15/03/2017

Minha família vem sendo perseguida há 4 anos (PARTE 2)

(PARTE 1)

Long Lake é uma cidadezinha cheia de cabanas onde as pessoas vão para passar as férias; acho que não existem moradores fixos. As pessoas que trabalham no mercado e restaurante de lá normalmente moravam em uma cidade que ficava a uns 30 Km. Mas no fim do verão, haviam pouquíssimas pessoas por lá, se é que haviam. Quando chegamos em nossa cabana, nosso vizinho que conhecíamos há muitos anos, um senhor de idade chamado Floyd que passava ali as férias junto dos netos, estava arrumando suas coisas para voltar para casa. Aparentemente, tinha passado três semanas ali naquele ano, duas semanas a mais do que habitual. Mas sozinho. Seus netos estavam se sentindo "velhos demais" para passar o verão lá. Fiquei triste por Floyd, eu sabia o quando ele ficava empolgado por aquela semana perto de seus netos.

Depois de apresentar Roscoe para o nosso vizinho de verão, nos despedimos de Floyd, que prometeu voltar ano que vem mesmo que sozinho. Minha esposa e meus filhos começaram a tirar as coisas do carro enquanto eu ia destrancar a cabana. Antes de chegar na porta, fique ali, olhando para o lago e respirando uma boa lufada de ar fresco do campo. Senti um peso sendo tirado de meus ombros só por estar ali, saber que não teria que me preocupar todos os dias se receberia mais um desenho da minha filha pelo correio. Me sentia verdadeiramente em paz, mesmo que por alguns minutos. Entretanto, aquela paz sumiu no momento em que eu abri a porta da cabana. Já estava destrancada. Sim, existem chances de não ter sido trancada no ano passado. Eu não tinha motivo para suspeitar de outra possibilidade a não ser essa, mesmo com tudo que acontecera. O homem misterioso não tinha como saber onde ficava essa cabana, muito menos ter chego lá antes de nós. Durante a viagem eu fiquei cuidando cautelosamente se estávamos ou não sendo seguidos. Só para ter certeza.

Abri a porta da cabana e o ar era pesado e úmido. Havia uma fina camada de poeira em cima de tudo que eu via, amplificado pelos raios de sol que vinham das janelas. Tudo estava exatamente como no ano anterior. Respirei com mais calma, aceitando o fato que provavelmente fora o eu do passado que fez com que o eu de agora se preocupasse tanto por alguns segundos. Andei até o quarto principal e liguei os disjuntores e assim fez-se a luz. Minha família entrou na cabana, meus filhos com os olhos arregalados de excitação. Correram para o outro quarto, o que tinha o beliche e imediatamente começaram a brigar sobre quem ficaria com a cama de cima. Minha esposa foi novamente na rua pegar mais algumas malas e mochilas, enquanto isso eu ia ligando o registro da água. Saber que a luz e a água estavam funcionando me deixou com paz de espirito; significava que ninguém estivera usando-os nos últimos tempos, assim como evidenciava a poeira nos moveis.

Tudo ocorreu bem no primeiro dia. Nos ajeitamos na casa, adiei o aparar da grama para o dia seguinte. Andamos de quadriciclo e jogamos jogos de tabuleiro. No dia seguinte, levei minha família para um lugar do outro lado do lago onde levávamos as crianças todos os anos. Tinha uma pracinha, e uma praia de verdade. Havia pequenos piers que agora minha filha já era velha o suficiente para brincar com minha esposa, enquanto meu filho ficava na beira do lago tentando pegar peixinhos com as mãos. Fizemos cachorros quentes e comemos bem, ficamos lá até o sol se por. Meu plano era cortar a grama quando voltássemos, mas quando estacionamos na pequena área verde que usávamos de garagem, notei que a grama estava recém cortada. Meu coração mais uma vez foi parar no estômago.

Minha esposa comentou que algum vizinho devia ter nos prestado um favor e seguiu com seus afazeres. Olhei em volta e todos os outros gramados que via não estavam cortados. Eu sabia bem quem havia feito aquilo. Bem, não exatamente quem, mas sabia. Fiquei realmente confuso sobre os motivos que levavam esse perseguidor fazer o que fazia. Até agora, ele havia nos dado um cachorro que agora era um membro da família e depois cortado a grama da nossa cabana? Uma parte de mim estava quase considerando apenas aceitar o que estava acontecendo, pois parecia inofensivo. E esse sentimento só cresceu quando nada de ruim aconteceu no dia seguinte. Mas então o quarto dia chegou.
Era por volta das sete da manhã, e minha esposa abriu a porta para Roscoe dar uma corrida lá fora e usar o banheiro. Ela amarrou sua coleira em um poste feito especialmente para ele, e depois entrou para casa para preparar o café da manhã. Roscoe aprendia rápido, e nesse pouco tempo que estava com a gente, ensinamos a fazer algumas coisinhas. Uma delas era latir quando estivesse pronto para entrar para casa. Minha esposa preparou o café da manhã, eu acordei as crianças e sentamos para comer. Foi só quando estávamos terminando de comer que Katie perguntou onde estava Roscoe. Estranho, pensei, não ouvi ele latindo para dizer que estava pronto para entrar. Achei que apenas estava se explorando e se divertindo bastante na natureza. Falei para Katie que a mamãe tinha levado para fora e já iria buscá-lo. Nada poderia ter me preparado para o que eu vi quando sai da cabana.

Roscoe estava no chão, e sua garganta tinha sido grotescamente cortada, o corte era tão absurdo que estava quase decapitado. Depois, do corte da sua garganta, havia outro feito na vertical que iam até seus testículos, e todos seus órgãos haviam sido retirados e colocados do lado de seu corpo sem vida. Seu sangue estava empoçado embaixo de seu pequeno cadáver. Senti que ia vomitar. Corri até ele e olhei seus ferimentos. Deu para perceber que havia sido feito por uma lâmina, não tinha como ser um ataque de algum outro animal. Antes de fazer qualquer coisa, corri para dentro da cabana e falei para minha família não sair nem olhar pelas janelas. Voltei para rua antes que pudessem fazer perguntas.

Enquanto as lágrimas escorriam pelo meu rosto por conta de que teria que fazer, comecei a cavar um buraco para Roscoe. Gentilmente coloquei-o no buraco e acariciei sua orelha macia uma última vez. Eu realmente gostava dele, não importava sua origem. Enchi a cova de terra e depois coloquei a pá de volta no galpão. Não sei como não havia notado quando fui buscar a pá, mas do lado do galpão havia algo escrito, como que parecia ser o sangue do próprio cachorro.

Apenas dizia "CÃOZINHO BONZINHO"

Apaguei a mensagem antes de voltar para dentro da cabana. O tempo todo eu ficava tentando explicar o que havia acontecido. Eu sentei com meus filhos e expliquei que enquanto estávamos dentro de casa, um outro animal, um bem maior que Roscoe, tinha brigado com ele e machucando-o a um ponto que teve de ir para o céu dos cachorrinhos. Minha esposa e meus filhos choraram, e eu também. Nenhum de nós conseguia acreditar que tínhamos acabado de perder o mais novo membro da família. E então, com isso, mandei todos arrumarem suas malas porque não era seguro ficar ali com um animal tão perigoso à solta.  Eles respeitaram minha decisão, e dentro de uma hora já estávamos na estrada.

Paramos em um posto de gasolina na saída de Long Lake para abastecer, pegar alguns lanches e usar o banheiro antes de embarcar na nossa viagem de quatro horas. Todos entramos juntos na loja de conveniência e, felizmente, fui o primeiro a sair. Vi pelas portas transparentes da loja: um envelope colocado no para-brisa do meu carro. Corri até ele com esperança de pegá-lo antes que minha esposa visse. Consegui isso com sucesso, e imediatamente olhei em minha volta para ver se via alguém. Ninguém. Não havia nem uma pessoa sequer. Nenhum carro saindo dali, e ninguém a pé que eu pudesse ver. Eu até fiz a volta no posto de gasolina e depois chequei dentro da loja também, e não achei ninguém que já não estivesse lá dentro antes. Eu queria pedir para os funcionários me mostrarem as câmeras de segurança, mas dando uma olhada em volta percebi que o lugar não tinha nenhuma. Além do mais, eu não queria que minha esposa soubesse do envelope que acabara de receber.

Esperei meu filho sair do banheiro e pedi que todos me esperassem dentro da loja. Entrei no banheiro, abri o envelope e tirei lá de dentro um papel dobrado no meio. Esse desenho era um de nossa casa, que Katie havia feito uma semana antes de começarmos nossa viagem. Lembro disso porque eu coloquei-o em nossa geladeira com um imã logo depois dela terminá-lo, mas então ela havia o pego de volta para botar junto com seu "portfólio". Esse retratava nossa família na piscina de nosso quintal. O desenho adicional nesse era o mesmo homem feito bruscamente, atrás da cerca, com vários presentes embrulhados em sua volta. Novamente, havia uma coisa escrita atrás da folha. "Somos uma familha felis :)".

Eu não sabia o que pensar daquele desenho. Minha família e eu tínhamos usado nossa piscina diversas vezes naquele verão, até depois do primeiro incidente quando eu estava 100% alerta. Eu tinha certeza que não havia ninguém nos espionando. A única alternativa que pude pensar era que o homem estava usando a piscina para ilustrar o lago em que tínhamos estado no dia anterior, e que a cerca eram as árvores que envolviam a clareira, de onde podia ter ficado nos vigiando. Seja qual fosse o caso, eu dobrei, coloquei em meu bolso e saí com a minha família dali. Para voltar para casa, peguei estradas secundárias e alguns atalhos que não fossem na rodovia principal, algo que deixou minha esposa bastante confusa. Falei que era para testar uma coisa no carro, mas obviamente era um jeito de ter certeza que ninguém estava nos seguindo. Novamente, não achei evidências disso.

Quando cheguei em casa, a primeira coisa que fiz foi cobrir a piscina e "interditá-la" pelo resto do pouco que sobrara do verão, algo que aborreceu um tanto minha família. Inventei uma mentira sobre o aumento de nível da água durante nossa ausência; algo que não fazia muito sentido mas encerrou-se o caso.

Eu queria contar para minha esposa o que estava acontecendo. Eu realmente queria, mas nesse ponto, achei que já havia escondido tantas coisas que o foco dela não seria no fato de estarmos sendo perseguidos e sim que eu estava omitindo coisas para ela. Então continuei deixando isso só para mim. Eu era o protetor desta família, e eu faria jus a esse cargo. Não era algo que eu não conseguiria lidar sozinho, falei para mim mesmo. Pensado agora, eu poderia ter usado uma ajuda ou outra.



EM BREVE: Minha família vem sendo perseguida há 4 anos (PARTE 3)


FONTE: NC

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!


16 comentários:

  1. A série é bem legal, mas as atitudes do protagonista são muito idiotas, se preocupando mais com a tranquilidade do que a segurança da família, dá até raiva do cara!

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    1. EXATAMENTE! Foi o mesmo que comentei na parte um, realmente esse protagonista parece aqueles pais dos filmes de suspense que ficam escondendo tudo de todos até que a caca vai pro ventilador e os outros, sem saber de nada, sao presas fáceis.Mas a creepy é boa.

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    2. Isso! O cara parece aqueles protagonistas bobos de filme de terror clichê.
      Anyway, série muito boa, Obrigado por trazer esse material para o português,Divina!
      só uma coisa, uma parte por semana é muito demorado, a gente fica ansioso!

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  2. A série é otima, mas essa demora pra acontecer algo de fato ta me incomodando um pouco. E concordo com a galera de cima, esse protagonista ta meio bunda-mole sdaudshuidsahudsihuadsiads

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  3. Hmm... sendo perseguidos por algo que tecnicamente nao esta la... sinistro, tomara que nao seja oq estou pensando kk

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  4. Hummmmm fala ou não fala ... Na verdade muita gente é assim até decidir fazer algo sobre o problema já morreu todo mundo.... Aquela coisa que vc sabe que vai acabar mal mais simplesmente ignora.

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Porra esse é um daqueles vilões que são quase semideuses?

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    1. Acho que é só um psicopata muito inteligente Cardoso. Mais vamos vendo, uma hora o cão aparece!

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  7. Concordo com a maioria:
    Ele não feveria ficar escondendo os acontecimentos. Só serve de munição pro "sejalaquemfor" continuar com seu jogo doentio. Tô só no aguardo da parte III!

    Divina, sempre divina!

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  8. Eu tenho uma suspeita meio cabulosa...
    ...mas é melhor não tirar conclusões precipitadas, acho eu... ~('-'~)

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