31/05/2017

Nunca mais procuro emprego nos classificados

Antes do conto, gostaria de saber se vocês estão afim de uma série nova ou apenas contos por um tempo? Comenta aí!
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Então... nos últimos sete meses eu tenho trabalhado para alguém que encontrei nos classificados. Bem, explicarei tudo. Aqui parece um lugar apropriado para contar essa história.

Eu estava vasculhando na internet por um bico, não ligava o que fosse. Então em um site de classificados encontrei algo. Tinha acabado de dar F5 na página e lá estava. Uma pessoa procurava alguém para ir até sua casa e alimentar seus bichos de estimação. Presumi que estava indo viajar ou algo do tipo. Então entrei em contato e deixei meu número no e-mail. Recebi uma resposta imediata por telefonema.

Quem ligou era um homem, que me explicou que estava se mudando da cidade, e que seus pais tinham gatos que precisavam ser alimentados diariamente. Dei a ele meu nome, para que pudesse dar uma investigada nas minhas experiências anteriores ou algo do tipo e, vinte minutos depois, me contratou.

Na manhã seguinte fui até lá para receber as instruções sobre o trabalho e tudo mais, e conheci o homem com quem falara no telefone. Seu nome era Ben. Ben me explicou que não teria mais como cuidar dos gatos dos pais, e que seus pais tinham que se focar neles mesmo, então eu estava sendo contratado para cuidar disso. 

O dinheiro seria deixado na mesa da cozinha no final de toda semana, duzentos dólares por semana (só para alimentar uns gatos, eu sei, né?). Além do mais, dariam mais dinheiro para comprar a ração se fosse preciso. Então ele me falou a primeira coisa que achei estranho. Eu tinha que chegar pontualmente todos os dias as 10:00 da manhã e sair as 10:10. E eu não podia nunca, em nenhuma circunstância, interagir com seus pais. Disse que quando eu estivesse na casa deles, os dois estariam em suas poltronas na sala de estar assistindo televisão, e que eu não podia perturbá-los, nunca. 

Me perguntou se isso seria algum problema para mim, o qual assegurei que não. Então me mostrou o local onde os gatos comiam (era quatro gatos) e onde a ração ficava guardada. Mesmo não sendo rude, foi bem severo quando me pediu para não explorar o restante da casa, e assegurei novamente que isso não seria um problema. Me guiou até a rua e mostrou onde ficavam as chaves extras caso eu encontrasse a porta trancada algum dia, mas falou que era improvável que isso acontecesse. E com isso, disse que queria confiar em mim, apertamos as mãos e me falou novamente para estar lá todos os dias as dez da manhã a partir do dia seguinte. Se algum dia eu não pudesse ir, podia ligar e deixar uma mensagem no telefone residencial deles, o qual me passou o número. Assenti com a cabeça e voltei para casa. 

O dia seguinte chegou, e entrei na casa as dez em ponto. Entrei na casa e à minha direita estavam os pais de bem, sentados em suas poltronas reclináveis de costas para mim, assistindo algum tipo de programa de competição. Anunciei minha presença, à qual ignoraram, e fui para a cozinha. Coloquei a ração nos potes dos gatos e sai. Esse exato cenário se repetiu inúmeras vezes pelos meses seguintes. Dez da manhã, um "olá" sem resposta, alimentar os gatos, sair.  Nas sextas-feiras, eu pegava o bolinho de notas de vinte dólares em cima da mesa da cozinha. Era o trabalho mais fácil da minha vida. 

E então o inevitável aconteceu: em um dia, me atrasei. Cheguei na casa as 10:08. Entrei e pedi desculpas pelo atraso, o qual não obtive respostas; apenas continuaram sentados assistindo à televisão. Fui para a cozinha e coloquei a comida para os gatos. Olhei no meu celular e vi que eram 10:11. Fui pelo corredor em direção da porta. Quando cheguei na sala, dei um pulo e quase gritei de susto. Os pais de Ben estavam de pé no escuro atrás de suas cadeiras, completamente parados, olhando diretamente para mim. 

Pedi desculpas por ter me atrasado e dei o fora. Mesmo assustado, voltei no outro dia no horário certo e tudo foi normal. Mais alguns meses se passaram sem nada estranho acontecer, mas então último dia que estive lá chegou. Chegue às 10:03, mas não me preocupei porque sabia que podia sair de lá até as 10:10. O problema foi que, enquanto estava na cozinha, ouvi alguém sussurrando as palavras "Me ajude". Me deixou apavorado, dei um pulo no susto, olhando em volta para procurar de onde vinha aquela voz.

Não vi ninguém, mas ouvi de novo, e depois uma terceira vez. Comecei a olhar por ali, até perceber que estava ficando tarde. Olhei para meu celular e vi que eram 10:10. Meu coração despencou do peito quando olhei para o corredor e vi os pais de Ben pela primeira vez sob a luz. Eram absurdamente magros e pálidos, completamente desnutridos, eram basicamente esqueletos vivos. 

Pedi desculpas por ter demorado e disse que estava indo embora, mas eles ficaram ali parados, bloqueando a saída. Falei que usaria a porta de trás, que ficava na cozinha, mas quando fui abrir, estava trancada. Foi aí que comecei a entrar em pânico. Olhei para trás e vi que os dois estavas a meio metro da entrada da cozinha, e eu não tinha nenhum outro lugar para eu ir a não ser uma porta que presumi ser a dispensa. Eles tinham expressões nulas, e seus olhares eram como se a vida tivesse se extinguido dali a muitos anos. Em um último recurso, entrei pela porta que achei ser a dispensa, mas havia uma escada que levava ao porão, que claro, não tinha iluminação. 

Assim que abri a porta, um cheiro horrendo substituiu o ar limpo que antes tomava conta de meus pulmões. Com cuidado, desci as escadas e comecei a procurar por uma janela, mas todas estavam fechadas com pregos. Dei uma espiada para o lugar por onde descera e agora os dois estavam no topo da escada, lado a lado, me olhando. Era terrivelmente assustador. Peguei meu celular e liguei para a polícia, pois não sabia o que mais fazer nessa situação. Falaram que mandariam um carro imediatamente e que era para eu ficar no telefone até que chegassem. Andei pelo porão usando meu celular como lanterna. Não provia muita luz, sendo que estava no meio de uma ligação, mas era o suficiente. 

Haviam estantes cheias de porcarias alinhadas no porão, separadas quase como em corredores. Fui verificar se alguma das janelas estava solta (como se eu tivesse essa sorte). Então quando me virei e iluminei com meu celular eu estava a centímetros dos rostos sem vida dos pais de Ben. Dei um grito e corri na outra direção, tropeçando em algo e fazendo meu celular voar da minha mão. Claro, ele caiu com a tela para baixo, eu não conseguia achá-lo. Corri de volta para a escada em direção da cozinha, olhando para trás e vendo os dois parados nos pés da escada, com um leve sorriso em seus rostos. 

Corri pelo corredor e sai voando pela porta, gritando quando vi o policial logo na minha frente. Ele me perguntou se eu que tinha feito a ligação e eu o empurrei para sair da casa, e disse que sim.  Olhei para a janela e vi os pais sentados em suas poltronas, assistindo à televisão. Expliquei como aquelas pessoas loucas tinham me aprisionado em sua casa e estavam me perseguindo lá dentro. 

O policial entrou na casa para conversar com os pais enquanto eu esperava dentro da viatura. Ele voltou cerca de cinco minutos depois e perguntou se eu tinha certeza que alguém havia me perseguido. Eu disse que sim, certeza absoluta. Que tinham sido as duas pessoas que moravam lá. Ele então me informou que as pessoas que moravam lá, que as pessoas que estavam sentadas na cadeira, eles estavam mortos já fazia muito tempo. Perguntei sobre o cheiro no porão, ele disse que havia outro corpo lá embaixo. 

O reforço chegou. Dei meu depoimento e expliquei sobre como estava vindo todos os dias naquela casa por meses e meses para alimentar os gatos. Pedi para que ligassem para Ben, o filho do casal. Passei o número dele e esse não funcionava mais. Alguns dias depois descobri que o corpo no porão era de Ben. 


Não entendo. Quem estava me pagando?

***
FONTE

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião!


29 comentários:

  1. Muito boa a creepy, e sim, seria legal mais uma série, mas por favor, sem final clichê como a última...

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  2. Muito interessante! Achou que tratou desenvolveu bem e passou uma ótima narrativa. Talvez o clímax pudesse ser um pouco mais detalhada, com mais detalhes do porão e dos pais do Ben, mas gosto bastante.

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  3. Boa creepy, eu prefiro contos, mas séries só se forem boas como a última.

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  4. Traz uma serie boa!!! Ou mais contos do Tommy Taffy, que a gente ama hahaha

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  5. Prefiro contos como esse, e de vez em quando, séries de contos interligados como os do Tommy Taff, mas, se for fazer uma série, seja com um final menos clichê que o da última.

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  6. Uau, simplesmente, uau
    ps: Acho que sou a única pessoa que prefere mais contos :'v

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    1. Contos também
      Qualquer mindfuck bugado ou como aquele do "insano" é perfeito

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  7. Termina o Runners please, tô me coçando pra não ler em inglês pq n vou entender direutk

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  8. Amo as series e contos, acho q queria a divina postado todo dia na vdd u u mas como n da prefiro series pq imagino filmes kkk

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  9. 10/10 eu amei.

    Será que tem mais Tommy Taffy?

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  10. que loucuraaaa. eu jurava que o tal do Ben tinha algum distúrbio mental e estava mantendo os pais dele como animais de estimação.
    mas peraí, quem comia a ração?
    -
    eu prefiro séries.

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  11. Tava sendo pago e é oque importa kkkkk to a tanto tempo desempregada que aceitaria esse emprego de boa.

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  12. Seria o falso Ben um Ghoul? Interessante, mas já suspeitava da verdade bem no meio do texto. Ainda assim, é envolvente. 8/10.

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  13. Amei essa ♡ (Divina, eu acho legal aquelas compilações de contos do mesmo gênero)

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  14. Também queria saber como ele era pago

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  15. Era óbvio que os gatos iniciaram um plano macabro, mataram os donos e contrataram seu próprio mordomo kkkkkk

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  16. O cara encontra três corpos na casa e se pergunta quem estava pagando ele eu em

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  17. O MLK VE UNS FANTASMA E SE PERGUNTA QUEM TAVA PAGANDO

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