12/04/2017

Minha família vem sendo perseguida há 4 anos (PARTE 4)

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Era março, o mês do oitavo aniversário da minha filha. Enquanto o dia se aproximava, minha ansiedade aumentava; sentia que aquele seria uma época ideal para o doente maldito fazer alguma coisa de novo. Demos todos os presentes que Katie pediu, e íamos fazer uma festa em casa no dia, sendo que naquele ano cairia em um sábado. Fizemos todos os preparos no jardim. Era uma festa com o tema de artes e afins, o qual fiquei relutante de fazer, por motivos óbvios. Mas minha filha era a definição de artista. Inspirada, motivada, e eu tinha muito orgulho disso. Mas só eu sabia aonde alguns trabalhos dela tinham ido parar e para que estavam sendo usados, e isso partia meu coração.

Tudo ocorreu bem na festa. Todos seus amigos apareceram, todos se divertiram. Comemos e logo ela estava implorando para abrir os presentes, então deixamos. Colocamos todos sobre uma mesa no jardim.  Quanto mais presentes abria, mais feliz ficava. Então chegamos em um presente que não tinha um cartão de "DE:/PARA:". Fiquei com os olhos grudados nele. Estava embrulhado no mesmo papel de presente em que eu encontrara a fita cassete alguns meses atrás.

Finalmente ele tinha vencido. Eu não tinha como pular e arrancar o presente das mãos de minha filha sem que minha esposa percebesse. Mas também não podia deixá-la abrir aquilo. Eu não sabia o que fazer. Eu não tinha muito tempo para pensar, eu nem sequer havia pensado naquela probabilidade. Ela abriu o presente e puxou um papel dobrado de dentro. Deixei a cabeça cair para baixo. O que seria dessa vez? Então ela disse.

"É um dos meus desenhos que foi roubado!" Falou com um tom de total alegria. Ela claramente não entendia o que aquilo significava. Minha esposa olhou para mim. Apenas balancei a cabeça. Minha mulher se levantou e pegou o desenho, depois a caixa. Katie tentou questionar, mas Kimmy mandou que ela seguisse para o próximo presente, o que fez com prazer. Entramos para casa enquanto os outros pais supervisionavam o resto da abertura de presentes. Peguei a caixa das mãos de minha esposa e mandei que me desse o desenho, mas ela se recusou. Perguntou o que diabos estava acontecendo.

Contei tudo. Contei sobre o hotel, de onde Roscoe tinha vindo, o que realmente tinha acontecido com ele, a fita, os B.O na polícia, falei tudo. No final ela já estava debulhando-se em lágrimas, e eu não posso condená-la por isso. Ficou furiosa comigo por eu ter mantido tudo aquilo em segredo, e tinha razão em estar, mas eu sentia que aquilo era o certo a se fazer. Pelo menos conseguimos que nossa filha não visse o que estava dentro da caixa.

Depois de contar tudo, minha mulher abriu o desenho. Esse era uma pintura. Entenda que, quando digo que minha filha é uma grande fã de arte, não estou dizendo só de desenhos com lápis de cor, porque só isso não a satisfaz. Ela faz desenhos, pinta, usa giz de cera, giz pastel, tinta óleo, carvão, tudo. Qualquer coisa que possa virar uma imagem, ela usará. E suas artes são sobre qualquer coisa: pessoas, coisas, você fala, ela desenha. Enquanto crescia, costumava sempre dizer que queria ser uma artista e que "queria pintar o mundo". Na verdade, é muito inspirador. Mantinha tudo que fazia em seu "portfólio". E naquela noite em que o maldito roubou isso dela, roubou um pedacinho de sua alma.

O desenho era de nosso filho, Alex. A alteração era evidente. Vários arbustos foram pintados, com um homem desenhado crua mente no meio, ao lado de nosso filho. No todo da folha tinha uma mensagem escrita em vermelho.

"Eu e seu irmão çomos amigos agora. Qando noz vamos ser amigos?"

Isso fez com que um arrepio descesse pela minha espinha. Todos os tipos de cenário passaram pela minha mente. Esse homem tinha sequestrado meu filho? Minha mulher correu para fora para buscar Alex, e eu olhei dentro da caixa. Havia um conjunto de lápis de desenho. Junto, um bilhete formal.

"Nunca pare de desenhar."

Minha esposa voltou para a cozinha junto de meu filho, onde eu estava esperando, suando frio. Perguntamos para ele se algum homem ou mulher tinha falado com ele recentemente, algo que ele negou. Falamos que não ficaria encrencado caso isso tivesse acontecido, mas insistiu que não tinha falado com ninguém. Perguntamos se talvez tivesse conhecido alguém na hora do recreio, ou em algum outro lugar na escola, mas ele continuou na negativa. Acreditei nele. Era um menino esperto. Mas minha esposa não tinha tanta certeza. Educadamente, encerramos a festa logo depois que Katie abriu todos os presentes, e assim, uma por uma, as crianças foram sendo pegas por seus pais, enquanto os adultos perguntavam se estava tudo bem. Falamos que era apenas uma emergência familiar.

A polícia perguntou para meu filho a mesma coisa que já tínhamos questionado, receberam a mesma resposta. O detetive chegou a mesma conclusão que nós: que esse incidente em particular era para nos assustar, mas não que houvesse realmente acontecido. Por causa do grande espaçamento entre os acontecimentos, a polícia pediu que começarmos a questionar amigos, para ter certeza que não era apenas uma pegadinha muito bem elaborada. Eu teria rido na cara deles, se não tivesse ficado além da raiva. O homem que estava fazendo aquilo era um assassino. Eu tinha visto isso com meus próprios olhos. Eu sabia que não era uma brincadeira.

As coisas acalmaram mais uma vez por mais ou menos um mês. Todo dia minha esposa estava olhando a caixa do correio. Não sei se estava ansiosa para receber uma nova carta e descobrir quem era o desgraçado, ou apenas aliviada de não ter nada lá. Isso fez com que nosso casamento se tornasse uma ponte quebrada. Kimmy odiava o fato de eu ter mantido algo tão sério em segredo, e isso fez com que ficasse ressentida comigo. Ela nunca superou isso, mas eu não a culpo por isso.

Em um dia no meio de abril, eu peguei as crianças na escola e depois que chegamos em casa, Katie subiu para o segundo andar para guardar sua mochila e começar a fazer suas tarefas. Depois de uns dois minutos ela desceu e me encontrou na sala. Suas palavras caíram pesadamente no meu colo, doeu fisicamente.

"Papai, alguém deixou uma carta para mim"

Engoli o caroço que se formou instantaneamente na minha garganta e me levantei tão rápido que a cadeira de madeira em que eu estava sentado caiu no chão. Eu atravessei a sala correndo e peguei a carta da mão de Katie.

"Querida Katie,

Eu gostaria muinto de ser seu amigo. Não tenho muintos amigos, mas seus dezenhos me fazem felis e são muinto bons! Voce é uma artista muinto muinto boa e quero ser amigo de uma pessoa tao talentoza assim. Acho que sua mamae e papai nao iam gostar que noz ser amigos, então podia ser nosso segredo legal. Eu quero que você faça muintos e muitos e muitos dezenhos para mim para eu poder olhar todas as oras. Tomara que podemos ser amigos."

A carta não estava assinada.

Fui submerso em um tsunami de emoções. Tristeza, porque agora minha filha tinha sido colocada diretamente no meio dessa confusão. Raiva, de que esse homem continuava a assombrar nossa família apesar de todos nossos esforços para encontrá-lo. E provavelmente a emoção mais proeminente era o medo, pois parecia que eu não tinha como nos proteger daquele monstro invisível. Liguei para minha esposa no seu trabalho, que veio para casa imediatamente. Levamos a carta para a polícia e eles a guardaram como prova e para tentar achar digitais, o que não aconteceu, claro.

Eu e minha esposa tivemos uma longa conversa. Pesamos nossas opções. Decidimos manter as crinas em casa e/ou conosco todo o tempo, incluindo tirá-los da escola e todas as outras atividades extracurriculares, ou nos mudar. Escolhemos a última opção.

Colocamos nossa casa para vender e nos mudamos dentro de uma semana e meia. Depois de ficar em um apartamento em outra cidade até maio, então nos mudamos para uma casa estilo de fazenda de um piso no sul do Colorado. Matriculamos as crianças em uma escola, e minha esposa foi transferida de hospital. No geral, a mudança não foi uma transição difícil de se processar. E por uns cinco meses, parecia ter funcionado. Não havia sinal do perseguidor. Nosso verão passou sem nenhum incidente. Fizemos uma viagem tranquila de carro para Flórida, a qual as crianças adoraram. Eu e minha esposa conseguimos recuperar nosso casamento. As coisas pareciam melhorar para nossa família. Isso é, até que voltamos para casa em uma tarde no final de setembro.

Minha esposa tinha acabado de pegar a correspondência e tinha uma carta de um advogado. O conteúdo era sobre o testamento de minha mãe. Meu coração pareceu ter caído do peito como não fazia a tempos. Minha mãe não estava morta. Imediatamente eu peguei o telefone e tentei ligar para ela. Caiu direito na caixa de mensagens. Comecei a entrar em pânico, não sabia o que fazer. Liguei para minha tia, novamente ninguém atendeu. Meu mundo estava se despedaçando à minha volta. Finalmente me lembrei de ligar para o lar de idosos onde minha mãe morava, e quando falaram "já vamos transferir a ligação para o quarto", suspirei aliviado.

A linha tocou, tocou e tocou, até que finalmente alguém atendeu. Era minha mãe.

"Alô?" Ela perguntou, sua voz doce como sempre.

"Meu Deus, mãe, você está bem?"

"Bem, estou, querido. Tudo bem. Por que a pergunta?"

"Acabei de receber uma-"

Foi aí que eu entendi. Ele havia feito aquilo. Tinha descoberto onde estávamos morando e tinha feito aquela porra. Gaguejei um pouco antes de falar para minha mãe que a amava e que logo ligaria de novo para ela. Minha esposa perguntou o que eu estava pensando e contei; ela concordou, aquilo era uma brincadeira de mau gosto. Quando minha esposa olhou o resto das correspondências, tinha outro envelope, esse com o nome de Katie. Era um desenho que Katie havia feito de sua avó, só que no lugar dos olhos haviam dois X desenhados bruscamente.

Aquela imagem estará para sempre gravada na minha mente. Me deixou fisicamente doente naquela época. Chorei muito. Sentia que não tinha como proteger minha mãe, não sem deixar minha própria família vulnerável. Liguei para o detetive lá da Califórnia que cuidava do caso e contei as novidades. Ele concordou de colocar um policial disfarçado no lar de idosos pelas próximas duas semanas, algo que me deu paz de espirito por um tempo.

Nada aconteceu com minha mãe, graças a Deus. Suas brincadeiras doentias eram só isso, brincadeiras. Eu já estava no limite com toda essa situação. Sentia que aquilo nunca ia acabar. A época de calmaria seguinte foi a mais longa. Sete meses sem o perseguidor entrar em contato. Então algo aconteceu que fez com que eu desejasse mais que tudo terminar com aquilo. Recebi uma caixa com o meu nome, com o remetente sendo um ":(". Abri a caixa e encontrei uma mão decepada de criança.

Estava muito decomposta, as unhas tinham sido recentemente pintadas. As impressões digitais estavam queimas a um ponto que não tinham condições de serem identificadas. Junto com a mão estava uma foto Polaroid de uma menininha sorrindo. Era a menina da fita. Se a polícia não conseguia, eu ia tentar sozinho descobrir quem era ela. Eu estava determinado em obter respostas. 


EM BREVE: Minha família vem sendo perseguida há 4 anos (PARTE 5)


FONTE: NC

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!


28 comentários:

  1. ELABOREI UMA TEORIA, SERÁ QUE O PERSEGUIDOR NAO EH O PRÓPRIO PAI? TIPO AQUELE FILME "O AMIGO OCULTO"

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    1. O final dessa série vai ser uma grande surpresa.

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  2. Não quero dar spoilers, mas a garotinha que foi esfaqueada, ela nunca foi registrada em cartório e em nenhum tipo de documento, por isso que nunca foi identificada pela polícia.

    Excelente creepy! Divina faz jus ao nome!

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    1. Oh moço, me fala ai pfv ._. N aguento mais ;-;

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  3. Eu acho que tem alguma coisa relacionada aquele povo (ou alguém)daquele restaurantezinho da parte 1...a família começou a ser perseguida depois que foram la e o carro foi vandalizado e tals

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  4. I'll make a hole in you, and then I'll fuck him.

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  5. Se o perseguidor achava ele em todo lugar que ele fosse porque ele pensou que se mudasse de casa o perseguidor ia deixar ele?

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  6. Perseguidor e pai da família seriam a mesma pessoa! Quero muito saber no que vai dar não aguento mais teoria. Genial Divina! Simplesmente Genial!!!

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  7. alguém me passa o link em ingles da creepy?

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    1. https://www.reddit.com/r/nosleep/comments/57vhg6/my_family_has_been_stalked_for_the_last_4_years/

      Esse é o link da 1a Parte. Lá tem o link pra outras partes!

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  8. Eu to amando tanto essa série que vou parar de ler os comentários com medo de tomar spoiler. Continuem a postar, por favor!

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  9. Aaaaaaah essa série está muito boa, parabéns pelo trabalho, divina!

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  10. NOSSA MUITO BOA... EU ACOMPANHO DESDE A PRIMEIRA CREEPY E EU TO FICANDO MUITO ANCIOSA COM O FINAL QUE ESTA POR VIM.... ESSA HISTORIA DEVERIA VIRAR UM FILME... NAO DEMOREM PARA POSTAR A OUTRA PARTE... ANCIOSA AQUI... QUEM SERA O PERSEGUIDOR.. NAO TEM COMO SER O PAI NAO...

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    1. Filha.... ANSIOSA É COM "S" pelo amor de Deus kkkk

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    2. quem sabe não é ela o maníaco das cartas

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    3. quem sabe não é ela o maníaco das cartas

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  11. Não iria ser em 4 partes? Foi o que tinha sido dito na primeira parte. Então essa seria a parte final. Mas pelo visto o autor original escreveu uma parte bônus. De qualquer forma creep boa espero que não acabe de forma fraca.

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  12. O perseguidor... tem muitos erros de "português" ou é da tradução mesmo?

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    1. Ele tem erros de português sim, tá no conto original.

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  13. E se menina for a psicopata e por isso as cartas tem tantos erros de português?

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