31/03/2016

Cobaia 323

“...felizmente, ninguém foi morto,” o ancora do jornal falou na TV de imagem borrada e tremula. Eu estava deitado no sofá, pois não conseguia dormir. A sala estava escura e a janela ao meu lado, mesmo com as cortinas fechadas, deixava entrar os flashes dos faróis dos carros que passavam. Eu não ligava para o que estava assistindo, mas estava sonolento demais para pegar o controle remoto. 

“Agora vamos com a notícia sobre Amy Peterson, que foi encontrada morta hoje em sua sala de estar. Um vídeo foi encontrado em seu celular que estava caído ao lado de seu corpo. Mostraremos o vídeo, mas avisamos, ele pode choca-los e perturba-los,” o ancora falou. Ele soou muito, muito sério. 

De repente a sala ficou mais escura que antes, enquanto a TV cortava para uma pessoa olhando para a tela do celular. Ela tinha cabelo e olhos castanhos, mas os olhos às vezes brilhavam fazendo-a parecer mais assustadora à luz do celular. Ela estava só e ofegante. Ela soava muito assustada enquanto falava. 

“E-eu o encontrei ontem,” ela falou encarando o celular, mas olhando rapidamente para outro lugar, como se algo estivesse por ali. “Ele tinha olhos e cabelo castanhos iguais aos meus, mas seu cabelo era curto e ele parecia um garoto. Ele chamava a si mesmo de ‘Cobaia 323’ mas eu não sei de onde ele surgiu, ou mesmo se ele já foi humano, ou se foi feito para se parecer conosco. Mas hoje eu o irritei, e... e...” 

A garota virou-se e de repente uma mão saiu da escuridão. Parecia que as unhas tinham sido combinadas com a pele para formar uma garra horrível. Ela agarrou o rosto da garota e rasgou sua pele, puxando-a e revelando os músculos por baixo. Pedaços vermelhos caiam de seu rosto e também havia um grito de gelar o sangue enquanto o celular caia. Levantei após isso. A única coisa que agora mostrava na tela, era um par de pés em forma de garras, próximo a outro par de pés que pertencia a Amy. A criatura se abaixou para terminar o trabalho. A luz do celular revelou o que ela estava usando: Um manto branco que parecia rasgado, como se tivesse rasgado durante a fuga de algum hospital. Aliás, parece que provavelmente foi o que aconteceu. 

Então a cobaia 323 olhou para a tela e se levantou. Depois, veio a estática, o que presumi que ele tenha pisado no celular. Então, como conseguiram a filmagem? Talvez o cartão de memória não tenha sido danificado. A TV iluminou a sala enquanto voltavam para as notícias normais. “Agora um aviso, permaneçam em suas casas até que o assassino conhecido até agora como ‘cobaia 323’ seja capturado ou morto,” disse o âncora, olhando diretamente para a tela. 

Então a TV se apagou, assim como todas as luzes próximas, embora os faróis dos carros na rua ainda estivessem normais. Provavelmente era um blackout. 

Gritei, tapando meus ouvidos, enquanto um som terrível vinha da janela; era o som de garras arranhando o vidro. Uma pequena luz marrom surgiu na janela. A luz vinha de um olho brilhante. 

“Por favor, deixe-me entrar! Eu não queria... não vou machuca-lo!” 

Não me mexi. Meus olhos fixos no brilho marrom. Eu não queria ver o que estava na janela; eu sabia o que era… mas eu também esperava que estivesse errado. Então permaneci parado. 

“Eu não queria. Eu não queria. Eu não queria,” a voz repetia, enquanto o brilho se tornava vermelho e sua voz se distorcia. “Olhe para mim para que eu possa ver o seu rosto. Isso fará o prazer de te matar muito melhor!” 

O brilho ficou mais forte. Houve um longo momento de silencio e o brilho de repente sumiu. 

A última coisa que ouvi, foram os passos de algo correndo para bem longe.


29/03/2016

Sally.exe

Eu sou um grande fã da série Sonic The Hedgehog, assim como um monte de gente. Me limitei aos jogos clássicos e desenhos animados, pois na minha opinião, o resto que a SEGA fez foi uma porcaria.

Eu estava navegando no E-bay um dia desses. Pensei se poderia haver algum item do meu personagem favorito da série, Sally Acorn. De fato, o que eu achei foi um plushie que fora fabricado no SEGA WORLD de Sydney, o qual fechou devido ao baixo número de visitantes em 2006. Esses plushies da Sally eram bem raros, mas eu não tinha dinheiro para comprá-la e meus pais brigariam comigo por isso. Examinei o plushie por um tempo, já que o artigo vinha com algumas fotos. Essa Sally até tinha sua própria jaqueta. Nela, estava escrito “GOD” com tinta permanente. Eu realmente não sabia o que isso significava. Provavelmente eram as iniciais da criança que a tinha, antes de vendê-la.

Cliquei no botão para voltar para a pesquisa “Sonic Sally”, sabendo que eu não ganharia o leilão de jeito nenhum, apenas para encontrar outro artigo que apareceu. “Todos os episódios de Sonic SatAM” com preço de $1 dólar na compra imediata. Os DVD's desse desenho nunca foram lançados no lugar onde moro (Puto...). Então, feliz do jeito que eu estava, quis assistir de novo ao desenho, então conferi o anúncio. Não tinha descrição alguma ou endereço de onde veio. Alemanha, Canadá... Estava faltando, e o preço do frete era de graça. Eu olhei a foto do artigo. Era um CD em branco. Mas independente disso, decidi comprar. Não apenas pela nostalgia, mas a sinopse do desenho era muito bem feita.

Bom... Tudo começou quando o correio veio. Chegou na manhã seguinte... Estranhamente, era domingo. Eu estava feliz por ter recebido os episódios e, imediatamente, coloquei o CD em branco no meu laptop, iniciando o DVD. Infelizmente, nada aconteceu, mas o laptop pediu para exibir a pasta, então eu a abri e vi um aplicativo chamado Sally.exe. Eu fiquei confuso por ser um arquivo de extensão, mas iniciei mesmo assim e, de fato, estava passando um episódio de Sonic SatAM: O episódio “Viciado em Sonic”. Começou normalmente, ao longo da introdução. Nada de sangue ou algo assim... Mas a parte triste foi que meu computador entrou na “tela azul” quando a cena do beijo de Sonic e Sally começou (quando Sally anda até Sonic e o beija na bochecha, ele diz que seu beijo não foi tão bom e lhe dá um melhor... É, e isso foi fofo também). O computador reiniciou e eu tirei o CD de dentro dele, pensando que fora mau funcionamento, e então joguei fora. Não podia pedir meu dinheiro de volta, mas o cara podia ficar com aquele misero dólar que eu lhe dei. Quero dizer... É apenas $1 dólar.

Eu continuei navegando na internet normalmente, conversando com amigos no Skype e tudo mais. Nada estava errado, até que eu estava assistindo vídeos no Youtube, e meu cursor do mouse começou a travar completamente. Eu desconectei meu mouse, mas o cursor continuou se batendo pela tela. Eu até desativei o touchpad, mas ele continuou se movendo. De repente, ele parou em um ponto e eu o “peguei”, ignorando o que tinha acontecido. Logo, eu me vi baixando uma ROM do Sonic The Hedgehog pra Mega Drive. Bizarro... Assim que baixou, o cursor iniciou o emulador e o jogo começou em modo janela, mas estranhamente, a tela estava preta. Eu encolhi os ombros e esperei o jogo começar.

O familiar jingle da SEGA não tocou. Bem, até tocou, mas estava tão lento que pareceu algo demoníaco, e isso me deu calafrios. O fundo permaneceu preto e o Sonic não apareceu surgindo no logo. O preto foi clareando e um texto apareceu: “Pronto para o 2º Round?”. Eu pisquei e estremeci assim que a tela inicial apareceu. O céu estava cinza escuro e as nuvens pareciam borradas e pretas, exatamente como ficam antes de uma tempestade. As montanhas estavam apodrecidas, assim como o logo. Fiquei espantado com os detalhes em pixels, mas algo também me assustou. “SEGA 1991” estava agora substituído por “SEGA 666” e a água estava vermelho sangue. A música familiar não estava tocando. Eram apenas sons em 16-bits e o demoníaco jingle da SEGA ocasionalmente se misturava entre eles. Ao invés de Sonic aparecer, dois personagens apareceram próximo ao logo – Tails e Knuckles. O olhar deles me aterrorizou mais ainda. Os olhos de Tails estavam pretos e sangrando... Seu pelo se tornou cinza/preto e ele também tinha uma expressão de angústia em seu rosto. Knuckles parecia muito pior. Seu pelo vermelho escureceu para um cinza-avermelhado, seus “cabelos” estavam pingando sangue e seus olhos eram pretos e sangrentos, como os de Tails, e ele tinha um olhar de tristeza em seu rosto.

Só então eu notei que um novo personagem surgiu no meio do logo. Um pequeno ouriço rosa colocou a cabeça para fora. No início, ela estava sorrindo, mas parecia confusa e nervosa ao mesmo tempo, como se realmente não soubesse o que estava acontecendo. “Amy Rose?”, pensei. “O que é isso?!”. A curiosidade me levou a pressionar o “Enter”. Um som alto de ruído estático se esvaiu pela tela.

Eu queria não ter feito aquilo...

“Kyle não quer brincar comigo...”, a escrita apareceu novamente. “Que pena. Mas eu posso brincar com você...” “... Certo?”.

O demoníaco jingle da SEGA tocou novamente por uma fração de segundos. Uma imagem passou. Ela desapareceu tão rápido que eu não consegui entender o que era, mas eu poderia jurar que vi um Sonic preto e vermelho, com olhos de mesma cor. Aquele momento me fez pular. Ele não começou na “Green Hill Zone Act 1” como eu imaginei. Bem que eu queria que tivesse. Ao invés disso, no título da fase se lia “Not Perfect Act 1”. O jogo começou. O chão parecia normal como o do Green Hill Zone, mas o fundo estava escuro. Amy ficou onde normalmente Sonic ficava, no jogo original. Surpreendentemente, aquilo era um sprite muito bem feito. Não era seu sprite clássico, mas sim, seu atual. Enfim, parecia oficial. No lado oposto da tela em que Amy estava, havia um grande e prateado anel. Na frente dele, o sprite de Sonic se levantou, com um sorriso em seu rosto. A animação de Amy ali em pé foi que ela olhou para frente com uma expressão totalmente apaixonada, com corações saindo de sua cabeça. Eu achei que deveria ir até o Sonic, então movi Amy em direção a ele, mas Sonic fugiu e saltou pra dentro do anel. Fiz Amy saltar logo depois dele.

O nível os teletransportou para uma das fases bonus onde você pode obter um Esmeralda do Caos. O fundo era rosa com corações por todo lado. Parecia fofo, mas eu estava distraído por ter 4 esferas coloridas – brancas e vermelhas – para saltar, e eu tentei equilibrar Amy em cima delas enquanto ela tentava, desesperadamente, se manter sobre as esferas, mas meus dedos escorregaram dos controles e Amy caiu. Eu caí em uma parede de esferas Goal. Assim que eu pensei que seria teletransportado de volta, um som alto de grito soou e a imagem desse... Sonic demoníaco, piscou na tela. A tela surtou completamente e eu ouvi gritos. Gritos altos de onde eu poderia JURAR que era a própria Amy Rose. Eu continuei ouvindo “Não! Não!” e choros altos de agonia e dor, os quais acabaram bruscamente com mais ruídos estáticos que soaram por um pequeno momento, antes de a tela ficar toda preta.

Logo, a tela do título apareceu de novo. Knuckles e Tails tinham sumido, mas ao invés disso, Amy apareceu. Ela estava sorrindo, seu sorriso fofo e usual, mas seu corpo tinha buracos. Não buracos sangrando ou buracos de bala... Apenas... Buracos que perfuravam todo seu corpo. Suas cores se desbotaram para um preto e branco. Até seus olhos pareciam estranhamente desfigurados. Isso me assustou tanto que meu corpo inteiro começou a arrepiar. Fui ficando cada vez mais assustado, enquanto observava outro personagem aparecer. Eu fiz uma careta ao ver Cream, da qual tinha uma expressão aterrorizada dentro do logo. Pobre Cream. Eu queria sair do jogo, mas como não conseguia fazer isso, apertei "Enter" de novo e a tela mudou.

“KINDANFAIR Act 1”. A fase agora estava em branco e a música de fundo era uma versão mais lenta do Green Hill Zone. A fase começou e o sprite de Cream era como o de Amy, muito bem feito. O ambiente era infantil. Parecia um lindo parque de diversões. Na frente de Cream, havia uma televisão que lhe dava maior velocidade. Fiz Cream se agachar e dar um spindash pra frente, batendo no item. A fase não mudou. O chão era uma plataforma sólida e parecia que Cream estava indo cada vez mais rápido, até que de repente, ela bateu em mais caixas, mais caixas, mais caixas... Eu notei que a música ficou completamente fora de sincronia, o que me assustou. De repente, Cream bateu em uma parede de espinhos na parede: “SPLAT!”. A pobre Cream foi despedaçada. O sangue escorria dos espinhos e da coelha ensanguentada, lentamente, na frente dos meus olhos. A imagem piscou novamente e logo a tela do título apareceu. Como esperado, Cream apareceu com Amy. Ela parecia assustada, mas seu outro olho estava... Como posso dizer... Caído e morto, e sangrando uma gosma preta. Suas orelhas agora estavam em seu rosto ao invés de estarem na parte de trás de sua cabeça. Sua paleta de cores mudou de marrom e laranja para um roxo muito, muito escuro, e vermelho. Seu vestido estava cinza escuro.

Hora do terceiro personagem... e Deus, eu quis chorar quando vi Sally Acorn sair pra fora daquele maldito logo, com seu sorriso inocente no rosto enquanto acenava para mim, como se ela não soubesse quais torturas estava prestes a sofrer. O jogo estava tão apavorante e mesmo assim tão fascinante, e eu queria muito parar, mas minha mão não se movia. Eu até comecei a tremer. Queria chegar ao botão de desligar o notebook pra acabar com aquilo, mas minha mão simplesmente não se moveu e, antes que eu percebesse, já tinha iniciado a fase.

“________ Act 9”, dizia a tela. Uma melodia monótona e triste tocava ao fundo, e uma silhueta de sprite que se parecia com Sally apareceu na frente de um fundo que consistia todo o grupo: Amy, Cream, Knuckles, Tails e Robotnik apareceram, todos em suas formas desfiguradas e com expressões de tristeza. Também tinha o Sonic, mas de uma forma quase que irreconhecível. Ele tinha um sorriso largo no rosto, com dentes afiados. Seus olhos eram pretos, com pontos vermelhos como pupilas, os quais estavam sangrando. Parecia que ele ia chegar à frente de sua silhueta. Eu tentei mover Sally, tirá-la de lá, mas nenhuma parede se mexia. Tudo estava muito escuro. Eu parei no meio e, para meu horror, o cenário começou a encolher, e as paredes foram se fechando sobre Sally. Eu tentei movê-la, correr, mas não adiantou. Deixei a Sally no meio da tela enquanto as paredes se fechavam sobre ela. Ela se agachou antes de desaparecer completamente no escuro.

“SPLAT!”

A escrita vermelha apareceu na tela novamente: “Sonic, meu amor...”

Subitamente, uma cena familiar começou a aparecer... Eu reconheci imediatamente. Sonic SatAM estava passando, aquela parte onde o CD havia cortado! Porém, Sonic tinha um tom mais avermelhado, e aqueles... Olhos pretos, sangrentos, demoníacos. De repente, apareceu uma imagem na tela... Era Sally. Seus olhos estavam faltando. Era como se eles tivessem sido retirados, e o crânio dela fora costurado e fechado novamente. O sangue escorria de sua ferida. Aquilo fez meu estomago revirar. Então voltou para o desenho. Sonic puxou Sally como no episódio, mas então, coisas pularam pra fora de sua boca, fazendo barulhos nojentos e de mastigação. Eu podia até ver a protuberância na garganta de Sally. A pior coisa era que eles pareciam estar curtindo aquilo. Pude ver Tails e Knuckles corrompidos no cenário também. Sonic se afastou. “Então?", ele disse. “Nada mal!”, Sally simplesmente respondeu.

Eu me silenciei e desviei o olhar da tela. De canto, notei algo em minha cama...

Era aquela boneca da Sally que vi no E-bay... Com os olhos faltando.

Tradução: Gabriela Prado


Parem de ser tão medrosos

Não há nada assustador nas florestas. Desculpa, gente. Ou melhor, talvez eu devesse dizer "Desculpa, crianças". Eu entendo. Vocês viram A Bruxa de Blair ou leram alguma "creepypasta" de merda em algum site e, de repente, alguns dos lugares mais lindos do planeta viraram o paraíso de demônios, zumbis ou qualquer outra porcaria que os escritores estejam inventando hoje em dia. Mas, adivinhe só: é tudo coisa da sua imaginação. Olha, lembro como era ser criança. Eu tinha uma mente muito criativa: fantasmas, gnomos, duendes, aliens, blá, blá, blá... Mas sabe o que aconteceu? Eu fiz 13 anos. E vi o mundo real. 

Aqui está o motivo para que esse papo furado de "uuuh tenho muito medo de ir em uma floresta" me irrita tanto. Moro perto de um parque estadual. Há várias empresas locais que conseguem prosperar com os grandes números de alpinistas, piqueniques, e os excursionistas que costumam vir na primavera, verão e outono. Mas nos últimos anos, coincidindo perfeitamente com essas crianças e adolescentes chorões que ficam falando uns pros outros quão amedrontados estão, os negócios diminuíram e perdemos muito dinheiro. Sim, sou dono de uma dessas empresas. Uma barraquinha de sorvete. 

Eu podia ver a modinha que se formava. Pré-adolescentes pálidos e vestidos de preto que viajavam com seus pais ficavam resmungando que estavam com medo de fazer uma caminhada de um quilometro em uma trilha imaculada porquê teriam árvores assustadoras no caminho. Falavam isso enquanto comiam seus sorvetes. Fiquei pensando o que meu pai fariam se eu tivesse reclamado por ter medo de caminhar ao ar livre por uma tarde. O único sorvete que eu teria ganhado seria para por no meu olho roxo. 

E eu perdi grana por causa dessa merda. Meus colegas também perderam dinheiro. Casais se separaram, adolescentes perderam a chance de irem para as faculdades que queriam, e a economia local, sem contar com a renda que conseguiam com os esquiadores no inverno, foi por água abaixo. E tudo isso por causa desses pequenos idiotas que acham que choramingar e se acovardas é mais lindo e desejável do que ser forte e resiliente. Eu choro é pelo meu futuro. 

Minha barraca de sorvete deveria ser reaberta no 1º de Abril. Daqui a poucos dias. Mas já estou vendo que vai ser uma temporada brutal. A difusão desses contos online sobre "coisas assustadoras na floresta" e "você não vai acreditar o que descobri nesse diário que encontrei enquanto fazia uma caminhada nas montanhas" só tem crescido. Quando vejo os comentários nesses sites ridículos que estão impregnadas com essas histórias, eu vejo adultos, ADULTOS, falando o quão aterrorizados estão para ir até em seus jardins, pois estão com medo de encontrar um cara magrelo em um terno ou um monstro que irá possuí-los ou algo do tipo. 

Garanto que os autores desses lixos não pensaram nem uma vez como sua imprudência destruiria pequenos negócios. Antes de minha esposa morrer, eu olhava pela varanda dos fundos e via famílias fazendo caminhadas nos bosques, crianças pulando de pedra em pedra nos riachos, e pais ensinando seus filhos e filhas como fazer uma fogueira segura usando pedras e gravetos. Agora só vejo bosques parados no tempo e uma economia devastada. Esses bebês chorões conseguiram com sucesso assustar a si mesmos para longe da natureza e ferrar com a subsistência de pessoas reais no processo.

Felizmente, de vez em quanto, vejo famílias passando pela minha casa e fazendo as coisas que todo mundo fazia antes que essa palhaçada de "estou com medo" começasse. Outro dia, pela primeira em três anos, um jovem casal enfrentou a neve derretendo misturada a lama e montou uma barraca nos arredores da minha propriedade. Você sabe o quão feliz fique de finalmente ver pessoas que não estavam com medo de fantasmas ou de florestas assombradas?

Eu devo ter ficado na barraca até o sol sair, aproveitando aquela carne quente e jovem. A mulher morreu instantaneamente, mas o marido ou namorado, sei lá, ficou vivo por horas. O único beneficio de ter poucos turistas ultimamente é que nenhuma alma viva ouviu ele gritando enquanto me assistia comendo os pedaços mais suculentos de sua parceira antes que eu acabasse meu apetite com ele. Outro bônus: Eles estavam em uma barraca! Só precisei enrolá-los e arrastá-los para dentro de casa. Sem barulho, sem confusão. 

Depois de toda minha reclamação, tenho que admitir que, encontrar duas pessoas que eram corajosas o suficiente para ir em uma floresta, me faz me sentir melhor. Mostrou que eles não seguiam modinhas e faziam suas próprias coisas, assim como nos velhos tempos. Não compensa os salários perdidos e a economia devastada, mas já me sinto melhor. Pelo menos agora terei carne o suficiente para toda primavera, o que me ajudará aquecer esse meu coração cínico.



28/03/2016

Estou procurando um bom presente de aniversário para minha nova namorada.

Eu comecei a namorar com uma garota a mais ou menos um mês atrás, mas estou com um problema. O aniversário dela é daqui duas semanas e não consigo escolher o que comprar.

Chelsea e eu nôs conhecemos em uma loja local de materiais de arte - pintar é o meu trabalho, se bem que é mais para um hobby, e eu estava procurando uma tela limpa depois de destruir minha nova "obra prima". Ainda consigo me lembrar qual corredor ela estava quando nos conhecemos, número doze, e como esbarrou em mim quando estava passando, o que fez com que eu derrubasse minha carteira.

"Nathan," Ela disse com um sorriso enquanto meu coração pulava, lendo meu nome na minha carteira de motorista que havia caído, "Me perdoe. Sou muito desastrada. Nathan, é um nome muito fofo, não ouvia faz tempo."

"T-tudo bem," Gaguejei, corando, quando ela me devolveu a carteira. "Hahah, sem problemas, sério. Foi minha culta, sério." 

Merda, pensei, estou balbuciando demais. 

Mas não podia evitar - aquela garota que estava sorrindo para mim era a pessoa mais linda que eu já havia visto na minha vida. Tinha um cintilar em seu olhar, um brilho de vida que tipicamente não encontro em meus amigos artistas pelas suas carreiras que não vão adiante, e seu cabelo caía sobre os olhos de uma forma ousada e sedutora. Usava uma saia de um comprimento que chamou minha atenção e um decote que ficava difícil eu me concentrar somente no seu rosto. 

Ela era linda demais para estar falando comigo, ainda mais se desculpando. E certamente atraente demais para a próxima frase que saiu de sua boca, junto com um leve sorriso no canto de seus lábios. 

"Ah, não, foi minha culpa. Por favor, me deixe me desculpar. Posso te pagar um café?"

Dez minutos depois estávamos em um Starbucks, parecia um sonho. Esse tipo de coisa nunca acontecem comigo - não tenho um salário exorbitante nem sou particularmente atraente. Mas lá estava ela, se inclinando sobre a mesa, seus dedos se aproximando dos meus, fazendo a adrenalina correr em minhas veias. 

Mas esse foi somente nosso primeiro encontro. Seguido por um segundo, um terceiro, cada um mais interessante que o outro. 

E não consigo desvendar como uma garota como ela se interessou por um cara como eu. Caralho, ela é maravilhosa. O sexo é maravilhoso. E pela primeira vez na minha vida, estou descobrindo que o amor é fantástico. 

"Bem vindo ao meu apartamento," Ela disse na primeira vez que fui jantar lá, abrindo a porta na minha segunda batida, como se estivesse me esperando atrás dela. Ela fez um ensopado que estava muito bom, encorpado e gostoso de um jeito que esperava ser feito somente por um chefe de cozinha. Colocando a mesa, percebi nove xícaras de porcelana chinesa, todas brancas e brilhantes em cima de um pires vermelho.

"Espero que você não se importe que eu estou reaquecendo o ensopado - não tive tempo de fazer do zero."

"Está ótimo, sério! E adorei sua decoração," Falei, gesticulando em direção às xícaras, ela sorriu. 

"Ah, sim. Eu amo a China. Cada um é único, sabe? E eu amo cerâmica, então acho que complementam minha personalidade. São porcelanas de ossos, sabe?"

"Como assim?"

"Você sabe, porcelanas de osso. É o único jeito de deixá-las brilhantes assim. Tem uma história super maneira por trás - foi desenvolvida por uma industria de carne a centenas de anos atrás, usando ossos de gado. Não gosto de desperdicio, então acho genial. Ganho um de aniversário todos os anos." 

"Interessante," falei, mastigando os pedaços de carne do meu ensopado, "tipo quando eles usam insetos para fazer tinta." 

"Exatamente," Ela falou sorrindo e indo em direção das xícara. "Chá?" 

"Claro," respondi, e ela pegou dois saquinhos de chá da prateleira.

"Você vai gostar desse, acho. Pessoalmente, sou meio exigente com isso, tenho um gosto bastante específico. Mas está um pouco velho, ganhei no meu último aniversário."

"Ah, eu não tomo chá muito regularmente."

"Sem problemas, sem problemas" Ela respondeu. "É da minha preferência, mas você deveria experimentar." 

Depois de terminar meu chá, que achei com gosto meio arenoso e com gosto velho, passamos o resto da noite no quarto dela. Desde então estou preocupado. O aniversário dela está chegando, e parece que ela está acostumada a receber bons presentes. Não sei o que dar para ela. 

"O que você gostaria de ganhar no seu aniversário?" Perguntei e ela sorriu.

"Ah, eu adoraria novas peças de porcelana chinesa para minha coleção, um jantar delicioso e chá fresco." Ela falou, mas recusou responder quando perguntei quais marcas ela gostava. 

Então, quando adormeceu, dei uma olhada pelo apartamento. Encontrei o caderno de rascunho dela, o qual estava dividido em nove seções diferentes.

Abri a primeira e comecei a ler. 

Mike, estava escrito na frente com uma caligrafia feminina, e meu estomago doeu quando eu o vi. Ela estava mais nova ali, mas podia sentir que ela o amava - havia fotos de Mike beijando-a, e depois abraçando. E suponho que ele era mais bonito que eu. De acordo com a data, faziam nove anos, então passei para a outra seção. 

Jared. Era mais alto que eu, percebi de pronto. E tinha um sorriso mais branco. Depois havia o Peter, e Mark, e todos os outros, cada um durava um ano. A penúltima foto de cada um era sempre a mesma, sorrindo junto de um bolo de aniversário. A última também - a foto dos presentes.

Sempre uma xícara de porcelana chinesa. Sempre chá. Sempre um jantar.

Talvez ela me dê um fora em seu aniversário, talvez seja um jogo que ela gosta de fazer com seus namorados.

Mas aí eu vi a última seção no caderno, e meu coração se aqueceu. Ela tinha fotos de nós juntos, e embaixo havia uma página meio rasgada, com a data de ontem. 

Amanhã apresentarei Nathan para Bill e Cesar, estava escrito na caligrafia dela, e eu franzi o cenho. Bill e Cesar eram os dois últimos namorados no caderno, e ela não havia mencionado-os no jantar. Talvez ela pensou melhor. E com certeza eu não tinha vontade em conhece-los. 

De qualquer forma, decidi que vou superar os namorados anteriores, e olhei as xicaras, cada um tinha um nome gravado em baixo e o nome da companhia "Soluções de Cerâmica Customizada" estava estampado logo abaixo. Pesquisando, descobri que se você fornecer os materiais, eles fazem a cerâmica para você. 

E também tinha o chá - o qual haviam também nove caixas, cada com embalagens individuais feitas a mão e com o nome de seus ex-namorados na etiqueta. Mas não consegui encontrar o nome da empresa nesses, então terei que improvisar. 

Depois de olhar no freezer dela, fiquei um pouco enjoado com a ideia da janta. Enrrolado em celofane, haviam nove refeições congeladas, cada uma etiquetadas. Fechei o freezer sem olhar direito. Depois voltei para a cama, entrando silenciosamente no quarto.

Aparentemente, Chelsea tem um problema de se apegar demais. Mas acho vou conseguir fazer ela superar seus antigos namorados.

Mas antes, preciso encontrar os presentes. E estou convencido de que será uma porcelana de ossos, um chá arenoso e um jantar quente.

A não ser que você tenha uma ideia melhor. 



25/03/2016

Um homem que estava desaparecido a 137 anos, reapareceu na delegacia em que eu trabalhava.

Falaram que é o nativo em mim que me torna um bom desvendador de trilhas. Já encontrei 16 pessoas desaparecidas em Nevada, 23 na Califórnica, 49 em Utah e mais centenas em Washington. Descobri que a cidade de Black Lake no estado de Washington é a mais bonita, e é onde eu quero descansar com a mulher que conheci enquanto pescava no lago. Ela foi sortuda em conseguir um emprego como professora da segunda e quarta série da escola fundamental local, eu fui sortudo suficiente para conseguir um emprego no departamento da polícia local e ganhar dinheiro suficiente para provir para minha família, a qual agora incluiu uma bebêzinha também. 

A delegacia de Black Lake me colocou em casos de pessoas desaparecidas, os quais haviam vários. Uma cidade desse tamanho deveria ter uma dúzia de desaparecimentos por ano, no máximo. Uma cidade grande deveria ter milhares, mas Black Lake tem uma história de mais de dezenas de milhares de sumiços, o que foi abafado pelos políticos locais. Fiquei sabendo pelo antigo comandante que bairros inteiros sumiam da noite para o dia, e que eu tinha que dar o meu máximo para encontrar algumas dessas pessoas. Mas eu nunca encontrei um desaparecido no meu curto período de estadia em Black Lake. 

Em um fim de tarde, enquanto eu estava em um plantão noturno enquanto Rod Serling me falava através da TV em preto e branco sobre o auge do conhecimento e medos dos seres humanos, um homem com com os pés embrulhados, calças bem detonadas e uma camiseta de pijama ao contrário, entrou dentro da delegacia, olhou em volta com um olhar assustado e me pediu um copo d'água. 

Levei o homem até a sala de interrogação e servi a ele um copo d'água. Perguntei seu nome, e me respondeu que era Silas MacMurray. Coloquei o nome dele na pesquisa do meu celular, ele observou como se fosse um equipamento alienígena. O nome dele coincidiu com um nos arquivos de desaparecidos. O nome era dos arquivos da antiga delegacia, era um relatório de uma pessoa desaparecida em 1879, o qual estava anexado um lindo desenho feito a mãos do homem em questão, desde o o nariz torto até a barba rala. Era ele ali na minha frente, sem dúvida nenhuma. Silas era um vendedor de máquinas a óleo e bastante amado por sua comunidade, como dizia em sua ficha. Mostrei para ele meu tablet, o qual ele pegou em suas mãos como se fosse uma relíquia sagrada e brilhante. Fico envergonhado em dizer que achei que ele estava drogado quando perguntei como havia chegado ali. Aqui em baixo há uma transcrição da gravação da sala feita as 22:34: 

"Acordei em uma noite precisando usar a latrina. Quando lá fora, fui banhado por uma luz branca. Não lembro de mais nada até o quarto rosa, onde vi o pouco que havia para ver: vários escravos como eu separados por galés, todos coletados de zoológicos por todo universo. Algo... me disse que tudo aqui, incluindo humanos, há muito tempo atrás era uma raça inteligente, mantidos em nosso planeta para proteger o... ambiente? Eles pegavam apenas os saudáveis e felizes. Eu estava na segunda galé, a segunda mais difícil de se comunicar - eles apreciavam a primeira galé. Há criaturas acima de nós, me refiro a nós homens, são criaturas de pura luz e energia. Esses que comandam a nave conversam com eles o tempo todo, estão sempre livres. Todos na segunda galé eram escravos como eu. Não sei o que eles fazem com a última galé. Eu já vivi mais de mil anos, senhor, isso posso falar até para Deus. Naquela época, eles me entregaram como um brinquedo, um entretenimento, um animal de estimação. A cada cem anos eles me mandam aqui para baixo por uma noite, pois acham que isso vai me deixar mais feliz, mas não, não me deixa. Então - por favor, me mantenha aqui. Me prenda na sua cela mais resistente, te imploro. Eles não podem me levar novamente, tenho certeza que nunca retornarei. Não sou mais saudável nem feliz."                                                                                           
Com o pedido do senhor MacMurray, eu o levei até a "sala silenciosa", uma cela de concreto acolchoada com uma porta de tranca tripla. Eu dormi sentado em uma cadeira de metal do lado de fora da cela dele, armado com uma espingarda carregada, mas fui acordado por uma luz branca cegante e algo que parecia o som do maior velcro do mundo sendo separado um do outro. Sumiu tão rápido quanto apareceu. Eu destranquei as três trancas da porta e abri para descobrir que Silas havia desaparecido. Demorei duas horas para explicar os eventos daquela noite.                                                                                                                                                                                                                  Voltei para minha casa cansado, esperando ver minha linda família. Encontrei nada mais que uma casa vazia. Usei todos os recursos que tinha para tentar encontrar minha amada esposa e querida filha, mas no final elas se tornaram apenas mais duas pessoas desaparecidas na cidade de Black Lake.                                                                                                    
Elas eram felizes e saudáveis, sabe? Foi por isso que foram levadas, junto com Silas. Acho que, inclusive, Silas estava feliz trancado dentro da cela pois eu disse que ele estaria seguro. Eu nunca serei levado pela nave, pois nunca mais serei feliz.  



24/03/2016

Para Clair e Lena

Depois do terremoto, ficamos presos. Achamos que as equipes de busca estavam a caminho, mas já fazem três semanas. Ninguém veio. Havia bastante para nós beber, graças a um cano quebrado no telhado que vertia água limpa. Mas isso só significava que morreríamos mais lentamente. Morrer de fome parecia iminente. 

Liz achou que todos os outros andares do hotel estavam em cima da gente. Todos os 60 andares. O jeito que não fomos esmagados parecia um milagre. Bem, parecia no começo. Enquanto os dias se arrastavam, e começamos a perceber que talvez não fossemos ser resgatados, o milagre começou  a parecer amargo em nossa boca. Depois de duas semanas, havia se tornado uma maldição. 

Mas não podíamos desistir. Eu constantemente tinha que acalmar os ataques histéricos de Liz que, nos piores momentos, faziam-na ameaçar que iria cortar sua garganta com uma pedaço quebrado de viga. Conversar sobre Lena e Clair ajudava. Se fossemos sair dessa, elas precisariam de sua mãe. Elas precisavam de nós dois. 

Entretanto, a conversa era pouca. Não importa o quando nos segurássemos, um acabava chorando, pedindo a deus que acabasse com nossa agonia, com nossos estomago que não parava de roncar. Depois da primeira semana, começamos a ficar tontos. Se eu já não estivesse sentado, teria desmaiado. Mas ambos continuávamos sentados, mantendo nossa lucidez de onde estávamos, o que tinha acontecido e como a probabilidade de sermos resgatados estava diminuindo. 

Algumas vezes, bloqueados por uma distancia absurda de concreto, escombros e detritos de metal, conseguíamos ouvir os equipamentos de resgate. Serras, escavadeiras, esses tipos de coisas. Mas nenhuma voz, na verdade. Pra vocês terem noção de quão longe estávamos da superfície. No dia que aconteceu, estávamos no elevador, que ficava no centro do hotel. Assim que o terremoto começou, começou a estremecer e cair. De alguma forma, com o prédio balançando, fez com que a queda fosse mais suave por causa do angulo que o elevador ficou. Mas ainda assim caímos bem, bem, bem violentamente. Se não fosse a leve angulação, não teríamos sobrevivido.

Depois de alguns dias do terremoto, o ar começou a ficar mais tenso com o cheiro de putrefação. Eu nem conseguia começar a imaginar quantas pessoas estavam mortas nos escombros a nossa volta. O hotel estava transbordando de gente naquele dia. Admito, tive inveja daqueles que morreram instantaneamente esmagados. Sei que Liz também teve.

No final da terceira semana, nossos desespero alcançou seu pico. Tudo que Liz conseguia falar era como ela havia abandonado suas filhas em casa. Se chamava de fracassada, mesmo sabendo que tudo aquilo que acontecera estava fora de seu alcance. Foi só aí que abordei o assunto sobre Kevin. 

Liguei minha lanterna, iluminando a carcaça de nosso filho mais velho, que estava como um espantalho contorcido e decadente no outro canto do elevador. Ele havia sido empalado e esmagado pelos pelos pedaços contorcidos de metal do elevador quando batemos no chão. Me arrastei até o corpo dele e falei para Liz fechar os olhos. Eu mordi, cuspi na minha palma da mão e voltei para o lado de minha esposa. 

"Não abra os olhos" mandei, "e pense sobre voltar para casa para Clair e Lena." No escuro do elevador, ela soluçava baixinho enquanto mastigava. Voltei e peguei mais para ela, e também um pouco para mim. Assim que ouvi ela engolir o último pedaço, os escombros acima da gente começaram a se mover. Eu estava pronto para ser esmagado por milhões de quilos de cimento. Eu quase fiquei feliz por isso. Mas segundos depois, uma lanterna iluminou nossos rostos. 



23/03/2016

Paradoxo Temporal

Uma bebêzinha foi largada misteriosamente em um Orfanato de Cleveland em 1945. "Jane" cresceu para ser uma pessoa sozinha e deprimida que não conhecia seus pais, até que um dia de 1963 ela estranhamente se sente atraída por um andarilho. Se apaixona por ele, mas assim que as coisas parecem estar dando certo para Jane, uma série de desastres começa: Primeiro, ela engravida do viajante, que então desaparece. Segundo, durante o parto complicado, o médico descobre que Jane tem ambos os sexos entre as pernas, e para salvar sua vida, precisam mudar "ela" para "ele". Finalmente, um estranho misterioso sequestra seu bebê da sala de parto. 

Cambaleando nestes desastres, rejeitado pela sociedade, menosprezado pelo destino, "ele" vira um bêbado andarilho. Jane não tinha só tinha perdido seus pais e seu amor, como também seu bebê. Anos depois, em 1970, ele descobre aos tropeços um bar solitário, chamado Pop's Place, e conta sua história patética para um velho garçom. O simpático garçom oferece ao andarilho uma chance de se vingar do maldito andarilho que a engravidou e abandonou, com a condição que ele participasse posteriormente do "grupo dos viajantes no tempo". Ambos entram em uma maquina do tempo e o garçom deixa o andarilho em 1963. Estranhamente ele se apaixona por uma garota órfã, que posteriormente engravida. 

O garçom avança nove meses na máquina, sequestra a bebê da sala de parto, volta mais uma vez no tempo, e deixa a criança em um orfanato em Cleveland em 1945. O garçom deixa o andarilho confuso em 1985, no grupo de viajantes no tempo. O andarilho eventualmente consegue recompor sua vida e se torna um respeitável membro dos viajantes no tempo, e depois se disfarça de garçom para sua missão mais difícil: um compromisso com o destino, encontrar um certo andarilho no bar Pop' Place em 1970. 
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Sugestão da leitora Anita Mayfair / FONTE




22/03/2016

Acredito que o nosso universo acabou de colidir com outro (PARTE 2 de 2)


Sem besteiras hoje. Só vou contar o que aconteceu, começando com hoje de manhã. 

Então, de manhã Nellie decidiu que nós tínhamos que estudar, mas com medo que a Nellie malvada fosse nos procurar em todo o perímetro escolar, decidimos que iriamos para a biblioteca local. Pouca gente vai na biblioteca da cidade, ainda mais em uma quinta-feira, então achamos que era o local perfeito. 

Uma vez lá, nos aventuramos a adentrar bem o local e achamos um canto de um corredor que certamente ninguém ia nunca. A seção inteira era de registros antigos da cidade e era tapada por várias prateleiras de livros, o que significava que era um lugar maravilhoso para ter privacidade. Arrumamos a mesa encostada na parede e passamos quase todo nosso dia lá, estudando. Para o almoço, passamos alguns minutos de nossa manhã preparando sanduíches, que agora comíamos. 

Pouco depois do almoço, recebi uma notificação no chat do facebook. Era uma mensagem de Nellie que perguntava "Onde você está?". Eu ri e me virei para Nellie. 

Eu: estou aqui, hahahah!

Ela: Que?

Eu: A mensagem.

Ela: Que mensagem?

Eu: Essa aqui. 

Mostrei a ela meu celular e Nellie balançou a cabeça dizendo que nunca tinha mandado aquilo. Olhei novamente para a mensagem e senti arrepios descendo por minha espinha. 

Ela: Você acha que é... ela?

Eu: Provavelmente. 

Nesse momento, peguei meu celular e respondi "Nos deixe em paz". Ela não respondeu nada, então achei que seria o fim de toda aquela história. A próxima hora ficamos estudando sem interrupções, até que Nellie teve que ir usar o banheiro. Falou que já voltaria, e foi logo. Entretanto, não demorou nem um minuto para ela voltar. 

Eu: Você já foi?

Ela: Tinha fila. Vou segurar um pouco. 

(Depois percebi que isso era muito estranho. Essa biblioteca não recebe muitos visitantes, então como teria uma fila?)

Eu: Deve ser porque todo mundo acabou de almoçar, né? O que entrou, tem que sair, hehe. 

Ela: Erik. 

Eu: Que? 

Ela: Preciso te perguntar uma coisa. 

Eu: Algo importante?

Ela: Você sente algo por mim?

Eu: Que? Wow, wow... Da onde você tirou essa agora? 

Quase que sensualmente, Nellie começou a se aproximar de mim. Por um segundo, me lembrei de N3 vindo em minha direção na noite anterior, mas ela não fazia ideia onde estávamos, então não podia ser N3. Me levantei, me preparando para uma conversação muito séria. 

Eu: Eu... Bem... Seria uma mentira se eu dissesse que isso não passou pela minha mente recentemente. 

Ela: Você me ama?

Eu: Hm, a gente precisa falar disso agora?... Eu não sei. Você é uma amiga excelente, acredite. Você é maravilhosa em todos os aspectos. Mas... É que eu...

Senti um peso saindo de mim quando soltei o ar. 

Eu: Talvez. Talvez eu te ame. Mas depende. Como você se sente em relação a mim?

Ela: Ah, definitivamente tenho sentimentos fortes por você. 

Eu: Uh?

Ela: Eu quero que você morra. 

Nesse momento, N3 colocou a mesma faca de cozinha no meu pescoço enquanto me empurrava contra a parede. Se debruçou sobre mim e sussurrou "adeus".

N1: NÃO! Por favor, não!

N3 se virou e viu N1 de pé a alguns metros. Ela apertou a faca mais forte na minha garganta e deixou claro que se algum de nós gritasse por ajuda, eu seria um homem morto. 

N1: Não vamos gritar. Prometo. Só pense um pouco. 

Eu: Como você me encontrou?!

N3: Você é muito idiota. O messenger mostra um mapa de onde você mandou a mensagem. 

Eu: Puta merda. 

N3: Não foi difícil encontrar você. E te matar. 

N1: Pela última vez, não foi o Erik!

N3: Cala a boca!

Eu: Olha, do mesmo jeito que existe uma cópia sua ali parada, eu sou uma cópia do Erik que te machucou. Não foi eu! 

Ela se virou para N1, parecendo hesitar por um segundo, mas depois se virou para mim de novo. 

N3: mesmo que isso FOSSE verdade, o que eu não acredito que seja, você continua sendo ele! Célula por célula, você é ele. A mesma pessoa, a mesma personalidade nojenta! Definitivamente é melhor que eu te mate. 

N1 começou a andar lentamente em direção dela. 

N1: Não, você não vai. Matar nunca é a solução. 

N3: Não se mexa, vadia. 

Eu: Tire a foto! 

N3: Que?

N1 pegou seu celular rapidamente. 

N3: Abaixe isso ou eu vou cortá-lo agora mesmo! Estou falando sério! 

N1 foi obrigada a concordar, colocando o celular no chão e chutando em direção de N3. 

N1: Calma, Nellie. Isso não é algo que você queria realmente fazer. 

N3: Não se envolva nisso. Ele tem que ser punido! 

Eu: Mas eu sou inocente!

N3: Cala a boca! Tenho certeza que qualquer homem que estivesse na mesma situação que você está, diria a mesma coisa! Assim que tem que pagar pelas suas ações, coloca o rabo entre as pernas como um cachorro amedrontado! 

N1: Olha. O que Erik fez para você deve ser horrível e impossível de esquecer, mas esse Erik é diferente. Ele é amável, cuidadoso, engraçado...

Eu: Nellie...

N3: Deu com essa merda! Vocês dois! Vocês não sabem como eu me sinto!

Eu: Me matar não vai resolver nada! 

N1: Vão te colocar na cadeia para sempre por isso. 

N3: E daí? Vai vale a pena pois vou ter visto o cadáver de Erik sem vida no chão. 

Agora, ela me olhou fundo nos olhos. Ela ia me matar. Eu ia morrer; Podia ver nos olhos dela. A determinação... O desejo por vingança...

N3: Tchau, Erik. Seu pedaço de merda!

Fechei meus olhos, ouvindo N1 gritar "NÃO!" alto. Houve um momento em que achei que estava morto, mas dai ouvi um barulho, que era a faca caindo no chão. Abri meus olhos e N3 tinha sumido... desapareceu, assim como N2. 

Eu: Ela... desapareceu...

N1: Você esta bem?!

Nellie correu em minha direção e me abraçou. Daí, com um ótimo timing, a bibliotecária veio correndo. Fiz questão de chutar a faca para longe. Rapidamente criamos uma desculpa por ter gritado e estar um tanto abalados.  Nellie disse que eu tinha tido um ataque de pânico e para ajudar eu disse "Estou bem agora"e que eu ia "tomar meus remédios". 

Com isso, ela saiu e ficamos sozinhos novamente. Meus sentimentos se misturavam em felicidade e confusão, Nellie também. 

Nellie: Então... O que aconteceu?

Eu: Você tirou a foto?

Nellie: Não. Você fez alguma coisa?

Eu: Não. 

Nellie: Então como ela desapareceu? 

Eu: Deixa eu pensar. 

Fiquei pensando em como N2 tinha desaparecido. 

Eu: Não podemos interromper a linha do tempo... 

Nellie: Que? O que que tem?

Eu: O que você acha que me matar faria?

Nellie. Ah. Então o universo não deixou que ela...?

Eu: Sim. Bem... É só uma teoria. 

Nos sentamos de volta e tentamos voltar aos estudos, mas acabamos só conversando sobre tudo aquilo de novo. Acho que nós dois tínhamos que espairecer as ideias. Então fiz a pergunta que não queria calar. 

Eu: Você acha que tem dois de mim vagando por aí também?

Ela: Não sei. Talvez? Mas nossas vidas iam acabar se esbarrando, não é? Tipo como eu encontrei o meu eu psicopata na minha casa, você iria encontrar o seu na sua casa também, né? Ou, sei lá, qualquer outro lugar que você costuma muito ir?

Eu: Verdade. Mas porque será que tudo isso se centrou em você? Por que surgiram várias cópias de você e de mais ninguém? 

Ela: Eu devia saber o motivo? 

Eu: Desculpa. Só estou pensando alto.

Ela: Bem, posso te garantir que não tenho me envolvido com experimentos científicos ilegais recentemente. 

Eu: Não nesse universo, pelo menos. Haha. 

(Nesse momento, acho que ambos pensamos na mesma coisa)

Eu: Quer dizer... você não acha que...?

Ela: Não. Isso... Isso não pode acontecer, né?

Eu: Talvez. Mas não faço ideia como isso funciona. A intersecção entre universos e mais, é um mistério muito complexo. 

Ela: Mas será que em algum desses universos a gente... a gente descobriu como?

Eu: Wow, não faço ideia, mas acho que... espera... porque você está querendo conversar tanto sobre esse assunto hoje? Ontem você nem queria falar sobre isso. 

Ela: Não sei. Acho que estou cansada e ainda em choque. Estou quase acostumada com toda essa loucura agora. Talvez seja a adrenalina, ou a felicidade de saber que terminou. 

Eu: Justo. Terminou, a não ser que...

Ela: Erik. 

Eu: Você está certa. Terminou. Desculpe. 

Acho que eu deveria parar de digitar agora. Conversamos mais um pouco, mas nada que valha a pena botar aqui. Muitos de vocês sugeriram a teoria de que isso talvez não tenha nada a ver com universos, e sim de algo que vem do... futuro. Não falei nada disso para Nellie, mas tenho pensado sobre e meio que faz sentido. E se N2 e N3 forem de dois períodos futuros diferentes? E elas tenham vindo aqui para nos passar uma mensagem, ou talvez um aviso? É interessante pensar por esse lado, mas provavelmente vou continuar com a teoria do multiverso, por enquanto. 

Outra teoria que vocês sugeriram era que talvez eu e N1 estivéssemos visitando o universo de N2 e N3. Vou ter que descartar essa, gente. Eu liguei para minha mãe e ela me confirmou que eu e Nellie éramos apenas bons amigos. Isso significa que ou minha mãe viajou para esses outros universos com a gente, o que seria bem estranho, ou estamos no universo da N1. Fico com a última opção. 

Agora estou em casa, Nellie está comigo. Acredite, nós dois ainda estamos bem abalados com tudo que aconteceu nas últimas 48 horas... Mas acho que vamos superar. Ainda não sabemos como três Nellies apareceram no mesmo universo, e nas palavras de N1... "Nunca vamos saber". 

O que importa é que agora estamos seguros. Decidimos que não vamos entrar em contato com a polícia nem com a mídia pelo medo com que isso desregulasse o tempo e espaço continuo e, sei lá, outras coisas relacionadas a ficção cientifica. Vamos simplesmente levar a vida e deixar esta história morrer. Acho que, portanto que tenha interrompido somente nossas duas vidas, ficará tudo bem. Além do mais, qual a credibilidade de uma história postada em um site aleatório e anônimo na internet? É. Vou terminar por aqui. 

(FIM)


21/03/2016

Acredito que o nosso universo acabou de colidir com outro (PARTE 1 de 2)

Essa creepypasta contém palavreados e expressões pesadas que podem não ser apropriadas para menores. 

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Ok. Então, a coisa mais esquisita aconteceu comigo e meus amigos hoje. Estou tão confuso e não sei mais no que acreditar. Só preciso contar isso para alguém, e acho que a melhor maneira é postar anonimamente. Pelo menos por agora.

Você precisa saber só de três coisas:
  1. Meu nome é Erik.
  2. Nesta semana minha turma está estudando para as provas finais que ocorrem em Maio. Não temos aulas.
  3. Nellie é minha colega de estudos. Nós dois temos dificuldade em estudar em casa, então nos encontramos na escola para estudar juntos. Somos amigos (e nada mais que isso) e estamos estudando assim pelas últimas semanas que se passaram. Nossa professora foi gentil suficiente para nos emprestar a sala de conferencia que raramente é usada. 

Então hoje nos encontramos nos nossos armários. Mandei uma mensagem de texto para ela dizendo que chegaria as 09:20, então ela estava lá esperando por mim. Enquanto ia para a sala de conferência da escola, Nellie me diz que tem que imprimir algumas coisas (resumos do assunto provavelmente, ela sempre faz impressões destes). Ela manda eu ir direto para lá porque "tem muitas coisas para imprimir".

Então eu vou, e quando chego lá vejo algo que me choca. Veja bem, a porta da sala de conferências tem uma grande janela de vidro transparente, e eu conseguia ver Nellie lá dentro. Estava lá, sentada, com todos seus livros e materiais de estudo perfeitamente arrumados sobre a mesa.

A não ser que ela tenha corrido o mais rápido possível, passando pela lancheria dos professores, não havia um jeito de ter chegado ali mais rápido que eu sem passar por mim. De qualquer forma, abri a porta e dei um passo para dentro. Me lembro perfeitamente, porque aconteceu hoje mais cedo. Então aqui está a minha melhor tentativa de transcrição da nossa conversa que aconteceu lá.

Eu: Como você chegou aqui tão rápido?

Ela: Hm, oi para você também, Erik. E estou aqui desde as oito da manhã. Onde você estava?

Eu: Você só pode estar zoando. Não existe nenhuma possibilidade de você ter chegado aqui antes de mim e organizado todas suas coisas. Como você fez isso? 

Ela: Mas do que você está falando?!

Eu: Você jura que isso não é uma brincadeira?

Ela: Juro se você me explicar o que está acontecendo.

Eu: Acabei de chegar na escola com você a dez minutos atrás! Você disse que precisava imprimir umas coisas e me mandou vir pra cá antes, mas agora você já está aqui! Não é possível. 

Ela: Você tá drogado? Como você mesmo diz, isso não é possível. Então como você quer que eu acredite nisso? Não vou cair nessa, Erik. 

Eu: Eu... (Nesse momento eu já estava começando a surtar) Meu Deus! O que está acontecendo? Você tem uma irmã gêmea ou uma doppelganger ou algo do tipo?

Ela: Não, e eu juro por Deus, amor, que é melhor você parar de brincar com isso porque está começando a me assustar!

(Espera aí, que?)

Eu: Você me chamou de "amor"?

Ela: Sim? Eu não devia?

Eu: A gente nunca se chamou assim? O que tá rolando?

Ela: Erik. Agora fala sério. Se isso é uma piada, pode parar agora mesmo. Não tem graça.

Eu: Eu não estou brincando! Você está? Me chamando de "amor" e contratando uma doppelganger para me matar de tanto medo?

Ela: Nós estamos na porra de um relacionamento! Não posso mais te chamar de "amor"?! E ainda não faço ideia quem é essa gêmea que você está falando!

Eu: Que porra é essa? Nós não estamos em um relacionamento!

Ela: Puta merda, você está terminando comigo?

Eu: Que? Não... Eu...? Só que... O que está acontecendo?!

Nesse momento aconteceu uma pausa longa. Nellie está se levantando, tão ferrada emocionalmente quanto eu. Aparentemente eu estava terminando um relacionamento com a minha melhor amiga sendo que eu nem sabia que estávamos namorando.  

Eu: Acho que estou enlouquecendo. Então, preciso que você seja honesta. Me prometa que não vai falar nada além da verdade.

Ela começa a se acalmar, parecendo trocar seus pensamentos de "ele está terminando comigo" para "ele não está bem da cabeça".

Ela: Prometo se você prometer.

Eu: Okay. Eu prometo.

Ela: Eu também, então.

Eu: Nós estamos namorando?

Ela: Estamos desde o Natal. Você não se lembra de verdade?

(Eu repito: que porra é essa? Eu estava muito certo na minha mente que isso não era verdade. Mas eu a conheço e sei que ela não levaria uma brincadeira tão longe, especialmente jurando só falar a verdade. Eu estava começando a acreditar.)

Eu: Não, não lembro de nada disso. Nas minha cabeça, nós só somos bons amigos. Nunca chamamos um ao outro de "amor" de uma forma não irônica, nunca nos beijamos, nunca "tocamos" um no outro"ou mostramos sinais sérios de afeição.

Ela: Nós fizemos tudo isso! Como você pode esquecer? 

(MAS QUE PORRA?!)

Eu: Hmm... Não sei. Será que partes da minha memória foram bloqueadas? Talvez eu esteja em estado de fuga e na minha cabeça eu seja outra pessoa...

Ela: Então você está falando 100% sério comigo?

Eu: Sim! Minha mente está uma bagunça nesse momento.

Ela: Então... Me desculpa por ter gritado com você, querido. Você tem que entender que fiquei chateada... Achei que você estava terminando comigo!

Eu: É, também sinto muito... querida. 

Eu fiquei bem incerto com esse "querida" mas decidi que Nellie merecia ouvir sendo que parecia bem perturbada com a situação. Talvez ela estivesse mesmo falando a verdade? Eu sabia que não era uma brincadeira. Ela realmente estava preocupada. Então, andou até mim e me abraçou, ainda falando.

Ela: Suas memórias não voltar logo, eu espero.

Eu: É. Talvez alguma prova pudesse despertar minha memória? Você tem alguma foto nossa aí que possa me mostrar?

Houve um silêncio, como se ela estivesse considerando e pensando em suas opções. A escolha que ela fez estará para sempre marcada em meus pensamentos.

Ela: Talvez isso ajude?

Ela me segurou e me olhou nos olhos. E então... Ela me beijou! Não foi um beijo rápido e charmoso, não. Foi um beijo longo e muito apaixonado. Eu queria empurrá-la, mas estava em choque. Além do mais, se estivesse falando a verdade (que eu estava quase acreditando) eu podia tentar "acender" minhas memórias de volta com aquele beijo.

Quando ela parou de me beijar, olhei em direção a janela da porta e vi o inacreditável. Lá estava ela: Nellie. Nas suas mãos, os papéis que tinha ido imprimir. Olhei de volta para Nellie na minha frente.

Ela: E aí? Lembrou de alguma coisa?

Eu: Meu Deus do céu.

Ela: O que?

Eu fica indo e voltando com os olhos da Nellie que estava na minha frente com a Nellie que estava na porta. Para referência, a Nellie original que estava na porta será chamada de N1 enquanto a Nellie que me ama será chamada de N2. N2 eventualmente percebeu que eu estava olhando para o outro lado e se virou e os olhares delas se encontraram.  N2 arfou, e N1 apenas observou em silêncio. Uma eternidade depois, N1 abriu a porta e entrou na sala. 

N1: Quem é você?!

N2: Nellie. Você é igualzinha a mim, que porra é essa?

N1: Eu sou a Nellie! Isso é uma brincadeira? 

N2: Eu que te pergunto!

Nesse momento eu já tinha certeza de que não era uma brincadeira. E se fosse, era uma brincadeira de Deus. 

N1: O que está acontecendo? Porque vocês se beijaram?!

N2:Porque nós namoramos?

N1: Mas que merda é essa? Erik?!

Eu: É que.. hmrrm...

Eu não queria ficar do lado de ninguém. Eu só estava muito, mas muito, MAS MUITO confuso (e na verdade o beijo não tinha sido ruim).

Eu: Ela disse que nós estamos juntos desde o Natal. Eu não sei no que acreditar!

N2: Nós estamos! Você ainda não se lembra?

Eu: Desculpa, eu não... não tenho certeza...

N1: Isso é loucura! Como você pode ser igual a mim? Você é eu de verdade?! 

N2: Não me pergunte! Diga algo que somente eu saberia. 

N1: Hm... Ah! Erik, você tem que jurar não falar isso para ninguém.

Eu: Juro.

Nesse momento, N1 falou algo realmente muito intimo que francamente prefiro não revelar aqui, mas N2 sabia exatamente do que se tratava e ainda complementou a informação. 

N1: Ai meu Deus. Você é eu.

N2: Que porra é essa?

Houve um momento de silêncio. Acho que nenhum de nós sabia muito bem o que dizer naquele momento. Não era uma pegadinha, e ninguém entendia o que estava acontecendo. Acho que todos nós tivemos uma crise existencial. Falo por mim aqui, mas achei que estava enlouquecendo ou em um tipo de sonho muito vívido. Eu sabia o que tinha que fazer, mas não parecia certo. 

Eu: Meninas? Eu sei que pode não parecer apropriado para o momento, mas preciso tirar uma foto. Para a minha sanidade, preciso documentar isso. 

Era verdade. Eu sabia que o que estava acontecendo ia me assombrar para o resto da vida se não tivesse uma prova em minhas mãos. Elas não falaram nada, mas pareceram aceitar. Então peguei meu celular, abri o aplicativo da câmera e tirei a foto. Mas quando fui ver, N2 não estava mais lá. Ela simplesmente desapareceu, diante de nossos olhos. Nós dois ficamos ali parados - N1 e eu - em choque. 

Eu: Isso acabou mesmo de acontecer?

N1: Você diz tipo que meu clone aparentemente acabou de desaparecer?! Sim. Acabou de acontecer.

Eu: Puta merda! A foto!

Abri o rolo da câmera e olhei a foto. N1 correu até mim e olhou também. N1 estava na foto, claramente, mas N2 era apenas um borrão transparente.  Tudo que dava pra vez era uma mancha difusa com cores que correspondiam as roupas de N1. Tirei a foto no mesmo milésimo que ela desapareceu. 

Eu: Não é possível que isso tenha sido apenas uma coincidência.

N1: O que você quer dizer?

Eu: Ela simplesmente desaparece no segundo em que a foto é tirada? Em todos os milésimos que podia ter desaparecido?

N1: Por que ela desapareceria por esse motivo? E sinceramente; como CARALHOS ela desapareceu?!

Eu: Eu não sei! Isso é tão fodido... Quer dizer, até agora tudo podia ser explicado logicamente. Quer dizer, usar uma pessoa muito parecida, roupas idênticas e uma boa cronometragem. É improvável, mas podia acontecer. Mas desaparecer na frente de nossos olhos... Isso não é fisicamente possível.

Nós dois nos sentamos e apenas ficamos nos acalmando, tentando absorver a situação e achar uma explicação. Havia muita tensão no ar e nós dois estávamos suando. Foi aí que percebi que as coisas de N2 também tinham desaparecido. 

Eu: Tenho uma teoria.

N1: Que?

Eu: Você acredita no conceito de multiverso?

N1: Nunca pensei muito nisso, mas conheço a teoria.

Eu: Se existe um universo para cara possibilidade, existe um em que estamos juntos.

N1: Acho que sim?

Eu: Não sei bem, mas ouvi em algum lugar que universos podem colidir e se "sobrepor". E se aquele universo se sobrepôs com o nosso, colocando a Nellie daquele universo no nosso? E aí aconteceu esse encontro? 

N1: Pra mim isso parece ficção cientifica, Erik. 

Eu: É a explicação lógica mais provável que consigo pensar.

N1: Repito: como e por que ela desapareceu?

Eu não tinha pensando tão adiante assim, então improvisei a explicação de uma teoria que já tinha.

Eu: Hm, claramente ela não devia estar no nosso universo... E se talvez eu fosse ferrar com tudo quando tentei documentar isso. 

N1: Então o universo apaga-a de sua existência só para prevenir isso?

Eu: Sim, talvez.

N1: Mesmo assim, continua sendo fisicamente impossível.

Eu: Então o que?! Eu adoraria ouvir a sua explicação para tudo isso!

N1: Eu não sei. E provavelmente nunca saberei. Mas o quanto antes superarmos isso, melhor, porra. Porque minha cabeça está doendo.

E a discussão meio que dissipou a partir daí. Estudei por mais ou menos uma hora, mas não estava conseguindo absorver nada. Era inútil, porque minha mente estava ocupada demais pensando em N2. E era estranho que eu meio que tinha curtido o beijo? Quer dizer, ela é minha amiga... mas fez com que eu a visse de um jeito totalmente novo. Afinal de contas, isso provava que em um universo nós estávamos juntos e felizes. Talvez a única diferença era que eu (ou ela) não tínhamos coragem de fazer a pergunta certa no tempo certo?

Nellie não queria falar sobre o que acontecera de jeito nenhum. Quando eu comentava sobre, ela respondia com monossílabas ou me mandava calar a boca. Acho que isso fodeu com a cabeça dela bem mais do que com a minha.

Então como eu não estava conseguindo estudar e sentia que Nellie provavelmente queria ficar sozinha, peguei o ônibus para casa depois de me certificar que ela ficaria bem. No segundo em que pus meus pés na sala de casa, caí no sofá, pensativo. Até consegui tirar um cochilo, mas sinto como se não fosse capaz de fazer nada até que fale com alguém sobre isso. Preciso de uma luz. 

Então, como Nellie provavelmente quer manter isso em sigilo, vou postar sobre isso anonimamente aqui. Estou enlouquecendo? 
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Atualização (15:22):

Sobre a foto, sei que vocês querem ver, e originalmente eu tinha intenção de postá-la, mas não posso. Pensei bastante sobre isso. A teoria principal é que N2 despareceu porque tentei provar sua existência. Então, e se... e isso está me assustando para caralho... Eu desaparecesse no segundo em que eu tentasse postar a foto na internet? Desculpa, gente, mas não posso. 

Atualização (16:23):

Tentei ligar para Nellie, mas caí direto na caixa de mensagens. Acho que ela está falando bem sério quando diz que não quer falar sobre isso. Mas nossa sessão de estudos geralmente acaba as 17h, então talvez eu ligue pra casa dela depois disso.

Ah, se os nomes não foram suficientes para você descobrir, digo que somos da Suécia. Vou atualizar aqui assim que conseguir falar com Nellie. Estou um pouco preocupado com ela. 

Atualização (17:17):

PUTAQUEPARIU!

Nellie acabou de ligar.

Preciso ir.

Tem mais uma.

Atualização (21:58):

Algo seríssimo acabou de acontecer, então acho que vou fazer uma mega atualização aqui em baixo. 
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Okay... Isso é louco pra caralho. Meu Deus, por onde começo?

Vou continuar de onde eu parei, vou tentar soar o mais calmo possível. Acho que postar os diálogos é o melhor jeito de fazê-lo. Sou sueco e meu vocabulário em inglês (texto original foi postado em inglês) não é o melhor, mas tenho uma excelente memoria para conversações. Peço perdão se ler as transcrições seja meio tedioso. 

De qualquer forma, Nellie me ligou pouco depois das 17h.

Eu: Oi, Nellie. Fala aí.

Ela: Erik. Acabei de voltar para casa e... Você tem que vir aqui. Estou falando sério. Tem outra.

Eu: Outra? Ai meu Deus, outra cópia?

Ela: ... de mim, sim. Ela quer ver você. E, estou com medo de ficar sozinha com ela. Pode vir? Você sabe onde eu moro, né?

Eu: Na rua [sigilo], não é?

Ela: Sim.

Eu: Beleza, daqui a pouco estou aí. Não faça nada sem pensar. Ambas.

Ela: Hm, sim. Vou falar para ela. Mas venha logo. Você sabe mais sobre como isso funciona do que eu. E se dessa vez eu for a.... que desaparece?

Ela sussurrou a última palavra perto do microfone do celular para que a outra Nellie não ouvisse. Também queria corrigi-la e dizer que eu não sabia de nada; eram apenas teorias. Mas ela estava tão amedrontada, então achei que naquele momento era melhor que ela pensasse que eu sabia de alguma coisa, mesmo. 

Eu: Você não vai desaparecer, confie em mim. Já já estou aí.

Ela: Obrigada.

Eu: Vejo você daqui a pouco.

Ela: Ok. 

Desliguei o telefone e subi no próximo ônibus que passou que ia para a casa dela. Eu já havia ido lá duas ou três vezes, na maioria foi para ir em festas com os amigos, então sabia onde era. 

No caminho, tive um tempo para pensar. Quero dizer, como assim havia outra? Três Nellies diferentes? No mesmo universo? Como isso poderia estar acontecendo? Se minha primeira teoria estivesse certa (sobre a colisão), as chances de haver uma colisão com três universos... É quase inexistente! E se for, não deveria ter uma cópia minha também? Mas para ser honesto... Quem sou eu para dizer o que deveria acontecer? 

De qualquer forma, fiz meu caminho para a casa dela, nervoso e sem saber o que aconteceria a seguir. Acho que não consigo descrever as coisas que toda essa situação estava fazendo com meu cérebro.  É simplesmente... e, porra, fica pior.

Dei uma batida na porta e esta foi imediatamente aberta. Era Nellie... bem, uma delas.

Ela: Fico muito feliz por você ter vindo, Erik.

Eu: Sem problemas.

Ela: Hmm... Ela está na sala. Tenho que admitir... Tem algo estranho nela. Que me deixa meio perturbada.

Eu: O que?

Ela: Não sei. O jeito que ela fala seu nome... É como se...

???: Erik? É você?

A voz veio da sala, era a voz da Nellie. Para seguir o mesmo raciocínio de antes, chamarei essa de N3, e a outra, "a original", continuarei a chamar de N1.

Entramos na sala e troquei olhares com ela. Definitivamente era perturbador. Ela tinha um olhar de ressentimento, um olhar que poderia derreter ferro, se quisesse. Eu nem sabia como reagir. Ela fez com que eu esquecesse tudo que tinha planejado ara fazer e dizer. 

Eu: Oi... hm... Nellie.

N3: Erik.

Eu: Sim?

N3: Faz um tempo que a gente não se vê, não é mesmo?

Eu: Que?

N3: Não venha com joguinhos para cima de mim.

Eu: Joguinhos? Do que você está falando?

N3: Você sabe a porra que você fez.

Eu: O que?

N1: O que ele fez? O que foi que ele fez?

N1 tentou entrar na conversa, mas isso não fez diferença para N3. Ela se recusava quebrar nosso contato visual e dava um passo a frente a cada frase que dizia. Era comigo e com ela, e eu estava começando a ficar muito nervoso. Se a outra cópia da Nellie me amava, essa...

N3: Permita-me jogar um jogo com você, Erik.

Eu: Eu... hmn...

N3: Do mesmo jeito que você acabou com a minha vida...

Ela estava vindo mais rápido.

N3: ... Deixe eu acabar com a sua.

N1: ELA TEM UMA FACA!

Putaquepariu.

De suas costas, N3 tirou uma faca grande de cozinha e veio em minha direção. Eu corri de volta para o corredor, mas não tive tempo de abrir a porta. Me virei, antecipando o ataque. Quando cegou perto de mim, ela me golpeou com a faca. Dei um pulo para trás em direção a porta e a lamina mal raspou na minha camiseta. Vendo uma oportunidade, eu segurei o pulso com qual ela segurava a faca. Ela segurou com as duas mãos, negando soltar, enquanto lutávamos ali no corredor.   N1 veio correndo, batendo nas costas de N3.

N1: PARA! DEIXA ELE EM PAZ!

N3: NÃO! ELE TEM QUE MORRER! SE VOCÊ É EU, DEVIA SABER DISSO!

Eu: Seja lá o que você pensa que eu fiz, NÃO FUI EU!

N3: MENTIRA!

No calor do momento, percebi que não tinha outra opção se não socá-la no estomago. Ela perdeu o ar e deixou a faca de cozinha cair no chão. Começou a arfar e eu abri a porta, indo para fora.

Eu: Vem, Nellie, não podemos ficar aqui!

N1 correu para fora depois de mim. Mas eu não queria sair dali de imediato. Tinha acabado de socar uma mulher no estomago, e mesmo que fosse para me defender, quera ter certeza que ela estava bem antes de ir. Então fiquei segurando o trinco da porta pelo lado de fora. Pude ouvir N3 se levantando e puxando o trinco furiosamente, mas eu era mais forte. Eu podia ouvi-la gritando de dentro.  

N3: Para com isso! Você é um merda! Morra!

Eu: Calma! Você precisa se acalmar!

N3: Eu vou te matar!

Ela deve ter perdido das forças, então parou de puxar a maçaneta com força. Agora ela começou a soluçar e me xingar baixinho. Era óbvio que, seja lá de qual universo ela tinha vindo, eu tinha feito algo terrível para ela.

Eu: Olha... Eu sinto muito por seja lá o que você acha que eu fiz para você. Mas não fui eu!

N3: Pare de mentir!

N1: A gente devia chamar a polícia?

N3: Se você chamar a polícia, eu vou contar que você ME ESTUPROU! Do lado de quem você acha que eles ficariam, hein?

Eu: Meu Deus, ela está certa.

N1: Ela tentou te matar, porra!

Eu: E eu dei um soco nela. Ela tem evidencia que eu a machuquei! Eu não tenho. Não vamos chamar a polícia ainda. Além do mais, algum vizinho já deve ter feito isso. E deus sabe que investigações eles começariam a fazer se descobrissem clones humanos?! Nós precisamos sair daqui.
N3: Não ouse sair daqui!

Eu: Hm, Nellie? Sério, se acalme! Nós vamos r embora. Não nos siga, por favor! Mesmo que você queira me matar... Não, você está machucada, vá dormir, melhorar, sei lá! 

Talvez fosse uma má ideia dar conselho, mas realmente não queria que ela ficasse nos seguindo pelo bairro. Eu sussurrei para N1 ir para o ponto de ônibus antes de mim. Eu conseguiria fugir da N3 mais fácil se estivesse sozinho. 

N1 foi e eu fiquei sozinho com N3.

N3: Seu covarde!

Ela começou a balançar violentamente a porta, quase me pegando de surpresa.Mas continuei segurando firme enquanto ela gastava suas energias. Alguns minutos depois, pude ouvi-la desistindo e caindo no chão. Começou a chorar alto.

Eu: Tchau, Nellie.

N3: Eu vou matar você...

Eu: Me perdoe.

Me sentindo um tanto mal por ela, soltei lentamente a maçaneta e comecei a andar, preparado para correr se ouvisse a porta abrindo. Encontrei N1 na parada, ela me abraçou quando cheguei. Nós dois estávamos tremendo por causa da adrenalina que corria em nossas veias.

Eu: Não acho que ela vai vir atrás da gente, pelo menos não hoje a noite.

N1: O que a gente faz? Não quer voltar.

Eu: Você pode dormir lá em casa. E... Eu realmente acho que não é uma boa chamar a polícia...

N1: Por que não?

Eu: Bem... Eu tenho esse medo...

N1: Medo?

Eu: Lembra porque a outra Nellie desapareceu?

N1: Por causa da foto?

Eu: Bem, sim... Porque nós tentamos provar a existência dela... O, hm... O universo não gosto disso, então ela desapareceu. E se isso não se aplicar somente para eles... as cópias? E se nós desaparecermos também?

N1: Você disse que eu não ia desaparecer! Disse pelo telefone!

Eu: Eu não sei, okay?! Quero dizer, não mostrei a foto para ninguém pois tive medo que eu fosse desaparecer! Imagina o que aconteceria se chamássemos as autoridades!

N1: Você tem certeza disso?

Eu: Não, mas não tô disposto a arriscar. Não podemos mudar tanto o destino ao ponto disso virar noticia mundial! 

N1: Então o que vamos fazer?! Tem um clone meu que não parece estar disposto a desistir até ver você morto!

Eu: Obrigada por me lembrar disso! Mas você está certa. Isso é muito complicado. Vamos ter que continuar evitando-a até descobrirmos o que fazer. Agora, precisamos descansar. 

Então pegamos o ônibus para minha casa e estamos aqui desde então. Nenhum de nós quer estudar, nem conseguimos dormir. Então aqui estou eu, no meu notebook, digitando isso... gritando minhas frustrações com o universo... de novo. Eu quase morri! Meu Deus. 

Nellie está jogando FIFA aqui do meu lado. Ela não joga muito, normalmente, mas pediu algo para se distrair a mente do que aconteceu.

Acho que vamos tentar dormir daqui a pouco, e depois veremos o que o amanhã trás. Estou com medo, gente. 
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Atualização (23:06):

Nellie quer ir dormir agora, mas provavelmente eu vou continuar no meu telefone, respondendo suas perguntas (no post original, o autor respondia perguntas feitas pelo leitor).

Alguns de vocês me falaram que eu devia ter tirado uma foto de N3 para fazê-la desaparecer, mas não pensei nisso na hora. Mas tenho que ser honesto, meio que tenho pena da N3. Eu devo ter sido um pau no cu no outro universo. Ela não nada mais que uma garota que procura por vingança. Espero conseguir convencê-la que sou inocente antes dela tentar me matar de novo.

Não quero que mais ninguém desapareça, mas talvez esse seja o destino dela? Como duas Nellies poderiam coexistir no mesmo universo? Talvez deixá-la aqui seja um perigo para a nossa existência? Ugh. Porque esse fardo caiu sobre meus ombros?! Já tenho provas para me preocupar! Puta merda!

Porra, não quero mais pensar nisso. Acho que na verdade vou ir dormir, sim. Acho que amanhã eu atualizarei vocês. Até.

(EM BREVE SEGUNDA E ÚLTIMA PARTE)