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Série Runners/Corredores (PARTE 6) - Antes: Pouquíssima Autonomia

ATENÇÃO : ESSA SÉRIE/CREEPYPASTA É +18. CONTÉM CONTEÚDO ADULTO E/OU CHOCANTE. NÃO É RECOMENDADO PARA MENORES DE IDADE E PESSOAS SENSÍVEIS A ESSE TIPO DE LEITURA. LEIA COM RESPONSABILIDADE. 
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(PARTE 1) - (PARTE 2) - (PARTE 3) - (PARTE 4) - (PARTE 5)


Quando postei na internet sobre meu distúrbio do sono, recebi uma mensagem quase instantânea de um homem chamado Dr. Yau. Ele tem um consultório na cidade e me ofereceu uma consulta de graça. Eu aceitei. Quando nos encontramos, ele parecia mais curioso do que preocupado, principalmente quando contei que não dormia a mais ou menos um mês depois de ter uma reação alérgica com alguma coisa que meu parceiro colocou na nossa janta. Mesmo quando contei que estava tendo alucinações com coisas que eram impossíveis, não detectei um sinal de preocupação em seu rosto. Ao contrário; o que percebi foi um tipo de animação.

Fiquei com a sensação que eu era um paciente o qual ele estava esperando faziam anos; algo divertido, diferente dos dias comuns e entediantes recheados de neuroses, distúrbio alimentares e depressões. Como você lerá essa carta na nossa próxima sessão, Doutor Yau, gostaria de saber se isso é verdade. Prometo que não vou ficar chateado.

De qualquer forma, eu deveria escrever sobre minhas alucinações e quaisquer outras experiências extrassensoriais que eu tiver, assim Dr. Yau poderá avaliar essas informações e me ajudar melhor. Isso deve me dar uma nova perspectiva nas minhas experiências. Não sei como. Já falei que a única rasão de eu ter ido procurar ajuda é porque Stewart se tornou frio e distante desde que isso começou. 

Bem, acho que é aqui que eu deveria começar a escrever sobre minhas alucinações. Já peço desculpas antecipadas por parecer um louco pirado. Eu sempre fui a pessoa sã da família, então isso tudo é novo para mim.

Não importa onde eu estou. Pode acontecer em casa, no trabalho ou no carro. Quando a alucinação começa, minha visão fica embaçada como se eu estivesse bêbado ou tonto, mas não fico enjoado. Minhas pernas começam a ficar cansadas. Me lembra aquela sensação de quando eu estava em uma corrida na educação física e estava perto da linha de chegada. É aquela sensação desajeitada e tremulante da exaustão depois de um exercício intenso. 

A próxima parte é meio estranha e não tenho certeza se vou conseguir explicar direito. Uma coisa engraçada - na faculdade eu fiz uma cadeira opcional de filosofia e era entediante pra caramba. Consegui passar por um fio, mas não conseguia ver algum lugar ou motivo na vida real onde poderia aplicar o que havia aprendido lá. Entretanto, agora, estou usando-a para conseguir falar sobre minhas alucinações, e acho que parte disso é relacionada a aquelas aulas. Sério, se liga.

Quando uma começa, eu me divido. Não fisicamente, claro, mas minha personalidade vai em duas direções diferentes. Há uma parte que continua agindo como eu sou normalmente; O Todd Nilsson de sempre, que continua seguindo como se não estivesse tendo nenhuma alucinação. Mas também temos o Todd Nilsson que está tendo alucinações, que está sempre correndo. O eu corredor se move como se estivesse possuído. E é aí que a filosofia entra. É como se eu tivesse um impulso teológico à correr. Aquele eu - o eu corredor - não há motivos para viver a não ser dar o máximo de passos que puder até que suas pernas estejam em fiapos. É para isso que foi designado. Esse é o seu propósito.

As alucinações vem crescendo progressivamente desde que começaram. Quando estava no meio de uma, ninguém percebia. O eu não-alucinado continua a conversar com as pessoas normalmente e a agir como um banqueiro típico, tosco, e entediante como eu. O problema é que eu não sou eu quando está acontecendo. Nenhum dos Todds sou eu. O eu verdadeiro;  o meu antigo eu - o eu de antes de ter a reação alérgica - fica observando tudo isso de outra perspectiva. De algum lugar obscuro. Não consigo observá-los sempre, mas quando acontece, consigo controlar as partes do meu corpo até que a tarefa seja cumprida. 

Agora, penso que estou no controle mesmo que a alucinação estivesse no comando quando digitei "Eu sempre fui a pessoa sã da família". Um canto da minha mente estava a correndo a toda velocidade pelas florestas, desertos e cidades. Essa parte de mim olha para baixo e vê pernas de palito cobertas de sangue. Observo minhas mãos tocando a carne, arrancando um pedaço e jogando no chão. A outra parte da minha mente me observa enquanto eu digito essas palavras, com sangue brilhante em meus dedos. Consigo sentir as teclas grudando em meus dedos enquanto pressiono-as. Estou pressionando as teclas tão furiosamente quanto estou correndo na alucinação.

Essa é a primeira vez que controlar minha comunicação enquanto estou dividido, sempre fui um observador enquanto o não-corredor falava e agia como eu. Entretanto, agora, todos os três estão aqui como um. O corredor está correndo. O eu antigo está digitando. E o outro, o não-corredor, está observando. Sei que o sangue em meus dedos é culpa dele. 

Estou digitando enquanto o não-corredor está sob controle dos meus olhos e pescoço. Fui obrigado a olhar em direção de um corpo. É o corpo de Stewart. Parece que ele está morto a mais de um mês. O não-corredor não me deixa expressar surpresa ou horror. 

Buracos inchados do tamanho da circunferência dos meus dedos, que expelem pus, cobrem seu corpo. De dentro de cada um desses, cresce um grupo de cogumelos finos e compridos. São os mesmos cogumelos os quais eu apresentei a reação alérgica quando Stewart cozinhou com eles. Os mesmos que desencadearam minhas alucinações. Posso ver, bem perto do seu crânio esmigalhado, a panela que ele usou para prepará-los.

O não-corredor está me fazendo re-ler a primeira parte desta carta. O nome que vejo - Dr. Yau - não faz sentido nenhum para mim. A carta diz que eu já o encontrei e que ele me instruiu a escrever isso, mas não tenho nenhuma memória sobre esse encontro. O não-corredor balança minha cabela em desacordo e direciona meu olhar para o corpo recheado de cogumelos. 

O outro eu, o corredor, parou de se mexer. Ele está olhando para um vasto campo cheio de carne e cinzas. Enquanto observo, começo a sentir minhas pernas tremerem e enfraquecerem. Minha mão esquerda começa a cavocar na pele do meu peito. O não-corredor - meu eu que se parece comigo - está me instruindo a me mexer.

Agora, enquanto finalizo essa carta, estou carregado de um senso de propósito. Eu não preciso mais desse terceiro eu. Não preciso do antigo eu. Só há duas partes reais: o eu corredor e o eu não-corredor. Dr. Yau, seja lá quem você for, espero que essa carta seja útil para você. Os últimos resquícios do meu antigo eu estão nesta carta. Temos que ir agora. Ele tem que ir. Eu tenho que ir.

Tenho que correr. 
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EM BREVE: "Série Runners (PARTE 7) - Antes: Pouquíssima Coragem"

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Todos os créditos para / All credits to: Unsettling Stories

TRADUÇÃO POR: FRANCIS DIVINA