28/10/16

Abóboras Podres

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A fazenda perto da nossa casa tinha várias lanternas de abóbora no Halloween. Era muito legal de se ver; um campo inteiro cheio de abóboras cuidadosamente esculpidas com seus rostos grotescos e o brilho das velas por dentro. Haviam doces espalhados em pequenas sacolinhas, e crianças de todas as idades visitavam a fazenda antes ou depois do Halloween para pegar algumas guloseimas a mais.  

Nós nos mudamos para o outro lado da rua do campo há alguns anos atrás. A princípio, amamos a ideia das lanternas de abóboras. Parecia bem assombroso e realmente falava com o espirito do Halloween que eu e minha esposa temos. Mas quando o Halloween passava, o fazendeiro não retirava as abóboras do campo. Simplesmente deixaria lá para apodrecer.

Achei que fosse para fertilizar o solo para o que planejava plantar lá na primavera. Fazia sentido não desperdiçar todo aquele material orgânico. O problema é que elas atraiam animais. Animais e insetos. Com o novembro estranhamente quente que tivemos ano passado, o cheiro apodrecido trazia bichos de longe, e quando terminavam de comer, começavam a vagar pela vizinhança. 


Sendo uma cidade pequena, havia pouco que podíamos fazer para parar o fazendeiro, que se chamava Ruben, pois ele tinha o direito de fazer o que bem entendesse com sua propriedade. Nós todos tínhamos que lidar com os veados, gambás, coiotes, raposas, moscas, abelhas e morcegos comendo e cagando por todos os cantos da cidade até que não sobrasse mais abóboras.

Ano passado, me aproximei de Ruben enquanto ele organizava as lanternas de abóboras. Era um cara bastante amigável, sobre isso não havia dúvidas. Expliquei o problema e ele me ouviu, assentindo com a cabeça. Me falou que algumas outras pessoas já haviam lhe falado aquilo, mas que durante o verão havia arrumado as cercas, então isso não seria mais um problema. 

"Além do mais," me disse com um sorriso, "o ano passado foi só um teste. Neste Halloween tudo será perfeito."

No dia do Halloween, o campo cheio de lanternas de abóboras parecia ainda melhor do que do ano passado. Mesmo que o arranjo fosse o mesmo, Ruben havia contratado alguns artistas para criar designs monstruosos para as abóboras. Eram demais! Até dei uma caminhada pela frente, antes das velas serem acesas, para poder absorver tudo. Me senti como uma criança de novo. 

Enquanto a noite chegava ao fim e já tínhamos dado a maioria dos nossos doces para as crianças da vizinhança, estávamos prontos para desligar as luzes e trancar as portas quando ouvimos sirenes se aproximando. Olhei para a rua e vi uma procissão de carros de polícia, bombeiros e ambulâncias vindo em nossa direção. Fui para a varanda e observei-os passar por nossa casa e fazerem uma curva acentuada para a esquerda na entrada da fazenda de Ruben. 

Sentei nos degraus com minha esposa enquanto observada as luzes passarem para o campo parcialmente iluminado. "Ai meu Deus," Sussurrei. 

Com as luzes, pude ver corpos no chão junto das lanternas de abóbora. Corpos pequenos. Pequenos e fantasiados. Crianças. "Ai meu Deus," repeti, só que mais alto. 

Paramédicos e policiais saíram dos carros e foram para o campo e começaram as tentativas de ressuscitação nos corpos imóveis. Um por um, foram desistindo. Os pais estavam chegando em bandos e o som de lamúria e histeria preenchia o ar. Minha mulher e eu ficamos agarrados um ao outro enquanto os corpinhos, um atrás do outro, iam sendo colocados nas ambulâncias.

Na manhã seguinte, estava por todos os jornais. “32 crianças mortas em provável envenenamento. ” Rubem foi preso e levado para interrogatório. Ele se recusava a falar com os investigadores e foi preso sem poder recorrer a fiança.

Funerais foram feitos e as abóboras começaram a apodrecer. Era mais um novembro estranhamente quente, e como esperado, insetos começaram a descobrir o campo. Nuvens de moscas passavam para lá e para cá, cobrindo o campo de cinza enquanto colocavam seus ovos nas abóboras amolecidas. 

Alguns dias depois, os testes toxicológicos dos corpos das crianças voltaram. O que havia envenenado-os ainda era desconhecido. Exibiam todos os sinais clássicos de envenenamento: cianose, paralisia, hemorragia, etc. – mas nenhuma toxina foi encontrada em seus corpos. Amostras de tecido foram coletadas para testes futuros, mas os cadáveres foram liberados para as famílias. 

Duas semanas depois, o ar estava repleto de moscas e abelhas. A neve ainda não havia caído e aquelas coisas rastejavam e voavam por entre os restos das ex-lanternas. Lá de casa, eu podia ver os terríveis rostos deformados; rostos que já não me traziam boas lembranças do feriado. Eram rostos que zombavam dos mortos.

O outono incrivelmente quente continuava. Vinte graus acima do normal, segundo o homem do tempo. Flores estavam florescendo e as cerejeiras floresceram um total de cinco meses antes do tempo. As abóboras ainda estavam lá, porém deformadas, por terem sucumbido ao apodrecimento e pelos vermes vorazes. Enquanto o novembro quente ia se transformando em dezembro, os mais sortudos de nós começaram a esquecer a tragédia que pousara sobre nossa cidade. Mas ainda recebíamos lembretes – especialmente no dia 2 de dezembro, quando Ruben decidiu quebrar o voto de silêncio. 

Meu primo, Ron, trabalha no departamento de polícia como mecânico. Ele não tem acesso a informações criminais ou oficiais, mas ele conversa bastante com os policiais. E os policiais gostam bastante de conversar. 

Ron veio falar comigo no dia 2 antes de qualquer notícia sobre os dizeres de Ruben. Era claro que ele não se sentia confortável. Lilian e eu nos sentamos enquanto Ron relatava tudo que seus amigos extraíram do investigador. 

O Ruben que eu conhecia não era nada parecido com o cara que meu primo descrevia. Ele estava coberto de cortes e cicatrizes de símbolos e palavras indecifráveis. Cada centímetro de seu corpo era esculpido ou mutilado de uma forma ou outra – algo que ele fizera utilizando as unhas no tempo em que ficou na cadeia. 

Os detetives perceberam que Ruben estava pronto para falar quando começou a gritar o nome de todas as crianças mortas. Logo após a meia noite do dia 2, ele começou a gritar cada primeiro nome, nome do meio e sobrenome de cada criança até que sua voz era uma rouquidão só. Detetives ficaram do outro lado da grade de sua cela e transcreveram suas palavras. Não entenderam a maior parte, mas era melhor do que nada. O mais importante era uma data e horário: 5 de dezembro, 23h00. 

Ninguém conseguia entender o que ele queria dizer com isso, então houveram muitas especulações. Tudo que a polícia podia fazer era estacionar uma viatura durante a noite no lado de fora da fazenda no caso dele ter algo planejado. No dia 5, Lilian, Ron e eu ficamos sentados na varanda observando o campo negro à nossa frente. Às 23h00 nada aconteceu. Esperamos alguns minutos. Observei o policial do lado de for a da viatura, fumando um cigarro. 

Quando já estávamos prontos para entrar em casa, vi algo se mexendo no campo. Uma pequena chama. “Olhem, ” Falei para os outros, apontando. Eles viram também. Mais movimentos começaram.

“ Ei! ” Gritei para o policial, e continuei apontando para o campo. O oficial apagou seu cigarro e deu a volta no celeiro para olhar melhor. Foi até o lado do campo, e então usou seu rádio para chamar reforços. 

Enquanto observamos, os brilhos foram se intensificando, como se novas velas estivessem sendo acesas e começaram a queimar decentemente, como quando parece que vai apagar mas intensifica seu fogo. Depois de alguns poucos minutos, mais policiais chegaram. Me levantei e atravessei a rua. Eu precisava ver o que estava acontecendo.  

“Não vá, ” Lilian falou, me segurando pela mão, mas eu puxei e continuei em direção da cerca. Ouvi Ron andando atrás de mim.

A polícia chegou e iluminou o campo com suas lanternas de busca. Podíamos ver as abóboras podres, todas com apenas uma vela enfiada nelas. Estavam tremendo. Uma por uma, as velas foram caindo e atingindo a palha seca do chão. A palha pegou fogo. A polícia pediu reforços para os bombeiros, mas não havia chances de que chegariam a tempo. O fogo começou a se espalhar vorazmente. 

Tomadas pelo fogo, as abóboras começaram a se abrir. Só depois de serem dissolvidas pelo fogo que conseguimos ver o que havia dentro. "Ai meu senhor do céu," Ron meio que falou, meio que rezou. 

No lugar de cada abóbora podre, havia uma coisa pequena, de forma humanoide, sentados de cabeça baixa e com os joelhos próximo ao corpo. O calor se intensificava, crescendo cada vez mais, mas pude ver tudo. Uma por uma, as coisas se levantaram com suas pernas firmes e ficaram eretos. Eles estavam crescendo, e logo atingiram mais ou menos a altura das crianças que haviam falecido. 

Suas peles começaram a chamuscar e andaram para fora das chamas em direção dos vários policiais. Sem saber o que fazer, mas totalmente apavorados, alguns começaram a atirar. As balas não os pararam. Uma a uma, elas passavam pelas crianças geradas pelo fogo, saindo por suas costas, pernas e cabeças em um frenesi de gore e sangue, mas continuavam a andar para frente. 

Logo, os policiais que tinham disparado as balas, caíram no chão. Por um segundo não se mexeram, mas depois começaram a apodrecer. Assim como as abóboras. Os outros policiais recuaram. Eu recuei até minha casa, e assisti tudo lá da porta, junto de minha esposa e primo. Estávamos horrorizados. 

Uma procissão de crianças andou pela rua, seguidas pelas viaturas. Bombeiros trabalhavam para apagar as chamas, e depois de um tempo conseguiram. 

Ron ligou seu rádio da polícia e nos sentamos na sala de estar, ouvindo os horrores enquanto as notícias de novas mortes de policiais e outros oficiais eram dadas:

"As crianças chegaram na prisão."

"As crianças conseguiram queimar as grades da cela de Ruben Rendell."

"As crianças estão carregando Rendell de volta para o lugar de onde vieram."

"Ah, merda," Eu disse, e abri a porta da frente. Eles estavam andando pela rua - uma passeada de crianças pretas e esfumaçadas carregando um homem que queimava. Ruben. E ele gritava. 

"ESTÁ QUASE PRONTO! ESTÁ QUASE NO FIM!"

Ele gritava entre risadas histéricas enquanto queimava. As crianças levaram-no para o campo e o colocaram bem no centro. Depois se colocaram no mesmo lugar onde antes estavam as abóboras de onde nasceram. Alguns já tinham apagado, mas outros ainda brilhavam em um fogo seco e vermelho. 

Antes de queimar até a morte, Ruben gritou uma última coisa:

"POR FAVOR, ACEITE ESSA OFERENDA! É SUFICIENTE? É ISSO QUE PRECISAS? ME VEJA POR INTEIRO! ME! VEJA! POR! INTEIRO!"

Ele não proferiu nem mais um som depois da última palavra. Nada além do som crepitante das chamas se extinguindo. 

Os dias seguintes foram um turbilhão de investigações, visitas da mídia e especulações. Ninguém sabia o que havia acontecido. Ninguém sabia o que Ruben havia feito. E por um tempo, foi um mistério como as crianças haviam sido envenenadas. 

Um mistério, claro, até que Jasmine McCray, a mãe de uma criança que felizmente estava doente demais para sair no dia do Halloween, encontrou uma pequena carta dentro do baú de brinquedo de seu filho. Dizia:

"Para uma noite especial e divertida de Halloween, desenhe esse simbolozinho em um pedaço de papel e engula, depois venha até o campo de abóboras da fazenda de Ruben para buscar doces! Você nunca, nunca vai querer ir embora." 

O símbolo era uma estrela invertida. Um pentagrama. 

O filho de Jasmine contou que Ruben tinha dado aquela carta para as crianças durante um recreio, em um dia que havia ido até a escola para dar uma palestra sobre como era ser um fazendeiro. Ele falou pessoalmente com cada criança e os fez prometer que jogariam fora depois de ler e que não contariam para seus pais. 

Jasmine entregou a carta para a polícia e depois contou para a mídia. Enquanto os moradores mais supersticiosos aceitavam aquilo como uma resposta sobre o que acontecera, os céticos como eu não acreditavam. Mesmo depois do que presenciei, eu não podia acreditar que algo verdadeiramente sobrenatural acontecera. 

Mas então foram reveladas as fotografias. Fotografias aéreas feitas pelo helicóptero de uma emissora feitas um dia depois do holocausto no campo. Claramente marcada pelo carvão e cinzas do fogo, havia um pentagrama - a forma exata em que as abóboras tinham sido colocadas. Ninguém conseguia perceber isso vendo do chão. 

E no centro do pentagrama, onde Ruben havia gritado suas palavras finais, sua reza suplicante, seis palavras foram queimadas no solo. Era a resposta para as rezas do fazendeiro. 

"NÃO O SUFICIENTE. NUNCA O SUFICIENTE." 



Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você o ver em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 

KEEP CREEPYING!

TRADUÇÃO POR: FRANCIS DIVINA


21 comentários:

  1. Não entendi o final o q ele fez com esse ritual?

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  2. Creepy maravilhosa. A descrição das cenas foi demais. Há tempos não lia uma creepy que tratava de símbolos e etc.

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  3. Pensei que eram fadas mas era só uns satanzinhos msm

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    1. Huehuehuehuehuehuehue!!!
      Plantação de capirotinho regado a criança!

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  4. Achava que no fim o cara não ia ter nada a ver com a morte das crianças, mas acabou que ele tava fazendo um pacto que não deu certo, que louco.

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  5. se pudessem postar umas creepy menores tipo as que rolava em 2012,

    fico lendo no serviço mas tem coisa pra fazer sempre me perco nessas grandes.

    muito bom o site.

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    1. Lendo no serviço?
      Bonito... que bonito sim
      Que cena mais linda, está despedido

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  6. Me surpreendeu mt.
    Isso q da fzr pacto com quem é conhecido como "pai da mentira".

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  7. Não entendi muito bem isso. Mas aparentemente me pareceu um pacto demoníaco.

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  8. Ual... excelente Creepy, saudades das creepy com tons de rituais e coisas sobrenaturais misturados com o nosso mundo real... Muito boa mesmo!! Nota 9/10

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  9. Totalmente inesperado, curti demais. Me amarro nesses contos de rituais e tal...

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