16/08/16

Série Runners/Corredores (PARTE 12) - Durante: Cogumelos demais

ATENÇÃO : ESSA SÉRIE/CREEPYPASTA É +18. CONTÉM CONTEÚDO ADULTO E/OU CHOCANTE. NÃO É RECOMENDADO PARA MENORES DE IDADE E PESSOAS SENSÍVEIS A ESSE TIPO DE LEITURA. LEIA COM RESPONSABILIDADE. 
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PARTE 1


Olha, sei que o conselho escolar está sempre nessa de "compre coisas locais", e é uma coisa boa que estamos ajudando pequenas empresas daqui, mas não conseguimos mais lidar com todos esses cogumelos! Minhas colegas e eu estamos fartas de cozinhar com eles e as crianças ficam tristes toda vez que os servimos. Fazem onze dias seguidos sem falhar que os cogumelos estão nos nossos pratos de um jeito ou de outro. Pelo que vi da remeça que chegou essa manhã, teremos mais uma semana da mesma coisa.

Temos algumas boas crianças no colégio. Várias crianças boas. Trabalho aqui há quarenta anos e provavelmente essa é a melhor safra de alunos que já vi. Não sei porque, mas parece que esse lance de "compre coisas locais" está mudando-os. Mas acho que eles estão recebendo menos do que merecem por estarem sendo tão educados e estudiosos. Sei que esse não é meu lugar de fala; sou só a moça que serve o lanche. Mas estou aqui faz muito tempo para saber que eles sempre estão ansiosos para saber o que vão comer de lanche. Se a comida é entediante ou decepcionante, não vão render tanto quanto poderiam. São crianças, pelo amor de Deus. Eles ainda não precisam saber o que é se decepcionar.

Me sinto mal por reclamar. De verdade. Não é do meu feitio escrever cartas como essa, ainda mais deixá-la exposta para todos lerem. Parte de mim pensa que é pelo o que aconteceu com o pequeno Danny no outro dia. Sei que nada disso é culpa nossa - como poderíamos saber que ele era alérgico? Até a mãe não sabia. Mas foi horrível. Sei que o Sr. Crowley limpou o chão até com água sanitária, mas juro que ainda consigo ver a mancha de sangue.

Talvez eu esteja apavorada com o que vi acontecendo com Danny e me pergunto se alguém sabia que uma reação poderia ser tão severa. Já vi meninos e meninas tendo outras reações alérgicas. Incham e não conseguem respirar. Horrível e assustador, sem dúvida, mas nada que te dará pesadelos depois de ver acontecendo algumas vezes. Mas o que aconteceu com Danny, entretanto... Espero que a direção e conselheiros estejam buscando psicólogos para aqueles alunos que precisarem. Talvez até eu precise. 

Como é possível que a pele de um menino mude tão rápido que você acompanha a mudança diante de seus olhos? Ele estava bem um minuto e depois de uma mordida no seu lanche, seus amigos disseram que as mãos e o rosto dele parecia ter ficado grudento. Assim que Danny tocou o próprio rosto para entender o que estava acontecendo, sua mãe ficou grudada. Quando puxou, a pele se desprendeu. Enquanto seus colegas gritavam, Danny vociferava desesperado que as roupas que usavam estavam o machucando, então começou a tirá-las. Toda a pele que estava por baixo saiu junto do tecido. Nunca vi algo tão horrível como aquilo na minha vida. Ele começou a vomitar sangue e depois desmaiou. Quando os paramédicos chegaram, eu não conseguia acreditar que ele ainda estava vivo. A diretora disse em uma reunião que ele precisava de muitas transfusões de sangue e enxertos de pele, mas que sobreviveria. Ela não respondeu o motivo da reação alérgica ter sido tão severa. Duvido que ela saiba, na verdade.

Acho que me sinto um pouquinho melhor depois de desabafar tudo isso. Ainda assim, gostaria de saber o que lhe causou uma reação tão... Bizarra. Eventualmente nos disseram que foi por causa dos cogumelos, mas que não precisamos nos preocupar porque aparentemente nenhuma das outras crianças são alérgicas.

Agora preciso ir para começar a cozinhar o lanche de hoje a tarde, mas tem uma coisinha ainda que não entendo. Quando estavam levando Danny do refeitório na maca, e ele deixou aquele trilho de sangue no corredor até a ambulância, e o chão aonde ele havia sangrado estava coberto de cogumelos brancos em tirinhas. Tenho certeza que é apenas uma coincidência, pois não são nada parecidos com os "Portobellos" que os distribuidores locais nos trazem, mas odeio o fato que minha mente esteja relacionando as duas coisas. Pelo menos os passarinhos comeram os cogumelos do corredor nos dias seguintes, então não precisamos nos preocupar mais com isso.  

Bem, tenho que ir trabalhar. Tem uma gripe chata espalhada pelo colégio, então vamos fazer creme de frango e sopa de cogumelos para as crianças. Talvez eu coma um pouquinho também. Minha garganta está começando a ficar irritada. 
***
PARTE 


Depois que as escolas e refeitórios municipais começaram a se recusar a ficar com as cargas de cogumelos das empresas locais, foi a gente que ficou com tudo. Normalmente isso seria maravilhoso. Cogumelos se transformam em ótimos adubos.

Tenho acres e mais acres com um ótimo solo. É tão bom que pessoas de todo os lugares do país vem até aqui com seus caminhões para comprar a terra e levar seja lá para onde precisam. Nossa família está cuidando dessas terras faz mais de 200 anos. Nos pediram para vender a propriedade para grandes agroindústrias mais vezes do que podemos contar, mas não conseguimos nos desfazer dela. Mesmo quando as propostas passaram dos 7 dígitos, ficamos contentes com os 6 dígitos que recebemos anualmente, ano após ano.

Há um mês atrás recebi uma ligação de um parceiro, dono de outra fazenda, que estava lidando com os produtos locais para as escolas e tudo mais. Aparentemente não existe mais interesse sobre o excesso de cogumelos depois do falecimento trágico de Danny Lansing. O negociante me disse por telefone o que eu já sabia: a morte do garoto tinha sido resultado de uma reação alérgica severa e que ninguém mais, pelo que sabíamos, teria ficado doente por causa dos cogumelos. Eu ouvi e esperei ele me dizer que tipo de negócio tinha à me ofereceu se eu fosse comprar tudo que tinham para me oferecer.

Admito: fiquei bastante surpreso quando me falou que não queria me cobrar nada pelo carregamento. Ao contrário: me disse que seus sócios me dariam cinco mil dólares se eu mandasse os caminhões para pegar a carga. U$5.000 me parecia uma quantia exorbitante para uma fazenda local oferecer, e quando mencionei isso, apenas me respondeu "bem, é uma quantia exorbitante de cogumelos". 

Dois empregados meus, Ramon e Juan, foram até a fazenda; um com um caminhão de lixo e outro com uma retroescavadeira. Ramon, com o caminhão de lixo, foi o primeiro a chegar, e ele me ligou no momento em que viu a quantidade de produto que eles teriam que transportar. Mandei mais dois funcionários com mais dois caminhões de lixo. No final de contas, foram 8 caminhões lotados de cogumelos. Deixei que eles dividissem os cinco mil entre si.

A última metade da entrega foi feita a noite, então mesmo que eu soubesse que estávamos recebendo toneladas do produto, fiquei chocado quando vi a montanha de fungos que se acumulava no campo perto do celeiro. Fui até lá para dar uma olhada e vi que a maioria parecia ser os famosos portobellos, mas no meio havia uns brancos, finos em tiras, que parecem com aqueles cogumelos japoneses que não recordo o nome.

Os quatro rapazes que tinham ajudado ontem estavam lá no início da manhã. Eles não esperavam o grande bônus de ontem, então estavam ansiosos para começar a trabalhar e mostrar o seu apreço. Sempre achei importante tratar os meus funcionários com respeito. Esses caras estão comigo faz muitos anos; Juan acabou de fazer 30 anos de empresa esse ano. Sem eles, não seriamos tão bons assim. Faço questão de falar isso para eles sempre que posso.

Eles começaram a trabalhar colocando os cogumelos no moedor que faz parte da nossa fazenda há quase um século. A máquina se alimenta de qualquer matéria orgânica e os deixa em um o tamanho e consistência perfeita para ser incorporado ao solo. Cinco horas depois, as duas pilhas de cogumelos tinha sido reduzida a uma lama de celulose.

Organizei quais partes da propriedade receberiam o novo fertilizante, e como os caras que tinham que espalhar o adubo estavam com sorte, essa área era a que estava mais tempo sem manutenção. Após dois dias de trabalho, aquela parte do campo já estava terminada. Antes do final de semana! 

Ninguém estava por lá entre Sábado e Terça-feira. Falei para meus funcionários que eu e minha esposa tiraríamos uns dias de folga para fazer uma viagem e desfrutar do tempo quente, então dei a segunda-feira de folga para todos. Voltamos na madrugada de terça-feira, bem antes do nascer do sol. Parecia que eu tinha acabado de colocar minha cabeça no travesseiro quando bateram na minha porta. Meu celular começou a tocar, também. Atendi e Pedro começou a gritar nos meus ouvidos. Entendo bem espanhol, mas não quando está sendo falado a mil palavras por segundo e com gritos intercalados. Pedi para que ele se acalmasse e perguntei se seu pai estava lá para conversar comigo. Eu adoro o garoto, mas ele se emociona facilmente. Acho que todo adolescente de 16 anos é assim.

Juan começou a falar no telefone enquanto eu andava até a porta da frente. Ramon estava ali, parecendo atordoado. Juan estava falando algo sobre os cogumelos no telefone enquanto Ramon me puxava pelo braço para o outro lado da casa, que ficava perto do campo onde eles tinham trabalhado na semana passada. Primeiro vi Pedro, depois Juan, que ainda estava com o celular na orelha. Entretanto, eu não o ouvia mais. Eu podia ver algo no campo recém-fertilizado cerca de cem metros de distância, mas estava sendo obscurecido por uma névoa laranja.

Nós quatro andamos em direção do campo. Comecei a ficar com uma sensação incomoda de inquietação. Ao longe, eu via enormes formas bulbosas, protuberantes e salientes saindo no chão. Mesmo enquanto nos aproximávamos, não conseguíamos ver direito do que se tratava. A neblina laranja escura obscurecia os detalhes. Ramon apontou para pegadas no chão que cobriam toda aquela parte do campo. Quanto mais eu olhava, mais eu via. Dez pares de pegadas.

A neblina laranja lambia nossos pés, tornozelos e pernas enquanto nos aproximávamos. Coloquei minha camiseta sobre a boca e o nariz antes de chegar mais perto. Os outros também fizeram. As pegadas pareciam vir de todos os lados, bastante espaçadas, como se fossem de corrida. Chegamos perto o suficiente para conseguir distinguir o que eram aquelas formas bulbosas. Um tipo de fungo. Pareciam com pedaços gigantescos de raiz laranja saindo do chão. As laterais tinham poros enormes alinhados, alguns abertos, alguns cobertos com uma membrana frouxa.

Do nada, Pedro começou a gritar e colocou as mãos sobre o rosto, deixando cair a camiseta que cobria a boca no processo. Eu o vi arfar, enchendo o pulmão com a neblina. Meus olhos se arregalaram quando vi o que tinha o assustado. Haviam corpos em volta das bases dos cogumelos, como se estivessem os abraçando. Suas peles estavam totalmente deterioradas. Não sei mais como poderia descrever aquilo. Haviam vários pedaços de pele faltando, pedaços maiores que 30 centímetros. E haviam muitos, muitos pedaços faltando.

A pior coisa, se é que pode piorar, eram as condições de seus pés. Estavam em frangalhos; ossos saindo para fora, músculos desfiados e veias penduradas como se fossem fios cabelo grosso. Não sei o que poderia ter acontecido - parecia que eles tinham corrido até desgastá-los por completo. 

Ouvimos uma respiração ofegante, então nos viramos. Uma mulher terrivelmente magra, completamente nua e com partes de pele e carne faltando, passou correndo por nós. Ela não tinha um dos pés. A cada passo que dava, o toco de seu tornozelo afundava na terra. Ela correu e deu de cara comum dos cogumelos, colocou os braços em torno do fungo, e se afundou no chão com um sorriso no rosto. Enquanto seus braços deslizavam pelo corpo do cogumelo, os poros iam se abrindo, assim liberando mais neblina laranja.

Os homens que estavam comigo falavam cada vez mais alto enquanto iam recuando. Mais corredores em estado degenerativo estavam chegando. Continuávamos a nos afastar, saindo da neblina. Juan chamou Pedro. Percebi que o garoto não estava nos acompanhando. Juan o chamou de novo. Pedro saiu da neblina, e como todos nós, estava coberto de esporos cor de laranja. Mas ao contrário da gente, sua boca e nariz não estavam cobertos. Ele olhava fixamente para o nada e arranhava o próprio rosto e pescoço.

Juan correu até o filho e começou e a puxá-lo para fora do campo, mas Pedro se virou e começou a voltar em direção da neblina. Juan, sendo muito mais forte, ainda foi capaz de puxar o menino para fora do campo em direção do celeiro, onde nos despimos e começamos a falar sem parar. Nós ficamos no meio do celeiro, perguntando em voz alta o que diabos estava acontecendo.

Pedro, agora limpo, continuava a se arranhar. Linhas vermelhas começavam a se formar nos lugares onde suas unhas havia passado. Suas pernas não paravam quietas enquanto ele andava em círculos, enquanto seu pai o mandava ficar quieto. Alguns minutos depois, enquanto Juan tentava ligar para a polícia, assistimos Pedro começar a correr de volta para o campo de cogumelos, dando de cara na porta fechada do celeiro. Então se levantou e fez a mesma coisa. E de novo. E de novo. 

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EM BREVE: "Série Runners/Corredores (PARTE 13) - Durante: Distorção demais"

PERGUNTA IMPORTANTE: Vocês querem que eu dê um tempo com essa série e traduza outras coisas, ou continuo com a série? Por favor, comente!

Se gostou,  comente! Só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! Obrigada!
KEEP CREEPYING!

Todos os créditos para / All credits to: Unsettling Stories

TRADUÇÃO POR: FRANCIS DIVINA


15 comentários:

  1. Por mim, pode continuar com a série... Agora que ela ta ficando boa. Diminuiu os termos técnicos e tem mais enredo. Parabéns pelo ótimo trabalho de tradução.

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  2. continua,a serie é excelente,quero ver onde vai dar(eu que curso quimica to amando alguns termos,haha)e to curioso pra ver a ligaçao entre os cogumelos e o ovo de grafeno

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    1. O ovo imprimido na impressora 3d, de la que saius as moscas

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  3. A Reação do Danny a ser exposto ao cogumelo foi semelhante aos índios, a pele grudando em qualquer coisa. Mas a da Parte 2... ela meio que faz jus ao nome da série. Parece que o cogumelo atrai as pessoas infectadas.

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  4. Por favor,continue com essa!!depois que passou os caps com muitos termos técnicos ela ficou muuuito boa!Divina,você é divina.

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  5. Continua com a série, pelo amor de todas as entidades existentes.

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  6. Faz assim divina, a cada 3 eps, traduz outra creep, se não fica enjoativo.

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  7. Sou um novo leitor aqui e estou adorando essa série! (parabéns pelo ótimo trabalho traduzindo). Continue com os próximos eps, runners é muito boa!

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  8. Continua a série. Agora que está fazendo sentido pra mim. XD

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  9. Divina meu amor pf continua a serie,agr ta maravilhosa e esta fazendo bem mais sentido

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  10. Pela essa agua de jesus, continua sim senhora pfvr!

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  11. Divinaaaa eu fiz uma cp, porém eu não achei muito boa. Se não for te atrapalhar, ou se você puder em um dia livre, teria como você me ajudar a melhora-la? Se puder eu te mando pelo email. ^~^

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  12. Nova leitora... Amando a série e super ansiosa para o próximo capítulo.

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