17/05/2017

No Drive-Thru do Starbucks

NOTA DA DIVINA: Semana que vem tem a volta da série 
"Minha família vem sendo perseguida há 4 anos" PARTE 5! 

Sou de uma cidade pequena. PEQUENA mesmo. Nada de mais acontece lá a não ser o dia do " leve ser trator para o trabalho". Eu estava no Terceirão do ensino médio em uma turma de 42 pessoas. Todos nós conhecemos desde que estávamos usando fraldas. Posso te falar o primeiro, último e até o nome do meio de todos meus colegas.

A coisa mais empolgante que aconteceu na nossa cidade foi a inauguração de um Starbucks. O único motivo para construírem a loja aqui é que passa uma rodovia no meio da nossa cidade, então as pessoas que passassem de carro por ali compensam o número pequeno de moradores. Não preciso nem dizer o quanto ficamos animados. Era uma cafeteria com não muito dentro, mas pelo menos havia um Drive-Thru.

O prédio ficava junto de um conjunto comercial, então tinha um pequeno estacionamento. Mas o drive-thru ficava colado a uma parede de tijolos. Uma vez que você entrava ali, não tinha como dar ré. Isso era irritante principalmente quando a pessoa da sua frente fazia um pedido gigantesco, pois não tinha como desistir se outro carro já estivesse atrás de você. Cabiam na fila cerca de seis carros apertadinhos. E sempre estava cheio.

Bem, já digo que o Starbucks não durou muito. Depois de oito meses aberto, foi fechado.

E eu tive a oportunidade de ver o porquê.

Aconteceu durante as férias de primavera. Minha mãe e eu estávamos no conjunto comercial, que ficava a quase uma hora de onde morávamos. Estava calor. Fui eu que sugeri que passássemos no Starbucks antes de voltarmos para casa. Minha mãe não queria, disse que era desperdício de dinheiro. Mas eu enchi o saco até ela ceder.

Nós fomos para o drive-thru e tinham quatro carros na nossa frente. Minha mãe suspirou, mas entramos na fila. Mais três carros estacionaram atrás de nós. Estávamos todos preses como ervilhas em uma vagem, suando pelo calor do dia.

"Quero algo gelado," resmunguei para minha mãe.

Ela revirou os olhos. "Morango com creme?"

"Sim, por favor!" Peguei meu celular do bolso e tirei algumas fotos para o snapchat. 'Tomando café gelado com a mamãe!' Escrevi em uma foto nossa. Minha mãe deu risada.

De repente ouvimos um estalido alto. Olhamos uma para a outra, surpresas. "Parece um tiro," falei em tom baixo.

"Não pode ser," respondeu, sacudindo os ombros. "Deve ter sido barulho de alguma moto."

Ficamos sentadas em silêncio por alguns momentos. Acho que ambas sentimos uma mudança nos ares.

Então ouvimos o grito. Era de homem. Instintivamente, coloquei minha cabeça para fora da janela para ver o que estava acontecendo. Por conta de estarmos tão espremidas contra a parede, não tinha como abrir as portas do carro. Mas eu sou pequena, então consegui tirar metade do meu corpo para fora e ver o que estava acontecendo.

Havia uma pessoa de pé no capô de um carro. Estava a uns quatro carros na nossa frente. Ele estava usando uma máscara de gorila. Tinha uma arma na mão. Ele apontava-a para o para-brisas. Alguém dentro do carro estava gritando, implorando por ajuda. Minha mãe me puxou para dentro do carro antes de eu ouvir o estouro que preenchera o silêncio. O para-brisas estourou e deixou todos nós cobertos de medo.

"Temos que sair daqui” minha mãe falou em um sussurro. Ela olhou em volta loucamente, sabendo que estávamos bloqueadas. Os carros de trás não estavam se mexendo e, obviamente, os da frente também não.

"Mas que porra," eu resmunguei.

"Vai ficar tudo bem," Minha mãe colocou o carro em marcha ré e pisou no pedal. Não estávamos nos mexendo, não tinha espaço suficiente. Ela bateu no carro de trás, que não se moveu, depois fez a mesma coisa com o carro da frente. O pânico só crescia. Podíamos ver as pessoas nos outros carros também apavorados, a mulher no banco carona da frente batia a porta freneticamente contra a parede de tijolos, conseguiu ficar metade do corpo para fora, mas depois ficou emperrada.

O cara com a máscara calmamente escalou por cima do carro que havia acabado de atirar e ia para o seguinte. Eu observei em absoluto terror enquanto ele batia contra o para-brisas deles. Havia um casal lá, e eu podia ver que estavam abraçados um no outro por suas vidas.

"Abaixe o vidro," o homem de máscara falou alto.

Poucos segundos se passaram. As pessoas do carro estavam gritando. Minha mãe e eu ficamos quietas

"Abaixe o vidro AGORA!"

O vidro do motorista abaixou lentamente. Podíamos ouvir a voz do homem lá dentro. "Por favor, temos crianças no carro. Não nos machuque. Somos boas pessoas, por favor!"

O homem se inclinou em direção da janela e atirou no casal duas vezes. Sangue se espalhou pela parte interna dos vidros. As janelas estavam pintadas de vermelho. Agora podíamos ouvir os gritos das crianças. Minha mãe segurou minha mão. Ela engoliu a seco.

"Se abaixe," ela disse.

"Que?" Eu mal conseguia entender o que estava acontecendo.

"Se abaixe o máximo que puder. Talvez ele não te veja."

"Mas mãe-"

Minha frase foi interrompida por vários tiros. Os gritos das crianças foram calados.

Sem mais nenhum pio, eu me dobrei no espaço debaixo do porta-luvas. Fiquei o mais encolhida o possível. Minha mãe colocou a bolsa por cima de mim, conseguindo me cobrir quase que por inteira. Ela respirava pesadamente.

A voz de uma mulher irradiava pelo Drive-Thru. "Por que você está fazendo isso?"

Imaginei que provavelmente era a mulher que estava tentando sair do carro. Ela tinha ficado presa entre a parede e o carro. Fechei meus olhos, tentando não imaginá-la presa ali, apenas esperando para levar um tiro. Até minha mãe virou o rosto quando o tiro foi dado. Sangue se espalhou por todos os lados.

Minha mãe se preparou ali, atrás do volante. Ela olhou para frente como se estivesse em um transe. Eu chorava silenciosamente. Pude sentir o homem pulando em nosso capô. Olhei em direção da minha mãe. Ela não olhou para mim.

A máscara de gorila estava aparecendo pela janela do motorista. A arma apontada na têmpora dela. Eu não podia ver o rosto dele, mas sabia que estava sorrindo.

Minha mãe, com um movimento muito rápido, pegou a arma. Quase bati a cabeça no porta-luvas de surpresa. O homem deve ter se surpreendido também, pois a arma saiu com bastante facilidade de sua mão. Ela apontou e apertou o gatilho. Atirou diversas vezes até que as balas acabaram. Havia sangue em seu rosto e em sua roupa. A máscara do homem estava cheia de furos. Ela continuava a apertar o gatilho mesmo quando não disparava mais.

Deixei um suspiro aliviado sair. Não conseguia acreditar que minha mãe acabara de fazer aquilo. Uma mãe, dona de casa de uma cidade pequena, acabara de matar um assassino.

Mas antes que eu pudesse sair de meu esconderijo, houve outro estouro. Vinha do lado do carona. Observei apavorada a cabeça de minha mãe explodindo. Ela caiu para frente do volante, cabeça na buzina.

Virei minha cabeça lentamente para o meu lado do carro, onde uma pessoa com máscara da Barbie olhando para baixo. Ela virou a cabeça para o lado, observando seu trabalho. Ela não deve ter me visto, pois desapareceu da minha vista. Senti o peso dela sair do nosso carro e ir para o outro. Eu não conseguia respirar.

Fiquei naquela posição por mais de uma hora. A polícia chegou depois de 20 minutos do primeiro tiro, mas eu não conseguia me mexer. Eles só me encontraram depois que cortaram o topo do carro com ferramentas para retirar o corpo da minha mãe. Quando a policial me viu, seu rosto se contorceu. Ela podia ver o medo que ficara marcado para sempre em mim.

Eu fui a sobrevivente do Drive-Thru. No total, trinta pessoas foram assassinadas, incluindo três crianças com menos de dez anos.

O homem com máscara de gorila foi posteriormente identificado com um eco terrorista radical. Eles planejaram aquele "evento" para protestar contra o impacto do Starbucks no meio ambiente. Apesar de suas intenções, nenhum funcionário ficou ferido. Só as pessoas que estavam na fila de carros.

Eles nunca encontraram a outra pessoa com a máscara da Barbie.

Minha mãe morreu bravamente e eu me agarro a essa ideia. Nunca em minha vida eu esperava que ela tiraria a arma da mão de um assassino louco. Ela fez aquilo por mim. Para me salvar.

Mas tem uma coisa que eu fico pensando todos os dias. Apesar de suas ações terríveis, todas as mortes e as vidas destruídas que aqueles assassinos causaram, o "evento" acabou funcionando. Pelo menos para mim. Eu sei que nunca mais em minha vida tomarei algo do Starbucks. 

FONTE

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!


22 comentários:

  1. Ah naaaaaaaaao. Eu nao queria que a mae dela morresse T_T

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  2. me deixou muito tensa. que creepy maravilhosa!

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  3. Sem comentários!!! Boa, porém triste.

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  4. Não tem o que falar bichooo simplesmente Divinaaaa ;D

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  5. Eu achei legal a mãe ter morrido, isso sim é uma creepypasta 10/10

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  6. O ponto alto da história foi criar essa situação extremamente limitada para as pessoas, na fila do Drive-Thru. A fluidez e a simplicidade do texto são coadjuvantes. Isso foi realmente muito simples, muito direito, mas muito bom!

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    1. Leon! Você voltou!
      Eu lia o blog anos atrás e via seus comentários

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  7. Uma das melhores que já li por aqui <3

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  8. Divina,tu arrasa demais.Sempre fico esperando tuas traduções...aí vezes até entro no Reddit,mas acabo sempre escolhendo as piores histórias pra ler.Tu tem o "feeling".kkkkkkkkkkkkk.. Abraço!Hanna.

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  9. Divina, tentei entrar em contato com você e não consegui pelo seu e-mail, preciso falar com você, tem outros meios :/

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  10. Ai divina linda deusa perfeitaa ainda bem q c vai voltar com a série ❤ te amooo

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  11. minha nossa muito boa.
    mas triste, histórias assim são tipo um manual de sobrevivência eu acho, o ser humano e uma criatura confusa e sem sentido.

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