha parecia me proteger; toda vez que eu estava morrendo de fome, um caminhão de comida batia perto de mim. Toda vez que eu estava com frio, alguma coisa queimava perto de mim. Toda vez que eu estava sendo atacado, minha faca encontrava a artéria principal do atacante. Eu estava contente sabendo que eu sempre sobreviveria. Mas eu não estava feliz. Algo ainda estava faltando, havia um buraco cheio de pesar no meu coração...

Eu tive uma epifania num fim de tarde de verão enquanto andava por uma vizinhança que eu não conhecia. Ao dobrar a esquina, vi uma casa vermelha diferente de todas as outras. Na verdade, não foi bem a casa que me deixou admirado. Foi o que estava dentro dela. Atrás de uma grande janela, um homem e uma mulher lindos riam e se beijavam. Eles estavam tão felizes... O rosto daquela mulher me lembrava minha mãe, de quando ela olhava pra mim e sorria e me levantava em seus braços. Eu percebi o que faltava em minha vida. Uma família. Eu queria uma família. Não, eu PRECISAVA de uma família...

Me lembrei das últimas palavras de Madame Morkavi e, confiante, fui até a porta do casal, com a certeza de que eles aceitariam se tornar meus pais. Bati na porta e esperei na entrada da casa, sorrindo, esperando que eles me dariam as boas vindas e me deixariam entrar de braços abertos, me aceitando completamente como seu filho. Mas, quando a mulher abriu a porta, ela sufocou um grito e correu pra dentro. O homem saiu da casa e começou a gritar comigo. Ele tirou uma arma do bolso e a apontou em direção ao meu rosto. Eu saí correndo e eles bateram a porta atrás de mim.

Eu comecei a chorar, confuso e sozinho. Por quê o feitiço de Madame Morkavi tinha falhado? Por quê me negaram a única coisa que me faltava para que eu pudesse ser feliz? Eu soluçava dentro de uma valeta ao passo que o sol caía atrás da casa vermelha. Quando a lua apareceu, eu me lembrei de uma noite, muito tempo atrás, em que a magia da falecida não funcionara. Eles eram adoradores do diabo! Sim! Isso explicava o porquê de eles não terem me abraçado e nem terem me deixado entrar na casa. A magia dela nunca funcionaria contra eles. Era realmente muito triste que as primeiras pessoas que eu realmente amei na vida fossem do mal, mas eu sabia bem o que fazer.

Eu agachei na valeta e fiquei observando a casa até que tarde da noite. Eu os vi subindo as escadas. A mulher escovava os dentes. Eles se beijaram mais uma vez e foram dormir. De onde eu estava, vi a última luz da casa se apagar. Esperei algumas horas e andei sorrateiramente na noite. Eu circulei a casa, fazendo barulhinhos ao tentar abrir as portas e tentando levantar as janelas. Achei que estava trancado do lado de fora, até que, na luz da lua, vi uma pequena janela aberta que dava no porão da casa. Abençoando Madame Morkavi, eu me arrastei pela abertura da janela, caindo no quarto escuro. Subi as escadas para a elegante sala principal da casa e, enquanto procurava o caminho para o quarto, parei na cozinha por um momento. Eles tinham fotos deles penduradas na parede do corredor. Eu imaginei amargamente o quão mais felizes eles estariam se eu estivesse nessas fotos junto com eles. Mas era tarde demais agora...

Eles dormiam, agarrados debaixo dos cobertores, enquanto eu abria a porta. Passei pela fraca luz da lua que penetrava o quarto através da janela e caí sobre suas cabeças. O homem começou a se mexer. Rapidamente, eu pulei e enfiei uma faca de carne no seu olho com tanta força que seu crânio rachou. A mulher acordou e soltou um grito estridente. Eu peguei uma almofada e segurei-a contra sua face enquanto ela resistia e tentava escapar. Finalmente, ela se acalmou. Os satanistas haviam morrido, o que queria dizer que o feitiço de Madame Morkavi estava salvo.

Eu me diverti muito aquela noite. Andei pela casa, assisti TV, peguei comida da geladeira, e até mesmo limpei a faca e coloquei-a de volta na gaveta, como uma pessoa normal. Coloquei as roupas deles e fingi que era um homem de negócios atrasado pra uma reunião, ou uma dona de casa, limpando as mesas e tirando a poeira das janelas. Finalmente fiquei cansado e andei de volta pra cama. Me instalei entre os corpos dos dois e puxei as cobertas ensanguentadas até a altura do meu peito. Colocando meu braço sob a mulher, acabei dormindo muito bem. Na manhã seguinte, eu não conseguia parar de sorrir. Coloquei minhas velhas roupas e saí andando - não, dando pulinhos - da casa. Eu havia preenchido o vazio em meu coração. Eu estava feliz. Daquele dia pra cá, eu vivi feliz nos becos, admirando as maravilhas que são o sol e a terra, encarando as cores brilhantes das pessoas que passam na frente da minha casa, no beco. Só que, durante a noite, eu me sinto sozinho...

Então, eu ando por uma vizinhança desconhecida, vou às escondidas até as janelas e observo as pessoas que moram nas casas. Ajeito minha camiseta e bato na porta, sorrindo. A maioria das pessoas simplesmente fecha a porta na minha cara. Nesse caso, eu espero eles dormirem e, bom, você sabe.

Então, se, por acaso, você ouvir uma batida na sua porta tarde da noite, acho que você deve abrir a porta. Eu sou um cara bonzinho. Aposto que podemos nos divertir juntos. Ou, talvez, você me veja vagamente na sua janela, encarando você. Sorrindo. Você pode me ver? Eu posso ver você.





19/08/2015

Logo Abaixo

Você tinha medo de olhar embaixo da cama quando criança?

Bem, eu tinha. Eu tinha tanto medo de olhar lá que eu evitava fazê-lo a qualquer custo.

Eu sempre pensava que mãos de sombra pudessem sair de lugares escuros, assim como debaixo da cama. Elas saem de lá quando você está sozinho, pegam seus pés e te levam com elas.

Seus gritos são inúteis porque não tem ninguém por perto que possa te ouvir, muito menos te ajudar.

Eu disse que tinha medo disso, mas não tenho mais.

Todo adulto precisa superar seus medos de infância, certo? Então eu fui confrontar o meu.

Não tenho mais medo disso. Tenho que admitir que fiquei apavorado quando fui confrontá-lo.

Não tenho mais medo; especialmente porque elas me levaram consigo e me transformaram numa delas.

Estamos juntas agora, procurando vítimas novas, e podemos facilmente farejar as que têm esse medo ou as que sabem sobre nós!




Melhor não olhar embaixo da cama essa noite...

18/08/2015

A Garota das Dez Horas

Certo tempo, houve um homem chamado Gregory, mesmo que ele preferisse ser chamado apenas de Greg. Ele era uma pessoa quieta com uma imaginação ativa mas com uma séria tendência a fugir de confrontos. Por causa disso, ele não conseguia interagir muito bem com outras pessoas e se tornou um pouco recluso.

Porém, toda noite, quando o relógio batia 10 horas, Gregory sofria uma mudança, graças a uma garota misteriosa que aparecia em sua porta toda noite sem medo algum. Toda vez que ela chegava, ele sorria e sentia todos os seus problemas irem embora quando pegava sua mão e a levava para dentro de casa.

A garota nunca lhe disse nome algum, mas ele também não perguntava; era como se ele tivesse a conhecido durante toda sua vida e confiasse nela como ninguém. Os dois caminhavam pelas ruas rindo do mundo ao seu redor.

De vez em quando, as pessoas paravam pra olhar. O tímido Gregory sentia uma raiva inexplicável o tempo todo - como será que eles se olhavam daquele jeito? Malditos loucos. Então ele gritava para as pessoas e as enxotava, e algumas vezes isso surtia o efeito errado, despertando nas pessoas uma vontade de brigar.

A garota se assustava, o que fazia Gregory perder o controle, como se estivesse bêbado, atacando as pessoas que ousavam estragar sua noite. Algumas vezes, ele acabava até mesmo passando a noite numa cela, preso. Mesmo assim, dentro da cela, sua amiga ficava com ele até o sol nascer. Ele nunca perguntou como ela fazia aquilo (nem por quê); era como se o mundo não pudesse vê-la, mas Gregory sabia que ela real.

Quando o sol nascia, Gregory finalmente sucumbia à exaustão e fechava seus olhos. Quando acordava, a garota desaparecia e ele voltava para seu mundo de solidão, evitando conflito o máximo possível. Evitando pessoas até que o relógio batia 10 da noite e o ciclo se repetia.

O que Gregory não sabia era que ele era um irmão, mesmo que sua irmã tivesse morrido pouco depois de nascer. Seus pais nunca lhe contaram sobre esse trágico acontecimento e ele foi criado como se fosse filho único.

Seus pais não tiveram nem tempo para dar um nome à criança morta.


15/08/2015

Mrfriend123

Existe um usuário do Tumblr chamado mrfriend123.

Pouco se sabe sobre a pessoa que administra ou administrou esse blog, e também não se sabe se o blog ainda é ativo. Mas por um período, o blogger postou alguns vídeos bizarros e muito perturbadores na página. Cada vídeo continha imagens que só poderiam ser descritas como algo saído das entranhas da mente mais depravada. No blog há uma mensagem que diz:

“O que você está vendo é algo que não existe. É algo que não pode ser encontrado e é algo que não pode ser perdido. Ele foi criado para lhe mostrar o que está acontecendo. Ele foi criado para lhe fazer entender. Ele foi criado simplesmente porque foi, mas as motivos dele estão lá. Todos os motivos estão escondidos nestes vídeos. Mensagens escondidas. Pistas escondidas.”

Estas frases são repetidas várias vezes antes da mensagem final ser concluída com, “Você procura pela floresta, enquanto está sentado em uma árvore.”
Aaaacensor
Do lado direito há uma selfie de quem se acredita ser o mrfriend123; porém, a identidade dessa pessoa está oculta por uma máscara BDSM.

Algumas pessoas reportaram que mrfriend123 lhes enviou algumas mensagens estranhas. Aqui estão alguns exemplos dos tipos de mensagens enviadas por esse usuário do Tumblr:

“Onde estou?”

“Esse blog promove desejos sexuais.”

“Sinta a tentação.”

“Eu te adoro.”

Também se desconhece os locais onde os vídeos foram filmados. Alguns vídeos parecem ter sido filmados dentro de um armazém industrial, enquanto outros foram filmados no que parece uma casa de fazenda em uma área isolada.

MannequinTambém há uns estranhos pares de pernas de manequins que aparecem nos vídeos. Por exemplo, um vídeo mostra as pernas sobre um colchão, enquanto outro vídeo mostra as pernas diante de uma parede.

Alguns vídeos mostram apenas estradas no meio do nada, sendo filmadas pela janela de um carro, e embora o motorista pareça entrar no que seria uma cidade sombria e isolada, ninguém ainda conseguiu identificar o local.

Mrfriend123-2Nesses curtos vídeos, que duram de um a dois minutos, aparecem alguns indivíduos que não podem ser identificados, pois usam máscaras. Depois de procurar pelo blog mrfriend123, o único post que da uma indicação sobre quem – ou o quê – eles sejam, é um desenho que parece representar esses dois indivíduos, sendo identificados apenas como “Bird” e “Bag”. Abaixo do desenho há uma nota que diz:

“Eles estão me seguindo. Não vão parar. Me acostumei a eles. Quero que acabe. Não posso dormir. Já tentei. Eles não dormem. Eles não dormem. Mas eles persistem. Eles estão me seguindo. Não vão parar. Eu quero morrer. Acabar com isso. Preciso de ajuda.”

Bird aparece em um vídeo onde mostra uma casa destruída na floresta. A pessoa que segura a câmera vai até a entrada, e a porta da casa se abre sozinha (ou alguém abre por dentro). Quando a câmera acaba de explorar a escura e inquietante casa, eles saem. Mas antes de desligar a câmera, eles passam a filmar por uma janela onde Bird olha diretamente para a câmera. A única característica que podemos distinguir nesta pessoa, é a tatuagem no peito.

Mrfriend123-3Bag é visto em dois vídeos. No primeiro vídeo, ele pode ser visto sentado no que parece um quarto infantil, acariciando de maneira sedutora um rato de pelúcia. No outro vídeo (que também mostra um rápido reflexo de Bird), Bag é visto executando um tipo de ritual em um campo atrás de um celeiro. No mesmo vídeo, a porta do celeiro pode ser vista abrindo e fechando sozinha.

Muitos bloggers na comunidade do Tumblr surgem com diferentes teorias acerca do mrfriend123, e a sua origem misteriosa:

Mrfriend123-1436718936A teoria sobre um serial killer, diz que mrfriend123 é um assassino com obsessão por manequins, e o porão industrial (visto no vídeo das duas pernas) é o seu próprio mundo da fantasia para onde ele leva suas vítimas. Mas isso não explica como Bird e Bag se envolvem na história, o que torna a próxima teoria mais interessante e adequada.

A teoria sobre um culto, diz que as figuras mascaradas fazem parte de um culto onde filmam suas práticas ritualísticas e sessões. Quanto ao que estão tentando entrar em contato, é completamente desconhecido.

Uma teoria espírita sugere que os vídeos nem fazem parte desse mundo, mas foram criados por um poder da mente chamado Nensha, ou thoughtography (fotografia psíquica). Essa habilidade seria utilizada para fotografar ou gravar os pensamentos de uma pessoa, ou mesmo transferir os pensamentos de uma mente para outra. A pessoa que criou esse blog poderia possuir o poder de Nensha?

Uma teoria de fantasmas diz que os vídeos mostram espíritos ou demônios.

E finalmente, a teoria que sugere que tudo é uma farsa; porém, sé tudo é realmente uma farsa, o fato de alguém passar o tempo filmando esses vídeos e praticando algumas obsessões sombrias continua sendo algo bem assustador. Isso também levanta algumas questões como: Quem é essa pessoa? E como ele pode dedicar tanto tempo para criar o estranho blog mrfriend123?

Quer conhece-lo? clique aqui

Em breve, mais informações...

14/08/2015

Maldição Binária

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-- http://www.tradutordebinario.com/
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13/08/2015

NES Godzilla (Replay) - Senhas


Ao invés de cair imediatamente no mundo 3, decidi experimentar a tela de passwords hoje.  Eu não sei que resultados eu conquistarei (se eu conquistar algum).
Era a mesma música assustadora tocando, mas a caixa de texto foi alterada. “ESQUERDA”, “DIREITA” e “FIM” haviam desaparecido, B e A moviam o segundo seletor enquanto Start enviava o código. Havia um novo ícone no lugar deles, que estava em alguma linguagem que eu nunca havia visto.
Primeiro eu tentarei nomes do passo-a-passo do Zach:
Pathos: Não funcionou.
Trance: Também não funcionou.
Dementia: Nada
Entropy: A tela ficou branca por um segundo, mas então voltou como se nada tivesse acontecido. Eu entrei com o código novamente e ele foi rejeitado.
Extus: Nada
Zenith: Não funcionou (e eu não sabia se eu queria mesmo entrar ali)
Então eu não podia acessar qualquer mundo que o Zach acessou. Não só isso, eu não podia acessar nem mesmo os mundos que eu já havia jogado – “Gelid” também não fazia nada. Aquilo me fazia tentar senhas do jogo e adivinhar. Eu tinha que pesquisar para ver quais eram...
*5 minutos depois*
O teste de sons e os códigos do “Destroy all the monsters” funcionaram.
Os carinhas do CD players não faziam nada (de longe eu podia afirmar). O teste de sons consistia em tocar músicas que eu havia escutado no jogo. Provavelmente atualizava a biblioteca de canções enquanto o jogador progredia.
O “Destroy all the monsters” me enviava para essa área onde eu era um robô que usava um facão para matar pequenos monstros. Não havia vidas, tempo limite nem nada. A música de password tocava de fundo.
Aquilo me fez sentir desconfortável, então eu não joguei muito.
Agora que eu tinha ido em todas as minhas outras opções, eu queria ver o que o novo ícone da linguagem fazia.
Uau.
Eu não entendia nada, mas estava feliz de ter a opção de voltar para o Inglês. Mas antes eu colocaria uma senha usando aquilo só para ver o que aconteceria.

Para minha surpresa, aqueles dígitos aleatórios deram um resultado. Outro jogo estranho, no qual o único objetivo era coletar amostras sanguíneas de cada um dos monstros e colocar nos frascos. Eu não sabia o que o 120 significava, aquilo estava ali o tempo todo.
Após fazer isso, o jogo voltou para a tela de senhas.
Tentei outra combinação, e obtive outro joguinho. Quantos jogos essa coisa tinha?

Dessa vez tinha um ratinho amarelo num barco a remo no oceano. Apenas remando. Remando, remando, remando seu barqu-

Por quê tudo escureceu?

Droga!
Como era para eu me desviar daquilo?
Coloquei o mesmo código, tentando recomeçar, mas não funcionou dessa vez. Eu vou tentar mais um;

Não faço ideia do que está acontecendo aqui. Talvez seja uma corrida, mas não pareço estar chegando à lugar algum. Quando eu pedalo para trás, a coisa voadora me acompanha. Pedalei por mais alguns minutos, mas nada mais apareceu.
Esses jogos do Password eram interessantes, porém improdutivos. Tinha ainda uma palavra para testar, mas eu tinha que ir para a tela em Inglês:

E resultou em algo!

Agora eu estava intrigado. Parecia que isso me daria mais perguntas como sobre o que esse jogo era. O que realmente chamou minha atenção era o texto vermelho sangue dizendo “NÃO REDISTRIBUA ESSE CARTUCHO”. Claramente alguém não queria que esse jogo fosse passado a diante.
Era um pouco tarde para isso, mas como o atual dono, eu realmente queria saber o motivo no qual o cartucho não deveria ser redistribuído.

Porcaria! Bem quando eu achava que chegaria em algum lugar, ele pediu OUTRA senha. Por que essa coisa precisava de autorização? Que diacho era o “Projeto Transcendência? ”

Eu acho que eu não encontraria agora, pelo menos não agora. Talvez outra criatura iria me dar o código de autorização.


NES Godzilla (Replay) - Gelid

Prólogo
Terra
Gelid
Senhas
_____________________

Não estou certo sobre o que pensar desse jogo. Eu enviei minhas anotações da parte 1 para o Zach ver o que achava disso, para ver se ele podia dar uma olhada no que estava acontecendo.
“Eu te disse antes. Eu não sei como o jogo faz essas coisas. Se você está achando que eu coloquei essas coisas no jogo, você está enganado, pois é a primeira vez que eu vejo isso. Parece que o jogo se recriou desde que eu o joguei. Não é um bom sinal. ”
Não foi uma resposta útil, mas bem... eu não sei o que eu esperava dele. Enquanto no jogo, eu estava entrando no mundo 2 hoje.


Se chamava Gelid. Sem mais planetas então?
E ali estava o mapa de “Gelid”. Eu estava feliz em ver que eu tinha o Godzilla! Tinha uma grande variedade de levels. Aquele símbolo que parecia mal no final devia ser a saída. Eu espero não encontrar com o Red ali.
Apertando Select nos ícones do level, descobri que esses levels tinham seus próprios nomes que eram:
“TUNDRA”
“CAVERNA DE GELO”
“ZONA DE ISOLAÇÃO”
“CAMINHO PERDIDO”
“TEMPLO DO SILÊNCIO”
 “PECADO”
Os dois primeiros soavam razoáveis..., mas os outros, eu não tenho ideia. Eu vou começar com o nível da Tundra.
TUNDRA
A Tundra era bem o que eu esperava. Era bem bonito de se olhar. Godzilla agia normal, mas se movia levemente mais rápido. O que era bom. A música aqui era uma faixa nova com uma vibe sutíl. Tinha um som “invernal”, e parecia mais avançada que as músicas casuais do NES.
As criaturas da fase não eram mais dinossauros, ao invés disso, a Tundra era lotada de várias bestas. Eu suspeitei que seria o caso pelo resto do jogo, mas eu não sabia.
Não haviam muitos por aqui. Eu não tinha que usar tantos ataques pois a maioria das criaturas aqui eram não agressivas. Eram até muito calmas.
A geada havia virado uma nevasca. Era difícil de ver e eu estava passando entre mais e mais corpos enterrados na neve.
A neve ficou insuportável e isso quase fez chegar ao fim do level parecer impossível. Quando comecei a perceber que meu tempo de observação havia acabado, eu cheguei ao fim rapidamente.
Não tinha muita resistência inimiga. Na verdade, eu não cruzei com nada vivo perto do fim.

CAVERNA DE GELO
Após ter que lidar com a nevasca, eu estava feliz que esse level era a “céu fechado”. Eu não podia sair por razões óbvias, então eu entrei pela direita. A música era muito diferente – algo entre “relaxante” e “entorpecente mental”.
Essas criaturas azuis eram inimigos que me perseguiam. Elas não davam muito dano, mas eu preferi correr delas, tentando conservar minha saúde.
Tinha também inúmeros poços espinhosos que eu tinha que pular sobre. Era bem difícil de fazê-lo enquanto corria das bestas. Você pode me ver caindo num desses na screenshot.
Eu também tive problemas com aquelas coisas que usavam o sopro congelante. Elas pareciam ficar hostis com a minha presença e esperavam para atacar no momento mais inconveniente.


O level acabava com uma luta contra essa criatura coberta de cristais. Tinha pouco espaço para me mover sem ser espetado pelas estalactites, mas o boss não parecia ser afetado por elas. Ele se movia rapidamente e podia girar no ar, mas ele não era mais esperto que os outros inimigos.
O primeiro boss real era um siri chamado “Ganimes”. Talvez fosse um monstro do Godzilla, pois eu nunca ouvi sobre ele antes.

A luta foi bem fácil. O siri se movia para frente e para trás enquanto batia com suas garras, então pulava e cuspia. Eu tive um trabalhinho chutando ele constantemente na cara.
As coisas estavam indo bem até agora, mas eu só estava na metade do caminho.
ZONA DE ISOLAÇÃO
Esse level é algum tipo de plataforma espacial lotada de cristais flutuantes. Uma música lenta e solitária tocava ali. Alguns dos cristais tinham coisinhas parecidas com bebes dentro delas, nos quais eu podia bater socando os cristais.

Quando eu socava um cristal vazio, ele me levava a uma pequena área encubada. Eu fui para quatro delas, a primeira foi a screenshot acima, a segunda era a mesma, exceto que a sala estava vazia. A terceira me mandou para um corredor congelado, que eu tinha que correr para passar dos monstros que emergiam de buracos nas paredes.

E o quarto me mandou para esse pequeno personagem. Eu andei nele e uma tela de texto apareceu. Ele tinha algo a dizer.
“O primeiro homem a andar na lua foi Ezekiel Zanderfruit”
Um... alguma referência? Não, sinceramente, eu não entendi.
E era o fim do level aparentemente.
Outra luta contra um boss, e dessa vez o oponente era uma tartaruga gigante chamada “Kamoebas”.
Era mais lenta que Ganimes e não tinha ataques destemidos. Mas era mais resistente a dano, e não parecia se mover em padrão.

Às vezes estendia seu pescoço para me morder, mas era facilmente desviada. Eu estou ficando um pouco incomodado com o quão baixa minha vida é. Posso só esperar que o jogo incremente minha barra de vida em breve.
CAMINHO PERDIDO
Era também um level flutuante como a Zona de Isolação, com exceção do fundo cheio de nuvens e numerosas plataformas. A música era gentil e calma, soava como uma canção de ninar. Procedi na direção das setas (mesmo que eu houvesse que ir para a direita, sempre).
Esse level me deixava na borda pois eu nunca podia dizer se eu iria pousar numa plataforma quando eu pulasse ou se eu iria fazer o Godzilla cair para sua morte.
Parece que as plataformas são densamente empacotadas nas screenshots, mas são como se fossem conchas de plataformas pelo nível, onde têm espaços vazios entre elas. Eu tive que fazer vários “saltos de fé”.

Tinha muitas criaturas ali, e alguns inimigos dos levels anteriores. Entre elas o sopra gelo (chato para caralho). É mais fácil dar cabo nelas ali do que quando estavam em cavernas, pois eu podia fazer elas caírem dos blocos. Eu matava todos os sopra gelo para evitar ser congelado por um deles em meio à um salto.
Após rodear por ali por alguns minutos, encontrei essa plataforma de blocos de ouro que se movia para cima e para baixo. Isso me levou para uma área com um dinossauro azul (por quê tudo era azul em Gelid?), que eu pensei ser um inimigo, mas ao invés de me atacar ele começou a me seguir de volta.
Como o dinossauro e eu continuamos, nós vimos muitas criaturas vagando em volta, olhando confusas para nós. Então eu percebi que as setas não levavam a lugar algum, e sim, guiavam os ocupantes daquele lugar à becos sem saída.


Então agora eu estava ignorando as setas, e ao invés delas, eu estava procurando blocos de ouro. Eu não tinha ideia de qual direção seria a saída, mas eu tinha muita ideia de quais me levariam a isso.
Tinha também algo flutuando que parecia uma bolha de neve. Eu não sabia para que aquilo servia.
Após usar mais dois blocos elevadores, de ouro, encontramos esse carinha quem disse:


“Eu sou Usol. Eu não sei como eu cheguei aqui. Por favor, me ajude.
Me senti mal por aquela pobre criaturinha, então eu mesmo sem pensar nisso, eu soltei um “Certo”.
“Obrigado”
Ele respondeu ao que eu disse e aquilo me fez pirar. Eu não havia pressionado botão algum ou qualquer outra coisa, mas o “Usol” ouviu minha voz, de algum modo.
Isso me fez pular, mas Usol parecia bem inofensivo. Então eu fiquei de olho na saída.

.Eeeee nós encontramos a saída. Levou uns seis minutos de procura, mas a saída ficava bem atrás do lugar de onde comecei.

TEMPLO DO SILÊNCIO

Bem no começo, um inimigo veio rastejando até mim. Parecia uma lesma com braços amarrados e uma boca serrada. Ele não tinha outros ataques além de correr até mim. Não tinha música ou qualquer outro som aqui.

Haviam muitos inimigos nesse level. Eu tentava pular sobre eles/passar eles. O templo parecia ser nada mais que um corredor de inimigos.
Cheguei na ponta do corredor. Tinha uma saída que me colocou em outro corredor entre o primeiro, voltando à esquerda.
Eu não tinha muito para dizer sobre esse level, exceto que ele tinha uns inimigos estranhos para caralho, e que a falta de sons me dava um sentimento inconfortável. Sem mencionar as estátuas.

Aqui estou eu, no fim do level. Muitas daquelas coisas multifacetadas em forma de cabeça estavam flutuando em volta.
E era o último dos levels de Gelid. Bem, quase. Ainda tinha que passar por “Pecado”.

Antes de adentrar ali, eu estava tentando figurar o que aquilo podia ser. O nome é muito vago, mas sugeria algo desconfortável. O ícone do level não me dava muitas pistas.

É, eu não sei. Não posso dizer nada.


É uma luta com um boss! Eu devia ter adivinhado. Só de ouvir a música, eu podia dizer que era um boss.

Eu cheguei perto de ser atingido por um raio de calor. Não deu muito dano, mas eu só tinha quatro barrinhas de vida, então eu não podia tomar muitos hits.

Tentei correr e bater e fui empurrado para longe. Se eu estivesse longe dele, ele usaria um raio congelante que saia pelo seu olho. O único jeito de derrota-lo era continuar me movendo constantemente.

 O método de batalha do “esquilo hiperativo” provou ser um sucesso. Lethar agarrava o Godzilla, e era quando ele tomava um raio de calor na fuça.
Após Lethar morrer, uma imagem de um portão apareceu. Tinha sete buracos, um tinha o ícone de Lethar e os outros 6 estavam vazios.

Após apertar Start, fui enviado para a tela inicial. Desliguei o jogo por enquanto.
Bem, isso foi... insano.  Enquanto eu jogava eu fiquei tão envolvido que eu meio que esqueci que nada disso deveria estar acontecendo. 
O jogo não parecia seguir temas específicos, como tudo em Gélido sendo frio e azul. Mas sobre resto, eu sinto como se um engarrafamento estivesse no meu cérebro. Eu preciso de um descanso.