24/06/2017

Charles Robert Olevsky

Se você colocar "Charles Robert Olevsky" no google, não vai achar nada. Quer dizer, provavelmente agora vai encontrar coisas relacionadas a esse texto que está lendo, mas além disso, meu nome nunca esteve antes na internet. Tenho uma vida bem monótona. Vivo a noite pelo dia. Classe-média alta. Sem família, poucos amigos. Para ser honesto, sou bem caseiro. A vida é mais fácil assim. 

Ontem à noite, em um impulso provocado pelo tédio, procurei meu nome completo no Google. Esperava encontrar o de sempre: nada. Mas não foi bem assim. Haviam milhares e milhares de novos resultados: novos artigos, páginas no Wikipédia, menções em redes sociais - até fotos. Mas não eram fotos que eu me lembrava de ter tirado. E eu parecia bem mais velho; pelo menos 20 anos. Estava cercado de homens uniformizados que carregavam armas. Em um misto de frenesi confusão e pavor, cliquei no primeiro artigo. Meu corpo gelou. 

"Charles Robert Olevsky, fundador e líder da Milicia Novo Amanhecer Branco (New White Dawn Militia, em inglês), anunciou hoje a conclusão bem-sucedida de sua campanha para eliminar a "ameaça imigrante" do sul dos Estados Unidos. Essa foi a maior campanha feita pela MNAB (NWDM, em inglês), resultando na morte de 250,000 imigrantes ou supostos imigrantes. Com o sucesso arrebatador das novas ações da MNAB e a falta de intervenções vindas do governo americano, acredita-se que Charles Robert Olevsky continuará indo do Sul até o México."

Com mãos tremulas, dei zoom em mim na foto. No meu pulso estava o relógio que sempre uso. O que meu pai me deu. Minutos se passavam enquanto eu lia mais e mais sobre as atrocidades que era acusado de cometer. Assassinatos em massa. Estupros sistemáticos como táticas de colocar terror. Tortura. Todas as vítimas eram inocentes. 

Haviam vídeos meus da época em que a MNAB começara. Vídeo propagandas. Alguém gravava enquanto eu caminhava pela rua com um rifle nas costas, intimidando e espancando qualquer um que não parecesse que pertencesse àquela área em particular. Cada vídeo me retratava praticando um tipo de violência diferente. Performava aqueles atos com uma calma absurda e falava com as vítimas como um patriarca fala com seus filhos quando está explicando o motivo de estarem apanhando. Ao passar dos vídeos, comecei a matar pessoas. Quando os familiares corriam para o corpo de seus entes queridos mortos, eu atirava neles também. 

Antes de conseguir terminar o último vídeo, minha internet caiu. Me sentia enjoado do estomago e tonto. Culpado, também. Aquele homem não podia ser eu. Quando a conexão voltou, tentei continuar o vídeo. Não funcionava. Fechei o navegador e tentei de novo. Quando digitei "Charles Robert Olevsky", não apareceu nenhum resultado. Tudo que o Google me mostrava eram pessoas que tinham ou "Charles" ou "Robert" ou "Olevsky" em seus nomes. Nada me mencionando. 


Abri o meu histórico de navegação e comecei a abrir os links que havia acessado meia hora atrás. Todos davam o famoso Error 404. Não existia nada lá. Comecei a achar que estava enlouquecendo. Mas então me lembrei as fotos de mim vestido do mesmo jeito que me visto a 30 anos. Entretanto, os vídeos foram o que me deixaram mais abalado. Nada em minhas ações ali eram quem eu sou enquanto pessoa. Olhei de relance para onde minha impressora ficava. O pacote do software que eu comprara para aprender espanhol está em cima dela. Pensei nas cenas horríveis que vira nos vídeos. Comecei a chorar. Toda vez que eu falava com alguém que eu violentava - toda vez que eu zombava enquanto sangravam na sarjeta, eu falava em perfeito espanhol. 
Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 

23 comentários:

  1. Se eu dissesse que entendi algo, estaria mentindo.

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  2. Sério que vocês não entenderam? O cara procurou o nome dele no google e viu notícias onde ele matava imigrantes sem dó nem piedade. Ele meio que viu o que ele se tornaria no futuro

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  3. Final fraco, achei que ele faria algo a respeito ou sei lá.

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  4. Wow, adorei. Aquela creepy que faz você pensar em um milhão de coisas. Seria um universo paralelo? Erro no Matrix? Ele realmente vai se tornar tudo aquilo pelo fato de ter visto essas notas? 10/10

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  5. Até que eu gostei, mas exagerou demais o numero de mortes e os fatos, se tivesse se mantido um padrão mais realista teria dado aquele medo.

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  6. Ele pode ter tido acesso a algum universo paralelo por alguns instantes, onde ele era um assassino. Ou não tbm, slá hue

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  7. Legalzinha, Nn é"HA" creepy Mas é legal

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  8. Legalzinha, Nn é"HA" creepy Mas é legal

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  9. Simples, porém legal. Deixa um ar de mistério sobre o que aconteceu/ vai acontecer com o futuro do mesmo após essa "descoberta", 8/10.

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  10. Tem uma creepy parecida com essa. A garota pesquisa o nome dela, abre uma página no Wikipedia (que eh o 1 resultado) e lá conta toda a história de vida dela, inclusive como ela morre e quando.

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    1. Ah lembro de ter lido essa creepy por aqui mesmo. Só não lembro o nome kkk

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    2. acho que era uma em que a garota era patinadora profissional ou bailarina ou algo assim, era um nome russo ou algo do genero mas não lembro o nome da creepy :(

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    3. Annora Petrova ou Petrov, não lembro, mas é bem legalzinha.

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  11. eu gostei, achei bem escrita e o final totalmente wtf ficou muito bom!

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  12. Fraquinha, interessante de ler mas muito monótono. Fica na memória algumas partes, me peguei lembrando da creepy várias vezes durante a minha rotina
    4/10

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  13. Bem legal, te faz pensar se ele está vendo o futuro ou um universo paralelo. E se for o futuro, ele mudaria o que está por vir, seria inevitável, ou ele se tornaria tudo isso apenas porq já sabia antes?

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