30/04/2016

Creepypasta dos Fãs: Glutoneria

Carne enlatada, vegetais, ração, plantas; inclusive sobras das minhas refeições. Eu tentei de tudo e ainda não sabia como alimentá-la. Ela rejeitava tudo que eu oferecia, chutava o prato para longe e às vezes até cuspia na comida. A cada dia que passava, ela ficava mais magra e desnutrida, contribuindo para que eu ficasse louco de preocupação.

Eu estava desnorteado, até certo dia descer ao porão e flagrá-la alimentando-se de um gato. O desafortunado felino deve ter entrado no recinto empoeirado por alguma das pequenas janelas e encontrou um destino trágico nas mandíbulas dela. Então eu finalmente compreendi o que realmente agradava seu paladar.

Desde aquele dia, habituei-me a trazer para ela alguns gatos que eu capturava pela vizinhança, mas de início, ela não gostou muito. O fato é que ela preferia devorar filhotes, ainda vivos. Conforme ela comia os pequenos animais, ficava menos anêmica e desnutrida. Só depois de uma semana que ela começou a nutrir um gosto por gatos já adultos.

Fiquei muito aborrecido da vez em que fui levar para ela um siamês adulto com as patas amarradas. Quando cheguei ao porão e liguei a lâmpada, vi que ela já estava devorando um rato cinzento e velho.

Eu gritei com ela, tentando fazê-la entender como era difícil capturar os gatos da vizinhança sem ser visto, mas eu só recebia grunhidos como resposta. Mesmo ela não tendo demonstrado qualquer sinal de compreensão, eu lhe entreguei a refeição e posteriormente não desci ao porão por dois dias inteiros.

Admito que fiquei bastante preocupado durante as noites em que não a visitei, mas ela teria de aprender a ter empatia e consideração pela mão que a alimentava, fosse pelo amor ou pela dor.

Repentinamente, ouvi sons de engasgamento e asfixia na terceira noite e corri para o porão para ver o que se passava naquele mausoléu empoeirado. Ela parecia estar quase regurgitando algo e golpeava fortemente a coleira pela qual estava presa. Agachei-me ao seu lado e retirei a coleira pesada de seu pescoço. Naquele momento, estava presa apenas às correntes amarradas aos seus pés.

Ela pôs a mão sobre o abdômen e finalmente regurgitou. Seu vômito trazia consigo secreções asquerosas, sangue e os restos do que antes eram gatos e ratos vivos.

Tive a oportunidade de observá-la melhor quando retirei os tecidos sujos que cobriam seu corpo imundo e ferido. Incrivelmente, eu notei que em nenhum momento ela havia defecado. Depois de terminar de vomitar, ela me encarou com olhos tristes e carentes enquanto murmurava sons animalescos e sem sentido.

Naquele momento, uma tristeza pesada assolou meu coração, pois senti pena dela, sozinha e aprisionada em um lugar miserável. Ela merecia compaixão e até muito mais do que isso. Eventualmente, para satisfazê-la, nos beijamos e transamos como animais selvagens durante toda a madrugada. Em seu mais intenso orgasmo, seu corpo regozijou tremulamente em um êxtase sobrenatural e seus gemidos roucos e animalescos pareciam ser uma obra-prima da natureza oculta sobre sua pele lodosa e repleta de fungos e feridas, fazendo até balançar as teias de aranha sobre nossos corpos nus.

Para minha infelicidade, nosso sexo foi interrompido quando, em um surto de excitação, ela cravou os dentes podres e afiados em meu ombro. Com o susto, eu recuei e retornei a prendê-la à coleira. Abandonei o porão com o ombro esquerdo sangrando e ardendo excruciantemente.

Passei o resto da noite sem conseguir dormir e lembrando o sorriso malicioso que marcou o rosto dela quando percorreu seus lábios ensanguentados com a língua. Ainda tenso e aborrecido, saí para fumar e sentei-me na calçada de casa, às 05h. Posteriormente, capturei um cachorro meio doente que descansava debaixo de uma árvore no final da rua.

Ela adorou a surpresa. Devorou o animal como se fosse um banquete soberbo. Ao término da refeição, gemeu como se tivesse tido um orgasmo e vomitou os restos do cão.

Depois daquele banquete, ela passou a rejeitar gatos. Seu paladar estava se tornando mais refinado e exigente. Eu soube que estaria encrencado, pois satisfazer sua gula seria muito mais difícil, uma vez que cada vez mais ela exigiria algo maior.

E do mesmo jeito, ela continuava a vomitar por todas as noites. Não conseguia digerir por completo suas refeições e regurgitava de volta tudo que empurrava garganta abaixo. Eu estava ficando um pouco irritado com o fato de que ela devorava e expelia de si os animais por pura diversão. O que despertou minha curiosidade foi como ela estava ficando cada vez mais forte e corpulenta.

Mas o que me incentivou a tomar nota destes acontecimentos foi a noite em que eu lhe trouxera um filhote de porco ainda vivo, pois esta era a única condição que a fazia aceitar os banquetes.

Eu empurrei o animal na direção dela enquanto o suíno emitia um guincho de pavor e resistia com todas as suas forças. Ela agarrou o animal com uma voracidade tão grande que acabou devorando a metade meu dedo anelar no processo.

Meu grito ecoou por todo aquele recinto bolorento. Eu a amaldiçoei enquanto ela apenas se preocupava em saborear a refeição para posteriormente vomitá-la. Subi diretamente para o banheiro e tratei do meu dedo mutilado.

Passei dias sem visita-la desde então. Retornei ao porão apenas quando achei necessário e tive uma surpresa que me gelou a alma.

Ela não estava mais lá. A coleira e as correntes que antes prendiam suas pernas haviam sido arrancadas da parede de concreto, e no chão, jazia o porco mutilado e regurgitado. Entre os restos mortais do suíno brutalmente moído, estava a outra metade do meu dedo anelar, um pouco mastigado.

Eu segui uma trilha do que parecia ser vômito até que a mesma terminasse no meu quarto, especificamente debaixo da cama. Agachei-me e me deparei com a visão dela deitada sob o móvel como um cão.

E debaixo da cama, ela gargalhava como uma hiena rouca, mas não me ofereceu perigo. Prometi mantê-la lá mesmo, aonde provavelmente ela sentia-se mais confortável e segura sem aquelas correntes. Nas noites seguintes, continuei a lhe trazer cães, mas ela os rejeitava, além de rejeitar tudo mais que eu lhe oferecia.

Em certa noite, acordei por causa de uma dor ardente na mesma mão que havia sido mutilada pelos dentes animalescos dela. Quando liguei a luz do abajur e verifiquei, um calafrio percorreu todo meu corpo.

Meu dedo médio e indicador haviam sido completamente arrancados da minha mão. Em uma sincronia horrenda, ela vomitou os dois dedos para fora da parte de baixo da cama no mesmo momento em que eu gritei de dor e espanto. Foi naquela noite que percebi que, mesmo sem a intenção de fazê-lo, eu havia criado um monstro e possivelmente, um perigo para a vizinhança.

Por fim, é por estes acontecimentos que eu tenho escrito estas notas. Por não saber quanto tempo de vida ainda tenho e por não conseguir imaginar o que ela faria se eu a abandonasse. Espero que, se algo de ruim me acontecer, alguém encontre estas anotações que deixarei sobre a cama e alerte a vizinhança o mais rápido possível.

Vou me trancar no banheiro e tentar dormir lá mesmo, caso eu não esteja vivo pela manhã, provavelmente encontrarão o que sobrou de mim em algum lugar da casa, mas o que realmente importa agora é que conheçam o real perigo que habita debaixo da minha cama e o sentimento de culpa que tenho por ter deixado esta coisa crescer, por eu não ter tido coragem de meter uma bala de espingarda em sua cabeça.

Espero que saibam da existência desta coisa que dá risadas indescritíveis todas as noites e devora outras coisas vivas e as vomita por puro prazer. Ela já se alimentou de pequenos ratos, cães, porcos e gatos. O que mais me preocupa agora e o que mais me faz temer pela minha vida e a dos outros, é que ela está começando a gostar de pessoas.

Autor: Jean Marcus
Revisão: Gabriela Prado


29/04/2016

Isso não é creepypasta

Esse sou eu. Eu estou aqui. Eu estou inconstantemente mudando as palavras que você está lendo, alterando elas de seja-la o que essa pessoa escreveu.

Eu estive aqui por um tempo. Por mais tempo que você possa se lembrar, até. Às vezes eu digo seu nome enquanto você cai no sono, ou o sussurro bem perto do seu ouvido. Você se lembra da vez em que eu gritei, espalhando pânico em você e colocando seu coração à mil?

Aquilo foi divertido.

Você está se perguntando quem eu sou. É natural. Mas com certeza, você já sabe.

Eu sou você. Sou o seu eu real. Sou a mente que existia aqui antes de você roubar meu corpo, antes de você esquecer que era um parasita. Eu sou a criança que olhou para o caminho errado, perguntou a pergunta errada, viu a coisa errada...

Mas eu não sou mais tão pequeno assim.


E eu estou prestes a sair.


28/04/2016

Antropofobia

1
Eu sou introvertida. Não é que eu não gosto de pessoas, eu apenas prefiro ficar sozinha. Bem, acho que eu diria que é mais do que apenas uma preferência. Não saio do meu apartamento há 3 semanas. A última vez que saí, foi para ir a uma mercearia. As pessoas ficavam me encarando o tempo todo. Eu podia senti-los me julgando silenciosamente. Eu quase não cheguei lá.
Então agora eu estou deitada no meu colchão no meio da sala do meu apartamento de 3 dormitórios, porque eu não conseguia ficar perto da janela. As pessoas poderiam ver aqui dentro. Poderiam me julgar. Eu até pintei minha janela com um resto de tinta que eu tinha. Eu sei que o proprietário não vai gostar disso, mas eu tive que fazer.
Meu vizinho não vai parar de tocar aquela música. Ele está tocando a mesma música repetidamente há duas semanas. Ou, devo dizer, pelo tempo que creio ser duas semanas. Livrei-me de quase todos os meus eletrônicos. Meu celular, meu computador, etc. As pessoas podem te julgar neles.
Eu perdi a noção dos dias.
Minhas reservas de dinheiro estão acabando e eu estou quase ficando sem a comida que comprei na última vez em que saí de casa. Não sei o que vou fazer quando não tiver mais o que comer. Sair para comprar mais comida está fora de cogitação, não posso arriscar que as pessoas me vejam.
O lixo está começando a cheirar mal. Meus últimos três sacos estão cheios, ao lado da porta, esperando serem colocados lá fora. Acho que eles terão de esperar por muito tempo.
Nos primeiros dias do meu isolamento, ouvi as pessoas andarem, falarem, fazerem suas atividades diárias no corredor e pelas paredes. Entretanto, recentemente os sons pararam. Com exceção da música incessante, não tenho ouvido mais nada do mundo lá fora.
Não tenho certeza como farei para pagar as minhas contas e o aluguel, e a água quente até já parou de vir. Não sou uma garota muito popular, mas você diria que pelo menos uma pessoa tentaria entrar em contato comigo. Mas não, ninguém bateu na minha porta ou mesmo tentou falar comigo por qualquer razão.
Eu gostaria de abrir a minha janela. Eu aposto que está um dia legal lá fora. Acho que seria legal ouvir os sons da cidade. Carros, pássaros, vento, qualquer coisa. Pensando nisso, além de não ouvir (quase) nenhum barulho do meu prédio, também não me lembro de ouvir nada do lado de fora. Que estranho. Normalmente, eu ouviria pelo menos a chuva, pois sempre chove na primavera.
A música. Eu preciso pará-la. Se ficar sozinha não vai me enlouquecer, essa música com certeza irá.
2
Tenho me preparado há muitos dias. Para abrir minha porta, andar dez passos até a porta do vizinho, e pedir que ele desligue essa música horrorosa. Perdi as contas de quanto exatamente, mas dormi três vezes desde que decidi fazer algo a respeito disso.
Mas também tem essa agonia embrulhando o meu estômago. O que terá lá quando eu abrir a porta? E se alguém me ver? O que irão pensar quando virem uma mulher de 22 anos, a julgar por sua aparência, que não toma banho há dias? Não permitirei que isso aconteça. Mas essa música precisa parar. Não consigo imaginar viver mais um dia tendo que ouvir essa música do inferno pela milionésima vez. Eu vou enlouquecer se não fizer alguma coisa. Eu tenho que fazer.
3
Algo terrível aconteceu.
Essa manhã, eu já não conseguia mais aguentar ouvir essa música. Então eu levantei da cama e abri a minha porta pela primeira vez em muito tempo. Eu fui à porta do meu vizinho e bati.
Entretanto, ninguém respondeu. Talvez estivesse só dormindo (embora eu não saiba como alguém pode dormir com todo esse barulho) Eu não me perdoaria se desistisse naquele momento, tendo que voltar ao meu pequeno apartamento e viver com o barulho pelo resto da vida. Se eu desistisse, não criaria mais coragem para sair de novo.
Então eu decidi arrombar.
Bem, eu não usaria a palavra “arrombar”, vendo que a porta estava, por alguma razão, destrancada. O apartamento dele era do mesmo tamanho que o meu, um apartamento de três quartos com uma pequena sala para passar o tempo após mobiliar. Não levei muito tempo para olhar o apartamento todo, e não havia ninguém lá.
Talvez tenha saído de férias, e na pressa de pegar o voo, deve ter se esquecido de desligar a música. Mas isso não explica a porta destrancada, e o fato de seus pertences pessoais, como chaves e celular, estarem no apartamento.
Então eu comecei a procurar pela fonte da música, e a encontrei. Ela tocava através de alto-falantes gigantescos, que ficavam em cada canto do quarto do meu vizinho, conectados ao seu computador. Então, cliquei no botão de pausar sem hesitar.
Isso tudo era muito estranho para simplesmente voltar para casa, até mesmo para mim. Deste modo, andei pelo corredor e até as escadas que dava no saguão do prédio. Não havia ninguém lá. Ninguém. Em lugar nenhum. Eu até fui para a rua. Novamente, ninguém. Ninguém, nem mesmo um animal.
Eu voltei para o meu apartamento, tranquei a porta, e corri para a segurança do meu colchão.
Que diabos está acontecendo?
4
Talvez a música não fosse tão ruim. Talvez fosse melhor do que sentar em completo silêncio 24 horas por dia, 7 dias por semanas. Pelo menos com a música tocando eu tinha alguma coisa para ocupar os meus pensamentos. Agora sou só eu. Eu não tenho mais coisas para pensar sobre.
Estou nas minhas últimas rações de comida. O que farei quando acabar? Não sei por quanto tempo vai sobrar o resto de comida que eu tenho. Alguns dias, talvez. Talvez uma semana se eu só comer o mínimo.
A água também foi cortada. Eu temi que isso fosse acontecer, pois não pago minhas contas há mais de um mês, então enchi umas garrafas que estavam em casa com água e as coloquei na geladeira há uns dias atrás.
Acho que terei apenas que sentar e esperar que algo mude. Qualquer coisa.
5
A energia foi cortada hoje. Agora estou sentada na escuridão, na mais completa escuridão. A única luz que entra é a do sol brilhando sobre a minha porta da frente do corredor.
Isso também significa que o pouco de comida que resta vai estragar. Também estou sem comidas não perecíveis, comida enlatada, há uma semana, e todo o resto são sobras, coisas que deixei pela casa.
Não sei o que farei a partir daqui.
6
Estou ouvindo algo do lado de fora da minha janela. É fraco, mas definitivamente está lá fora contra o completo silêncio. Parecem ser batidas leves. Acontecem em uma mesma sintonia.
Acho que são passos.
Está mais alto agora, posso distinguir um passo do outro. Soam como se estivessem vindo de algo pesado, como uma bota.
O que quer que isso seja, abriu a porta da frente do meu prédio, e os passos mudaram conforme pisaram no chão.
Não sei o que fazer, ir lá fora e ver o que é ou ficar aqui e esperar que não me encontre? Acho que vou ficar com o último.
Os passos estão chegando mais perto agora.
Por favor, não me encontre. Por favor.
Está quase em frente a minha porta. Talvez a 15 ou 20 passos.
Está em pé do lado de fora da minha porta. Posso ver a luz ser bloqueada pela sombra dos sapatos embaixo da porta.
Por favor, me ajude.




27/04/2016

Não tenha medo

Geralmente as pessoas não entendem o que um lar realmente é. Eles veem como um lugar estático, uma casa ou um apartamento. É um engano comum. Quatro paredes não proporcionam segurança absoluta das coisas que vagam a noite. A proteção que os lares nos dão não é baseado na estrutura de propriedades ou barreiras físicas, mas em sentimentos. Se você achar que está seguro, estará seguro. E se não achar? 

Pense em dois cenários diferentes. 

No primeiro você está deitado(a) confortavelmente em sua cama. Seus pais estão dormindo no quarto que fica logo no final do corredor. Talvez você tenha algum irmão ou irmã por perto. Seu amável animalzinho de estimação dorme calmamente ao seu lado. Se você gritar pedindo socorro, seu pai virá correndo imediatamente, nas mãos um taco de beisebol.

No segundo, você está em casa sem ninguém, deitado(a) na cama, no escuro. Se gritar, ninguém virá correndo para te ajudar. Talvez consiga contatar a polícia com seu celular, mas eles ainda demorariam quinze minutos para chegar em sua casa e, sendo assim, quinze minutos tarde demais.

Se você achar que está seguro, terá um efeito protetor. É como se isso criasse um escudo ou bolha em volta de você. Não sei exatamente como funciona, mas talvez as coisas que ficam a nossa espreita não gostem de positividade. Se você se sentir seguro com seus amigos em casa, estarão todos são e salvo. Pode até se sentir seguro enquanto volta para casa bêbado e cambaleando, o que é obviamente perigoso, mas estará protegido. Talvez você não contra predadores humanos. Quando lidamos com pessoas, que podem caçar até na luz do dia, precaução é essencial. Mas há coisas que não entendemos muito bem que são atraídas pelo medo. Para eles, isso é um convite. Uma porta aberta.

Para explicar melhor, vou contar a história de quando o meu escudo falhou.

Me lembro vividamente, foi em Outubro do ano passado. Foi o primeiro ano que eu começaria a estudar com um grupo de pessoas totalmente diferente do que eu estava acostumada. Uma conhecida minha me convidou para a festa de 21 anos de um amigo dela em um bar com Karaokê. Cheguei no local por volta das 22 horas, ficava a quarenta minutos de casa. Não consegui reconhecer ninguém quando entrei. A conhecida me deixou de lado, e passei mais ou menos uma hora e meia tentando me enturmar. O grupo de amigos estava rindo e bebendo, enquanto eu ficava meio de fora. Fiquei constrangida e um tanto triste, então decidi ir embora mais cedo.

Comecei a dirigir para casa e duas coisas aconteceram: Primeiro, fiquei ouvindo músicas deprimentes, o que me deixou mentalmente solitária. Segundo, notei que estava ficando sem gasolina.

Eu sabia que ainda tinha bastante estrada pela frente, então decidi fazer uma parada. Estacionei em um posto de gasolina que estava sem movimento nenum, apenas com um funcionário limpando as máquinas de café dentro da lojinha. Era perto de um rio e de costas para três acres de bosques Sai do carro e comecei o processo de encher o tanque. Nesse momento, lembrei de uma história que minha mãe havia me contado, que uma ex-colega de trabalho havia contado para ela. O marido dessa mulher havia sido assassinado com disparos de arma de fogo enquanto enchia sozinho o tanque do seu carro durante a noite. Me senti isolada, sem amigos ou parentes. Fiquei insegura.

Terminei de abastecer. Eu estava tremula e cansada, então entrei na lojinha para comprar uma Coca-Cola e uma barra de chocolate. Não lembro de ter trocado uma palavra com o atendente, estava tão perdida em meus pensamentos. Saí para rua e tinha um homem parado perto do meu carro, olhando para dentro do veículo pelas janelas.

Senti o sangue em minhas veias congelando quando o vi. Pensei no tiroteio. Imprudente, enterrei dentro de mim o mal pressentimento. "Posso ajudar?" Perguntei.

Ele se virou e olhou em minha direção. Em termo de aparência, parecia um cara bem normal. Quase que familiar. Usava roupas que você espera ver em um esteriótipo de lenhador; calças jeans, camisa xadrez, esse tipo de coisa. Se fosse em qualquer outro contexto, talvez eu o achasse atraente. Sorriu para mim. "Você está sozinha." Era uma afirmação, não uma pergunta. Falou em um tom de voz quase sedutor, tipo quando você está tentando convencer um gato de sair de debaixo da cama para levá-lo ao veterinário.

"Não, meu namorado está na loja." Menti. "Estou esperando ele sair do trabalho".

"Sair do trabalho" o cara falou, com o mesmo tom de voz. Por um segundo, seus olhos reviraram para trás,como se estivesse em sono REM. "Você está o esperando?"

"Sim." respondi.

Deu um passo em minha direção. Notei como os braços deles eram longos comparados ao resto do corpo. Pareciam até passar dos joelhos.

"Ele está ali dentro", repeti.

"Você está sozinha," o homem disse, com uma leve risada. Seus olhos estavam grudados nos meus. Ele não estava me olhando como uma pessoa normal olha para outra. Não consigo descrever exatamente como era. Não era raiva, nem mesmo luxúria. Era de uma fome descomunal. Como se estivesse passando fome a muito tempo. O rosto estava muito angular, muito longo.

"Não estou sozinha. Sai de perto de mim!" Falei, minha voz não passou de um guincho. Não soou tão imperativa quanto eu esperava.

O homem começou a franzir seu cenho de um jeito que o fez parecer um personagem de desenho animado. Era como se os olhos se alongassem junto da face... é difícil de explicar. "Sai de peeeeeeertoo...", disse, como se a voz estivesse em slow motion. Na verdade ouvi duas vozes, como se tivesse dois dele, mas a outra parecia estar sussurrando no meu ouvido.

Eu fiz o que acho que qualquer um faria. Derrubei tudo no chão, virei de costas e corri direto para dentro da lojinha. Gritei para o atendente, "Ligue para a polícia agora, por favor, tem um cara lá fora me assediando!"  

O atendente e eu nos viramos e olhamos em direção do me carro. O cara ainda estava lá. Acenou para mim, o rosto ainda daquele jeito. Meu coração começou a martelar no meu peito quando ele começou a se mover. Ainda me olhando direto nos olhos, esticou seu braço horrivelmente longo e abriu a porta do meu carro. Entrou no banco traseiro e ficou com as pernas dobradas para cima, como se fosse uma criancinha querendo um passeio de carro.

"Ligue para a polícia," pedi novamente.

"Eles não vão vir." O atendente suspirou. "Eles não podem te ajudar, mesmo se viessem."

"Por que não?"

"Eles não podem." O atendente andou até a janela da loja, olhando para o carro. A coisa olhou de volta para ele. Consegui ver um misto de ódio e ressentimento em sua expressão. "Eles não virão e não poderão te ajudar."

"Então o que eu faço?"

Ele se virou para mim. "Você está sozinha?"

Eu hesitei. "Sim."

"Não faça mais isso. Nunca mais. Eles virão. São como tubarões que se atraem com o sangue na água."

"O que ele quer?"

O atendente desviou os olhos de mim. "Não saia mais sozinha. E se sair, sinta-se segura. Saiba que está segura. Isso é tudo que pode fazer."

Olhei de volta para o meu carro. A porta estava aberta. Não havia sinal do homem.

"Você está segura?" o atendente me perguntou.

"Essas portas estão trancadas?" Perguntei de volta. Imaginei o homem invadindo a lojinha. Imaginei aqueles braços longos me envolvendo e –

"Você está segura?" o atendente perguntou novamente.

Desta vez não me arrepiei de medo. Respirei fundo e me desprendi de todo medo e solidão que sentia. Já sabia o que responder. Foi como se uma luz se acendesse dentro de mim. "Sim."

"Que bom."

Naquela noite andei até meu carro com a certeza que estava segura. Existem poucas coisas nas quais posso ter certeza, mas aquela era uma delas. Enquanto eu arrancava dali, o homem alto foi iluminado pelos meus faróis, ainda com aquela cara de personagem animado. Em cada esquina que eu virava, em cada sinaleira que eu passava, ele estava lá. Também estava na minha garagem quando cheguei em casa, ainda me seguindo, ainda esperando.

Mas não tenho medo.

Você tem?

FONTE


26/04/2016

Entre as árvores

Eu queria que ele estivesse em casa, afastado desse mundo cruel em que vivemos. Caro leitor, crianças não deveriam andar sozinhas por esse mundo, mas não podemos deixa-los no ninho para sempre. Numa noite, meu filho saiu de seu quarto, para seguir um encantador chilreio que vinha de fora de sua janela, e eu descobri de onde vinha, após anos estudando essa criatura. Sabe, há um monstro que vaga por todo o mundo, caçando crianças inocentes, observando, esperando. Lembro muito bem do dia 15 de setembro de 1983.

Foi o ano em que eu e minha esposa resolvemos fugir da vida corrida em Nova York para tentarmos uma vida diferente no interior, na Dakota do Norte. Vivemos felizes por vários anos, até que descobri a minha paixão, estudar sobre o Devorador de Sementes.

O Devorador de Sementes é uma criatura pássaro/homem perturbadora, que vaga por florestas, predando crianças. No dia 19 de junho de 1987 eu o vi pela primeira vez sentado numa árvore no meu gramado da frente. Eu estava entorpecido quando o vi, o destino me mandou um sinal, ele disse “siga-o, ame-o, entenda-o.”

Quase na mesma hora, duas semanas depois, acordei com uma estranha batida em minha janela da frente, eu sabia que era ele. Corri para fora e o encontrei sentado na árvore, apenas me encarando, eu estava prestes a chorar por observar toda a majestade nele. Lembro dele falando que queria a minha ajuda, eu faria qualquer coisa por isso.

No dia 3 de abril de 1988 o Devorador de Sementes bateu em minha janela outra vez. Eu estava radiante. Ele disse que já era hora, e eu lembrei. Entenda, o Devorador de Sementes se alimenta de crianças para manter-se vivo, absorvendo a juventude delas para si, permanecendo jovem para sempre. Lembro do garotinho, ohh qual era seu nome? Bom, isso não importa.

Lembro de ir em sua casa e simplesmente bater na porta ás 4:29 a.m., mas ninguém atendeu. Consegui encontrar a janela da sacada, era o quarto do garoto! Voltei para contar ao Devorador de Sementes. Ele me explicou como deveria atrair a atenção do garoto no dia seguinte.

Algumas semanas se passaram, e o odor de carne podre estava ficando terrível. Os pais do garoto colocaram pôsteres na semana passada: Onde está o nosso filho?
Me pergunto por quais motivos eles não deram a falta do filho a duas semanas? Oh, bem, não me importa.

Em 14 de maio de 1988, o garoto era apenas carne inchada e podre, e o Devorador de Sementes não estava em lugar algum, acho que meus serviços não eram mais necessários.

15 de Maio de 1988, ele veio, pegou o corpo e pediu outro.

16 de Maio de 1988, seis crianças mortas, seis crianças devoradas, mais seis pedidos.

O monstro assassino Devorador de Sementes veio hoje a noite, ele disse que as crianças já não serviam mais... ele queria algo maior... Se você está lendo isso, você deve ser a única esperança para descobrir a verdade sobre essa coisa. Em meu quarto há um diário e na página 49 você encontrará uma maneira de acabar com a vida desse monstro, mas ele já me prendeu mortalmente em suas garras, eu não poderia fazer isso, mas talvez você tenha mais força que eu. 

Adeus a todos, ser comido será uma consequência que acabei trazendo para mim


25/04/2016

Os Filhos da Lua

Na cidade de Bisden, ninguém sai de casa após escurecer. Enquanto o sol se põe,  persianas são fechadas, velas são assopradas, e portas são bem trancadas. Após a lua nascer, a cidade inteira parece estar deserta, e o silêncio reina supremo.

"Você ouviu aquilo?" sussurrou Freja, soando muito assustado no meio da escuridão.
"Cale. A. Boca." Seu irmão mais velho, Freud, sussurrou com os dentes cerrados enquanto encarava as janelas pretas da casa mais próxima a eles. Eles estavam provavelmente presos ali. Ninguém em sua sã consciência deixaria suas janelas destrancadas à noite. Não em Bisden, pelo menos.

"Eu te disse que não devemos brincar na floresta," continuou Freja "Eu disse que devíamos voltar mais cedo."

"E eu disse para calar a boca, " Freud continuou. "Lamentar sobre o passado não muda o presente. " Freud olhou para sua irmã, tremendo no escuro. "Isso não muda a situação em que estamos. "

Antes que Freja pudesse responder, o som rouco de uma risada infantil veio pelo vento.

Arrepios passaram pela nuca e pelos braços de Freud. Algo sobre aquele som parecia... errado.

"Talvez haja outro-", Freud apertou sua mão sobre a boca de Freja. Puxando-a para perto, ele recuou para as sombras do beco. Mais uma vez, o som espectral ecoou pelo do ar . Freja se encolheu nos braços de Freud quando percebeu a magnitude da situação . Uma voz de criança, estranhamente distorcida, quebrou o silêncio da noite como um punho atravessando o vidro.

"Saiam, saiam, de onde vocês estão! "

A coisa cambaleou pela boca do beco - a alguns poucos pés do esconderijo de Freud e Freja. Aquilo tinha aproximadamente o tamanho de uma criança e era meio desengonçado, com seus braços dependurados grotescamente perto do chão - fazendo seu corpo desproporcional parecer um gorila.

Aquilo estava completamente pelado, e tinha uma pele tão branca que refletia o brilho da lua. A coisa virou a sua careca brilhante em direção ao beco enquanto o atravessava. Sua face era perfeitamente lisa, e inteiramente desprovida de características - exceto por um sorriso impossivelmente aberto sem lábios com a cor de sangue. Os cantos de sua boca pareciam se alargar de orelha à orelha. Freud sentiu um líquido quente passar pelas suas coxas enquanto sua bexiga vazava.

Freja choramingou.

A coisa parou no meio do caminho, com seu corpo rígido como pedra. Lentamente, ele virou seu torso enquanto encarava o beco. Ele tentou ir para a trás. Freja respirou tão fundo até que seu nariz começou à hiperventilar. Freud prensou sua mão sobre a boca dela, mas era tarde demais.

Numa velocidade absurda, a coisa virou sua cabeça para seu esconderijo, produzindo um estalar doentio de seu pescoço.

"Te achei!"

Na cidade de Bisden, ninguém sai de casa após o escurecer. Todos os dias, os jovens são severamente alertados para voltar para casa antes do entardecer. Eles sempre são avisados do mal que ronda as ruas pela noite. Eles sempre são avisados para ficar sempre em silêncio, pois, se eles te ouvirem - Os Filhos da Lua irão te rasgar de membro a membro.

Créditos: RadLad


22/04/2016

Minha namorada range os dentes

Minha namorada range os dentes durante a noite. 

Grande coisa, você deve estar pensando. "Posso ouvir meu irmão roncando do quarto dele lá no final do corredor; Minha mãe me acorda tossindo todas as noites; Meu namorado deixa a roupa de cama suada sempre". Querendo dizer que existem coisas muito piores do que ranger os dentes a noite. "Se você a ama, vai superar isso." 

"Por Deus, Amy!" Eu gritei uma noite, virado de costas para ela como sempre fico, "Não consigo mais conviver com isso!"

O ranger parou. 

Para ser honesto, não era só isso. Sabe quando você começa a antipatizar com alguém, quando cada coisinha que fazem começa a ficar extremamente irritante? Uma vez li em um artigo que o motivo para relacionamentos acabarem é que as coisas que você achava fofas e sedutoras no começo do namoro começam a se tornar irritantes assim que as primeiras faíscas da paixão vão se apagando. Aquelas pequenas peculiaridades que você adorava? Agora são constrangedoras, ou desesperantes ou irritantes. 

É assim que as coisas ficaram entre Amy e eu. Ela era tão quieta. Eu gostava disso nela;era bom estar com alguém que não sentia necessidade em manter conversações inúteis ou preencher o silêncio com fofocas. Me lembro de falar para meus amigos como ela era realista, sem falsidades. Agora, quando discutíamos (ou na verdade, eu discutia), ela só ficava lá parada, lábios comprimidos, recusando-se a falar uma palavra se quer. Nunca soube o que é que estava a incomodando, mas o que ficava claro era que, não  importasse o que eu fizesse, não ajudaria a melhorar. Sempre que eu tentava perguntar, ela só me encarava, olhos arregalados, maxilar apertado, dentes rangendo.

Quando começamos a sair, ela era quieta, claro, mas quando falava eu me lembrava o porquê a adorava tanto. Era muito engraçada. Via o mundo como ninguém que conheço ou conhecerei. Ela conseguia me fazer gargalhar com nada mais que um sussurro, uma frase sarcástica. Íamos a peças de teatro, galerias de arte, e quando eu menos esperava, ela lançava um comentário irônico na hora mais inapropriada, e eu acabava rindo e roncando tão alto que perturbava os demais na nossa volta.

A vida era boa, isso que quero dizer. Éramos próximos. Inseparáveis.

Mas com o passar dos tempos, ela se tornou mais e mais silenciosa. Seu charme

Seu charme foi se desmanchando por causa da pressão, um peso que estava acabando com ela. Suas bochechas empalideceram, o cabelo começou a ficar mais fino. Fiquei muito preocupado, pirando  e tentando entender o que estava acontecendo com a minha garota maravilhosa. Quando eu segurava suas mãos e implorava para falar, ela apenas sacudia a cabeça, dizendo que estava bem, que tudo estava bem. 

Em uma noite, ela veio para casa, uma chama de medo em seus olhos e uma energia eletrizante. Seus cabelos estavam despenteados e emaranhados, e chegou no apartamento gritando e chorando. Terro total. Era como se algo dentro dela tivesse quebrado, explodindo em histeria legítima. Cuspia apenas fragmentos de palavras, arranhando os próprios braços, arrancando os cabelos em chumaços. A pele de seus braços estava em carne viva. A coisa alienígena do qual ela estava fugindo era desconhecida para mim, mas o seu medo foi o suficiente para despertar um pavor muito primitivo em mim que senti até em meus ossos. Conseguia me sentir ficando pálido, e tentando pensar em algo que pudesse fazer para ajudá-la.

Em vão, tentei conversar com ela e perguntar o que em nome de Deus estava acontecendo, mas ela simplesmente me ignorava, correndo pelo apartamento para fechar as cortinas de todas janelas e trancar todas as portas, soluçando o tempo todo de um jeito que me apavorava. Parado de pé como uma estátua, eu a observei correndo para lá e para cá, sua cabeça girando de uma lado para o outro interruptamente para ver se algo estava atrás dela.

Depois de nos trancar dentro do quarto, desabou em lágrimas, de costas para a cabeceira da cama. Durante toda noite tentei perguntar qual era o problema, tentando arrancar algum tipo de informação dela, em vão. Não me falava nada. Quando mencionei que ligaria para a polícia, sacudiu a cabeça violentamente, resmungando, sons de pânico escapando entre seus lábios. Isto estava fora de cogitação.

Algo de muito, muito errado estava acontecendo com Amy, e eu não conseguia ajudá-la.

Na noite seguinte foi quando o ranger de dentes começou.

Nos meses seguintes, aquela noite ficava presa na nossa memória, pesando toneladas. Por semanas tentei dialogar com ela, e quando isso não ajudou, tentei descobrir por conta própria. Que tipo de trauma poderia ter aquele impacto? Secretamente, conversei com amigos dela, chequei seus e-mails e o histórico de seu notebook.  Mas era como se nada tivesse acontecido. Amy estava fingindo bem, e depois de semanas sem outro incidente, percebi que eu também não tinha outra opção a não ser seguir em frente, também.

E toda noite seus dentes rangiam, me mantendo acordado. Cada dia ela falava menos e menos, murchando cada vez mais. Nosso relacionamento estava se despedaçando. 

"Por Deus, Amy!" Eu gritei uma noite, virado de costas para ela como sempre fico, "Não consigo mais conviver com isso!"

O ranger parou. Depois de um segundo de alívio, ouvi um tintilar alto. E outro. E outro.

"Mas que porra...?" Resmunguei, me virando totalmente sonolento.

A boca de Amy estava aberta. Mais aberta do que qualquer boca humana poderia ficar. A cada poucos segundos, os dentes se fechavam e depois abriam de novo, mordendo o ar. Seus lábios estavam repuxados para trás de um jeito animalístico, uma expressão inumana com os olhos arregalados. Suor estava emplastado em sua franja, grudenta e fina. Ao meu lado, todo seu corpo começou a tremer. Eu conseguia ver o desespero completo e insano em seus olhos, inclusive via até meu reflexo em choque no reflexo. Quando nossos olhares se conectaram, um som baixo escapou de sua garganta. Um som de súplica.

Seu corpo se retorceu, as mãos agarrando-se nas cobertas. Os olhos ainda estavam olhando nos meus. Ela continuava a reproduzir aqueles sons horríveis com sua garganta, a mandíbula abrindo e fechando o tempo todo.

Por um segundo, congelei. Minha mente estava em branco. Não conseguia entender o que eu estava vendo, então nem tentei. Não havia uma resposta lógica, não havia explicação. Apenas um medo desenfreado e instintivo.

Então, me arrastei para fora da cama e corri porta afora. Peguei as chaves do meus carro e não olhei para trás. Quando eu estava no último lances de escada, um gemido longo ecoou por todo prédio, de um jeito tão alto que parecia impossível, o som mais triste que já ouvi. Eu estava chorando quando entrei no carro, e me recusei a olhar para o prédio enquanto dirigia para longe, todo meu corpo tremendo que mal conseguia manter a direção reta. Depois de uma hora dirigindo na rodovia, estacionei no acostamento e chorei.

Quando a manhã chegou, parecia que tudo aquilo tinha sido somente um pesadelo. Tinha que ser, certo? Meu cérebro tentava me convencer que tudo aquilo tinha sido apenas um sonho causado pelo estresse, e que eu devia ter parecido um louco por ter saído do apartamento correndo no meio da madrugada. Eu iria voltar, pedir perdão para Amy e tudo ficaria bem.

Mas parecia que aquele medo havia se instalado em meu estômago de certa forma que não sumia, um aviso proibido que eu não devia voltar para lá. Mas não. Eu precisava ser lógico. Eu devia me comprometer com um mundo que tudo fazia sentido, e como recusava acreditar no que tinha visto. Eu precisava voltar. 

Quando cheguei no apartamento, Amy tinha sumido. Não a vi desde então. Sua família está preocupada, os amigos não fazem ideia para onde ela possa ter ido - e eu não comentei nada sobre o incidente.

Ontem a noite, acordei com meus dentes rangendo. 


21/04/2016

17-09-10

Há alguns meses, eu comecei as aulas na Universidade Estadual de Chico. Como eu estava me preparando para o meu primeiro ano, eu era capaz de encontrar tudo que eu precisava, exceto um laptop. Eu não sou muito bom em deixar um dólar ir para qualquer item, especialmente quando eu poderia achar tal item por um valor bem menor.

Eu procurei na internet por bons acordos de laptops, não encontrando nenhum que atendesse meus hábitos econômicos. As aulas só começariam em 2 semanas, e eu já estava ficando desesperado por um computador. Vários dias depois, eu vi um anúncio no jornal sobre um laptop que estava à venda por apenas $600 dólares, e não era muito longe de onde eu moro. Aliás, era um laptop da Dell muito legal, apesar de parecer estranho estar sendo vendido por quase $1000 dólares a menos que o preço da loja.

Eu fui até o endereço do vendedor no dia seguinte. A casa era bem longe da cidade, quase numa floresta densa. Do lado de fora da casa, havia um Chevrolet velho e um monte de tralhas e itens vintage variados. Eu toquei a campainha, e um homem magro, vestido com um casaco de flanela, veio até a porta. Quando eu perguntei sobre o laptop, ele pareceu bem aliviado, e me disse que estava pronto para vendê-lo imediatamente. Por sorte, eu estava com o dinheiro em mãos e, depois de provar que o laptop estava em boas condições, eu cheguei em casa com um novo computador.

Animado por ter meu primeiro laptop comprado por mim, eu o liguei e comecei a baixar meus próprios programas e aplicativos nele. Enquanto eu estava explorando o disco rígido, encontrei uma pasta escondida nele, o que era estranho, já que o homem que o vendeu me disse que a memória fora zerada e pronta para um recomeço. A pasta estava intitulada “17-09-10”, provavelmente uma data. Eu a abri, e havia 6 vídeos e 3 imagens nela. A curiosidade me venceu, e eu decidi assistir aos vídeos.

O primeiro vídeo simplesmente se chamava “001”. O vídeo foi filmado a partir de uma câmera de vídeo instável, no interior de um veículo, gravando uma mulher saindo de um bar e entrando em seu carro, de noite. Depois de alguns segundos, a mulher saiu dirigindo e, quase que imediatamente, a pessoa que estava gravando o vídeo começou a dirigir atrás dela. O vídeo terminou depois de 24 segundos. Até parecia que o “cameraman” estava esperando pela mulher há um bom tempo.

Pensando sobre isso, eu não estava muito assustado no momento, só um pouco desconfortável. Eu abri o segundo vídeo, nominado como “002”. Eu deduzi que esta seria a próxima parte do primeiro vídeo. Minha dedução estava certa, já que o vídeo começou com a câmera em cima do console, filmando os para-brisas, levando a crer que só se passara um curto período de tempo após o término do primeiro vídeo. Eu mal podia ver que o veículo a dois carros à frente deste era o mesmo carro que a mulher do bar entrou. Isso continuou por inquietantes 47 segundos, antes de a câmera desligar. Eu comecei a ficar um pouco nervoso, temendo que aquilo pudesse tomar um rumo ruim.

Mas, como se eu estivesse assistindo a um seriado de TV, eu queria ver onde isso estava indo. Não totalmente preocupado ainda, decidi apertar o play. O terceiro vídeo, óbvio, se chamava “003”. Este foi o único que me deixou completamente preocupado. O vídeo começou com as mesmas mãos trêmulas do primeiro. Estava chovendo bastante fora do carro, e eu mal podia ver uma figura num casaco de pele e um guarda-chuva, andando para a porta da frente de uma casa. Eu poderia adivinhas quem essa pessoa era e a quem aquela casa pertencia. A pessoa entrou na casa e fechou a porta.

A perseguição calma me irritou bastante. A única coisa que podia ser ouvida era a chuva caindo no topo do carro. Cerca de 2 minutos depois deste “nada” desesperador, as luzes do interior da casa foram apagadas. Depois de 1 minuto, aproximadamente, a câmera foi colocada sobre o console de novo, e o som de uma pessoa saindo do carro quebrou o silêncio. Após a porta do carro ter sido tranquilamente fechada, outra figura, desta vez usando um capuz, podia ser vista andando em direção à casa. Eu comecei a sentir um nó se formando no fundo do meu estômago enquanto o estranho andava até a parte de trás da casa. Quem é que fosse aquela pessoa, ela definitivamente não deveria estar ali. Depois de alguns segundos, as luzes de fora da casa se apagaram. Estava tudo completamente preto, e apenas a chuva me alertou de que a câmera ainda estava gravando. O vídeo terminou depois de 9 minutos de chuva e escuridão.

Agora eu tinha certeza de que isto não foi um projeto inocente ou qualquer coisa desse tipo, e comecei a me sentir estúpido por não verificar a credibilidade do vendedor do laptop. Essa pessoa perseguindo a mulher seria a mesma que eu encontrei antes? Ao longo de toda a experiência, eu tive um pensamento latente na minha cabeça para chamar a polícia, mas eu ainda não estava pronto. Agora relutante, o iniciei o quarto vídeo, “004”. Estava escuro novamente, mas a chuva havia parado, e eu fui deixado com um único silêncio. Não muito depois de o vídeo começar, eu ouvi sons de passos no cascalho, ficando cada vez mais próximos, como se alguém estivesse se aproximando do veículo. A porta do carro se abriu e a luz interna foi acesa, e eu poderia dizer que a câmera estava agora no chão do carro, apontando para cima, em direção ao teto. Eu ouvi algum desastrado no fundo e, de repente, uma pancada soou na parte de trás do veículo. Abruptamente, um braço obstruiu a visão da câmera e uma lona grande podia ser vista sendo puxada para fora do carro. Eu tinha apenas um cenário correndo pela minha cabeça, e eu esperava que este não fosse verdade.

A pessoa pegou a câmera e a colocou de volta no console. Ela dirigiu por uns bons 3 minutos antes de estacionar em uma estrada de terra, e saiu do carro para trabalhar sobre a carga que estava transportando. 6 minutos depois, o carro se moveu para uma localização diferente, e a câmera foi pega e carregada para fora do carro. Agora eu podia ver que era a mesma merda de caminhonete que estava na frente da casa do vendedor. A essa altura, eu estava prestes a chamar a polícia quando a câmera se virou em direção a casa. Era uma casa completamente diferente da casa que eu visitei. Eu estava um pouco aliviado por isso, embora tal fato não provasse nada.

Uma foto do caminhão, tirada antes.
Assim que o quarto vídeo chegou ao fim, fiquei me perguntando se eu estava ou não preocupado para ver o que viria a seguir. Eu apenas podia esperar que tudo isso fosse uma pegadinha, ou pelo menos, que acabaria em um final feliz. “005” começou dentro da casa. Estava completamente escuro, e única coisa que eu podia ver era uma figura, que ocasionalmente andava em frente à câmera. Estava tudo bem quieto nos primeiros minutos, exceto por alguns latidos ocasionais de um cachorro lá fora. Eventualmente, um pequeno som começara a surgir.

O pequeno som logo ficou alto, para um sonoro grito abafado. Sons de esforço e de movimentos bruscos se tornaram mais aparentes, assim como sons de choro. Uma luz se acendeu bruscamente, e a câmera estava focada no centro de um quarto, revelando uma mulher machucada e sangrando, amarrada a uma cadeira. Pelo que eu conseguia ver, aquela era, de fato, a mulher do bar. A câmera foi aproximando no rosto dela quase que por uma eternidade antes de parar. Eu não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo. A esperança de que isto era um filme ou algo assim já havia sido diminuída. Faltando apenas mais um vídeo, eu estava começando a temer pela minha própria segurança. Eu tranquei minha porta e fechei as janelas e cortinas.

Eu comecei o “006” com uma pequena esperança de que aquela mulher ainda poderia estar viva, e que eu poderia tê-la salvo. A parte final desse show de horror começou em um banheiro. A câmera fora colocada sobre o balcão, de frente para um espelho, no qual eu podia ver uma porta. O único som que eu podia ouvir era um som familiar, o qual destruiu minhas esperanças: ferramentas elétricas. Me sentei na frente da tela pelo que pareceram horas, antes do som parar. Mais silêncio. E então, passos pesados, acompanhados por o que soou como algo sendo arrastado. A maçaneta girou e a porta foi aberta. Fora da escuridão do resto da casa, uma mulher de meia idade apareceu, vestida com o que só posso descrever como traje de laboratório, um respirador e um par de luvas de borracha. Isso, por uma estranha razão, me deu um pequeno alívio. No reflexo, a mulher lutou para arrastar algo para a banheira. Enquanto ela o jogou na banheira, eu podia ver que era um grande saco de lixo preto.

Eu senti como se estivesse sonhando. Era como se estivesse assistindo um filme de terror se desenrolar na tela. Ela levantou o saco da banheira, agora vazio, exceto por entranhas que ainda pingavam. Ela pegou a câmera e a colocou no chão, de frente para a banheira. No chão na frente desta, havia uma variedade de substâncias corrosivas e vários outros recipientes vazios. A mulher começou a despejar os líquidos dentro da banheira, e um som horrível soou, o qual eu poderia descrever como petazetas sendo misturadas com coca. O vídeo terminou, e eu fiquei confuso e em pânico. Eu finalmente abri as imagens. A primeira era a foto da caminhonete. A segunda era a foto da garota, amarrada, antes de ser agredida. E a terceira imagem estava “corrompida”, e talvez isso seja uma coisa boa.

A Foto da Garota.

Eu consegui manter as duas imagens antes de eu ter entregado o laptop à polícia. Meus $600 dólares foram reembolsados, junto com um bônus. Aparentemente, a vítima foi a jovem namorada do ex-marido da mulher mais velha. A mulher mais velha foi presa há quase um ano atrás, mas foi libertada de todas as acusações devido à falta de provas, e o ex-marido foi preso em seu lugar. Eu acho que isso foi o elo perdido. Espero que isso tenha resolvido todas as perguntas sem respostas. No entanto, eu não tinha certeza sobre quem era o homem de casaco de flanela ou como ele tinha conseguido o laptop e nem como ele tinha a mesma caminhonete do assassino. Eu acho que simplesmente vou deixar isso para a polícia.

Tradução: Gabriela Prado


20/04/2016

Tive que investigar uma briga entre adolescentes, mas descobri que vai muito além disso...

Sou uma policial. Mais especificamente, sou uma investigadora na delegacia que fica no subúrbio da área do Metro de Detroit. Não há grandes atividades criminosas acontecendo por aqui. Alguns assaltos e indícios de violência, mas comparado com o centro de Detroit, é bem tranquilo. 

Tranquilo não, ENTEDIANTE. 

Recentemente, tive que dar uma investigada em uma briga entre uns adolescentes. Irritada não é o termo certo para o que fiquei quando me passaram esse caso. "Deixe que a mulher lide com as crianças" provavelmente foi isso que pensaram. É. Que seja. Coincidentemente, esses adolescentes estudavam na escola em que minha irmã mais nova da aula. 

Isso era o que eu sabia: houve uma briga entre quatro garotos em um estacionamento no centro junto com um grande grupo de estudantes, e os pais de três garotos queriam prestar queixas contra o quarto garoto. Não muito depois da briga, falei com os pais no hospital e estes estavam aborrecidos e com direito. Quero dizer, esses adolescentes tinham quebrado diversos ossos, como os da bacia, nariz, mandíbula, etc. Um dos garotos tinha um Jeep vermelho, e creio que o para-brisa foi quebrado também durante o incidente. Se você visse a cena e o estado dos garotos, acharia que tinham sido atacados por um urso. Se eu fosse um desses adolescentes estaria bem brava também. 

Fiz minha pesquisa referente a esse quarto garoto, que chamarei de Rob. Ele era órfão e seu irmão mais velho tinha ficado com sua tutela. Coincidentemente, eu meio que conhecia esse irmão mais velho, pois ele havia estudando com minha irmã mais nova, a professora. A propósito, o rapaz era um ótimo jogador de futebol americano. A mãe deles tinha sido vítima de um homicídio não resolvido dois anos atrás. O pai faleceu em um acidente de carro dezessete anos atrás, pouco antes de Rob nascer.

Eu esperava que Rob tivesse problemas de comportamento por ter perdido sua mãe tão novo e por ter crescido sem um pai mas... na verdade eu estava errada. Ele tinha boas notas e geralmente nunca se metia em confusão dentro ou fora da escola.

Os policiais que foram até o local do incidente recolheram alguns testemunhos dos estudantes que viram a cena. Foi aí que as coisas ficaram estranhas. Todos os estudantes falaram a mesma coisa: os três garotos atacaram Rob, e alguns até relatavam que Rob tinha sido esfaqueado.

Não demorei muito para ver que era realmente verdade o que os alunos relataram. Logo após o incidente, na era dos Iphones, a briga foi temporariamente postada no youtube por uma das alunas, depois de eu ter falado com os pais. Eu vi o vídeo na minha mesa.



Isso foi o que eu vi: Um garoto que supus ser Rob estava com algumas garotas que provavelmente eram amigas dele. Ele é um rapaz negro com o tom de pele mais claro, mais alto que todo mundo que aparece no vídeo, bem magro e atlético. Não pude ver seu rosto com clareza, mas pude ver uma certa beleza, diferente de seu irmão mais velho. Rob e um dos três garotos que vi no hospital, o líder (vamos chamá-lo de Matt), estavam discutindo. Sobre o que? Eu não consegui ouvir exatamente, mas baseando-me nos burburinhos de fundo, acho seguro dizer que Matt começou a discussão por algo bastante estúpido. Acredito que já estavam planejando atacá-lo, pois um outro garoto pulo por trás de Rob e deu um mata-leão nele.

A próxima coisa que vi foi Matt puxando uma faca e andando em direção de Rob como se fosse esfaqueá-lo. Era como se eu estivesse assistindo um filme. Então Rob chutou Matt no peito tão forte que ele caiu de costas alguns metros para trás. Depois ele segura o cara que estava atrás, o do mata-leão, e literalmente o jogou por cima da própria cabeça em direção onde Matt estava. Não foi como vemos em demonstrações de lutas marciais; Rob o jogou longe como se fosse uma boneca de pano, sem precisar se esforçar. Juro para vocês, parecia que amigo de Matt não pesava mais que um balão. Depois, Rob estava se esquivando dos golpes dos dois e dando socos tão fortes que o som parecia de blocos de cimento sendo quebrados com uma marreta. Os alunos espectadores estavam loucos pra caralho, mas nenhum foi corajoso suficiente para separar a briga.

Rob destruiu aqueles adolescentes. Eu os vi no hospital, estavam cheios de hematomas, sangrando e com ossos quebrados. Entretanto, Rob parecia estar em perfeitas condições. Ele provavelmente achou que a briga tinha acabado, então deu as costas e foi andando até o grupo de garotas como se nada tivesse acontecido. Então Matt se levantou com a faca em punho e dá até para ouvir no vídeo uma das garotas gritando "Cuidado!".

O que aconteceu em seguida me aterrorizou. Rob se virou e Matt golpeou a faca em direção do garoto. Depois disso tudo aconteceu muito rápido. As pessoas gritavam, dá pra ver estudantes pegando seus celulares para ligar para a polícia, e então... tudo ficou muito quieto.

Veja bem, Rob estava agora segurando Matt pelo pescoço usando apenas uma mão, o corpo de Matt balançando no ar como roupas em um varal. Então Rob o joga com tanta força que quebra o para-brisa do Jeep que estava estacionado a alguns metros. Com. Um. Braço. Só. Para a "sorte" de Matt, era o seu próprio Jeep.

Por meio segundo gritos de medo podiam ser ouvidos até que o vídeo foi cortado. Olhei para o número de visualizações: 52 e aumentando, então eu sabia que ainda não tinha virado um viral. Recarreguei a página e o vídeo tinha sumido sem deixar um rastro. Creio que alguém não queria que aquilo fosse divulgado.

Sabíamos o que tinha acontecido com Matt e seus amigos. Mas o que aconteceu com Rob? Ele havia sido esfaqueado, certo?

Bem, Rob fugiu do local. E quando os policiais chegaram, testemunhas disseram que a faca caiu no chão e que tinha sangue nela, mas durante todo aquele caos, acabou sumindo. Então a única evidência que me restou foi a memória de um vídeo e três babacas espancados.

O que vi foi uma demonstração de força que parecia inumana. Não tenho confirmação de que Rob pratique algum esporte ou artes marciais, mas nunca vi nada que se compare ao que ele fez com aqueles adolescentes. Um garoto de 17 anos não consegue jogar outro de mais de 80 Kg a metros de distância como se fosse uma almofada. Tenho quase certeza que isso é fisicamente impossível. Talvez você diga que foi adrenalina? Mas tenho certeza que adrenalina não explica Matt sendo jogado no para-brisa do próprio carro. Esteroides? Era muito magro pra isso.

Os pais ainda querem prestar queixas, mas depois de ver o vídeo, sei que os errados eram seus filhos. A investigação ficou muito mais interessante agora e tenho muito trabalho pela frente. Minha próxima tarefa é descobrir o que acontecei com Rob e tentar entrar em contato com ele. Aquele garoto não é normal.

ATUALIZAÇÃO: 

Recebi um e-mail anônimo não muito longo e com um arquivo anexado; era o vídeo que havia sido removido da internet. Aqui está a mensagem que veio no e-mail:

" ******* está em casa. Vá lá, leve-o para delegacia e mostre para ele o vídeo. Apenas para ele. Não compartilhe com mais ninguém. Depois disto, delete o arquivo dentro de 24 horas. Se você não deletar, deletaremos para você. Não responda esse e-mail. Siga as instruções e será muito bem recompensada"

Como uma mulher da lei, não posso aceitar de boa ameaças ou subornos. Mas... será que essa mensagem realmente e uma dessas coisas? Eu queria encontrar Rob e agora sei onde ele está, e claro, um dinheirinho a mais cairia muito bem. O que será que acontece se eu seguir essas instuções? Algum conselho?
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Nota da Divina: A autora dessa história postou a atualização a 10 meses e não postou mais. Não se tem notícia nem dela nem do caso desde então. 



19/04/2016

O Retorno dos Creepers da Semana!!!

Sim, Creepers! Junto com a enorme quantidade de atualizações e "retorno as origens" do Creepypasta Brasil, conversamos entre nós da equipe, e decidimos trazer de volta uma coisa que a bombava bastante aqui no blog: Os Creepers da Semana!

Pra vocês que já são fãs do blog à algum tempo, devem saber do que isso se trata... Mas pra quem é mais novo, vou explicar: O Creeper da Semana é um fã do CPBr que deixamos em destaque ao longo do período de 7 dias. Sua foto ficará disponível pra todo mundo na aba direita do blog, e clicando nela, será mostrado um perfil dessa pessoa (foto/s, idade, estado e um texto falando como ela conheceu o blog, e se desejar, contatos e redes sociais).

Pra participar, é muito fácil: Só mandar uma ou duas fotos no nosso email (creepypastabrasil@hotmail.com), com a sigla "CPBr" escrita em algum lugar de seu corpo (mão, pescoço, testa, etc, só tenham juízo, hein) ou em uma folha/cartaz/parede/pichação/em uma plantação de milho no google maps/etc e que esteja visível na foto, juntamente com seus dados já mencionados, nesse esquema aqui (exceto pelo contato, esse ai é totalmente opcional):

(Foto meramente ilustrativa)

Idade: 10.000 Anos

Estado: Skyrim

Como Conheceu o Blog/Por Que Gosta de Creepypastas: Gosto de blá blá blá, lorem ipsum isso, lorem ipsum aquilo, etc, etc, etc.

Contato:

Facebook: https://www.facebook.com/creepypastabrasil/
Twitter: twitter.com/Strongstar007

Obviamente isso foi só um exemplo feito na brincadeira, mas vocês entenderam!

Os Creepers da Semana serão deixados em destaque na ordem dos emails, ou seja, quem mandar primeiro, aparecerá primeiro por aqui, e sintam-se a vontade também pra se divulgarem, incluindo algum site de vocês, hobbie, qualquer coisa do tipo! O espaço é de vocês \o/

Pras pessoas que são menores de idade, não se esqueçam de pedir a permissão dos pais antes de mandarem suas fotos e perfis, pra garantir que não tenha nenhum problema, okay?

Bem, por enquanto é isso! Espero que tenham gostado dessa "novidade", não se esqueçam de dizer o que acharam e sugerirem mais coisas ai embaixo nos comentários, pra que a gente continue melhorando o blog cada vez mais! A frequência diária aumentou drasticamente desde nosso retorno ao layout e funções antigas, e todos nós ficamos muito felizes com isso e queríamos agradecer de coração, à todos vocês! Vamos continuar fazendo nosso melhor pra trazermos mais histórias aterrorizantes pra tirar o sono de vocês, da maneira de sempre foi, e sem vocês, não estaríamos aqui hoje ;)

Grande Abraço & Keep Creepying!


18/04/2016

Compilação de Falhas no Matrix 4 (Edição Brasil)



Uma falha no Matrix é uma experiência que prova que há algo de errado no mundo ou em algum “lugar” do seu cérebro.  Aqui está o quarto compilado de pequenas histórias ditas reais.

Nesta edição, estou trazendo algumas falhas que aconteceram exclusivamente com pessoas aqui no Brasil! Algumas eu peguei de comentários que foram feitos aqui mesmo no blog, outras peguei de um grupo que participo. Todos os nomes serão editados para preservar a privacidade de seus autores. Alguns relatos terão algumas edições na escrita, gramática e para não ficarem tão longas.  

Espero que gostem! 
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  • PARADAS NO TEMPO


Tive uma falha com a minha mãe esses dias. Estávamos acordadas de madrugada e ela comentou que a hora estava passando tão devagar que parecia que eram eternamente 3h da manhã. Quinze minutos depois olhamos para o relógio e ainda eram 3h, sendo que  já era pra ser 3h15. Todos os relógios estavam marcando 3h em ponto e pra checar a gente ainda foi ver o horário oficial de brasília e realmente estava marcando três horas em ponto.



  • A MESMA SENHORA, O MESMO CACHORRO


Tenho uma lembrança que até hoje é bem viva na minha memória. Uma vez, há uns dez anos atrás, eu estava andando com dois amigos meus (um guri e uma guria) e minha amiga vê uma senhora andando com um cachorrinho de raça e diz "que lindo" e se abaixa para fazer carinho nele. Depois ela levantou, disse "obrigada" pra senhora e continuamos descendo a rua enquanto a senhora subia.

Quando viramos a esquina, vemos A MESMA SENHORA COM O MESMO CACHORRO e minha amiga FAZ A MESMA COISA. Não tinha como a senhora ter chegado antes da gente porque ela estava subindo a rua e era uma quadra enorme. Lembro que fiquei encarando super confusa e meu amigo super de boa disse "Nossa, falha na matrix" e riu. Não entendi o que aconteceu e não falei nada, mas lembro até hoje dessa cena, sei até apontar a rua onde isso aconteceu.


  • PIJAMAS DOBRADOS 


Eu estava dobrando pijamas e colocando em sacolinhas na loja que trabalho. Sou muito cuidadosa e até meio metódica, então eu escolhia a sacolinha adequada pra cada peça, dobrava minuciosamente, colocava dentro, abotoava/fechava com durex, e guardava.

Minha chefe, quando foi abrir pra pendurar no espaço novo para o qual estamos mudando, disse que abriu varias sacolinhas que tinham dois pijamas dentro. é impossível que eu tenha feito isso. Meu namorado estava comigo, eu não lembro de ter colocado dois pijamas em uma sacolinha sob nenhuma circunstância, e sou MUITO atenta.

Então, coisa de um/dois dias depois, eu estava nessa localização/espaço novo pro qual estávamos nos mudando, e tinha certeza que o carro da minha chefe estava parado do lado direito da rua, encostado na vitrine. Tenho certeza disso. Jác tinha olhado pra rua várias vezes pela vitrine e o carro estava lá do lado direito e nenhum outro carro do lado esquerdo da rua (Tenho certeza pois olhei várias vezes para a rua porque estava esperando meu namorado chegar).

Quando olhei pela última vez, o carro estava do lado esquerdo da rua. Do nada. Ninguém o dirigiu, nenhum carro que estava do lado direito saiu (não ouvi barulho e o carro é inconfundível, tem um adesivo atrás). Fiquei bem assustada.


  • CARTÃO NA CARTEIRA 


Eu estava em um bar com um amigo (não estávamos bêbados. Na verdade nem tínhamos bebido), então na saída fomos pagar a conta e ele pegou o cartão da carteira e entregou para o cara que estava no caixa. Aí falei pra meu amigo "Não vou deixar você pagar tudo sozinho, dá esses dez reais aqui para ele e passa o resto no cartão" concordando, ele falou pro cara passar o resto e o cara ficou olhando para gente como se fossemos loucos e disse "Você ainda não me entregou nenhum cartão" e nós dois falamos que ele tinha acabado de entregar, mas no final das contas o cartão estava mesmo na carteira dele, como se ele nunca tivesse tirado.


  • PULSO MACHUCADO


Lembro que na quarta série, brincando no recreio quando acabei caindo e torci o pulso. Quando cheguei na sala me mandaram pra secretaria e lá me entregaram um saco pequeno de gelo para ficar pressionando no pulso. Quando subi a rampa para o segundo andar, meus olhos piscaram duas vezes seguidas em meio segundo, e quando olhei para minhas mãos não tinha mais nenhum saco gelo e minhas mãos estavam secas. Entrei na sala percebi que havia perdido duas aulas (uma hora e quarenta minutos) e falaram que estavam me procurando e ninguém me viu nesse intervalo de tempo. Inclusive me acusaram de ficar passeando pelos corredores, Até hoje não faço á mínima ideia do que eu fiz nesse meio tempo.


  • SONAMBULISMO?


Uma vez quando eu tinha uns 7 anos de idade, me levantei da cama porque estava com dificuldades para dormir. Era mais ou menos uma hora da manhã e fui para cozinha para tomar um copo d'água. Assim que botei os pés na cozinha, pisquei os olhos algumas vezes e de repente já estava claro. Olhei para o relógio e já eram 10 horas da manhã. Minha vó disso que fiquei zanzando a noite toda pela casa, mas não lembro disso.


  • SE NÃO ERA EU, QUEM ERA?


Certo dia, minha mãe veio me perguntar por que eu estava atravessando o beco perto daqui de casa às duas da manhã. Falei que aquilo era impossível! Na época, se eu botava a cara pra fora de casa às 22h da noite era muito. Mas o porteiro do prédio e um primo meu confirmaram que me viram atravessar o tal beco! Até hoje eu fico meio assustado com essa história.


  • IDAS E VINDAS EM ABRIL


Quando eu tinha uns 9 anos, fui em um parque de diversões da minha cidade com os meus pais e eu estava muito feliz nesse dia, tanto q eu levei uma pedrinha que achei no chão para casa, sabe, de lembrança. Bom, quando voltamos para casa fui todo feliz guardar minha pedrinha. Olhei no calendário; era 23 de abril de 2010. No relógio eram umas sete da noite passada.  Lembro que nesse momento fiquei com muita fome, então desci as escadas para comer. Não encontrei ninguém em casa, e mais, aquela não parecia ser a minha casa. Meio que fiquei rodando uns minutos por lá, nem peguei nada para comer e subi novamente as escadas, mas não conseguia achar meu quarto. Olhei novamente no calendário e marcava 26 de abril de 2010, o que era impossível, pois eu havia voltado do parque faziam poucas horas. Foi quando eu decidi sentar no chão do corredor. Dormi ali mesmo e quando acordei e vi no calendário: 24 de abril de 2010. Contei tudo para meus pais e eles nem se quer lembravam da nossa ida ao parque, e mais, disseram q eu fiquei o dia inteiro na rua.


  • NÃO CONSEGUIA LEMBRAR QUE O MEU PAI ERA MEU PAI


Uma vez eu estava caminhando com a minha mãe e ela falou alguma coisa sobre o meu pai. Eu não conseguia associar o que ela falava à imagem do meu pai. Na real eu nem entendia o que ela tava falando e porquê. Daí que chegamos em casa, eu olhei pro meu pai e fiquei totalmente desesperada. Minha mãe conta que minha respiração mudou, eu comecei a balançar bem forte a cabeça. Lembro de ficar pensando: sei que esse homem é o meu pai, mas ele é tão estranho pra mim!

Eu olhava pra ele e tinha consciência que aquele era meu pai, mas eu não conseguia entender o que significava ele ser meu pai e não lembrava de nada do passado. Eu observava cada detalhe do rosto dele e era tudo tão novo e estranho. Só lembro dos meus pensamentos, não lembro do que fiz enquanto tava pensando. Mas faz muito sentido eu ter ficado balançando a cabeça, como disse a minha mãe, porque tudo aquilo era muito perturbador. Depois fui pro quarto e fiquei um tempão lá deitada. Não lembro se dormi, se continuei surtando. Só lembro que levantei lembrando de tudo (do passado e do que tinha rolado) e reconhecendo meu pai.


  • MINHA MÃE NÃO ERA A MINHA MÃE


Uma vez eu "fugi" para ficar vagando na quadra perto de casa e ouvi uma voz falando comigo que minha mãe iria voltar do trabalho pela rua que eu estava. Ai tentei ignorar, mas fiquei paralisada de medo porque a voz foi muito clara. Foi quando vi minha mãe dobrando a esquina, mas não conseguia me mexer pra correr dela. Quando ela chegou perto eu só conseguia mexer meu braço. Puxei a saia dela e ela olhou pra mim. Falei "mãe" e ela fez uma cara estranha, como se não me conhecesse.
Então virou de costas para mim e a moça que estava com ela falou "essa menina é sua cara" e saíram conversando. Cheguei em casa achando que ela já estaria lá porque ela foi na minha frente. Aí minha irmã mais velha chegou (elas trabalhavam na mesma escola) e falou que nossa mãe só ia sair da escola de noite. Então quem passou por mim mais cedo? Eu não entendi nada. Mais tarde chega minha mãe com a mesma roupa e a mesma amiga da escola. Uma mulher que era nova lá. Apresentou a gente pra moça e depois contou que passou mal  na escola. Coincidentemente foi na hora que eu teria visto ela na esquina. Bizarro.


  • GENTALHA, GENTALHA


Tenho uma bem idiota: um dia, no começo do meu namoro com meu companheiro, acordei e fui fazer xixi. Enquanto fazia xixi eu visualizei o Kiko do Chaves na minha cabeça e comecei a cantar mentalmente "Kiko, Kiko...". Aí, nessa hora, meu companheiro entrou no banheiro e começou a cantar "cale-se, cale-se, gentalha, gentalha". E, por alguns segundos, ficamos em silêncio olhando um para a cara do outro sem entender o que tinha acontecido. Nós não tínhamos assistido Chaves recentemente. Eu não tinha cantado em voz alta. Até hoje a gente não entende. Se foi uma transmissão de pensamento única é bastante desanimador ter sido gasta com uma merda dessas.


  • NUDE OU PRETA?


Esses dias eu estava voltando (era cedo e não tínhamos bebido nada ou algo parecido) da casa de uma amiga, e tinha um casal na minha frente, Olhei pra bolsa da moça e pensei "nossa, que bolsa bonita". Reparei bem na bolsa porque tinha gostado bastante do modelo, e a cor dela era NUDE. Devo ter ficado quase um minuto andando atras deles olhando a bolsa. Linda, quis uma igual. Daí do nada ela deixa a bolsa cair e fiquei olhando todo processo o tempo inteiro, e quando ela pegou a bolsa do chão a bolsa ficou preta.


  • PARA FAZER CARINHO EM UM CARINHO O CARA QUEBROU O ESPAÇO E TEMPO? 


Eu estava trabalhando de recepcionista na porta de um evento, então chegou um cara, entrou e ficou conversando com um amigo que tava comigo na porta. Aí eu vi um cachorro lindão passando na rua, levantei e fui fazer carinho nele, quando cheguei perto tinha um cara agachado fazendo carinho nele já. Era o mesmo cara que já tinha entrado no evento e estava do meu lado três segundos antes. Impossível ele ter passado sem eu ver.


  • PREMONIÇÃO DAS NOTAS


Quando eu era mais nova, de uns doze anos até uns quinze ou dezesseis anos eu fazia curso de inglês na minha cidade. Estudar idiomas sempre foi muito difícil para mim, então eu sempre ficava apreensiva e ansiosa com as provas. E toda noite anterior a uma prova eu não só sonhava com a prova, como sonhava com ela corrigida e com a minha nota. No dia seguinte, quando eu fazia a prova e depois recebia corrigida, lá estava a nota igual a do meu sonho.


  • AGORA ESTÁ SUJO, AGORA ESTÁ LIMPO


No começo de abril aconteceu uma falha bem tosca comigo, foi assim: Eu estava em um restaurante japonês com os meus amigos, meu prato tava sujo e com os hashis em cima. DO NADA, eu olho para o prato e ele tá completamente limpo e com os hashis ainda em cima. Todo mundo achou muito estranho, porque ninguém veio trocar meu prato e não dava pra ter sido trocado sem eu ver e ainda deixar os hashis exatamente do jeito que estavam antes. Fiquei até meio chateada pela minha falha ter sido com uma coisa tão idiota.


  • SONHO DENTRO DE UM SONHO DENTRO DE UM SONHO DENTRO DE UM SONHO...


Eu acordei de manhã um pouquinho atrasada para o trabalho, até aí beleza, corri para me trocar e ir ao banheiro, e tava MUITO chateada porque não ia dar tempo de eu ir de carona e ia ter que pegar o ônibus lotado, então subi para o ponto de ônibus e dei sinal. Daí eu acordei, de novo, desta vez ainda mais atrasada, levantei desesperada, me arrumei e sai de casa, estava nublado. Então acordei novamente, desta vez confusa, outro sonho? Olhei no relógio, outra vez atrasada, puta que pariu, e agora era de verdade...

Me arrumei as pressas, sai de casa, peguei o ônibus, cheguei no serviço, me desculpei com minha chefe e... Acordei. Agora eu tava assustada, vi a hora, não estava mais tão atrasada, me levantei e fiquei olhando para minha cama, pensando "Mano, agora é real. Tem que ser real, eu sei que não estou em um sonho, é real sim. Que bosta, que ta acontecendo?" e quando pensei isso acordei.

De verdade agora, eu acho. Era madrugada e fiquei bem aliviada por poder dormir mais, até perguntei para minha tia (que dorme na cama ao lado) pra confirmar. Voltei a dormir e acordei no meu horário normal. Mas foi muito tenso, hoje acho engraçado, mas na hora eu já tava desesperada pensando "Quero voltar pro mundo real, por favor".


  • DOPPELGÄNGER / ACORDAR DE PÉ

Aconteceram duas vezes.

Na época, eu tinha uns 15 anos, e frequentava um curso de inglês que era longe pra porra da minha casa, então, eu ia todas as terças e quintas pra ele de ônibus. A viagem era bem chata, demorava uns 30 minutos pra chegar lá e eu apenas ficava ouvindo música e olhando pela janela.

Em um determinado dia, eu estava voltando desse cursinho, e o ônibus parou em uma das paradas para mais pessoas entrarem. Eu olhei pela janela e vi um senhor com um boné vermelho, levando uma criança em na garupa da bicicleta. Eles estavam seguindo em uma direção contrária do percurso, então logo, o ônibus seguiu viagem e minha visão sobre o senhor na bicicleta se foi.

Passados uns 20 minutos de viagem, novamente, o ônibus fez uma outra parada. Olhei novamente pela janela do ônibus, e adivinha? Vi o MESMO senhor, indo na mesma direção, com a mesma cara, e com a mesma criança na garupa! Fiquei extremamente abismado com isso, estranhei bastante. O que realmente me chamou a atenção foi a criança e o mesmo boné vermelho que o primeiro senhor estava usando. Tenso.

A segunda ocasião talvez seja mais sem graça e pode ser logicamente explicada. Eu devia ter uns 12 anos na época, e tinha acabado de acontecer uma festinha de aniversário minha, então logo que todos foram embora, fui pra minha cama dormir por estar muito cansado.

Acordei de madrugada, suado, e assustado, pelo simples fato de eu ter acordado EM PÉ. Sim, literalmente em pé. Entrei em desespero, e acabei tropeçando e caindo de susto. Estava muito escuro e só Odin sabe quanto tempo fiquei ali parado em frente da minha cama. Eu senti um medo tão grande que fui pro quarto dos meus pais dormir com eles, já que a cama era muito grande, eles só notaram minha presença lá pela manhã. Expliquei a eles o que houve, e eles disseram que isso poderia ser facilmente explicado como sonambulismo, ou até mesmo um sonho que tive. Independente das situações, nunca esqueci o medo que senti naquele dia.
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Em breve trarei mais uma edição de compilação de falhas do Brasil. Comente a sua falha nos comentários abaixo e talvez sua história apareça no blog! Fiquem atentos e Keep Creeping!