13/05/2017

É por isso que você nunca devia trair sua esposa.

Eu traí Daisy, minha esposa há 12 anos.

Eu sei, sou uma péssima pessoa. Sou um traidor e mentiroso. Eu não mereço a família que tenho. Eu me odeio. 

A mulher com quem eu dormi se chamava Angela. Ela me contratou para eu ser seu corretor de imóveis. Achei estranho que uma mulher solteira estava procurando por uma casa com quatro quartos, mas ela tinha grana para isso. Mostrei diversas casas para ela. Todas em boas vizinhanças. 

Mas por algum motivo, Angela estava mais interessada em flertar comigo do que olhar as propriedades. 

Isso parecia muito estranho para mim. Nunca fui alguém que valha muito apena de se olhar. Tenho mais ou menos 130 kg (puxando para o menos). Meu cabelo está começando a ficar ralo e tenho espinhas desde criança. Até minha esposa tem dificuldade de me olhar no rosto. Mas Angela estava totalmente na minha. Ela fazia contato físico, elogiava minhas roupas, e até insinuou que estava a procura de alguém. 

Era difícil resisti-la. Tinha um sorriso sensacional e pernas longas. Sempre usava umas saias curtas que abraçavam muito bem sua bunda. Mas eu nunca cheguei nela. Juro. Claro, flertava de volta, mas é assim que se vende casas. Você tem que ter um certo charme. Ela caiu como um patinho nisso. Mas eu iria mentir se dissesse que não me sentia atraído por ela. Claro que eu me sentia. Mas não tinha intenção nenhuma de fazer qualquer coisa que fosse. 

Mas então mostrei para ela a propriedade Kellerson. Era uma casa maravilhosa perto de um parque. Os Kellerson tinham se mudado a poucas semanas, então eramos os únicos lá. Era noite. As estrelas estavam no céu e ela usava um vestidinho vermelho. Dava risadinhas enquanto andávamos de quarto em quarto. Sua mão estava em meu braço. Finalmente, ela tirou uma garrafa pequena de vinho de dentro da bolsa. "Acho que é essa," disse, em um tom cantado. 

Bebemos juntos para comemorar. Antes que eu percebesse, seus lábios estavam nos meus. Acho que tentei dizer que era casado, mas ela não ligou. E honestamente, nem eu. O corpo dela era sensacional contra o meu. Eu não fazia amor com Daisy a mais de um ano. Eu sei que era errado, mas cedi. Me sentia intoxicado. As memórias do meu casamento se dissiparam. 

Acordei no chão da casa. Angela tinha sumido. Meu corpo doía e tinha pequenas marcas de amor. O sexo deve ter sido mais selvagem do que eu me lembrava. Me sentia constrangido. Falei para Daisy que tinha tido problemas com o carro e que meu celular tinha morrido, e que por isso não ligara. Ela acreditou. Na verdade, eu sentia que Daisy não se importava mais com o que eu fazia ou deixava de fazer. Não estávamos muito bem fazia um tempo. 

A culpa me corroía. Toda vez que eu olhava para minha esposa ou filhos, revivia o meu erro. Eu nunca mais liguei para Angela para agendar uma nova visita e ela também não me ligou. Eu só podia sofrer calado. Daisy não precisava saber de nada e seguiríamos com nossas vidas. 

Mas duas semanas depois fiquei doente. Violentamente doente. Como se fosse a pior gripe que já tivera na vida. Achei que fosse a culpa se manifestando, mas depois de passar o dia inteiro no banheiro, percebi que era mais do que isso. Marquei uma consulta com minha médica. Ela me passou uma lista das coisas que poderiam ser. Então me perguntou: 

"Você teve novas parceiras ou fez sexo desprotegido recentemente?"

Meu coração parou. Essa era nossa médica da família. Na verdade Daisy que me levou até ela pela primeira vez. 

"Porque a pergunta?" Arrisquei. 

"Os sintomas condizem com os da Síndrome Retroviral Aguda."

"É um tipo de DST?"

Ela franziu o cenho. "Não, é um dos primeiros sintomas do HIV."

Comecei a suar feito um porco. O pânico se instalou. Hesitantemente expliquei que óbvio que não tinha outras parceiras fora do casamento. Ela me prescreveu alguns antibióticos. Antes que eu pudesse sair dali, ela segurou meu braço e disse, "Tem uma clínica anônima para tratamento de HIV no primeiro andar. Você recebe os resultados em vinte minutos." Ela me soltou e eu sai. 

Foi lá que eu descobri. Naquela pequena clínica de merda. Estava cercado de usuários de drogas e moradores de rua. O cara que fez meu teste não era mais que uma criança. Me assegurou que a maioria dos testes dava negativo. E mesmo que fosse positivo, poderia ser um falso positivo. 

Para todos os outros, os testes iam sendo entregues na sala de espera. Negativo, negativo, negativo. Mas no meu caso, pediram que eu voltasse para a salinha. Comecei a chorar. Eu soube naquele momento. Aquele erro tinha sido muito maior do que eu podia imaginar. 

Não era um falso positivo. O exame de sangue me confirmou isso algumas semanas depois. Eu era HIV positivo. 100%. Era nesse momento que eu tinha que contar a verdade para Daisy. Eu não estava mais simplesmente a traindo - eu podia colocar a vida dela e dos meus filhos em perigo. Mesmo que toda minha vida estivesse se despedaçando, tinha que parar de ser um covarde. Pois, na verdade, tinha sido um covarde minha vida toda. 

Larguei meus filhos na casa da minha mãe para passarem a noite. Cheguei em casa e Daisy estava sentada no sofá, lendo. Ela parecia até angelical sob a lu do abajur. 

Pigarreei. "Querida, temos que conversar."

"Hm?" Ela nem se quer olhou na minha direção. 

"Eu... tem uma coisa que preciso te contar." Ao invés de prestar atenção em mim, pegou seu telefone e começou a mexer nele. Eu suspirei, frustrado. "Daisy, isso é sério."

Ela lentamente guardou o celular. Seus olhos penetraram em mim. “Está bem. Fale."

Daisy costumava ser uma mulher amável. Mas com o passar dos anos ela ficou cada vez mais amarga. Ela ama muito nossos filhos, mas esse amor não se estende a mim. Sou um estranho no ninho. Até sua aparência mudou drasticamente.  Ela não raspava mais as pernas. As coisas que costumava fazer por mim foram esquecidas. Nós brigávamos muito por ela me afastar. Mas um dia, simplesmente, parou de brigar comigo e nem nos falávamos muito. 

Mas nessa noite esse não era o ponto.

Coloquei uma cadeira de frente para ela. Eu não conseguia parar de chorar. Ela me olhou sem nem um resquício de simpatia. Limpei minhas lágrimas e tentei falar. "Mais ou menos um mês atrás... cometi um erro. Daisy, eu sinto muito. Eu não queria que isso tivesse acontecido. Eu sinto muito."

Ela me olhava sem piscar. "O que você fez?"

"Eu..." As palavras estavam pressas na minha garganta. O jeito dela não demonstrar nenhuma emoção só tornava tudo pior. "Eu dormi com outra mulher." 

Ela estava impassível. Ali estava eu, chorando, no meu mais vulnerável ser, e ela era um robô. Sua voz demonstrou claramente que não estava nem aí. "E?"

Eu engasguei. "Como assim 'e'? Porra, acabei de te falar que te traí!" 

Pude jurar que ela havia sorrido por um segundo. Falou "Tem mais alguma coisa que queira me dizer?" 

Essa não era minha esposa. Era um monstro insensível que gostava de me ver sofrer. "Bem, sim. Tem outra coisa. Algo ainda pior. Me desculpe."

"Fale," sussurrou. 

Eu balancei as mãos, "O que está acontecendo aqui, Daisy?"

Ela se levantou, com raiva. "Fale!" Sua voz ecoou pela sala. Me senti aliviado. Pelo menos ela estava demonstrando algum tipo de sentimento. 

"Eu..."

A campainha tocou. Um sorriso largo pousou em seu rosto. Me levantei para ver quem era, mas ela chegou lá antes de mim. Animada, abriu a porta para dar boas-vindas ao nosso visitante. Era Angela. Eu dei alguns passos para trás. "Mas o que diabos está acontecendo aqui?"

"Não está feliz em me ver?" Angela provocou. 

"Você... você sabia?" Minha garganta estava trancada. Arrepios percorriam meu corpo. 

Daisy se apoiou no ombro de Angela. "Você sempre foi um homem muito idiota." Sua mão encontrou a de Angela e seus dedos se entrelaçaram. "Muito, muito idiota."

"Não estou entendendo..."

"Claro que não." Ela cuspiu na minha direção. "Estou casada com você fazem 12 malditos anos. Tive que fingir que gostava do seu corpo nojento em cima de mim. Que mulher quer um homem ridículo e gordo que fede a peido e cerveja?" Ela andou em minha direção. "Achei que tinha que casar com você. Mas os desejos de meus pais estavam errados. Que eu nunca poderia amar quem eu realmente queria. Mas então conheci Kara." 

"Quem é Kara?"

"Você realmente acha que eu iria dar meu nome verdadeiro?" Angela deu um passo em minha direção. "Meu nome não é Angela. E eu nunca tive interesse em você. E como você pode achar que alguém como eu daria bola para um cara como você?" 

Eu respirava pesadamente. "Mas você transou comigo!"

Ela riu cruelmente. "Claro que não! Eu te droguei e você inventou uma história na sua cabeça."

"Mas você me passou HIV!"

"Essa é verdade." Ela acariciou os cabelos de Dasiy. 

Daisy riu de um jeito que eu nunca vira antes. "Para ser honesta, eu queria te matar. Mas Kara me convenceu que daria muita sujeira, e os policiais culparia a esposa. Um divórcio te daria custódia parcial das crianças, e eu não queria isso. Eu tinha que achar um jeito de cortar você das nossas vidas por completo."

Kara segurou Daisy pelo queixo e a beijo. Achei que ia desmaiar. Ela olhou para mim. "Eu injetei em você HIV o suficiente para contaminar duas vezes. E é da boa - resistente ao tratamento." A risada dela foi a coisa mais cruel que já ouvi na vida. 

Daisy a acompanhou. "Para quem você acha que o juiz dará a custódia das crianças? A pobre esposa que foi traída ou o marido safado que contraiu HIV? Acho que todos concordarão que eles estarão melhores comigo."

"Mas eu vou contar o que você fez!" Minha voz era um chiado patético. 

"Ninguém vai acreditar em você." Seu rosto se contorceu de alegria. "Apenas admita. Não tem nada que possa fazer sobre isso. Agora irá morrer sozinho e doente."

Eu caí de joelhos. "O que eu fiz para merecer isso, Daisy?"

Daisy e Kara me olharam de cima. Daisy deu um peteleco na minha testa com sua unha. 


"Foi você que decidiu me trair." 

FONTE

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!


29 comentários:

  1. Esse foi muito bom!
    Obrigado pela tradução :)

    ResponderExcluir
  2. Muito boa!! Que bom que voltou, Divina!

    ResponderExcluir
  3. Olá, estou com a idéia de criar um livro sobre creepypastas no wattpad e gostaria de saber se posso colocar as histórias do site nela. Quero a permissão dos colaboradores :) desde já agradeço

    ResponderExcluir
  4. Foi ele que escolheu trair, mas ela que escolheu ficar "amarga".

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Este comentário foi removido pelo autor.

      Excluir
  5. Pode virar uma novela essa creepy

    ResponderExcluir
  6. resumindo: não se case e não tenha filhos ADOREEI mas podia terminar com ele matando as duas heheuu

    ResponderExcluir
  7. trair é feio mas
    depositar HIV no outro é mais feio ainda

    ResponderExcluir
  8. Gente cadê a divina, vai pra um mes q ela n posta as partes da creepy q eu tava acompanhando! Ta tudo bem com ela?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Parece q o pc q ela usava estragou

      Excluir
    2. Mano, foi ela que postou essa creepy kskksksjsk

      Excluir
  9. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  10. Divinaaa saudades❤ espero q tudo se ajeite pq quero creepys '-' kkkk

    ResponderExcluir
  11. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  12. Gordo e cabelo ralo... homer simpson é você?

    ResponderExcluir
  13. Deu uma aflição aqui,como punição pelo oque ela fez eu matava os filhos mesmo que fosse preso ela não teria oque gostaria

    ResponderExcluir
  14. Aí ele deu uma barrigada nas duas e elas morreram, fim.

    ResponderExcluir