30/05/16

O Plano de Butcherface


Mais nada aconteceu no resto daquela semana. No final de semana, eu fui assistir filmes com alguns amigos, incluindo Alan e Claire. Depois, fomos para o Shopping, jantar. Os estranhos acontecimentos anteriores daquela semana nem foram lembrados, de fato. Mas, do nada, uma garota que parecia estar no fim de sua adolescência passou por nós, me encarando enquanto passava. Ela era muito pequena e muito magra. Não ao nível anoréxico, mas muito magra mesmo. Eu então fui ao banheiro. Enquanto eu descia pelo corredor deserto até o banheiro masculino, a menina saiu do banheiro unissex com as costas viradas para mim. Ela virou seus olhos, os fixando em mim, e ela não parava de me encarar. Notei os olhos dela rápido assim por que eles estavam cercados de manchas escuras como se alguém tivesse batido nela. Eles tinham tons de preto e azul profundos com amarelo nas bordas. Lágrimas escorriam por suas bochechas. Ela não tinha aqueles ferimentos quando passou por nossa mesa anteriormente. Enquanto passava por mim com seus olhos ainda fixos em mim, ela segurou meu braço e me puxou para perto. Ela parecia estar cambaleando e eu a segurei, achando que ela estava desmaiando. Mas ao invés disso, ela se apoiou nervosamente e sussurrou no meu ouvido “Pare de ler”. Ela então soltou meu braço e saiu andando sem olhar para trás. Quando ela saiu de vista, eu espiei o banheiro unissex para ver se a pessoa que havia batido nela estava ali, mas estava vazio. A única explicação que eu tenho é que ela fez aquilo com ela mesma.

Naquela segunda, voltei para o trabalho. Eu havia levado meu laptop pessoal comigo na minha mochila para um amigo do suporte técnico dar uma olhada. Mais tarde naquele dia, decidi checar meu e-mail, mas ele não aceitava minha senha. Eu não havia mudado de senha por anos. Eu não tinha motivo para trancar minha conta. Frustrado, decidi ir para o banheiro. Após gastar meu tempo no banheiro e lendo mais sobre Butcherface no meu celular, acabei o que eu tinha que fazer e parei em frente à pia. Eu havia me olhado no espelho, quando tudo ficou escuro. Eu podia ouvir vozes de surpresa e desconforto pelo banheiro. As luzes haviam se apagado e eu não conseguia ver dois palmos à frente da minha cara nem se eu quisesse. Fui até a porta e cheguei ao corredor. Eu ainda não via nada. Todos estavam bem nervosos.

As pessoas estavam se perguntando se tudo estava ok, outros perguntando se teriam de voltar para casa. Uma pessoa perto de mim perguntou o porquê das luzes de emergência não serem adicionadas e essa era uma boa pergunta. Um clarão vermelho acompanhado por um click então surgiu da escuridão do meio da sala, dando uma imagem de meio segundo dos trabalhadores e de mim em tons avermelhados. Outro clarão iluminou a sala novamente. Dessa vez, era mais perto de mim. Um terceiro clarão explodiu bem na minha frente, me cegando. Me encostei na parede, esfregando meus olhos e piscando até as minhas vistas voltarem ao normal, bem na hora de ver outro clarão no corredor atrás de mim, como se seja lá o que fosse, tivesse passado por mim e continuado. Um brilho laranja então apareceu do outro lado da sala. Eu instintivamente comecei a andar em direção contrária à ele, fazendo meu caminho e passando por pessoas que estavam ali. Um grito então surgiu de sua direção, e alguém gritou “Fogo! Fogo! “ Enquanto eu começava a correr pelo resto do caminho e ver que o fogo vinha da minha repartição. Cheguei e encontrei meu notebook aberto no meio da minha mesa e mergulhado em chamas. John, um dos meus colegas de trabalho, chegou por trás com um extintor de incêndio e apagou o fogo.

Desde que eles não podiam imaginar o que estava de errado com a eletricidade, ´fomos liberados para ir para casa (como nota, eu eventualmente levei a culpa pelo fogo, mas haviam evidências óbvias de que não fui eu, como por exemplo, uma filmagem minha entrando no banheiro. Eles disseram que um acelerante havia sido jogado no meu laptop antes de pegar fogo. Essa era a evidência do incêndio culposo). Quando cheguei em casa, recebi uma chamada do Alan, afirmando ter visto as pessoas saindo do prédio pela sua janela do escritório. Eu contei para ele o que havia acontecido e ele me disse para não ler mais as histórias do Butcherface. Eu disse a ele que duvidava que houvesse uma conexão entre isso tudo, que eram apenas coincidências. Ele me disse para me cuidar e disse que ia voltar ao trabalho. Eu disse adeus, desliguei, e voltei para o Reddit logado como Dash, onde eu vi que ele tinha uma nova mensagem de um membro chamado “The_Disciple”, que era uma conta velha sem posts ou mensagens. Eu pensei que o nome dava muito na cara, mas eu li a mensagem. Ela dizia...

“Aberto a mim: Como as memórias para a eternidade – que foi quando eles enterraram as memórias que eles primeiro ensanguentaram...”
A mensagem havia sido enviada no mesmo período de tempo em que a energia foi cortada no meu escritório. Parecia uma mensagem aleatória, mas algo ficou preso em mim, a frase “memórias para a eternidade”. Soou familiar para mim. Demorou um pouco para eu me lembrar de onde era, mas eu acabei me lembrando. Era o slogan de uma creche que eu passei minha infância. Minha mãe me deixava lá quando eu ainda era novo demais para a escola. Por causa disso eu não sei mais o que fazer. Aquele lugar foi fechado. O que mais eu posso fazer?

Após uma semana e meia e nada acontecer, mergulhei no resto das histórias do Dash. Então eu percebi que eu não tinha falado nada com o Alan. Tentei enviar textos, e-mails, mas nada adiantava.

 Um dia, esperei do lado de fora do escritório dele para ver ele saindo, mas ele não saiu. No dia seguinte, passei na casa dele após o trabalho, mas ele nunca saiu. As luzes estavam acesas e eu bati na porta, mas ele não atendeu. Gritei que eu sabia que ele estava em casa e que era para ele falar comigo. Então eu ouvi algum movimento lá dentro e lá estava Alan. Ele parecia cansado, mas bem nervoso. Perguntei para ele o porquê ele estava fugindo de mim. Ele apenas disse que ele não podia. Ele perguntou se me pedir para não ler as histórias do Butcherface me fez querer ler mais ainda. Eu admiti que isso talvez fosse verdade e seus olhos ficaram cheios de raiva enquanto ele dava um sorrisinho de canto de boca dizendo “Você nunca escuta, né? ”. Ele parou e tentou fechar a porta. Eu parei ele e fui perguntar o que estava acontecendo, mas ele me interrompeu e disse “Você não está sozinho” e então me empurrou pela porta e a fechou com uma batida violenta.

Após esse encontro com Alan, eu não sabia mais o que fazer. Então, sexta-feira passada, tirei o dia de folga e decidi ir para minha cidade visitar a creche. Garanti que fosse durante o dia. Não tinha interesse algum em investigar aquele lugar à noite. Também, por que Dash e seus amigos sempre investigavam aqueles tipos de lugar pela noite? Não era muito prático. Todavia, cheguei na creche ao entardecer. Eu esperava que alguém tivesse comprado aquilo e transformado em uma casa ou algo do tipo, mas ainda estava tudo em pé. Ficava numa área rural e não tinha vizinhança, apenas floresta.

Eu passei por um monte de placas de cerca que circulavam o playground da creche e entrei. Fiz meu caminho até a porta, onde fui parar perto de uma janela. Peguei uma pedra na estrada, antes de pular a cerca, esperando ter de quebrar alguma janela, mas encontrei uma que já estava quebrada.
Eu havia levado uma lanterna, mas o sol passando pelas janelas de trás da construção iluminavam muito bem. Estava mais vazia e empoeirada do que eu me lembrava, mas as memórias ainda fluíam. Eu me lembrei então, de um “eu criança” fazendo perus de papel usando o contorno da minha mão para o Dia de Ação de Graças em um canto da sala. Havia uma mesa e algumas cadeiras empilhadas na parede distante e eu comecei a minha pesquisa ali. Olhando direto para a mobília, andei rente ao mural de pinturas, analisando todas.  Quase na metade do caminho encontrei um símbolo CV do tamanho de uma moeda esculpida no fundo de uma das mesas. Continuei minha pesquisa e perto do fim, encontrei uma porta escondida atrás da pilha de mesas. Eu tentei lentamente tirar a mesa do fundo das carteiras, mas fiz a pilha perder o equilíbrio e toda aquela madeira pesada cair no chão. O som estava ecoando na sala do lado, mas a porta agora estava exposta. Eu não me lembrava da porta, mas provavelmente era porquê eu nunca havia entrado nela enquanto criança. Eu a empurrei. Era surpreendentemente pesada, mas eu fiz ela se abrir e encontrei uma escadaria levando ao porão. Eu tirei minha lanterna e fiz meu caminho até lá. Estava muito escuro e a lanterna mal chegava até lá. O chão era feito de cimento, mas tinha uma camada de terra. Na terra, estavam milhares de pedaços de CD’s velhos e quebrados e um monte de papel rasgado no canto mais distante. Estava ensopado e amassado como se estivesse ali por pouco tempo. Talvez seja essa a grande reviravolta.

Eu sei que vocês devem estar esperando uma reviravolta no clímax, mas é isso. Isso é tudo que eu encontrei. Eu sei que Dash disse que devemos ficar longe das coisas dele, mas eu quero saber o que está acontecendo, então, alguém aí consegue rastrear o site do Butcherface que eu vi? E as mensagens que ainda não foram decifradas? Eu não estou assustado ou obcecado. Mas eu já perdi meu sono procurando isso. Essa série de eventos vieram do nada e me deixaram curioso. Está tudo em minha mente e eu só quero entender.
Continua...

PS: Postarei a última parte nessa quarta.


23 comentários:

  1. AI MEU DEUS N TO CRENDO NO Q TO VENDO
    VOU LER

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  2. mais um episódio sensacional, pqp, o autor dessa série eh definitivamente MUITO BOM
    alias, esse trecho me resume qnd estou lendo várias creepys: " Também, por que Dash e seus amigos sempre investigavam aqueles tipos de lugar pela noite? " PQ SMP DE NOITE??? GENTE, TENHAM SENSO!

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  3. Ah, posso demorar para postar na quarta, pq vou tentar traduzir os códigos do Butchinho :)
    (Tipo, deixar a criptografia traduzida, mas sem descriptografar)

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  4. Tenho um grupo de terror e creepypastas no Whatsapp. Está começando agora e prometo ser só sobre terror e creepypastas. Interessados me chamem no Whats: 91982407111.

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  5. O site do Butcherface é aquele trevoso, MRfriend123 '-'

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  6. Qnd vejo que eh uma creepy sobre o Butcherface sinto um arrepio na espinha!

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  7. Galera, Ubloo acabou?Era tão legal.

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  8. É, gente. O poço é mais fundo do que eu pensava.

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    1. Falou igual meu amigo... Sempre fala, aliás. Butcherface só me lembra Anticristo.

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  9. Não sei se é só aqui maaas... quando clico naquele ponto de interrogação do link do lado de "O Mistério sobre Butcherface" aparece uma imagem da capa do filme Jumanji. Como assim? Alguém pode me dizer que tacon seno?

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    1. isso tbm acontece cmg, sla pq, teve ter algo relacionado com o butcher, a propósito, tem uma creepy (acho que é creepy) muito parecida, que eu tou tipo OBCECADO, kkkkks, a do código morse, eu já procurei tudo que tinha, caí nuns videos meio estranhos mo youtube, de um canal chamado code 23179. Os "subjects" assisti todos, traduzi todas as descrições usando a tabela ASCII, mas parece que não chego a lugar nenhum, não encontrei nenhum endereço HTML escaneando o QR code na foto de perfil do canal. Mas enfim, se alguém quiser me ajudar a procurar mais sobre essa creepy, estou disposto a ir até o fim.
      Contato:
      silvio-yuri.marin@serpro.gov.br

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