02/03/16

Butcherface - Parte II

Desculpem me pela demora. Estive ocupado com umas coisas interessantes nas quais entrarei em detalhes depois. Assim como o primeiro, esse vai ser longo.

De volta à história.

Duas semanas após encontrarmos as fitas do Butcherface, estávamos fincando cansados de ter que ficar subindo e descendo com o VCR do porão, pois o pai do Chris, por algum motivo, ficava nos pedindo para colocar ele de volta no lugar quando não estivéssemos o usando, quando o Irmão mais novo do Chris (vamos chama-lo de Evan), que estava indo para a faculdade de produção de mídia, entrou na conversa e mencionou que ele podia converter as fitas para DVD usando o equipamento do colégio.

Após muito pechinchar e negociar, chegamos à um acordo de que se nós (que tínhamos 21 na época) pagássemos pelas bebidas de uma festa que os amigos do Evan (que tinham 19 na época) dariam, ele iria fazer o serviço até o dia seguinte.

Quando o dia chegou, tanto eu quanto Chris estávamos esperando ansiosamente na cozinha pelo momento em que Evan chegaria em casa. Quando ele entrou, uma hora depois de quando ele disse que estaria de volta, ele parecia extremamente pálido. Perguntamos para ele se ele havia acabado de converter as fitas e ele pulou na nossa frente gritando que nunca dizemos para ele o que tinha nas fitas. Aparentemente, ele não ouviu o que dizemos e apenas ouviu que queríamos que ele convertesse as fitas. Ele também pensou que eram gravações de família como as de natais ou de aniversários. Acalmamos ele e perguntamos se ele converteu as fitas. Ele disse “não” e rapidamente saiu da sala.

Estávamos desapontados e começamos a falar sobre o que fazer quando Evan voltou com seu pai atrás dele.

Após discutir sobre o que estava em cada uma das fitas, Evan as pegou de seu carro e nós quatro assistimos cada uma das 24 fitas juntos. Após a última fita acabar (“É isso. É isso. Eles não saberão.

Eles nunca me encontrarão. É aqui que eu vou me esconder. ”), a cara do pai do Chris estava tão pálida quanto a do Evan estava antes. Ele se reclinou na cadeira e disse “... Aquilo foi assustador”. Uma hora de conversa naquela noite terminou com a gente querendo saber quem estava naquelas fitas. Saí da casa pouco depois de entender que eu ficaria naquela de “decidir o que faríamos depois”, que era imaginar os últimos donos da casa.

Alguns dias depois, recebi uma ligação do Chris dizendo que eles haviam demorado um pouco (eles não encontraram nada no site do país) mas eles encontraram uma história na biblioteca da cidade (em algo chamado “diretório reverso”) sobre um antigo dono que possuía a casa nos meados dos anos 80.

Após algumas chamadas não respondidas, decidimos visitar aquele povo pessoalmente. Então, naquela sexta, eu, Chris e seu pai fomos até a casa deles e batemos na porta, para ser recepcionados por duas senhorinhas de 80 e poucos anos. O pai do Chris disse que a família dele estava vivendo na antiga casa delas e perguntou se podíamos perguntar algumas coisas sobre ela. Elas não nos deixaram entrar na casa delas, mas elas nos falaram sobre a casa.

Acabou que elas eram irmãs (seus primeiros nomes eram Shirley e Louise) e Louise era a proprietária da casa, mas nunca morou lá. Aparentemente, ela e o marido dela compraram a casa e estavam planejando adicionar nova fiação e tubulação antes de se mudarem, mas o marido dela teve um AVC terrível não muito após comprar a casa e acabou morrendo. Com a combinação do hospital e contas funerárias, Louise não pode pagar o conserto da casa e a mudança e se mudou com sua irmã. Mas ela mencionou que durante aquela época, a época ficou conhecida por abrigar uma quantidade numerosa de pessoas sem teto, que eram regularmente expulsas da propriedade. Também perguntamos se alguma delas tivera um filho e ambas responderam “não”. Nós saímos da casa sem muitas respostas.

Algumas semanas após aquilo, eu e Chris fomos ver filmes com a namorada dele (Acho que ele estava tentando tirar sua mente das fitas pois eu podia dizer que ele ainda estava assustado).

Estávamos falando sobre o quão ruim o filme havia sido (Homem Aranha 3) quando Chris pisou fundo nos freios. Praticamente derrapamos por 30 metros e eu fui esmagado pelo meu cinto de segurança, enquanto sua namorada, que não estava usando o cinto foi quase atirada para os bancos da frente.  Começamos a gritar com ele, perguntando que diachos ele estava fazendo, quando olhamos para onde ele estava encarando e vimos uma casa. Parecia familiar para mim, mas eu não podia me lembrar de nada. Olhei para Chris e ele disse “Aquela casa está nas fitas”. Então eu lembrei de uma das casas que Butcherface havia observado as pessoas irem e virem estava bem ali, nem mesmo à 20 metros de distância de nós. Batemos na porta, mas ninguém respondeu. Então decidimos voltar mais tarde. Quando voltamos para casa do Chris, percebi que o VCR estava no quarto dele, conectado à TV. Perguntei para ele sobre isso e ele disse que estava assistindo as fitas novamente para quaisquer pistas. Agora sei o porquê de ele continuar assustado. Naquela noite, quando cheguei em casa, recebi uma chamada do Chris. Ele estava sussurrando e disse que ele achava que alguém estava andando em seu quintal.

Dois dias após aqui aquilo, naquela sexta, decidi dormir fora e ver por mim mesmo. Chris dizia ver vultos de alguém de pé ou alguém andando em seu quintal, mas sempre estava escuro demais para ver qualquer detalhe, em ambas as noites. Eu fui orientado a dormir no sofá que estava no agora reformado buraco onde encontramos as fitas. Dormimos muito pouco naquela noite, pois ficamos acordados na sala de estar encarando a porta de correr que dava para o quintal. Estávamos falando sobre como não era nem mesmo certo se ele machucava pessoas quando Chris de repente aponta para o lado de fora da janela e diz: “Olha! Bem ali. Você viu aquela sombra ou algo do tipo? “. Eu pulei e acionei o interruptor para as luzes do deck, mas elas não funcionaram. Então, pegamos as lanternas e saímos para olhar. Fora alguns galhos de árvore sendo soprados pelo vento, não encontramos nada. Lá pelas 4 da manhã, decidimos dormir um pouco. Fiquei no sofá apenas por algumas horas, pois ficou muito frio e eu sentia uma neblina que eu acho que estava vindo pelas tábuas do chão. Fui para casa na tarde seguinte pensando que a noite anterior foi um fracasso, até que eu recebi um telefonema frenético naquela noite.

Alguém havia entrado na casa do Chris enquanto eles estavam fora. A porta de correr que dava acesso ao quintal estava completamente quebrada com vidro por todo caminho da sala de estar e da sala de jantar. Eu dirigi de volta pois eles queriam que eu fosse testemunha, em relação à sombra no quintal. Eles me mostraram tudo e eu vi que a pessoa revirou toda a sala de estar, a de jantar e a cozinha. No banheiro, o espelho acima do armário havia sido esmagado e todos os remédios na gaveta estavam desaparecidos. Algo mais estava faltando e foi muito mais desconcertante. Quatro facas tinham desaparecido do faqueiro na cozinha. Eu fiquei lá por uma hora e decidi ir para casa e isso após eu perceber que as fitas do Butcherface nunca haviam sido mencionadas pelos policiais.

Um pouco depois, eu cheguei em casa e recebi OUTRA chamada do Chris, dizendo ter achado as facas faltantes, em baixo dos cobertores de cada membro da família.

Naquela semana, Chris e seu pai decidiram olhar em volta da casa mais precisamente para ver se Butcherface havia deixado quaisquer outras pistas de sua presença na casa. Fui para ajudar e o único cômodo que não havia sido vasculhado precisamente foi o sótão, então decidimos começar por lá.

Não demorou muito até acharmos algo, pois quase imediatamente, avistei uma sacola velha em um dos cantos. Peguei ela e ouvi o som de vidro batendo contra vidro. Levamos ela para baixo e a cortamos. Achamos ela cheia de garrafas de licor e seringas usadas. Usando luvas de borracha, removemos cada objeto, um por vez. Quase todo o conteúdo eram garrafas e seringas e lixo comum, até chegarmos ao fundo.

No fundo da caixa encontramos uma caixa de sapatos. Estava manchada e quente, e não pudemos sequer ver a marca dos sapatos que estavam ali dentro. Cuidadosamente tiramos ela e tiramos a tampa (que parecia estar colada). Dentro, havia uma série de papéis e fotos. As fotos eram realmente perturbadoras. Uma era um close-up de uma mão coberta de agulhas (aquelas que são longas e pontudas com uma bolinha de plástico colorida no final). Haviam tantas delas que parecia um porco-espinho. Outra delas mostrava um cachorro (provavelmente) morto deitado no chão (tudo que podíamos realmente ver era a margem de terra no chão, tudo estava muito escuro). Presumimos que ele estava morto pois ele estava sem metade do rosto. A carne de um lado do rosto estava faltando e ele estava olhando para a câmera, fazendo ele parecer sorrir com um olho sem pálpebra. Havia também mais fotos incluindo a de uma vaca com sangue em sua boca, um pé muito pálido, vários brinquedos dos anos 70 e 80, uma coleção de facas, uma mão e um braço pintados com múltiplas cores como uma mixórdia, e um close-up de um globo ocular.

Os papéis eram bem estranhos também. Eles eram uma combinação de desenhos e escritas. A maioria das escritas pareciam ser uma lista de desejos de morte, listando praticamente cada modo imaginável de como matar pessoas. Outros pareciam ser pensamentos aleatórios, de como ele acidentalmente mijou em suas calças enquanto filmava ou como ele era um “mal infeccioso” e que ele iria espalhar isso para seus discípulos. Alguns dos desenhos eram bem similares as fitas nas paredes do velho quarto do Chris. Outros eram mais detalhados e mostravam cadáveres em vários estados de decadência e de criaturas estranhas. Eram humanoides, mas todos tinham um olhar demoníaco, com muitos parados, ficando de quatro. Uma coisa que aparecia frequentemente era um símbolo estranho.

Parecia com uma letra C com um espaço com outro C apontando para baixo, com um V no topo disso. Quando chegamos no final da caixa, encontramos outra fita, uma que nunca chegamos a assistir pois estava coberta de cera de vela.

Sem pistas, decidimos revisitar as velhas mulheres, que possuíam a casa nos anos 80, novamente. Haviam se passado dois meses desde que visitamos elas pela última vez e percebemos que a história delas não fazia sentido. Por exemplo, Louise afirmou ter desistido da casa, embora nas fitas podíamos ver que a casa tinha energia (então por que ela continuou pagando a conta se ela não queria a casa?).

Elas também citaram que pessoas sem lar eram regularmente expulsas da casa pelos policiais, mas não haviam registros disso. Tentamos chama elas como na última vez, mas não obtivemos respostas, então decidimos ir até lá. Quando chegamos lá, encontramos a casa abandonada.  Nós fomos até os vizinhos e perguntamos se elas sabiam se as duas senhoras que moravam ali do lado haviam se mudado. Eles nos disseram que Louise morre (mas eles não sabiam como) umas três semanas atrás e Shirley abruptamente fez as malas e se mudou uma semana depois. Enquanto o pai do Chris estava falando com os vizinhos, Chris me chamou no canto e sussurrou “Vamos invadir aquela casa”.

Na mesma noite, esperamos até que tarde e dirigimos até a casa das senhoras. Nunca havíamos invadido uma casa antes nas nossas vidas e estávamos vestidos num traje estereotipado de invasores, com calças e blusas pretas e uma máscara de hóquei preta (Eu sei, estúpido). Quando nós chegamos na casa, estávamos tão nervosos que não saímos do carro por bons 45 minutos. Quando nós confirmamos que todos da vizinhança estavam dormindo, saímos do carro e andamos até o quintal e a porta dos fundos. Olhamos pela janela na porta, mas estava muito escuro para ver qualquer coisa.

Tirei minha camisa e coloquei contra a janela, dei um soco, quebrando o vidro. Pareceu muito alto mas deve ser por quê estava muito quieto, e os vizinhos não acordaram, então eu acho que não foi TÃO alto. Destranquei a porta pelo buraco da porta, e então tivemos uma luta sussurrada para ver quem entraria primeiro. Isso se transformou em um jogo de pedra, papel, tesoura, no qual eu ganhei, então Chris entrou primeiro.

Entramos cuidadosamente e fechei a porta atrás de mim, acidentalmente a batendo, dando um bom susto em Chris, no qual não podemos segurar o riso. Nos esgueiramos pela casa com lanternas clareando as paredes. Como nota, eu realmente não vejo como eles iriam consertar aquela casa sem pagar alguém, pois tudo parecia uma merda. O papel de parede era mais velho que eu e o Chris juntos. Continuando, nós fomos pela sala de estar e encontramos uma pilha de lixo depositada no canto com um relevo ao fundo, como se uma pessoa ou um cão tivesse a usado como cama. Subimos as escadas e achamos algo que conectou essa casa à do Chris. Em um dos banheiros haviam pilhas de garrafas de remédio. Algumas dessas garrafas tinham o nome dos pais do Chris e uma delas era a garrafa de remédios contra a dor na coluna do Chris (de um acidente que aconteceu anos atrás que iria precisar de cirurgia). Era tudo que precisávamos ver, então levamos as coisas para baixo e fomos até a porta, mas quando chegamos lá, dei um salto, que derrubou eu e Chris. No lado de dentro da porta traseira estava o símbolo do “CV” das notas do Butcherface. Após voltar para o carro, Chris disse algo que nos assustou. Se Butcherface estava realmente morando naquela casa, ele provavelmente não estava lá por que ele estava visitando a casa do Chris agora mesmo.

Após aquela semana, visitei a casa do Chris novamente e desde que passei pela sala, senti um clima tenso. A mãe e o irmão do Chris estavam andando para frente e para trás na sala de estar, olhando pela janela que dava para o quintal. Eu fui até eles e perguntei o que estava acontecendo. Quando olhei pela janela, vi Chris e o pai dele no quintal gritando um com o outro e atrás deles tinha um fogo brando que não tinha nada mais que cinzas. A mãe do Chris disse que o cão deles, Bracket, havia desaparecido, mas não disse nada mais. Abri a (agora recolocada) porta de correr e andei para os encontrar. Quando o pai do Chris me viu, ele ficou ainda mais bravo. Chris me encontrou no meio do caminho para a fogueira e disse “Eu tive que contar que invadimos aquela casa”. Eu perguntei o porquê e ele me disse que Butcherface pegou o cão deles como vingança por entrar em sua casa.

Perguntei o que estava no fogo e ele me disse que o pai dele estava queimando as notas, fotos e fitas.

Tudo havia queimado até o pó. Durante isso, o pai dele veio por trás dele e disse “Estou acabando com tudo isso agora. Estou queimando tudo então vocês não poderão entrar em mais problemas. “

Enquanto ele dizia isso, ele continuou, passou por nós e entrou pela porta dos fundos da sua garagem e voltou com uma pá. Ele adicionou: “E eu estou enterrando as cinzas para colocar isso tudo para descansar pelo bem” e começou a cavar um buraco na parte de trás do quintal, perto da floresta.

Chris me levou de volta para dentro da casa e começamos a falar de como isso era injusto. Como o pai dele pode queimar as fitas assim, do nada?! Estávamos tão perto de descobrir quem Butcherface era, etc. Então, a mãe dele nos chamou lá de cima. Subimos e ela apontou para o pai dele, pela porta, que havia parado de cavar e estava olhando para o buraco que ele cavou. Fomos para fora e cruzamos o quintal para chegar até o pai dele e vemos para o que ele estava olhando. Quando chegamos lá, percebemos o porquê de ele estar congelado ali. Era porque, metros adentro do buraco, haviam cerca de 30 esqueletos de gatos, cães e outros animais. Isso foi quando começamos a chama-lo de Butcherface.

                                                                           <Parte I | Parte III>
Continua...


19 comentários:

  1. Ótima. Espero ansiosamente a proxima parte *-*

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  2. Li a creepy toda no reddit para matar a curiosidade. Pena que não tem continuaçao, pq é muito boa. Vou imaginar um final tipo "Eu peguei o Butcherface"

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  3. Um pouco previsível mas nada que estrague a qualidade. Muito boa! essas séries causam uma dependência do cão na gente! Hauhua vou ficar ligada esperando ansiosamente a próxima parte ♡

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  4. Só eu que reparei a referencia à Chris Evans? e.e

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  5. Amei a serie mas pelo que disseram se nao tem um fim legal nao vo nem criar expectativas kk

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    1. você entendeu errado, a creepy não tem final

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    2. Ele vai pegar o carinha psicolouco la...

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  6. A história toda me lembra aquela série "Ela segurando uma laranja"

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  7. Credo se sequestrassem meu gato eu me mataria

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    1. Um gato tem nove vidas (vira-latas sete) e tu reles humano tem só uma

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  8. Barril, mas essas creepys nao tao nem dando muito medo. Da uma tensão legal, mas nao é aquele coisa muito assustadora... Acho q é pq eu ja li tanta creepy escrota q ja me acostumei, sei la. Enfim, otima historia, e to esperando pela parte 3

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  9. "esse vai ser longo" ate meu pau é mais longo isso

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    1. 10 páginas no word com arial 8 = 1 parágrafo no blogger. Leve isso em conta. Por favor. Pelamor.

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    2. VC já viu o tamanho do meu pau?

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  10. Eu também fiquei meio desesperada e corri pra ler no Reddit logo que você postou a primeira parte. Até onde eu li, a história estava ótima e apesar da base clichê o autor desenvolveu ela muito bem. Só uma coisinha: no 18° parágrafo, tem um trecho que fala de uma caixa "quente". Será que o termo não seria "rot" ou "rotten", em vez de "hot"? Rot significa mofada, apodrecida, o que creio que se encaixa melhor no caso. E no penúltimo parágrafo, o "pelo bem", "for good", meio que significa para sempre :v
    Por favor, não veja isso como uma crítica, eu não sei o que seria de mim sem as traduções do CpBr, minha intenção foi somente de um comentário amigável :3

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