11/01/16

Os 1% Parte 5: Allen

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Allen era um menino muito bonzinho.

Comia todos seus vegetais. Escovava os dentes. Nunca retrucava. Allen nunca reclamava que sua mãe o vestia sempre nas mesmas roupas, mesmo quando as outras crianças tiravam sarro dele. Nunca se sujava, nunca implorava por mais sobremesa e nunca ficava acordado até tarde. Fazia todas suas tarefas escolares. Adora fazê-las, principalmente biologia.

Allen não gostava de muitas coisas. Não gostava de seu pai. Não gostava de seu irmão. Não gostava das outras crianças. Não gostava dos sapatos pretos apertados que usava todos os dias. Mas nunca reclamava. Raramente falava, a não ser que falassem com ele. Mesmo assim, tentava manter suas respostas o mais breves possíveis.

As outras crianças davam apelidos cruéis a ele. Não tinha nenhum amigo. Mesmo quando batiam nele, ele só se afastava, se limpava e continuava quieto. Não havia motivos para gritar. De qualquer forma, odiava barulhos altos. As outras crianças pareciam ficar ainda com mais raiva por conta de sua falta de emoção. 

Eles começaram a fazer coisas piores - incluindo arrancar toda a roupa dele e obrigá-lo a andar pela escola sem ter nada para cobrir seu pequeno corpo. Eles riram e riram. Allen nunca implorava ou chorava. Apenas andou até o escritório do diretor e pediu calmamente por uma muda de roupa, pois tinha perdido as suas.

Mãe nunca soube das torturas que ele sofreu na infância. Idolatrava-o com muito amor. Admirava seu auto-controle. Nem quando era um bebê ele chorava muito. O parto foi tão fácil, então esperava que seu segundo filho fosse tão simples quanto o primeiro. Mas seu filho mais novo era totalmente o oposto. Ele choramingava sem parar. Era carente e berrava. Constantemente fazia bagunça.

Mas, Allen - Allen era perfeito.

Quando Allen se formou no ensino médio, Mãe não conseguia fazer nada a não ser chorar. Ele planejava cursar medicina. Seu pai tinha o persuadido a ser um cirurgião também. Allen concordou sem emoção. Mas Mãe não podia controlar suas emoções e as lágrimas corriam silenciosamente por suas bochechas. 

"Você está se envergonhando," seu marido disse friamente. 

Allen estava feliz por ter terminado o ensino médio. Nessa época, a maior parte das crianças o deixavam em paz. A falta de resposta perante as crueldades tinha se tornado tediosa. Agora se focavam em alvos mais fracos, como o irmão mais novo dele. Mas Allen não gostava de seu irmão mais novo e não ligava para o que fizessem com ele. Mesmo quando seu irmão tinha sido internado no hospital por hemorragia interna, ele não ligou. Mesmo quando foi comprovado que os valentões tinham forçado um taco de basebol de metal no anus de seu irmão mais novo, ele nem se quer piscou. Tinha coisas mias importantes para se concentrar. 

Cursar medicina seria fácil. Allen sempre tinha se dado bem na escola. Recebia 10 em todas as matérias, exceto artes. Não entendia artes. Não via utilidade naquilo. Em seus projetos, desenhava diagramas complexos do que encontrava dentro de animais mortos. Seu professor pediu que ele acrescentasse um pouco de criatividade em seu trabalho. Então Allen começou a... "melhorar" esses animais. Fazia-os com dentes mais longos e unhas mais afiadas. Tentava torná-los perfeitos. Mas o professor não achou que aquilo era criativo o suficiente. Ele desistiu dessa matéria. 

Mas tirando isso, Allen era um estudante perfeito. Nunca falava na aula ou distraia outros estudantes. Fazia todos seus trabalhos no devido prazo e era sempre perfeito. Nunca incomodava os professores. Os professores sentiriam sua falta. 

Mas ele não sentiria falta deles. Não gostava deles. Não gostava de várias coisas. 

Mas ele gostava de Mãe. Ela era uma mulher rechonchuda com cabelos castanhos encaracolados. Tinha uma pontinha de sotaque alemão. Seu pai tinha a "conhecido" na internet, mas Allen suspeitava que ela era uma esposa por correspondência. Além do mais, ela não tinha mais de dezesseis anos quando se casaram. Seu sotaque costumava ser bem forte, mas o pai de Allen a forçou a falar certo. Seu pai não queria que se destacasse. 

Mas Allen gostava mais do jeito que as palavras soavam um pouquinho estranhas por causa do sotaque. Quando era uma criança, ela cantava em alemão para ele. Tinha que cantar baixinho para o pai não ouvir. Allen ainda lembra da letra dessas canções. Allen odiava ser tocado, mas por alguma razão, não ligava quando Mãe o vestia ou dava banho. Tinha se acostumado com os banhos diários com esponja. Não conversavam enquanto estava na banheira, mas quando a mão dela tocava acidentalmente em sua pele, sentia uma sensação de alívio. Era a mesma sensação de ser amamentado. Tinha sorte por ter sido amamentado até depois do seu nono aniversário. 

Era dia da graduação de Allen. Tinha sido o melhor aluno daquele ano. A faculdade pediu que ele escrevesse o discurso. Ele o fez, sabendo que os outros alunos não gostariam nem um pouco. Foi curto. Agradeceu sua família e a faculdade. Falou sobre o futuro. Nada de mais. Allen tinha aprendido a fingir que tinha emoções. 

Como sempre, Mãe tinha o vestido. Tinha o colocado em suas cuecas e puxado o zíper de suas calças. Abotoou a blusa branca. Sorriu com carinho. "Você está lindo", suspirou.  

Houve um estrondo. O irmão de Allen tinha jogando algo contra a parede de novo. Estava de pé, virado para eles, o cenho totalmente franzido. "Não vou ir." falou severamente. 

Mãe nem se quer tirou os olhos de Allen. "Tá. Ninguém liga se você vai."

O irmão pegou uma lampada e jogou no chão. "Vou quebrar tudo que existe nessa casa se você me forçar a ir." 

Mãe deu um olhar frustrado em sua direção, "Como eu disse, ninguém liga."

Allen pigarreou mas nada disse. Explosões como essas eram comuns. Seu irmão mais novo havia sido diagnosticado com "problemas de comportamento" no passado. Para Allen, isso apenas significava que era estúpido e fraco. Constantemente necessitava de atenção, especialmente da Mãe. Mas Mãe nunca tinha gostado do seu segundo filho. Ele era bagunceiro e barulhento. Ela nunca precisou gostar dele, não enquanto tivesse Allen. 

Seu irmão mais novo estava respirando pesadamente. Ele inclinou sua cabeça. "Porque você não me ama, Mamãe?" 

Mãe se encolheu. "Já falei para não me chamar assim. Você tem que me chamar de Olga." 

"Mas Allen te chama de Mamãe!"

"Ele me chama de Mãe. E é assim que quero que ele me chame. Você tem que me chamar de Olga." Balançou a cabeça. "Você não é o Allen."

O filho mais novo deu um passo a frente; "Você nunca deixará que eu esqueça disso."

Mãe e Allen ainda estavam juntos, olhando para aquele menino patético. Ele tinha 16 anos. Quase um adulto. Já devia saber como se comportar, mas ainda agia como uma criança. Allen fez som de "tsc tsc" com a língua. 

"Cala a boca," seu irmão mais novo começou a gritar. "Cala a boca! Cala a boca!" Ele pegou a coisa mais próxima que viu, que no caso era o chapéu de graduação de Allen. Jogou com força. 

Houve um momento de silêncio antes de Mãe começar a gritar. Allen percebeu que uma das pontas do chapéu tinha se alojado diretamente no olho de Mãe. Allen não sabia o que fazer. Mãe caiu no chão e arrancou o chapéu do olho. O globo ocular saiu junto, ainda grudado no crânio por uma fina linha vermelha. Ela gritava. Allen não gostava de barulhos altos, mas se ajoelhou diante dela. 

Seu irmão mais novo começou a rir. "Menino dos olhos da Mamãe," ele provocou. Colocou a mão no bolso da calça e pegou um canivete suíço. Allen olhou para ele. "Não", implorou. 

Mas seu irmão já estava em cima de Mãe, esfaqueando-a repetidamente com a pequena lâmina. Era como se tivesse surtado. Ela tentou afastá-lo, mas já sangrava demais. Allen finalmente conseguiu tirar seu irmão de cima dela, puxando Mãe para perto de si. 

"O que você fez?" falou. Allen tentou gritar, mas era como se sua voz não permitisse isso. 

Então o pai apareceu na porta. Allen Allship II olhou a cena sem dizer nada. Viu seus dois filhos no chão e sua esposa agonizando em dor. Ele deu um sorriso largo, o primeiro sorriso que os dois viram na vida. "Quem fez isso?" perguntou. 

"James fez." Allen respondeu rapidamente. "Temos que ligar para o hospital. Ela está morrendo."

James, o irmão mais novo, olhou para seu pai. Esperada ver ódio ou raiva. Mas o que viu era algo que vinha procurando desde seu nascimento: Orgulho. 

"Percebo agora que venho prestando atenção ao filho errado." Marchou até James e ajudou-o a levantar. O garoto estava coberto de sangue. "Estou impressionado, Allen." 

"Eu sou o Allen," Allen falou, confuso. Ele ainda segurava a Mãe que morria em seus braços. 

"Não. Este é o Allen. Ele sempre foi." O pai limpou um pouco do sangue do rosto de James... do rosto de Allen. 

"Então quem sou eu?" O filho mais velho não entendia aquelas emoções que estavam tomando conta de seu corpo. Só entendia que sua Mãe estava morta e estava abraçado em um cadáver. 

"Você, garoto, é #995." Seu pai deu palmadinhas nas costas de Allen. "Temos muito trabalho a fazer. Mas tenho certeza que você será um Orgulho para o nome de nossa família." 

(EM BREVE: OS 1% PARTE 6: THERESA/#1302/BRITTNEY)  

Por: EZmisery


16 comentários:

  1. Manooo ta ficando mais foda a cada postagem,essa é a série mais loca de 2016...

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  2. E eu jurando que o Allen#995 que seria o doutor ideal '-' Ele seria muito melhor para esse papel.

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    1. O filho mais velho é certinho demais, Dr. Allen é insano, o filho mais novo é perfeito

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    2. Perfeito pra ser o Doutor né kkkk por que pra ser filho...

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  3. Espera... o atual Allen é o James o filho mais novo? Então o filho mais velho, que era o Allen se tornou o "Capitão gancho" #995???
    ~Faz uns anos que não entro aqui T.T, mas ja estou amando de novo \0/ Obrigado pela Creepy, Divina :3 Espero a continuação de Ubloo XD.

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  4. Uaaaaaaaaaaaaau amei esta serie! poste mais rapido nao esperar! vou passar a postar no face. quem ta escrevendo a historia è demais!. PS. Essa historia pega muitas coisas do filme hitman que para quem não conhece o filme, ele é sobre um grupo de pessoas geneticamente modificadas que nascem sem sentimentos e com os 5 sentidos muito apurados e desde que nascem sao treinados para serem super assassinos e quando crescem ressebem um numero o personagem principal é o ahente 47 filme muito legal assistam.

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  5. Uaaaaaaaaaaaaau amei esta serie! poste mais rapido nao esperar! vou passar a postar no face. quem ta escrevendo a historia è demais!. PS. Essa historia pega muitas coisas do filme hitman que para quem não conhece o filme, ele é sobre um grupo de pessoas geneticamente modificadas que nascem sem sentimentos e com os 5 sentidos muito apurados e desde que nascem sao treinados para serem super assassinos e quando crescem ressebem um numero o personagem principal é o ahente 47 filme muito legal assistam.

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  6. Acabei de perceber que minha personalidade é quase idêntica a de Allen.

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  7. Que creepypasta incrível! Preciso de mais e.e

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  8. Bom... Divina, essa sequencia ja explicou que vc nao se enganou na traduçao anterior qto genero. Desconsidere o q eu disse... kkkkk

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