17/02/2017

Creepypasta dos Fãs: Rotina

Todo o dia eu saía de casa às 7h e voltava às 20h. Minha rotina era frustrante. Nada de interessante acontecia no meu dia. Eu passava quase o tempo todo em um escritório de publicidade de um jornal velho, quase decadente. Vamos combinar que nos tempo de hoje ninguém mais lê jornal impresso.

Minha sala era pequena, não tinha nenhuma vista glamourosa na janela, diferente dos chefões nos andares superiores, que tinham uma bela vista da cidade ou de um bosque aqui perto. A minha janela dava apenas em uma grande parede de concreto e bem no canto a janela, em uma casa de uma senhora bem idosa, e eu sempre me perguntei se morava sozinha, já que eu nunca vi ninguém por lá.

É sábado e eu acordei às 6h20 e fui tomar café com a minha família. Minha esposa Rose e meus filhos, Austin de 15 anos, um garoto muito inteligente e fanático por baseball, e Jennifer de 10, também muito inteligente e linda, com seus longos cachos loiros e bochechas rosadas, e o caçula Thomas, que acabara de completar 1 ano. Ele era uma criança linda e calma, dificilmente chorava e sempre olhava para mim com um sorriso ou uma gargalhada de derreter qualquer coração.

Hoje, porém, foi bem diferente. Austin e Jennifer não paravam de brigar na mesa e Thomas não parou de chorar até a hora que eu saí para trabalhar. Rose estava estressada de um jeito anormal e gritava com todos para que eles fizessem silêncio, o que deixava tudo pior, é claro. Saí de casa como sempre faço, às 7h. Já tinha começado o dia bem estressado, mas era sábado, e eu ficaria até às 20h no escritório. Pelo menos não teria que aguentar aquilo no dia seguinte.

O dia estava passando mais devagar que o de costume, e vez ou outra eu procurava a senhora do outro lado da minha janela. Não que eu fosse obcecado ou algo assim, mas era reconfortante saber que ela estava bem.

Quando deu 19h45 eu já estava cansado e no ápice do meu estresse. Quando olhei pela janela e a vi, colocando um crucifixo na janela e com um terço na mão, ela me encarava e não parava de falar algo. Acredito que ela estivesse orando, ela tinha uma fisionomia assustada, mas eu a ignorei. “Que velha maluca”, pensei comigo mesmo.

Finalmente 20h e eu iria para minha casa. Peguei meu Ford 98e saí dirigindo. No caminho, parei em um bosque para comprar um hot dog, já que eu estava faminto. Enquanto o comia em um banco, um sujeito bem estranho se aproximou. Ele estava com roupas muito rasgadas, era bem alto, cabelo raspado e algumas tattoos bem mal desenhadas. Pareciam feitas na prisão. Ele falou que estava faminto e, bom, falei que estava com pressa, mas pedi para que o dono do carrinho de hot dogs fizesse um para ele, e deixei pago.

Segui em direção a minha casa, estava dobrando a esquina da minha rua quando vi a porta da minha casa aberta. “Droga, Austin ou Jennifer devem ter deixado aberta”.
Entrei, já preparando aquela bronca, quando vi marcas de sangue vindo dá cozinha e indo até o quarto do pequeno Thomas. Rezei para que tudo estivesse bem. Entrei correndo na cozinha e vi minha resposta debruçada na mesa, onde mais cedo estava cheia de frutas, pães e sucos, agora estava cheia de sangue. Rose estava com a garganta cortada. Me aproximei e comecei a chorar.

Ela já estava morta quando cheguei, mas eu conseguia ouvir seus gritos na minha cabeça. Minha doce Rose... Ela era o amor da minha vida, nunca tinha duvidado disso.

Corri então para o quarto do Thomas. Chegando lá, vi Jennifer de bruços, com seu lindo vestido branco que eu tinha dado a ela de aniversário, que agora estava todo vermelho. Havia marcas de facadas... Tantas que eu nem conseguia contar. Me desmanchei em lágrimas. Estava aos berros quando ouvi um choro vindo de baixo de Jennifer. Era Thomas. Jeniffer estava abraçada com ele. Ela morreu o protegendo.

Tirei o corpo da minha filha de cima dele e o peguei. Eu saí correndo o mais rápido que pude, olhando apenas para baixo.

Quando me deparo com um sujeito na porta, vi que era o cara do parque. Ele agora estava com uma jaqueta de couro preta, calças largas e botas. Ele olhou somente para meu filho em meus braços e gritou “Siga-me!”. Eu relutei, olhei para a janela atrás de mim, pronto pra sair por lá e fugir dele, e então ouvi passos. Austin vinha correndo de seu próprio quarto. Ele tinha uma enorme faca de carne em uma das mãos, estava banhado em sangue, seus olhos estavam brancos e tinha um aspecto de fúria e vinha para matar Thomas e a mim. Ele murmurava “Você encontrará com todos nós no inferno, papai”. O homem me puxou porta a fora e pulou em cima do Austin.

Eu corri sem olhar para trás, peguei meu carro e saí sem direção. De repente, me veio a imagem da senhora orando, do outro lado do meu escritório. Eu sabia que deveria ir para lá. Ela parecia saber que tudo isso aconteceria. Chegando lá, ela me esperava na porta com seu terço, me levou para o seu apartamento e trancou a porta. Eu ia começar a contar o que aconteceu, mas ela me interrompeu e disse que sabia. 10 minutos depois, alguém bateu na porta. Era o mesmo homem que apareceu na minha casa. Ele estava com uma grande bolsa transversal, colocou a bolsa em cima da mesa e veio andando em direção a senhora e disse “Desculpe a demora, mãe”. A senhora respondeu “Vamos depressa, temos que terminar isso antes da meia noite”. O homem então me arrastou para uma sala cheia de velas, cálices e pentagramas. A senhora falou “As cabeças estão intactas, não é? Isso é essencial para o ritual de invocação”.

Ele despejou da sua bolsa três cabeças. Eram as cabeças da minha família. A velha, acendendo as últimas velas, disse: “O seu filho me foi útil, foi muito fácil invocar um demônio para possuí-lo”. Eu estava encurralado. O homem pegou uma adaga, que possuía uma caveira na ponta do cabo, tirou o Thomas dos meus braços com força e o apunhalou na minha frente. Eu me enchi de ódio. Tinha perdido tudo.

“Agora só falta a sua, e finalmente nosso ritual estará completo”, gritou o homem, banhado com o sangue do meu filho. E então eu corri para a sala e pulei contra a janela, quebrando o vidro e caindo do 6° andar.

Qualquer que fosse o ritual dessa velha bruxa, ela não iria conseguir realizar, pois me certifiquei de cair de ponta. Olhei para cima uma última vez e minha última visão foi do prédio onde trabalhei por 13 anos. Em minha mente, estavam apenas meus filhos e minha esposa, sorrindo para mim, e eu sabia que, para onde quer que eu fosse, eu sabia que os encontraria outra vez.


Autor: Dark Duck

Revisão: Gabriela Prado


14 comentários:

  1. Velha safada, o cara tava de boa la, até se preocupava com ela aushaushiqhsuh :/

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  2. Incrível! Mas se alguém matasse minha família eu teria matado ele.

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  3. Eu tava curtindo aquela velha, aí ela vai lá e faz isso :/
    Deu até um sanduíche pro filho dela, ele podia pelo menos matar o cara enquanto agradecia.
    Rip muleke chato do baseball que aparece em todo filme

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  4. OLOOOKO MORREU COM ESTILO, eh tipo "vc pode tirar td de mim, mas eu nunca te darei o gostinho da vitoria". MUITO BEM ESCRITA, adoray.

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    1. Moral da história: Vc pode comprar tudo que quiser com o dinheiro, mas nunca terá um dinossauro.

      Falando sério, creep boa, gostei, meio s´bita, mas fora isso gostei.

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  5. Que velha filha da puta!
    Imprevisível, curti!

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  6. Que imbecil. Ao invés de pedir socorro, chamar a polícia, o cara foi chamar uma velha que ele via esporadicamente rezando e que ele nem conhecia.

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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