20/04/2017

Se quer viver, olhe para baixo.

Oi, gente. Notícia meio triste, na real. O PC que eu usava para traduzir estragou, então por algum tempo não vou poder estar postando. Espero que não demore tanto para voltar, porque já estou com saudades. Esse vai ser meu último post por alguns dias, talvez semanas, mas prometo que volto em seguida com todo o gás, beleza? Não esqueci da série, vou continuar com ela! Até vou tentar arranjar outro lugar para traduzir, mas não prometo nada. 

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Sendo um funcionário de manutenção de um hotel por toda minha vida, já vi diversas coisas bizarras durante minha carreira. Não irei te entediar com detalhes sobre pessoas que quebraram vasos sanitários enquanto tentavam dar descargas em pedaços de corpos humanos, ou sobre a outra vez que tive que ligar para o hospital quando encontrei um cara muito, muito, mais muito chapado que tentava "executar" relações sexuais com uma das caldeiras do hotel. É um trabalho muito mais confuso e muito mais nojento do que as palestras no ensino médio fazem parecer. 

Ouvi dizer que aqui¹ é um lugar onde as pessoas vêm para destilar todos os tipos bizarros de coisas que tem em sua mente, e cara, tenho algo surpreendente para te contar. Posso contar o que aconteceu, mas mal consigo começar a explicar a merda que vi, e nem sei se quero. Todos os nomes e locais foram modificados para respeitar os envolvidos. 

Começou no dia 25 de fevereiro de 2016. Eu estava na sala de funcionários do Marriott, preparando uma xícara de café para me sustentar até o intervalo do almoço, quando meu rádio começou a chamar. Estava recebendo uma ligação de Mike Chappell, outro cara da manutenção, que tinha começado a trabalhar ali faziam seis meses. Funcionários iam e vinham constantemente no Marriott - em essência, nós dois éramos trabalhadores de mão-de-obra altamente qualificados. 

"O que foi agora?" Murmurei cansadamente no receptor. 

"Venha aqui na cobertura. Você precisa ver isso."

"O que?"

"Sem tempo para explicações, só venha. Nunca vi algo parecido com isso." 

Peguei o elevador para o último andar e depois subi as escadas que davam para o telhado. Para contexto, é importante saber que ninguém teria ido tão longe sem uma chave de acesso, um molhe de chaves e um conhecimento ávido de várias senhas de alarmes do prédio do Marriot. Mantenha isso em mente. 

Mike me esperava no topo da escada, com uma expressão de preocupado-pra-caralho e segurando uma chave inglesa nas mãos como se fosse usar para defesa pessoal. A porta de acesso ao telhado estava aberta ao seu lado, um vendo frio entrava por ali. 

"Qual o problema, Sr. Misterioso?" Perguntei, chegando no final da escada. 

"É... ela. Ela está aqui faz um tempo."

"Ela?"

Ele gesticulou, com a cabeça, para fora da porta. 

Me inclinando, espiei para dar uma olhada, e vi uma figura parada mais a frente. Ela tinha um emaranhado de cabelos cinza prateado, usava uma camisola branca e as mãos pingavam em vermelho. Sua cabeça estava jogada para trás, olhando diretamente para o céu, como se estivesse em um transe. 

"Há quanto tempo ela está ali?" Sussurrei. 

"Sei lá. A porta estava trancada quando cheguei aqui, então só deus sabe como foi parar aqui em cima."

"Ela fez... alguma coisa?"

"Não, acho que não. Ela está parada ali, daquele jeito, desde que comecei a observá-la." 

"E isso faz quanto tempo?"

"Pelo menos vinte minutos. Já chamei a polícia e uma ambulância. Devem estar chegando."

Quanto mais eu olhava a mulher com os punhos fechados manchados de sangue, mais inconfortável ficava. Havia algo absolutamente desagradável sobre ficar no limbo do desconhecido enquanto esperava a ajuda chegar.

"Me alcance a chave de fenda." Suspirei, esticando o braço para ele.

"Que?"

"Me dê a chave de fenda. Vou fazer umas perguntas para ela."

Mike abriu a boca para protesta, mas ao invés de falar algo, apenas acenou com a cabeça e me entregou a ferramenta sem proferir uma palavra. O cabo estava quente e suado das mãos de Mike, mas dadas as circunstancias, essa não era a maior das minhas preocupações.

Pisei no telhado, arrepios tomando conta do meu corpo. A estranha estava descalça e não vestia nada dos joelhos para baixo, suas panturrilhas e calcanhares cobertos de veias arroxeadas que se assemelhavam a teias de aranhas. Eu ainda não havia visto seu rosto, mas estava claro que era uma mulher muito velha.

"Senhora?" Falei suavemente enquanto me aproximava, segurando a chave de fenda com tanta força que poderia quebrar um tijolo, "Você não devia estar aqui em cima. Está perdida?"

Sem resposta. Cheguei um pouco mais perto.

"Senhora, preciso pedir para que venha comigo. Essa área é área é para funcionários autorizados."

Quando finalmente fiquei em sua frente, ela não olhou para baixo ou deu sinal de que estava ciente da minha presença. Seu rosto tinha mais linhas do que um mapa rodoviário, mas - tirando sua expressão vazia - não parecia apresentar sinais de ameaça. Ela era a tia ou avó de alguém, estava apenas se comportando um pouquinho... estranha.

Abaixando a chave de fenda, estiquei a mão para acenar na frente de seu rosto, desesperadamente tentando receber uma resposta. Se seus olhos não se mexessem, achei que poderíamos estar lidando com uma mulher cega.

"Alguém te trouxe aqui, senhora?" Perguntei, minhas digitais apenas alguns centímetros de seus olhos. 

Sua mão rapidamente agarrou meu pulso como uma garra. Eu gritei abruptamente, menos do choque dela ter me agarrado, mas mais porque finalmente estava olhando suas mãos de perto.

Não havia pele em seus dedos - cada digital tinha sido arrancada para apenas músculo, veias e ossos ficarem visíveis, fazendo com que cada movimento parecesse extremamente doloroso. Era difícil de acreditar, mas de certa forma os dedos da mulher tinham sido esfolados até a juntas, de onde o sangue pingava.

Ela se inclinou em minha direção, sua respiração fedia a desidratação, seus olhos ainda fixos em um ponto invisível no céu. Seus lábios estavam cobertos em camadas de ele morta que me fazia ter vontade de vomitar.

"O Reino está vindo," sibilou entre os dentes, "Não consegue ver?"

Enquanto ela estava absorta com o céu vazio, eu estava sentindo muita dor por conta do aperto de seus dedos envolta de meu pulso. Mike, aquele maldito covarde, continuava parado perto da porta, e eu não conseguia bater com a chave de fenda na cara da senhora - assustado ou não.

"O Reino? Quando está vindo?" Eu grunhi, fingindo interesse, esperando que se eu a acalmasse, ela pararia de cortar a circulação da minha mão.

Ela afrouxou o aperto, seu braço caiu vagarosamente para o lado do corpo. Nada podia tirar sua atenção das nuvens.

"O Reino dos Céus, eu vi em um sonho. Estará aqui em breve - talvez em alguns dias." 

***
Me afastei, esfregando o pulso para fazer a dor passar. Arremanguei a camisa azul do uniforme do trabalho e descobri que hematomas vividos começavam a aparecer. Aquela mulher era bizarramente forte.

Minha especialidade é concertar coisas e não mentes ferradas, então me afastei e lancei para Mike 'Objetor de consciência' Chappell um olhar de raiva.

"Onde diabos você estava quando ela estava aplicando golpes de Kung Fu geriátrico em mim?" Perguntei, enquanto uns policiais e socorristas passava por ele.

"O que você queria que eu fizesse?" Perguntou em resposta, abrindo os braços, como se mostrasse indefeso, "Você que estava com a chave de fenda. Acho que eu ia me impor e dar um soco na cara de uma cidadã idosa?"

Dei de ombros e grunhi, descendo as escadas. Achei que era o final, mas um policial me abordou na saída do elevador.

"A mulher te disse algo estranho?" Um detetive magro e careca nos perguntou, sua caderneta e caneta pronta em mãos.

"Estranho? Que tipo de estranho?" Mike perguntou.

O detetive voltou seu olhar para mim, olhando bem meu nome em meu crachá com aqueles olhos afiados.

"Senhor... Weir?" Perguntou, sobrancelhas erguidas.

"Apenas David, por favor, detetive."

"David, certo. Você é o técnico supervisor daqui, correto?"

"Ahan."

"Posso ter uma palavrinha em particular com você?"

Mike acenou com a cabeça e se afastou de nós, começando a assoviar quando entrou no elevador. O garoto não havia visto o que eu vira. 

"Sou o Detetive Peter Romero, e não preciso dizer que o que te falarei deve ficar somente entre nós dois," disse em tons acelerados, quando teve certeza que Mike não poderia mais ouvir. "Não acredito que esse seja um caso isolado, se é que o que eu acho sobre esse caso seja verdade. Nas últimas semanas houveram 45 casos similares, pessoas se aglomerando em telhados de prédios altos, falando coisas sem sentido; pessoas que não tem conexão uma com a outra, prédios totalmente diferentes."

Enquanto o Detetive Romero dava detalhes sobre o caso, comecei a ter a sensação desagradável que estava sendo enfiado dentro de uma maldita conspiração. 

" que preciso de você, David, é que me diga as exatas palavras que ela disse. Nomes de lugares, nomes de pessoa, qualquer coisa especifica."

Toda aquela situação era muito maluca, mas no rosto de Romero pairava uma expressão mortalmente séria. 

"Ela, hm, não falou muito," Cocei a parte de trás da cabeça, "Ela parecia, no mais, catatônica, como se estivesse em um transe."

Romero anotou tudo que eu disse. Acho que não o vi piscar uma vez sequer.

"Ela mencionou alguma coisa em particular, David?"

"Sim, sim. Ela disse que 'O Reino dos Céus' estava vindo, e que estará aqui em alguns dias."

É. Parecia loucura saindo da minha boca também.

Assim que essas palavras saíram da ponta da minha língua, os olhos de Romero se levantaram. Ele enfiou a mão no bolso de sua jaqueta, pegando um cartão laminado com suas informações, e colocou na minha mão.

"Manteremos contato." Falou, enquanto ia embora andando. 

***

Tentei voltar ao trabalho depois do incidente, mas na verdade só conseguia me sentir enjoado. Meu supervisor tinha ficado sabendo do caso quando Detetive Romero explicou o acontecido, e recebi o resto do dia de folga para tentar superar a experiência que tivera. Um médico que havia sido chamado para a cena até me disse que eu poderia receber um atendimento de emergência, se necessário.

Ao invés de ir à um psiquiatra, decidi lidar com aquilo de um jeito bastante americano: dormindo. Entretanto fui tirado do meu dia inteiro de descanso com uma ligação de Mike. 

Meus olhos pesados fitaram as luzes verdes de LED do meu relógio digital: dizia que já eram 19:30. Lá se vai meu relógio biológico.

Depois de um espreguiçar longo, me estiquei e peguei o celular do criado-mudo, colocando-o contra minha orelha.

"Que foi?" Grunhi.

"Oi, é o Mike."

"Eu sei, eu tenho identificador de chamada. Qual o problema?"

"Nada. Só queria saber se você estava bem, só isso."

"Sim, estou bem, valeu. Foi um longo dia."

Houve um momento de silêncio. Uma pausa sombria. Mike tinha outro motivo para ter ligado.

"O que o Detetive disse para você?" Perguntou.

"Ah, nada demais. Só confirmando alguns detalhes do caso."

"Consegui dar uma palavrinha com os paramédicos sobre a senhora, acontece que ela escapou de um lar miserável de idosos nos subúrbios."

"Bom para ela." Falei, esfregando meus olhos sonolentos.

"Mas ainda vou te contar a coisa louca. Sabe os dedos fodidos dela, e como eu disse para você que a porta do terraço estava trancada quando eu cheguei?"

"Sim e sim." 

"Os faxineiros encontraram pele, sangue e digitais por toda extensão lateral do prédio. Ela escalou aquela porra!" 

Me sentei em um pulo em choque.

"Não, isso é impossível. Aquele prédio tem centenas de metros de altura e a mulher parecia ter centenas de anos!"

Improvável, sim. Impossível? Aparentemente não. E ela não é uma velhinha louca comum, precisaram de quatro paramédicos e dois policiais para colocá-la na ambulância."

"Mentira."

"Não tô brincando! Eu vi ela dando uma cabeçada em um dos policias que tentou fazê-la parar de olhar para cima, eu achei que o coitado não ia conseguir levantar mais." 

Naquele momento, eu sentia que era eu que tinha levado uma cabeçada. Cai de volta na cama, minhas mãos tremulas mal conseguindo segurar o telefone. Aquela senhora de aparência frágil tinha quase esmigalhado meu pulso; se havia um motivo para eu estar incrédulo, era o simples fato de não querer considerar o significado real daquilo tudo. 

"De qualquer forma, Dave, melhor eu ir agora, ou a dona vai achar que eu estou traindo. Se cuida, viu?"

"Sim, sim. Te vejo amanhã, Mikey." 

Desliguei e deixei o celular cair no chão do quarto. Não consegui mais nem um minuto de sono pelo resto da noite.

"O Reino dos Céus, eu vi em um sonho. Estará aqui em breve - talvez em alguns dias." 

No dia seguinte, Mike e eu nos encontramos na escadaria para o terraço. Nós dois parecíamos cansados, com cara de quem não dormira, e podíamos dizer, mesmo sem proferir uma palavra, que estávamos ali pelo mesmo motivo. 

"Subindo?" Perguntou, a voz falhando um pouco.

"Aonde mais?"

Nós dois chegamos no topo da escada, Mike destrancou a porta e pisamos no terraço. Eu adoraria dizer o contrário, mas na verdade, nossos maiores pesadelos viraram realidade.

Haviam três pessoas lá de pé, todos olhando diretamente para o céu.

Uma era Maria, uma faxineira espanhola do Marriott. Os outros dois pareciam mendigos: um alto e mirrado, outro baixo e impassível. Os três tinham as mãos vermelhas de sangue.

"Puta merda." Mike falou em voz alta, depois tapando a boca.

Não consegui falar nada. Não precisava. Se olhares pudessem matar, naquele momento meu rosto era uma bomba atômica

Sem pensar, fui andando rapidamente em direção de Maria. Eu a conhecia desde que tinha começado a trabalhar ali, e ela era uma das mulheres mais queridas que eu já conhecera em minha vida. Essa loucura toda não era coisa de seu feitio.

"Maria, por favor, sai dessa." Falei, passando os dedos na frente de seu rosto.

"El Reino del Cielo. Lo vi en un sueño." Falou, com uma voz rouca diferente da normal. 

"Está vindo. Amanhã, vai estar aqui." O homem alto falou, sua voz em um tom gélido e monótono.

Dei com o punho fechado no lado de minha própria cabeça, esperando que isso me acordasse de um sonho ruim que poderia estar tendo. Todas as fibras de meu corpo estavam gritando que eu tinha que ligar para Romero, que eu precisava saber mais. Mas meus pensamentos foram interrompidos.

"Hm, David..." Mike disse, com a voz de um homem que tentava desesperadamente manter a compostura, "Você vai querer ver isso... só prometa que não vai surtar, tá?"

Ele estava perto da beira do terraço, se inclinando da barreira de proteção com os olhos cheios de descrença. Assustadamente, eu espiei atrevidamente por trás dele, para ver o que estava vendo.

Era ela, a senhora idosa de ontem. Ela estava escalando o prédio comercial que ficava ao lado do nosso como se fosse uma maldita aranha, seus braços finos e pernas esqueléticas se agarrando freneticamente nas janelas de vidro e paredes de concreto. Mas não estava sozinha, haviam várias pessoas, por volta de cinquenta, fazendo a mesma coisa - escalando os prédios como uma infestação de baratas. Era algo saído diretamente de um filme de terror. 

"O que vamos fazer?" Mike perguntou.

"Não acho que tenha algo que podemos fazer."

Atrás de nós, o sem-teto baixinho murmurou, "O Reino dos Céus irá receber todos nós."

Precisei controlar cada molécula do meu ser para não o jogar lá de cima. 

***
Mais tarde naquela noite, depois que voltei para casa e as autoridades deram seu melhor para controlar aquela loucura na cidade, comecei a ligar freneticamente para o Detetive Romero. Talvez o cartão estivesse desatualizado, ou talvez estivesse ocupado demais com tudo que acontecia na cidade, mas não atendeu nenhuma de minhas ligações. Todas foram direito para caixa de mensagem. 

Mais uma noite sem dormir, minha mente continuava a circular em volta do mendigo magro. Ele havia dito que o Reino dos Céus chegaria amanhã. Amanhã, para todos os efeitos, eram dali poucas horas. 

Estamos em contagem regressiva para a chegada do Reino dos céus. 

Fui para o trabalho na manhã seguinte sentindo como se houvessem pedras nas minhas tripas; uma sensação persistente de ansiedade que, mesmo me esforçando ao máximo, sempre me puxava para baixo. 

Esperando encontrar Mike, acampei no topo da escada por quase uma hora, com uma sensação bizarra, imaginando porque ele não tinha vindo. Dei mais uma meia hora, mas como não veio, abri a porta do terraço. 

Na minha mente, rezava para Deus que eu estivesse louco. 

Quando peguei na maçaneta, percebi que já estava destrancada. Engolindo o nó na minha garganta, girei o punho e abri a porta, já tendo certeza absoluta do que estava por vir. 

O terraço estava cheio. Haviam no mínimo umas sessenta pessoas, todas olhando para o céu como zumbis, a maioria com as mãos pingando sangue. 

Exceto por Mike, é claro, ele tinha uma cópia das chaves. 

Mike estava de pé no mesmo lugar do dia anterior, sua coluna tão reta quanto um poste, sua cabeça jogada desconfortavelmente para trás, apontando o queixo para o céu. Senti meu coração cair do peito junto com as lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Não podia ser verdade, não podia. 

Corri até ele e o sacudo pelos ombros, mas ele não se moveu um só centímetro. 

"Mikey, por favor, sai dessa, cara! Esse não é você!" Eu sacudi-o mais vigorosamente, tentando controlar os soluços de completo horror, "Vamos, Mikey, isso é uma loucura. Não podemos..."

Minha língua parou de funcionar quando olhei por cima do ombro de Mike. Todos os terraços que meus olhos podiam alcançar estavam como o nosso, amontoados de pessoas. Alguns ainda escalavam as paredes com suas mãos e pés sangrentos, enquanto outros milhares já olhavam para o céu infinito e suas nuvens. 

Os que ainda estavam sãos, ficavam vagando pelas ruas lá em baixo, tentando entender aquela histeria em massa. 

Peguei meu celular e digitei rapidamente o número de Romero, querendo entender o que acontecia. 

Infelizmente, obtive resposta. 

O telefone tocava audivelmente atrás de mim, virei em meus calcanhares e vi Romero na multidão, seus enormes olhos olhando um ponto invisível no céu - suas mãos magras banhadas em vermelho. 

"O Reino dos Céus," disse em um tom totalmente neutro, "Está a poucos minutos daqui."

A altitude estava me estrangulando. Gritei com todos meus pulmões, descendo as escadas e socando os botões do elevador. Eu não ligava mais, tudo que eu me importava é de manter uma distância daquela loucura que havia afetado Mikey, Romero e todos os outros. 

Eu não me senti seguro até que meus pés beijaram o asfalto. Grupos de pessoas se aglomeravam nas ruas, pulsando com um medo absurdo. A maioria dos arranha-céus estavam lotados dos maníacos do Reino do Céu. Dava para ver que estava tão lotado que as pessoas quase caiam pelas beiradas. 

Mas antes que eu pudesse pensar em qualquer coisa, o tempo pareceu escurecer, como um eclipse solar instantâneo. Então, o som começou. 

Desafia qualquer descrição, era como se alguém pegasse uma furadeira e enfiasse no seu tímpano que acabara de ser lavado com ácido. Essas batidas ensurdecedoras que vinha de todos os lugares e de lugar nenhum ao mesmo tempo, tão poderoso que fez que todos caíssem de joelhos. Nossos olhos estão fixos no chão, tampando os ouvidos em completa agonia, sem entender que porra estava acontecendo em cima de nós. 

A única coisa que soava mais alta do que aquele som esquecido por Deus, eram os gritos. 

Eu acho que o que aconteceu foi que o "Reino dos Céus" sumiu depois de 60 segundos que chegou. A escuridão sumiu e o som cessou, nos deixando com uma luz brilhante e um silêncio perfeito. Mas o mais impressionante é que todas as pessoas dos terraços haviam sumido. 

Corri de volta para dentro do Marriott, pegando o elevador e indo para o último andar, depois voando pelas escadas. Foi uma velocidade impressionante para um homem de meia-idade como eu. Eu só precisava saber se Mikey e Romero e todos outros estavam bem. Eu preferia-os loucos do que mortos. 

Quando abri a porta do terraço, não sabia o que esperar. Não havia ninguém, nenhum corpo, nem partes de corpos. Apenas uma poça de um centímetro de sangue que cobria todo o chão de cimento.  

Fiquei em completo estado de choque, sem conseguir reagir, sem saber o que pensar. Meus olhos vagavam por toda a extensão do terraço, todo escarlate. Todos haviam sumido: Mikey, Romero, o senhor e todos os outros. Todos sumiram, nada além de sangue e a memória de seus gritos finais.  

Até hoje não sei bem o que aconteceu. Não sei porque afetou as pessoas que afeitou, porque fez com que escalassem prédios e esperassem, e muito menos o que diabos é o "Reino dos Céus". É apenas um mistério muito doloroso - e eu nem sei se quero realmente saber as verdades.  

Mas tenho certeza de duas coisas. Primeiro, aquilo era tudo, menos o Céu - pelo menos não o que conhecemos. 


Segunda? Quando o Reino dos Céus chegar até você, se quiser viver, olhe para baixo. 
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¹ O autor está se referindo ao subfórum do reddit chamado /nosleep, onde pode-se encontrar milhares de contos macabros e sobrenaturais ditos reais.


Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!



16 comentários:

  1. Divina,estou traduzindo a parte 5 dá série, se você quiser eu posso passar a tradução pelo teu email e você posta, que tal?

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  2. Ah não, espero que consiga arrumar seu pc logo Divina, uma pena que tenha acontecido isso. E essa creepy mds, muito boa! Mais uma vez obrigado por trazê-la para nós, houve alguns erros de ortografia mas nada que comprometesse o entendimento do texto, parabéns!!

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  3. Melhor creepy que eu leio em muito tempo!

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