09/04/2017

Micropastas de SnakeTongue - PARTE 2 (+18)

Nota da tradutora: Perdão por não ter continuado a postar a antologia no domingo passado, acabou não dando, mas agora está aqui, mais três creepies! Espero que gostem! \o/
Semana que vem tem a última parte, se tudo der certo!

O Pressentimento


Continuo a ter o mesmo sonho toda noite. É um pesadelo repetitivo que eu simplesmente não consigo tirar da minha cabeça.

Mais ou menos, às quatro da manhã, eu sempre acordo banhada em suor frio. Às vezes eu acordo gritando. Mas por mais que eu tente, nunca consigo me lembrar exatamente sobre o que eu estava sonhando. Tudo o que me recordo são de pequenos detalhes. A emoção do medo, a sensação de estômago repuxado e de agarrar alguma coisa em frente a mim com firmeza no sonho antes de acordar.

Acho que pode ser algum tipo de aviso... Uma premonição de que algo terrivelmente ruim está para acontecer, mas o que? Mas o que poderia ser?

A paranoia tomou conta de minha mente e de meu corpo. Todo lugar que vou, vivo em constante medo de que alguém ou algo esteja me perseguindo. Essa tensão alcança seu pico um dia, quando estou dirigindo do trabalho.

Percebi que o carro atrás de mim fez a mesma curva que eu. Inicialmente, achei que estivéssemos indo na mesma direção, e não fiz nada. Então, fizemos a mesma curva novamente, e novamente. Senti o medo vindo de dentro de mim e comecei a acelerar. Quando fizemos a mesma curva mais uma vez, comecei a correr de 17 a 33 km por hora acima do limite de velocidade, olhando constantemente para trás e para o espelho retrovisor.

Era tarde demais para ver a criança na bicicleta enquanto ele desviava em frente o meu carro.

Quando bati nos freios, senti meu estômago se repuxar e minha mão agarrar a coluna de direção com firmeza, enquanto o corpo da criança batia em meu carro e passava pelo primeiro conjunto de pneus.


A cama de John

John não queria comprar uma cama nova. Porque ele faria isso, quando tinha uma cama novinha em folha escondida no depósito?

O cheiro de mofo era quase insuportável, mas isso foi rapidamente consertado. O que realmente fez John se sentir desconfortável foi o fato de que sua mãe havia morrido naquele colchão. Ele sentiu um arrepio subir por sua espinha, mas ele sorriu, apesar de tudo. Sua mãe estava provavelmente se revirando na cova nesse exato momento, considerando que suas últimas palavras foram "Apodreça no inferno, seu pedaço de merda".

A primeira noite que ele se deitou naquela cama, sentiu algo em sua perna, pouco antes de cair no sono. Era uma leve sensação de formigamento, como se alguém estivesse passando os dedos por ela enquanto dormia. Ele se desviou levemente antes de cair em um sono profundo.

Ao acordar no dia seguinte, John se sentia extremamente doente. Ele cogitou a hipótese de que poderia ter pego uma gripe e passou o dia inteiro em casa, sentindo-se extremamente deplorável.

Na próxima noite, a mesma coisa aconteceu como na noite passada. Ele conseguia momentaneamente sentir algo tocando sua perna. Quando isso aconteceu, ele começou a acordar. Ao acender a luz, ele descobriu que não havia ninguém no quarto. Ao imaginar que poderia ser o fantasma de sua mãe vindo assombrá-lo, sentiu um calafrio percorrer seu corpo. Como estava muito doente, optou por descansar a investigar, e voltou a dormir.

Na noite seguinte, seus sintomas só tinham piorado, e então ele decidiu que iria ligar para um médico após mais um dia de descanso. Ele desabou na cama, exausto devido a gripe, e em alguns minutos começou a roncar.

Foi nesse momento que milhares de aranhas rastejaram para fora do buraco no colchão onde moravam.  Seus corpos grandes e peludos rastejaram por todo o corpo de John. Algumas delas deslizaram suavemente para dentro de sua boca, onde estava quente e molhado. Logo ele estaria morto. Elas estavam mordendo ele durante o sono há dias, e o veneno delas potente e rápido. Quando ele morresse, elas teriam um banquete para se deliciarem, e seus corpos ficariam ainda mais gordos.


Cachorro Perdido

Há alguns dias, eu perdi o meu cachorro, e nem consigo pensar no que acontecerá se eu jamais o vir novamente.

Era uma bela manhã de domingo, e eu estava no parque treinando o Rocco. Ele sempre foi um bom cachorro. Não me importo com quantas pessoas me olham e riem quando estou treinando ele. Quando acabamos, ele lambeu o meu rosto, excitado, e riu antes de se sentar brevemente em um banco e tomar alguns goles refrescantes de água gelada.

Quando olhei novamente, ele tinha sumido.

Tenho que admitir, eu o perdi. Assim que notei que ele não estava perto de mim, levantei-me rapidamente com o coração disparado. Chamei por ele desesperadamente, mas não obtive resposta. Fui até pessoas que nunca tinha visto na vida e perguntei se haviam visto Rocco. Eles só me olharam sem saber o que fazer e sacudiram suas cabeças, com pena em seus olhos.

Ao chegar em casa, fui até a impressora e comecei a fazer cartazes de busca de cachorro perdido repleto de fotos recentes dele e um número de telefone. Em seguida, passei o resto do dia colando os cartazes por toda a cidade. Agora o que me resta é sentar e esperar o telefone tocar. Tive três ligações desde domingo, mas todas eram ligações de negócio de um homem solitário, e não tinham nada a ver com Rocco.

Enquanto estava lendo em minha sala de estar, o celular toca. Eu deslizo a tela e aceito a ligação. A voz de uma pessoas velha do outro lado diz:

- Alô? Tem alguém aí?

Com os dedos tremendo, respondo:

- Sim, estou aqui.

Posso ouvi-lo pigarrear antes de continuar a falar.

- Madame, acho que encontrei o seu cachorro.

Sinto uma onda de alívio e digo:

- Oh, meu Deus, obrigada! Traga-me ele agora, por favor.

Há uma breve pausa.

- Você gostaria que eu o alimentasse antes ou...?

- Não! -  Eu praticamente grito – Só me traga ele agora mesmo... Por favor. Disse a ele o meu endereço e ele concordou em me encontrar dentro de quinze minutos.

 Quando ele chegou, um senhor de mais ou menos setenta anos, com cabelos grisalhos cujo nome era Garraty, agradeci-o profundamente antes de conduzi-lo até a porta. Então me viro para Rocco, minha mistura de pitbull e boxer mais fiel.

Levo ele até o porão e ligo a luz. O homem amarrado do outro lado da sala começa a gritar através do pano em sua boca. Isso não vai fazer nada, as paredes são todas à prova de som. É isso que ele terá por cobiçar uma mulher que é muito mais jovem do que ele.

Eu libero a coleira de Rocco e ele avança e ataca o homem, assim como treinei-o para fazer. Enquanto o sangue e a carne voam, começo a subir as escadas, indo buscar a pá que guardo na estante da cozinha.

 Se Force a Acordar

 Tudo é terrivelmente surreal. Eu não conseguiria contar exatamente o que estava acontecendo se eu tentasse. Minha cabeça está confusa, e provavelmente não está funcionando plenamente.

Eu ouço vozes abafadas de homens, mas não consigo distinguir uma só palavra. Abro meus olhos com muito esforço para inspecionar meus arredores sombrios. Em frente a mim, dois homens parecem estar discutindo alguma coisa em frente a uma grande van branca. Tento chama-los, mas minha língua parece uma lesma gigante.

Isso deve ser um sonho. Isso tem todas as qualidades estranhas de um. Disso tenho certeza.

O homem à direita se vira e abre a van antes de começar a arrastar uma mulher para fora. Ela olha em volta desesperadamente. O homem à esquerda está tirando um objeto preto do cinto. Decidi que não gosto muito desse sonho, mas espero que tudo mude em alguns instantes, assim como acontece em todos os sonhos sem sentido. Em um momento você está no meio de uma reunião importante, no outro você está correndo nu no meio de uma estação de metrô lotada.

Mas nada muda. O homem aponta o objeto preto na direção da mulher, e em um instante ela está deitada no chão, com uma poça de sangue ao redor de sua cabeça.

Nesse ponto estou tentando me forçar a acordar. Não gosto de nada disso... É um sonho assustador demais. Está mais para um pesadelo aterrorizante. O único barulho que consigo fazer, no entanto, é pigarrear.

Um desses homens está vindo até mim, e estou tentando desesperadamente gritar, com a minha mente girando com uma sensação de terror. Grite! Grite agora e grita o mais alto que você puder, que porra! Acorde a merda da vizinhança toda se for necessário! Só grite!

O homem me chuta com força no estômago e tudo fica claro. As memórias inundam minha mente em um piscar de olhos... O sequestro aconteceu, e eu fui a vítima.

Não foi um sonho. Era só o efeito das drogas passando. 





4 comentários:

  1. Tá perdoada!!!
    Não liga pros chorões não, só faça seu melhor ok! Snaketongue é muito top! Vc escolheu muito bem!!

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  2. Ótimo, a do cachorro teve o melhor terrror psicológico

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  3. Caramba que demais, essas micropastas estão muito boas, estou ansioso pela 3a parte!

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  4. Série muito boa. Só uma sugestão para a tradução: não converter as unidades do sistema imperial para o métrico ao pé da letra. Tipo, ao invés de converter de 10 a 20 mph para 17 a 33 km/h, era melhor deixar como 20 a 30 km/h para soar mais natural.

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