20/03/16

Butcherface - Parte V

Desculpa pela demora. Esse é o resto da história (até agora). Assim como as partes anteriores, essa também será longa.

Haviam se passado dois dias após Jesse ter batido na árvore, afirmando que Butcherface estava em seu banco traseiro, que Butcherface voltou. Eu havia finalmente encontrado um emprego, e devido à insônia e uma rotina de sono toda zoada, decidi tomar sonífero, então eu poderia pegar no sono na hora certa e dormir bem para meu primeiro dia. Eu ainda não sei o que causou isso, mas eu fui acordado repentinamente às 4 da manhã. Eu fui coçar minha cabeça, passei a mão pela minha cara e senti meu braço estava grudento. Levou um segundo para perceber, que eu havia tocado minha cara e ela também estava grudenta. A primeira coisa em que eu pensei foi em um sangramento, então imediatamente acendi a luz e olhei para o meu braço. Era tinta. Meu corpo todo estava coberto por tinta. Eram múltiplas cores com linhas pretas dividindo as cores em formas pequenas e aleatórias, parecido com um vitral. Eu sempre durmo com um cobertor, mas naquela noite ele havia sido jogado para o lado, me deixando descoberto. Pulei da cama e percebi que a cama também estava coberta pela tinta. Havia também um monte de gotas no chão perto da minha cama, onde as latas de tinta aparentemente foram deixadas. 

Corri para o banheiro e olhei no espelho. A tinta estava cobrindo cada centímetro do meu corpo. E desde que eu estava usando apenas um par de cuecas naquela noite, a maioria do meu corpo estava coberta. Olhando para a minha cabeça, dividi meu cabelo, que estava emaranhado e colado à minha testa por causa da tinta, e achei o símbolo do CV pintado de vermelho escuro na minha testa.
Corri para o chuveiro para me esfregar, temendo que aquilo possuísse chumbo e me envenenasse. 

Provavelmente, envenenamento por chumbo é um medo bem estúpido, pois aquilo estava em mim por um curto período de tempo, mas eu estava enlouquecido. Após me lavar, eu fui contar para o Chris sobre o que aconteceu e encontrei a porta da frente aberta. Eram 4 da manhã, ainda estava escuro e estava começando a chover. O computador na sala de estar também estava ligado. Nenhum de nós havíamos usado aquele computador por meses. Todas as luzes estavam escuras e no computador, um documento do Word estava aberto, dando à sala um brilho branco. Fechei a porta e a tranquei, voltando para o computado, quando percebi que havia um poema escrito no documento vazio, que eu copiarei e colarei aqui.

O poço está alimentado
Encontre a chave
Na sua cabeça
Me siga

Nos meses seguintes as coisas se estagnaram. Emma e eu estávamos nos vendo mais. Nós viramos melhores amigos. Mais que isso, até. Ela é uma grande fã de filmes, como eu, e começamos a ter noites de filmes toda semana. A Ex do Chris começou a sair conosco novamente. Porém, eles ainda não estão juntos. O relacionamento deles era... complicado. Em algum ponto, eles encontraram a câmera dela atrás do criado mudo do Chris. Ele afirmou não saber como aquilo foi parar ali. Eu e Chris finalmente começamos a trabalhar na propriedade do nosso senhorio, como parte do acordo pela casa. Não era tão ruim. Algumas das casas estavam vazias e nós tínhamos as chaves, então eu achei meio divertido. Um momento obscuro durante esse tempo, foi quando o pai do Chris foi preso por dirigir bêbado.

Eu e Chris dirigimos até a Estação Policial para o soltar. Na volta para casa ele ficou se desculpando por Chris ter se mudado para a casa da família, que começou esses problemas com o Butcherface. Ele desmaiou em determinado momento, mas quando acordou, ele nos contou uma história sobre a noite em que ele estava sentado em casa, assistindo TV, quando ele começou a ouvir barulhos no porão. O porão em que Chris vivia e que agora estava vazio. Ele pegou seu rifle de caça e desceu as escadas. 

Quando ele chegou lá, ele percebeu que os barulhos estavam vindo de baixo do piso onde havíamos encontrado as fitas do Butcherface. Ele atirou duas vezes no chão. Ele então correu para fora, para o quintal, e encontrou alguns blocos de tijolo faltando da parede que levavam para o buraco em baixo do porão.

Na semana seguinte, eu, Chris e a ex dele visitamos Jesse. Emma estava muito ocupada com uns negócios familiares. Jesse tinha um sobrado descente na cidade, morando com um monte de artistas que ele costumava ir para a faculdade junto, e nós não havíamos ido ver ele ainda. Enquanto estávamos lá, e antes de irmos ver o filme que queríamos assistir, ele nos mostrou projetos de arte nos quais ele estava trabalhando. Ele havia moldado algumas máscaras do Batman (que eu achei bem legal por ser um fã do Batman), algumas esculturas aleatórias e pinturas. Eu ouvi que ele havia criado uma máscara do Bane através do rascunho e pedi para ver. Ele então tirou da sua escrivaninha e nos mostrou. Quando ele estava colocando de volta na escrivaninha, eu percebi algo marrom lá e o peguei. Era uma máscara feita de saco de pano. Ele disse que não era o que estávamos pensando. Ele havia feito a máscara, baseada na história que contamos para ele e ele fez isso só por diversão. Ele ainda levantou as mãos e disse “vocês disseram que ele não tinha alguns dedos. Olha, eu tenho todos os meus. E, eu teria que ser vinte anos mais velho”. Ele obviamente sabia que não era isso que estávamos pensando. Tínhamos medo dele ter ficado obcecado. Nós saímos sem mesmo ver o filme. 

Eu e Chris brincamos de detetives na noite de sábado e ficamos observando a casa do Jesse, mas ele nunca saía de lá.

Alguns dias depois disse, eu estava chegando do trabalho para encontrar Chris e sua ex no nosso jardim da frente. Quando eu saí do carro, a ex do Chris andou até mim, parecendo agitada, segurando algo em sua mão e dizendo “Isso é seu? “ Eu olhei para isso e percebi que era uma câmera escondida. 
Suas lentes estavam presas a um cabo que levava até uma caixa preta. Eu disse que não e perguntei onde eles haviam encontrado isso. Ela disse que ela encontrou aquilo escondido numa prateleira em baixo do suporte da TV na nossa sala de estar, e disse “Junto com essas “ e me entregou mais quatro câmeras pequenas. Entramos e procuramos por mais delas. Acabou que encontramos dezesseis delas pela casa, em closets, entre o armarinho e a geladeira, embaixo de prateleiras baixas, três delas presas embaixo da mesa da cozinha, na sombra de uma estante na minha mesa, e uma por trás da estante, apontada para meu travesseiro. Investigamos um pouco e descobrimos que aquelas câmeras apenas transmitiam seus sinais por alguns poucos metros. Ainda estávamos preocupados com a possibilidade de nossos telefones estarem grampeados ou não. Chamamos o senhorio e ele veio rapidamente. 

Perguntamos para ele se ele havia colocado as câmeras ali e ele negou firmemente e ainda disse que ele se encontraria com seu advogado, para ajudar, se encontrássemos quem havia feito aquilo. Ele ainda nos afirmou estar paranoico e que iria para casa para ver se haviam câmeras escondidas em sua casa.

Naquele final de semana, eu e Chris visitamos a ex dele em sua casa. Pedi para ela para ver as fotos que ela havia encontrado em sua câmera. Ela me entregou as fotos e eu andei para fora, para o seu jardim e comecei a folhear as fotos. Fiquei perto da entrada da garagem e parei na foto do carro dela parado na entrada da garagem. Então, passei para a foto da janela. Desci pela entrada da garagem e olhei para os dois lados e vi a mesma janela da foto à minha esquerda, descendo a estrada.  Disse a eles para entrarem no carro e dirigirem na direção daquela casa. Pegamos umas lanternas, pois não sabíamos quanto tempo ficaríamos fora e já estava tarde naquele momento. Dirigimos e continuamos dirigindo por uns 45 minutos até chegarmos à loja de maçãs vista na foto seguinte. Saímos do carro e foi então que eu os disse o que eu suspeitava. As fotos foram deixadas na câmera para nos guiar até aquela casa.

Andamos até o final da avenida. Nesse ponto, o sol já havia se posto e estava escurecendo mais rápido ainda. Com as árvores sobre nossas cabeças, estava mais escuro e estranhamente quieto. A sensação de estar sendo observado quase foi o suficiente para mim dizer “não”, dar meia volta e correr para o carro. Chegamos até a porta e percebemos um buraco para cadeados que estava na porta. O cadeado em si estava nos arbustos próximos à porta, com a tranca cortada. A ex do Chris disse que devíamos parar e ir para casa, mas eu e Chris dissemos que havíamos chegado muito longe para voltar para trás logo agora. Eu girei a maçaneta e empurrei, mas a porta parecia estar emperrada. 

Dei um empurrão e ela deslizou. A primeira coisa que percebemos é que o lugar fedia. Uma onda do pior fedor do mundo nos atingiu no momento em que a porta se abriu. Estava muito escuro, então pegamos as lanternas e entramos. Imediatamente reconhecemos as coisas das fotos. A velha cadeira de balanço do machado estava à nossa direita, mas o machado não estava lá. Vimos também o canto da sala com o telhado caído. Um gato morto estava à alguns metros da cadeira, no meio da sala. Ele estava de costas, havia sido machucado, estava com a pele revirada e com a maior parte dos órgãos desaparecidos. Cheirava mal. Estava coberto de pegadas, como se as pessoas que viviam ali estivessem andando sobre isso, como se nem se importassem dele estar ali. Na porta à direita estava a mesa que vimos nas fotos. Estava totalmente coberta com cera de velas derretidas. No mesmo canto da sala, próximo à porta atrás de nós, estava uma estante de livros. Peguei um livro aleatório e virei as páginas. As páginas estavam cheias de desenhos e escritas. O texto estava escrito por cima de outras escrituras. Uma coisa que estava rasurada ali era “Eu me tornei insano, com longos intervalos da horrível sanidade. “ Então fomos para a cozinha, que estava por atrás de uma porta atrás da mesa. 

Havia uma velha geladeira ao lado, com umas 15 facas fincadas na porta. A ex do Chris a abriu e a 
encontrou vazia, porém cheia de mofo. Um largo jarro estava na prateleira, cheio de seringas usadas. Os armários da cozinha haviam sido rasgados e deixados de lado, onde estavam preenchidos com caras, palavras e um monte de símbolos de ‘CV’.

Chris abriu a porta e encontrou um vão de escadas que levavam à um porão escuro. Andamos até lá e encontramos o porão das fotos. A foto mostrava, o que parecia ser, peles de animais penduradas no teto, mas as peles agora não estavam mais lá. O chão estava sujo, mas a sujeira parecia ter sido comprimida, como se você tivesse juntado a sujeira com jatos d’água. Havia um caminho de terra ao lado. Cavamos e encontramos as velhas câmeras de vídeo. Encontramos também celulares, gravadores de voz e canetas espiãs. Era tipo um cemitério tecnológico gigante. Continuamos vasculhando a sala. Havia uma porta na parede do fundo e andamos até ela.

A abri e fiquei chocado com o que parecia ser milhares de caras monstruosas olhando para nós. Nós três pulamos para trás e a Ex do Chris deixou escapar um grito. Quando olhamos novamente, vimos que eram apenas máscaras. Uma parede inteira coberta de máscaras de papel-cachê, como aquela que vimos Cara-Falsa usando nas fotos.

Estavam todas pintadas, cada uma com um design diferente. Pensamos em pegar uma como souvenir mas desistimos da ideia, temendo que eles dessem falta de uma delas e fossem atrás de nós a procurando. Nós então subimos as escadas e passamos da porta traseira para o quintal. Ele estava cheio de buracos cavados no chão. Nós então reconhecemos a bancada revirada vista nas fotos e então fomos até o celeiro maior. No nosso caminho, podíamos perceber de longe que havia um quintal bem extensivo por trás da fazenda, e se nós não encontrássemos nada de interessante na fazenda, checaríamos aquilo depois.

Enquanto abrimos a porta, a luz forte cegou nossos rostos, e foi como se estivéssemos andando num caso de déjà vu. O interior da fazenda imediatamente me pareceu familiar. Haviam mudanças drásticas mas reconhecemos instantaneamente a fazenda em que Butcherface havia matado o porco com um machado nas fitas originais que havíamos encontrado. Mas, como eu disse, haviam muitas mudanças. Por exemplo, luzes largas haviam sido colocadas perto do teto, iluminando levemente a sala, que tinha uma mudança drástica em comparação com os arquivos do Butcherface. No centro da sala havia uma “escultura” estranha feita de tijolos e argamassa que parecia uma grande árvore torta ou um relâmpago de cabeça para baixo. Ela ficava à cerca de 7 metros do chão, com o que eu acho que você chamaria de "vinhas " quase tocando as vigas altas acima de nós. Pendurado nas "vinhas" estava também um varal cheio de peças de antiguidade, como papéis amarelados, cada um com uma face grotesca diferente. As vigas e as paredes estavam cobertas com desenhos, pinturas e esculturas de rostos mal desenhados e símbolos aleatórios. Todos pareciam seguir um padrão, pois todos aparentavam levar para o que eu acho ser um templo, na parede oposta à porta. Uma caixa alta de madeira estava lá, coberta com rabiscos do que eu acho ser o símbolo do CV. E no topo disso, havia uma escultura de vidro soprado laranja na forma de fogo. Na frente estava uma caixa menor, sem rabiscos ou qualquer outra coisa. Eu tinha uma forte sensação de que as fotos que foram deixadas na câmera de ex do Chris eram para nos guiar para ver o que estava dentro das caixas. Estávamos lá por esse motivo. Isso se encaixava no estilo teatral do Butcherface. O que estava dentro da caixa poderia ser a “chave” mencionada no poema que eu havia encontrado no computador? Fui abrir a caixa, mas a ex do Chris então segurou minha mão e me disse para não a tocar. Ela não queria saber o que estava ali dentro. Brigamos, mas decidimos ignorar a caixa.

Mas, Chris notou outra caixa do lado dessa, nas sombras do canto da parede do fundo da sala.
Algo emitia um brilho fraco na parede oposta. Nós andamos até lá e percebemos que era um laptop. Chegando até a caixa, demos uma olhada para ver o que estava na tela e ficamos chocados com o que vimos. Era um site do Butcherface. É claro que não dizia “Butcherface” nela, desde que nós inventamos aquele nome, mas a página inteira estava coberta com aquele tipo de mídia que havíamos encontrado antes. Desenhos, escritas, fotos, vídeos. Haviam também modelos de CG das criaturas demoníacas que apareciam nos desenhos, milhares de fotos de animais mortos, e fotos de ferramentas e armas feitas em casa. Uma coisa que nos assustou foi uma série de fotos de pessoas diferentes vestindo máscaras com múltiplos designs, feitas com diferentes materiais. Uma longa faixa estava numa página sobre pessoas que precisam abrir seus olhos e dizendo que ele tinha recursos para fazer isso. Continuava dizendo que ele era um “guerreiro” lutando pelo “poço” e que ele iria obter sucesso em breve. Perto do final, ele disse algo sobre finalmente receber a “causa” do “vexillum” ou do “vexilium” (eu não consigo me lembrar) e terminou com “oh minha alegria atrasada “. Haviam comentários de pessoas dizendo que isso era brilhante e belo. Haviam muitas páginas sobre isso.

Uma coisa que nos surpreendeu foi uma foto de uma pessoa deitada com a cabeça virada para o chão, coberta em sangue, e no chão havia um braço segurando uma clava, com uma fina camada de sangue nela. A coisa estranha da clava, é que ambas extremidades tinham uma clava na ponta. Então, aparentemente ele feita para matar. Nós nunca vimos nenhuma evidência disso. Chris disse que ele nunca ouviu sobre nada disso, nem mesmo em toda sua pesquisa, e perguntou sobre que circunstâncias era necessário matar. Á propósito, eu não consigo lembrar do endereço pois eram só sequências numéricas.

Após alguns instantes, eu levantei e continuei olhando tudo pelo celeiro. Fui olhar as escrituras na parede e percebi uma rachadura no chão. Eu espiei Chris e a namorada dele e percebi o quão próximos eles pareciam estar. Eles estavam coladinhos, olhando a tela do computador, falando sobre o que viam e terminando as frases um do outro. É como se eles estivessem trabalhando juntos novamente. Eu achei isso um pouco perverso, com eles se aproximando sobre aquelas circunstâncias, na “Casa de Butcherface”. Eu limpei minha garganta para chamar a atenção deles e fui perguntar se eu estava atrapalhando alguma coisa. Nesse momento, bem na hora em que eu estava sobre a rachadura no chão, um auto CRASH ecoou por todo o celeiro, balançando as paredes e fazendo as luzes piscarem. Chris pulou, passou por mim, e bateu a porta do celeiro. Corremos até ele e perguntamos se ele havia visto alguma coisa, mas ele disse que não. Outra batida balançou o celeiro. 

Era como se alguém estivesse atirando pedregulhos contra as paredes ou algo do tipo. Outro “CRASH” atingiu a porta, a empurrando, nos atirando ao chão. Nós caímos no chão e Chris disse “Não se preocupem!  Enquanto estivermos aqui dentro estaremos bem! “ Isso foi interrompido por outra batida, e as luzes piscaram, nos deixando em uma completa escuridão.

Nós três ficamos ali, escutando. Coloquei meus braços para fora para ver se podia sentir algo. Tudo parecia bem quieto e meus olhos não conseguiam se ajustar à escuridão. Após alguns segundos de completo silêncio, a ex do Chris sussurrou “você ouviu alguma coisa? “ E fomos respondidos com um outro “CRASH” ensurdecedor! Eu tive que cobrir minhas orelhas pois foi muito alto, como se um relâmpago tivesse atingido o celeiro. Enquanto os ecos se dispersavam, Chris sussurrou para ela ficar quieta. Ficamos todos lá, não ousando sequer fazer um ruído. Estávamos em total desespero. Eu me perguntava se havia mais de uma pessoa lá fora. Foi então que eu comecei a ouvir um ruído de rachadura vindo da escuridão. Eu sussurrei “você ouviu isso? “ E o barulho então parou. Indo contra meus instintos, eu respirei fundo e disse “Olá? “ Eu não obtive resposta alguma, mas então eu comecei a ouvir uma respiração profunda da escuridão e aquilo parecia se mover. Minha mente pensou imediatamente na fresta que eu vi no chão e eu percebi que o rangido vinha daquela direção. 

Alguém havia aberto a fresta e agora estava no celeiro conosco. Com a luz da fresta em meus olhos, eu comecei a mapear a fazenda pelas minhas memórias. Eu agora sabia que a próxima pilastra ficava à nossa esquerda, e nós então devíamos sair da fazenda, pela porta atrás da gente. A “árvore de tijolos” devia estar à uns 7 metros da minha frente, bem à minha esquerda. Entendendo o layout e sabendo que não haviam obstruções em minha frente, decidi fazer meu caminho até a rachadura. Eu coloquei meus braços novamente para fora e eles atiraram um corpo.

Deixei escapar um grito, que foi “Corram! “ E segui minhas próprias instruções. Eu empurrei Chris e sua ex, fechei as portas e gritei “Andem logo! “ Vazamos de lá, passamos pela velha casa, subimos a estrada, pulamos no carro e saímos de lá. Pelo caminho, começamos a nos perguntar. Percebemos que isso era maior do que pensávamos. Nos perguntamos como ele conseguiu todos esses apetrechos. E, como ele conseguia entrar e sair de lugares fechados tão facilmente? Começamos a nos perguntar quem eram as pessoas nas fotos. Eram elas seguidoras? Ou eram membros do grupo em que Butcherface se encontrava? E se Butcherface fosse o seguidor de alguém superior? Esse grupo devia ter um nome.

Após esse ocorrido, eu queria ter algo para me relaxar. Eu reduzi tudo à um simples banho de espuma. Eu chamei Emma e pedi ela para vir naquele final de semana, isso há duas semanas atrás. Quando a semana chegou, ela veio esperando outra noite de filmes, mas eu não queria NADA que tivesse a ver com mídia alguma. Também, eu não contei para ela sobre isso. Eu tinha outros planos em mente. Então, como o sol estava se pondo, fomos de carro e dirigimos pela estrada de terra que descobrimos na parte 4. Fomos até a construção que havíamos descoberto. Eu havia achado muito interessante e queria ir de volta. Eu nunca tive tempo ou razão para fazer isso. Estacionei bem em frente da construção e tirei um cobertor da parte traseira. Entramos. Levei ela até o segundo andar e mostrei para ela o buraco no teto. Nos deitamos e ficamos conversando, observando as estrelas. Conversamos por mais ou menos três horas. Após alguns instantes, uma luz surgiu do lado de fora. 

Levantei e olhei por um buraco. Eu podia ver o suficiente para perceber que os ruídos vinham da estrada de terra. Então, um velho e enferrujado caminhão saiu das árvores, revelando a fonte do barulho. Ele parou bem atrás do meu carro e alguém saiu do banco do motorista. Estava bem escuro nesse ponto para fazer eles aparecerem. Eram apenas uma silhueta escura. A figura então foi até meu carro e começou a olhar pelas janelas. Eu não disse “espionar pelas janelas”, pois eles estavam se apoiando contra o carro, espiando o carro. A pessoa então tentou abrir o lado do motorista. Eu gritei “hey! “ E a sombra escura olhou diretamente para mim, e mantendo o olhar em mim, tirou algo do bolso e esmagou a janela.

Por instinto eu pulei do carro e corri pelas escadas, com Emma me seguindo. Chegando lá fora, corri até ele gritando “Que merda é essa que você está fazendo com meu carro?! “ Ele agiu, mas agiu como eu nunca imaginei. Ele começou a correr até mim em alta velocidade. Ele segurava o objeto em sua mão, sobre sua cabeça, e começou a emitir um grunhido muito alto. Enquanto ele continuava a ir para cima de mim, eu comecei a ter uma ideia melhor do que ele era. Ainda estava muito escuro e ele parecia uma figura negra, mas então eu pude ver sua silhueta e percebi que ele estava usando uma máscara. Eu imediatamente freei, girei e comecei a correr na direção oposta. Segurei Emma e nós corremos em volta da velha construção, onde estávamos anteriormente e fomos até a floresta, na direção de nossa casa. Haviam estrelas suficientes para ver para onde estávamos indo. Olhei para trás, mas não podia ver se ele ainda estava atrás de nós, até por quê haviam muitas árvores atrás de nós e além disso, o som de nossa correria e respiração afobada tiraram todas as chances de ouvir os rugidos altos que ele fazia. Incrivelmente, chegamos até nosso quintal e corremos para o quintal, que dava para o porão. Puxei a porta, deixei Emma entrar e pulei atrás dela. Acionei o interruptor perto da porta, querendo me desviar do lixo daquele lugar, e fiquei horrorizado pelo que eu vi. O lixo havia sido atirado contra as paredes e parte dele estava agrupado em posições estranhas. Um punhado de latas de tinta que eram das mesmas cores que estavam em mim quase quatro meses atrás, estavam alinhadas no chão próximo às escadas. Uma pilha de lixo reciclável foi criada na parede do fundo, com a impressão de que alguém esteve deitado ali. Butcherface estava morando em nosso porão.

Tranquei a porta, corri pelas escadas e chamei Chris. A namorada dele estava lá também. Ela aparentemente chegou após eu e Emma sairmos. Eu levei eles pelas escadas e perguntei eles se haviam feito isso. Ele olhou chocado e disse que ele só esteve lá uma vez, comigo, e que não havia tocado em nada. Eu disse ele o que havia ocorrido na velha construção e ele me ajudou a colocar um monte de estantes na frente da porta trancada, só para garantir. Emma perguntou se devíamos chamar a polícia. Eu disse a ela que eles não ajudariam. Subimos as escadas e mantemos nossos olhos na janela que dava para o nosso quintal. Emma estava puta e perguntou que diabos estava acontecendo. Eu e Chris contamos toda a história das fitas do Butcherface no porão da casa dos pais dele. A expressão dela se transformou em choque quando descrevemos o conteúdo das fitas e ela lentamente começou se afundar na cadeira enquanto contávamos a história. Ela ficou em silêncio por um momento, encarando o chão, parecendo estar pensando em algo. Ela então lentamente olhou para cima e apreensivamente perguntou “Esse homem dos vídeos... Ele não tinha dois dedos? “

Eu e Chris congelamos por um momento. Como ela podia saber daquilo? Ela então descreveu como, alguns anos atrás, um amigo dela havia mostrado um DVD no exato mesmo formato em que descrevemos. Esse amigo então havia se mudado para o Colorado. Nós percebemos então que era um dos DVD’s que o irmão do Chris havia copiado no colégio. Quais eram as chances de eu me envolver com alguém que já havia visto as fitas do Butcherface? Eu perguntei para ela quantas vezes ela havia assistido. Ela afirmou que foram mais de seis vezes. Quando perguntamos para ela onde o amigo dela havia conseguido o DVD, ela disse não fazer ideia. A próxima pergunta foi se ela presenciou alguma ocorrência estranha após ver os DVD’s. A única coisa que ela conseguiu dizer foi “Isso é complicado”.

A conversa então mudou para o porquê de ele estar nos seguindo. Eu levei em conta que Butcherface nunca pareceu deixar a família do Chris em paz, mesmo após o incidente da cabana. Ele levou na defensiva e perguntou se eu estava insinuando alguma coisa. Ele mesmo teve que admitir que ele era obcecado com Butcherface antes da cabana. Eu perguntei como Butcherface podia entrar e sair da nossa casa, em tão pouco tempo. Ele gritou “POR QUÊ ELE ESTÁ MORANDO EM NOSSO PORÃO! VOCÊ MESMO VIU ISSO! “ A ex dele levantou a hipótese de que era Jesse quem havia ficado obcecado e Butcherface estava seguindo ele esse tempo todo. Ela levantou um bom ponto, que não tivemos nenhuma ocorrência estranha após Jesse bater em nossa árvore, afirmando que Butcherface estava em seu banco traseiro. Após Jesse levar ele até aqui, consciente ou inconscientemente. O problema é que nós só trouxemos Jesse aqui poucas vezes após o incidente da cabana e ele estava ausente quando Butcherface estava atormentando a família do Chris, e quando a ex do Chris encontrou as fotos em sua câmera. E após a batida do carro, Jesse não tinha dinheiro suficiente para consertá-lo ou comprar um novo. Ele não esteve por aqui por meses. Então, mesmo se Jesse trouxe ele aqui, por quê Butcherface iria abandonar um bom discípulo e vir atormentar a gente? 
A menos que ele tenha um discípulo em potencial aqui também.

Eu também perguntei como Butcherface sabia onde me encontrar com a Emma, na velha construção. Chris afirmou não saber. Eu então lembrei o fato de Chris ser o único a investigar a casa de Butcherface. Ele então parou por um segundo, com os olhos fixos em mim e disse “Não! Foi você! Você foi quem pediu pela câmera e disse para pularmos no carro e irmos olhar naquela casa! E, mesmo se você acreditasse que aquelas fotos foram feitas para nos levar até lá, você ainda queria entrar! Também foi sua ideia stalkear Jesse, que é bem o tipo de coisa que Butcherface faz. Eu lutei contra a tentação, se lembra?! Naquela noite na floresta! Eu queimei toda a mídia e evidências que eu tinha e gritei para ele pela porta. Desde então, eu venho levando. Essa é uma parte da minha vida que eu não quero de volta! E, eu não sou um idiota “Dash32”. Eu fui na internet. Eu achei a trilogia de histórias que você escreveu, contanto o que havia acontecido conosco. Então, você encorajou as pessoas a escrever suas próprias histórias do Butcherface. Então, se tem uma pessoa aqui que é obcecada e está espalhando a mídia do Butcherface, essa pessoa é você! “

Eu congelei por um segundo. Eu sabia que aquilo estava errado. Eu apenas não podia imaginar um jeito de provar isso. Essa nova série de eventos jogou o que pensávamos saber sobre o Butcherface pela janela. Eu não estou obcecado, eu apenas quero desmascarar a verdade sobre Butcherface. Quem eram as outras pessoas que vimos nas fotos da câmera da ex do Chris? O que Butcherface quer? Ele está mesmo tentando recrutar pessoas? Por quê? Por que ele se importa tanto com sua mídia? Estaria ele tentando nos dizer algo? Há algum significado escondido naquelas imagens? Algum tipo de mensagens subliminares? Ele é completamente louco? Estaria ele trabalhando para alguém?

Talvez ele tenha algum tipo de propósito superior que ainda não entendemos. Talvez ele precise de ajuda e esse seja o porquê de ele estar recrutando discípulos. Eu não sei o porquê de ter digitado isso tudo. Eu me sinto realizado. Realizado por ter minha apresentação, minha história, bem aqui para todo mundo ver.

                                                      <Parte IV | Parte VI>

Continua...


16 comentários:

  1. A verdade é que todos nós somos o Butcher Head.

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  2. Todos que acompanham a série, assim como eu, provavelmente também estão obscecados e são possíveis discípulos... O.O

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  3. É só o Cicada 3301 recrutando membros de um jeito crazy

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  4. Droga, o cara n ta escrevendo isso depois de td ter acabado, vai ser tipo o bagulho da laranja, pra parecer real, nehuma verdade sera revelada

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  5. Quem eram as outras pessoas que vimos nas fotos da câmera da ex do Chris? O que Butcherface quer? Ele está mesmo tentando recrutar pessoas? Por quê? Por que ele se importa tanto com sua mídia? Estaria ele tentando nos dizer algo? Há algum significado escondido naquelas imagens? Algum tipo de mensagens subliminares? Ele é completamente louco? Estaria ele trabalhando para alguém?
    . . . Sexta no globo repórter

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    1. Poucos viram, mas tinha também "E o vestido? É branco e dourado ou azul e preto?"

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  6. Gente eu vou ficar extremamente puta se ele n terminar essa historia direito, esse cara eh totalmente maluco eh coisa de loko eu adorey

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    1. Eu vou ficar extremamente puto se ele não terminar essa história

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  7. nd como deixar Romero Britto usar seu corpo como tela

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  8. Essa é a última parte publicada?
    Ele levou 4 anos pra postar a II depois que postou a I, não? Ainda há esperança :v

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    1. Já é um ritual pedir pela parte VIII pelo chat e pelo email.

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  9. Imagina aí https://www.youtube.com/watch?v=3-gmTqHUqAc

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