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Série Runners/Corredores (PARTE 2) - Introdução: Lamaçal [2]

ATENÇÃO : ESSA SÉRIE/CREEPYPASTA É +18. CONTÉM CONTEÚDO ADULTO E/OU CHOCANTE. NÃO É RECOMENDADO PARA MENORES DE IDADE E PESSOAS SENSÍVEIS A ESSE TIPO DE LEITURA. LEIA COM RESPONSABILIDADE. 
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(PARTE 1)
12 de Março de 2015
17:15pm

Por mais que eu achasse que deveria, eu ainda não estava preparado para ir na aldeia. Haviam coisas que eu precisava fazer no laboratório antes. Obviamente, Annie e Jared não estão saudáveis e estou preocupado com sua segurança quando estão perto um do outro. Lembrei que a GeneMedica tinha nos dado de presente três garrafas de Uísque Laphroaig 30 anos, para celebrar no caso de fazermos alguns avanços na pesquisa. Então fiz o que qualquer outro cientista de respeito faria: embebedei meus colegas e os tranquei em seus respectivos quartos. 

Então liguei para Rakesh, que surtou bem mais que eu. Ele conhece Jared fazem mais de 20 anos; aparentemente nosso colega está há mais de 25 anos em um relacionamento sério e monogâmico com seu parceiro e, repetindo o que Rakesh me falou pelo telefone, "ele é o mais gay dos gays". Rakesh concordou comigo que coisas estranhas acontecem quando duas pessoas ficam juntas durante uma situação traiçoeira, mas com tudo que aconteceu - a erupção de esporos, as lesões de pele, a mistura de dor e prazer, e seja lá o que diabos esteja acontecendo com os nativos - era impossível dizer que aquilo era algo casual. Ele me mandou descobrir uma forma de mantê-los (Jared e Annie) a salvo e depois arrastar minha bunda até a aldeia e documentar tudo. 

Tenho a sensação que não vai ser nada bonito. 

Atualização em 20:00

É difícil fazer uma narração coerente quando se está traumatizado. Mas por outro lado, é fácil lembrar dos detalhes que te traumatizaram. A primeira coisa que notei ao sair do laboratório e  ao começar minha caminhada de mais ou menos 100 metros até a aldeia, foras as penas de pássaros. Estavam "chovendo" das árvores e voando com a brisa leve. Eu não conseguia ver direito por causa da espessura da copa das árvores, mas pude observar um pássaro claramente. Estava empoleirado em um galho próximo ao tronco, esfregando seu corpinho vigorosamente contra as cascas da árvore. Assim que consegui se livrar de todas as penas do lado esquerdo, começou a esfregar o lado direito para obter o mesmo resultado. Depois pulou do galho e saiu voando de um jeito bizarro, parecendo um inseto, sem parecer ter uma trajetória certa. Saiu do meu campo de vista antes que eu pudesse registrar qualquer outa coisa. 

Um cão veio correndo da direção que a aldeia ficava e parou bem na minha frente. Seu pelo estava sarnento e as partes visíveis da pele pareciam necrosadas e apodrecidas. Sua cauda balançava freneticamente de um lado para o outro e suas orelhas estavam de pé, parecendo estar incrivelmente feliz apesar das condições aparentemente dolorosas de sua pele. Estiquei minha mão em direção de sua cabeça e ele aceitou, empurrando com força a cabeça contra minha mão enluvada; quase como se nunca tivesse sentido o toque de um ser humano antes. 

Enquanto o acariciava, senti algo deslizante em minha mão. Recuei. A pele estava grudada na minha luva; eu havia arrancado a pele e o pelo de sua cabeça quando puxei a mão. O cão, com o sangue escorrendo por seu rosto e a cauda ainda balançando, olhou para mim e começou a comer sua própria carne da minha luva. Não o espantei. Não sabia o que fazer a não ser continuar caminhando em direção do dentro da aldeia.  

A cada passo, os detalhes dos nativos, que ainda estavam em bando no centro da aldeia, ficou mais aparente. Só posso descrever suas atividades como uma orgia. Toda pareamento possível havia sido feito, com grupos grandes de até seis pessoas. A coisa mais nojenta, além das atrocidades e das disparidades que não indiscriminavam idade para seus participantes, eram os ferimentos. Todas as pessoas estavam com danificações severas em suas peles. Aparentemente parecia ser a mesma coisa com que Jared e Annie estavam lidando, mas a maioria dos nativos estava bem pior; provavelmente por causa de suas atividades frenéticas uns com os outros. 

Não prestaram atenção em mim enquanto eu caminhava por eles. Passei por cadáveres. Todos tinham danos profundamente severos e desfigurantes. Mesmo sabendo que um pouco daquilo era o efeito dos esporos fungais, uma boa porção havia sido feito por outros seres humanos. Confirmei isso quando avistei um homem jovem na multidão, um rito de prazer estampado em seu rosto, toda suas costas sendo dilacerada por seu parceiro. Esse homem suspirava em deleito, sua nudez deixando óbvia sua excitação apesar dos machucados terríveis. Seu parceiro pressionava o rosto no ferimento, dando beijos tenros nas costelas expostas.

Houveram mais atos como esse, mas tudo está enevoados na minha mente. Estou exausto e sobrecarregado. Logo que voltei, liguei para Rakesh e enquanto ele tenha demonstrado empatia pelo que presenciei, insistiu na importância de fazer a documentação correta de comportamento e progresso dos afetados pela nuvem de esporos. Prometi que faria um trabalho melhor pela manhã, se conseguisse dormir um pouco hoje a noite. Chequei Annie e Jared; ambos estavam roncando. Entretanto, o estado de suas peles piorou. Não sei bem o que fazer. Rakesh me assegurou que amanhã a noite um helicóptero estará disponível para nos buscar. Quando perguntei onde pousaria, disse para não me preocupar com isso. Então darei o meu melhor. Agora vou me embebedar e tentar dormir. 

13 de Março de 2015
06:15

Antes de ir dormir ontem a noite, amarrei Jared e Annie em suas camas. Foi algo que Rakesh sugeriu e eventualmente decidi que seria o melhor a se fazer. Posso lidar com com eles bravos comigo depois, contanto que não se machuquem mais até o helicóptero nos buscar. Aparentemente, o nosso será o primeiro de alguns; há uma agenda de "helicópteros-ambulância", que virão minutos depois do nosso. Mesmo estando feliz que os nativos receberão atendimento médico, é uma tristeza saber que muitos deles ficaram terrivelmente desfigurados e com sequelas. Se tivéssemos conseguido desvendar os mistérios do enorme fungo do subsolo, poderíamos ter evitado esse acontecimento.

Estou indo para a aldeia novamente. Estou levando meu gravador de voz, assim poderei documentar detalhes o suficiente para deixar Rakesh feliz. Não vou transcrever tudo, apelas o que achar importante suficiente para entrar nesse diário. 

Atualização em 12:00

O que vi ontem foi um paraíso comparado com a devastação e depravação que fui forçado a observar hoje. Rakesh, gostaria que você não tivesse me obrigado a fazer isso. Entendo o porquê de ter me pedido, mas não sou o mesmo homem que era há alguns dias atrás. Não há nada que eu possa expressar que não seja tristeza e terror. Bem, talvez uma coisa. Há uma pequena, pequeníssima parcela de consolo no fato de que aqueles afetados pelos esporos não parecem sentir dor. Mas por outro lado, é cruel vê-los destruindo uns aos outros com um sorriso estampado no rosto. Pessoas que eram totalmente inocentes. Pessoas que, enquanto escrevo isso, continuam a gritar em êxtase enquanto são partidos ao meio. Então, Rakesh, você pediu por detalhes, aqui estão. Engula-os. 


  • Mulher, mulher, homem agrupados. Deterioração severa de pele nos três. Mutilação severa dos órgãos genitais do homem. Parece sobrar aproximadamente 10 centímetros de sua uretra, a qual está sendo puxada e esticada por ambas as mulheres. As mulheres tomam turnos para fazer sexo oral no que sobrou das genitálias do homem. A mulher menor, quando não ocupada com o homem, criou buracos nas coxas da mulher maior, no qual ela enfia seus dedos e língua. Todos os participantes expressam alegria.
  • Homem, menino agrupados. O homem morto está deitado de costas no chão de terra enquanto o menino está sentado na cratera aberta no estômago do primeiro. O garoto está rindo e puxando os intestinos do homem para fora. De vez em quanto, o menino enfia a cabeça dentro da cratera do estomago do homem morto e fica se movendo lá dentro, como se tentasse nadar. Então depois ele "volta a superfície", lembrando-me de um golfinho pulando para fora d'água. Depois, repete todo o processo. Marcas grandes de mordida são visíveis no braço do menino.
  • Homem, homem, homem, homem, homem agrupados. Quatro homens estão tendo relações sexuais em feridas abertas no torso de um quinto homem. O quinto homem está deitado de costas em uma pequena mesa, mastigando o que parece ser uma mão desmembrada de uma criança. A criança a quem pertence a mão não está à vista.
  • Mulher, mulher agrupadas. As mulheres estão envolvidas em sexo oral mutuo. A barriga de ambas foram abertas e  suas vísceras estão penduradas; caídas no chão ou sobre o corpo da parceira. A mulher mais próxima de mim está sangrando abundantemente e não viverá por muito mais tempo. 
Nota: Enquanto essas observações eram feitas, notei uma mudança na superfície da pele dos afetados pelos esporos. Além da piora das feridas, a pele parece estar ficando pegajosa. Também parece estar enfraquecendo. Observei um menino, o qual as costas estava livre de deterioração, ser empurrado de costas contra uma oca. Quando o garoto se moveu para frente, sua pele ficou presa na oca e foi sendo arrancada a cada passo. Bastante similar com o que experienciei ontem com o cão na floresta.

  • Homem, mulher, mulher agrupados. A mulher mais velha está esfolando toda a pele dos outros dois participantes do grupo. Os esfolados, o homem e a jovem mulher, estão sentados, aparentemente conversando alegremente enquanto a mulher mais velha remove a pele de ambos com uma faca pequena. Os pedaços de carne estão sendo jogados ou para os outros grupos de pessoas ou em direção da floresta. A carne é particularmente viscosa e pegajosa, grudando em qualquer coisa que toque.
  • Mulher, homem, mulher, mulher, recém-nascido agrupados. A mulher no chão parece estar no meio do trabalho de parto do que parecia ser um recém-nascido saudável e não-afetado pelos esporos. O homem e as outras duas mulheres estão puxando o recém nascido para fora e depois empurrando-o novamente para dentro da mulher, usando muita força. Não tenho dúvidas que o recém-nascido não tenha mais vida. Todos os quatro participantes estão rindo ou gritando de excitação e prazer. 

Foi essa visão que me forçou a voltar para o laboratório. Havia chegado no meu limite. Quando entrei, Annie e Jared tinham fugido de seus quartos. Com suas peles deteriorando, não foi difícil para eles escaparem das amarras. Eu não havia me preocupado em trancar as portas do quarto depois de amarrá-los.

Estavam novamente engajados em suas relações sexuais. Jared estava por cima de Annie, seus tórax encostados um ao outro. Quando entrei no laboratório, Jared, surpreso e animado por me ver, se levantou de cima de Annie. Suas peles estavam grudadas juntas e com a força de seu movimento, suas carnes foram arrancadas dos músculos. Divertindo-se com isso, Annie foi se afastando de Jared e tentando separar suas genitálias. Sua parede vaginal ficou presa ao pênis de Jared enquanto ela se movimentava, desprendendo-se e separando-se de sua anatomia. 

Ficaram de pé na minha frente como fizeram ontem, felizes em contarem para mim o quanto estavam se divertindo. Eu nem se quer conseguia olhar para eles. Pedi encarecidamente para que voltassem para seus quartos e esperassem um pouco. Mesmo parecendo confusos, atenderam ao meu pedido. Tranquei-os. Foi aí que comecei a escrever este registro. Enquanto digito, posso ouvi-los gemendo enquanto se satisfazem sozinhos. Não sei o que vou fazer entre agora e as oito horas que faltam para o helicóptero supostamente chegar, mas estou compelido a ir até a floresta e ver se posso resgatar algo útil deste show de horrores. Mesmo que e não veja nada, talvez isso esvazie minha mente. 

Atualização em 18:00

A primeira coisa importante que notei foram como os pedaços de carne jogados pela mulher que esfolava seus dois parceiros tinham espalhado cogumelos. Pequenos cogumelos viscosos. Todos os lugares que encontrei carne humana, encontrei cogumelos. Outra nota: A tenebrosa orgia que acontecia na aldeia parou abruptamente. Corri rapidamente para lá para ver o que havia acontecido. Primeiramente achei que todos poderiam ter morrido, mas estavam lá, sorrindo e vagando sem destino. Seus machucados eram horrendos; alguns catastróficos. Os que estão machucados demais para se mover ficam deitados no chão. Aonde a pele viscosa toca o chão, começa a nascer os mesmos cogumelos. 

Gradualmente, aqueles capazes de andar começaram a se dissipar em todas as direções. Eles se movem lentamente, beliscando sua pele e jogando-a no chão enquanto caminham. As vezes aumentam sua velocidade. Eu corri atrás de um grupo de meninos. Eles puxavam pequenas tiras de suas peles e jogavam pelo chão a cada passo. Mordiam seus lábios e língua e depois cuspiam no chão ou nas árvores. Eles corriam, corriam, corriam, deixando uma trilha de sangue para trás. Para todos os lados que eu olhava, via nativos fazendo o mesmo.

Devo ter feito isso por alguns quilômetros até não conseguir mais. O traje de proteção é muito pesado e eu estava superaquecendo e ficando exausto. Dei a volta. Já chegando perto da aldeia, os primeiros pedaços de carne que haviam sido jogados no chão já apresentavam pequenos cogumelos. Eu estava exausto e cientificamente intrigado. Na aldeia, não havia mais ninguém vivo. Os que ainda podiam se movimentar haviam corrido dali, tudo que sobrara eram alguns cadáveres jogados. Todas as carcaças estavam recheadas de buques de fungos.

Do nada, me lembrei de Annie e Jared. Corri de volta para o laboratório, escancarei suas portas, e vi as consequências de estar atrasado demais para ajudá-los. Ambos mortos. Tinham se destruído, arrancando seus pedaços e jogando pela cama, cobertores, paredes e tudo mais. Sem terra ou planta viva para crescer, a carne só ficou lá jogada. Inútil. Não sei o porquê fiz o que fiz em seguida, mas na época, foi o que pareceu certo para honrá-los. 

Eu juntei os pedaços de carne e joguei na terra perto do laboratório. Me sentei e fiquei observando os cogumelos crescer. Agora estou esperando pelo helicóptero. 

——–

Esse é o final do diário. O helicóptero me pegou por volta das dez da noite. As outras equipes chegaram mais tarde para investigar e fazer os outros procedimentos necessários. Fisicamente, estou bem. Tirando que fiquei suando e respirando meu ar gripado dentro de um traje Hazmat por dois dias, mas estou bem.

Os corpos dos nativos foram sendo encontrados no decorrer das semanas seguintes. Alguns deles conseguiram percorrer mais de 50 quilômetros antes que seus corpos caíssem sem vida no chão. Tudo que pode ser coletado foram ossos.

Já faz um ano que isso aconteceu e estou de novo na área com uma nova equipe. Ter que usar o traje especial de proteção todo o tempo que não estou no laboratório é uma bosta, mas ninguém quer ficar como nossos falecidos colegas. As dificuldades de pesquisa que tivemos nos últimos dez anos ainda nos assombram, mas pelo menos algumas perguntas sobre o fungo foram respondidas. Ainda assim, quando tudo está em silêncio ou estou sozinho, fico pensando sobre os nativos correndo cegamente até seus corpos cederem, enquanto destruíam seus próprios corpos na intensão única de fertilizar o solo com os esporos que os possuíram. E também não consigo parar de pensar que por causa disso tudo, temos agora mais oito quilômetros onde esses cogumelos crescem.
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EM BREVE: "Série Runners (PARTE 3) - Antes: Pouquíssimo Progresso"

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Todos os créditos para/ All credits to: Unsettling Stories

TRADUÇÃO POR: FRANCIS DIVINA