05/04/2017

Você bebeu Red Bull nos últimos meses?


Se você bebeu Red Bull de setembro para cá, espero com todo meu coração que você esteja se sentindo bem. Mas temo por você.

Não vou escrever meu nome, pelo medo do que fariam comigo se descobrissem que estou escrevendo isso. Vou me chamar de Zed. Eu trabalhei por mais de sete anos em uma das fábricas de produção de Red Bull na Áustria. Era um bom emprego. Eu conseguia sustentar bem minha esposa e filhos. A maioria das pessoas que trabalhavam lá eram austríacos nativos, mas eu sou de um país ocidental (novamente, não vou identificar muito mais além). Fui para a Áustria a turismo quando era novo, conheci minha esposa, e nunca mais fui embora.

Não era o que minha família queria para mim, e provavelmente esse é o motivo para falarmos tão pouco. Mas eu tinha largado da escola e estava procurando meu caminho. Eu vaguei pela Europa por dois anos, dormindo em sofás aleatórios e passando algumas noites ocasionais em bancos de praças. Me acostumei em trabalhar em empregos bizarros para gastar tudo em cerveja. Mas quando conheci minha esposa, senti algo mudando dentro de mim. Eu arranjaria um emprego fixo e me tornaria um homem. Um bom homem.

Parcialmente, é por isso que escrevo isso. Se fosse os tempos antigos, eu deixaria essa informação sucumbir no esquecimento. Não me afetou, então porque ligar? Mas sou uma nova pessoa agora. O que eu sei pode impactar a vida de milhões. Não tenho escolha se não compartilhar.

Nossa fábrica é um pouco diferente porque, além de produzir o líquido do Red Bull, também produz a embalagem. Provavelmente é para não gastar tanto em transportação. Eu trabalhava na parte de engarrafamento. Não era nada muito excitante. Eu ficava sentada ao lado de uma esteira, as latas iam passando, o liquido era derramado dentro delas, e depois a tampa era colocada. Meu trabalho, basicamente, era observar todo esse processo e cuidar para nada dar errado. E nada deu errado por sete anos. Claro, tivemos alguns empilhamentos e alguns derramamentos, mas nada fora do normal. Mas o que aconteceu em setembro foi bem pior.

No primeiro dia que aconteceu, era um dia normal. Lembro de fazer panquecas para as crianças e minha esposa sonolenta me dando um beijo de despedida enquanto eu saia para o trabalho. Todos estavam cansados, como sempre. Fui para o meu lugar, esperando todo o processo começar.

Stefan, meu colega de trabalho, estava estranhamente falante. Geralmente ele era um homem bastante calado com uma vida bem particular. Ele se inclinou para mim e falou baixinho como uma criança. "Sem touros (N.T: Touro é "Bull" em inglês)" disse. "Dessa vez, porcos." Ele falou em alemão, obviamente, mas estou traduzindo para vocês.

"Uh?"

"Estamos sem touros para a produção. A urina, quero dizer. Estão usando porcos." Ele tamborilou os dedos no metal da esteira.

"Não faço ideia sobre o que você está falando."

Ele revirou os olhos. "Urina. Para o produto."

"Isso é um mito," falei rindo.

"Não, é verdade. Eles não usam tanto quando usavam no começo, é muito caro, mas ainda tem certas quantidades. Até a última gota amarela. Mas esses touros que estavam usando não foi o suficiente, então estão misturando com outra coisa. Por isso que compraram os porcos." Ele olhou em volta e sussurrou, "ouvi dizer que tem algo errado com eles."

A esteira começou a funcionar e Stefan foi para o seu posto. Dei de ombros. Passei o dia fazendo a mesma coisa de sempre, observando as latas e apertando meu botão. Na hora do intervalo, fomos todos para a sala de recreação. Julia, como sempre, tinha uma lata de Red Bull consigo. Ela não só trabalhava ali, como também era viciada naquilo. Abriu a lata e suspirou. "Novinho, de hoje." Falou avidamente, dando um gole.

Por sorte, eu nunca tomei aquilo. O gosto estranho que ficava na boca depois era horrível para mim.

Stefan estava contando histórias novamente. "Esse lote estará indo para as Américas logo, logo. Não faço ideia o que acontecerá quando chegar até eles. Sem touros, sabe. Só porcos." Ninguém estava o levando a sério.

Duas semanas depois, Stefan parou de aparecer no trabalho. Não houve uma explicação, nada. Um colega que morava perto de sua casa foi checá-lo, mas ninguém atendeu.

Era quinta-feira, acho, quando Julia teve uma convulsão. Bem, pelo menos achei que era isso. Foram quatro semanas depois de Stefan desaparecer. Ela caiu no chão e se contorceu como uma louca. Ninguém de nós sabia como lidar com uma convulsão. Ela gritava, "Estão em meus olhos! Estão no meu cérebro!" Alguém teve a ideia de colocar uma carteira em sua boca. Me ajoelhei ao seu lado, tentando segurar sua cabeça. Foi aí que notei uma estranheza. Haviam três pequenos risquinhos contorcidos em seu olho esquerdo. Eles estavam nadando para cima.

Antes que eu pudesse descobrir o que estava acontecendo, um supervisou instruiu que dois homens a levassem. Falou que Julia tinha um histórico de convulsões. Era normal, nada a temer.

Nunca mais vimos Julia.

Sonhei com as coisas em seu olho. Eu estava na sala de recreação, mas a parede tinha sido substituída por um globo ocular gigante. Uma linha curva começou a rastejar pelo olho, criando buraquinhos enquanto subia. Então mais dois o seguiram. As linhas começaram a ficar mais focadas. Pareciam cobras brancas, exceto por linhas vermelhas pelo corpo. Uma delas colocou a cabeça contra a parede da córnea, olhando para mim com seu rosto sem expressão. Não tinha boca, mas juro que sorria.

Acordei suado, respirando pesadamente. Ainda podia ouvir os gritos de Julia, até acordado. "Estão no meu cérebro!"

Lá no trabalho, outros funcionários começaram a ficar mal. Começou com dores de cabeça. Alguém descreveu como uma dor leve, depois incomoda e finalmente como uma dor de enlouquecer o cérebro. Depois das dores de cabeça, vieram os problemas de visão. Pequenas linhas passavam pelo campo de visão. E, finalmente, depois de alguns dias, ataques completos. Todos gritavam que havia algo em seus cérebros. Ninguém voltava para o trabalho depois de um desses surtos.

A fábrica começou a ficar sombria. Todos estavam nervosos de ir trabalhar. Ninguém sabia quem seria o próximo a cair ou o que aconteceria. Finalmente, os supervisores resolveram fazer uma reunião. Lembro de achar estranho que de toda nossa fábrica gigante, só estavam presentes 50% dos funcionários. Até o número de supervisores tinha diminuído.

O chefão da empresa foi para frente do microfone e falou. Sua voz era calma, porém ameaçadora. "Vocês devem ter ouvido boatos de algo contaminando nossos produtos. Isso não é verdade. Você não será infectado se beber Red Bull. Ninguém morreu. Toda fofoca sobre contaminações é mentira. Se vocês forem pegos disseminando essas mentiras, serão silenciados. Sem mais." Ele não deu espaço para perguntas, não que alguém tivesse coragem de fazer alguma. Esse foi o seu pequeno discurso.

Ninguém proferiu uma só palavra. Outro supervisor foi até o microfone. Sua voz era muito mais tímida que a anterior. "Não iremos mais permitir que funcionários peguem produtos das esteiras. Você pode comprar Red Bull fora daqui, mas não no trabalho. Isso é não-negociável." Ele se estremeceu de leve.

Depois de alguns minutos, nos dissipamos. Ninguém falou nada. Mas antes que eu pudesse sair, o chefão me chamou para um canto.

"Você é Zed, certo? Que veio do ******?" (Ocultei o nome do meu país).

"Sim, senhor." Respondi, mais que só um pouco nervoso.

"Você gostaria de ser um supervisor? Dobro de salário, menos trabalho." Fingiu um sorriso. "Precisamos de pessoas talentosas como você. E você tem um inglês perfeito. Seria ótimo para você."

"Não sei o que dizer," respondi, confuso.

Ele tirou uma folha de sua pasta. "Leia o que está escrito aqui. Se aceitar, te promovemos. Se não se sentir... confortável... então teremos outra conversa." Ele colocou em minhas mãos. "Agora vá para casa e pense nessa oportunidade, depois venha falar conosco amanhã."

Não fui completamente honesto com você que está lendo isto aqui. Mesmo que eu queira ocultar meu nome, não é por medo do que a empresa pode fazer comigo. É por causa do que irão fazer amanhã. Veja bem, o papel que me deram era uma descrição detalhada de como colocariam a culpa em mim de tudo que aconteceu. Eu deveria fingir que era um supervisor de alto-nível daquela fábrica. Teria de admitir que permiti o uso de ingredientes devidos nos Red Bulls que foram mandados para as Américas. Explicaria que a companhia não tinha conhecimento disso, que a culpa era toda minha.

Em troca, a companhia ia me pagar uma grana absurda, todo mês, pelo resto da minha vida.

Tinham me dado uma escolha, mas eu sabia que não era bem assim. Se eu dissesse não, no melhor dos casos eu perderia meu emprego. Na pior, acabaria como Stefan. Eu não podia fazer aquilo com minha esposa, com meus filhos. Eu queria ser um bom homem, mas eu os amava mais do que amava minha reputação.

Então, em breve, haverá uma conferência, e eu tomarei responsabilidade por algo que não tem nada a ver comigo. Meu nome será espalhado por todos os lugares. Será um constrangimento sem fim. Eu e minha família teremos que nos mudar, se esconder. Mas pelo menos estaremos a salvo. Eu espero.

Mas antes disso, quero que vocês saibam o que aconteceu com aqueles que beberam os produtos infectados. Preciso contar para alguém, especialmente para todos da America. Porque talvez aconteça com você.

O produto continha Tênias. Milhares delas. Elas devoram seu corpo como um lobo devora um cordeiro. Mas essas não são como as que você conhece. Não vivem em seu estômago. Elas viajam até seu cérebro. Como minúsculos predadores que se movem pelo seu corpo para devorar o interior do seu crânio. Com sorte, você viverá tempo suficiente para dizer para seus familiares que os ama. Se não, terá o mesmo destino que Julia. Se contorcendo no chão em agonia, assistindo-as nadando pelo seu olho.

Os produtos contaminados foram enviados entre setembro e dezembro. Começaram a recolher em breve, mas muitos de vocês já devem ter sido expostos aos vermes. Por favor, procure ajuda médica. Talvez um médico possa ainda salvar sua vida. Talvez eu possa salvar sua vida. Mas infelizmente nem todos terão acesso à essa nota.

Se você que está lendo isso, tomou Red Bull recentemente e sentir uma dorzinha de cabeça chegando, ou se consegue ver alguma coisa estranha em seu campo de visão, eu sinto muito. Para falar a verdade, você já está praticamente morto. 

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!


42 comentários:

  1. Nunca tomei, mas essa é a primeira Creepy que eu acho que até poderia ser uma verdade ou conter muita verdade em seu conteúdo.
    Divina, amei. ;)

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  2. Red Bull te dá Ascaris. Eu achava que um dos ingredientes era sêmen de touro.

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    1. O sêmen de touro custa, em média, cerca de 20 reais a dose, algo que sairia muito caro para a produção de bebidas em escala industrial. A sintética sai bem mais barato, seria burrice investir em sêmen de touro de vdd kkk

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    2. Eu sempre achei que continha urina de boi

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  3. Red Bull é uma coisa nojenta. Mas eu sempre achei q era energetico.

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    1. Pra mim , Fez Bull tem gosto ruim, prefiro MT mais tomar monster

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    2. Red Bull**** corretor lixo

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  4. Eu prefiro monster, red Bull tem um gosto ruim. Mas já tomei várias latas nesse período e não me aconteceu nada.

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  5. Ai gente, não posta essas coisas. Daqui a pouco vai parar nos grupos de whatsapp

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  6. Aiii divinaaaa \o/... Parabéns
    Que Creepy Fodáaaasticaaa.. 100/10.
    Confesso que até senti coceira nos olhos só de ler. Muito boa ✔.
    E ahm, hoje é 4f cadê o novo episódio?

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  7. Mas as Tênias que vao para o cerebro nao nadam pelo seu olho. Elas so devoram se alojam no seu cerebro e causam uma inflamacao fudida, no maximo.

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  8. Ou a coca-cola também tem um esquema desses hein.... Cuidado gente

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    1. Na coca, reza a lenda tem até feto diluído kkkk altos pactos com o coisa ruim etc etc etc

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  9. Divina como sempre trazendo uma creepy que faz jus a seu nome, ótimo trabalho em traze-la para nós, leitores insaciáveis de creepys. o/

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  10. Alguém acha a creepy da coca-cola pra nós... Vou procurar também acho que era do instinto Medob

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  11. Este comentário foi removido pelo autor.

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  12. Red Bull te dá cisticercose!

    Adoro essas creepys que envolvem fatores biológicos.

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  13. 🎶Redibull te da Asaas🎶
    Asas para voar direto para o Inferno

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  14. essas creeps que revelam a maldade e a ganancia do ser humano são tudo de bom.
    até queria tomar red bull mas 9 conto e facada. kk

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  15. "Por sorte, eu nunca tomei aquilo. O gosto estranho que ficava na boca depois era horrível para mim"
    q?

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  16. O que houve com os blogs de creepy?A maioria morreu tudo, creepyworld, predominio do terror, crepepastas...
    Só sobrou o creepydark e o cpbr...

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    1. Todos agiam gratuitamente. E muitas pessoas nao conseguem trabalhar de graca em uma coisa por muito tempo. É desgastante

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    2. triste que o leon fechou o predominio, só entra com convite ;-;
      porra leon...

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    3. Tem um tem o ler pode ser assinados

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  17. Cara, obviamente eu não tô com medo de tomar Red Bull (até porque detesto energético), mas essa foi uma das creepys mais legais que já li com essa proposta de "marca famosa+contaminação". É um texto realmente bem escrito, ele leva o mistério de uma forma bem agradável de ler, que te instiga. Ele cessa as dúvidas rápido até, mas deu vontade de ler até o final de tão bem escrito que é o texto.
    Muito bom!

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  18. Nunca tomei, mas me agoniei lendo a creepy. Tão bem escrita, desenvolvida, que tradução! Não tem como te agradecer divina, teu trabalho eh impecável.

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  19. Qual o motivo do re-post? Já vi essa creepypasta aqui no site.

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  20. Quando falou dos porcos e de coisinhas nos olhos já imaginei isso. Lombriga no olho é foda

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  21. a contaminação vem pela ingestão de carne de porco mal passada :v
    n tem nada a ver com urina :v
    crappypasta

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  22. Velho... Fiquei imaginando os parasitas nos olhos, que medo ;--;

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  23. Carai borracha to meio cabreiro com isso pois todo dia eu tomo de 5 a 9 latas ;-;

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  24. Este comentário foi removido pelo autor.

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  25. Não quer se identificar, mas dizer que é a pessoa que vai levar toda a culpa pela empresa tá ok, ninguém nem vai suspeitar de quem era.

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