20/01/16

Os 1% Parte 7: Alena

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Desculpem-me a demora, tive alguns problemas pessoais e por isso atrasei a sétima parte desta série. 


A família Allship tem duas regras que não podem ser quebradas. Primeiro, ninguém pode visitar Allen em seu escritório. Nunca. Alena nunca nem tinha visto o prédio por fora. Segundo, Allen e Theresa tinham um encontro toda quarta-feita a noite. Eles saiam de casa as cinco e não voltavam até muito tempo depois de Alena ter ido para a cama. Alena já tinha ficado acordada até as três da manhã esperando-os, mas nem sinal. Acabou derrotada pelo cansaço.

Alena decidiu quebrar a primeira regra.

Kelly, sua melhor amiga, estava com ela. Tinha a convencido a invadir o consultório de seu pai oferecendo-a quaisquer medicamentos que encontrassem lá. Kelly era uma garota bem legal, mas era viciada em analgésicos. Alena não ligava. Só queria que alguém estivesse com ela nessa missão em particular.

Alena Allship era o oposto completo de seu pai. Enquanto ele era silencioso, sem emoções e rígido, ela era extrovertida e esperta. Adorava passar o tempo com seus colegas da escola. Já namorava com meninos desde o ensino fundamental e era considerada uma das garotas mais populares da cidade. Sua boa aparência e seu jeito gracioso a fazia brilhar. 

Mas seu pai sempre a intrigara. Talvez fosse porque ele não demonstrava amor nem encorajamento. Ou a facilidade de fingir que era um pai normal quando precisava. Até mesmo sua mãe, que era quieta e reservada, parecia ter noção da estranheza dele. Foi a curiosidade a respeito disso que a fez invadir o consultório durante a noite.

Abriu a fechadura facilmente com ajuda de dois grampos de cabelo. Ela e Kelly adentraram o lugar silencioso. Mesmo na escuridão, os diversos móveis brancos se destacavam.

"Seu pai realmente gosta de branco" Kelly comentou.

Alena não respondeu. Olhou pelo escritório escuro. Nada fora do normal. Apenas um consultório normal com alguns quadros de gosto duvidoso.

"Então, onde estão os comprimidos?" Kelly começou a andar pelo local.

"Não sei, mas não se preocupe. Ele vai ficar fora a noite toda." Alena tinha escolhido uma quarta-feira a noite para invadir, pois sabia que ele estaria no encontro.

As duas garotas checaram todos as salas, os quais eram consultórios normais. Nenhum analgésico foi encontrado. Acharam a sala de operação, que continha diversas ferramentas cirúrgicas assustadoras. Mas novamente, nada fora do comum. Alena estava começando a ficar desapontada que seu instinto estava errado. 

"Ouviu isso?" Kelly congelou. "Isso é um... choro?"

O som distante de choro podia ser ouvido vindo do chão abaixo de seus pés. Parecia ser uma garotinha, exceto que havia algo estranho em sua voz.

"Foda-se, eu vou embora!" Kelly puxou as mangas da jaqueta para baixo.

"Cala a boca, vamos dar uma olhada." Alena se ajoelhou para olhar debaixo da mesa de cirurgia. 

Definitivamente os sons estavam vindo do chão. Passou as mãos pelos azulejos. Um estava um pouco solto, puxou e viu que em baixo havia uma maçaneta. "A gente simplesmente vai descer lá?" Kelly estava um tanto hesitante. Mas o vício era mais forte. Alena puxou a a maçaneta e uma pequena porta se abriu. Elas observaram a longa escada que levava a escuridão.

Alena começou a descer, mas Kelly só a observou por alguns segundos. Alena olhou por cima do ombro "Vamos, aposto que ele guarda as pesadas qui em baixo." Ela se virou novamente e continuou andado. Sabia que Kelly a seguiria.

A escada parecia descer bem, bem pro fundo. Pelo menos o choro tinha parado. Mas outros  barulhos estranhos ainda podiam ser ouvidos. A escada tinha sido esculpida nas paredes de terra de um jeito estranho. Parecia totalmente fora de lugar, levando em conta o branco absoluto lá de cima. Mesmo preocupada, Alena continuou. Kelly ia logo atrás, sorrateiramente. 

As duas desceram em silêncio.

Finalmente, a escada as levou até uma grande porta de metal. As duas se olharam.

"Tem certeza que é aí que ele guarda as drogas?" Kelly perguntou. "Deve ser." Alena colocou as duas mãos sobre a maçaneta e girou.

O quarto tinha uma iluminação bem melhor do que a escada. Na verdade não era muito bem um quarto, era mais parecido com um corredor. Se estendia além do que podiam ver. Na direita haviam uma variedade de prateleiras e ferramentas. Na parede da esquerda havia uma fila de portas, todas de metal. As portas tinham uma janelinha com barras de ferro. Todas estavam trancadas. As duas andaram pelo corredor juntas. 

Alena engoliu a seco. "Dê uma olhada naquelas prateleiras, talvez ache os comprimidos. Eu vou verificar os quartos." Kelly foi para a esquerda, Alena foi em direção as portas.

Podia ouvir barulhos vindo dos quartos. Pareciam animais. Talvez alguns ratos passeando por ali. E o fedor de podre tomava conta de tudo. Cheirava a mijo e todas coisas nojentas que você pode imaginar.

Ela foi até a primeira porta e tentou puxar a maçaneta. Fechada. Ouviu um movimento vindo lá de dentro. Alena sentiu um arrepio descer por sua espinha. Foi até a segunda porta e também estava trancada. Mas desta vez ela espiou por entre as barras de ferro e tentou ver o que estava lá dentro. Estava muito escuro, mas parecia ter uma cama e alguns trapos em cima. O estranho era que os trapos pareciam estar se movendo, quase como se estivesse respirando. 

"Merda!" Kelly gritou. A grande porta de metal que levava até a escada tinha sido fechada com força. Kelly correu até a porta. "Não abre! Tá trancada, porra!" 

Alena andou até ela "Que merda de porta fecha por dentro?"

"A porta de um médico psicopata, isso sim!" Kelly bateu com os punhos na porta de metal, produzindo um barulho horrível. 

Foi aí que elas ouviram o choro novamente. As duas garotas congelaram. Vinha da terceira porta do corredor. Era um gemido. Parecia de uma menininha mas... era estranho. Como se estivesse resfriada. Estava fungando e soluçando. Kelly encarou Alena, sem saber o que fazer. 

Alena respirou fundo e andou lentamente até a porta. Ela sempre era a corajosa do grupo. Devia ser algo que desenvolveu durante sua criação. Todos seus amigos achavam esquisito que era tão independente. Era a única em seu grupo de amigos que chamava seus pais pelo nome. 

Mas Alena não se sentia tão corajosa naquele momento. Avançou em direção a terceira porta, ciente de todo barulho que fazia. Estava prestes a espiar pelas barras da janelinha quando um rosto apareceu ali. Alena gritou. O rosto era apavorante. Uma mulher de meia idade, mas toda sua pele tinha sido repuxada. Uma peruca loira encaracolada tinha sido costurada grotescamente em seu crânio. Sangue seco coloria sua pele. 

"Socorro!" ela gritou para Alena. "Me tira daqui! Tenho dinheiro, posso te pagar!" A voz da menininha estava vindo daquela mulher. Com o pouco de coragem que restava, Alena ficou nas pontas dos pés para ver melhor. A mulher estava completamente nua. Não tinha peitos. Não tinha pelo em nenhuma parte do corpo. Seu quadril era côncavo, como se alguém tivesse escavado ali até retirar sua pélvis. Ela tremia e sua voz fina a fazia parecer ainda mais apavorante. 

Kelly estava atrás de Alena. "Mas que porra é essa?" 

Alena se virou rapidamente. "Eu... Eu não sei..."  

"Temos que dar o fora daqui!" Kelly correu de volta para a porta de metal. Ela batia repetidamente na porta "Socorro!"

Alena só ficou observando-a, sem conseguir se mexer. 

Foi aí que Alena percebeu que uma das portas, a primeira do corredor que antes estava trancada, estava se abrindo lentamente. Tentou falar alguma coisa, mas era como se tivesse perdido a voz. As costas de Kelly estavam voltadas para Alena e para o corredor. Algo estava saindo da primeira porta. Um homem. Quer dizer, Alena achou que era um homem. No geral, tinha a forma de um ser humano, exceto que estava totalmente deformado. Sua cabeça caia para o lado do pescoço. Mancava lentamente do que havia sobrado de seus pés. E ao invés de uma mão, possuía um gancho no lugar. Os olhos de Alena se arregalavam cada vez mais. Ela não conseguia se mexer. A coisa estava indo em direção a Kelly, que continuava a bater na porta, sem notar o homem. Ele levantou o gancho no ar. 

"#995, afaste-se." 

Kelly se virou, viu o homem e caiu no chão de tanto medo. Começou a se mijar ali mesmo. Mas a atenção de Alena agora estava na origem daquela voz. 

Lá estava, seu pai. Estava de pé mais ao fundo do corredor perto de uma porta aberta. Estava usando roupas cirúrgicas cobertas de sangue. Não havia emoções em seu rosto. 

O deformado se afastou de perto de Kelly. Allen observou Alena. "Não queria que você descobrisse deste jeito." 

"Mas que merda há de errado com você?!" Kelly gritou. "Seu psicopata filho da puta!" 

Alena nem se quer olhou para ela. "Alena, talvez você seja nova demais para entender. Mas é isso que nós Allship fazemos. Somos pioneiros. Somos milagrosos." Ele olhou para dentro do quarto ao qual estava na porta. "Venha, #1302." 

O corpo de Alena começou a tremer ainda mais quando viu sua própria mãe sai do quarto. A mulher sorria como se estivessem em um parque de diversão. Havia sangue em seu cabelo. Allen fez a virar em direção da menina. "Quando encontrei sua mãe, ela pesava mais de 200 quilos. Não tinha ambições, não tinha valores. Mas eu a transformei. Eu fiz com que ela tivesse um propósito: fazer nossa nova geração." Allen tentou sorrir. "Tinha esperança em ter um filho, mas terá que ser você quem irá  continuar meu trabalho." 

Alena não tinha palavras. Kelly não parava de falar. "Você é um psicopata! Nos deixe ir!" 

Allen olhou brevemente para Kelly como se ela fosse um mosquito, depois voltou a olhar para sua filha. "Você vem de uma longa linhagem. Você está destinada a ser a melhor."

Allen começou a andar em direção as garotas, abrindo todas as portas em seu caminho. "Venha, dê uma olhada em tudo que já conquistei. Você pode ver meu trabalho. Isso tudo será seu. Esses são os 1%." Ele estava orgulhoso. Alena nunca tinha visto isso em seu pai. 

Estava ao lado de Alena, com a mão esticada em sua direção. "Queria esperar até seu décimo oitavo aniversário. Mas como meu pai, terei que mudar meus planos. Ele que me deu o meu primeiro, sabe?" Se moveu em direção ao homem deformado, que agora estava atrás dele. "#995 era um garotinho da mamãe quando eu o peguei. Agora está mudando vidas. Esta aqui por um motivo maior. Ele-"

Sua voz parou junto de um gorgolejo sangrento. Uma linha de sangue escorreu pelo canto de sua boca. Caiu para frente, revelando um enorme bisturi cirúrgico enfiado em seu pescoço. Alena, que jpa estava apavorada, deu alguns passos para trás. 

Alguém tinha enfiado uma ferramenta cirúrgica no garganta do bom doutor. 


(EM BREVE: OS 1% PARTE 8: MAR)

Por: EZmisery 


15 comentários:

  1. Aehooo, to torcendo pra que tenha sido o 995 que tenha cravado o bisturi nele

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  2. Obrigado pela Creepy Divina :3
    que venha a parte 8 0/ quem sabe não foi a kelly ou umas das pessoas numa das portas que enfiaram o bisturi nele? Acho que o #995 não faria isso, se pudesse ja teria feito antes e não com o bisturi, acho que com o proprio gancho :p

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  3. Ah, e desculpa por parecer chato, mas logo no inicio esta escrito "prédio por foda", não seria fora?

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    1. AHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHA MEU DEUS, DESCULPA! Vou arrumar.

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  4. Aposto q foi o experimento com voz q criança... (sou péssimo com nomes kkkkk)

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  5. Acho que foi a mãe da Alena. Ah cara não queria que o Dr. Allship morresse, queria ver ele apresentando os experimentos pra Alena e ela reagindo a tudo e trabalhando junto com o pai depois e tudo aquilo...

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  6. A primeira parte de Os 1% foi enoooorme, agora as partes estão ficando cada vez menores -_- que chato :/

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  7. Afs só sobrou o bagaço da pequena Becky que desperdício :/ Chateado

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  8. Foi a criança gordinha que tinha o nome estranho, mas que pediu para ser chamada de Mar(dai vem o próximo episodio)

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  9. Foi a criança gordinha que tinha o nome estranho, mas que pediu para ser chamada de Mar(dai vem o próximo episodio)

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  10. Que criança gordinha? Me perdi ;-; achava que tinha sido a esposa do cara

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  11. Sério mano, essa é sem dúvidas uma das melhores Creepys q eu já li. É incrivelmente horrenda e misteriosa, o que inclusive faz com que seja ótima.
    Parabéns!!

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