31/01/2017

Quando eu era criança, eu queria ser uma sereia

Quando criança, eu sempre quis ser uma sereia. Acho que muitas crianças têm o mesmo desejo. Eu acreditava firmemente que "sereia" era algo que eu poderia ser, uma vez que fosse adulta o suficiente. Eu imaginei que eventualmente cresceria uma cauda longa coberta de escamas brilhantes. Eu tinha o sonho de deslizar pela água. Talvez crescesse um longo e ondulado cabelo ruivo. Eu esperava pelo dia que eu seria uma sereia na vida real.


Minha família vivia bem próxima ao mar. Era um belo cenário para crescer. Eu sei que agora as pessoas matariam por uma casa assim. A brisa do mar acariciava meu rosto todos os dias. Ele sempre cheirava a chuva fresca. Eu passava meu tempo na praia recolhendo conchas ou construindo cabanas de fadas na areia. Os golfinhos estavam em toda parte, tagarelando um com o outro. Havia peixes lindamente coloridos e outras adoráveis criaturas. Era o paraíso.


Eu tina quatro irmãs com quem passava todo o meu tempo. Todas eram mais velhas que eu e mais maduras. Mesmo assim, entretinham minha fantasia de sereia, me ajudando a construir elaboradas caudas de algas. Elas fingiam ser um príncipe afogado e eu as resgatava. Todas nós ríamos ao salvar o príncipe perdido. Eu adorava ser abraçada, rindo enquanto nadávamos pela maré.


Mas é claro que você não pode simplesmente decidir ser uma sereia. Minha mãe deixou isso bem claro. Toda vez que eu tocava no assunto, ela zombava de mim. "Sereias não são reais", ela dizia com firmeza. Ela até repreendeu minhas irmãs por brincarem comigo. “Vocês não deveriam encorajá-la."


Minha mãe provavelmente estava certa. Você simplesmente não pode ser algo que você não é.


Aprendi isso na véspera do meu décimo segundo aniversário. Era noite, e minhas irmãs e eu estávamos sentados nas rochas. Nós nos banhávamos no brilho do luar. Um navio se aproximou. Era apenas um pequeno navio de pesca, provavelmente perdido. Eu geralmente ficava quieta e observava minhas irmãs preparando o jantar. Mas naquela noite minha mãe balançou a cabeça para mim. Era minha vez.


Eu limpei minha garganta. Minha respiração tinha cheiro de peixe podre e sal. Abri a boca e comecei a cantar. Minha voz ecoou pela praia. Para os meus ouvidos soava como um chamado de um animal moribundo. Ele lançou o anzol e caiu desajeitadamente. Minhas irmãs estavam sorrindo. O tom terrível do meu canto assustou os animais da costa.


Para o capitão, porém, minha música soava linda. Ele olhou pelo mar para me ver, uma menina, descansando sobre uma rocha. Em seus olhos eu estava radiante. Talvez eu tivesse cabelo longo e vermelho como a sereia que eu queria ser quando criança. Para ele meu corpo era flexível e jovem. Minhas pernas estavam dispostas de forma inocente, convidativas. Ele não poderia resistir à combinação da minha beleza e da minha canção.


Na realidade eu usava a pele de uma menina morta. Meus dentes afiados com formato reptiliano saindo da minha cabeça. Como minha mãe, eu tinha três caudas blindadas que caíram contra a água. Minhas mãos enroladas como garras. Minha segunda boca estava aberta ruminando, onde provavelmente estaria meu estômago. As barbatanas ao longo do meu torso. Dentre minhas irmãs, eu era a mais hedionda. Se elas me amassem menos, talvez tivessem ciúmes.


Mas como todos os homens antes dele, o capitão só podia ver o que queríamos. Ele permaneceu em seu barco o máximo que pôde antes que a necessidade o alcançasse. Ele mergulhou na água. Ele nadou contra a corrente, ansioso para alcançar sua visão da menina nua. Eu continuei cantando. Logo minhas irmãs se juntaram a mim, nossos gritos horríveis fazendo ondulações na superfície do oceano.


O homem nunca chegou até nós. Ele se afogou a quase seis metros de distância. Era tão reconfortante ver o cadáver branco como o leite balançando ao luar.


Minha mãe sorriu para mim com a sua segunda boca. "Você foi bem, filha. Agora vá buscar o corpo para o jantar."


Às vezes eu sinto falta dos sonhos de infância de ser uma sereia. Mas sinceramente, eu não mudaria quem sou agora. É muito mais divertido ver os homens morrendo do que salvá-los.




Oi gente, o que acaharam? O conto hoje foi bem curtinho porque foi meio emergência. Enfim, estou viajando e semana que vem outro colaborador vai publicar pra mim, no meu dia (que é a terça-feira). Mas depois estarei de volta. Estou procurando creepys com os temas que vocês sugerem, mas se tiverem uma creepy específica, só mandar o link. Até mais!


24 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. No mar tem pão ? E morreu
    Pão
    Pão
    Pão pão
    Pão
    Pão
    Pão
    Boa creepy
    Pão

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. ela queria ser uma sereia da Disney mas ela era uma sereia real.

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  5. Não é que você escreveu mal ou algo do tipo, a parte dela ser esse "monstro" até foi uma surpresa, mas foi tipo, impulsivo demais

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    1. Foi mais ou menos assim: *SPOILERS*
      Ela queria ser uma sereia mas ela já era.

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  6. Nossa, curti bastante. Achava que era só uma criança comum e chega no final é puff um bicho daqueles!

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  7. Me lembrou de piratas do caribe e um pouco hp, rara. Ótima creepy.

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  8. Eu ñ percebi a surpresa na creepy... Pq tipo assim, para mim as sereias sempre foram assassinas... ( Ainda mais depois que você lembra da Sereia que apareceu em The Vampire Diaries...) Mas eu até que curti bastante a história. :)

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  9. Esse título me descreveu, já vivi esse drama, de querer ser uma.
    Mas quem nasceu piranha, nunca vai ser sereia, né mores?

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  10. Eu também não percebi a surpresa, depois de olhar Supernatural e Piratas do Caribe 4 as sereias se tornam monstros... Mas a creepy ficou muito boa, parabéns!

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  11. Eu também não percebi a surpresa, depois de olhar Supernatural e Piratas do Caribe 4 as sereias se tornam monstros... Mas a creepy ficou muito boa, parabéns!

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