05/10/16

O nome dele era Tommy Taffy (+18)

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ATENÇÃO: ESSE CONTO ESTÁ CLASSIFICADO COMO +18. PODE CONTER CONTEÚDO ADULTO E/OU CHOCANTE. NÃO É RECOMENDADO PARA MENORES DE IDADE E PESSOAS SENSÍVEIS. PODE TER ACIONADORES DE GATILHOS E/OU TRAUMAS SOBRE ABUSO SEXUAL E INFANTIL. LEIA COM RESPONSABILIDADE. 
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Alguns de vocês já devem ter lido a postagem do meu filho, "O Novo Membro da Família" sobre o que aconteceu por causa do monstro Tommy Taffy. Depois de ler, depois de chorar muito, me senti na obrigação de escrever isto. Não estou aqui para defender minhas ações. Não estou aqui para dar desculpas. Fiz o que tinha que fazer para minha família sobreviver. Eu sabia do que Tommy era capaz. Eu sabia o que teríamos que suportar. 

Mas eu também sabia que se conseguíssemos passar cinco anos sem irritar Tommy Taffy, nós sairíamos daquele pesadelo vivos. Como eu sabia disso? Por que eu já havia vivido tudo aquilo. Já tinha sido exposto à o que aquela... coisa... era capaz. Já conhecia o temperamento de Tommy. Já tinha passado os meus cinco anos. 

Como já disse, não estou aqui para me defender. O que aconteceu com minha família é indescritível... mas estamos vivos. Estou aqui, escrevendo, para você entender porquê fiz o que fiz. Porquê deixei Tommy fazer o que fez com minha esposa e filhos. Depois de ouvir meu lado, depois de saber das coias que passei, aí então pode me julgar o quanto quiser. 

Deus sabe que mereço. 

Eu tinha sete anos quando Tommy chegou pela primeira vez na minha rua. Filho único, morava com meu pai e minha mãe em um bairro de classe média. Era um pedacinho do sonho americano, como um pedaço de torta de maçã suavizado com uma bola de sorvete de baunilha. 

Nossa rua ficava em um bairro residencial no canto mais distante de nossa cidade ainda  em desenvolvimento. No total éramos em seis casas e um grupo bastante unido, tanto os pais quanto as crianças. No verão fazíamos churrascos juntos e no inverno tínhamos festas de Natal. Era quase como se nossa quadra fosse uma grande família. Todos cuidavam uns dos outros, todos generosos e atenciosos; eram tempos diferentes, quando as pessoas confiavam nos outros. 

Mas nossa vida perfeita foi despedaçada quando ele chegou...

Jesus Cristo, nunca vou esquecer. 


***
JULHO DE 1969

Eu havia acabado de ir para a cama, minha mente de sete anos de idade explorando minha imaginação, quase virando em sonhos. A lua  era uma linha amarela quente em minha janela, uma expansão de estrelas piscando para mim enquanto caia no sono. Eu podia ouvir a televisão ligada na sala de estar, um lembrete reconfortante de que meus pais ainda estavam acordados e que os monstros debaixo da minha cama não viriam essa noite. 

O rangindo familiar da porta da frente foi seguido pelo silenciar dos murmúrios de conversa. Pude ouvir a voz do meu pai sendo interrompida por outra voz masculina que não reconheci. Minha mãe também entrou na conversa e pude ouvir meu pai ficando irritado. 

Os minutos se espicharam enquanto o visitando noturno misterioso continuava a conversar com meus pais. Sai de fininho da cama e fui até a porta do quarto, colocando a cabeça para fora para ouvir melhor. Ainda não conseguia distinguir as palavras, mas podia notar que meu pai estava ficando furioso. Começou a gritar e ouvi ele mandar que o visitante saísse da casa ou ligaria para a polícia.

Tudo ficou muito quieto, tão quieto que eu podia ouvir meu coração batendo rápido. Então ouvi minha mãe começar a chorar. Era tão baixinho, tão baixinho, mas me deixou com muito medo. O visitante noturno estava falando algo para meus pais, sua voz bem baixa, minha mãe ainda soluçando. 

Depois de alguns minutos, meu pais falou algo que eu não consegui entender. Logo em seguida, ouvi algo bater contra a parede lá de baixo, mas com tanta força que pude escutar os quadros caindo no chão e o vidro se espatifando. Coloquei a mão sobre a boca para não deixar escapar um grito. O que estava acontecendo?

Minha mãe deixou escapar um som de clemência, estava implorando para alguém. Ouve um bater de pés e depois mais um estrondo contra a parede. O intruso estava falando algo para meus pais, da sua voz jorrava autoridade. Me esforcei para entender as palavras, mas para mim parecia só um balbuciar fraco. 

Depois de mais alguns minutos agonizantes, ouvi meu pai me chamando lá para baixo. Meu coração era um tambor selvagem em meu peito enquanto mordia o lábio inferior, mãos tremendo. Por que eu tinha que descer? O que estava acontecendo? Meu pai chamou de novo, sua voz tremula. 

Vagarosamente, abri a porta do quarto e fui para o topo da escada. Percebi que estava agarrado ao Rugido, meu ursinho de pelúcia. Minhas mãos estavam suadas e pude sentir o pelo suave dele se umedecendo.

Olhei lá para baixo no pé da escada, onde ficava a porta da frente, e congelei, meus olhos arregalados. Meu pai estava com as mãos em volta da própria garganta, fazendo uma leve careta, lágrimas nos olhos; algo que eu nunca vira antes. Minha mãe estava abraçando a si mesma, as bochechas molhadas.

Mas não foi isso que chamou minha atenção. Era o estranho que estava perto dos meus pais, olhando para mim. Ele parecia ter trinta e poucos anos e usava uma camiseta branca que dizia "OI!" em fonte vermelha. Seu cabelo era loiro e bem curto, seus olhos azuis pareciam duas piscinas profundas postas sobre a neve.

Então comecei a notar as estranhezas do intruso: Sua pele era impossivelmente lisa, limpa, uma camada rosa totalmente perfeita. O seu nariz não era realmente um nariz, só uma leve protuberância no meio do rosto. Seus lábios estavam retorcidos em um sorrido que mostravam tiras brancas onde deveriam estar os dentes. 

"Oi, Spence!" Falou comigo, suas voz bastante alegre, "Meu no me é Tommy Taffy! Vou ficar aqui com vocês por um tempo!"

Apertei o Rugido contra meu peito, sentindo um arrepio, implorando com o olhar que meus pais me ajudassem. Ao invés disso, eles apenas olharam para o chão, também tremendo. Eu não fazia ideia do que estava acontecendo e o que havia sido dito entre eles, mas eu podia sentir o perigo no ar, denso e malicioso.

"Desça aqui para eu poder dar uma boa olhada em você!" Tommy disse, me chamando com a mão.

De repente, os olhos do meu pai se encontrara com o meu e tive que engolir a seco. Até com aquela idade, pude interpretar aquele olhar.

Tenha cuidado, filho.

Cuidadosamente, desci os degraus, sem soltar do meu ursinho. Quando cheguei ao pé da escada, minha mãe tentou me segurar, mas Tommy deu um passo na frente dela, sorrindo para mim. Ele se agachou e bagunçou meu cabelo. Pude ver mais de perto sua pele imaculada que parecia cera polida. 

"Você é um rapaz muito fofo, não é mesmo? Ah, quem é esse aí?" Perguntou, gesticulando para o meu urso.

"O no-nome dele é Ru-rugido," gaguejei.

Tommy sorriu, "Claro que é. Eu vou ficar aqui com seus pais por um certo tempo, então quero que nós três sejamos amigos. Eu, você e o Rugido. Pode ser?"

Novamente, olhei para os meus pais pedindo ajuda, confuso e tremulo. Não fazia ideia do que estava acontecendo, quem ele era, e porquê meus pais pareciam tão assustados. Ele parecia legal, mas o jeito que meu pai esfregava a garganta me contava outra história.

"Toc, toc!" Tommy riu, batendo gentilmente com os nós dos dedos na minha cabeça. "Hey, eu te fiz uma pergunta, Spence."

"O que você fez com o meu papai?" Sussurrei, me arrependendo imediatamente.

Os lábios de Tommy continuaram em um sorriso congelado, seus olhos escurecendo, mesmo que só um pouco. “Hehehehe.”

Meu pai me pegou pelos ombros, "Spence, filho, está tudo bem. Nós conversamos melhor depois. Agora, Tommy vai... ele vai..." Ele olhou para minha mãe, "Ele vai morar com a gente."

E esse foi o começo de cinco longos anos que nunca vou esquecer.


***

Alguns dias se passaram e acabei descobrindo que, entre cochichos e fofocas, que Tommy tinha visitas o todas as pessoas de nossa rua. Ele estava na nossa casa, mas em de outras pessoas ao mesmo tempo. Aprendi isso com a mulher que depois viera a ser minha esposa, Megan, que morava do outro lado da rua. Ela me contou que um cara estranho estava morando na casa dela. Depois que o descreveu para mim, deduzi que era o mesmo... Tommy Taffy.

Não entendia como isso era possível, mas sabia que tinha que continuar com a boca calada. Tommy me fez jurar segredo. Fez todo mundo jurar. Isso era reforçado pelos meus pais, que em sussurros apressados me mandaram nunca falar sobre Tommy para ninguém.

Eu podia sentir que todos o temiam.

E eu também. Havia algo estranho em seu sorriso constante, seus traços esquisitos e o jeito frio e enunciado que ria ou falava. Não sei o que havia falado para meus pais para que não fossem até a polícia, para que continuassem a deixar aquele homem morar conosco, mas deve ter sido algo terrível.

Éramos reféns em nosso próprio lar. Claro, Tommy não nos trancava lá dentro... mas sabíamos que quando voltássemos, ele estaria lá. 

Durante a noite, Tommy nos fazia sentar no sofá e nos dava lições de vida. Nos ensinava como ser uma boa pessoa, como amar os outros. Lembro que uma vez, na primeira semana, eu olhei através da janela da sala e pude ver a sala da casa de Megan, lá do outro lado da rua. 

E lá estava Tommy, falando com a família, todos sentados no sofá.

O Tommy que estava na frente de mim e de minha família parou de falar abruptamente e ficou m encarando por longos minutos. Depois foi até a janela e fechou as cortinas antes de continuar.

Durante os finais de tarde, enquanto os pais de família voltavam para a casa de seus respectivos trabalhos, eu os via se reunindo brevemente na calçada, murmurando e olhando por cima dos ombros. Havia um medo mutuo entre eles, um conhecimento não verbal de que tinham que manter o segredo de Tommy, que chamar a polícia só levaria a... bem, levaria a algo nada bom. Imagino que em sua chegada, Tommy ameaçou minha família e mostrou que tinha uma dominância física sobre os homens. Lembro bem das batidas contra a parede e o jeito que meu pai segurou a garganta.

Mas o que diabos tinha falado para eles? Porque tinham permitido que ele infestasse nossas casas?

Bem... descobri um mês mais tarde.

Eles estavam conspirando contra Tommy.

Iriam matá-lo.

***
AGOSTO DE 1969

De novo, acordei de repentino. Olhei para meu relógio do homem-aranha e vi que já passava da meia-noite. Esfreguei meus olhos sonolentos, tateando debaixo das cobertas pelo Rugido. Quando encontrei meu urso, ouvi uma batida no andar de baixo junto de várias vozes.

Pulei da cama e fui até a porta. As luzes do andar debaixo estavam desligadas, mas vi holofotes de luzes cortando a escuridão.

Lanternas?

Chamei pelos meus pais, mas vi que a porta do quarto deles estava escancarada. Nesse momento eu já soube que não estavam dormindo. Ouvi mais vozes vindo do térreo, junto de um arranhar no chão de madeira. Dei um pulo quando um estrondo sacudiu a noite e as vozes iam sumindo.

Tem pessoas indo para o porão, pensei, apavorado. Nosso porão não estava finalizado, era apenas um espaço vazio acimentado.

Mas por que estavam indo para o porão?, pensei.

Silenciosamente, achando que meus pais estavam lá embaixo, fui de fininho até o primeiro anda, agarrado ao Rugido. Como previsto, a porta do porão estava aberta e vi luzes refletindo no chão empoeirado.

Pude ouvir a voz do meu pais, e depois vozes familiares dos nossos vizinhos. Estavam falando com alguém. E estavam bravos.

Meu coração congelou quando ouvi alguém rindo do porão.

“Hehehehehehe.”

Calculando cada passo para não fazer nenhum barulho, passei pela porta aberta e desci os dois primeiros degraus para ver o que estava acontecendo. 

Tommy estava amarrado à uma cadeira de metal no meio da sala, cercado de seis pares de pais que moravam ali na rua. Estavam de costas para mim, mas eu podia ver o sorriso perfeito de Tommy olhando para eles. O pai de Megan estava lá, seu rosto um emaranhado de roxos e inchaços. Seu braço estava em uma tala e estava bastante curvado, parecendo sentir muita dor.

Prendi a respiração quando percebi que um dos homens estava entregando uma arma para o meu pai. As mulheres estavam ao lado dos seus esposos, um sorrisinho pousado em seus rostos. Não havia discordância em relação à execução.

"É hora de você ir embora de nossas vidas," Disse um dos homens, pairando sobre Tommy. Reconheci-o como pai do meu amigo Luke. Eles moravam a duas casas de distância. "Essa é sua última chance," falou quase como um rosnado. 

Tommy nem sequer lutou contra suas amarras, aquele sorriso de sempre ainda em seu rosto. Olhou para eles, a pequena luz do porão iluminando seus olhos azuis, "Não entendo, só estou tentando ajudá-los a criar suas crianças do jeito certo. Não vou ir embora."

Foram trocados olhares entre os adultos e então meu pai colocou a arma na cabeça de Tommy, "Você não está ajudando ninguém. Você é um monstro. Não pode vir até nossas casas e ameaçar nossas crianças, nossas vidas. Não é assim que funciona. Todas aquelas ameaças que você sussurrou enquanto estávamos com a guarda baixa... bem, olhe a sua situação agora," Meu pai cuspiu nele, "Patético. E agora você vai sentir a nossa ameaça."

Meu pai atirou na cabeça dele.

O barulho foi ensurdecedor e quase gritei, colocando a mão na boca no último segundo. 

A cabeça de Tommy pendeu para trás enquanto o cheiro de pólvora tomava conta do porão.

Tudo ficou silencioso por um momento até que...

“Hehehehehehe...”

Atordoado, fiquei observando Tommy levantar a cabeça lentamente enquanto olhava para o meu pai.

"Que porra é essa?" falou uma das mulheres, a voz tremula.

Não havia sangue, nenhum osso despedaçado... nada. Apenas um círculo negro na testa de Tommy, por onde a bala havia atravessado.

"O que diabos você é?" Alguém murmurou.

Os olhos de Tommy seguiram a voz, "Eu sou o Tommy Taffy e não vou a lugar algum."

De repente, minha  mãe apontou para um canto do porão, suas mãos tremiam. "Gasolina... peguem a gasolina..."

A mãe de Megan foi até o canto do porão e voltou com uma pequena lata vermelha. Pude ouvir o barulho da gasolina sendo derramada e sentir também o cheiro.

Meu pai pegou a lata das mãos dela, os olhos arregalados nunca saindo de Tommy. Se falar nada, ele levantou-a sobre a cabeça de Tommy e o encharcou.

Tommy continuou a sorrir. “Hehehehehe.”

Outro pai passou para o meu uma caixa de fósforos.

Meu pai acendeu um, sua mão pairando no ar, "Volte para o inferno e nos deixe em paz."

O sorriso de Tommy ficou ainda maior, "O inferno parecerá um paraíso quando eu voltar para te pegar."

Meu pai soltou o fósforo e Tommy começou a queimar com as chamas. Ele não gritou, não se debateu... só queimou.

Quando seu rosto começou a derreter, seus olhos desceram um pouco de nível e ele me viu.

“Hehehehehehehe.”

Com o coração na garganta, corri de volta para o meu quarto, lágrimas correndo pelo meu rosto. Na segurança da minha cama, eventualmente ouvi os vizinhos indo embora, alívio em suas vozes.

Duas semanas depois, Tommy voltou. 

***
SETEMBRO DE 1969

Nós estávamos jantando, o senso de normalidade voltando aos poucos para nossa família. Meus pais nunca me contaram que haviam assassinado Tommy, ao invés disso optaram por me dizer que ele havia "voltado para a casa" e que a visita tinha terminado. Eu ainda sentia o cheiro de gasolina em algumas partes da casa, mas fiquei quieto. Eu estava feliz que nossa família estava bem.

O sol estava se pondo e a luz laranja ia passando pela janela e iluminava a sala de estar, se esticando pelo chão e indo até a mesa de jantar. Meus pais estavam sentados cada um em uma extremidade da mesa, conversando. Eu podia sentir que ainda estavam um tanto abalados, mas admirava a tentativa de transformar nossas vidas normais de novo.

Eu tinha acabado de colocar uma garfada de purê de batata na boca quando a porta explodiu.

Me virei, pulando enquanto as lascas de madeira se espalhavam pelo chão.

Deixei meu garfo cair, olhos arregalados.

Era Tommy... e ele parecia estar furioso.

O queixo de meus pais caíram juntos, mas antes que pudessem falar qualquer coisa, Tommy marchou em nossa direção com uma rapidez alarmante. Pratos cheios de comida foram ao chão e meu pai tentou se levantar, mas estava paralisado pelo medo. 

Sem dizer nada, Tommy agarrou meu pai pela garganta e o arrastou até a parede, pressionando o rosto dele contra a mesma.

Minha mãe gritou e correu para ajudar meu pai, mas Tommy se virou e socou-a na boca, mandando-a direto para o chão.

Sentindo o líquido quente escorrer pelas minhas pernas, o pânico trancado em minha garganta, assisti Tommy tirar o rosto sangrento de meu pai da parede. Tonto e cuspindo sangue, meu pai tentou se desvincilhar de Tommy, mas sem conseguir.

Seus olhos se escureceram e apenas um grunhido saia de seus lábios, Tommy fechou as duas mãos no pescoço dele e o arrastou até a sala de estar.

Sem parar, ele o jogou pela janela da sala lá para o jardim.

Eu era um misto de medo e lágrimas, ranho escorrendo do meu nariz quando Tommy voltou para minha mãe e eu.

Agora ele sorria. 

Ele foi até minha atordoada mãe e a ajudou a levantar, "Você tem que ver isso.", disse sombriamente, seus lábis curvados em um sorriso. Olhou para mim e gesticulou em direção da porta, "Você também Spence, pode vir." 

Ele puxou minha mãe até a porta e depois empurrou-a lá para fora. Eu não havia saído do lugar, minha boca paralisada em um grito mudo. Tommy olhou por cima do ombro e piscou para mim, "Não me faça pedir de novo, moleque. Ah, e traga a vassoura que está aí atrás de você."

Pulei da cadeira, me levantei obedientemente e peguei a vassoura da cozinha, enquanto ia em direção de Tommy, urina pingando de minhas calças. Tommy colocou uma mão no meu ombro e me guiou até o lado da caixinha de correio. Vi meu pai rolando na grama, um emaranhado de sangue e vidro, minha mãe ajoelhada ao seu lado, chorando. 

Nossos vizinhos estavam saindo de suas casas, olhos esbugalhados, expressões de choque em seus rostos quando viam Tommy.

"Aprocheguem-se!" Gritou, gesticulando para que se aproximassem. "Olhem bem o que vocês fizeram!"

Vi Megan de pé na frente de sua casa o rosto pálido como um lençol. Olhou para mim e começou a chorar, tampando o rosto com as mãos.

Muito chocados, nossos vizinhos obedeceram-no e foram se aproximando do nosso gramado, todos olhando minha mãe e principalmente meu pai.

"Isso é culpa de vocês," Tommy falou, observando cada um dos rostos apavorados.

De repente, arrancou a vassoura de minhas mãos. Com um movimento brusco, arrancou a parte das cerdas e jogou para o lado, avançando em direção do meu pai com o bastão na mão. Minha mãe gritou e cobriu meu pai ensanguentado com o próprio corpo, mas Tommy empurrou-a para o lado pela cabeça.

"Vamos levantar?" Tommy rosnou, puxando meu pai pelos cabelos até ele ficar de joelhos.

Com vidro grudado em seu rosto, meu pai olhou para Tommy, agonia em seus olhos.

"Não se preocupe, vou cuidar muito bem do seu filho," murmurou.

Levantou a vassoura quebrada sobre sua cabeça e como uma espada, enfiou dentro da boca do meu pai, empurrando até que irrompeu pela barriga para ser cravada na terra. Sangue jorrou de meu pai como uma cachoeira, respingando o rosto perfeito de Tommy. Minha mãe uivou, seus olhos vermelhos revirando em suas órbitas enquanto meu pai engasgava... e então morreu, seus lábios envolvendo o cabo da vassoura.

Os vizinhos assistiram tudo imóveis; algumas mulheres chorando por causa do ato de violência. Os homens estavam mudos e pálidos, o pai de Megan se curvando e vomitando no asfalto. 

Com sangue pingando de seu rosto, Tommy se virou para eles, olhos brilhantes, "Quero que vocês lembrem disso da próxima vez que quiserem fazer uma fogueira. Fui claro o suficiente?"

Todos os olhares estavam fixos na figura empalada.

"Eu falei 'fui claro o suficiente'?" Tommy repetiu, o sorriso sumindo de seu rosto.

Todos assentiram lentamente, todos com os olhos arregalados e lacrimejados.

Tommy apontou com o dedão sobre o ombro, "Agora se livrem dele. Preciso por o filho dele para dormir."

Dei um passo para trás, lágrimas escorrendo livremente pelas bochechas, totalmente abalado, sem conseguir tirar os olhos do meu pai morto. Meu mundo girava, minha visão parecia apenas um borrão. Senti como se fosse vomitar, desmaiar, ou gritar até que não conseguisse mais respirar.

De repente, Tommy estava pairando sobre mim, me carregando em seus braços. Ele pressionou meu rosto contra seu ombro e acariciou meu cabelo.

À medida que entravamos na casa e íamos até o meu quarto, ouvi um ruído no peito de Tommy.

“Hehehehehehe.”

***
JUNHO DE 1973

Como posso descrever os três anos e meio seguintes? Palavras... não podem.... fazê-los entender como a vida foi para minha mãe e para mim. O assassinato de meu pai foi encoberto pela vizinhança e por ela, mesmo com a dor absurda que isso deve ter causado. Quando a polícia veio investigar o caso, à pedido da empresa em que trabalhava, uma história já havia sido elaborada cuidadosamente pelas famílias.

Falaram para a polícia que meu pai estava traindo minha mãe e que ela havia descoberto e mandado-o embora. Mentiras sobre discussões foram ditas, junto com relatos de vizinhos que teriam "visto meu pai saindo de fininho no meio da noite".

Foi o suficiente para a polícia sumir da nossa rua. Eles viram a dor no olhar de minha mãe, mas interpretaram de outra forma. Todos estavam morrendo de medo de Tommy Taffy, então mentiras foram inventadas para proteger os outros moradores suas famílias. 

Um exemplo tinha sido dado, uma lição fora aprendida. Ouça o Tommy Taffy. Faça o que ele pede. E reze para que vá embora eventualmente e deixe nossa comunidade em paz.

Meu pai não foi o único punido. Percebi que era recorrente algum vizinho parecer com o braço quebrado ou com o rosto cheio de hematomas. Não consigo nem imaginar as mentiras que disse ao mundo exterior para encobrir a verdade.

Tommy era um pesadelo assombrado nas nossas vidas e não achavamos solução para que ele sumisse de nossas vidas. Com o retorno das lições noturnas, agora apenas com minha mãe e eu, sentados no sofá ouvindo aquele que nos mantinha refém dar aulas de como ser uma boa pessoa. Eu já tinha dez anos e isso me deixava com nojo, quanto mais velho ia ficando, mais percebia como aquela situação era absurda. 

Mas eu continuava de bico calado. Ficava quieto pelo bem da minha mãe. A memória da execução de meu pai ainda refletia nas chamas dos meus olhos. 

Os anos seguintes da morte de meu pai fizeram os hábitos de Tommy mudarem. Agora ele dormia com minha mãe. Todos os dias, depois de me colocar na cama, ele a escoltava até o quarto para ensinar mais uma lição de vida. Eu ficava deitado, acordado por horas, ouvindo ela chorando. 

Algumas vezes era por poucos minutos, outras... por horas.

Mas nem sempre ele passava a noite inteira com ela.

Lembro-me de acordar no meio da noite e encontrá-lo em um canto escuro do meu quarto, me assistindo dormir, seus olhos como oceanos brilhantes. Outras vezes ficava me espiando pelo espaço da porta entreaberta. Ficava lá por horas e horas... apenas... olhando.

As vezes eu acordava com ele se deitando na minha cama, a mão fria na minha coxa.

Coração acelerado, o medo me despedaçando por dentro. Eu sempre me virava para o outro lado, suando frio. Eu ainda tinha o Rugido, a única fonte de conforto que me restava. Eu o abraçava fortemente, com lágimas nos olhos até que o sol saísse ou meu corpo desligasse pela exaustão. 

Aguentamos em silêncio, implorando que acabasse. 

***
JULHO DE 1974

Eu tinha onze anos. Era o quinto ano, no dia exato, que Tommy tinha entrado em nossas vidas. Eu estava sentado na sala de estar, lendo um livro enquanto minha mãe preparava o jantar. Ela estava pálida e magra, os longos anos deixaram-na pele e osso. Seus olhos não tinham vida e estavam afundados nas órbitas, as maçãs do rosto protuberantes, a pele fina esticada sobre seus ossos.

Rugido estava sobre o meu peito enquanto eu tentava me focar na leitura. Tommy estava sentado em uma cadeira de frente para mim, observando.

Virei a página e levei um susto quando Tommy falou.

"Você realmente ama essa coisa aí, não é mesmo?"

Olhei para ele, "Me-meu livro?"

Tommy sacudiu a cabeça, sorrindo, "Não, filho. O urso."

Olhei para Rugido no meu peito e me encolhi, "A-acho que si-sim."

Tommy se inclinou, entrelaçando os dedos, "Abaixe o livro, Spence."

Lambendo meus lábios repentinamente secos, obedeci. Notei minha mãe observando da cozinha, parecendo alarmada.

"Você sabe o que amor... significa?" Tommy perguntou. 

Fiquei mexendo em Rugido, sem olhar para Tommy, "Si-significa que você go-gosta muito de alguém."

Tommy sacudiu a cabeça. "Não... não. Mas foi boa a tentativa." Se levantou e se sentou do meu lado no sofá, colocando a mão em cima da minha perna e acariciando-a de leve. "Amar significa que você quer foder tanto com alguém que morreria se não fodesse."

Ouvi minha mãe derrubar algo na cozinha, mas não ousei tirar meus olhos de Tommy.

Tommy apontou para Rugido, "Você quer foder com o seu ursinho?"

Eu já ouvira algumas crianças na escola falando sobre foder e transar, mas não entendia completamente o que aquilo significava, então eu sacudi a cabeça negativamente, minhas mãos suando.

Tommy parecia confuso, "Mas você acabou de dizer que amava o Rugido. Então... quer dizer que você não o ama?"

Minha mãe deu um passo em nossa direção, as mãos fechadas apertadas em punhos, mas continuou calada, os lábios eram apenas uma linha branca em seu rosto.

"Acho que eu nã-não a-amo, então." Gaguejei, sentindo a mão de Tommy apertando minha coxa.

Tommy colocou a outra mão atrás da minha cabeça, "Por que você não da um beijinho nele. Aí você vai saber, não é?"

Me senti envergonhado e humilhado só em pensar naquilo, minhas bochechas corando. Tentei dar uma risadinha, achando que talvez fosse uma piada, mas Tommy estava forçando minha cabeça em direção do urso.

"Vai, filho, não tenha medo", ordenou. 

Pude sentir as lágrimas se formando em meus olhos enquanto ele guaiva minha boca em direção do urso e gentilmente beijei a ponta do nariz, me afastando imediatamente.

"Beije de novo," Tommy sussurrou, "Mostre o quanto você o ama."

Fungando, com lágrimas escorrendo dos meus olhos, segurei Rugido e dei vários beijos no seu nariz. Meu rosto estava quente e meu coração acelerado. Me sentia bobo e totalmente aterrorizado, a mão de Tommy parecendo um gancho na minha nuca. 

"Dê uma lambida," Tommy sussurrou em meu ouvido.

Repentinamente eu empurrei minha cabeça para trás e joguei Rugido no outro lado da sala, chorando desesperadamente, "Eu não amo ele! Eu odeio! EU ODEIO ELE!"

Cobri meu rosto, morrendo de vergonha, mãos tremendo. Fiquei encolhido no sofá, chorando. Senti Tommy se levantando do sofá e se virar para minha mãe.

"Parece que ele aprendeu sua última lição.Ficaria orgulhoso dele se fosse você. Ele já é um homem agora."

Olhei para ele com os olhos marejados.

Seus olhos brilharam, "Levou cinco anos..." Se abaixou rapidamente e colocou a mão em concha no meu ouvido, sussurrando em meu ouvido.

Sua voz era como gelo, sua respiração como fogo, "Os seus pequenos também terão esses cinco anos, Spence."

Minha mãe correu até mim e me confortou em seus braços enquanto eu chorava.

Tommy nunca mais voltou. 
***
O tempo passou e eu cresci... Cresci sempre esperando que Tommy aparecesse de novo, que quebraria a porta da frente em pedaços. Mas isso não aconteceu. Enquanto os anos iam passando a dor e o medo também foram se dissipando. 

Entretanto, nunca fomos os mesmos.

Como poderíamos? Minha mãe era apenas uma casca da mulher que já tinha sido. A tortura mental que passou destruiu algo dentro dela que nunca conseguiu recuperar. Mas Deus, ela me amou e cuidou de mim, tentando fazer aqueles cinco anos de pesadelos sumirem de minha memória.

Um ano tinha se passado quando minha mãe teve coragem de perguntar para a mãe de Megan se Tommy também tinha sumido da vida deles.

E tinha.

A vizinhança toda estava livre, impossivelmente e inacreditavelmente livre do monstro que aterrorizara nossas vidas por cinco longos anos.

Eu não entendi a frase final que Tommy me disse... não entendi seu significado.

Só entendi quando já era tarde demais...

Com vinte e cinco anos casei com Megan.

Um ano depois ela estava grávida. Você já leu o resto da história pela visão de meu filho...

Deus me perdoe por ter tido filhos.

Deus me perdoe. 
-


FONTE

N.T: Desculpa a demora! Tenho estado meio atarefada no trabalho, e como essa é uma das grandes, demorei um pouco mais que o normal para traduzir. Espero que gostem! 

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 

KEEP CREEPYING!

TRADUÇÃO POR: FRANCIS DIVINA


39 comentários:

  1. Ai gente. Que coisa doentia. To pensando seriamente se quero filhos agora. Haha

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  2. Cadê os irmãos Winchester pra resolver essa parada? --'

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  3. Tem mais histórias sobre T.T. no Reddit. Tem essa que fala sobre os filhos de Stephanie, a menininha do primeiro conto que foi traduzido. Aliás, ótimo trabalho Divina, adoro suas traduções e as histórias que traz!!!
    Segue o link, pra quem quiser se arriscar no inglês:

    https://www.reddit.com/r/nosleep/comments/55qjdf/tommy_taffys_twins/

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    1. Por favor divina, traduz pra gente <3

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    2. Realmente seria ótimo ter essa creepy traduzida, pq na minha opinião ela é a melhor e eu lavei a alma lendo aquilo :)

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    3. A tradução já está em andamento!

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    4. Nossa mano, foda dms, se tivesse a da stephanie tbm seria foda

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    5. Nossa, eu li essa dos gêmeos ainda agora. MelDels... É realmente, o melhor conto dos três, foi o mais impactante, em minha opinião, eu terminei aquilo nem acreditando direito. Puta merda, coitada dessa família.
      Quando sair aqui, com certeza vou ler de novo. Terminou de maneira destruidora, mas olha... Acho que não tinha outra maneira da história terminar, assim, ponto final mesmo. Ai ai.
      Ótimo trabalho, Divina, caramba, essa série foi uma das melhores, pqp, arrasadora de almas meeeesmo.

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  4. Essas creepys com o Tommy são as melhores!! Meu deusssss

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  5. Ótimo trabalho Divina. As creepys aqui estão ficando cada vez mais fodasticas!

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  6. Já tinha lido em inglês mas li de novo e to me tremendo toda. Perturbador demais nossa @_@'

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  7. Lecal, precisamos de mais continuações

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  8. Uma das melhores creepys que ja li, muito loko

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  9. Tipo muito bom!
    Eu só esperava tb que ele contasse a versão dele da parte 1...

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  10. Ja lançou o terceiro "episódio" desta creepy, li mas ainda sim gostaria de ler em portugues... Sempre adorei ler Creepypastas... Na grande maioria é muito divertido, mas este é o primeiro creepy que eu fico temeroso em ler a sequencia,o texo e tão bem feito que voce consegue sentir o terror no ar. Isso sim que é terror literário!

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  11. Também nunca mais vou rir com "hehehe" e olha que tem um monte de personagens que eu gostam que fazem isso, essa creppy e sei lá tenebrosa e muito boa obrigada por trazer, nunca vou ter filhos e espero que eles parem de ter porque olhaaaaa da medo

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  12. Creepy boa mas fica absurdamente pesada em certos pontos

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  13. Parabéns Divina, mas um excelente trabalho.

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  14. As creepys de Tommy são uma das melhores! Medo do Tommy. É pertubador.

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  15. uma das melhores creepys q ja li

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  16. Ah meus deus! Amei a história de Tommy Taffy. Será que vai ter outros relatos?

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  17. Impressão minha ou a descrição da cara do Tommy Taffy é ninguém menos do que o Max Headroom?

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    1. Carvaggio, que idéia impressionante. Ao ler eu formei uma aparência na minha mente que realmente parecia o Max. Mas não me lembrava do Max. Boa, realmente é parecido mesmo. A única coisa que não gostei nessa creepy é do tal Tommy parecer um boneco, achei isso nada a ver.Tipo o boneco Ken não assusta ninguém se vc pensar...

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  18. Não querendo apressar a Tradutora, pois ela tem outras coisas para fazer alem de administrar o site, mas quando será que terá a tradução do terceiro episodio de Tommy Taff? Eu ja li no Reddit, mas minha noiva (apesar de estar enojada) quer muito ler e nao manja muito de inglês e prefere que eu não leia pra ela... Este terceiro episodio é sem duvidas o melhor dos 3!

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  19. caralho, essa série é boa. Finalmente chegou o dia que alguém que faz creepypasta realmente saiba de algo que as pessoas tenham medo

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  20. Não sei os outros creepers, mais criaturas que são táteis, tangíveis,que causam danos fisicos e psicológicos nas vítima s são mais fascinantes e sinistros! Eu amei me assustar com o Tommy Taff. KEEP CREEPING!

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  21. "O inferno vai parecer o paraíso quando eu voltar pra te pegar"
    O pai até tentou mas não deu
    Imagino o que ele sentiu quando percebeu que não pôde proteger o filho

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  22. "O inferno vai parecer o paraíso quando eu voltar pra te pegar"
    O pai até tentou mas não deu
    Imagino o que ele sentiu quando percebeu que não pôde proteger o filho

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