05/01/16

Os 1% Parte 4: Barry

PARTE 1
PARTE 2
PARTE 3
-



Barry podia sentir o pus drenando de sua cavidade ocular. Pingava de um jeito agonizantemente devagar, do canto de sua pálpebra até o canto de seu nariz. Fazia uma pequena poça em seu lábio. O cheiro era terrível. Mas ali o cheiro sempre era terrível. 

Ele mesmo teria limpado mas, como sempre, seus braços estavam amarrados na cama. Estava naquela cama já faziam quase três anos. Vestia aquele pijama puído pelo mesmo tempo. As listras azuis do tecido tinham sumido para dar lugar a enormes manchas de sangue e outros fluídos corporais. 

Barry já havia sido um homem bastante ativo. Antigamente gostava de fazer trilhas de bike e de correr. Sua vida era cheia de dias e noites ocupadas. O dinheiro de seus pais, que era interminável, permitia que fizesse o que bem entendesse. Até mesmo casar com uma stripper pela qual tinha ficado perdidamente apaixonado.

Mas agora estava limitado aos poucos centímetros da sua cama. Mesmo assim, seus músculos estavam tão atrofiados que mal podia levantar seu pescoço. Escaras cobriam sua pele murcha. O tédio era uma batalha diária. Já havia contado e recontado as placa do teto umas mil vezes. Reconhecia cada uma das luas e estrelas que cobriam o papel de parede. Dormia o máximo que conseguia, mas a dor geralmente o mantinha acordado.

Monica cuidava dele sempre que conseguia. Era uma mulher tímida por volta de seus quarenta anos. Era difícil para ela olhar nos olhos de Barry. Limpava as feridas do corpo dele com álcool puro, sussurrando pedidos de desculpa. Não era enfermeira, mas já havia se acostumado com o sangue. Barry vivia implorando a ela que chamasse a polícia. Oferecia dinheiro. Mais dinheiro do que Monica jamais poderia ter sonhado. 

Mas ela nunca aceitava as ofertas. Em algum lugar profundo em sua mente, Barry já havia se conformado que ela nunca aceitaria. Ele quase nunca via Jared, marido dela. Mas as vezes podia ouvi-lo no outro quarto. Ela gostava de sentar no colo de Jared, rindo indecentemente. Monica já não chorava mais, mas Jared sim, as vezes. 

Os dois estiveram presente no dia do casamento, há tantos anos atrás. Monica já trabalhava para ele faziam anos, na época. Era mais uma amiga do que faxineira. Barry fez questão de incluir ela, o marido e os filhos na lista. Monica parecia ter ficado feliz com o convite, mesmo já tendo o avisado que havia algo de errado com a noiva. 

Mas Monica não tinha ido ainda até o quarto de Barry naquele dia. Julgando pela posição do sol, chutou que eram por volta das onze da manhã. Teria que esperar que Ela acordasse antes que alguém fosse o ajudar. O pus continuava a escorrer e um pouco caiu em seu lábio inferior. Queria vomitar, mas não havia nada em seu estomago. 

Sem aviso prévio, Ela apareceu na porta. Barry teria se encolhido, se pudesse se mexer. Nos últimos meses Ela tinha se tornado em algo aterrorizante. Sua voz era anormalmente aguda. Seu peito era completamente achatado. Andava frequentemente pela casa usando nada mais do que calcinhas e sutiãs com estampa de personagens da Disney. 

Hoje usava seu cabelo em duas tranças que corriam pelo lado da cabeça. Usava uma fantasia da Minnie Mouse que provavelmente comprara em uma loja de Halloween. A roupa parecia ser muito menor do que precisaria, mas ela tinha dado um jeito de se enfiar lá dentro. Barry não falou nada, com medo de ser forçado a sentir o gosto do pus que agora estava em sues lábios. 

"Barry," o provocou com sua voz horrivelmente aguda. "Quer brincar comigo?"

Barry cerrou os olhos com força. Tentou pensar no dia do casamento. Ela estava linda no vestido. Ele achou um pouco estranho, porque Rebecca fez questão de usar uma réplica perfeita do vestido da Cinderela. Mas estava perdidamente apaixonado e teria dado tudo mais que ela pedisse. No buffet haviam cachorros quentes e cupcakes. O DJ tocava musicas de desenhos infantis. Os convidados não falaram nada negativo a respeito. Apenas deram seus sorrisos tensos. Até os pais dele estavam nervosos demais para criticar alguma coisa. 

"Barry! Você está me ignorando?!" A voz dela era alta demais. Dolorosa de ouvir. Mas Barry se recusava a abrir os olhos. 

Tentava se concentrar no dia em que se conheceram, no clube de strippers. Na época ela se intitulava "Dolly". Fazia a linha menininha, o que rendia muito dinheiro. Os homens realmente gostavam das bochechas rosadas, as trancinhas e, claro, os peitos gigantes. Mas Barry viu além disso. Viu os olhos dela, lindos e inocentes. Pagou 900 dólares por uma dança privada. Passaram o tempo todo conversando. Ela explicou que seus pais haviam morrido em um um acidente bizarro e que desde então tinha que ser uma stripper para sobreviver. Dançava para homens desde seus onze anos. Barry contou o quanto se sentia solitário e que queria se afastar um pouco da vida regada a festas e álcool. Ela sentou em seu colo como uma criança. Ele lembra das palavras exatas que ela disso: "Você não é como os outros."

"Barry!"

Ele foi arrancado de suas memórias por uma dor aguda em sua garganta. Chorou, percebendo que ela havia o cortado. O pus jorrou em sua boca e também pelo seu peito. Ela estava sentava em cima dele, com uma tesoura nas mãos. Sangue respingado em seu rosto. 

"Hora de brincar, irmãozinho." Com a ponta da tesoura, desenhou uma cruz no pescoço dele. "Pedra, papel ou tesoura?"

Barry tentou gritar, mas sangue estava em sua garganta e tudo que saiu foi um som grotesco não muito alto. Seu sangue se espalhou e sua pele que agora estava em um tom escarlate. 

Rebecca dava gargalhadas, até que uma expressão diferente apareceu em seu rosto, e deixou um breve "Merda!" escapar entre seus lábios. Barry sentiu que estava perdendo a consciência. Achou ter ouvido Ela gritando por Mamãe e Papai, e logo depois Monica e Jared correram até o quarto. Houve uma breve movimentação. Barry desmaiou. 

...

"Ele não pode morrer."

Barry voltou consciência lentamente. Ouviu o tom ríspido na voz de Rebecca. Haviam pessoas em sua volta. Ele abriu seu olho bom, mas sua visão estava embaçada. Rostos pairavam sobre ele. Então percebeu - não estava mais amarrado. Alívio correu pelo seu corpo. Tentou mover seu braço e depois de grande esforço conseguiu tocar seu rosto. Seu olho não doía mais. Poderia até ter rido de felicidade. As pessoas em sua volta perceberam a movimentação dele. 

"Não é melhor amarrá-lo?" Rebecca não parecia preocupada. 

"Não. Quase não tem mais tecido muscular no corpo. Não conseguiria nem chegar até a porta." A voz pertencia a um homem. Calmo, clínico. 

Barry piscou e tentou focar sua visão. A cena se tornava mais clara. Estava em um quarto frio e úmido, deitado em uma cama de metal. Rebecca e um estranho pairavam em seu lado. Conseguiu ver vagamente Monica e Jared ao fundo, colados um ao outro. Havia uma lampada solitária pairando acima dele. Balançava da esquerda para direita em uma moção quase que encantadora. 

Monica tentou dialogar com eles "Talvez se nós-"

"Cala a boca, Mamãe." Rebecca nem olhou para ela. Ao invés disso, seu rosto se torceu em um sorriso diabólico. "Você tem sorte que ele não está morto. Quando ele morrer, seus filhotes com cara de batata também vão pro beleléu também." Deu uma risada cruel. 

"Você está com os filhos deles?" O homem perguntou. Não havia choque em sua voz. Muito menos preocupação. O tom era completamente desprovido de emoção. 

"Eles estão fora, em alguma fábrica na Rússia. Mandei para lá para costurarem roupa ou qualquer outra coisa do gênero. Apenas preciso fazer uma ligação para que sofram um pequeno acidente." Rebecca não tirou os olhos de Barry. Ele tentou falar mas não conseguia. Percebeu que sentia uma dor forte no pescoço. Sua mão pousou em um enorme curativo em sua garganta. 

"Não toque aí," o homem falou. "Foi um tanto cansativo fazer esses pontos."

Rebecca sorriu. "Dr. Allship é o melhor doutor. Foi ele que me fez ficar bonita. Decidi te dar para ele." Deu uma risadinha. "Ele faz milagres, sabe?" 

Dr. Allship se permitiu sorrir. "Você é muito gentil, Becky." Colocou a mão enluvada em cima do olho bom de Barry. "Você me dará bastante trabalho, meu jovem. Mas vou fazer você ficar na sua melhor forma novamente." Ele se virou para alguém. "#995, faça com que #1477 sinta-se confortável. Amanhã vamos retirar o olho que ele ainda tem." 

Barry, em pânico, tentou se levantar. Tentou se mexer, mas a única coisa que conseguiu fazer foi cair da mesa. Rebecca riu da cara dele. "Você é tão idiota, Barry." Ela se curvou sobre ele, gargalhando. 

Barry ouviu um baque surdo. Ela não ria mais. Abriu seu olho bom e viu Rebecca caída perto dele, parecendo estar inconsciente. Tentou olhar pra cima, mas só teve um breve vislumbre do grande objeto que Dr. Allship tinha em mãos. 

"#995," falou com firmeza "Também precisaremos de um quarto para #1478." Dr. Allship se virou para trás, olhando para Monica e Jared. 

"Por favor..." A voz de Jared estava  tremula. "Não falaremos nada. Nós nunca falamos nada!" 

O doutor nem ouviu a voz dele. "Os serviços de vocês dois não são mais necessários." 

Barry ouviu Monica gritar. Dois estouros pairaram no ar. Então, mais duas batidas, dos corpos caindo no chão. 

Dr. Allship se abaixou até ficar no nível de olhar dele. Barry podia o ver com clareza. Seus olhos eram de um azul claríssimo, quase branco. "Me perdoe, #1477. Não pense que sou uma pessoa ruim. É que não tenho mais tempo para novos pacientes. As vezes preciso recusar alguns clientes." 


(EM BREVE: OS 1% PARTE 5: ALLEN)



17 comentários:

  1. Hm, agr fiquei ansioso com algo:eles vão bolar um ultra plano e tentar fugir ou só vai contar as desgraça que acontece com os scp

    Em suma, com ou sem "desfecho"

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  2. Quantas partes serão?

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    1. Tbm quero sabe

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    2. A série ainda não acabou e está na parte 12 atualmente e parece que será muito maior pelo feedback que recebe no Reddit.

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    3. Exato. Por enquanto são 12 partes, mas provavelmente terão mais. A série ainda está em andamento.

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  3. creepy q daria um filme de terror psicologico perfeito!

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    1. como o barry vai correr, seus musculos já eram

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  5. Uma coisa eu não entendi: porque o Barry ficava preso o tempo todo? e porque a Monica não o ajudava?

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    1. Isso vai ser contado com o tempo

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    2. Pois eh. O motivo dele ficar preso eh pq ele devia encher o saco da maníaca por causa dos absurdos dela. Mas ninguém foi a sua procura e os pais?
      Essa creepy eh mto rica em detalhes (pra uma creepy rs) entao surgem pontos sem nos.
      Fazer oq

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  6. BECKY VOCÊ É TÃO FOFA EU QUERO TE LAMBER E ESFREGAR SEUS PÉS NA MINHA CARA!!!

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  7. Parte 4 barry parte 5 Allen........serio que ninguém notou ?.... Barry Allen....flash..... dc....... quadrinhos....

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