15/07/16

Série Runners/Corredores (PARTE 4) - Antes: Pouquíssimo Ar

ATENÇÃO : ESSA SÉRIE/CREEPYPASTA É +18. CONTÉM CONTEÚDO ADULTO E/OU CHOCANTE. NÃO É RECOMENDADO PARA MENORES DE IDADE E PESSOAS SENSÍVEIS A ESSE TIPO DE LEITURA. LEIA COM RESPONSABILIDADE. 
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(PARTE 1) - (PARTE 2) - (PARTE 3)

Sou uma das vítimas do ataque das agulhas hipodérmicas que aconteceram no verão. Kara Yvette Bernard. Foi a primeira vez na vida que meu nome apareceu em um jornal. Meu nome estava entre de outras 51 mulheres; um total de 66 vítimas, apenas 51 deram permissão para que suas identidades fossem divulgadas pela mídia. Fizemos isso como um tipo de demonstração espontânea de solidariedade, como se tivéssemos criado um tipo de conexão por causa da opressão sofrida. 

Não demorou muito para que os danos físicos começassem a se manifestar. A mídia não entrou muito em detalhes, mas foi fácil encontrar na internet. Obsessão. Hipersexualidade. Deterioração da pele. Nenhum médico se quer conseguia identificar o que continha nas injeções que recebemos. Além das marcas de agulha, não haviam mais sinais que tínhamos sido injetadas com alguma coisa. Mas com o passar dos tempos mais mulheres foram sucumbindo aos efeitos, meu espanto e medo viraram confusão. Depois de três meses, eu era a única viva.

Meu médico sugeriu que provavelmente eu era imune ao seja lá o que a injeção continha. Eu não tinha nenhum motivo para duvidar de sua sugestão, mas estava ainda muito incerta para ficar aliviada com aquela informação. E agora, quase meio ano depois do ataque, soube que estava certa em negar esse alívio. Comecei a ouvir vozes.

Estava sentada no sofá, jantando. A televisão estava ligada. A princípio, quando ouvi "você consegue ouvir isso?", achei que estivesse vindo da TV. Então a voz disse, "Kara, você está conseguindo ouvir isso?" .

Você tem que entender que, depois do que aconteceu no verão, fiquei totalmente arisca. Eu entrava em pânico quando caía até uma pena no chão e fui classificada como inválida desde o ataque. Quando ouvi alguém falar meu nome ontem a noite, tão alto e claro que parecia que tinha alguém na sala comigo, quase desmaiei. Mas eu tinha consciência que não havia mais ninguém ali. O lugar estava vazio exceto por mim - assim como esteve nos últimos quatro meses.

"Kara, responda se pode nos ouvir."

Sussurrei que podia ouvir, e ouvi conversa de fundo. Não consegui entender o que diziam. Entretanto, a próxima frase soou muito clara.

"Se afogue."

Não me mexi. Sabia que deveria ser um efeito da injeção.

"Encha a banheira e se afogue."

Foi aí que comecei a chorar. A voz continuou a repetir o comando. O tom era calmo e sedutor. Então, quando resmunguei e implorei para me deixarem em paz, meu corpo começou a se mover por conta própria. Eu não tinha controle sobre nada, nem da minha voz, nem de minhas pálpebras. Meu corpo se levantou, andou até o banheiro e começou a encher a banheira com água.

Internamente, eu estava tremendo e soluçando, tentando implorar para quem fosse que estivesse fazendo aquilo que parasse. Ele somente continuava a repetir. "Encha a banheira e se afogue."

Quando estava cheia, meu corpo pisou na água morna. Mesmo que eu tentasse lutar para me livrar e não fazer o que estavam mandando, eu entrei na água, sentei de pernas cruzadas e cai de rosto na água da banheira. 

Meu corpo não me permitiu tomar folego depois que eu já estava com a cabeça mergulhada. Enquanto eu entrava em pânico dentro de um corpo cuja a autonomia havia sido roubada, me preparei para o momento em que meus pulmões iam ceder e inalar água, enchendo-se do líquido morno da banheira. Eu me imaginei sugando a água e tossindo para fora como um reflexo natural, só para encher de novo e de novo enquanto eu me contorcia até meu cadáver ser encontrado pelo senhorio. 

A tosse nunca aconteceu. Meu coração em pânico batia nos meus tímpanos enquanto eu olhava para o fundo de plástico da banheira. Não havia pressão no meu peito. A única dor que eu sentia era o formigamento nas minhas pernas por estar em uma pose desconfortável. 

"Qual a sensação?"

Eu podia falar de novo, mas ainda não consegui me mover.

"Me ajude," eu falei em meio a um borbulho, bolhas flutuando na frente dos meus olhos arregalados indo em direção da superfície. Mas ainda não havia dor nem compulsão por ar. Já devia ter se passado dois minutos que eu estava debaixo d'água. 

"Qual a sensação? Qual a sensação? Qual a sensação?"

A pergunta era repetida de novo e de novo na minha cabeça. Eventualmente, respondi. "A sensação é de que eu posso respirar de baixo d'água."

A réplica veio instantaneamente. "Você está respirando? Está inalando e exalando debaixo da água?"

Considerei a pergunta e mudei minha resposta. "Parece que eu não preciso mais respirar."

Havia um silêncio na minha mente agora, quebrado apenas pelas batidas do meu coração e do meu estômago processando meu jantar.

"Oito dias. Depois viremos ver você. Por favor, beba a água da banheira periodicamente para se manter hidratada e ajuste a temperatura para evitar hipotermia."  

Notei que eu conseguia mover minha mão, braço e ombro esquerdo novamente. Coloquei-os para fora da água e segurando meus cabelos tentei puxar minha cabeça para fora d'água. Era como se pesasse uma tonelada. Quando tentei alcançar a tampa do ralo para esvaziar a banheira, meu braço caiu sem vida na banheira. Depois de um minuto, voltou a ter movimento. Desajeitadamente consegui alcançar a torneira para ligar ou desligar a água. 

Por oito dias, continuei debaixo d'água. Minhas pernas estavam completamente entorpecidas. No quarto ou quinto dia, tentei deixar a água correndo até transbordar a banheira, na esperança que algum vizinho visse e acionasse o senhorio. Não preciso dizer que perdi o controle da minha mão por um bom tempo depois de tentar isso.

A água foi ficando suja enquanto os dias passavam, então parei de bebê-la. Perdi controle da minha boca e esôfago e fui forçada a beber uma certa quantia diariamente. No oitavo dia, meu peito começou a queimar. Assim que essa sensação foi registrada pelo meu cérebro, retomei o controle sobre meu corpo. Cuidadosamente eu retirei meu corpo rígido da banheira. 

Fiquei deitada de costas por um tempo, olhando para o teto do banheiro. 

O cheiro do banheiro fez com que eu começasse a me mover, e então lavei meu corpo enquanto eu olhava para meu corpo danificado pela água. Me sequei com cuidado, notando minha pele descamar enquanto isso. Lembrei dos artigos online sobre as outras mulheres que receberam a injeção; como suas peles saiam de seu corpo em pedaços grudentos e sangrentos. Mas a minha não era assim. Não havia sangue. Apenas pele crua e rosada. 

Levei um tempo até chegar na cozinha. Peguei uma caixa de cereais açucarados, enfiei a mão dentro e enfiei um bocado na boca. A pele dos meus lábios se abriram completamente na primeira mastigada. Novamente, sem sangue.

"Kara, pare de comer."

Soltei a caixa de cereais. A voz estava de volta na minha cabeça. 

"Você tem três horas."

E agora tudo que posso fazer é aguardar. Aguardar e digitar. Minha pele está começando a doer e estou com medo de ter pego uma infecção por ter ficado tanto tempo dentro da água suja. Não sei o que vai acontecer dentro de três horas. Parte de mim quer ligar para a polícia e fugir. Entretanto, há outra parte que está sobrepondo meu desejo por ajuda. Uma curiosidade sombria. É a curiosidade de uma pessoa que já se desistiu da esperança. Alguém que perdeu o controle. Quero entender porque essas pessoas estão me forçando a fazer isso.

Enquanto eu estava debaixo d´água, as vezes eu ouvia vozes de fundo. Não eram direcionadas a mim. Quase como se alguém tivesse deixado o microfone ligado por acidente. Conseguia entender algumas palavras as vezes. "Respiração", "Colagem", "Lamaçal". Houve um momento, acho que lá pelo sexto dia, que consegui entender parte de uma frase. Eu já a repassei na minha cabeça diversas vezes, não tentando entender o que significava em um geral, mas o que significava para mim. Acho que vou descobrir logo. 

Existe dentro de mim uma excitação nervosa que sente que algo está errado. Suicida de certa forma. Mas como já disse, a curiosidade está sobrepondo meu desejo de auto-preservação. Faltam pouco menos que duas horas. A perversão da minha ansiedade é inquietante. Essa não sou eu, mas não ligo. Tudo que me importa é que, dentro de algumas horas, eu vou entender o que eles querem dizer por "...bem sucedida debaixo d'água, mas será totalmente diferente no vácuo do espaço."
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EM BREVE: "Série Runners (PARTE 5) - Antes: Pouquíssimo Prazer"

Se gostou,  comente! Só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! Obrigada!
KEEP CREEPYING!

Todos os créditos para / All credits to: Unsettling Stories

TRADUÇÃO POR: FRANCIS DIVINA


20 comentários:

  1. Pera.....Isso é tipo,um auto-controle da mina ? Estão controlando ela,e fazendo testes com ela,porque no final diz que ela foi bem sucedida debaixo d'agua e tals...
    Nuss,pensei que essa Creepy ñ iria me surpreender tanto,mais ela está ficando cada vez melhor !
    E estou amando os cáps com um pequeno intervalo de tempo.Vc está postando eles super rápido,amei !
    Parabéns Divina,um beijo.

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    1. E escolheram ela para fazer os testes,pq ela foi a única imune com a infecção ? Pelo menos,foi oq entendi kkk...

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    2. Bom deu a entender que levarão ela para espaço ashas outra coisa, ela tá apresentando os sintomas que os nativos apresentavam, só que ela está "consciente" por exemplo, a perversão e excitação que ela cita no final e o e sentir algo suicida, é uma alusão ao fato dos dos infectados pelos esperos se auto-mutilarem e fazerem sexo de forma desenfreada

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  2. Nossa, máquina de guerra k, cada vez mais esssa história perde meu interesse, parabéns divina por ter conseguido reerguer a cpbr sozinha, ja que nenhum dos tradutores postam mais nada

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  3. Caramba pensei que o bagulho ja tava doido o suficiente e me aparece isso @.@ kkkk holy sh*t!

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  4. Vão mandar ela pro espaço é isso que eu entendi? Kjkkkkk.

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    1. Cadê os cogumelos? O que perdi? kkkk

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  5. ameeeei, por favor continue postando! essa série ta muito boa!

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  6. Meu Deus!São muitos personagens! Mas mto boa creepy!Bom trabalho Divina!

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  7. Ai ela vai ser uma sereia astronauta!!!! Oloko meu....

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  8. controle remoto humano através d esporos dum cogumelo mutante da Amazônia, muito foda!
    pior q uma porra desssa é bem possível, tem uma vespa q transforma besouros em zumbis através da picada...
    du mau...

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  9. Essa série está tomando um rumo estranho. Não está com jeito de precisar toda a preocupação com o conteúdo. Mas espero que eu esteja errado e que tripas e entranhas caiam do céu. Até lá, vamos ver até onde aguento. Muito boa a tradução e a velocidade de postagem. Essa série parece complicada de traduzir

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  10. Aparentemente essa era a consequência da injeção (que seria dos cogumelos mt loucos), e talvez tenham sido essas vozes a causa da morte das outras infectadas. Talvez só tenha "atrasado" pra Kara.
    Ou então as vozes perturbaram porque viram que ela é imune a injeção, então querem saber ao que mais ela é imune. Kara tá virando uma menina superpoderosa.

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  11. Estou louco para lêr a proxima parte!

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  12. Divina nao posta, ngm posta..

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  13. Grupo de terror no Whatsapp. Me chamem lá: 091982407111/091980505837.

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