31/05/16

Preciso de Alguém para Matar meu Bebê - Experiência Comprovada Não Necessária

Essa história pertence a uma pequena série que até o momento conta com 4 contos sobre anúncios bizarros. Esse é o quarto conto e provavelmente o último.
(os links estão fora de ar temporariamente, mas logo estarão disponíveis) 
Para ler o primeiro, CLIQUE AQUI
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Para ler o terceiro, CLIQUE AQUI.

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Vou admitir, acho que meu chefe está começando a suspeitar de mim. Depois do anúncio da criança, do sangue e do quarto, está ficando fácil para os meus superiores rastrearem quem exatamente está vazando esses classificados. Se eu quiser manter o meu emprego, terei que sumir por  um tempo, mas antes de eu fazer esse breve hiato, decidi mostrar para vocês o que é, na minha humilde opinião, o anúncio mais perturbador que já excluí.

Estava intitulado como, "Preciso de Alguém para Matar meu Bebê - Experiência Comprovada Não Necessária". Estava junto do texto que lhes apresento aqui hoje, junto de algumas fotos de baixíssima qualidade de um bebê. Foi postada na seção de "Encontros Casuais" e foi excluída por causa de um potencial caso de abuso infantil e todos os outros detalhes foram entregues a polícia.

Pelo o que eu sei, o caso inspirado por essa postagem ainda está em aberto.

***


Meu bebê não é meu. Todo mundo diz que ele se parece comigo, mas não consigo entender. Eles não carregaram-no dentro deles por nove meses - Eu sei quando a coisa é minha!

O pequeno Joseph, meu filho de verdade, foi roubado da maternindade e trocado por esse monstro. Pesquisei detalhadamente e de forma extensa, e há diferentes nomes para esses bastardos que ficam no lugar do original, mas o que vou usar é Changeling*. Meu filho foi trocado por um Changeling.

Mesmo assim, impostor ou não, ele se parece exatamente como o meu Pequeno Joseph, e eu não consigo reunir forças para matá-lo. Eu sei que - antes que eu possa aceitar a realidade desta situação - o Changeling precisa ser morto e queimado. É aí que você entra. Venho economizando há algum tempo, e estou disposta a pagar U$ 2.000 para você fazer o trabalho para mim.

Não ligo muito em saber como você irá fazer. Afogado na banheira, cortando-lhe a garganta com uma tesoura ou jogando o bastardo em uma fornalha. Eu não ligo, só o quero fora da minha vida o mais breve possível, pois não consigo mais lidar com isso. Não quero ver o que você fará, só quero saber de certeza que esse monstrinho estará morto e poderei seguir com a minha vida.

Você provavelmente está pensando que eu sou uma louca; que sou eu que precisa de ajuda, assim como todos os outros também pensam - mas francamente, eu já não dou a mínima para o que os outros pensam de mim. O Changeling acha que pode enganar todo mundo, mas não a mim. Ele não tomará mais do meu leite ou dormirá de baixo do meu teto. Não vou deixar esse demônio roubar o amor e aconchego que devia ser do meu pequeno Joseph. 

Quando eu estava prestes a sair do hospital com meu marido, a enfermeira me deu o Changeling. Achando que fosse Joseph, eu o peguei em meu braços e o abracei pela primeira vez, e senti como se fosse um saco de couro cheio de vermes se remexendo e pulsando contra o meu peito.

Derrubei aquela criatura nojenta em choque, e a coisa começou a guinchar e uivar como um animal horrível. A enfermeira e meu marido se movimentaram para pegar a coisa do chão, sem perceber o mal, mas desde aquele momento eu já sentia que havia algo de errado - aquele negócio não era o meu filho. Parte de mim esperava que meu marido também enxergasse isso, mas isso nunca aconteceu, então estou tendo que fazer isso tudo sozinha sem ele saber. 

Eventualmente, a "paternidade" do meu marido se esgotou e ele voltou a trabalhar, me deixando sozinha em casa com o verme. O choro parecia aumentar quando ele ia embora, era enlouquecedor para caralho, aqueles berros e lamentos atravessando até as paredes. Tenho certeza que meu pequeno Joseph jamais me torturaria dessa forma, como o maldito bastardo faz comigo.

A criatura sempre está pálida demais para ser o Joseph, os olhos muito profundos, os lábios muito finos. Eu me recusava alimentá-lo e o resultado foi que só ficou mais magro e feio, como se passar fome estragasse seu disfarce. Meu marido me chamou de monstro por fazer isso. Eu! Um monstro! O Changeling o tinha na palma da mão, ele e todos os outros. Ele quer me deixar solitária e me enlouquecer. 

A noite, quando todos os outros estavam dormindo, eu podia ouvir o Changeling sussurrando para mim através das paredes. Me chamava de vadia, falava que eu era uma vagabunda burra. Eu tenho certeza que era ele, eu podia sentir o seu respirar durante a noite, e não era o respirar de um bebê - era o respirar de um monstro inumano.

O Changeling quer que eu me mate. Já falou isso para mim durante diversas noites, sussurrando sua voz horripilante pelas paredes. Mas eu não vou dar ouvidos, não eu. Aquele bastardo não tem poder sobre mim, mas preciso que você dê o golpe final, pela minha sanidade mental. Pela minha humanidade.

Como já disse antes, é uma boa quantia de dinheiro, e se você estiver disposto a me ajudar a terminar com esse pesadelo, será todo seu. Mas há um limite de tempo, porque se ninguém responder esse anúncio nos próximos 3 dias, acho que juntarei forças para eu mesma fazer.

Não vou deixar essa coisa me enlouquecer.

  • Por favor, não nos contate com quaisquer ofertas não solicitadas ou pedidos
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*Changeling é um termo do folclore Europeu, como dito no wikipedia: "No folclore europeu e na crença popular, uma criança trocada (em francês changelin ou changeon, e, em inglês, changeling) é a prole de uma fada, troll ou outra criatura lendária que foi deixada secretamente em troca de uma criança humana. 


O autor não disponibilizou mais nenhum conto dessa série, então por enquanto era isso, pessoal. Espero que tenham gostado! Se gostou desse conto,  comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! Obrigada!

KEEP CREEPYING!


29 comentários:

  1. Pelo que parece, ela tinha aquela síndrome em que a pessoa acha que algum dos seus amigos/entes queridos (ou até ela mesma) foi substituídos. Acredito que seja normal em mães muito..paranoicas. Ou ela simplesmente era esquizofrênica, sei lá né. Enfim, 10/10

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    1. Aquela parada de depressão pós-parto.

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    2. Searioni, sim! Síndrome de Capgras.

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    3. Isso aí mesmo! Tinha esquecido o nome :[

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    4. Ué, quem garante que ela tinha essa síndrome? O bebê não poderia ser um monstro mesmo?

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    5. Série ótima. 10/10
      A mulher realmente aparenta estar com alguma síndrome conforme disseram acima.

      Ademais... onde deixa currículo? Pq U$ 2.000,00 é U$ 2.000,00 né..
      Ainda com oportunidade de começar uma "carreira de caçador" (Dean Winchester).

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    6. Xinguilingue da feira o bebê tem defeito que o original não tem kkkj.

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    7. Ela tem essa síndrome, é normal em mães depois que tem seus filhos, acho que já vi casos de mães que mataram seus filhos por causa dessa síndrome.

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  2. Divine, aqle livro da autora dos 1%,tem o final/continuacao dos 1%?

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    1. Não terá continuação. A autora não disponibilizou mais capítulos grátis, infelizmente.

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  3. A Divina nunca me responde...Mais não irei desistir !
    KKK
    Esses contos foram bem Macabros...Os que me surpreenderam mais foram aquele do Sangue,e esse ! Que na minha opinião,foram os mais Legais !
    Parabéns pelo Blog,ele está ficando cada vez melhor.
    <3

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  4. Eu o faria sem problema nenhum c: Bebês não fazem falta, principalmente esse tal de Changeling kkkkk

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    1. Bebês nao fazem falta? Esse foi o comentário mais idiota q eu já vi

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    2. Bebês só fazem falta para a família. Eles só prestam depois de crescidos.

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    3. Esse pessoal q achamos nos comentários de creepys são fodas :'\

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    4. Concordo com o Anônimo... Essas praguinhas não fazem falta

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  5. af, q pena q acabou, esses contos foram bem tensos
    adorei todos
    anseio por mais <3

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  6. Lembrei de uma creepy em que um pai (ou mãe, não sei) deixa uma câmera no quarto do bebê, e nas filmagens ele vê o bebê sendo levado embora (não me lembro como). No lugar, fica uma larva que "veste" a pele do bebê, e é desse bicho que eles estavam cuidando.

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    1. Achei que ninguém ia lembrar! Enquanto eu estava traduzindo, também me lembrei dessa outra creepy, quer dizer, acho que é essa que você está se referindo.
      http://creepypastabrazil.blogspot.com.br/2016/04/deus-fez-as-garotas.html

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    2. Acho que a pessoa dessa creepy passa pelo mesmo distúrbio.

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    3. Pelo que me lembro, nessa "Deus Fez As Garotas", era realmente o capiroto que agia, rs.

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  7. Esse foi o texto mais impressionante de todos! O autor soube explorar um tema muito controverso (depressão pós parto), e também utilizou palavras que chocam o leitor. Perfeito!

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  8. Pena que não tem mais tava muito empolgado com essa série

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  9. Eu sou da sociedade protetora de demônios parasitas e estou aqui para comunicar a minha reprovação a atitude daquela mulher com aquele pobre ser dos infernos.

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  10. Esse anúncio me lembrou o livro O Substituto (e os livros da Holly Black tbm kkkk). Acredito que seja mesmo um "monstro", quem é mãe sabe identificar o filho. E casos de depressão pós parto só são relatados em quem já tinha depressão antes.

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