17/11/16

Hoje eu quebrei um copo.

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ATENÇÃO: ESSE CONTO PODE CONTER LINGUAGEM ADULTA E INADEQUADA. 

Os gritos começaram um segundo depois que meu copo caiu no chão. Cometi o erro de achar que estava segurando-o sobre a mesa enquanto continuava a assistir vídeos no meu computador. No geral, não era um grande dilema. Eu estava somente bebendo água, e a casa tinha copos suficientes para compensar por esse. Mas claro, a reação sobre o meu erro não dependia de mim.

“O que diabos foi isso? ” Eu ouvi o berro vindo da sala de estar, enquanto passos enraivados vinham em direção da cozinha. Fechei meus olhos e suspirei pesadamente. Me preparando para o que viria a seguir. “Pelo amor de Cristo! Você não consegue passar um dia sem fazer merda? Parece que é só eu virar as costas para você fazer merda. Bem, o que você tem a dizer em sua defesa, seu bostinha? ”

Eu não a respondi. Houve uma época que, quando minha mãe fazia isso, eu até tentava explicar a situação e me defender, mas acabei aprendendo que não levaria a nada tentar argumentar com ela. Andei até um canto da cozinha e peguei a vassoura. Não havia muita água no copo, então seria mais fácil de coletar os cacos de vidro antes de varrer. Enquanto isso minha mãe continuava a gritar.

“Tenho certeza que não te criei para virar um idiota, ” Lançou para mim, claramente tentando fazer com que eu reagisse. Continuei a ignorá-la. “Ah, então quer dizer que você não vai pedir desculpas pela bagunça que fez? Se eu soubesse que você não teria nenhuma consideração por mim quando ficasse mais velho, eu teria espancado até sua alma antes de virar um rebeldezinho. ”

Os cacos estavam em um montinho organizado. Fiquei satisfeito que não haviam cacos minúsculos por aí, assim ninguém se machucaria. Realmente não foi tão ruim quanto eu achava. O copo havia quebrado em poucos pedaços. Eu estava varrendo-os para uma pá quando ouvi a porta do porão abrir e fechar. Isso só podia significar que minha mãe estava buscando reforços. Mantive minha mente na tarefa que executava e fui até o lixo com os pedaços de vidro quebrado.

“Margaret? O que está acontecendo? ” Ele perguntou. Percebi em seu tom de voz irritadiço que já estava procurando uma briga. “Estou tentando trabalhar aqui enquanto ouço toda essa comoção aqui em cima. ”

“Seu filho decidiu que queria começar a quebrar todos nossos copos bons, ” Ela me acusou. Revirei os olhos. Decidi que não havia razão para pontuar que nossos copos estavam longe de serem de boa qualidade, ou que eles nem se quer haviam comprado-o. Eu já pagava e comprava minhas próprias coisas fazia um tempo. Na época eu achava que significava que, se algo quebrasse ou estragasse, eu não teria que ouvir sermões. Claramente, não é assim que funciona.

“Mas que merda! ” Ele gritou, olhando em minha direção. “Não posso ter uma noite de paz para terminar minhas coisas?! Só quero uma noite sem que você tente me ferrar. É pedir demais? ”

Meu pai ficou me olhando por alguns segundos esperando que eu o respondesse. Eu sabia muito bem que não devia abrir a boca. Não levaria a lugar algum. A reação superexagerada por causa de um erro tão simples poderia ser engraçado se não fosse uma rotina para mim. Eu já havia aprendido a muito tempo que, se eu não botasse lenha na fogueira naquelas discussões, eles se cansariam depois de alguns minutos e me deixariam em paz. Peguei um papel toalha da bancada e comecei a secar a água do chão.

“Olha o que você está fazendo, ” meu pai começou a falar, enquanto ficava de pé perto de mim enquanto eu limpava o chão. “Você se quer liga que deixou sua mãe bastante chateada? ”

“Ele não liga, Martin, ” Minha mãe gene, enquanto lágrimas escorrem de seus olhos. “Acha que o mundo gira entorno dele. Achei que tínhamos o criado melhor que isso, mas ele consegue nos decepcionar cada vez mais. ”

O papel estava totalmente umedecido pela água. Com a outra mão, tateei o chão. Havia ainda uma pequena poça d’água, que secaria sozinha dentro de um minuto ou dois. Me levantei e joguei o papel no lixo. Quando me virei, meu pai estava ajoelhado sobre a água que eu não secara.

“Você ne se quer sabe limpar direito, ” Cuspiu em minha direção. “Alguém vai escorregar aqui e quebrar a perna, mas garanto que você não está nem aí se fosse um de nós dois. ”

Passei por ele sem nem fazer contato ocular e me sentei na mesa exatamente no mesmo lugar onde estava antes disso tudo começar. A série que eu estava assistindo continuava a rodar sozinha, então voltei para a parte em que havia parado de assistir. Apertei o play e tentei me focar no que estava acontecendo na tela.



“Onde erramos para ter criado um vagabundo tão preguiçoso, Martin? ” Ela perguntou para meu pai, ainda em lágrimas e com o tom de voz choramingado. “Ele era um garoto tão bonzinho quando criança, agora é esse monstro terrível. ” 

Eu tinha certeza que já estava quase no fim. Pelo menos era assim que as coisas aconteciam, geralmente. Os Gritos eram seguidos por um período de lamentação sobre eu ser filho deles. Eu só precisava ficar focado na tela por mais alguns minutos até que eles cansassem. Pelo menos esse era o plano, mas, como sempre, meus planos não saíram como esperado.

“Depois de tudo que fizemos por ele, Margaret, ” Meu pai grunhiu. “Ele não entende a vida mole que tem aqui. Tem sorte de ter pais tão amáveis quanto nós em sua vida. ”

Eu ri.

Não foi grande coisa. Não ri histericamente. Na real, não havia nada naquela situação que eu achasse particularmente humorístico. Mas algo em referir que eu tinha “sorte” de ter que passar por aquilo diariamente, fez com que eu não conseguisse manter meu estado nulo por apenas um segundo. Mas eu sabia que já era o suficiente. Eu não estava olhando para nenhum dos dois quando aconteceu, mas consegui imaginar as reações deles em minha mente. Por um segundo, meu pai abandonaria a expressão de raiva e sua boca se transformaria em um pequeno sorriso de triunfo. Já minha mãe, garanto que não haviam mais lágrimas falsas em seus olhos. Era hora de a gritaria de verdade começar.

“Quem você acha que somos, cabeça de merda? ” Meu pai quis saber. “Deve achar mesmo que estamos aqui para fazer palhaçadas para você rir. Isso todo é uma grande peça de comédia para o seu divertimento. ”

“Tenho certeza que você não é meu filho, ” Minha mãe rugiu de trás de mim. “Qualquer criança minha saberia que estaria encrencado se risse de mim ou de seu pai. ” 


Eu sabia que, se ficasse sentado levaria mais uma meia hora daquele jeito, e se eu levantasse e encarasse-os demoraria ainda mais. Mas eu não achava que conseguiria aguentar mais naquele dia, então decidi que se eu fosse ser detonado por eles, que pelo menos fosse confortavelmente. Me levantei da mesa e fui andando para o meu quarto.

“Onde diabos você acha que vai, mocinho? ” Meu pai perguntou. “Sua mãe e eu estamos longe de ter terminado com você. Volte aqui e peça desculpas imediatamente. ”

Ignorando-o, fiz meu caminho pelo corredor até a porta do meu quarto. Enquanto fechava-a, fiz questão de não batê-la ou dar mais munição para a raiva deles. Eu sabia que me seguiriam em breve, mas geralmente eu tinha uns minutos de intervalo. Sentei de frente para minha mesa e comecei a trabalhar em alguns rascunhos de desenho enquanto eles bolavam seu próximo ato.

Mas nem sempre foi assim. A gritaria. Quando eu era pequeno tinha sorte em ter meus pais. Ainda me lembro das vezes que minha mãe me levava no parque no final do bairro para me ensinar a me impulsionar sozinho nos balanços. Também penso frequentemente na vez em que meu pai chegou cedo em casa, me colocou no carro, e comprou minha primeira bicicleta sem rodinha. Nós três éramos um time inseparável, e eu achei que seria assim para sempre. Como fui ingênuo.

Ainda me lembro exatamente o momento em que tudo mudou. Eu estava na casa da minha tia por alguns dias. Era minha primeira vez ficando em algum lugar longe de meus pais. Minha tia era muito legal comigo e meus primos eram meus melhores amigos no mundo. Infelizmente, eu não conseguia superar a minha saudade por eles e o quanto queria voltar para casa. Então implorei para que voltassem, e quando finalmente voltaram, eu estava extasiado de alegria.  Mas isso não durou muito, pois estavam diferentes da última vez que eu havia os vistos. Corri para dar boas-vindas, mas simplesmente me olharam com desprezo no olhar. No começo achei que era por eu não ter ficado satisfeito na casa da minha tia. Mas eles nunca pararam de se irritar comigo depois disso.

De princípio, os gritos me afetavam terrivelmente. Meus pais nunca tinham gritado comigo antes, mas de repente parecia que era só isso que faziam. Me lembro de chorar até dormir várias vezes, enquanto os dois ficavam na porta do meu quarto falando como eu os desapontava. O pior é que eu não tinha a quem pedir ajuda. Sentia que era minha culpa deles serem assim, porque claramente eu tinha feito algo para irritá-los. Eu passei dias e dias sentado no meu quarto pensando o que eu poderia ter feito para ficarem tão bravos comigo. Claro que eventualmente percebi que eu não estava fazendo nada de errado, e lentamente aceitei que aqueles seriam meus pais daqui para a frente. Não posso dizer que me acostumei, mas consegui chegar ao ponto de tolerar a situação.

“Sei que você está no seu quarto, seu bosta, ” A voz do meu pai ressoou do outro lado da porta. “Abra agora ou irá se arrepender. ”

Mantive meus olhos na mesa e continuei a desenhar. Isso foi algo que sempre me ajudou a manter minha mente longe da raiva de meus pais, mas hoje não estava ajudando tanto quanto nos outros dias.

“Eu disse para abrir essa porta ou vou derrubá-la, ” Ele falou de novo. “E então vou ir aí e te dar uma surra do jeito que devia ter dado anos atrás. ”

Os pelos da minha nuca se arrepiaram. Há um tempo atrás isso não seria nada além de papo furado. Meu pai sempre foi mais de latir e não de morder. Mas alguns dias atrás sua expressão de raiva chegou a um ponto que nunca havia visto. Eu estava passando por ele e ele bateu com as mãos em mim. Eu não caí no chão, mas definitivamente dei uns passos para trás. Nunca achei que ele seria capaz de colocar as mãos em mim. Durante os anos ele me ameaçou tanto que cheguei a perder as contas, mas até esse momento nunca havia feito nada. Quando aconteceu, a sua expressão de choque foi tão grande quanto a minha, mas então um sorriso contente fixou em seu rosto enquanto me encarava. Aquilo já não era mais impossível.

“Se você não vir aqui no três, eu vou arrebentar essa porta, ” Me ameaçou. “Um... dois…” 

Ele foi interrompido por uma porta que abriu e fechou do outro lado da casa. Primeiro, achei que poderia ter sido minha mãe. Afinal, ela tinha estado estranhamente quieta enquanto meu pai gritava. Geralmente trabalhavam como um time. Olhei para o relógio e meu coração começou a acelerar quando vi que já eram três e meia. Alguém chegar em casa nunca havia sido motivo para eles pararem. Por anos tinham mantido a atenção em mim, sem se importar com o mundo a nossa volta. Fiquei pensando o que será que eles estariam aprontando. E foi aí que eu ouvi.

Da cozinha, ouvi um grito repentino e o barulho de algo caindo. Levantei de minha escrivaninha o mais rápido que pude e sai correndo pela porta. Minha mente corria enquanto eu fazia meu caminho pelo corredor até a cozinha. Na minha frente estavam meus pais parecendo mais indiferentes o possível, enquanto o corpo de um garoto de oito anos estava imóvel no chão.

“Marty! ” Eu gritei, indo em direção dele. “Marty, você está bem? ”

Por alguns segundos que pareceram eternidades, ele não se mexeu muito. Mas logo seus olhos abriram e ele se recuperou do choque, e olhou para mim.

“Pai?” Falou, confuso. “Eu estava andando e de repente bati em algo. Mas não tinha nada. ”

“Está tudo bem, amigão, ” Eu o abracei enquanto alívio percorria por mim. “Você não se machucou mesmo? ”

“Acho que não, ” Ele disse, vendo se realmente não havia se machucado.

Enquanto estávamos sentados ali no chão, ouvi a porta da frente se abrir e mais alguém entrar na casa. Olhei para cima e vi minha esposa de pé na porta da cozinha com um misto de preocupação e confusão em seu olhar.

“O que aconteceu? ” Perguntou, enquanto andava até nós e se ajoelhava no chão.

“Não foi nada demais, ” Respondi, tentando parecer o mais calmo possível. “Acho que Marty fez uma curva íngreme demais. Me deu um susto, não é, amigão? ”

“Foi mal, pai, ” Ele falou ainda parecendo confuso, mas bem mais calmo que antes.

“Bem. Eu não estou muito feliz com essa situação, ” falei, enquanto nós três nos levantávamos. “Como punição por me dar um susto tão grande, acho que você e sua mãe deveriam ir até a sorveteria tomar um cascão agorinha mesmo. ”

“Mas, paaai! ” Ele riu, fingindo estar desapontado.

“Sem, mas, garoto, ” ordenei. “Vá tirar esse uniforme e tomar um sorvete já! ”

Ele deu uma risadinha e correu para seu quarto. Minha esposa sorriu olhando-o sair, e se virou depois para mim. Ela não estava mais sorrindo.


“Está tudo bem, Pete? ” Me questionou enquanto me olhava. “Se Marty só caiu, porque você estava tão nervoso? ”

“Eu ouvi um barulho lá do escritório e pensei no pior, ” meio que menti para ela. Olhei para minha mãe e meu pai vindo para a cozinha, os dois fingindo que não tinham nada a ver com aquela situação. Rapidamente olhei de volta para minha esposa antes que ela me pegasse olhando para pessoas invisíveis para ela.

“Ele parece bem, ” ela disse, parecendo mais confortável com a situação. “O que é bom. Por alguma razão indecifrável, eu realmente gosto de você e seria uma pena ter que te trocar por outro modelo. ”

“Acho que você não receberia reembolso por mim, ” brinquei, e a beijei no rosto.

“Por que tem que ser lá na sorveteria do Carl, tão longe? ” Ela perguntou.

“Ele sempre diz que é o seu favorito, “ expliquei, sem saber realmente se era o sorvete preferido dele ou não. Mas eu precisava de um pouco mais de tempo para pensar no que acontecera. Eu não os queria ali. “Ele é um bom menino. Ele merece isso. ”

“Estou pronto! ” Marty falou, correndo para a cozinha.

“Vocês dois se divirtam, ” falei, enquanto os dois iam em direção da porta. “Quando voltarem, eu já devo ter terminado os diagramas do trabalho. Podemos assistir um filme, que tal? ”

Os dois sorriram e saíram pela porta da frente, enquanto isso direcionei minha atenção para as duas pessoas que me olhavam com sorrisos maldosos no rosto. Fui em direção do meu escritório enquanto os dois me seguiam.

“Que peninha que o Marty caiu, ” ela falou com uma falsa simpatia. “Talvez se você fosse um pai melhor, isso não aconteceria. ”

“Bem, odeio dizer, mas eu avisei, filho. ” Ele riu, enquanto passávamos pela porta do quarto, “ Eu falei que a água no piso da cozinha era perigosa. Foi sorte ele não quebrar a perna. ”

Fui até a escrivaninha enquanto eles continuavam tentando me irritar ainda mais do que já tinham. Me sentei diante dos diagramas enquanto eles ficavam de pé, cada um de um lado da cadeira. A coisa que dizia ser minha mãe estava falando algo sobre eu nem se quer ir com meu filho até a sorveteria. A entidade que se dizia meu pai concordava com ela, e disse que eu era um pai terrível. Eles estavam tão entretidos com os xingamentos que nem notaram quando tirei algo debaixo da escrivaninha. Estavam tão empolgados por ter me irritado que nem notaram o objeto que eu segurava quando me levantei para encará-los.

“Ei, Pai! Sabe qual é o problema de se tornar corporal? ” Perguntei calmamente. Eu vi o rosto dele ser tomado pela raiva, preparado para começar a gritar, por eu ter a ousadia de ter feito uma pergunta, mas ele nem conseguiu abrir a boca. Atingi-o com força na cabeça. Pude sentir o bastão de madeira coberto de chumbo, que tinha guardado em caso de ladrões arrombarem a casa, afundando contra o seu crânio e deformando seu rosto retorcido. Ele caiu no chão e tive certeza que aquela coisa não tinha mais vida. Mas só para ter certeza, bati na cabeça dele mais algumas três vezes. Ou dez. Quando terminei, ele não era nada mais do que pedaços de carne, ossos quebrados e uma poça escura de sangue misturada com cérebro. “Você pode ter gostado de ser corporal, para poder atormentar a mim e minha família, mas o problema é que agora eu posso revidar. ”

Olhei em direção da monstruosidade que se apossara da pele de minha mãe e, pela primeira vez, pude ver medo em seus olhos. Dei um passo em direção dela, segurando firmemente o bastão. Ela deu um passo para trás.

“Vinte e sete anos, ” Gritei para ela enquanto sentia o sangue quente daquele monstro esfriar sobre minha pele. Dei mais um passo na direção dela, e ela recuou mais uma vez. “Por vinte e sete anos vocês dois me seguiram por aí, usando a pele dos meus pais para me atormentar. Não sei se vocês estavam por perto da casa da minha tia logo que meus pais morreram e viram uma oportunidade, ou se aquelas semanas que eu ainda via meus pais os trouxeram para mim. Algum tipo de desejo irônico onde posso ver meus pais todos os dias, mas suas mentes foram trocadas por estes terríveis monstros abusivos. ”

“Nós...” Ela começou a falar.

“CALA A BOCA! ” Eu a interrompi, dando mais um passo em sua direção enquanto ela tentava se afastar mais, mas já estava recostada na parede. Eu sorri. “Houve uma época em que talvez eu gostaria de ouvir suas justificativas, mas agora eu não ligo mais. Por anos eu tolerei vocês dois por aí, pois sabia que não eram meus pais de verdade. Me sentia sortudo de poder vê-los todos os dias mesmo que tivessem partido para sempre. Quando você estava gritando comigo, dizendo que queria ter me abortado, pelo menos eu podia ver minha mãe. Ali eu podia ver pelo menos um lampejo do que minha mãe foi. ”

“Eu posso fingir ser sua mãe, ” Ela implorou cheia de terror em seus olhos, tentando dar um passo a mais em direção da porta. “Posso agir como ela, como você quiser, e será como se sua mãe tivesse voltado. Eu juro! ”

“Algumas horas atrás eu talvez aceitaria essa proposta, ” admiti, segurando com mais força no bastão. “Mas você machucou meu filho. ”

Balancei o bastão e bati com força na lateral da cabeça dela. Pude ver o crânio se deformando com a batida enquanto seu corpo caia ao chão. Respirei fundo e fechei meus olhos. Silêncio.

Agora estou sentado em minha cadeira, observando os cadáveres sangrentos aos meus pés. Tenho certeza que meu filho e minha esposa voltarão para casa em breve. Mas acho que posso deixá-los por aí mais alguns dias. Ninguém além de mim podia vê-los, então provavelmente não vão ver seus cadáveres mutilados. Além disso, pela primeira vez na minha vida ninguém está aqui para mandar eu arrumar meu quarto.
-


***
Oi amores, tudo bom? Então, eu estou tendo crises fortes de tendinite, então estou pegando leve com as traduções. Peço desculpas por minha ausência e por estarmos postando pouco ultimamente, mas vamos dar um jeito nisso. Não desistam da gente! 

***
Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você o ver em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 

KEEP CREEPYING!

TRADUÇÃO POR: FRANCIS DIVINA


28 comentários:

  1. Gostei, show. Seriam estes seres Doppelgangers? Tipo aqueles da primeira temporada da série Supernatural, mas se só o rapaz via, deviam ser algum tipo de demônio, pq fantasmas geralmente não são corpóreos. De qualkquer forma, foi boa a estória.

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    1. As vezes eu fico pensando, "o que esse cara falou? Que palavras ele usou, por que e quando o adm removeu?"
      Isso me mata de curiosidade

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  3. Não sou muii fã de creepys de fantasma. Mais o cara estraçalhar a cabeça de entidafes que o magoam transformados nas pessoas que ele mais ama... Torci pra ele o tempo todo! Top, otimo conto!!

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  4. Ótima creepy
    Eu já tava sentindo falta das postagens kkk
    Melhoras da tendinite

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  5. Só não entendi como de repente o cara conseguiu matar os fantasmas :v

    E o triste de ler essa creepy é enxergar minha mãe na personagem

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    1. Acho que os fantasmas passaram tanto tempo com ele, que eles já estavam tomando forma fisica, antes eles nao eram capaz de toca-lo, por isso nem tentavam, até que o "pai" bate nele, dá pra ler que os dois se surprende com isso, como agr eles tem corpo, podem morrer.

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  6. Você é mesmo Divina <3
    Melhora logo Linda, você faz falta aqui

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  7. Só eu que interpretei o final diferente? E se o o que ele matou na verdade foi o filho e a mulher?

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    1. Também pensei nisso. Mas acho que não porque se isso tivesse acontecido o autor teria nos dado alguma pista...

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    2. Também pensei nisso. Mas acho que não porque se isso tivesse acontecido o autor teria nos dado alguma pista...

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  8. Creppy Foda, Quando Eu Era Criança Meus Pais Eram Tudo Pra Mim Mas Agora Me Tratam Como Lixo O Tempo Todo, Será Que Eles Morreram E Eu Estou Sendo Assombrado?

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  9. Otima creepy meus pais vivem me trantando desse jeito
    vou matar eles




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  10. Eu concordo com a teoria do fantasma, embora veja isso de uma forma mais metafórica. Pra mim, os pais dele morreram nessa viagem que fizeram enquanto ele ficou na casa da tia. O fato da história ser confusa e não explicar direito quando foi que isso aconteceu, enfraquece a minha teoria (mas, sinceramente, acho que isso enfraquece todas as teorias), simultaneamente, pensem: para ele ter sido deixado com a tia, isso aconteceu quando ele era pequeno, ou, pra ser mais simples e abrir mais possibilidades, uma criança, um menor (põe aí de 8 à 14, 15 anos). E ele provavelmente ficou morando com a tia depois dessa morte, até poder finalmente morar sozinho, porque afinal de contas ninguém pode ser criado por pais invisíveis, certo?

    O que seriam esses fantasmas, então?

    Essa morte, essa falta dos pais deve ter deixado algumas sequelas psicológicas no garoto. Ele gostava muito dos pais e uma hora eles não estavam mais lá. Então eles começaram a aparecer de outra maneira: como as ansiedades e as cobranças que ele fazia a si mesmo. Durante toda a cena do copo o que os pais fazem é ficá-lo taxando como ruim, perverso por fazer uma besteira. A gente faz isso muitas vezes, não faz? "Ah, cometi um erro, ah, sou um monstro". Eu, como grande ansioso e fomentador dessas cobranças e julgamentos dentro da minha mente sei que a gente atribui imagens a esses sentimentos dentro de nós. Eu projeto minhas ansiedades como a imagem de um palhaço, por exemplo. O que esse garoto fez foi projetar nos pais que morreram.

    Só que quando a gente cria uma imagem pra representar algo existe um perigo: a gente "terceriza" esse sentimento, e, às vezes, se distancia do fato de que isso vem de nós mesmos e não de um palhaço, ou dos nossos pais.

    O que esse garoto fez para se livrar dessas cobranças foi exatamente isso: ele não venceu a ansiedade, ele a transformou em seus pais, até o ponto em que os tornou físicos. Aí, chego à conclusão de que ele era, na verdade, um esquizofrênico.

    Esse, sinceramente, é o ponto forte dessa história: essa grande brecha que ela dá pra teorias. Mas é uma brecha bem feita, porque essas teorias são feitas a partir de informações que a história dá (percebe-se que a história é um pouco falha, inclusive, por faltar algumas informações), não é como muitas creepypastas ou contos mesmo que vejo por aí nesse estilo que são simplesmente incompletos e o leitor praticamente faz a história.

    Minha crítica, porém, não se limita só a falta de informações, mas como esse escritor ou essa escritora jogou a informação de que os pais eram invisíveis (a própria palavra invisível ser citada já é um desprezo pra mim, como leitor, nesse conto). Foi de uma forma infantil, de uma forma que, aliás, as creepypastas prezam muito. Ele tenta camuflar, fazendo através de uma cena qualquer em que ele ta com a mulher dele, como se fosse algo natural que cai pro leitor entender o que são esses pais cuzões da porra. O que o autor não pensa é que isso é uma desconstrução de tudo que a gente tava acreditando e, sinceramente, podia ter sido feito de uma forma melhor; ou, simplesmente, ter sido camuflado de uma forma decente. Porque essa é uma tática boa, foda, tem creepypastas que fazem isso incrível (aquelas com final surpreendente, com um plot twist da porra).

    Mas pra que mesmo? Se no final, ele chegou e tacou essa informação na minha cara? Acho que o autor podia ter se dedicado mais em como daria sinais dessa invisibilidade dos pais para outras pessoas. Esse era o grande trunfo, o plot twist e a gente deveria sentir de uma forma mais... PORRA, CARALHO, ENTÃO SÃO INVISÍVEIS. Eu senti mais tipo... ah ta, são invisíveis, puxa, foda-se.

    Enfim, tudo bem, isso se resolve com mais prática de leitura e escrita. E a história, no final, nem é tão ruim assim. Gostei.

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    1. Deixe-me adicionar: a morte dos pais, pelo perspectiva da minha teoria, não representaria porra nenhuma além da prova cabal de que ele é doido. Outra infantilidade do escritor ou escritora.

      E PELO AMOR DE DEUS PONHAM A FONTE DA HISTÓRIA.

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    2. Nossa
      Como fala palavrão essa delícia
      Esse aí passou na redação do ENEM, certeza

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    3. Olha, eu contabilizei oito palavrões no total. Prum texto desse tamanho, acho que ta suave. Mas, puta que pariu, eu preciso parar com essa porra de mania...

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  11. Leon Leonidas:"Eu projeto minhas ansiedades com a imagem de um palhaço, por exemplo." Cruz credo, não queria ta no seu lugar vá de retro. E você diz isso com uma naturalidade. rsrs Odeio palhaços.

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  12. Ual.. essa creepy foi muito boa, deu pra sentir a satisfaçao do cara ao esmagar os "fantasmas"

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  13. Digite seu comentário ...





















    A

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