15/02/2017

Série Runners/Corredores (PARTE 21) - Durante: Muitas, muitas pernas.

ATENÇÃO : ESSA SÉRIE/CREEPYPASTA É +18. CONTÉM CONTEÚDO ADULTO E/OU CHOCANTE. NÃO É RECOMENDADO PARA MENORES DE IDADE E PESSOAS SENSÍVEIS A ESSE TIPO DE LEITURA. 
LEIA COM RESPONSABILIDADE. 


***

Odeio fazer trilhas. Odeio o ar livre. Odeio ficar suada, suja, entediada e longe de um bom Wi-Fi. Mas aqui estamos. Fazendo trilha. E estou suada, suja, entediada e longe de um bom Wi-Fi. A vida não estava boa.

Meu pai falou que seria bom para nós sair da cidade por um tempo. Não disse o motivo. Era óbvio que o trabalho estava o afetando; Situações estressantes sempre fazem-no querer fugir até que consiga descobrir um jeito de lidar com a situação. Achei que era isso que estávamos fazendo na floresta. Fugindo - um passo suando de cada vez.

Toda noite, ele me fazia fazer minhas tarefas escolares perto da fogueira enquanto usava seu notebook conectado com internet via satélite, a qual eu não tinha permissão para usar. Não dei muita bola. Sei que ele faz coisas importantes que as outras pessoas não podem ver. Não são regras dele. Ainda assim, gostaria de puder ficar online alguns minutos.

Depois de quatro dias de caminhada, meu pai começou a demonstrar um interesse peculiar sobre as plantas pelas quais passávamos. Arrancava folhas, galhos, raízes e depois colocava na mochila. Mais tarde, quando montávamos nosso acampamento pela noite, pegava seu pequeno microscópio portátil, avaliava, e fazia anotação no seu notebook. Não fiz perguntas, obviamente era algo relacionado ao seu trabalho.                                                                        . 

No quinto dia, quando papai coletou suas amostras e olhou no microscópio, pareceu bastante animado. Não ficou pulando de alegria ou algo do tipo, mas seu humor mudou de "piloto-automático" para algo que parecia ser um menininho animado. Era estranho. E um tanto irritante. Pude perceber que queria falar comigo sobre as coisas que havia descoberto, mas era obrigado a ficar calado.

Então fui surpreendida. Ele começou a falar. E não sobre coisas normais que pais falam. Mas sim sobre seu trabalho. Seus projetos.

Eu sempre soube que ele era um dos cabeças de um lugar chamado Applied Dynamics e que essa empresa era enorme. Entretanto, eu nunca soube o que ele realmente fazia.Se alguém me perguntava, eu só dizia "coisas de biologia". Mas parece que eu estava errada.

Meu pai falou de "amostras" que estavam aparecendo nas plantas a nossa volta. Amostras que, de acordo com ele, estavam ficando cada vez mais densa conforme adentrávamos a floresta. Quando perguntei sobre o que ele estava falando, só me falou para aguardar. Não disse que não me contaria, apenas que eu teria que esperar. Mas mesmo que eu não fizesse ideia sobre o que estava falando, pela primeira vez, comecei a ficar animada. 

Na manhã do sexto dia, disse que tínhamos que apressar o passo. Ele estava em seu notebook muito tempo antes de eu acordar e havia uma certa urgência em sua voz. Não discuti. Ajudei-o a arrumar as coisas do acampamento e fomos. Ele estava com um ótimo pique e quando pedi para pararmos para almoçar, disse para comermos enquanto andávamos. Até quando tive que parar para ir em uma moita,
continuou andando e gritando para eu alcançá-lo. Eu alcancei. Quando o sol começou a se por, entramos em uma clareira no topo da colina. Papai parou de caminhar. Colocou sua mochila na grama, tirou seu notebook e se sentou no chão. 

"Estamos no local?" Perguntei.

"Sim," me respondeu, " Estamos."

Montei a barraca enquanto ele digitava e reclamava do carregador de energia solar dizendo que era culpa dele que seu notebook não estava funcionando direito.

A noite foi escurecendo e estrelas brotavam no céu. Eu via as estrelas com tanta clareza. Eram tantas.

Ouvi algo se movimentando no mato à nossa esquerda. Olhei para meu pai e ele colocou a mão em meu braço, dizendo para não me preocupar. Observei os arbustos. Um cervo espiou por entre as folhagens e olhou em volta. Suspirei de alívio. 

"Por que você não procura por constelações?" Papai perguntou.

Sem nada melhor para fazer, aceitei sua sugestão. Achei algumas.

"Mais os menos quanto tempo vai-" Comecei a perguntar, mas fui interrompida.

"Olhe lá," instruiu, apontando.

Segui seu dedo e vi um ponto preto se formando entre as estrelas. Crescia a cada segundo que passava, bloqueando mais e mais estrelas. Não conseguia identificar o que era. 

Houve mais movimentação nos arbustos. Olhei. Era o mesmo cervo. Quando olhei de novo para o céu, dei um gritinho. Todas estrelas haviam sumido. Não, não sumido - mas estavam tapadas. Havia algo pairando sobre a clareira. Era enorme e diferente de tudo que eu já havia visto. Com a luz fraca que vinha da lua, pude observar que era "carnuda" e tinham buracos agrupados bem juntos, o que me deixava muito desconfortável.

Papai disse algo que soou como "Vá em frente, Aida." Pegou sua lanterna da mochila e iluminou o chão debaixo do objeto que sobrevoava. 

O cervo desapareceu do mato e instantaneamente reapareceu no centro da clareira. Mais três cervos se juntaram, junto de diversos esquilos, pássaros, marmotas e um urso. Eles não se mexiam. 

"Pai, o que-" tentei falar, mas fui interrompida de novo.

"Sem pressa, leve o tempo que precisar, Aida."

Uma fumaça laranja escura começou a sair do objeto e ser despejada em cima do grupo de animais. Instintivamente respirei fundo e segurei meu ar limpo. Meu pai balançou a cabeça.

"Não se preocupe, você ficará bem."

Soltei o ar e observei. 

Quando a fumaça tocou os animais, os pelos e penas deles começaram a se mover. E então caíram. Sangue cobria a grama. Senti uma repulsa enorme, mas não desviei o olhar. Das fissuras, objetos longos e finos se ergueram. Pareciam cogumelos. 

"Lembra quando eu estava olhando no microscópio, Mo? Haviam esporos nas plantas. Todas plantas e animais por aqui os tem. Está funcionando." 

Não fazia ideia sobre o que ele estava falando e prestei pouquíssima atenção naquele momento. As pontas dos cogumelos inflaram e caíram, deixando pedaços do tamanho de bolas de beisebol por cima da grama ensaguentada. Os animais continuavam a se desintegrar enquanto mais e mais fungos irrompiam da carne e caíam ao chão. 

Pisquei meus olhos e a coisa que pairava havia sumido. Os animais haviam sidos reduzidos a uma pasta. Um buquê de cogumelos crescia onde antes estavam.

"Olhe," Meu pai sussurrou. 

Os pedaços redondos que haviam caído dos cogumelos começaram a se mover. E então se abriram. Tubos tão longos quando meus dedos se rastejaram para fora. Se remexiam e se debatiam no sangue, mas depois enrijeceram. Se mexendo uma última vez, os pedaços se ligaram a parte de cima dos tubos. Os tubos eram pernas.

Aqueles pedaços deslizavam em todas as direções com uma fumaça delicada vazando dos buracos em seu corpo.

"Ficaremos aqui por mais três dias," Papai me informou. "E quando voltarmos, tudo será diferente. Você vai ver."

Moscas pairavam sobre os restos mortais dos animais. 

***
Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 


18 comentários:

  1. Caraaaaca, esperei tanto pelo retorno da série Runners e parece que temos algo mais "palpável" para discutir. Seria uma perna humana? Por que os animais ficaram parados e foram atraídos? É uma espécie de melhoramento da raça humana? Tantas dúvidas... e a menina se chama Aida, e já ouvimos falar dela antes, várias vezes, até como a cabeça da coisa toda. Quem sabe ela voltou e espalhou isso, não sei, tanta coisa pra pensar kkkk Ansiosa por maaais!! Obrigada Divina.

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    1. Bom a única coisa q eu sei te responder é q a menina se chama No, ele falou Aida mas ele estava falando cm ele msm

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    2. O nome da menina era Mo, mas AIDA provavelmente é o nome do negocio que pairava no ar, por que nos capitulos anteriores dizia que era uma inteligenci artificial

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    3. Aida é a inteligência artificial da AppDyn

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  2. Preciso ser sincera, essa série parece piorar a cada capítulo. Fica cada vez mais exagerada, vão precisar de muita habilidade pra amarrar tudo isso junto. Parece que o autor se deparava com tópicos aleatórios e pensava "Hm, como posso colocar cogumelos assassinos superpoderosos nisso?".

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    1. Esqueci de dizer que a mulher dos primeiros capítulos a que esquartejou o bebê... Acho que o nome era kara ela viajou no espaço e voltou grávida pode ser uma conexão/explicação

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  3. Kkkk li verdades ... Embora eu goste da série e não tenha vergonha na cara em acompanhar séries sem pé nem cabeça ... É Lost versão cogumelos ... Cada dia aparece um trem

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  4. Nem li só vim falar que a divina eh foda mesmo

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  5. ♥ ♡ ♥ ♡Gente eu mais do que amei ♥ ♡ ♥ ♡ ♥ ♡ ♥ ♡ Essa série simplesmente perfeita ♥ ♡ ♥ ♡

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  6. A cada capítulo minha curiosidade fica a mil, isso não é justo!! Tomara que tenha mais logo ;-;

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  7. essa série só aumenta minhas expectativas, mds do ceu onde estou

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  8. Mds, essa serie ta ficando cada vez mais top
    Amei

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  9. Pelo que eu entendi, os fungos, pelo visto, podem se locomover para espalhar a infecção, além de contarem com a ajuda das moscas. E se esse cara é um executivo da AppDyn, ele só pode ter ido propositalmente até a floresta, usando como desculpa o fato de querer acampar, pra observar e testar o experimento infeccioso com os animais e vegetais, utilizando a AIDA.

    Só resta sabermos quando vão começar a ligar os pontos da história e amarrá-los.

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    1. Aliás, só não sei o motivo de levar a própria filha junto. Pra variar, deve ser psicopata, figura comum em creepies.

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    2. Capaz de a filha dele ser um experimento também kk

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  10. É a primeira vez que comento aqui, li toda a série nessa ultima semana e tenho que opinar. Não entendi nada, tem tanta coisa sem explicação que se no final isso tudo se encaixar, o autor pode vender os direitos pra Netplix pra eles produzirem uma série! A unica coisa que eu consegui acreditar, é que a AIDA é uma inteligencia artificial que tá propagando o cogumelo, agora pra que isso tudo? Eu acredito na teoria que ela ta tentando levar pessoas pra uma outra dimensão, e ta usando o cogumelo como uma forma de "chave" para o ser humano continuar á evoluir (sobreviver sem ar, talvez)

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  11. Ah cara eu saquei mais ou menos. É algum tipo de melhoria humana. Tem alguns casos soltos que são ou testes ou coisas que fugiram do controle. Me lembra bastante o clima de neo Gênesis evangelion,que vc tem vários entendimentos a medida que progredi na série, até que o desfecho te dá uma perspectiva única da coisa como um todo.

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