12/06/2017

Sou jurado de um caso muito estranho (PARTE 2)

PARTE 1

Bem, na última postagem que fiz, algumas pessoas começaram a surtar pelo fato de que sou um jurado e estou postando fatos sobre o caso na internet. Meu ponto é que, não estou aqui para obter opiniões sobre o caso. Sou imparcial referente ao julgamento de John Willis. Toda aquela informação é apenas uma base para uma visão geral do que está acontecendo. O que realmente me preocupa e perturba são as coisas que vem acontecendo fora do tribunal desde que o julgamento começou. Então, por favor, se você veio aqui protestar sobre isso, nem comece. 

Além do mais, o caso de John Willis está acontecendo em uma cidade relativamente pequena, e por isso não está sendo noticiada. Nem os jornais locais estão em cima desse caso, então... É. Vamos voltar ao que importa. Tive que ir ao mercado na tarde de sábado, e quando fui abrir a porta do meu carro, fiquei com as mãos cobertas com pó preto, como se estivesse na parte de trás da maçaneta. Não soube na hora como e enquanto escrevo aqui, ainda não sei. 

De qualquer forma, no caminho ao mercado, ouvi algo se mexendo no banco de trás do carro. Me apavorou para caralho, claro, mas como estava dirigindo na autoestrada, não tinha como estacionar e ver o que era. Olhei pelo retrovisor e não vi nada. Só para ter certeza, dei uma espiada rápida por cima do meu ombro e..... Bem, não tenho certeza do que vi. Tinha algo meio que se escondendo debaixo de uma capa negra. Dei um grito e olhei para a frente, quase bati na traseira de um carro na minha frente. Me recompus e olhei para trás de novo, mas só havia um monte de pó preto em cima do banco. 

Fui e voltei do mercado sem mais nenhum problema, se bem que fiquei checando o banco traseiro a cada dez segundos na volta para casa. Cheguei em casa e destranquei a porta da frente, mais uma vez ficando com o pó preto nas mãos. Achei que seja lá o que fosse aquilo, ou estava acontecendo naquele momento na minha casa, ou era do que acontecera na noite anterior. 

Entrei em casa e nada parecia estranho. E foi assim pelo resto do dia. Nada aconteceu até o cair da noite. Eu estava sentado na sala com meu notebook no colo, e senti uma brisa. Mas era uma brisa extremamente gelada, como se eu tivesse andando na frente de um freezer aberto, mas ainda mais frio.  Nenhuma das minhas janelas estava aberta (estamos no inverno), e o ar condicionado estava desligado (porque, obviamente, estamos no inverno). Levantei para procurar a fonte daquele frio. Andei pelo corredor e percebi que a janela do meu banheiro estava aberta. Havia, é claro, pó preto no batente da janela. Imaginei que isso significava que algo estava para acontecer. 

Voltei para o sofá, ignorando completamente meu notebook, me focando somente na sala ao meu redor. Fiquei lá, em alerta máxima, até cair no sono. Quando me acordei na manhã de domingo, ainda sentado no sofá, senti que algo estava diferente, mas não conseguia dizer o que. Me levantei cuidadosamente e andei pela casa, tentando encontrar algo fora do normal. Não achei nada, mas continuei com aquela sensação esmagadora de algo fora feito. 

A maior parte do domingo foi normal, mas então o sol se pôs. Logo no entardecer, ouvi umas batidas vindo do meu sótão. Devo dizer aqui que sou o tipo de pessoa que tenta justificar as coisas ao máximo antes de levar para o lado sobrenatural/paranormal. Imaginei que algum animal tinha conseguido de alguma forma entrar no meu sótão. Ouvia barulhos de arranhados, como um esquilo correndo para lá e para cá. 
Então, de repente, ouvi uma batida muito forte vindo bem da área acima de mim. Ouvi depois algo deslizando, como se alguém estivesse arrastando seus enormes pés pelo chão do sótão. Liguei para a polícia, pois não sou idiota, e eles vieram e inspecionaram o cômodo que, claro, estava vazio. Me perguntaram o que era o pó preto que cobria todo o chão, algo que não pude responder. Os policiais foram embora, mas deixaram comigo seus cartões caso eu tivesse problemas futuros.
Por volta das onze da noite, não muito após a saída dos policiais, ouvi algo batendo e deslizando no meu corredor. Antes mesmo de olhar, já sabia que era a escada que saía do teto e dava no sótão. Ou algo tinha puxando de baixo ou aberto de cima. Ou, pensei, os policiais não tinham a fechado propriamente depois de sair de lá, então tinha caído sozinha. Andei em direção dela e de repente, como se alguém tivesse ligado um interruptor, uma luz extremamente brilhante irradiou do sótão para o corredor. Congelei no lugar onde estava e esperei mais alguma coisa acontecer. A luz parecia ficar cada vez mais forte até estar completamente branca, ao ponto de estar machucando meus olhos. Então, tão rápido quanto começou, parou, com um som que parecia de uma lâmpada estourando lá em cima. 

Ouvi o som familiar de algo se arrastando de perto da porta do sótão para o outro canto do cômodo. Corri e fechei a porta/escada e fiz questão de conferir se estava bem trancada. Esse foi o último acontecimento de domingo.

Hoje, me apresentei no tribunal às 09h. Hoje era o dia de entrevistar as testemunhas e da cross-examination

Testemunha da defesa #1: Rebecca Dimone

Rebecca Dimone é a vizinha que mora ao lado de John. Seu depoimento inicial foi dado durante prospecção, o qual ela reiterou para a corte. Mencionou que estava em seu quintal praticando jardinagem antes do entardecer. Por volta das 19h45, John saiu pela porta, andou pelo quintal dele, os dois tocaram um aceno, e voltou para dentro de casa sem fazer nada lá fora. Pouco depois, ouviu um grito, apenas um grito. Disse que foi como um ganido curto, não como se alguém estivesse sendo ferido, mas como se alguém tivesse dado um susto de brincadeira na pessoa. 

Durante a cross-examination, a acusação perguntou se, por ter sido tão curto, tinha certeza de que o que ouvira fora um grito. Ela disse que sim, e que era certo que havia vindo de dentro da casa. Então, a defesa perguntou para Rebecca descrever seu relacionamento com John, se é que houvesse algum, e o que achava do mesmo como vizinho. 

Rebecca disse que eram vizinhos desde que ele havia se mudado para a casa do lado, e que parecia ser um homem amigável.  Ele e sua esposa se apresentaram para ela logo após se mudarem, e disse que pareciam genuinamente felizes. Contou também que, algumas semanas antes dos assassinatos, John foi até sua casa e perguntou se ela ouvira algum barulho estranho em seu sótão recentemente. Quando falou que não, ele ficou parado olhado para dentro da casa dela até Rebecca fechar a porta. Foi a única vez que tivera algum "problema" com ele, e finalizou dizendo que o considerava um bom vizinho. 

Testemunha da defesa #2: James Bradley

A extensão do testemunho de James Bradley foi acerca da informação que John havia ligado para ele várias vezes para falar sobre as coisas estranhas que estavam acontecendo em sua casa. Sensações de estar sendo observado, coisas fora do lugar, algo paranormal. 

A acusação apenas o interrogou vorazmente sobre ser um "especialista em atividades paranormais", e essencialmente fez sua profissão parecer uma grande piada. 

Testemunha da acusação #1: Amanda Clement

Amanda era amiga da irmã da John, Erica. Informou para a corte que Erica havia sido recentemente pedida em casamento, e que estava considerando se mudar para outro estado, sendo que seu noivo estava sendo transferido por causa do trabalho. As duas tinham ido até uma cafeteria pouco antes de Erica voltar para casa e ser brutalmente assassinada. Ela tinha intenção de contar as novidades para John naquela noite. 


Testemunha da acusação #2: Anthony Mineo

Anthony "Tony" Mineo foi a testemunha da acusação da vez. Aparentemente, ele era amante de Jessica Willis, e que ambos estavam tendo um relacionamento extraconjugal faziam quase dois anos. Na opinião de Tony, John havia descoberto sobre o caso e havia a matado. A acusação corroborou essa informação apresentando as mensagens entre os dois de um dia antes dos assassinatos, no qual Jessica discutia o fato de que talvez seu marido soubesse sobre o caso. Era uma evidência muito contundente. 

A defesa tentou reavaliar o testemunho de Anthony, e sendo honesto, só fizeram um papelão. Basicamente fizeram-no repetir tudo que já havia dito, e simplesmente perguntaram porque a corte deveria acreditar que ele não era o assassino. Como se fosse um amante desprezado que não aceitava o fato que sua paixão não iria deixar o marido, mesmo que não tivessem base para fazer essa insinuação. 

Foi aí que notei que o advogado de defesa estava agindo estranhamente. Meio que se retorcia toda hora e, em seus olhos, vi um medo que nunca vira antes em ninguém. Agora pensando melhor, ele esteve assim o dia inteiro. Naquela hora seu comportamento me lembrou Jackie. Olhei para ela (estava sentada a duas cadeiras de distância de mim), e notei de cara suas olheiras. Dei uma olhada geral em meus colegas e parecia que mais da metade não tinha conseguido dormir bem desde o primeiro dia do julgamento.


Quando fomos liberados, por volta das 15h, juntei todos que pareciam particularmente abalados e ficamos na salinha onde ficavam as máquinas de lanches, e discutimos nossos problemas individuais. Aqui estão uns que se destacaram. 

Jurado #3: Mike Forsythe
Mike estava dormindo em sua cama ao lado da esposa, e acordou quando ouviu um respirar alto e exagerado. Se virou e viu sua mulher dormindo pesadamente, e que o respirar não era o dela. Então ficou preocupado, esperando que não fosse o cachorro. Foi se levantando para olhar o pé da cama, onde o cachorro dorme todas as noites. Enquanto se sentava na cama, parou quando viu algo de pé no canto do quarto. Estava de frente para ele, mas no escuro, não conseguia distinguir o que era. Disse que era muito alto e parecia que estava vestido com uma capa. 

A pessoa no canto se ajoelhou vagarosamente e começou a engatinhar em direção dele. Mike pulou da cama e acendeu as luzes, e não viu nada, só um pó preto no chão onde o ser havia engatinhado. Ligou para a polícia, que foram até sua residência, recolheram seu depoimento e deram uma olhada pela casa. Sua esposa disse que não viu nem ouviu nada, e estava convencida que havia sido apenas um pesadelo do marido, mesmo sem poder explicar aquele pó todo no chão. 

Jurada #11: Trinette Bryant

Trinette mora com seus dois filhos e seu namorado, que é caminhoneiro, e por isso ele não dorme com frequência em casa. Na sexta à noite, seus dois filhos correram até seu quarto no meio da noite (os dois dormem no mesmo quarto), dizendo que alguém tinha se rastejado para fora do armário e tinha ido para a sala. Trinette disse que se levantou e pegou a faca que guarda escondida atrás do criado-mudo. Mandou seus filhos ficarem no quarto e trancarem a porta, e que era só para abrirem se ela voltasse e falasse a "palavra de segurança" (não falou qual era). 

Trinette andou silenciosamente por sua casa (que é a parte superior de um duplex), ligando as luzes dos cômodos que entrava, e conseguiu ter certeza que ninguém estava em sua casa. Entretanto, o que encontrou foi um rastro de pó preto que ia do quarto dos filhos até a porta da frente, que no caso estava destrancada. Comentou que não confia nos vizinhos do andar debaixo, então nunca, nunca mesmo deixa a porta destrancada. Abriu a porta e viu que o rastro continuava pelo corredor até a escada, e então terminava abaixo da entrada do sótão. 

Jurada #9: Lisandra Mirales

Lisandra estava fazendo a janta e esperando seu marido chegar do trabalho, quando toda a sua cozinha, que estava abafada por causa do fogão e forno, ficou gelada. Disse que a mudança foi em questão de um segundo para o outro. Primeiro, achou que só tinha sentido um arrepio, mas então viu que a temperatura continuava fria. Logo, disse ouvir algo se arrastando no corredor, se afastando dela. 

Rapidamente ela correu até a sala para ligar para a polícia, e disse que quando olhou para o corredor, a coisa tinha sumido, e não havia um rastro perto da entrada do sótão. A polícia veio, olhou a casa e o sótão, mas não encontraram nada. 


Houveram outros depoimentos que eram mais ou menos a mesma coisa que os já citados. Obviamente, os temas em comum aqui são alguém todo de preto andando por aí, casas com sótão e pó preto. Naturalmente, todos estão muito assustados. Um deles disse que amanhã, policiais, detetives e pessoas da área da saúde estarão no tribunal para depor, então espero que assim vamos obter respostas sobre o que diabos é o pó preto que foi encontrado na casa de John Willis. 
***

EM BREVE: "Sou jurado de um caso muito estranho (PARTE 3)"

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 

FONTE: NICKBOTIC


16 comentários:

  1. essa creepy é absurdamente boa. tô adorando.

    ResponderExcluir
  2. Essa ta dando medo 😱
    Muito boa! O pó preto deve ser restos de maquiagem do "ser" sei la

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu acho que se fosse isso,os policiais saberiam identificar, não?

      Excluir
  3. O final dela é melhor do que vocês esperam.

    ResponderExcluir
  4. Respostas
    1. eu também, até me segurei pra não ler no reddit

      Excluir
  5. Provavelmente esse ser, quando se olha para ele, ele virá pó, se o Escobar aparecer acaba rapidinho com essa Estória

    ResponderExcluir
  6. Provavelmente esse ser, quando se olha para ele, ele virá pó, se o Escobar aparecer acaba rapidinho com essa Estória

    ResponderExcluir