03/01/16

Ubloo - Parte 2

                                                                                          < Parte 1 || Parte 3 >


“AQUELE ERA O MEU BEBÊ! POR FAVOR, DEUS, NÃO! ”

 “AFASTE-SE SUA VADIA IMUNDA! “ O policial esmurrou a boca da senhora Jennings com o cassetete, desferindo uma paulada doentia.

Eu ouvi ela chorar por causa da porrada, e assisti seus dentes voarem de sua boca para a calçada, caindo aos pés dos oficiais de polícia. Eles estavam todos a espancando agora. Eles batiam em suas mãos e joelhos e estavam revezando para martelar as costas delas com seus porretes. Ela ainda estava implorando para não levarem o filho dela, mas eles não podiam ouvir, estavam rindo. Rindo de um jeito tão doente e maníaco que fazia meu estômago revirar.

Agora os médicos emergenciais emergiram do apartamento, em alta velocidade numa maca que carregava Andrew.

Empurravam ele desastradamente pelas escadas, e o braço dele caiu para fora dos lençóis brancos no primeiro degrau.

Assisti o corpo sem vida de Andrew na maca até ele cair de um jeito estranho e o lençol ser soprado completamente pelo vento, revelando seu cadáver.

“Ah, bem. Tudo indica que você, drogado imbecil, só quer tirar um cochilo enquanto nós tentamos fazer o nosso trabalho de merda!" Com a última palavra, o Técnico em Emergências Médicas chutou o corpo de Andrew em seu estômago. “

Assisti o corpo dele se sacudir e dobrar do impacto. O outro T.E.M. estava se juntando ao primeiro também, ambos chutando e pisando no corpo sem vida do Andrew. Tentei gritar, tentei esbravejar para eles pararem, mas senti minhas cordas vocais vibrarem no meu peito e nenhum som sair. Observei que enquanto um T.E.M pegava uma pedra pesada de um canteiro de plantas e levava até onde o corpo de Andrew estava, o outro rolava ele de costas e dava o grito mais alto que alguém já ouviu. De repente, ele arremessou a pedra, que agora eu via esmagar o rosto de Andrew. Ouvi um profundo “crack” e sabia que seu crânio havia rachado. Sua cabeça rolou para o lado e me encarou, sangrando e amassada.

Então, vi seus olhos abertos. Aqueles grandes olhos verdes circulados por um branco cheio de sangue.

“O FIM É O COMEÇO, DOUTOR. ” Ele disse para mim com sua mandíbula meio solta. “O FIM É O COMEÇO. ”

Então eu ouvi ele dizer.

Suave, porém alto.

Pequeno, porém, dominante.

Afiado como uma faca, porém calmo como água.

“Ubloo! ”

Me lancei da minha cama, pintado e coberto em suor. Cheguei freneticamente no escuro, nas roupas de cama, e tateei minha lanterna. Liguei e joguei a luz pelo quarto, alvejando de um canto ao outro, procurando por alguma coisa, qualquer coisa, mas não havia nada ali exceto as pilhas de caixas que enchiam meu quarto do hotel.

Acendi minha luz noturna e conferi a hora. 4:12 da manhã. Três horas de sono teriam que ser cumpridas.

Abri a cabeceira da cama e segurei a garrafa de pílulas por dentro. Esava meio cheia, eu precisaria de me escrever uma nova prescrição em breve, que não poderia sair em tempo melhor pois parecia que já era hora de me mudar novamente. Abri a garrafa e joguei dois Adderall na minha boca. Peguei a garrafa d’água e bebi metade dela.

Eu teria que começar a mudança agora se eu quisesse gastar tempo encontrando um hotel novo. Me levantei e estiquei as pernas e costas. Agora que eu estava praticamente usando drogas e dormindo o mínimo eu podia sentir meu corpo caindo aos pedaços. Caminhei até a cômoda e girei a tampa da garrafa de gin da noite anterior. Tomei um gole e me encolhi ante o sabor. Eu nunca fui realmente um grande fã de gin, mas é o mais fácil de esconder em seu hálito. Quando me virei para começar a empacotar as coisas, tive um vislumbre de mim mesmo no espelho e congelei.

Meus olhos estavam abaixo de duas covas escuras, e estavam tão ensanguentados que quase pareciam vermelhos. Meu cabelo estava apontando para todas as direções em tufos embaraçados e escuros. Eu tinha uma sombra escura do meu cabelo nas minhas bochechas e pescoço que fez minha barba que estava feita parecer descuidada.

“Jesus... “ Eu disse com uma pausa. “A que ponto eu cheguei? “

INTERVALO DE SEIS SEMANAS:

O funeral de Andrew Jennings aconteceu e passou e eu não fui. Parte de mim diz que é por quê eu não podia ficar cara a cara com a Senhora Jennings, parte de mim diz que é por quê eu estava assustado por causa do próprio Andrew. A semana seguinte ao funeral eu dificilmente podia focar no meu trabalho, só me mantinha pensando no que eu ouvi naquela noite que eu caí no sono.

Depois de outra semana, eu estava isolado, até a bebida e minha imaginação receberem o melhor de mim. Além disso, eu não estava dormindo quando isso aconteceu, então eu não poderia ter sonhado.

Decidi que eu iria ver Mrs. Jennings para me dar conforto. O escritório dela não era longe do meu, ainda mais para alguém que era dona da metade dos complexos de apartamentos em Middlesex County. Decidi também que eu merecia um dia fora após o que eu havia passado.

Quando eu fui ver a Senhora Jennings, era um dia fresco de primavera. Eu estava nervoso, muito nervoso. No ensino médio, antes de dar uma grande apresentação, eu aliava minha tensão com um drink ou dois, para descontrair. Fiz o mesmo naquela manhã, mas acho que eu deveria ter comido um café da manhã melhor, pois no tempo que fiquei fora do meu carro, minha cabeça estava girando.

No saguão, havia uma recepcionista jovem e fofa. Perguntei ela onde eu podia encontrar a Senhora Jennings e ela disse educadamente que era no terceiro andar, na suíte um. Entrei no elevador com outro homem e subimos juntos.

Enquanto ficamos ali, ouvi ele fungar duas vezes, e então me olhar de canto de olho. Merda, ele devia estar sentindo o bafo.

Quando eu cheguei no terceiro andar, eu andei até uma fonte d’água e bebi uns goles. Peguei outro pedaço de chiclete do meu bolso e mastiguei por um minuto antes de bater na porta da Senhora Jennings.

A porta se abriu e os olhos dela encontraram o meu, e instantaneamente eu vi eles começarem a se desviar.
“Oh, Doutor A. ” Ela disse, sem parecer surpresa. “Por favor, entre. “

Ela virou se para o lado e me deixou entrar no seu escritório. Imediatamente eu percebi que ela estava empacotando as coisas, e que o escritório estava praticamente vazio a não ser por alguns papéis e o computador dela.

“Se mudando, uh? “ Eu disse para ela com um sorrisinho, tentando melhorar o clima.

“Sim. “ Ela falou desviando os olhos de mim para olhar em volta da sala enquanto ela falava. “Achei alguém que iria compra toda minha propriedade. Normalmente seria muito caro, mas eu fiz um bom preço para eles. Estou indo viajar e ver a Europa como eu e Robert sempre quisemos fazer. “

“Bem, isso parece emocionante! “ Eu disse, um pouco entusiasmado demais. Eu vi a tristeza assombrando a Senhora Jennings e mudei, mudando de assunto. “Senhora Jennings, eu sinto muito pelo que aconteceu com o Andrew. Ele era um homem jovem muito brilhante. “

Isso acabou com tudo.

“Ele era. “ Ela soluçou. “E eu quero te agradecer, Doutor, pois naquele dia, quando ele saiu do seu escritório, ele me chamou e disse que ele se sentia melhor do que em anos. Obrigado por me dar aquele momento, aquela sensação de ter meu filho de volta, antes de perdê-lo para Deus. “

Ela começou a chorar. Eu olhei em volta do escritório dela nervosamente, e meus olhos acharam uma fotografia de uma jovem Senhora Jennings, perto de um homem grande de ombros largos com um grande sorriso, e um jovem e incrível Andrew. Do lado dele, um Golden retriever, que devia ser Buster. Eu lembrei do sonho que Andrew me disse sobre ele e estremeci. Andei até a fotografia e tirei da caixa.

“Esse era Robert, não? “ Perguntei. Ela olhou para mim e viu a fotografia em minhas mãos.

“Ah, sim. “ Ela respondeu enquanto andava. “Esse era meu Robert. Como ele era incrível. E com certeza esse é o cachorro do Andrew, Buster. “

Um calafrio correu minha espinha enquanto ela disse o nome dele. Algo me disse que a Senhora Jennings sabia muito pouco sobre os sonhos que o filho dela estava tendo. Olhei para baixo da caixa que peguei a foto e vi uma proposta para comprar uma propriedade. Eu estava prestes a desviar o olhar quando algo prendeu minha atenção.

“Senhora Jennings? ” Eu disse, sem tirar meus olhos do papel. “

“Por favor, querido, me chame de Gloria. Eu não me sinto como uma senhora mais. “

“Gloria, eu achei que todas as propriedades que você tinha eram em Massachusetts? “ Ela piscou para mim, por perguntar uma coisa numa péssima hora.

“Bem, sim querido, é sim. “ Ela respondeu estudando minha cara.

“Desculpe, é que, eu não podia deixar de notar essa proposta aqui, para uma propriedade em Louisina? “

Ela pareceu perdida por um segundo e então eu vi a memória voltar a ela.

“Ah sim, essa era a propriedade que Robert estava procurando. Ele simplesmente adorava aquela casa em Louisiana. Eu não estou certa de como ele encontrou o lugar. Na verdade, quando ele começou a voar por ali, cada semana me deixava mais certa de que ele estava com uma amante, pois quando eu perguntava se eu poderia ir, ele sempre colocava empecilhos na frente. ” Ela escolheu uma proposta e folheou as páginas até encontrar uma foto que ela me entregou.

A casa era grande e antiga, com grandes colunas que focavam a frente dela, e uma grande cerca com portão cercando o jardim. As janelas eram muito escuras para ver por dentro, mas parecia ser de dois andares. Grande demais para caber até na foto. Parecia um pouco arruinada, mas eu podia ver o por quê do interesse de Robert na casa: Ela tinha potencial para ser absolutamente gloriosa.

Após olhar para a foto por algum tempo eu finalmente falei.

“E essa casa... “ Eu comecei. “Você está vendendo essa também? “

“Por quê, não... não possuímos essa, Doutor. “ Ela disse, parecendo ofendida pelas minhas palavras. “Robert morreu antes de terminarmos a papelada. É meio vergonhoso, pois, aquele lugar era adorável. ”

Eu não sei por quê, mas meu coração se afogou com isso.

“Mas Robert a visitou, mesmo antes da morte dele? “ Perguntei.

“Sim. Sim, ele visitou. “ Gloria respondeu. “A coisa mais engraçada, é que, Robert era conhecido por fechar contratos rapidamente, as vezes rápido demais. “ Ela disse com uma risadinha. “Era como se ele tivesse medo de ir em frente com a papelada. “

Ela me observou examinar a foto da casa. “Você parece interessado, Doutor. “ Ela disse, com a risadinha voltando também. “Você pretende fazer uma mudança também? Ou entrar no negócio imobiliário? “

“Talvez... “ Eu disse com timidez.

“Bem, vou te dizer. Aquela caixa inteira está cheia de informações que Robert mantinha naquela casa, separada no meio de outra papelada. Eu vou rasgar aquilo tudo, então, se você está interessado, dê uma olhada. ”

Levei um minuto para entender o que ela disse.

“Sim, certo. “ Finalmente desabafei. “Parece bom Gloria, obrigado. “

 Peguei a caixa e comecei a andar até a porta.

“Só por curiosidade... “ Comecei. “Quem era o antigo dono da casa? “

“Ah, bem, ela não tinha um dono, não foi usada desde que nós visitamos ela. “Ela disse. “Tecnicamente é do banco de Louisiana. Antes disso, era uma escola. ”

“Uma escola, uh? “ Perguntei.

“Sim. Se o que a mulher que nos mostrou a propriedade nos disse era verdade, ela era a primeira escola toda preta do estado inteiro. “

Fiquei ali por um minuto. Pensando sobre o quão bizarro essa coisa toda era. Por que Robert estava procurando comprar uma escola abandonada em Louisiana? Por quê essa especificamente? E por quê ele não iria fechar contrato?

Me virei para sair e a senhora Jennings me chamou.

“Oh, Doutor. “ Ela disse. “Mais uma coisa. “

“Sim? “

“Eu perguntaria o porquê- apesar de que eu acho que sei- mas se você vai na loja de bebidas, beba gin. “

 Eu estava assustado.

“Me desculpa? “

“Gin, querido. ” Ela disse. “É mais difícil de se identificar em alguém. Era o que Robert fazia. “

Sai daquele escritório me sentindo sem chão. Como se tudo que aconteceu fosse um sonho. Dirigi direto para casa e comecei a revirar a papelada de Robert. Era uma coisa difícil na primeira tentativa. Eu não estava acostumado a mexer com documentos de imobiliária então eu nem sabia o que eu estava procurando, mas em cerca de uma hora eu estava tomando conta disso.

Separei a papelada na minha mesa de jantar. Em uma pilha eu tinha toda a informação sobre a casa. A casa era de uma família incrivelmente rica, perto de 1800’s. Na verdade, foi uma das primeiras famílias a se mudar para Louisiana quando a conquistamos da França. A data que eles tornaram a casa numa escola eu não consegui encontrar, mas parecia que o banco não tinha posse dela até 1960.

Me sentei e cocei minha cabeça. Procurei por duas outras pilhas que eu fiz. Uma era de tudo que Robert havia escrito ou usado não pertencente a aquela casa. A outra era lixo. Caminhei até a pilha de lixo, e comecei a colocar os papéis na caixa, um por um. Na metade do caminho, achei um envelope pardo. Abri o fecho e puxei a papelada de dentro dele.
Dedilhei pelas primeiras páginas, mais acordos de aluguel de propriedades de Massachusetts. Eu estava prestes a jogá-las na caixa quando percebi um monte de números no canto da página.

“12-4-21”

FICA AÍ QUE AMANHÃ TÊM MAIS UBLOO Continua...
Creepy traduzida do Creepypasta.com



12 comentários:

  1. Pelos meus conhecimentos numerais eu nāo sei oque 12-4-21 significa

    Apesar de que eu acho que o o 21 é 12 de tras pra frente

    ResponderExcluir
  2. Estou preso a essa creepy. Por favor que não acabe como a história dela segurando a laranja!

    ResponderExcluir
  3. se acabar ''eu peguei ubloo'' eu me mato.

    ResponderExcluir
  4. se acabar ''eu peguei ubloo'' eu me mato ³

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. se acabar "eu peguei ubloo" eu me mato ⁴

      Excluir
  5. Vai ter "Eu peguei ubloo" sim e se reclamar ele foge só pra ser pego de novo.

    ResponderExcluir
  6. Muito foda a creepy, apesar de ser um pouco monotona tem aquele clima de suspense q eu adoro.

    ResponderExcluir
  7. 12-4-21 é uma capicua :v um número que não se altera quando lido de trás pra frente. Aliás, como eu perdi esse capítulo? Só fui ler agora porque vi o terceiro.

    ResponderExcluir
  8. Ahuehuehueheuhuehheu Todo mundo puto com o final da história da Laranja

    ResponderExcluir