29/06/16

Histórias de um entregador de pizza (PARTE 2)



Antes que eu comece a falar sobre outras coisas estranhas que aconteceram durante minha carreira de entregador, acho melhor explicar melhor algumas coisas.

Sobre as entregas serem até 50km de distância: o gerente do restaurante cobra uma taxa adicional para pessoas que moram muito longe. Se você está a 50 km da nossa filial, por exemplo, vai custar 20 dólares extras (que a maior parte vai para mim, o resto para o restaurante). Pode parecer um preço bastante salgado, mas acredite em mim, algumas pessoas pagam. Também temos bolsas térmicas especiais para que as pizzas ainda estejam quentes na entrega.

Sobre entrar na casa das pessoas: meu gerente permite, se for de forma discreta. Se achamos que está tudo bem, temos permissão para o fazer. Para alguns clientes frequentes, principalmente os acamados, sair da cama para atender a porta pode ser uma tarefa árdua. E além do mais, levar a pizza até eles na cama geralmente significa ganhar uma gorjeta maior, então por que não?

Muitas pessoas comentaram que ficaram desapontadas comigo por eu não ter tido coragem de entrar na casa que eu contei na outra postagem, mas é o seguinte: Eu estava com medo, aterrorizado de verdade. Independente da quantia de gorjeta que eu ganharia para ir lá em cima, não me pareceu valer a pena me por a tal risco.

Mas deixando isso de lado, eu adoraria contar para vocês outras coisas bizarras que acontecem comigo quase que diariamente. Não sei se os entregadores de outros lugares do mundo sofrem dos mesmos problemas, mas aqui no norte do Canadá tem algumas coisas bem questionáveis e assustadoras acontecendo. Não me considero supersticioso de nenhuma maneira, mas já vi coisas que não consigo explicar. Antes que alguém venha comentar que sou o único que presencia esse tipo de coisa, já deixo claro que isso não é verdade. Eu e outros entregadores nos encontramos algumas vezes depois do expediente em um bar para conversar, e alguns deles ficaram bastante chocados com coisas que presenciaram. Tem um cara que leva consigo uma lamparina dentro do carro nos turnos da noite porque tem muito medo do escuro depois que alguma coisa (que ele não quer falar sobre) aconteceu durante uma entrega. Essas coisas que rolam são dolorosamente reais, e isso está nos enlouquecendo.

Em dezembro do ano passado, eu estava trabalhando no turno da madrugada (10pm - 05am) e minha área de entrega era em sua maioria nos limites da cidade junto do pé da montanha mais ao norte. Como era dezembro e estamos no Canadá, tinha pelo menos uns 15 centímetros de neve fresca nas ruas e apenas as auto-estradas e ruas principais estavam limpas de verdade. Dirigir em outras estradas era quase suicídio se você não tivesse um carro potente e experiência. Para minha sorte, dirijo um carro AWD, com pneus com pregos e correntes para o caso de estradas com muita neve, e também sou um dos motoristas mais antigos da companhia. Sendo o único com um carro AWD, me pediram para fazer uma entrega quase no limite, mais ou menos a 45km do restaurante. Como o tempo estava uma merda, liguei para o número do cliente para confirmar o endereço e se eles ainda queriam a pizza. Recebendo um OK do que parecia ser uma senhora de idade muito contente, eu me joguei na estrada (não sem antes parar para um cafézinho, claro!). 

Assim que sai dos limites da cidade, percebi algo alarmante: Todas as luzes, incluindo as dos postes estavam desligadas. Supondo que era uma queda de energia por causa da tempestade, liguei para o celular do meu chefe para confirmar. Confirmando que a região realmente tinha sofrido com a queda de energia, tentei ligar para a senhora que receberia a pizza. Tentando amaciá-la para receber uma gorjeta boa, tentei ser o mais simpático possível. "Olá, aqui é o seu entregador de pizza. Percebi que houve uma queda de luz e queria saber se você ainda quer a pizza mesmo nessas condições horríveis de tempo!" A velhinha respondeu, " Meu Deus, querido, não achei que você viria entregar mais! O seu atendimento e da *nome do restaurante* são realmente excelente! Se você conseguir chegar até aqui, com certeza irei te recompensar. Minha casa está ligada por um gerador, então você vai encontrar com facilidade. Por favor, leve o tempo que precisar, não dirija rápido nesse tempo horrível!" 

Sabendo que eu tinha pescado uma boa gorjeta, liguei o pisca-alerta e continuei pela auto-estrada. Uma coisa que vocês tem que entender era a escuridão que estava. Já passando da meia-noite e sem nenhuma luz em volta, a única coisa que gerava iluminação ali era os faróis dianteiros do carro. E pra melhorar, nevava pesadamente. Para referencia, o meu campo de visão era igualzinho a essa foto que estou anexando abaixo. Se meu carro morresse, ou se meus faróis estragassem, eu estaria completamente fodido. Por sorte, nada disso aconteceu, mas algo muito pior.


Depois de uns 10km em uma estrada provavelmente de terra coberta de de neve no meio do nada, passei por um carro parado no acostamento com o pisca-alerta ligado. O carro estava em diagonal na estrada, e pelos rastros deixado na neve, pude perceber que ele tinha tentado parar abruptamente e perdido o controle. Deixando meu pisca também ligado, e tentei inspecionar a cena. Estando mais ou menos a uns 20 metros do outro carro, não consegui ver nenhum sinal de vida, e notei que a porta do carro do motorista estava escancarada com neve se acumulando dentro. O que mais me deixou alarmado é que eu pudia ver uma mancha na janela que parecia sangue. Havia um tanto no voltante também. 

Dava pra ver que tinha acontecido um acidente bastante brutal ali, sendo que havia sangue por todo o acento do motorista. Meu primeiro instinto foi ligar para a polícia, informar o acidente e chamar uma ambulância. Pegando meu celular, a coisa mais clichê do mundo aconteceu: não havia sinal. "É óbvio que não tem sinal aqui," gritei. "estou na porra do meio no nada!" 

Depois desse pequeno surto, tentei ver se os rastros no chão me levariam até a pessoa ferida. Nessa hora eu já havia esquecido completamente da entrega e estava mais inclinado a ajudar seja lá quem fosse que tivesse se machucado ali naquele fim do mundo. As chances de outro carro passar por ali naquela hora eram mínimas, então eu era obrigado a ajudar. Usando minhas habilidades investigativas de entregador e consegui deduzir duas coisas:

  1. Essa pessoa tinha batido em algo realmente grande, tipo um alce ou um urso adulto. A frente do carro dele estava toda amassada para dentro e as rodas apontavam uma para cada direção. Não tinha como essa coisa ter ido muito longe. Por experiência própria, eu não conseguia pensar em nada que causaria um estrago tão grande assim em um carro.
  2. Vendo uma pequena trilha de sangue na neve da estrada, pressupus que ele tinha ido procurar ajuda a pé. 
Foi aí que cometi meu primeiro erro: Eu segui a trilha de sangue a pé. Querendo bancar o herói, me agasalhei e saí na tempestade com uma pequena lanterna de LED que iluminava quase decentemente. A essa altura eu já nem estava mais preocupado com minha segurança. Depois de cinco minutos de caminhada, percebi o quanto estava fodido quando um pensamento correu pela minha cabeça:

E se a coisa que o motorista atropelou estivesse ainda por aqui?

Julgando pelos estragos no carro, eu só podia supor que ele havia atropelado um urso-pardo ou algo desconhecido ainda maior. Lidar com um animal ferido no meio de uma tempestade de inverno não era algo que meu pagamento cobria. Depois de um momento de clareza, decidi que a melhor coisa a se fazer era voltar para o meu carro e continuar tentando ligar para a polícia. Eu não tinha dado nem dez passos de volta para o meu carro quando ouvi um barulho que parecia que uma árvore inteira tinha sido arrancada do chão. O som foi ensurdecedor e me deixou totalmente em pânico. Comecei a correr de volta para o carro mas minhas pernas não pareciam corresponder à minha vontade. Depois de dar um cinco passos rápidos, eu me fodi, com força. Tropecei e cai de cara na neve e fiquei lá, tentando me recompor.

Estava prestes a me levantar quando ouvi novamente. Ouvi o que parecia ser um respirar pesado que vinha de algum lugar fora do meu campo de visão. Pra melhorar, o barulho vinha da direção onde meu carro estava e onde havia acontecido o acidente. Nesse momento eu já sabia que havia algo de muito errado ali. O respirar parecia muito mais animalesco do que humano, e claro, muito mais alto do que de uma pessoa pode fazer. Cagado de medo, literalmente não conseguia me mexer da neve. Depois do que pareceu ser uma eternidade, o respirar começou a ficar mais alto... e mais alto... até que eu pude ver o que estava fazendo aquele barulho terrível. Seja lá o que era aquela coisa, mas de pé tinha pelo menos dois metros e meio de altura. Sim, você está lendo certo. A desgraça estava de pé. Estava correndo em duas patas, mas a cada poucos passos ele caia e começava a correr como um urso. Em quatro patas, tinha um galope que me lembrava exatamente da corrida de um urso, mas depois se levantava e começava a correr como um ser humano. Era coberto de pelos brancos e grossos, seria impossível vê-lo contra a neve branca se não estivesse coberto de sangue.

Se aquele sangue era dele próprio ou do motorista do carro, não fiquei por lá para saber. A coisa parecia estar distraída de mais para me ver, e passou por mim correndo pela a estrada, ofegando mais do que nunca. Depois de mais ou menos uns 10 minutos, me forcei a levantar do meu morro de neve e corri até o meu carro. Quando cheguei até ele, as quatro portas estavam abertas e as caixas de pizzas estavam todas abertas e jogadas na estrada. Sem pensar nas pizzas ou na entrega, dirigi direto para a delegacia mais próxima para relatar o que havia visto.

Oficialmente, o relatório diz que o motorista colidiu com um urso grande e que esse urso o arrastou para a floresta e o devorou. Nunca acharam o corpo do motorista, mas encontraram o que parecia ser um pedaço de sua espinha dorsal a mais de 80 km de onde o acidente aconteceu. Foi um assunto pesado na nossa cidade, todos passamos dias procurando por ele. Aparentemente o cara era primo de segundo graus da senhora a qual eu deveria ter entregue a pizza. Essa parte não me surpreendeu, geralmente a galera que mora no interior sempre tem um grau de parentesco. O que me deixou realmente chocado é que os policiais e outros agentes mataram todos os ursos dentro de 50km da área do acidente e examinaram o conteúdo de seus estômagos. Nenhum dos ursos tinha resquícios de carne humana em suas entranhas e, segundo o relatório, os estragos da feitos só podem ter sido feitos por um urso grande. Aquela coisa que atacou o motorista ainda está solta por aí, e espero que e não cruze com ele de novo.

Se vocês curtirem e comentarem essa história, posso tentar reunir alguns dos meus amigos entregadores e relatar algumas histórias que aconteceram com eles. Se não, ainda tenho para contar algumas coisas bizarras que aconteceram comigo. Claro, só se vocês quiserem.

Não esqueça de dar gorjetas ao seus entregadores,
--T

-
Se gostou desse conto,  comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! Obrigada!

KEEP CREEPYING!


24 comentários:

  1. Estou adorando. O texto possui alguns erros gramaticais, mas estou gostando bastante dos relatos. São verídicos?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Toda creepypasta é real, até que se prove o contrário. ;)

      Excluir
    2. Ele disse que devido a pressa em relatar ele acaba cometendo alguns erros gramaticais.

      Excluir
  2. Meo dels, "Não esqueça de dar gorjeta aos seus entregadores" melhor lição de moral :'3

    ResponderExcluir
  3. to apaixonada por esse entregador e to com pena do ursão branco qqq

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olha, eu to com mais pena do cara que teve a espinha dorsal arrancada, e eu duvido que saporra seja um Urso. Ursos não iriam tentar atacar uma pessoa depois de serem atingidos por um carro daquela maneira que ele descreveu.

      Excluir
  4. Vou sempre lembrar de dar gorjetas agora e gostei muito da série
    Se tiver mais posta

    ResponderExcluir
  5. Estou gostando bastante desses relatos do entregador de Pizza...mais creio que dessa vez,a creepy ñ convenceu mto de que realmente isso aconteceu (coisa que eu duvido muito).
    Não entendam mal,eu amo Creepypastas,e sei que elas talvez possam ser verdades,até que se prove o contrário,mais,dessa vez ñ fiquei mto convencida disso ;/
    Ótima tradução Divina !

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Mas: oposição. Mesmo que porém.
      Mais: quantidade. Contrário de menos.
      ;)

      Excluir
  6. Meo deos quanto deve ganhar um entregador de pizza no Canadá? P dizer ter tantos relatos assustadores e não pedir demissão...

    ResponderExcluir
  7. Vou sempre lembrar de dar gorjetas agora e gostei muito da série
    Se tiver mais posta

    ResponderExcluir
  8. aaaamo essa creepy, obrigada Divina!!!

    ResponderExcluir
  9. Era o pé grande @.@ ushsushsushsush

    Se tiver mais, postem pfvr ♡ achei mara esses contos lol

    ResponderExcluir
  10. Pensei que o Yeti morasse nos Himalaias, talvez ele estivesse de turismo :v

    ResponderExcluir
  11. Putz! Que creepy foda! Quero me mudar pro Norte do Canada pra viver essa experiência sinistra.

    ResponderExcluir
  12. Acho melhor parar de pedir pizza :v

    ResponderExcluir
  13. "Todas as creepys sao falsas ate q se prove o contrario" meu na boa essas do entregador sao bem legais espero q tenha mais por vir

    ResponderExcluir
  14. Conclusão: Se a gorjeta for boa, É bilada, Cino!

    ResponderExcluir