19/06/2017

Sou jurado de um caso muito estranho (FINAL)

Gente, por causa do feriado (fico sem PC pra traduzir), acho que trago a última parte sábado ou no mais tardar segunda-feira! Prometo! <3 


PARTE 1 - PARTE 2 - PARTE 3

A noite de ontem, antes da deliberação do júri, trouxe apenas uma coisa. Um pesadelo terrível. 
Estávamos todos sentados ao redor de uma mesa, discutindo os aspectos sobre o caso, as inconsistências da defesa principalmente. Parecia ser uma derrota relativa. Os jurados afetados pareciam estar bem, e não entramos na questão das estranhezas que nos assolavam. Então, algo vindo do teto caiu em nós. Olhamos todos para cima enquanto pó preto caia na mesa. Alguém bate na porta. A maçaneta é aberta por fora, e Anthony Mineo entra na sala, o amante da falecida Jessica Willis.

Ele dá uma volta envolta da mesa enquanto permanecemos sentados em silêncio. Logo cai de joelhos no chão e canta algo que não consigo lembrar o que era. Todo o teto sobre a mesa desaba, parecendo ser culpa da quantidade absurda de pó preto que estava em cima dele. Do pó surge a forma da entidade que vem nos assombrando na última semana. Fica maior do que jamais poderia imaginar, e fica em um lado da mesa, onde estão jurados afetados e não, e os envolve com sua capa. Quando recolhe seu braço, a revelação é grotesca. Todos que haviam sido cobertos pela capa são agora basicamente pilhas de pele e órgãos, seus ossos parecem ter sumido.

A entidade pula por cima da mesa e agarra a pessoa que está tentando correr em direção da porta, mas não teve a sorte de conseguir abri-la a tempo. Então amassa a mulher como se fosse uma bolinha de papel, sangue espirrando para todos os lados, e a joga para o lado como se não fosse nada. De repente o resto dos jurados, exceto eu, entram em combustão espontânea. Correm por todos os lados gritando, mas não há fumaça saindo de seus corpos. Seus restos mortais viram nada mais do que pó preto. A coisa novamente pula para cima da mesa e engatinha em minha direção (estou sentado na ponta da mesa, em choque). Vem se aproximando de mim e finalmente vejo seu rosto. É exatamente como Lisandra havia descrito. O mais puro mal. Ódio. Raiva. Todas as emoções negativas emaranhadas em um rosto retorcido. 

Ele se atira em minha direção; eu acordo. 

Foi sem dúvida nenhuma o pesadelo mais vívido que já tive. Liguei para Lisandra, que coincidentemente também tinha tido o mesmo sonho (logo depois descobrimos que todos os afetados o tiveram). Tudo isso tinha a ver com Anthony Mineo. Pouco depois, eu e os outros afetados nos encontramos em um restaurante 24h perto do tribunal (era por volta das quatro da manhã), e ficamos conversando até dar o horário do julgamento. Trinette tinha aparentemente perdido sua sanidade e perguntou para os outros jurados não afetados se em suas casas haviam sótão, a maioria disse que sim, então não fazemos ideia porque nós tínhamos sido os escolhidos. 
Era hora do julgamento, e entramos na sala de tribunal, nós seis fatigados com o que poderia potencialmente acontecer. Ambos os lados fizeram suas argumentações finais; a defesa basicamente já tinha desistido de tudo e só imploraram para que nós não o declarássemos culpado. John estava todo desgrenhado, tenho certeza que alguém naquele tribunal já tinha perguntado para ele se estava de ressaca. Tinha olheiras, e notei manchas pretas nas pontas dos dedos e nas palmas da mão. Estava pior que nós todos.  

Era finalmente o momento de nossa deliberação. Nenhum dos jurados afetados sentou nas cadeiras da ponta da mesa. Obviamente, nós seis declaramos John inocente, os outros seis declararam culpado. Então começamos com a longa explicação de tudo que havia acontecido conosco, e o motivo para aquela moça doida ter feito a pergunta se em suas casas tinha sótão. Olharam para nós como se fossemos loucos, e com direito. Ficamos sentados naquela sala por horas, tentando convencê-los que tinha algo a mais acontecendo, e para olharem além das armadilhas óbvias da defesa. Comentamos também que, seja lá o que isso fosse, também estava afetando o advogado da defesa. 

Então veio o momento de irmos até o juiz para falar que não tínhamos chegado a um acordo. Todos saímos da sala, e vimos o advogado da defesa abrindo sua pasta. Quando demos a notícia de que não tínhamos chegado a um veredito, o advogado de defesa pegou um revólver de dentro da pasta e alcançou para John Willis, que o colocou na boca e apertou o gatilho. Logo depois o advogado fez o mesmo. Um grito desumano tomou conta do tribunal. Mal tivemos tempo de reagir antes de sermos arrancados da corte e colocados de novo da sala de deliberação. 

Ficamos lá dentro pelo que pareceram horas, mas na verdade foram poucos minutos. Foi retirado de nós o poder de júri daquele caso, e nos informaram que a polícia chegaria em breve para recolher nossos depoimentos, e assim foi. Falamos o que vimos e fomos liberados. Voltei para o meu quarto de hotel, achando que aquela prova de fogo tinha chegado ao fim. Deus, como eu estava enganado. 

Abri a porta do meu quarto e estava coberto, e quero dizer absolutamente coberto, do chão ao teto, de uma parede a outra, em pó preto. Naturalmente, entrei para investigar... brincadeirinha. Eu corri de lá como se tivesse roubado alguma coisa. Fiz o que já devia ter feito no momento de saída do tribunal, reuni o grupo com ajuda de Marcus, outro jurado afetado, e decidi que tínhamos que ver qual era o lance com Anthony Mineo, sendo que ele aparecera nos nossos sonhos. 

Ele morava na divisa da cidade em uma pequena fazenda, e assim que chegamos lá, não nos sentimos bem-vindos. Haviam coisas estranhas pendurada nas árvores, gravetos em formas estranhas, fardos de feno em padrões que não consigo nem explicar. Fomos até a porta da residência e batemos. Ele abriu a porta, revelando-se vestido com uma túnica negra com capuz, com vários símbolos e formas pintados em seu rosto com maquiagem preta. Antes mesmo de podermos falar alguma coisa, ele falou. 

"Ele vive em cima, e toma conta de baixo." 

Bem, olá para você também, Sr. Mineo. Fizemos várias perguntas para ele, sobre o que estava acontecendo conosco, sobre o que aconteceu com a família de John, e porque John e seu advogado tinham se matado. Surpreendentemente, respondeu nossas perguntas relativamente sem problema algum.

O que aconteceu com a família Willis

Anthony começou a ficar farto depois de dois anos como amante da esposa de John Willis. Anos antes, ele havia morado em Nova Orleans e se tornou um praticante de 
Hoodoo. Decidiu de livrar de John usando um feitiço para invocar uma entidade que o mataria. Mas o plano foi um tiro no próprio pé. A entidade se apaixonou por John e não queria nada mais do que o consumir e fazê-lo só seu. Aparentemente, John recusou os encantos da entidade, e como punição, matou sua esposa e sua irmã. 


Por que só nós seis fomos afetados entre os jurados?
De acordo com Anthony, essa entidade se alimenta de crenças. É bem simples, na verdade. Quanto mais a pessoa acredita e teme a entidade (que na verdade tem um nome, mas nem em mil anos eu conseguiria pronunciar corretamente, muito menos escrever), mais poderosa ela fica. Aumenta as fraquezas da pessoa afetada, deixa-as basicamente loucas, e depois leva a alma e a sanidade do afetado para o inferno de onde veio, aparentemente é lá que vive com seus eternos escravos. O motivo para termos sido afetados, é que nos víamos como vítimas. Os outros jurados não foram afetados basicamente por não acreditarem no paranormal. 

Eu achava que não acreditava nessas coisas, mas aparentemente acredito. E pelo visto, acredito ao ponto de estar dando poder para essa coisa. Ele pode estar em vários lugares ao mesmo tempo, e sempre se abriga em lugares onde possa estar sobre a pessoa que quer afetar. Se a pessoa não tem sótão, ficaria no forro do telhado da casa. Se você mora em um prédio, se abrigaria no apartamento do andar de cima, não deixando vestígios da sua presenta, a não ser pelo pó preto. 

Resumidamente, quanto mais você se envolve, mais poderoso ele fica. 
 

Por que John e seu advogado cometeram suicídio?

A resposta de Anthony para essa foi bem direta. Se mataram porque perceberam que essa assombração continuaria pelo resto de suas vidas, e solucionaram o problema da única forma que conheciam. Faz bastante sentido, se você me perguntar. 
O que podemos fazer?

Claro, perguntamos para Anthony como podíamos acabar com esse feitiço. Ele nos deu uma lista de instruções, diversos temperos, sais, plantas e direções de como usá-los. Gentilmente, nos forneceu o suficiente para distribuir para os outros jurados, enquanto se desculpava profundamente, dizendo que nunca teve a intenção que tantas pessoas assim fossem feridas e afetadas. Disse que temos que seguir suas instruções à risca, ou perderíamos a batalha e seriamos arrastados para o inferno logo, logo. Sem pressão. 

Saímos de Anthony, distribuímos os ingredientes e instruções entre todos e cada um foi para o seu lado. 

Se livrando da entidade de uma vez por todas

Segui as instruções de Anthony da forma mais precisa que pude. Primeiro, eu tinha que voltar para casa e colocar sal e os temperos perto de todas as entradas/saídas da minha casa (portas, janelas, etc.). Não manter a entidade fora, mas dentro, pois é onde já estava. Aparentemente ele gosta de ficar te caçando quando você está cansado e, de acordo com Anthony, ele só pode arrastar alguém para o inferno precisamente às 22:28 (não me pergunte o motivo disso, eu não sou o maior entusiasta sobre magia e entidades aqui). 

Depois, peguei as várias ervas que Anthony me dera e esmaguei-as o melhor que pude. Coloquei-as dentro de um círculo no meio da minha sala de estar. Daí, peguei um monte do pó preto, que Anthony me dera em uma sacolinha, e coloquei em cima das ervas para disfarçá-las do melhor jeito possível. A razão para isso é que, quando volte para o inferno, faça isso através de um portal feito com seu pó. Eu concordaria em ir com ele, e quando ele entrasse no "portal", ele ficaria preso no círculo de ervas, o qual não consegue sair de dentro de novo (Anthony explicou que a entidade pode atravessar para entrar, mas não para sair). 

Esperei até às 22:20. Nesse momento, comecei a chamar pela entidade, dizendo que tinha desistido, que queria ir para o inferno com ele. Foi só as 22:24 que ouvi as escadas do sótão caindo, e logo ouvi o barulho característico da coisa deslizando pelo corredor. Entrou na sala e ficou de frente para mim e, não vou mentir, mijei um pouco nas calças. Eu nunca tinha olhado de frente para ele. 

O corpo por debaixo da capa era duro e miúdo, sua pele escamosa de uma coloração verde escura. Já descrevi seu rosto antes. Tinha mais de dois metros de altura, tendo que se abaixar por de baixo do batente da porta para entrar no cômodo. 

Novamente falei que tinha desistido e queria me juntar a ele no inferno, se me guiasse o caminho. Andou em minha direção, e fiquei parado onde estava. Pairou sobre mim, sendo mais intimidador do que já era, soltando sua respiração quente e pútrida em mim. Quase vomitei quando senti o cheiro. Pó preto caia de seus ombros em mim. 

Contei que havia construído um portal para isso e, mais uma vez, disse que queria ir para o inferno para toda a eternidade, ele só precisava me mostrar o caminho. Ficou me encarando por alguns segundos e depois se virou para o círculo que eu havia feito. Apreensivamente foi em direção do portal, inspecionando-o, olhando para mim a cada poucos segundos para ver o que eu estava fazendo. Eventualmente, ficou do lado de fora do círculo e me convidou para entrar, gesticulando com o braço. 

Pensando rápido, respondo "Sou seu servo, jamais andarei na sua frente." A coisa ficou parada por um momento, dando uma risada debochada, e entrou no círculo. Rapidamente subi em cima do sofá, pegando as folhas que Anthony tinha me dado e eu havia escondido atrás de uma almofada. Eu precisava recitar algumas palavras para banir aquela criatura para sempre da minha casa. Então, dei o meu melhor para recitar o que lia: 

”. Ti o ba ti ẹmí deruba mi ni ibi yi, Ja Omi nipa Omi ati Ina nipa ina, banish ọkàn wọn sinu nothingness ki o si yọ wọn agbara titi ti o kẹhin kakiri Jẹ ki awọn wọnyi buburu eeyan sá Nipasẹ akoko ati aaye kun. ”
De repente, ouço o mesmo grito desumano que havia ouvido no tribunal, e o círculo no chão foi tomado por chamas. A entidade então ficou me olhando sem ter olhos, e lentamente foi caindo nas labaredas. Quando ficou totalmente tapado pelo fogo, ele se apagou, e tudo que sobrou foi uma pilha de pó preto. 

Não preciso nem dizer que não conseguia acreditar em meus próprios olhos. Anthony falou que, se um dia eu me mudar, preciso realizar o mesmo feitiço na nova casa para ter certeza que ele não voltaria. Só para ter certeza, eu não vou me mudar. Nunca. Bem simples. 

Liguei para os outros, mas só tive resposta de dois (até agora). Marcus e Lisandra disseram que o feitiço ocorrera da exata mesma forma que o meu, e os dois já se sentiam seguros. Não sei bem o que aconteceu com os outros jurados afetados, mas espero que estejam bem. Irei fazer uma atualização quando souber mais deles. 

Não sei se esse era o fim que vocês estavam aguardando, ou esperando, mas isso é o fim de todas as coisas que aconteceram comigo. Não sei se já me sinto seguro, acho que o tempo dirá. Obrigado por todo o apoio e conselhos. 

Nick

ATUALIZAÇÃO:

Recebi uma ligação alguns dias depois. Os outros três jurados que não consegui contato após o ritual estão de fato mortos. Não sei os detalhes, mas ouvi por outras pessoas que faleceram. Tem toda uma investigação acontecendo por coisas estranhas que foram encontradas nas casas dos falecidos, os sais, temperos, ervas e claro, o pó preto. Alguém falou que estão achando ser suicídio ritualístico. Nós sabemos que esse não é o caso. Me sinto péssimo por saber que várias pessoas tiveram que morrer por causa de um caso amoroso. Fiquem todos bem. Fiquem seguros. 


 ***
FIM

Esse conto foi traduzido exclusivamente para o site Creepypasta Brasil. Se você vê-lo em outro site do gênero e sem créditos ou fonte, nos avise! Obrigada! Se gostou, comente, só assim saberemos se vocês estão gostando dos contos e/ou séries que estamos postando. A qualidade do nosso blog depende muito da sua opinião! 

FONTE: NICKBOTIC


22 comentários:

  1. Woow que massa eu nao esperava acabar assim mais foi legal foi muito legal

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  2. Respostas
    1. Qual o problema?!
      Os capirotos tbm tem sentimentos...

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  3. eu realmente não esperava esse final, mas mesmo assim não me decepcionou. pela primeira vez uma creepy acabou "bem" heueheuhueheueheueh

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  4. Show de bola, divina sendo divina... Agora quero a continuação da coisa embaixo da avenida Paulista...

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  5. Eram mais de uma entidade? Pq se fosse só uma entidade, era só fazer o ritual na casa de um dos jurados e pronto. Pq fazer na casa de todos eles se, a principio, depois do ritual estar pronto A Entidade ja esta presa no Inferno?

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    1. Alguém Onipresente não pode ser Banido, mas valeu a tentativa. Próximo.

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  6. Um demônio que se apaixonou por um humano? interessante...

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  7. Wooow! Perfeito!
    Um bom lugar pra "pegar" contos é o MundoGump, a maioria não é historia de terror mas varias são (todas muito bem escritas e com final ininaginavel). Dá pra mandar msg pro dono e pedir permissão pra usar.

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  8. 9/10 muito interessabte de ler, mesmo saindo dos meus gostos eu adorei
    Ps: sobre essa hora que ele aparece, era a mesma hora que eu tava lendo, foi a única coisa que arrepiou mesmo

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  9. Então os outros jurados estão presos no inferno pra toda a eternidade? lol

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  10. Muito bom mesmo o final, pois acabou bem, ao mesmo tempo que teve aquele final "trágico" pois nem tds se salvaram.

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  11. Outros jurados tomaram na jabiraca por toda eternidad, puts

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  12. Outros jurados tomaram na jabiraca por toda eternidad, puts

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  13. Entidade do pó preto, seria o Aécio Fuligem?

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  14. Eu não acredito em finais felizes... não mesmo meus irmãozinho!!

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