25/01/2017

Série Runners/Corredores (PARTE 20) - Corredores, parte um.

ATENÇÃO : ESSA SÉRIE/CREEPYPASTA É +18. CONTÉM CONTEÚDO ADULTO E/OU CHOCANTE. NÃO É RECOMENDADO PARA MENORES DE IDADE E PESSOAS SENSÍVEIS A ESSE TIPO DE LEITURA. 
LEIA COM RESPONSABILIDADE. 


VOLTEI DAS FÉRIAS! VAMO QUE VAMO!

***

Não é fácil organizar uma maratona. Você tem que conseguir permissão para usar a estrada, bolar um percurso, encontrar fornecedores, patrocinadores, voluntários, profissionais de segurança e, acima de tudo, corredores. 

Por mais merda que isso possa soar, os bombardeios na maratona de Boston ajudaram a trazer atenção para as corridas de estrada. As pessoas queriam correr para se mostrarem solidarias. Isso está acontecendo em todo mundo ocidental, não só nos EUA. Foi por isso que eu e meu parceiro decidimos criar uma corrida em Belfast. Ele é de lá, eu amo a cidade e, porra, que local seria melhor para fazer uma maratona do que um lugar que tem "fast" (veloz, em inglês) em seu nome? É um auto-marketing. 

O conselho de Belfast aprovou a corrida rapidamente. Não conflitava com nenhum outro evento de estrada e a cidade estava fazendo uma enorme campanha de "viver saudável", então uma corrida ajudaria a chamar atenção para a causa. 

Enquanto as inscrições online para a maratona iam acontecendo, eu procurava patrocinadores. Meu parceiro tem dinheiro suficiente para organizar o evento sozinho se quisesse, mas obviamente é melhor arranjar patrocinadores. Não estávamos atrás somente de dinheiro, mas também de equipamentos, comida, tendas e todas essas coisas. No começo foi difícil, mas engrenou depois que conseguimos fechar com a Applied Dynamics. Empresas gostaram da ideia de ter seu nome estampado na mesma camiseta em que a AppDyn estaria. 

AppDyn não contribuiu com muito dinheiro - foram apenas mil dólares. Mas prometeram enviar milhares das suas novas barrinhas de cereais/frutas/vegetais/nozes que estavam planejando lançar no ano seguinte. Aparentemente são ótimas para corredores. 

Me deram uma amostra quando fui ao encontro deles - era ótima. Me deu muita energia depois de comê-la. Meu parceiro também comeu uma, mas sofreu uma terrível reação alérgica. Se culpou por não ter lido a lista de ingredientes. Estava lá bem escrito: contém amendoim. Ainda assim, ficou enclausurado em casa se recuperando, o que significava que eu teria de fazer toda preparação da pré-maratona sem sua ajuda. Me senti mal por ele. A reação foi bem pior do que as que tivera antes. A bolhas na pele eram... ew. 

Dois dias antes da corrida, alguns amigos e eu decidimos fazer o percurso da corrida. O objetivo principal era ter certeza que tudo iria acontecer conforme o planejado e que os marcadores do percurso estavam corretos, mas na verdade eu só estava muito afim de correr. Estava comendo as barrinhas da AppDyn de café da manhã, almoço e janta desde que tinham me mandado uma caixa. Me sentia incrível. 

Corremos o percurso e parecia estar perfeito. Na metade, me separei do grupo e corri livremente. Fiquei vagando em meus pensamentos. Na solidão de minha mente. Quando percebi, estava cruzando a linha de chegada, quebrando meu recorde pessoal. 

Eu queria reconhecimento. Queria me gabar para meu parceiro que havia quebrado o recorde dele também, mas não parecia certo. Descobri que havia sido hospitalizado novamente. 

A reação alérgica inicial à amendoim já havia passado. Seus médicos estavam confusos, porque nenhum resíduo da alergia poderia ainda estar em seu sistema depois de tanto tempo. Ainda assim, seu estado de saúde piorou. Testaram possíveis reações alérgicas nele com todos os ingredientes que haviam na barrinha. Todos menos um - algo chamado MR332d. 

Quando os médicos entraram em contato com a AppDyn para descobrir o que era aquilo, foi dito que era uma mistura de extrato de cogumelos. Isso deixou os médicos nervosos. AppDyn não revelava quais eram os tipos e quantidades que usavam nas barrinhas. Entretanto, outras pessoas que haviam consumido a barra não haviam mostrado nenhum ou quaisquer sintomas parecidos com o dele. Enquanto o hospital brigava pelo telefone com a AppDyn para conseguir o nome dos cogumelos, a condição do meu parceiro piorou.

Por mais difícil que fosse para mim vê-lo sofrendo, ele queria que eu continuasse trabalhando na maratona. Era importante para ele que a corrida continuasse como planejado. Tínhamos depositado muito tempo e energia no evento para deixar que sua doença atrapalhasse nossos sonhos.

Na manhã da maratona, tudo estava indo bem. Os voluntários estavam espalhados pelo percurso organizando as mesas de água, as tendas de atendimento médico estavam de pé, os fornecedores estavam organizando seus produtos. Recebi uma ligação de meu parceiro. Soava muito melhor. Disse que estava vindo para a corrida.

Fiquei em choque. No dia anterior, quando havia o visitado, estava totalmente debilitado. Debilitado no estilo a morte batendo em sua porta. Perguntei se tinha certeza, mas ele disse que o pior já havia passado. Chegaria em tempo da largada. Desligou e eu continuei preparando as coisas.

A área onde os corredores pegavam seu número de inscrição era do lado da tenda da AppDyn. Estavam dando as barras para todos. Os corredores a amavam. Alguns até voltaram para pegar mais e carregar consigo enquanto corriam. AppDyn distribuiu mais com alegria.

Meu parceiro chegou 20 minutos antes da largada. Quase caí para trás. Ele parecia muito melhor mesmo. Mas achei estranho, ele estava vestido em suas roupas de corrida. Perguntei o motivo, pressupondo que a possibilidade de que ele corresse depois de tudo que passou era nula. Eu só ri e disse que ele devia era correr de volta para o hospital. Não tentei esconder minha preocupação e a sensação estranha que sentia. Mas não havia nada que pudesse pará-lo.

Vendo meu desconforto da situação, ele riu e disse para eu não me preocupar. Então me abraçou. Sua pele parecia estranha.

Um pouco depois disso, fizemos a contagem regressiva. Eu disparei a arma e apertei o cronometro enquanto milhares de corredores corriam em disparada. Fui para a tenda de controle para monitorar tudo pelo rádio. Enquanto eu ouvia, uma das voluntárias me cutucou e disse "Ei, acho que você se cortou" e apontou para meu antebraço. Olhei. 

Eu não havia me cortado. Grudado no meu antebraço estava um pedaço de pele que não era minha. Estava sangrenta e despedaçada. Cutuquei-a. Era grudenta - do mesmo jeito que a pele do meu parceiro pareceu ser quando eu o abracei. Sentindo um enjoo na boca de meu estômago, percebi que era a pele dele. Havia apenas... desgrudado. 

Pedi licença e fui até um dos banheiros químicos para me limpar. Puxei a pele e pedaços foram saindo. Era extremamente viscoso. Mas havia outra coisa também. Trouxe meu braço para perto do rosto e olhei mais atentamente. Pelos cantos, saindo debaixo do pedaço de pele, haviam pequenas protuberâncias. Estava se movendo. Não, crescendo. E pareciam muito com cogumelos brancos em pequenas tiras. 

Continua.

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EM BREVE: Série Runners/Corredores (PARTE 21) - Durante: Pernas demais

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Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 



20 comentários:

  1. Essa série é muito foda!
    Valeu pela tradução!

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  2. Imagina cogumelos na pele mano pqp. Do jeito que tá, essa série vai virar um livro porque até encaixar tudo vai ser difícil

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  3. Até que fim algo tão maravilhoso como Runners !!!

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  4. Finalmente. Eu estava ancioso por essa serie. Pensei até que o autor tinha desistido dela. Mas agora vi que ele tinha dado apenas uma pausa. Obrigado pela tradução Divina :)

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  5. Finalmente. Eu estava ancioso por essa serie. Pensei até que o autor tinha desistido dela. Mas agora vi que ele tinha dado apenas uma pausa. Obrigado pela tradução Divina :)

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  6. Adoro a série, me inspirando nela pra dar vida ao meu livro !

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  7. Galera, me ajudem a relembrar quem era a AppDyn e a/o Aida que eu já esqueci e não lembro em qual capítulo foi revelado um pouco sobre isso haha.

    A AppDyn era a criadora daquela inteligência artificial chamada Aida pra fornecer os cogumelos infectantes como uma espécie de teste?

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    1. Parte 7 :)
      http://www.creepypastabrasil.com.br/2016/08/serie-runnerscorredores-parte-7-antes.html

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  8. krll q sddss de ler essa serie.
    mt foda

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  9. Eu acho estranho que eu não vi essa parte na lista do Unsettling Stories, e tem uma outra que eu li que não tá na lista, só achei porque falaram nos comentários (Far Too Many Legs)
    Por que isso??
    Ah e tem uma outra parte na lista, The Exquisite Pleasure of Physical Degeneration (nome longo da porra HUEGUEGHDG), por acaso alguma dessas não é oficial?

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  10. Divina, eu recebi tambem um link de um episodio Too Far Many Legs. Vê se esse está lá mesmo

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  11. MEU DEUS ESSA SÉRIE VOLTOU
    ME SEGURA QUE EU NÃO TO BEM!!!
    OBRIGADA POR VOLTAR A TRADUZIR, DIVINA <3

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  12. Melhor série! Tô curioso pelo final.

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  13. Tô gostando muito, mas acho que no final de cada post devia ter o link pro próximo capítulo

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  14. runners mexe com a cabeça de um jeito sinistro. Tá tudo ai, do primeiro capitulo até este. Quem percebe o "time" da história, já pensa onde vai parar. Valei por traduzir Divina. Eu particularmente, nem quero que a serie acabe!

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  15. FINALMENTE, MEU DEUS. Essa série não decepciona, só me deixa mais ansiosa/curiosa. Obrigada Divina!!!

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