27/04/16

Não tenha medo

Geralmente as pessoas não entendem o que um lar realmente é. Eles veem como um lugar estático, uma casa ou um apartamento. É um engano comum. Quatro paredes não proporcionam segurança absoluta das coisas que vagam a noite. A proteção que os lares nos dão não é baseado na estrutura de propriedades ou barreiras físicas, mas em sentimentos. Se você achar que está seguro, estará seguro. E se não achar? 

Pense em dois cenários diferentes. 

No primeiro você está deitado(a) confortavelmente em sua cama. Seus pais estão dormindo no quarto que fica logo no final do corredor. Talvez você tenha algum irmão ou irmã por perto. Seu amável animalzinho de estimação dorme calmamente ao seu lado. Se você gritar pedindo socorro, seu pai virá correndo imediatamente, nas mãos um taco de beisebol.

No segundo, você está em casa sem ninguém, deitado(a) na cama, no escuro. Se gritar, ninguém virá correndo para te ajudar. Talvez consiga contatar a polícia com seu celular, mas eles ainda demorariam quinze minutos para chegar em sua casa e, sendo assim, quinze minutos tarde demais.

Se você achar que está seguro, terá um efeito protetor. É como se isso criasse um escudo ou bolha em volta de você. Não sei exatamente como funciona, mas talvez as coisas que ficam a nossa espreita não gostem de positividade. Se você se sentir seguro com seus amigos em casa, estarão todos são e salvo. Pode até se sentir seguro enquanto volta para casa bêbado e cambaleando, o que é obviamente perigoso, mas estará protegido. Talvez você não contra predadores humanos. Quando lidamos com pessoas, que podem caçar até na luz do dia, precaução é essencial. Mas há coisas que não entendemos muito bem que são atraídas pelo medo. Para eles, isso é um convite. Uma porta aberta.

Para explicar melhor, vou contar a história de quando o meu escudo falhou.

Me lembro vividamente, foi em Outubro do ano passado. Foi o primeiro ano que eu começaria a estudar com um grupo de pessoas totalmente diferente do que eu estava acostumada. Uma conhecida minha me convidou para a festa de 21 anos de um amigo dela em um bar com Karaokê. Cheguei no local por volta das 22 horas, ficava a quarenta minutos de casa. Não consegui reconhecer ninguém quando entrei. A conhecida me deixou de lado, e passei mais ou menos uma hora e meia tentando me enturmar. O grupo de amigos estava rindo e bebendo, enquanto eu ficava meio de fora. Fiquei constrangida e um tanto triste, então decidi ir embora mais cedo.

Comecei a dirigir para casa e duas coisas aconteceram: Primeiro, fiquei ouvindo músicas deprimentes, o que me deixou mentalmente solitária. Segundo, notei que estava ficando sem gasolina.

Eu sabia que ainda tinha bastante estrada pela frente, então decidi fazer uma parada. Estacionei em um posto de gasolina que estava sem movimento nenum, apenas com um funcionário limpando as máquinas de café dentro da lojinha. Era perto de um rio e de costas para três acres de bosques Sai do carro e comecei o processo de encher o tanque. Nesse momento, lembrei de uma história que minha mãe havia me contado, que uma ex-colega de trabalho havia contado para ela. O marido dessa mulher havia sido assassinado com disparos de arma de fogo enquanto enchia sozinho o tanque do seu carro durante a noite. Me senti isolada, sem amigos ou parentes. Fiquei insegura.

Terminei de abastecer. Eu estava tremula e cansada, então entrei na lojinha para comprar uma Coca-Cola e uma barra de chocolate. Não lembro de ter trocado uma palavra com o atendente, estava tão perdida em meus pensamentos. Saí para rua e tinha um homem parado perto do meu carro, olhando para dentro do veículo pelas janelas.

Senti o sangue em minhas veias congelando quando o vi. Pensei no tiroteio. Imprudente, enterrei dentro de mim o mal pressentimento. "Posso ajudar?" Perguntei.

Ele se virou e olhou em minha direção. Em termo de aparência, parecia um cara bem normal. Quase que familiar. Usava roupas que você espera ver em um esteriótipo de lenhador; calças jeans, camisa xadrez, esse tipo de coisa. Se fosse em qualquer outro contexto, talvez eu o achasse atraente. Sorriu para mim. "Você está sozinha." Era uma afirmação, não uma pergunta. Falou em um tom de voz quase sedutor, tipo quando você está tentando convencer um gato de sair de debaixo da cama para levá-lo ao veterinário.

"Não, meu namorado está na loja." Menti. "Estou esperando ele sair do trabalho".

"Sair do trabalho" o cara falou, com o mesmo tom de voz. Por um segundo, seus olhos reviraram para trás,como se estivesse em sono REM. "Você está o esperando?"

"Sim." respondi.

Deu um passo em minha direção. Notei como os braços deles eram longos comparados ao resto do corpo. Pareciam até passar dos joelhos.

"Ele está ali dentro", repeti.

"Você está sozinha," o homem disse, com uma leve risada. Seus olhos estavam grudados nos meus. Ele não estava me olhando como uma pessoa normal olha para outra. Não consigo descrever exatamente como era. Não era raiva, nem mesmo luxúria. Era de uma fome descomunal. Como se estivesse passando fome a muito tempo. O rosto estava muito angular, muito longo.

"Não estou sozinha. Sai de perto de mim!" Falei, minha voz não passou de um guincho. Não soou tão imperativa quanto eu esperava.

O homem começou a franzir seu cenho de um jeito que o fez parecer um personagem de desenho animado. Era como se os olhos se alongassem junto da face... é difícil de explicar. "Sai de peeeeeeertoo...", disse, como se a voz estivesse em slow motion. Na verdade ouvi duas vozes, como se tivesse dois dele, mas a outra parecia estar sussurrando no meu ouvido.

Eu fiz o que acho que qualquer um faria. Derrubei tudo no chão, virei de costas e corri direto para dentro da lojinha. Gritei para o atendente, "Ligue para a polícia agora, por favor, tem um cara lá fora me assediando!"  

O atendente e eu nos viramos e olhamos em direção do me carro. O cara ainda estava lá. Acenou para mim, o rosto ainda daquele jeito. Meu coração começou a martelar no meu peito quando ele começou a se mover. Ainda me olhando direto nos olhos, esticou seu braço horrivelmente longo e abriu a porta do meu carro. Entrou no banco traseiro e ficou com as pernas dobradas para cima, como se fosse uma criancinha querendo um passeio de carro.

"Ligue para a polícia," pedi novamente.

"Eles não vão vir." O atendente suspirou. "Eles não podem te ajudar, mesmo se viessem."

"Por que não?"

"Eles não podem." O atendente andou até a janela da loja, olhando para o carro. A coisa olhou de volta para ele. Consegui ver um misto de ódio e ressentimento em sua expressão. "Eles não virão e não poderão te ajudar."

"Então o que eu faço?"

Ele se virou para mim. "Você está sozinha?"

Eu hesitei. "Sim."

"Não faça mais isso. Nunca mais. Eles virão. São como tubarões que se atraem com o sangue na água."

"O que ele quer?"

O atendente desviou os olhos de mim. "Não saia mais sozinha. E se sair, sinta-se segura. Saiba que está segura. Isso é tudo que pode fazer."

Olhei de volta para o meu carro. A porta estava aberta. Não havia sinal do homem.

"Você está segura?" o atendente me perguntou.

"Essas portas estão trancadas?" Perguntei de volta. Imaginei o homem invadindo a lojinha. Imaginei aqueles braços longos me envolvendo e –

"Você está segura?" o atendente perguntou novamente.

Desta vez não me arrepiei de medo. Respirei fundo e me desprendi de todo medo e solidão que sentia. Já sabia o que responder. Foi como se uma luz se acendesse dentro de mim. "Sim."

"Que bom."

Naquela noite andei até meu carro com a certeza que estava segura. Existem poucas coisas nas quais posso ter certeza, mas aquela era uma delas. Enquanto eu arrancava dali, o homem alto foi iluminado pelos meus faróis, ainda com aquela cara de personagem animado. Em cada esquina que eu virava, em cada sinaleira que eu passava, ele estava lá. Também estava na minha garagem quando cheguei em casa, ainda me seguindo, ainda esperando.

Mas não tenho medo.

Você tem?

FONTE


29 comentários:

  1. Bem legal mas meio... Sla meio chata sabe? 7/10

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  2. Se fosse comigo eu furava ele de bala

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  3. Ele só queria fazer companhia pra ela, poxa ; ^ ; dhejwmsjsisjsjs
    Ótima creepy

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  4. Divina, você já viu o blog Brasil Creepypasta? (Brasil creepypasta.blogspot.com)Serio,deveriam mudar a definição de plágio após ver esse blog...

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  5. Ler isso quase as três da manhã não é a melhor coisa...

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  6. Divina , ótima Creepy.
    Vi um menino dizendo ali em cima wie plagiaram o site.Nossa que ruim :/
    Enfim,Amei a Creepy !

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  7. Divina , ótima Creepy.
    Vi um menino dizendo ali em cima wie plagiaram o site.Nossa que ruim :/
    Enfim,Amei a Creepy !

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  8. Gostei da Creepypasta, bem envolvente.

    Gosta de Terror, Criptozoologia e Videos Perdidos? Acesse meu canal e se seja um sentinela da noite.Criticas são bem vindas. https://www.youtube.com/channel/UCXj2bS7-Lvwrx1A8ZJrV6vw.

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  9. Só queria passar pra parabenizar a divina e o tiago, a uns meses atrás esse site tava completamente parado, com 1 creepy por semana, no máximo duas, e de repente essa mudança extrema, creepys quase todos os dias, e principalmente creepys de qualidade, da pra ver o empenho que eles tão dando pra manter isso aqui, pastas com creepys preparadas pra serem traduzidas, isso leva tempo, só queria dar os parabéns mesmo, pouquissima gente teria tanto empenho assim, se houvesse um jeito de ajudar o site financeiramente com certeza eu faria algo, esse site mudou da água pro vinho nos últimos meses, só agradeço a divina, tiago, e aos outros tradutores aqui do site.

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  10. Eu sempre acreditei muito nessa teoria. Quando você se sente seguro ou protegido é como se criasse uma espécie de escudo ao seu redor, até hoje quando eu sinto medo de algo isso é muito eficaz. Muito boa essa creepy.

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  11. Tudo loucura da cabeça da mulher.
    Tem que parar de usar droga nas festinha que vai.
    Um amigo meu uma vez viu dezenas de pessoas num milharal, numa noite escura em que voltava pela rodovia de carro, após usar drogas numa festa rave.

    Estavamos numa galera dentro do carro.
    Não havia pessoa nenhuma, nem milharal.
    Era uma plantação de soja.

    AQUELE DIA FOI LOKO

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  12. A creepy é boa até o momento em que ela termina de falar com o atendente, dps soa forçada. Um fim ruim pra uma creepy até boa.

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  13. Depois de estar em relação com o meu amante por cinco anos, ele terminou comigo, e eu fiz todo o possível para trazê-lo de volta, mas tudo foi em vão, eu o queria de volta tanto por causa do amor que tenho por ele, eu implorei a ele com tudo, fiz promessas, mas ele recusou. mas um dia eu expliquei o meu problema com alguém on-line e ela sugeriu que eu deveria antes entrar em contato com um lançador de magias que poderia me ajudar a lançar um feitiço para trazê-lo de volta, mas eu sou o tipo que nunca acreditou no amor feitiço, eu não tinha escolha a não ser experimentá-lo, eu enviei o lançador de magias, e ele me disse que não havia problema que tudo ficará bem antes de três dias, que o meu ex vai voltar para mim antes de três dias, ele me disse tudo que eu preciso para fornecer para lançar o feitiço, e surpreendentemente, no segundo dia, foi cerca de 4h. Meu ex me chamou, eu estava tão surpreso, eu respondeu à chamada e tudo que ele disse foi que ele estava tão triste por tudo o que aconteceu, que ele queria que eu voltasse para ele, que ele me ama tanto. Eu estava tão feliz e foi até ele, foi assim que começaram a viver juntos e felizes novamente. Desde então, fiz promessa de que qualquer um que eu sei que tem um problema de relacionamento, gostaria de ser de ajuda para tal pessoa, referindo-se a ele ou ela para o único lançador de magias real e poderoso que me ajudou com o meu próprio problema e que é diferente do todos os falsos lá fora. Qualquer um poderia precisar da ajuda do lançador de magias, seu e-mail: dregbosolutioncenter@gmail.com você pode enviar-lhe se você precisa de sua ajuda em seu relacionamento ou qualquer coisa.

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  14. Ainda bem que na maioria das vezes eu não tenho medo.

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  15. Legal é eu estar lendo, me sentindo super seguro por ouvir meu pai dormindo aqui perto, roncando... E ai começa a chover do nada e não pude mais ouvir nada, dai bateu aquele cagaço.

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  16. Legal é eu estar lendo, me sentindo super seguro por ouvir meu pai dormindo aqui perto, roncando... E ai começa a chover do nada e não pude mais ouvir nada, dai bateu aquele cagaço.

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  17. gostei bastante da creepy, achei bem realista pois as vezes a gente se sente insegura e parece que é isso que atraem coisas ruins! Positividade sempre!

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